Notas iniciais
Primeiro capitulo, espero que gostem

— Susan – uma mão apertava a minha levemente. – Acorde. Susan, acorde antes que Hans venha atrás de você.


Minha cabeça latejava, flashes de uma noite turbulenta se passavam diante de cada piscada que eu dava para tentar acordar. Abri os olhos definitivamente e vi meu irmão Jeremy olhando pra mim.


— Oi. – falei baixa e rouca, quase não reconhecendo minha própria voz. Jeremy tirou a mão da minha e olhou pra porta.


— Hans está subindo. – assim que ele fechou a boca, Hans entrou no meu quarto feito um furacão. Indo direto para a janela, abrindo as cortinas. Gemi quando a luz atingiu minha vista, ele se virou e veio até a cama, ficando de pé me encarando.


— Que bom que acordou. – ele olhou ríspido para Jeremy – Precisa encarar os seus erros agora, Abigail. Levante-se.


— Hans... – tentei falar, porém parecia que minha garganta tinha inúmeros gatos arranhando-a. Odiava quando ele me chamava pelo meu segundo nome.


— Não, eu não quero saber de suas desculpas. Você foi longe demais, Susan. Levante-se. Você tem quinze minutos pra descer e conversar com Vincent Cross. – ele saiu batendo a porta do quarto, deixando Jeremy me olhando.


— O que eu fiz? – olhei pro Jeremy que limpava os óculos em uma blusa minha.


— Você está muito, muito fodida. Acho bom você ir logo ao menos tomar um banho, Hans não tá de bom humor desde quando você chegou desmaiada em casa. – ele suspirou e colocou os óculos de volta.


Levantei e fui me arrastando para o banheiro, tentando me lembrar do que havia acontecido. Entrei no banheiro, deixei a água quente cair na minha cabeça, fazendo meu corpo inteiro relaxar. Minha vida era completamente cercada de gritos do Hans, as provocações infantis de Jeremy e a ausência de nosso pai viajante.


Eu era hibrida. Metade humana, metade vampira. Hans e Jeremy também eram até ascenderem a vampiros quando completaram 24 anos, somos descendentes de um clã quase extinto chamado Ventrue. Sei que minha família é antiga e que muitas outras famílias nos consideram poderosos e atraentes. Mas eu só me sentia presa em uma vida que não me encaixava. Não demorei pra me vestir, pois sabia que se demorasse, Hans viria atrás de mim.


Eu amava meus irmãos. Hans era o mais velho e se sentia responsável por mim e Jeremy, mesmo Jeremy sendo só dois anos mais novo que ele. Éramos diferentes um dos outros ou eu me sentia assim. Hans era alto, tinha um cabelo até os ombros pretos, olhos azuis e uma pele tão branca que me dava agonia. Ele era bonito, tinha um rosto de queixo pontudo, um piercing na boca e algumas tatuagens. Jeremy era loiro, um pouco mais baixo que Hans, tinha olhos azuis também e era muito corado pra um vampiro e aquilo me estranhava. Ele também tinha algumas tatuagens, mas não era tão exibido quanto Hans.
E eu era apenas a irmã mais nova e problemática.


— Estou aqui, Hans. – desci as escadas e parei diante dele e de um homem de jaqueta caqui.


— Susan, espero que lembre o que você fez há três dias e conte tudo para o Vicent, ele vai tentar amenizar a sua situação diante para Jake Morgan.


— Eu não... – comecei e olhei para o homem e Hans. – Ai meu Deus, eu...


— Começou uma guerra? – Jeremy apareceu da cozinha com uma maça na mão.


— Você sabe que Jake Morgan esperava uma brecha para nos caçar e acabar com tudo e você quebrou a trégua. Você iniciou uma guerra entre Vampiros e Caçadores. – Hans disse e olhou para Vicent.


— E-Eu... Julian estava comigo. Estávamos no bar, tinha muitos caçadores lá, eu pude sentir o cheiro. – fechei os olhos e pude jurar que voltei para aquela noite.


— Julian, aqui está cheio de Caçadores e você sabe que eles odeiam vampiros e odeiam ainda mais minha família. Eu não gosto daqui. – falei bebendo o ultimo gole de vodca da garrafa.


Julian puxou a garrafa da minha mão e jogou contra a parede.


— Você acabou a bebida, agora seremos obrigados a entrar lá para beber mais. – Julian disse limpando a boca com a manga da blusa.


Olhei para Julian e ajeitei o vestido que estava grudado no meu corpo. Eu estava muito bêbada, podia saber pelo motivo de que o mundo estava girando.


— Vamos entrar. Eles nem vão saber que eu sou eu, não é? – falei e puxei Julian pela mão. Julian era um dos meus melhores amigos. Sorri quando ele tirou o cabelo do olho e fez uma cara de que estava muito feliz.


A musica estava alta e parecia que era feita para explodir cabeças. Julian colocou as mãos nos ouvidos, a musica era feita para incomodar vampiros. Fiz um gesto para Julian de que iria apenas pegar as bebidas e daríamos o fora daquele lugar.


Um cara grande demais passou por mim e apertou minha bunda e senti que ele estava se esfregando em mim.


— A filhinha de Jonathan Denk é uma delicia – ele murmurou em meu ouvido e apertou mais, ele quis colocar a mão por dentro do vestido.


Não demorou muito tempo e ouvi um grito, eu estava em choque vendo Julian preso na garganta daquele homem. Outros homens voaram pra cima de Julian e eu não podia deixar ele lutar sozinho, ele não viver.


— Foi em legitima defesa. – Jeremy disse e olhou para Vicent.


— Foi um massacre, Jeremy. – Hans rebateu.


— O idiota estava abusando dela, Hans, não seja estupido. – Jeremy elevou a voz fazendo Vicent se colocar entre eles dois para que evitasse uma briga.


— Eu matei vários homens e algumas mulheres. Eu drenei o sangue deles. Jake estava lá, ele viu tudo e ele ia matar Julian. – falei olhando para Vicent. – Eu não podia deixar isso.


— E agora, Jake vai matar você e todos nós. Por que ele nos odeia mais ainda. – Jeremy disse e olhou pra mim.


— Ele contratou Casper Wachovia para rastrear, Susan. – Vicent disse.


— Casper? – falei surpresa e totalmente incrédula. – Isso não pode ser possível. Ele quer me matar tanto assim?


Resmunguei um palavrão. Eu era uma procurada por matar um clã em massa de Caçadores de Vampiros de um Caçador que odiava completamente todos os vampiros e qualquer derivado. Jake Morgan era conhecido por capturar vampiros rebeldes e torturar até a misericórdia pela morte e que sempre deixou claro o ódio pelas três famílias antigas.


— Parabéns irmãzinha. Você mais uma vez se mostrando responsabilidade. – Hans disse irônico.


— Podemos despistar Casper. Ele sabe que não deixaríamos Susan sozinha, vamos para Alemanha e deixaremos ela aqui. – Hans começou a falar e me olhou.


— E então ele vai pra Alemanha ao invés de ficar aqui. – respondi.


— E então a gente o mata. Um mundo sem Casper é mundo feliz. – Jeremy sorriu para Hans e para mim.


— Sem mortes, Jeremy. – Hans respondeu, revirando os olhos.


— Você acha que não vai ter mortes nessa perseguição? Quem dera se isso fosse apenas uma fuga. Jake vai se vingar. Já soubemos de vários casos que envolveram ele e outros da nossa raça. Os Morgan foram um dos responsáveis pela extinção de nossos ancestrais e eu tenho certeza de que ele vai atrás de nós dois depois que matar Susan. – Jeremy disse indo até Hans e colocando um dedo no peito dele. – E não vai demorar para ele ir atrás de Tom, Will, Tay e Evy.


Hans olhava Jeremy tão profundamente, dava pra perceber o maxilar trincado, as veias na testa e no pescoço saltando pra fora. Vicent que parecia uma estatua no meio da sala, virou-se para mim, talvez me julgando por ter matado parte de seus amigos. Eu deveria mostrar algum arrependimento? Fingir que eu estava morrendo de remorso?


— Eu fico aqui com a Susan. – Vicent disse sem parar de me olhar. Olhei confusa pra ele.


— O quê? – falei.


— Vicent, cara, você não precisa. – Hans olhou para Vicent e colocou a mão no bolso.


— Hans, você sabe da minha historia com Jake. Não estou fazendo nada o que você não faria por mim. – Vicent disse.


— Você vai esta assisando a própria morte, cara. – Jeremy disse baixo e olhou pra mim.


— Eu não quero. – falei – Eu não vou ficar com uma babá. Hans, eu posso ficar sozinha.


— Embarcaremos amanhã. Jer, liga pra Tay e diz pra preparar nossos quartos de volta. – Hans disse e sorriu de lado. – Você nem tem opinião, Susan.


Olhei para Vicent que fez um gesto de ‘’é isso ai’’, me fazendo ficar com a cabeça latejando de raiva. Eu não poderia acreditar em um plano tão estupido. Sentei no sofá e coloquei a cabeça pra trás e fechei os olhos.


— Não precisa nem conversar comigo. Estou salvando sua vida e depois eu vou poder seguir a minha tranquila. – ele disse sentando na poltrona na frente do sofá.


— Se eu não arrancar sua cabeça antes, pode até ser, Cross. – respondi.


Jeremy e Hans embarcaram e sem ao menos me acordar, fizeram questão em levar todas as roupas e pertences e me deixando sozinha com Vicent, O Caçador. Levantei naquele primeiro dia e ele não estava lá, pensei que ele iria ficar vindo dia sim e dia não, só para ver se eu estava mentalmente sã. Eles foram para Alemanha, voltaram pra casa.


Andei pela casa e percebi que eu nunca havia ficado sem meus irmãos por perto. Sempre estávamos juntos. Nosso pai era um viajante e lunático, usou três mulheres para poder procriar sua linhagem e quando Hans e Jeremy ficaram mais velhos, saiu mundo afora deixando a filha mais nova sob os cuidados de dois adolescentes.


No nosso mundo, ser pai ou mãe, era apenas colocar no mundo. Eram poucas crias que viviam próximo aos pais. Meu pai disse que criou Hans, Jeremy e eu para que fossemos a família que ele não teve e então nós somos.


Vincent apareceu no terceiro dia após a partida de Hans e Jeremy, trazendo com ele uma mala de mão. Eu estava deitada no sofá com um livro na mão quando ele entrou.


— Vejo que já tem uma chave. – falei implicante e ele não respondeu, passou direto para o quarto que iria ficar.


Os dias seguintes foram de completo silencio. Vicent entrava e saia, falava no telefone, lia e até cozinhava. Eu era apenas uma sombra. Comecei a observar ele, o jeito carrancudo quando cozinhava, o modo como passava a mão no cabelo, o franzido na testa quando lia alguma coisa no computador. E então cheguei a conclusão de Vicent era um idiota.


— Você é bem imbecil, sabia? – falei sentando na cadeira, de frente a dele. Ele levantou a vista do computador e olhou para mim.


— E por qual motivo eu sou bem imbecil? – ele me encarou que me deixou desconfortável.


— Estamos aqui tem duas ou três semanas e não trocamos uma palavra. – respondi desviando o olhar.


— Susan, o que você quer?


— O que você está fazendo aqui? – perguntei.


— Protegendo você. – ele deu de ombros.
— Por quê?


— Hans e eu somos amigos secretos. Ele teve uma fase ruim, eu o ajudei. Eu tive uma fase ruim, ele me ajudou. É isso. – ele respondeu – E o que você está fazendo?


Ele me perguntou, abaixou a tela do notebook para ficar me olhando. Me inquietei na cadeira, dei um pigarro.


— Como assim?
— Me fala de você.


Falar de mim? Se ele era amigo do meu irmão, ele já sabia tudo de mim. O que ele queria saber? E eu estava ficando muito desconfortável coma forma que ele estava me olhando, ele era muito bonito.


— Eu não sou nada. – respondi por fim. – Cresci com meus irmãos, tenho uns amigos que estão com Hans e Jeremy agora, sou imprudente. Sinto falta do meu pai. Queria ter tido uma mãe. – quando terminei de falar senti minha voz um pouco tremula e olhei para Vicent.


— Eu não me arrependo de ter matado aquelas pessoas, Vincent. Eu sinto muito por não ter me arrependido. Eu estou ficando louca presa aqui, eu sinto falta dos meus irmãos... E-Eu não sei mais o que fazer. Parece que tem duas paredes tentando me amassar. Sinto falta de ar. Eu me lembro daquela noite, do sangue e dos gritos e sei que sou um monstro. – tudo começou a sair, senti as lagrimas no rosto. – Eu tenho medo de que meus irmãos tenham sido pegues por Casper e levados a Jake. Eu queria ser melhor, só não sei como.


Vicent veio até mim e me puxou para um abraço. Eu chorava, soluçava enquanto ele passava a mão no meu cabelo. O cheiro dele era de hortelã, ele vivia comendo balas de hortelã, sabonete e roupa limpa.


— Você não é tudo para as pessoas que amam você. – ele disse.
— Você me odeia, não é? – perguntei me afastando.
— Não. – ele respondeu.


Naquela noite, eu tive um pesadelo com Jeremy e Hans. Onde Jake aparecia com a cabeça de ambos em cada uma das mãos, jogando-as em seguida na pilha de corpos onde os corpos eram dos meus amigos. Levantei e fui até o quarto de Vicent e me dei ao lado dele.


— Você está bem? – ele perguntou se virando de frente pra mim, enquanto eu fitava o teto.
— Não. – então fechei os olhos e Vicent colocou a mão dele sobre a minha.

Notas finais
Me digam se gostaram, se tá legal.