Love Is Dead - Ascensão

2 I Just Like the Way You Are


Olhei o calendário, já se fazia um mês que eu estava presa nessa casa com Vicent, suspirei e voltei a sentar na cadeira de frente a janela. Peguei mais um livro sem conseguir me fixar na leitura. Hans e Jeremy não haviam ligado desde o dia que partiram aquilo estava me deixando preocupada e minha cabeça estava ficando entulhada de coisas ruins.

Ouvi um barulho de panela caindo e levantei devagar para ir até a cozinha. Vicent ainda estava dormindo, era cedo demais, o sol ainda nem havia saído. Fechei os olhos, tentando ouvir algo a mais, eu estava sóbria por um mês e meus sentidos de vampira estavam aguçados. Andei devagar e a cozinha estava escura com a pouca luz que vinha da porta aberta, vi uma silhueta e pulei encima das costas, segurando a cabeça e batendo contra a parede.

Fui jogada contra a parede e cai no chão, à dor na cabeça latejou, porém me levantei para atacar novamente até perceber que era Vicent e ele perceber que era eu.

— Susan, meu Deus! Você está louca? Eu poderia ter matado você. – ele veio até mim ver se eu estava sangrando. Olhei pra ele meio irônica.

— Eu poderia ter matado você. – apontei pra testa dele que estava sangrando. Ele riu.

— É. Vejo como você ajudou Julian agora. Pensei que estivesse dormindo, eu estava sem sono. – ele disse e ficou me encarando. Novamente, fiquei desconfortável e um pouco tonta com o cheiro do sangue dele. Os dias que passaram me fez ver Vincent de uma forma diferente, o sorriso dele e o olhar que ele lançava pra mim todas as vezes que eu aparecia em seu campo de visão me desnorteavam.

Até sonhar com ele de forma erótica.

— Eu também estava sem sono. – respondi virando o rosto. Ele veio se aproximando, me encurralando, me colocando colada contra a parede. – O que você esta f-fazendo?

— O que você anda fazendo, Susan? – ele perguntou e eu senti o hálito de hortelã dele misturado ao cheiro doce do seu sangue. Meu corpo todo entrou em um frenesi, parecendo que eu estava carregada de energia.

— Eu não sei do que você está falando. – respondi encarando. Ele havia colocado as mãos apoiando a parede, fazendo seus braços serem barreiras para que eu não fugisse. Então ele me beijou.

Foi o beijo mais ardente que eu havia recebido, sua mão veio para minha nuca e a outra na cintura me trazendo para colar em seu corpo. Ele se afastou da minha boca, beijando e dando leve chupões no meu pescoço até o colo, soltei um gemido sofredor e lambi o sangue do pescoço dele. Aquilo me ascendeu mais e eu o puxei para minha boca. Vicent me levantou, fazendo minhas pernas se cruzarem em sua cintura e me levou até o quarto.

Ele tirou minha blusa e a dele em seguida e eu pude ter a certeza de que ele era a coisa mais linda de se olhar. Ele veio até mim, segurando meu rosto, me olhando, enquanto a outra desabotoava o meu short.

— Eu não posso fazer isso. — falei baixo, vendo o olhar de decepção dele e a decepção tomando conta de mim também. – Desculpa.

Ele saiu de cima de mim e deitou ao meu lado, pude ouvir a respiração acelerada dele. Vi que o pescoço ainda sangrava um pouco peguei minha blusa e limpei. Fiquei o observando, enquanto ele olhava o teto.

— Você tem namorado? – ele perguntou, virando pra me olhar.

— Não. – respondi – Eu só não quero ser o clichê.

Ele me olhou confuso e até um pouco triste. Um olhar de quem parecia estar chateado, ver aquele olhar me doeu. Eu gostava de Vincent, ele estava morando comigo por um mês e nós éramos amigos mesmo eu lá no fundo, não querendo ser apenas amiga dele.

Ele fez menção a levantar e eu segurei a mão dele. Eu já gostava de Vincent o suficiente para não querer mais ele longe de mim, já era tarde demais pra não ser um clichê.

— Não vai. Fica deitado aqui comigo. – falei baixo. Ele se deitou e me puxou pra perto dele, me fazendo respirar o seu cheiro.

— Eu vou virar vampiro?

— Não. Não tenho veneno o suficiente para transformar alguém. – respondi.

— Ainda bem, por que eu quero ser um clichê com você. – ele disse e beijou minha cabeça. – A caça e o caçador.

Dei um riso e ele também. No fundo da minha mente, eu estava aliviada por Vicent ter ficado comigo, ele havia criado uma bolha comigo enquanto meus irmãos estavam enfrentando alguma coisa. Senti uma dor no estomago ao lembrar da minha realidade, do que eu deveria está enfrentando.

Depois do acontecido, Vicent e eu estávamos juntos. Juntos não oficiais, porém totalmente entregues um ao outro. Eu estava preparando um pouco de chá, quando o telefone tocou.

— Alô – falei aguardando a outra voz.

— Susan. – era Hans.

— Hans! Meu Deu, meu Deus, meu Deus! Vocês estão vivos!

— Eles sabem que você está na Itália. – a voz de Hans era firme e preocupada. Vicent apareceu e parecia tão assustado quanto eu.

— E-Eu... – eu não conseguia formular uma frase.

— Passe o telefone para Vicent.

Passei o telefone para Vicent. Não me liguei em ouvir o que Hans falava pra ele, subi para meu quarto e comecei a fazer as malas. Eu era covarde e estava fugindo, sabia que se eu estivesse sozinha com Vicent, Casper iria matar nós dois ou apareceria com todos os Caçadores Morgan atrás dele e finalmente eles levariam minha cabeça para Jake.

Fui até o quarto de Vincent e comecei a colocar as roupas dele na mala também. Eu podia ver minhas mãos tremendo, lagrimas começavam a escorrer no meu rosto.

— Susan, calma. – Vincent veio até o meu lado e segurou meu ombro.

— Não! Não posso ter calma, Vincent. Estamos escondidos aqui por um mês, uma porra de maldito mês pra nada! Precisamos ir pra Alemanha agora, precisamos antes que achem nós dois.

— Você pode por favor parar. – ele continuou segurando meu ombro e eu empurrei.

— Eles vão matar você também, merda! – gritei e as lagrimas continuavam – Eles vão matar você, Vin. Eu não posso deixar você morrer por minha causa, ninguém deve.

Ele me abraçou, enterrei o rosto em seu peito.

— Nós vamos pra Alemanha, mas preciso que você se acalme, por favor. – ele disse e me afastou – Casper sabe que você está aqui, Jake não. Vamos partir hoje ao meio dia e sabemos que Casper não gosta de luz do sol. Você tem que se acalmar, Susan ou ele vai te rastrear rápido demais.

— Hans e Jeremy estão bem? – perguntei tremula.

— Sim, estão na casa dos Klein. – ele respondeu.

Vincent colocou o resto das roupas na mala, pegou a minha e fomos para o aeroporto. Coloquei um casaco de Vincent que ficava horrivelmente enorme em mim, mas eu disse que iria inibir meu cheiro e então embarcamos. Eu estava paranoica, meus sentindo vampíricos estavam me confundindo mais ainda e estava me fazendo ficar inquieta.

Híbridos que ainda não ascenderam pra ser um vampiro tinham os sentidos de um vampiro legitimo. Vampiros legítimos eram aqueles que nasceram de algum vampiro, tinha um sangue forte e poderoso. Humanos que eram transformados em vampiros eram chamados de Incomuns, pois havia apenas metade de poder de um sangue de um Legitimo. Meu pai é um Legitimo, assim como Hans e Jeremy. E Casper também.

Os poderes de um Legitimo é maior quando ele tem uma alimentação direta com um humano, então assim eles viram um rastreador. Casper Wachovia é um Legitimo mercenário, trabalha pra quem paga mais, um ótimo rastreador e antigo. Sua família foi toda morta por Caçadores Cross, antepassados de Vincent.

— Você está muito inquieta. – Vicent disse olhando para me repreender.

— Eu sei. Eu preciso beber pra meus sentidos vampíricos diminuírem. – falei respirando como se estivesse meditando.

— Por que vamos pra casa dos Klein? – Vincent mudou completamente o assunto, talvez tentando me acalmar, mas falar em Klein me lembrava de Thomas Klein.

— Crescemos juntos. A casa é enorme, pode ser um hotel cinco estrelas, somos amigos e lá é seguro também por que fica longe da cidade. Você sabe que a família Klein descende dos Malvakians, eles começam a enlouquecer com o tempo, não restou ninguém além de Thomas e William. – respondi dando de ombros.

— Lembro-me de quando os Caçadores comentaram que a filha de Jonathan Denk estava comprometida ao filho mais velho de Victor Klein. – ele disse e sorriu falso pra mim. – Foram boatos muito comentados, pois eram duas famílias antigas se unindo. Muito poder envolvido.

— Faz muito tempo. Não estamos mais juntos. – respondi e olhei pra janela.

— Foi por isso que você não quis nada comigo?

— É diferente, Vincent. Não complique as coisas, estou com você. – falei e virei irritada – Ou pra você tem que ser oficializado com sexo?

— Você é virgem. – ele disse e eu ri.

— Que bom que você pensa isso. – respondi e ele fechou a cara, cheguei perto de seu rosto e mordisquei a orelha dele – Eu não sou virgem e sei fazer coisas maravilhosas.

— Então por que...

— Eu tenho medo de machucar você. Só isso. – respondi. A voz da aeromoça nos alertou que estávamos desembarcando e meu coração voltou a acelerar.