Love Hurts!

26 Your love keeps me higher


Notas iniciais
Oi flores! Voltando e já pedindo desculpas pela demora. Meu pc anda me tirando do sério. Tanto que já decidi: meu presente de Natal/ano novo vai ser um pc novo, de outra marca e com uma memoria de elefante! Não aguento mais essa coisa dizendo a toda hora que a memoria está cheia sendo que esvazio o que não preciso e tenho salvo meus caps em um pendrive!! Cheia de que meu filho??? Affss!! Por conta disto tenho demorado uma eternidade para conseguir finalizar os capítulos (isso quando não perco o que faço!!) e por conseguinte atrasado ainda mais as postagens. Este mesmo ficou pronto ontem e só faltava corrigir e postar. Mas quase perco ele todo! Mas vamos deixar de reclamar e cuidar no que interessa. Sarah voltando pra casa, Marina sendo fofa e um Connor todo bobo são alguns dos acontecimentos deste cap. A música que o Connor vai cantar vi em uma cena semelhante a que fiz aqui numa série nova que estou acompanhando. Achei fofa e adaptei para a historia. Grata por todas a rewiews passadas....Aguardo mais rewiews, please (podem alimentar "ao animais" rsrsrsrsrs)....Boa leitura.... Bjinhos flores. Leiam a notas finais

Chicago Med ( sábado, 17/6 – 10:21 a.m)

Sarah

Sentada sobre o leito, pernas estiradas, mexo os pés de um lado para o outro, inquieta e ansiosa, enquanto aguardo alguém aparecer.

Caitlin havia passado mais cedo me liberando. Connor viera a seguir, avisando-me que assim que seu plantão terminasse viria me buscar. Quando o questionei porque não podia ligar pedindo a Kim ou Jay que viessem, respondera com um dar de ombros dizendo que ambos haviam dito que deveria ser ele a fazê-lo, o que me causara estranheza, por isto ligara para minha amiga tão logo April trouxera-me o celular(haviam me confiscado o aparelho já no quarto dia de internação alegando que deixava-me ansiosa, o que, admito, era verdade!). Ela dissera-me estar ainda a caminho de casa junto com Adam pois haviam feito uma campana. Por conta disto estavam atrasados para render Jay e Claire em nosso apartamento. Estes, por sua vez, sequer atenderam minha ligação limitando-se a enviar-me uma mensagem dizendo estarem fazendo compras ( o que evidente duvidei posto que passava pouco das sete da manhã quando ligara).

Evidente que algo não estava certo. Estava mais do que claro que eles armavam alguma coisa, uma surpresa para me receber, talvez. Como estava de bom humor resolvi ignorar e fingir acreditar no que diziam. Se havia aprendido uma coisa durante este mês foi a ter mais paciência e principalmente a escutar os concelhos daqueles que me amam, especialmente no que se refere a minha saúde.

Suspiro, olhando a paisagem lá fora através da janela. O mês passara mais rápido do que esperava. E leve também. Apesar da tensão nas duas primeiras semanas, incluindo um sangramento inesperado, e das notícias nada agradáveis que recebi alguns dias atrás. Na metade da terceira semana para ser exata.

Caitlin tornara-me ciente de que minha condição era irreversível. Teria que ficar em repouso absoluto se não quisesse perde meu bebê e o risco de um parto prematuro, induzido (caso julgasse necessário) ou não, era fato concreto. Não iria conseguir levar minha gravidez a termo. A luta agora era para evitar que nascesse antes do considerado seguro e com peso suficiente para evitar a incubadora, o que na pratica significava dizer que terei de ficar de “molho” em casa por pelo menos mais três semanas, o que por sua vez significa que somente retomarei minha rotina no trabalho após a licença maternidade, portanto teria de dar adeus a qualquer possibilidade de ficar com a bolsa em cirurgia cardiotorácica.

Connor estressara-se voltando a sentir-se culpado. Miss Goodwin e doutor Latham lamentavam-se, a primeira assegurando-me a manutenção de meu contrato de trabalho com o Med, o segundo garantindo-me uma nova oportunidade em outro momento. April xingara Ava e Miah ganhando o reforço de minhas amigas e até de Claire. Quanto a mim, apesar de haver chorado bastante as escondidas, estava tranquila. Na verdade, desde que minha vida dera a primeira reviravolta quando da partida de minha mãe, há tempos não me sentia tão segura e serena a respeito de minhas decisões.

Ficara triste, não nego, pois já estava gostando da cirurgia (além do bônus de trabalhar mais tempo ao lado de Connor), mas a partir do momento em que Caitlin Harris deixara claro que nosso filho corria risco de morte, tudo o mais perdera a importância.

De fato, toda esta situação me ajudara a tomar uma outra decisão: quando retornasse ao trabalho, voltaria ao PS. Descobri que sinto falta da emergência mais do que pensava, mesmo com todo estresse e correria, e quando minha licença terminasse era pra lá que gostaria de voltar.

—Oi mamãe!! – a voz carinhosa de Munique chama minha atenção e volto meu rosto para ela, que adentrava sorridente, sorrindo-lhe de volta – Vim trazer um lanchinho enquanto espera – avisa, pondo uma bandeja a minha frente.

—Não precisa Munique. Connor já deve estar a caminho – digo, olhando a salada de fruta com certo interesse.

—Então...- começa ela e arqueio a sobrancelha – Foi justamente ele que me pediu para vir porque vai demorar ainda uns vinte minutinhos! – avisa, sorrindo forçado – Como sabe doutor Latham não dá plantão aos sábados e a doutora Bekker ainda não chegou – comunica-me – Ele também me pediu para avisar que, independente de ela chegar ou não, estará aqui no tempo que falei e que deveria comer seu lanche todinho, portanto, faça o favor de não me criar problemas com seu noivo! – pede, suspirando sonhadora – Eu bem que gostaria de encontrar alguém assim na minha vida! – declara e sorrio mais.

—Ok – anuo, aceitando a tigela que me entregava.

—Já arrumou tudo? Quer que verifique se não está faltando nada? – prontifica-se, não esperando resposta, mexendo-se pelo quarto, olhando e revirando tudo.

Rolo os olhos suspirando resignada.

Tinha sido maravilhoso, não nego, saber o quanto as pessoas me queriam bem, até mais do que sabia ou esperava. Mas em alguns momento senti-me meio sufocada pelo excesso de carinho e cuidados. Mal pensava em dar um passo e já surgia alguém a porta com a cadeira de rodas ou prontificando-se a servir-me de apoio. Cheguei a suspeitar que Connor havia dado um jeito de instalar câmeras em meu quarto e todos tinham acesso e me monitoravam vinte e quatro horas por dia! Até ensaiei uma dancinha desengonçada quando estava sozinha certa tarde (coisa rara, diga-se) só para ver se alguém comentaria, confirmando minhas suspeitas. Rira sozinha de minha infantilidade!

Praticamente todos haviam me visitado em algum momento, sempre trazendo flores ou algum presente para meu filho( Max já tinha tanta coisa que, se brincar, daria para fazer uma liquidação de garagem!). Até Joey, com quem tive um rápido relacionamento, viera me ver outro dia. Mesmo Miah viera, as escondidas pelo que pude perceber em sua atitude (o que por certo tinha o dedo de Connor) aproveitando uma troca de turno, acho. Me pedira desculpas, emocionada, dizendo não ter tido intenção de causar mal algum a mim ou meu filho. Aceitei, porem deixei claro que não gostaria de tê-la por perto por um tempo. Ainda irritava-me lembrar da forma com que alertara-me o que já sabia intimamente.

Aliás, Ava era um dos motivos pelo qual andava sentindo-me triste e insegura nos dias que antecederam o alerta de Miah. Havia notado o quanto se aproximara de Connor, o quanto pareciam íntimos em alguns momentos e principalmente notara o brilho e a maneira como olhava para ele.

Não era segredo para mim (para quase ninguém no hospital era) que os dois haviam saído algumas vezes durante a fase “pegador” , como Ethan e Will chamavam, dele. Também não era segredo que ela o esnobara, sabe-se lá com que intenção. Mas isto tudo aconteceu uns dois, três meses antes de irmos para a cama. Depois, Connor me garantiu que não saíram novamente. Na verdade, ele me assegurara não ter saído com mais ninguém depois daquela noite, sua única escorregada tendo sido a transa com Miah.

Durante muito tempo não acreditei no que dizia e foi esta duvida que me fez enxergar o que não existia. Pelo menos não da parte dele. Mesmo assim senti medo de perde-lo quando os notei cada dia mais próximos, ainda mais no estado no qual me encontro.

No último mês mal tínhamos tido relações e algumas vezes não conseguíamos ir até o final, o que frustrava a nós dois. Não rolava cobranças, Connor nem eu éramos ninfomaníacos, mas diante disto, sabendo que ele tinha uma mulher bonita e disposta a ceder caso desejasse se satisfazer, aumentou incrivelmente minha insegurança em relação a nós novamente.

—Nossa, quanta coisa linda Max ganhou! – ouço Munique dizer tirando-me do devaneio – E estas roupinhas então. Deve estar ansiosa por vê-lo e tê-lo em seus braços não é? – questiona-me.

—Estou – admito, acariciando minha barriga, um sorriso bobo que se formara em meu rosto apagando-se ao me voltar para a porta ante a batida leve que escutara.

—Posso entrar? – Ava Bekker pergunta, estática, olhando-me com ....temor???

—Melhor que não doutora Bekker – Munique se adianta, posicionando-se entre mim e ela – Doutor Rhodes não irá gostar de...

—Perguntei a Sarah, não a você – Ava retruca, mal humorada.

—Eu sei mas...

—Pode entrar – libero, interrompendo Munique – Poderia nos deixar a sós um momento por favor? – peço, sorrindo gentil.

—Não acho que seja uma boa ideia doutora Reese. Doutor Rhodes por certo ficara zangado se souber que a deixei sozinha com a doutora Bekker – contesta.

—Está insinuando que eu faria algo contra Sarah, é isso? – Ava inqueri, dando um passo a frente, fuzilando-a com o olhar.

—Neste caso, por que não fica de olho e nos avisa caso ele apareça antes de terminarmos? – sugiro, não dando chance que contestasse novamente – Munique, por favor, deixe-nos – reitero – Ficarei bem – tranquilizo-a, ela hesitando antes de me atender, passando a certa distancia de Ava, postando-se a porta após fecha-la parcialmente.

—Honestamente, chega a ser ridículo! – Ava resmunga, levando as mãos aos bolsos do jaleco, me encarando alguns segundos – Desculpa se não vim visita-la antes. Como deve ter percebido pelo comportamento dessa ai, minha presença não era bem vinda. Não apenas Connor deixou isto bem claro desde que foi internada mas alguns outros também – comenta, indicando Munique com um gesto de cabeça sem parar de me olhar, suspirando, voltando a falar quando não o faço – Espero que não me culpe pela atitude da doutora Bardov. Miah já não simpatizava comigo antes, depois do que viu então – acresce.

—Que teria sido exatamente o que mesmo? – quebro o silencio, questionando-a calmamente, a surpresa estampando-se em seu rosto, um novo e maior silencio caindo entre nós.

Novamente deixo para ela tomar a iniciativa de quebra-lo.

—Doutora Reese...Sarah – titubeia, parecendo genuinamente incomodada – Eu...sinto muito por minha atitude. Não devia ter me aproveitado da situação para beija-lo – diz, respirando fundo, desviando o olhar por um segundo – Eu pensei que havia superado meus sentimentos em relação a Connor, mas me enganei. Ainda sinto atração por ele, mas lhe asseguro que é unilateral. Connor não me corresponde. Sequer correspondeu ao beijo mesmo tendo sido pego de surpresa. Me afastou de imediato, como Bardov deve ter-lhe contado -admite, voltando e me encarar, impacientando-se quando não digo nada – Será que pode dizer alguma coisa? Gritar, me xingar, o que seja. Apenas fale. Este silencio é pior que tudo! – declara, aproximando-se mais um pouco – Juro que não fiz por mal, que não quis desrespeitar a relação de vocês. Apenas...Apenas não resisti quando o vi tão frágil e abalado, sofrendo pelo simples fato de não conseguir falar com você. Pensei que....que eu...pra ser honesta nem sei o que pensei. Agi por impulso e me arrependo – reitera.

—Mesmo? – interrogo, vendo-a arquear a sobrancelha, confusa – Se arrepende de verdade? Realmente não quis abalar minha relação com Connor tentando faze-lo me trair? – questiono.

—Trair?? Não é para tanto. Foi apenas um beijo – minimiza.

—Me corrija se estiver enganada: não foi exatamente assim que se envolveram antes de mim? Não foi por ter sucumbido ao impulso de beija-lo que acabaram na cama, mais de uma vez? Não foi por ele estar fragilizado, inseguro e sofrendo naquela época que tomou a mesma atitude de agora?– relembro vendo-a empalidecer – E tudo começou com um simples beijo! – ironizo, respirando fundo antes de continuar – Sabe Ava, não sou tão ingênua quanto pareço. Precisei deixar de ser tão logo me vi sozinha tendo que cuidar de duas irmãs menores que dependiam cem por cento de mim, a primeira consequência sendo a perda de meu então namorado – relembro – Aprendi que as pessoas nem sempre são sinceras quando dizem que estarão a seu lado sempre que precisar. Pessoas dão sinais. Sempre. Talvez por isto tenha hesitado tanto em admitir o que sentia por Connor. Tive medo de me magoar outra vez. Medo de me permitir sentir algo tão forte e não ser correspondida afinal ele é Connor Rhodes, estrela em ascensão do Med, herdeiro da família mais rica da cidade e embora nada disso tenha importância para mim, é uma carga bastante pesada para alguém insegura como eu – confesso, rindo torto.

—Diria que é pesada para qualquer mulher – diz, baixando a vista.

—Não acho que ficaria intimidade. Pelo contrário – retruco, encarando-a, séria – Não me parece o tipo de mulher que se amedronta com este tipo de coisa. Talvez por isto não tenha aceitado bem meu envolvimento com ele – acresço, não dando a ela a chance de rebater – Não perca seu tempo negando. Ninguém faz nada por acaso. Ações falam mais do que palavras e as suas me diziam, especialmente depois que começamos a trabalhar mais próximas, que ainda nutria sentimentos por Connor. A forma como olhava e principalmente procurava estar sempre perto dele. A principio julguei ser meu ciúme que fazia imaginar coisas, mas ao ver seu olhar para o anel em meu dedo quando anunciei que havia aceito o pedido de Connor, tive certeza de não estar enganada – digo – Sabe Ava, até hoje não entendo porque o afastou. Acabou de confessar o que eu já sabia. Então por que o repeliu? – interrogo, aguardando uma resposta que não vem – Enfim, não posso dizer que sinto muito por não ter dado certo entre vocês. Não sinto. E de certa forma foi sua atitude que nos aproximou mesmo que não intencionalmente. Se não estivesse livre Connor certamente não iria a festa de formatura e por conseguinte não teríamos passado a noite juntos. Então eu meio que deveria agradecer – digo, sentindo uma necessidade estranha de feri-la.

Tenho que admitir: não estava reconhecendo a mim mesma. Nunca fui uma pessoa vingativa, no entanto a atitude dela tinha tocado em algo no amago de meu ser. Ou talvez fosse o tal instinto materno começando a aflorar. O fato é que no momento tudo o que quero é fazer Ava entender o quanto havia me magoado.

—Se tivesse sido sincera desde o começo, se viesse até mim e dito que pretendia lutar por Connor as coisas seriam diferentes. Porque ai caberia a ele escolher e te asseguro que não usaria meu filho para levar vantagem. No começo até neguei ser ele o pai. E quando contei a verdade, o deixei livre para assumir o filho e nada mais – revelo, notando Munique se agitar do lado de fora – Se Connor tivesse decidido apenas reconhecer sua paternidade, teria aceito. De verdade. Não iria querer comigo um homem com pensamento em outra ou por obrigação. Disse isto a ele no dia em me pediu – conto, o desespero evidente nos sinais que Munique fazia me obrigando a segurar o riso – Eu teria respeitado a escolha dele, quer fosse ficar sozinho, quer fosse ficar com você ou outra mulher. Mas ele me escolheu. Não por nosso filho, não por obrigação ou pena. Escolheu ficar comigo porque me ama. E embora tenha demorado admitir, eu também o amo. Muito – confesso, vendo-o aproximar-se, Munique me olhando desesperada – E por conta deste sentimento vou te fazer um único pedido. Ou aviso se assim entender: não volte a tentar nada com meu noivo ou não responderei por mim! Respeite nossa relação – peço, baixando o tom de voz vê-lo entrar apressadamente, o rosto tenso.

—Sarah? Tudo bem por aqui? – interroga, dirigindo um olhar desconfiado a Bekker.

—Por que não estaria meu amor? – devolvo, estendendo-lhe a mão, que aceita prontamente – A doutora Bekker veio me fazer uma visita, finalmente, e conversar um pouco – digo, sorrindo-lhe.

—Conversar sobre o que? – quer saber, olhando de mim para ela alternadamente.

—Apenas pondo os pingos nos Is, nada mais – Ava adianta-se – Mais uma vez, desculpe-me não ter vindo antes. Desejo melhoras e uma boa hora pra você, Sarah. Espero que se recupere logo. Quanto a nosso assunto, asseguro que não acontecera novamente. Tenham um bom dia – despede-se com um sorriso incrivelmente franco, saindo sem esperar resposta.

—Sarah...

—Connor está tudo bem – me antecipo a pergunta eu certamente faria – Ava veio me visitar, tivemos uma conversa franca, como ela mesma disse e zeramos nossas diferenças. Daqui para frente tudo novo em minha...em nossa vida. Ao menos é o que espero e desejo. Você não? – indago, puxando-o para junto de mim, lhe dando um selinho.

—É tudo que mais quero – afirma, retribuindo meu beijo, afastando o rosto minimamente, sempre mantendo o contato visual – Tudo que mais quero nessa vida é que possamos viver em paz, você, eu, nossos filhos....

—Nossos filhos? Plural? – o interrompo vendo-o abrir um de seus sorrisos lindos dos quais senti falta no último mês inteiro. Muito – Isso num futuro um pouco distante correto?

—Nem tanto – me surpreende, rindo mais – Quando chegar em casa vai entender – diz, se afastando – Está pronta? Podemos ir? – questiona mudando de assunto, indo até a poltrona pegar minha valise e as sacolas de presentes para nosso filho, olhando em direção a porta – Munique, a cadeira por favor – pede, ela adentrando de imediato, postando-se ao lado da cama.

—Sério que vai me deixar no escuro, morrendo de curiosidade!?! – interrogo, aceitando a mão que me oferecia, sentando-me na cadeira de rodas – Sabe que não pode fazer isto a uma mulher gravida não sabe? – provoco-o, saboreando o som de sua gargalhada.

—Paciência meu amor, paciência – sugere, entregando a valise e as sacolas a Munique, guiando a cadeira porta afora.

—Mais ainda? – retruco, escutando-o rir novamente, rolando os olhos, decidindo que iria pressiona-lo durante o caminho.

Entramos no elevador em silencio, mas um silencio gostoso, reconfortante. Depois que as portas fecham, Connor se agacha a meu lado, acariciando e beijando minha barriga, habito que adquirira no decorrer do mês. Sorrio satisfeita, afagando seu cabelo, agradecendo mentalmente a sorte que tenho em ter este homem maravilhoso a meu lado. Mais: em ter seu amor.

Descobrira facetas suas que sequer julgava possíveis. Além de tantas que já conhecia, Connor revelou-se um dono de casa atento, cuidadoso, carinhoso. Minhas irmãs estavam sempre muito bem arrumadas e acima de tudo felizes e saudáveis. Sei que também devia isto a ajuda de (agora) nossos amigos e sua irmã. Mesmo assim, a responsabilidade maior recaia sobre ele.

Durante todo período em que estive internada, esmerara-se em ficar a meu lado o máximo de tempo possível sem no entanto descuidar de suas obrigações no hospital nem de Emma e Marina. Quando não dormia a meu lado, era sempre sua mensagem de boa noite em companhia das meninas a me fazer adormecer. Suas tranças já não deixavam o cabelo de Mama um verdadeiro ninho! Emma fizera dele, pelo que percebi, seu terceiro confidente (o primeiro e segundo lugares ainda pertenciam a mim e a Kim) e por incrível que pareça Jay não ficara enciumado. Aliás, a amizade entre os dois crescera e fortificara-se tal qual a dele com Will. Honestamente não sei de onde tirava forças e disposição para manter a rotina maluca na qual fora atirado com minha doença. Isto só aumentara meu amor e admiração por ele.

—O que foi? Tem alguma coisa na minha barba? – pergunta, olhando-se no espelho ao notar meu olhar insistente em sua direção.

—Não – respondo, sinalizando com o dedo para que se inclinasse – Quando começou a deixar a barba crescer pensei que não gostaria. Mas ficou bonito com ela. Mais bonito – elogio, mexendo nos fios curtos e abundantes, franzindo o cenho ao ter uma lembrança cruzando minha mente – Por que deixou crescer mesmo? – interrogo, curiosa.

—Pra receber seus elogios! – brinca fazendo Munique rir abertamente.

—Sério Connor! – ralho, fazendo um muxoxo.

—Não tive um motivo em especial. Apenas quis mudar um pouco o visual. Estava pensando em tirar hoje, depois que chegássemos. Mas se gostou vou manter por mais um tempo – declara, postando-se atrás da cadeira assim que as portas abrem, conduzindo-me para fora, Munique ao nosso lado.

—Gostei muito – reforço, abrindo a boca, surpresa, ao me deparar com Miss Goodwin, doutor Charles, April, Maggie, Dóris e Ethan junto a ilha da emergência – Ué, todo mundo está trabalhando hoje? – interrogo, sorrindo ao ver Daniel se aproximar com um imenso buquê de flores.

—Não me querida. Viemos apenas para nos despedirmos, por enquanto, já que este rapazinho não irá esperar os nove meses para vir ao mundo, e desejar que tenha uma excelente recuperação – declara ele, me dando um beijo carinhoso na fronte.

—E, claro, que só volte aqui quando for para trazer este mocinho impaciente ao mundo. Não fazemos questão nenhuma de te ver por aqui antes disso! – April brinca, repetindo o gesto de Daniel, só que na minha bochecha.

—E quando este momento chegar estaremos bem aqui, sua doula em especial – Maggie afirma, apontando para si, orgulhosa – Para lhe garantir uma boa hora – conclui, segurando minha mão.

—São os desejos de todos nós doutora Reese – Miss Goodwin acresce, vindo até mim – E mais uma vez quero tranquiliza-la a respeito de seu contrato de trabalho. Seu cargo estará aqui, a sua espera, quando retornar da licença maternidade – reitera.

—Obrigada – agradeço, sentindo as lágrimas aflorarem – Muito obrigada a todos. Por tudo – reforço, ganhando mais beijos carinhosos de Dóris, Maggie e April.

—Doutor Rhodes, considere-se de licença temporária por dez dias, lembrando que está não interferira em sua licença paternidade quando seu filho nascer – Miss Goodwin avisa.

—Ok – Connor responde – Também quero agradecer a todos pelo apoio que recebemos – diz, apertando a mão que Ethan lhe estendia.

—Somos uma família cara! Pode contar conosco. Sempre – garante e mais uma vez preciso me controlar para não chorar.

—Vamos indo meu amor!? Não me levem a mal, amor todos, mas estou morrendo de saudades de minhas fofinhas, de minha cama, um banho bem demorado...- enumero, fazendo-os rirem.

—Entendemos meu bem – Maggie afirma – Cuide-se – recomenda, me dando mais um beijo.

Despedimo-nos mais uma vez de todos seguindo direto para o carro onde, para minha surpresa, Connor, após me ajudar sentar no banco do carona, dobra e acomoda a cadeira de rodas na mala.

—A doutora Harris recomendou que não se esforçasse demais, incluindo caminha mesmo que dentro do apartamento, por isso comprei a cadeira – avisa enquanto toma seu lugar, me deixando boquiaberta – Não será sempre. Apenas nos primeiros dias em casa. Depois pode deixa-la de lado e usar apenas quando e se sentir necessidade – diz, dando partida.

—Ah bom. Porque não pretendo ficar pra cima e para baixo nessa coisa por mais confortável que seja! Não estou invalida. E tomarei o triplo do cuidado de antes – asseguro vendo, pelo canto do olho, ele sorrir – Agora, vai me contar o que quis dizer com filhos? – retomo vendo seu sorriso aumentar.

—Daqui a pouco – diz, tranquilo – Daqui a pouco – repete, ligando o rádio, dando o assunto por encerrado.

Arqueio a sobrancelha, olhando-o de soslaio, acatando, por enquanto, sua vontade, me concentrando em olhar a paisagem urbana através da janela, pensando no quanto o simples ato de ir para casa, seja de carro ou metrô, fazia falta.

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Connor (11:43 a.m)

Aciono o botão do controle abrindo a garagem do prédio onde moramos, entrando devagar.

Havia feito o percurso até em casa sem pressa, tanto para deixar Sarah relaxar e apreciar a paisagem (algo que não fazia a um mês) quanto para dar tempo a Claire e os demais dispensarem ao menos uma parte das crianças que se encontravam no apartamento.

O aniversario de minha irmã e de Marina fora no final do mês passado mas por conta da situação não havíamos comemorado da maneira como Claire prometera mesmo Sarah tendo liberado para que o fizéssemos. No dia, as professoras de Marina e Emma organizaram uma pequena surpresa para ela em sala e a noite, após o final do turno, levei-as, juntamente com Claire, Jay, Kim e Adam, para jantarmos no quarto com Sarah. Tudo muito simples e rápido.

Quando Harris confirmou a data na qual pretendia dar-lhe alta, Claire e Kim me convenceram a deixa-las organizar uma festa um pouco mais elaborada convidando outras amiguinhas de Marina que não estavam presentes na festinha da escola (as da aula de balé para ser mais preciso, o que incluía a filha de Benny) em nosso apartamento estendendo-a a chegada de Sarah como forma de dar-lhe boas-vindas e acabei concordando.

Evidente que me arrependi a principio tanto por lembrar o quanto ela não gostava de surpresas, quanto por notar que poderia ser bastante cansativo emocionalmente. Mas logo mudei de ideia ao ver o brilho nos olhos de minha pequena. Marina estava animada com tudo. O vestido novo da princesa Anna que Claire lhe comprara, a decoração, os docinhos, tudo enfim. E Emma também. Tanto pela festa quanto por ter Sarah de volta. Apesar de não verbalizar, sabia que ela sentira muita falta dela durante este mês. Eu também sentira mesmo vendo-a diariamente e até dormindo a seu lado no Med.

Mas se por um lado todos sofremos com o que aconteceu, por outro as meninas e eu havíamos nos aproximado ainda mais estreitando nossos laços em definitivo. Emma agora me fizera oficialmente seu terceiro confidente, em pé de igualdade com Jay, que para minha grata surpresa não se irritou ou ficou enciumado. Claro que parte disto se devia ao fato de estar saindo com Claire. Mesmo assim, foi bom não ter tido um novo entrevero com ele. Aliás, a necessidade de sua ajuda bem como dos demais havia feito com me aproximasse mais dos amigos de Sarah também. Se antes éramos apenas próximos, hoje me sentia membro da trupe, como Will os descrevia e devo admitir eu isto me fizera bem. Muito bem. Já Marina, em determinado momento, pedira, e acabei por consentir, para me chamar de pai. Sabia que talvez Sarah não ficasse satisfeita quando soubesse, mas certamente iria entender a razão pela qual concordei quando explicasse sem contar que Daniel estava acompanhando-nos a fim de evitar qualquer tipo de trauma ou confusão na cabeça de minha pequena. Minha pequena!...repito mentalmente sorrindo feito bobo enquanto estaciono em minha vaga na garagem.

— Vai mesmo me deixar no escuro em relação ao que estão aprontando? – a queixa me tira do devaneio e volto meu rosto para Sarah, que me observa, atenta e ansiosa – Sabe que não sou exatamente uma fã de surpresas mesmo as boas – lembra, soltando o cinto de segurança sem deixar de me olhar.

Suspiro, sustentando seu olhar, decidindo pôr fim ao sigilo.

—Claire, juntamente com suas amigas, organizaram uma festa dupla: pelo aniversário dela e de Marina e por sua volta para casa. Apenas as amiguinhas do balé foram convidadas já que as da escola tiveram uma festa por lá – conto – Pedi-lhes que não fosse nada muito grandioso mas a esta altura já conhece um pouco o entusiasmo de minha irmã especialmente no que se trata das meninas. Esta foi a segunda razão pela qual adiei um pouco nossa chegada pois combinamos que a maioria das crianças já deveria ter ido embora quando te trouxesse para evitar que encontrasse um tumultuo muito grande em casa – justifico, aliviado ao vê-la sorrir, optando por contar-lhe todo o resto – Quando usei a expressão nossos filhos no hospital insinuando ser mais de um e não num futuro tão distante, é porque...bem...Marina vem me chamando assim recentemente e não a coibi – revelo vendo-a abrir a boca, espantada, mas antes que proteste, prossigo – Antes que reclame, primeiro deixe-me dizer que Daniel está nos acompanhando nesta área. Ele tem conversado com ela para não dar um nó em sua cabecinha – digo – Em segundo lugar, permiti que o fizesse porque vi o quanto estava triste – justifico vendo-a arquear a sobrancelha – Acontece que algumas crianças andavam perguntando pelo pai dela, por que ele nunca aparecia para busca-la como alguns fazem, por que era sempre uma babá ou algum amigo, ou irmã/mãe, enfim....Certo dia, quando fui eu a busca-las na escola, notei sua tristeza e quis saber o porquê. Então falei com a professora e ela contou-me, frisando que já chamara atenção de tais crianças, que não eram da turminha dele e tal – explico, respirando fundo, parando para responder rapidamente a mensagem de Claire – Naquela mesma tarde disse-lhe que, se quisesse, podia dizer as amiguinhas que, assim como você fazia as vezes de mãe dela, eu poderia ser seu pai. E ela o fez – continuo, o sorriso bobo surgindo novamente – Tem todo direito de ficar chateada por não ter te contado, mas concordamos, Daniel, Caitlin e eu, que isto poderia esperar sua alta e apenas se Marina me chamasse de pai na sua frente, contaria. Sei que é meio errado, mas precisa ver a alegria dela meu amor! Seus olhinhos brilhando quando me apresentou as coleguinhas e....- sou interrompido por um beijo doce, urgente, inesperado, carinhoso, que me deixa completamente sem graça ao final – Então não ficou brava comigo? – pergunto, olhando em seus olhos.

—Fiquei – diz, tocando meus lábios com os dedos, me impedindo falar – Mas entendo perfeitamente. E te amo ainda mais por isso! – declara, me dando beijos rápidos, ambos rindo – Agora será que podemos subir antes que sua irmã mande a policia nos buscar? – sugere, afagando meu rosto.

—Podemos....mas....- ergo o dedo fazendo-a enrugar o cenho – Preciso te contar umas coisinhas antes – digo, sorrindo de forma travessa.

—Connor Rhodes, o que andou aprontando em minha ausência? – questiona levando as mãos a cintura.

—Bem, apesar de não pretender usa-la cem por cento do tempo, a cadeira exige um pouco mais de espaço...e também havia outros detalhes em nosso apartamento que poderiam causar certos transtornos a você portanto...Fiz algumas modificações por lá. Nada muito grande. Apenas deixei, com ajuda de um designe, o espaço mais funcional para todos nós. Tenho certeza de que irá gostar – garanto, lhe dando meu melhor sorriso galanteador.

—Você é um caso sério, sabia? Por que gastar com algo temporário? Em breve nosso filho nascera e não haverá necessidade de nada disto – contesta, me encarando, tentando ocultar o sorriso.

—Mas não foi desnecessário meu amor – retruco, sentando-me de lado – Tudo que fiz foi melhorar o espaço não apenas por conta de facilitar a circulação da cadeira, quando precisar usa-la, mas para, no futuro, Max e as meninas disporem de mais espaço para brincarem em segurança – afirmo – Tenho certeza que irá amar quando vir! – asseguro vendo-a rir.

—Ok. Então me leve para casa – pede e sorrio-lhe, saindo do carro rapidamente, abrindo a mala, retirando a cadeira de rodas, que armo pondo-a junto a porta antes de abri-la para ela – Precisamos realmente usar isto? – protesta, fazendo uma careta.

—Sim. Pelo menos na primeira semana – confirmo – Ordens medicas senhorita. Depois pode usa-la apenas se sentir necessidade. Mas por favor não hesite em o fazer ok? – peço, ajudando-a a descer e sentar-se.

—Certo. Mas quero entrar em casa sobre minhas pernas. Depois sento-me novamente, pode ser? – negocia enquanto retiro sua valise e as sacolas.

—Tudo que desejar meu amor – libero, lhe dando um selinho – Pronta? – pergunto, ela acenando afirmativamente – Então segure firme porque o expresso do coração vai partir! – brinco, erguendo levemente a frente da cadeira, fazendo-a soltar um gritinho, rindo divertida enquanto avanço rapidamente pela garagem em direção aos elevadores, adentrando o que se encontrava no local, conduzindo-a de volta a nossa casa.

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Apartamento Connor e Sarah

Narrador

Sorridentes, Connor e Sarah seguem pelo corredor após cumprimentarem os dois casais com os quais cruzaram na saída do elevador, ambos agradecendo o convite para a festa de Marina e desejando melhoras a jovem médica.

Ao chegarem a porta do apartamento, Connor para, postando-se a frente dela.

—Tem certeza Sarah? Não prefere permanecer sentada e levantar depois que entrarmos, quando estiver mais descansada....- tenta negociar o cirurgião.

—Connor, tudo que fiz no mês que passou foi descansar! – reclama a médica, estendendo a mão para o noivo – E não quero entrar em nossa casa numa cadeira de rodas como uma invalida. Não vou correr a maratona da cidade, Connor. Só quero que minhas irmãs e amigos me vejam chegar sobre minhas próprias pernas! Além do mais, pode ser que as meninas fiquem impressionada ao me verem sentada nessa coisa – resmunga.

—Entendo sua preocupação meu amor, mas quero que entenda a minha também e não estou dizendo que não irei fazer sua vontade – apressa-se dizer o cirurgião – Mas saiba que já preparei ambas pra te ver chegar em uma cadeira de rodas. Falei que foi recomendação da Harris para seu bem e do bebê, que não ficaria o tempo todo na cadeira e assim por diante – esclarece, ajudando-a levantar-se.

—E não vou mesmo! Vou me poupar, descansar bastante como ela recomendou, mas não vou ficar pra cima e para baixo nessa coisa não! – Sarah reforça, apontando a cadeira.

—Eu sei meu amor. Não disse que....Espera...Se concordamos, por que estamos discutindo? – questiona, confuso, fazendo a médica rir, divertida, acabando por contagia-lo, a atenção de ambos sendo desviada no momento em que a porta é aberta.

—Mas o que estão fazendo parados ai fora?? – Claire questiona, olhando de um para outro, os braços cruzados a frente do corpo.

—Quem é Claire? – Kimberly pergunta de dentro do apartamento.

—Advinha!! – exclama a empresaria, postando-se lado, permitindo aos demais verem os dois – Um casal de pombinhos!

—Ahhh! Bem que escutei o som de arrulhar por debaixo da porta! – Matt brinca, provocando risos em todos os presentes.

—Sarah!!! – Marina e Emma gritam juntas, correndo ao encontro da irmã, abraçando-se a sua cintura – Estávamos com tanta saudades – afirma Emma.

—Também estava meus anjos! – garante a médica, afagando os cabelos de ambas – Ou devo dizer minhas princesas? Elsa e Anna de Arandelle! – corrige-se, afastando-as minimamente para olha-las – Estão tão lindas! – elogia, emocionada.

—Foi tia Claire quem comprou – Marina avisa, arrumando o vestido, girando para exibi-lo.

—Linda meu amor! – Sarah repete, encantada.

—Pretendem ficar ai fora pelo restante do dia ou vão nos dar a honra de sua companhia!? – Will provoca-os, indo até o amigo – Oi Sarah. Que bom que está bem – diz, beijando-lhe o rosto ao passar por ela – Me deixa te ajudar – dirige-se a Connor, que agradece, entregando-lhe a valise e sacolas.

—Vem Sarah. Vem ver nossa casa nova – Marina convida, Emma rolando os olhos impaciente.

—Não é nova Mama, é reformada – corrige a garota – Connor trocou os moveis Sarah e a gente pintou um monte de paredes, trocamos tapetes, cortinas – enumera segurando a irmã pela mão, guiando-a através da sala.

—Eu pintei também – Marina anuncia, adiantando-se até a cozinha, indicando um pequeno painel na parede – Olha Sarah, eu que fiz! – exibe, orgulhosa.

—Mesmo!? Ficou lindo meu amor – elogia, buscando Connor com o olhar.

—Entrou com os irmãos e suas coisas – Benny Goodman avisa – Bem vinda – cumprimenta, ajudando a filha a sentar-se, a médica sorrindo-lhe de volta.

—Obrigada – agradece, voltando sua atenção para as amigas.

—Connor viu, em algum lugar, uma parede pintada como se fosse um quadro negro e teve a ideia de fazer uma igual para as meninas só que aqui na cozinha para que as duas pudessem escrever o menu de cada dia – Gaby explica – Também usávamos para deixar recadinhos uns para os outros, lembretes sabe! – acresce, abraçando-a – Que bom te ver tão bem!

—Digo o mesmo! – Sylvie declara, imitando a colega – Deixa que eu atendo – prontifica-se quando a campainha toca, correndo em direção a porta.

—Devem ser os dois pais que ainda não tinham vindo pegar os filhos – Nat conclui acertadamente, as mulheres vindo cumprimentar Sarah antes de saírem levando as filhas.

—Pronto! Agora somos sós nós – Matt comemora, pondo o braço sobre os ombros da noiva – Bem vinda de volta ao lar Sarah – diz, segurando e beijando a mão dela.

—Bem vinda – Adam e Kevin imitam-no, erguendo sua garrafas de cerveja.

—Obrigada pessoal. Obrigada a todos por tudo, em especial pela ajuda que deram ao Connor – agradece vendo o noivo adentrar a sala em companhia de Jay e Will.

—Obrigado mesmo. Estaria perdido não fosse por vocês – reforça o cirurgião, beijando carinhosamente a testa da noiva, o braço repousando em sua cintura.

—Acho que falo por todos quando digo que foi um prazer – Will declara, abraçado a namorada, os demais anuindo com gestos de cabeça – E ai, está gostando das mudanças? Já viu tudo por aqui? – pergunta, indicando o ambiente com um gesto amplo.

—Não ainda. Só a cozinha, que parece maior – diz, olhando em volta – Trocou o sofá? – indaga, Connor anuindo.

—Uhum. Esse modelo em L é mais confortável, ocupa menos espaço do o anterior e ainda tem a extensão – enumera, Benny e Jay exibindo o móvel como se fossem vendedores, fazendo todos rirem – Notou algo mais? – interroga o cirurgião, conduzindo-a ao centro da sala.

—Mudou a cor das paredes, a televisão...o centro – enumera ela, correndo os olhos pelo ambiente – A tela de proteção! – exclama, apontando a varanda.

—Pois é. Finalmente instalei. E mudei os moveis por outros mais leves e seguros tanto para as meninas quanto para nosso filho – comenta.

—Na verdade todos os moveis agora são seguros por terem laterais arredondas – Nat informa.

—Que bom. Não nego que ficava preocupada quando as meninas corriam pela casa – confessa, sem graça.

—Eu também – Connor admite, enrugando o nariz numa careta engraçada – Que tal vermos as mudanças lá dentro enquanto vocês preparam as coisas por aqui? – sugere fazendo Sarah enrugar o cenho – Emma, Marina e Alexandra prepararam um numero pra te mostrar – revela – E Owen também vai participar – conta, conduzindo-a pelo corredor que leva aos quartos enquanto os demais se movimentam pela sala e varanda – Primeira parada: quarto das crianças – anuncia, abrindo a porta.

—Connor, que lindo!! – exclama, surpresa, adentrando – Repintaram tudo. E tirou a minha, digo, a cama na qual dormia antes... e mudou a disposição dos moveis! – observa, juntando as mãos em frente ao rosto.

—Não tinha sentindo manter aquela cama enorme atrapalhando o espaço e as cores anteriores, apesar de serem bonitas, estavam escurecendo o ambiente, por isso mudamos – explica – Os moveis ficaram melhor posicionados, as meninas ganharam mais espaço e antes que pergunte, o berço e a cadeira foram para nosso quarto – avisa ao vê-la voltar-se para ele – Mudei umas coisinhas por lá também – diz, convidando-a segui-lo, abrindo a porta, permitindo que entrasse antes dele, deixando-a olhar tudo com calma – Então? Gostou? – quer saber, ansioso.

—Uhum. Muito – afirma ela, usando a recém instalada escada de dois degraus para sentar-se na cama, espalmando a mão por sobre o mesmo, notando a maciez e firmeza do mesmo – Trocou o colchão, pôs a escadinha, retirou o móvel que ficava aos pés de nossa cama...adorei as cores. Ficou bem claro. E amei a disposição dos moveis aqui também – declara, suspirando, abraçando uma almofada – Senti tanta falta deste lugar, desse cheiro...de estar em casa!

—Nós também – Connor afirma, sentando-se a seu lado – Sarah, sei que já conversamos sobre o que aconteceu aquele dia. Mas quero ...- começa dizer, ela o interrompendo, levando sua mão a boca dele.

—Não precisa dizer ou prometer nada meu amor. Já pus uma pedra no que passou e quero que faça o mesmo – pede, lhe dando um selinho – O que importa é o de agora em diante e só – assegura, beijando-o mais uma vez, demorando-se, interrompendo o contato apenas ao escutar seu nome e o dele.

—Sarah, Connor, podem vir – Claire avisa, ambos suspirando antes de levantarem, retornando a sala, ela surpreendendo-se ao deparar-se com Emma sentada segurando o violoncelo. Sabia que a avó materna de Connor havia comprado o instrumento, mas não esperava que estivesse em casa – Sente aqui – indica a empresaria, a médica obedecendo, encantando-se ao escutar a irmã executar os primeiros acordes, Marina e Alexandra movendo-se graciosamente a frente da mesma tendo Owen, meio sem graça, ao lado delas.

Durante cinco minutos os adultos acompanham a apresentação, encantados, aplaudindo ao termino, encantados.

—Gostou? – Emma pergunta, vindo até a irmã, abraçando-a.

—Muito meu amor. Muito, muito, muito! – Sarah repete, distribuindo beijos pelo rosto da menina – Minha pequena musicista! – elogia, dando atenção a Marina, Owen e Alexandra – E vocês estavam fofos demais! Quero beijos! – pede, Alexandra e Owen atendendo de imediato, Marina mantendo-se um pouco afastada – Não ganho beijo meu anjo!? – cobra a médica, chamando a menina com as mãos.

—Ganha...mas antes precisamos conversar – a pequena declara surpreendendo a todos – Sarah, eu tenho seis anos agora. Não sou mais bebê – começa dizer fazendo a médica apertar os lábios contendo o riso – Eu sempre quis um papai. Você já é minha irmamãe mas não tenho um papai – diz.

—Irma o que?? – Benny pergunta junto ao ouvido de Connor.

—Irmamãe. Misto de irmã e mãe. Ela chamava Sarah assim algumas vezes – é Jay quem explica – Não tem feito ultimamente – lembra, atentando-se a pequena outra vez.

—Umas meninas chatas tavam me chateando por causa de meu papai nunca ter ido na escola- conta, o riso sumindo do rosto da médica – Ai a Tina, minha amiga, perguntou se o Connor não podia ser meu papai e eu perguntei se ele queria e ele disse que sim. Você deixa? – pergunta, séria.

—Por mim tudo bem amor – anui após um segundo, segurando a emoção – Olha, pra ser sincera Connor já tinha me contado sobre isto – confessa – Achei lindo mas fiquei um pouquinho preocupada também – admite.

—Pra eu não confundir? – questiona e menina, ela confirmando com um aceno – Fica não. Tio Daniel me explicou tudinho – garante – Ele falou que Connor é papai do Max de verdade e meu papai emprestado e que Max não é meu irmão, é meu sobrinho. Que eu vou ajudar e ensinar ele como a Emma faz comigo – diz, inclinando-se sobre o ventre da irmã – Tá ouvindo Max!? Connor é meu papai emprestado tá bom? Como a Sarah é minha mamãe emprestada. Mas ela é sua mamãe de verdade e Connor seu papai. Fica bravo não tá! Quando você nascer eu te explico melhor e a gente vai ser amigo...mas você vai ter que me obedecer porque sou maior. Eu obedeço a Emma porque ela é maior também...- conta, inclinando-se mais, protegendo a boca com as mãos – Se preocupa não que somos boazinhas viu? – conclui, beijando a barriga da irmã – Prontinho. O Daniel disse que eu tinha que contar pra ele também pra não ter ciúmes – explica, abraçando-a – Tô feliz que você voltou e agora tenho minha irmã, minha mamãe e um papai! – comemora a garotinha não notando as lágrimas escorrendo pelos olhos de Sarah.

—Cara, acabei de descobrir que não tenho maturidade pra isso não! – Benny declara, emocionado, abraçando a própria filha, deixando as lágrimas fluírem.

—Só você? – Jay questiona, fungando.

—Nenhum de nós tem! – Adam declara, levantando-se- Alguém mais quer água!? – pergunta, dirigindo-se a cozinha.

—Com açúcar por favor! – Gaby pede, abraçada a Sylvie, que chora compulsivamente.

—Gente...sem palavras!! – Claire exclama, encostando o rosto na almofada que abraçava.

—Por que tá todo mundo chorando? – que saber a pequena ao voltar-se.

—Porque...- Connor começa dizer, indo até ela, agachando-se a sua frente – Porque você é a coisa mais fofa que Deus deixou na terra! – exclama, tomando-a em seus braços – Porque eu sou o cara mais sortudo e abençoado em te ter na minha vida. Por ter vocês três em minha vida – declara, segurando as mãos de Sarah e Emma, que sentara-se ao lado da irmã – Porque cada um presente aqui sente o mesmo e chorar de emoção foi a maneira que encontramos de dizer isto – diz, afastando-a a fim de ver-lhe o rosto – Eu te amo pequena. E tenho muito orgulho em ser seu pai emprestado – conclui, beijando o rostinho vermelho repetidamente até faze-la rir.

—Tenho maturidade pra isso também não! – Will declara, levantando-se, indo até a cozinha.

—Alguém por favor traz água. A Sylvie vai desidratar! – Gaby brinca, fazendo a loira rir por entre as lágrimas.

—Claire, tudo bem? – Jay pergunta, atencioso, abraçando-a carinhosamente.

—Uhum -responde a empresaria, emocionada demais para falar.

—Ok...ok. vamos respirar. Sarah não pode se emocionar tanto assim – Nat adverte, respirando fundo, enxugando o rosto com as mãos – E também não pode ficar tanto tempo sem comer. Vamos almoçar? Quem tá com fome? – pergunta, as crianças erguendo as mãos de imediato – Emma meu anjo, poderia levar os menores para lavarem as mãos? Enquanto isso nos recompomos um pouco- pede, a menina anuindo com um aceno, conduzindo a irmã e os outros dois ao lavabo – Vamos gente, vamos! – comanda a Pediatra, enxugando a face novamente.

—Eita que essa foi forte! – Adam declara, sacudindo as mãos.

—Se foi – Benny e Will anuem, ambos respirando fundo.

—Tudo bem amor? – Connor quer saber, preocupado.

—Tudo – Sarah responde, aceitando o lenço de papel que Gaby lhe entregava – Obrigada – agradece, encarando o noivo, emocionada, ele soprando-lhe um “Eu te amo” baixinho, tomando e beijando suas mãos, ajudando-a levantar no momento em que as crianças retornam.

—Nat está certa. Precisa se alimentar – corrobora, conduzindo-a a cozinha.

Aos poucos o grupo se recompõe, tomando a refeição num clima leve que permanece durante toda a tarde e após terem ido embora.

A noite, depois de haverem jantado e posto as meninas para dormi, Connor prepara um banho relaxante na banheira, ajudando Sarah a lavar o cabelo, fazendo-lhe massagens pelo corpo. Somente depois de ajuda-la a vestir-se, ele próprio toma seu banho, indo juntar-se a ela na cama, encontrando-a já adormecida.

Com cuidado para não acorda-la, sobe no colchão engatinhando, detendo-se junto a barriga da noiva.

—Oi filho. Sei que não tenho feito muito isso ultimamente, mas vou corrigir este erro ok? – sussurra , erguendo o olhar a fim de certificar-se que ela ainda dormia – Olha só, sei que está ansioso pra sair daí e ver ser o rosto corresponde a voz que ouve — diz, sorrindo ternamente – Te adianto que sim. Sua mãe é linda! E doce – olha-a outra vez – É a criatura mais linda e doce que conheço, e nós dois temos muita sorte em tê-la em nossa vida – afirma – Mas espera só mais um pouquinho tá bom? Umas duas ou três semanas. Também estou...estamos malucos pra ver seu rostinho, ter você em nossos braços, mas precisamos que tenha só mais um pouquinho de paciência! – pede, pondo uma mão sobre o ventre, acariciando-o – Você chutou filho? Chutou a mão do papai!? – murmura, sorridente, sentindo novo movimento – Vou entender como sinal que vai esperar como pedi – diz, o suspiro de Sarah fazendo-o olha-la, uma melodia lhe vindo a mente e começa a sussurra-la – “I was once so downhearted; Disappoitement was my closest friend; But then you came and he soon departed; And now i’ve never seen his face again...” – cantarola, sorrindo ao ver o riso terno forma-se nos lábios de Sarah mesmo estando adormecida – “...Your love, baby, is lifting me higher; Than i’ve ever been lifted before.... You know your love; keeps me on lifting higher...” – continua, deixando um beijo terno no ventre dela antes de deslizar mais para cima até emparelhar com Sarah, seus rostos ficando muito próximos —“...I’m so glad, I finally found you; That one in a milion girls...” amo você! – murmura, deixando um selinho em seus lábios, inclinando-se novamente, deitando a cabeça junto ao ventre da noiva, acariciando-o outra vez – E amo você também, meu filho... “I said once, I was downhearted; disappointment was my closest friend: But you came, and he soon depated...- apoia a mão em um ponto sentindo o chute contra a palma, sorrindo – “...and now he’s never shown his face again” – conclui, adormecendo algum tempo depois...

Your Love Keeps Lifting Higher

Jackie Wilson

(musica que o Connor canta com pequenas alterações)

Notas finais
Próximo cap Max chega para alegrar a vida dos pais; tem visita surpresa do vovô e uma revelação aguardada. Até breve. Bjinhos flores