Love Like Winter

8 Roubo silencioso


Notas iniciais
Olá a todos. Voltei. Caros leitores e queridos amigos do Sixth Guns. Como prometido, dessa vez nem demorou muito: dois capítulos no mesmo mês é uma vitória. Espero que gostem da continuação da história. Boa leitura.


Nos dias seguintes, eles se prepararam intensamente na pequena sala da cabana. Cada momento era dedicado ao treino e à estratégia, discutindo cada detalhe com atenção e cuidado. A luz suave que entrava pela janela iluminava seus rostos concentrados, refletindo a seriedade do desafio que os aguardava.

Aoi estudou as plantas do museu para identificar rotas alternativas.

— A máscara e a katana estão aqui — disse Aoi, apontando com o dedo para a Ala Samurai no mapa, com um olhar focado e determinado. — A chaleira está no andar de cima, na área dos objetos cotidianos do Período Edo. Precisamos agir com rapidez e precisão para evitar sermos detectados.

Kai revisou os horários das rondas dos guardas.

— Dois andares diferentes, dois guardas fixos e câmeras nos corredores. — Kai cruzou os braços e franziu a testa em concentração. — Alguém precisa desviar a atenção enquanto outros agem. Se não conseguirmos uma estratégia eficaz, nosso plano pode fracassar antes mesmo de começar.

Ruki estalou a língua com um sorriso malicioso, indicando que já tinha uma ideia brilhante para a distração.

— Então, deixem comigo a parte do caos. Eu sou ótimo nisso. Dêem-me cinco minutos e um isqueiro, que o susto será lendário. Relaxem, não vou botar fogo no templo... Só na credibilidade dos guardas.

— Oni-san, Ruki... — Reita olhou sério, tentando conter o entusiasmo do amigo. — Nada que envolva incêndio. Precisamos ser discretos e cuidadosos para evitar causar danos irreparáveis ou chamar atenção desnecessária.

— Ok, tudo bem. Que tal isso: uma aparição? Uma dama de branco flutuando no corredor do segundo andar. — Ruki olhou para Uruha com um sorriso diabólico, cheio de expectativa. — Já que temos uma verdadeira à disposição, podemos usar isso a nosso favor para assustar os guardas e ganhar tempo.

Uruha o encarou com um misto de reprovação e sarcasmo, claramente desconfortável com a ideia.

— Você quer que eu... me finja de fantasma? — perguntou, a voz carregada de incredulidade e um toque de humor, misturando surpresa e uma pitada de dúvida, enquanto seus olhos buscavam entender se aquilo era uma brincadeira ou um plano sério.

— Exatamente! — Ruki bateu palmas, entusiasmado com a aceitação da ideia, seu rosto iluminado por um sorriso cheio de animação e confiança.

— Imagine só: uma leve emanação fria que percorre o corredor, uma névoa ilusória que se espalha sutilmente pelo ambiente, talvez até um som antigo vindo de outra sala, algo que mexa com a imaginação dos guardas. Garanto que eles vão correr antes mesmo de pensar em conferir se é uma encenação. Vai ser épico, uma cena digna de um filme de suspense!

Ruki continuou, já visualizando todo o cenário em sua mente e compartilhando cada detalhe com entusiasmo crescente.

— Podemos usar luzes fracas e sombras estratégicas para aumentar o efeito, e talvez até uma trilha sonora suave, algo que faça o coração acelerar. A ideia é criar um clima tão realista que ninguém duvide da presença de um fantasma. Isso vai desestabilizar a segurança e nos dar a vantagem que precisamos para avançar sem sermos notados.

Aoi, ainda um pouco hesitante, começou a se convencer com a descrição vívida e o entusiasmo contagiante de Ruki.

— Mas e se alguém perceber que é uma farsa? E se os guardas não caírem na brincadeira? — perguntou, buscando segurança no plano.

— Por isso, precisamos treinar os detalhes, ensaiar cada movimento e cada efeito com precisão. A surpresa e o medo são nossas maiores armas aqui. — Ruki respondeu com firmeza, mostrando que havia pensado em tudo. — Confie em mim; isso vai funcionar. Além disso, mesmo que alguém desconfie, o caos inicial já será suficiente para causar uma distração valiosa.

A conversa prosseguiu, com ambos ajustando o plano, discutindo possibilidades e preparando-se para transformar uma ideia aparentemente absurda em uma estratégia brilhante e eficaz.

A mistura de medo, humor e determinação criava uma atmosfera única, na qual o impossível parecia ao alcance das mãos.

Ruki planejou cada detalhe da distração, e Uruha praticou controlar sua presença espiritual e energia fria para criar a ilusão perfeita.

Reita treinou e revisou o plano para garantir que ninguém fosse pego de surpresa.

Enquanto o grupo discutia os detalhes finais do plano, cada um sentia a tensão e a excitação crescendo. Sabiam que a missão exigiria coragem, precisão e um pouco de sorte, mas estavam determinados a recuperar as relíquias sagradas e respeitar o espírito do general, que protegia aquele lugar há séculos.

Na noite anterior à missão, todos se reuniram novamente na sala para revisar o plano uma última vez. O silêncio predominava, quebrado apenas pelo som das vozes baixas e pelo folhear do mapa sendo manuseado.

A atmosfera estava carregada de mistério, tensão e uma energia especial que só aquele momento poderia proporcionar. Era o momento de agir, de desafiar o desconhecido e de provar que, juntos, poderiam superar qualquer obstáculo.

Assim, três dias antes da lua cheia, o grupo estava preparado para retornar ao museu, pois sabia que esse período era o mais propício para suas intenções. Era justamente quando os véus entre os mundos se tornavam mais sutis, permitindo uma conexão mais estreita entre o mundo físico e o espiritual, o que aumentava suas chances de sucesso na missão.

Com os esquemas de segurança estudados, o plano de extração cuidadosamente elaborado e um manto purificado, que garantiria que retirassem as relíquias sem perturbar o espírito do general, o grupo sentia-se confiante e preparado para enfrentar os desafios que viriam.

________

Reunidos em uma sala vazia do templo — uma antiga sala de chá agora desativada, que exalava um ar de tranquilidade e mistério —, os cinco se debruçaram sobre o mapa do museu que Kai havia conseguido discretamente na entrada da primeira visita deles. O ambiente silencioso e as sombras tênues criavam a atmosfera perfeita para uma discussão estratégica.

Kai soltou um suspiro.

— Estarei em alerta na central elétrica. Observei a caixa de fusíveis próxima à entrada de serviço. Consigo desligar a iluminação por alguns minutos, o que provocará uma falha nas câmeras sem levantar suspeitas de sabotagem, e o sistema a reativará sozinho. Avisem-me quando estiverem prontos.

Aoi concordou com a cabeça.

— Eu serei o responsável pela extração. Já observei o tipo de tranca utilizada nas vitrines, que é magnética e possui alarme. Caso ocorra uma oscilação de energia, elas se abrem por um breve momento. Haverá tempo suficiente.

— Eu ajudo com a katana e a máscara. — Reita se voluntariou. — A vitrine da chaleira é menor; Uruha pode cuidar disso com ajuda do Ruki.

Todos concordaram.

______________

Pouco depois, Kai se posicionou próximo ao quadro de energia, com o celular firmemente em mãos. Um grupo de estudantes passava distraído por ali, conversando e rindo, alheios ao que estava prestes a acontecer. Ele olhou rapidamente para os rostos despreocupados e voltou sua atenção para a tela do aparelho. Com dedos ágeis, digitou no chat do grupo:

“Tudo pronto para o corte. Cinco segundos para o blecaute.”

Reita e Aoi já estavam perto da máscara e escreveram quase que imediatamente:

“Estamos em posição. Pode desligar.”

Sem hesitar, Kai puxou a alavanca do quadro elétrico para baixo. Um clique metálico ecoou no ambiente silencioso, e as luzes começaram a piscar de forma irregular, como se hesitassem em se apagar. Em poucos segundos, o templo foi envolto por uma escuridão total e breve, acompanhada pelo som característico do sistema reiniciando, um zumbido constante que preenchia o ar.

No segundo andar do templo, a escuridão envolveu os guardas como um manto pesado. A luz que antes iluminava o ambiente agora se extinguiu, deixando apenas o som dos rádios chiando em meio ao silêncio opressivo. A tensão no ar era palpável.

— O que aconteceu? Relatem! — ordenou um guarda, sua voz embargada pela preocupação. Ele se posicionou em uma esquina, tentando se acostumar com a ausência de luz.

— Estou tentando me comunicar com o centro de controle, mas não consigo obter resposta! — respondeu outro guarda, seu tom de voz traindo o nervosismo. — A energia simplesmente caiu, e não há sinal de que voltarão a funcionar tão cedo.

— Verifique o gerador de emergência! — sugeriu o guarda próximo, enquanto girava a lanterna em busca de algum sinal de movimento nas sombras. — Precisamos de luz, e rapidamente.

Os rádios continuavam a chiados, e outros guardas começaram a trocar mensagens nervosas. A tensão aumentava a cada segundo, e todos estavam cientes do que estava em jogo.

— O que mais poderia ter causado isso? — indagou um dos guardas perto da chaleira, com a respiração acelerada. — Não há relatos de tempestades ou problemas na rede elétrica. É como se algo mais estivesse acontecendo.

— Pode ser uma falha técnica, mas precisamos nos preparar para o pior — advertiu. — Mantenham-se juntos e alertas. O templo abriga segredos que podem se tornar perigosos na escuridão.

Um dos guardas, com o olhar fixo na porta que levava ao corredor principal, acenou.

— Vamos dividir as equipes. Um grupo ficará aqui para monitorar os rádios, enquanto o outro investigará a área. Precisamos garantir que todos estejam seguros e que ninguém tenha acesso a áreas restritas.

— Vamos agir com cautela, mas com rapidez. A última coisa que precisamos é que um invasor se aproveite da situação.

— Cuidado com a comunicação, não sabemos se os rádios estão sendo monitorados. Se alguém estiver por perto, não queremos que eles saibam nossos planos.

Os guardas se prepararam, dividindo-se em grupos e movendo-se lentamente pela escuridão. Cada passo ecoava na vastidão do templo, um lembrete constante do perigo que poderia estar escondido nas sombras.

Uruha e Ruki ouviram toda a conversa e se prepararam para colocar o plano da aparição e a nevoa em prática assim que restassem apenas dois guardas restaram no segundo andar.

Avisaram Kai para se afastar do quadro de luz, pois alguns guardas estavam indo naquela direção.

A escuridão, que antes parecia apenas uma falha passageira, agora se transformava em um campo de batalha entre a segurança e o desconhecido.

Enquanto isso, Kai aproveitou o momento de escuridão para se mover rapidamente, com passos silenciosos e firmes. Ele sabia que tinha apenas alguns minutos antes de a energia ser restabelecida e que os guardas estivessem novamente em plena vigilância.

Kai sentiu o coração acelerar, consciente de que aquele momento era crucial para o que estava por vir. Ele se misturou ao grupo de estudantes ainda distraídos, alheios ao perigo iminente, e respirou fundo, mantendo a calma, apesar da adrenalina que pulsava em suas veias.

______________

Neste instante, Uruha adentrou o corredor principal com passos silenciosos e decididos, como se cada movimento fosse parte de uma coreografia milenar. O ambiente parecia respirar junto com ela, uma atmosfera densa e carregada de mistério que envolvia cada centímetro daquele espaço antigo.

Ela respirou profundamente, sentindo o ar frio e úmido que impregnava o local, e focou toda sua atenção no que estava por vir. Um sutil nevoeiro começou a subir lentamente aos seus pés, envolvendo sua silhueta de maneira quase etérea, fazendo parecer que desliza pelo chão como se não estivesse em contato direto com o tatame.

Os sensores térmicos espalhados pelo corredor, projetados para detectar qualquer anomalia, começaram a registrar uma interferência incomum, confundindo seu calor irregular com uma distorção inexplicável.

Um vento gélido percorreu o ambiente, surgindo de um ponto invisível, como se a própria essência do lugar estivesse se manifestando. De repente, uma das lâmpadas fluorescentes no teto começou a piscar de forma intensa, lançando sombras dançantes pelas paredes antigas.

Os dois guardas que faziam a segurança naquele corredor ficaram pálidos, com os olhos arregalados, refletindo o medo que começava a tomar conta deles.

— Isso não é normal — comentou um deles, recuando lentamente, o corpo tenso e os nervos à flor da pele.

— Precisamos chamar a segurança principal. Isso parece muito estranho — afirmou o outro, a voz trêmula e cheia de apreensão, enquanto seus dedos tremiam ao tentar usar o rádio de comunicação.

Foi então que, como se fosse uma cena tirada de um filme antigo de terror, Uruha revelou seu verdadeiro rosto: sua face de youkai da neve, uma entidade ancestral e poderosa.

Seus olhos brilharam com uma intensidade sobrenatural, refletindo um azul gélido e penetrante que parecia congelar o ar ao seu redor. Os dois guardas, aterrorizados, não hesitaram: viraram as costas e saíram correndo pelo corredor como crianças apavoradas, com passos ecoando freneticamente pelos corredores vazios.

Enquanto isso, Ruki, que observava a cena à distância, não conseguiu conter a risada e precisou se esconder atrás de uma coluna para não ser visto. Seu sorriso era largo e satisfeito, como se aquele momento tivesse valido todo o esforço da missão.

— Isso valeu o ingresso — sussurrou, ainda rindo baixinho, com os olhos brilhando de diversão e admiração pela habilidade de Uruha.

______________

Aoi e Reita sabiam que o tempo estava contra eles, mas a breve escuridão já havia cumprido seu propósito inicial, abrindo caminho para os próximos movimentos que poderiam mudar o destino daquele lugar para sempre.

Enquanto o caos silencioso se instaurava no corredor principal, Aoi, já com suas ferramentas cuidadosamente preparadas, aproveitou o instante de oscilação das luzes para agir com precisão.

Com movimentos ágeis e discretos, ele forçou a vitrine onde estava exposta a máscara ancestral, ouvindo o “clique” suave que indicava a liberação do sistema de segurança. A tensão no ar parecia aumentar, mas ela manteve a calma, concentrada no objetivo.

— Agora! — sussurrou para Reita, que estava ao seu lado, com os olhos atentos e prontos para agir.

Reita retirou rapidamente a “men-yoroi”, uma armadura tradicional que simbolizava força e proteção, e passou para Aoi, que a envolveu cuidadosamente em um tecido escuro para evitar qualquer dano ou brilho que pudesse chamar atenção.

Em seguida, repetiram o processo com a katana antiga, uma lâmina forjada com técnicas esquecidas pelo tempo. Tudo ocorreu em menos de 60 segundos, um balé silencioso e perfeito.

Após alguns minutos, as luzes começaram a voltar, piscando uma última vez antes de se estabilizarem. Os guardas retomaram suas posições com mais atenção, vasculhando o ambiente com olhares apreensivos.

Como se nada tivesse ocorrido, os objetos valiosos, cuidadosamente removidos, deixaram apenas um vazio silencioso em suas posições originais, enquanto o som das luzes restauradas preenchia o espaço, criando uma ilusão perfeita de normalidade.

Assim, o roubo foi habilmente camuflado, garantindo que ninguém suspeitasse do ocorrido até que fosse tarde demais para recuperar os bens desaparecidos.

_____________

No andar de cima, Uruha utilizava uma chave antiga, dada por Ayumi-san antes da viagem, para abrir a parte traseira da vitrine onde estava guardada uma chaleira sagrada. Era um truque simples, mas eficaz: a vitrine era uma réplica adaptada para exibição e não havia sido trocada há décadas, o que permitia o acesso por aquele compartimento secreto.

Com cuidado, ela tocou a chaleira mais uma vez, agora com uma reverência profunda, sentindo a energia ancestral que emanava daquele objeto. Em seguida, envolveu a peça em um pano bordado que Ruki tinha nas mãos, protegendo-a para o transporte.

Com os objetos em mãos, os cinco integrantes do grupo se reencontraram na saída de emergência nos fundos do templo, onde Kai já havia destravado a porta silenciosamente, garantindo uma fuga discreta e sem alarde.

— Conseguimos — disse Reita, com um sorriso aliviado e uma expressão que mesclava cansaço e satisfação pelo sucesso da operação.

— Conseguimos... por enquanto. — respondeu Uruha, lançando um olhar para trás em direção ao templo, que agora parecia ainda mais sombrio e ameaçador, como se guardasse segredos que ainda não haviam sido revelados.

— E o susto nos guardas? — perguntou Kai, rindo, tentando aliviar a tensão que ainda pairava no ar.

— Eles? — Ruki respondeu com um sorriso irônico. — Provavelmente pedirão demissão amanhã. Ou então, começarão um canal no YouTube sobre fantasmas, contando essa história para ganhar visualizações.

Uruha sorriu levemente, mas, no fundo, sabia que o verdadeiro desafio ainda estava por vir. Agora que os objetos sagrados estavam em suas mãos, a missão não terminava ali.

Era hora de preparar o ritual que poderia finalmente quebrar a maldição que a assolava, deixando-a presa na floresta nevada.

E, para isso, seria necessário mais do que truques e furtos silenciosos; seria preciso confrontar as origens profundas da maldição, enfrentar forças ancestrais e desvendar segredos enterrados no tempo.

O caminho à frente era incerto e perigoso, mas eles estavam determinados a seguir adiante, unidos por um propósito maior.

Enquanto caminhavam pela saída do templo na direção do carro, o vento frio da noite os envolveu novamente, carregando consigo o som distante de sussurros antigos, como se o templo ainda tentasse alertá-los dos perigos que os aguardavam.

Mas Uruha, com seu olhar firme e resoluto, sabia que não havia mais volta. A jornada estava apenas começando, e cada passo os levaria mais fundo no mistério que cercava aquele lugar esquecido pelo tempo.

A neve rangia sob os passos do grupo quando chegaram de volta à cabana. O céu noturno já se preparava para a chegada da lua crescente, tingindo o horizonte com um brilho prateado e silencioso. Os itens estavam embrulhados cuidadosamente, escondidos sob camadas de tecido e cobertos por orações bordadas em linhas vermelhas e brancas.

Reita carregava a chaleira de ferro como se segurasse um coração pulsante. Kai, em silêncio, mantinha a katana embainhada junto ao peito. Aoi ajeitava o manto onde a máscara dormia, como se embalasse uma criança nervosa. Ruki, sempre sendo Ruki, trazia sua garrafa térmica de chocolate quente.

— Para manter a moral da equipe — disse, sorrindo, embora até ele estivesse mais pálido do que o normal.

Na varanda da cabana, Ayumi-san já os esperava com um xale sobre os ombros e olhos que pareciam ter visto muitas gerações.

— Obasan Ayumi, conseguimos —, anunciou Reita, fechando a porta atrás de si com um suspiro cansado.

— Muito bem, meus garotos. — disse ela. A voz era baixa, mas carregada de algo profundo, quase ritualístico. — O destino está em movimento agora. Não há mais como voltar.

Uruha apenas assentiu. O frio ainda percorria seu corpo, mas agora era um frio diferente. Não era medo. Era expectativa. Algo dentro dela, ou dentro deles, estava prestes a se revelar.

— A primeira lua cheia será daqui a dois dias. Usaremos esse tempo para nos preparar. — ela afirmou, olhando para eles. — O ritual precisa de silêncio, respeito... e fé.

Uruha estava mais silenciosa do que o normal. Seu olhar demorava-se demais sobre Reita, e sua energia fria, embora contida, parecia inquieta. A aura gélida que normalmente a cercava estava mais tênue, como se estivesse lutando para permanecer estável.

Ayumi-san, sentada à mesa com ervas espalhadas e um antigo grimório de capa de couro gasto aberto à sua frente, levantou o olhar com serenidade e uma pitada de orgulho.

Daqui a duas noites, o destino de Uruha e Reita será mudado… o tempo deles está acabando.

_____________

Notas finais
Com essas relíquias ancestrais, Reita e Uruha se preparam para o ritual da lua cheia. Vamos torcer para que tudo dê certo. Deixe suas teorias nos comentários. Obrigada por ler Obrigada por curtir Obrigada por comentar ❤ Muito obrigada Novos capítulos assim que estiverem prontos.