Love Hurts!

2 Time to think about the future(I)


Notas iniciais
Olá flores! E já se passaram quinze dias! Até que não foi tão difícil esperar... Mentira, foi sim! kkkkkkkkkkkkkkkkk! Mas está sendo bom para essa pessoa ansiosa aqui aprender a se controlar. Mas vamos deixar de enrolação que ainda tenho que terminar o capitulo de MIL ainda hoje já que semana passada a internet (em casa e no trabalho!) resolveu me boicotar! Lembrando: Connor aqui não é o Connor que estamos habituadas ok!? Resistam a vontade de esgana-lo...Se bem que neste cap. ele está bonzinho! Grata a todas as rewiews passadas....More rewiews please! (sem ameças por favor,rsrsrsrs!) ...Boa leitura...Bjinhos flores. P.S: Clémentine, anjo, te respondo daqui a pouco! P.S 2: Josi, flor, grata pelo apoio.

**** Molly’s — Dezembro, 23/ 2016 ****

Connor’s p.o.v

Sentado em uma das mesas próxima a entrada do bar junto com Will, e Ethan observo-a a distância em companhia de Kim Burguess, Erin Lindsay, April e Doris, uma pontada de mágoa surgindo em meu peito cada vez que a vejo sorrir, as lembranças do acontecido na cantina do Med à tarde queimando em minha mente.

Quem ela pensa que é para me tratar daquela maneira? Como espera que as pessoas não desconfiem de nada se tem agido como se eu tivesse uma doença contagiosa, me evitando a todo custo nos últimos dois meses?

Mesmo sendo relativamente discreta, algumas pessoas mais próximas haviam notado que mudava quando eu estava por perto. Perguntas para saber se algo havia acontecido surgiram. Minha resposta era sempre a mesma: perguntem a ela! Após um tempo, os questionamentos cessaram. Porém, depois do que aconteceu hoje, de seu chilique repentino, certamente serei alvo de mais perguntas indiscretas. Já estava sendo, na verdade, por parte de minha digníssima colega Ava Beker! Que mulher insuportável!

—Terra para Connor, câmbio! Tem alguém ai!? – Will diz, estalando os dedos a frente de meu rosto.

—O que foi agora? — pergunto mal humorado.

—Em qual universo estava? – questiona, fazendo Ethan rir – Estamos tentando manter uma conversa coerente com você, mas esta difícil! – reclama.

—Sinal que o assunto deve ser muito interessante! – ironizo.

—Sabe do que está precisando? – Ethan pergunta, dando ele próprio a resposta – De um amor! Se apaixonar novamente.

—Isso! Quem sabe assim deixa de resmungar pelos cantos, Ebenezer Scrooger! – Will compara, me provocando.

—E me deixar manipular novamente? Não obrigado – afirmo, tomando um gole generoso de cerveja – Mulher na minha vida, só em minha cama de agora em diante! Por uma noite ou duas, três no máximo se a transa for muito boa – garanto, vendo-os rirem – O quê? Estão duvidando? – desafio.

—De maneira nenhuma! – Will exclama, erguendo as mãos – Só acho que não pode se fechar para o amor por conta de um relacionamento malsucedido.

—Um relacionamento!? – questiono.

—Ok, mais de um – se rende – Mas Connor, como espera ser feliz vivendo dessa maneira, com essa filosofia? Vai acabar se machucando ainda mais, além de correr o risco de afastar alguém que possa se apaixonar por você de verdade, porque, me desculpe se puder o que vou lhe dizer agora, se o que viveu com Robin fosse amor de verdade resistiria a qualquer turbulência.... Na minha modesta opinião – filosofa.

—Disse o cara que levou dois anos para se aproximar da mulher que ama! – rebato, me arrependendo assim que as palavras saem de minha boca – Desculpe Will, não quis dizer isso.

—Quis sim — rebate – Mas isso não é segredo pra ninguém muito menos mentira – responde tranquilo – Só que estamos falando de você, não de mim, dessa sua revolta contra o amor e consequente decisão em bancar o cafajeste. Por mais que tente e até consiga agir dessa forma por um tempo, isto não vai durar para sempre porque este não é você.

—E como Will bem disse a pouco, está se ferindo ainda mais – Ethan emenda – Pode até pensar que não, que está levando a melhor, mas não está. Está indo contra sua natureza e uma hora vai receber a conta da vida por agir dessa forma.

—Falou Confúcio! – ironizo mais uma vez, minha atenção sendo chamada por ela, que levantara após a chegada de Gabby Dawson com uma rodada de bebidas, saindo pouco depois em direção aos banheiros.

—Pode ironizar o quanto quiser, mas quando aquele certo alguém que irá mudar seu pensamento novamente cruzar seu caminho, quando o olhar e o sorriso certos te acertarem em cheio, não terá como resistir, por mais que tente! Ai meu caro, reze para que ela aceite o desafio de ...

—Certo, certo, já entendi o recado – o interrompo, levantando.

—Aonde vai? – Will interroga.

—Ao banheiro, posso pai? – olho para Will e depois para Ethan – Mãe? – provoco-os não esperando resposta.

Passo pela mesa onde ela estava, cumprimento as demais garotas, me dirigindo rapidamente a área onde se localizam os banheiros (não que precisasse ir a um de fato!).

Conheço o Molly’s o suficiente para me posicionar em um local onde poderia vê-la sair sem ser visto por ela ou por qualquer um no salão mantendo-me alerta.

Após a entrada de um grupo barulhento de garotas, ela sai.

Antes que se afaste ou tenha tempo de reagir, a puxo pelo braço, trazendo-a para meu “esconderijo”.

—O que é isso? Largue-me!! – protesta, tentando se libertar – Me largue ou vou gritar! – ameaça e tapo sua boca com uma mão.

—Pare com isso Reese! Fique quieta. Só quero conversar com você – digo, fazendo-a parar, retirando minha mão.

—Não temos nada para conversar doutor Rhodes! – rebate, as mãos em meu peito, empurrando-me – Me solte! – repete.

—Não até me dizer que diabos foi aquilo hoje à tarde no Med!? – questiono, emendando – Me deixou em uma tremenda saia justa diante de todos sem contar as insinuações que tive de engolir...- começo dizer, ela me interrompendo.

—Pouco me importa o que teve de enfrentar! Me solte ou...

—Ou o quê? Vai gritar? Faça isso! Assim seremos o assunto no hospital por mais tempo! – exclamo, sentindo meu corpo reagir à proximidade do dela, fazendo-me prensá-la contra a parede levando, por instinto ou desejo, não sei bem, minha boca a seu pescoço, sentindo a textura da pele macia, aspirando aquele cheiro doce que exala dele.

—O que pensa estar fazendo? Pare com isso agora! – protesta com voz fraca, seu corpo indo contra o que pedia.

—Você tem um cheiro tão bom, tão doce! Sua pele é tão macia! …. Você inteira é tão macia...Doce.... Tão doce! – sussurro, prendendo-a mais junto a parede, minha boca colada em seu pescoço, subindo até alcançar a sua, tomando-a em um beijo sôfrego que aos poucos se torna urgente, ela correspondendo com a mesma intensidade.

Minhas mãos, antes quietas, passam a explorar o corpo curvilíneo por sobre a blusa detendo-se em um seio, apertando-o, fazendo-a gemer.

Em resposta ela desliza uma mão até meu membro que àquela altura lateja, acariciando-o inicialmente por cima da calça, abrindo botão e zíper, o tecido fino da box que usava transformando-se em uma barreira indesejável.

—Maldição! – xingo, erguendo-a, fazendo com que enroscasse as pernas em minha cintura, usando meu corpo para mantê-la passiva enquanto baixo minha calça e cueca, minhas mãos deslizando por suas coxas sob a saia assim que termino, alcançando e rasgando sua calcinha, única barreira que me impedia de possuí-la.

Invisto forte fazendo seu corpo subir e descer contra a cerâmica pouco me importando se seriamos pegos ou não... “Se vão me infernizar que seja por uma boa razão! ” – penso, sentindo-a cravar as unhas em meus ombros por cima da camisa ao mesmo tempo em que cruza as pernas em minhas costas, o movimento fazendo com que se comprimisse em volta de meu membro, aumentando o prazer que ambos sentíamos.

Aumento o ritmo de minhas investidas até senti-la gozar, amolecendo em meus braços, acompanhando-a pouco depois, deitando minha cabeça em seu colo, exausto, permanecendo abraçado a ela, ambos quietos, até nossos corpos normalizarem.

Ergo-a com cuidado, saindo dela, pondo-a no chão.

—Poderíamos repetir isso mais vezes – digo enquanto nos recompomos, vendo sua expressão de indignação ao erguer a cabeça, encarando-a – Não faça essa cara Reese, gostou tanto quanto eu e sabe disso. Vou acabar me sentindo ofendido se a cada vez que transarmos...- antes que complete a fala, sou atingido por uma bofetada forte no lado direito do rosto.

Surpreso, encaro-a por longos segundos antes de ser deixado sozinho, massageando o local o atingido, estático enquanto ela retorna ao salão...

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“Meu ar de dominador dizia que eu ia ser seu dono, e nessa eu dancei!

Hoje no universo, nada que brilha cega mais que seu nome;

Fiquei mudo ao lhe conhecer, o que vi foi demais, vazou;

Por toda selva do meu ser, nada ficou intacto...”

Apartamento Connor (início da tarde, 25/12 – 13:55 p.m)

Connor

Acordo sobressaltado com o som estridente da campainha sendo tocada insistentemente, fazendo-me sentar na cama rapidamente, olhando a volta desorientado.

Pisco várias vezes até meus olhos acostumarem-se a claridade, xingando a pessoa que insistia em martela o bendito interruptor fazendo o som ecoar sem parar dentro do apartamento.

—Vou esganar o filho da mãe imbecil! – resmungo, procurando algo para vestir, encontrando uma cueca aos pés da cama – ESTOU INDO IMBECIL! – grito ante mais uma rodada de insistentes toques, tropeçando no edredom ao mudar a passada, xingando ainda mais a visita inesperada.

Caminho sem pressa até a porta, cometendo o erro de abri-la sem verificar de quem se tratava.

—Bom dia Connor, ou devo dizer boa tarde?! – meu pai pergunta, entrando sem esperar ser convidado, me examinando de alto a baixo – Está horrível! – exclama.

—Não dou a mínima para sua opinião sobre minha aparência pai, e até onde me lembro não o convidei a entrar! – rebato, mantendo a porta aberta em um convite silencioso.

—Tem dez minutos para se barbear, tomar um banho, por uma roupa, enfim, ficar com uma aparência decente! – diz, abrindo o terno, sentando-se confortavelmente no sofá.

—Acho que não ouvi direito: está tentando me dar ordens dentro de Meu apartamento, é isso?? – questiono sem sair do lugar – Há alguns anos não lhe devo obediência! Agora, faça o favor ...

—Não dou a mínima se decidiu passar seu natal em cima de alguma vadia em sua cama – me interrompe, rindo cinicamente – Mas se era o que pretendia fazer, não devia ter se comprometido com sua irmã e avós a comparecer ao bendito almoço de natal que passaram semanas organizando! – despeja …Merda, esqueci o bendito almoço! !!...– As três estão à sua espera em Minha casa – faz questão de frisar – Fantasiando um milhão de situações, nenhuma boa, tudo porque vossa alteza sequer se digna atender ao telefone – ironiza, voltando a recostar-se – Se o tivesse feito entre uma trepada e outra, teria me poupado a viagem e se poupado de minha presença... E agora só lhe restam oito minutos! – contabiliza, apoiando os braços sobre o encosto.

—Não precisa me esperar, posso muito bem ir sozinho – digo, sinalizando para que saísse.

—Se eu chegar naquela casa sem vossa alteza serei linchado, portanto... – insinua sem sair do lugar.

—Não me tente pai, não me tente! – aconselho, batendo a porta com força, me dirigindo ao quarto.

—O convite não se estende a sua...amiga – alfineta e preciso me controlar para não o mandar para aquele lugar!

No quarto, jogo os lençóis sobre a cama de qualquer jeito me recriminando pela bagunça reinante, prometendo a mim mesmo arrumar tudo na volta, seguindo para o banheiro, tentando recordar em que momento fizera essa promessa a Claire.

—Eu deveria estar bêbado ou de ressaca! – resmungo debaixo do chuveiro – Ontem à noite! Só pode ter sido ontem quando veio, mais cedo, cear comigo – recordo, balançado a cabeça negativamente – Golpe baixo Claire, golpe baixo! – murmuro lembrando que realmente estava com uma ressaca brava tanto física quanto mental, causada em grande parte pelo que acontecera no Molly’s – Droga, essa mulher está me tirando do sério! – esbravejo, saindo do banho, enrolando uma toalha na cintura, indo até meu armário onde escolho a primeira roupa que vejo (calça jeans preta e camisa de cashmere azul escura), calço um sapato qualquer, arrumo o cabelo com as mãos, ponho um pouco de perfume e volto para a sala encontrando meu pai ainda mais a vontade assistindo televisão.

—Não sei como as pessoas não se cansam de verem sempre as mesmas histórias nesta época do ano! – exclama, levantando-se, desligando a tv, abotoando o terno, me examinando novamente – Aceitável, mas poderia ter caprichado – comenta, passando por mim – O que está fazendo? – questiona franzindo o cenho ao me ver pegar a chave de meu carro.

—Já tive que lhe aturar me dando ordens, não vou dividir o mesmo carro com você de jeito nenhum! – afirmo, abrindo a porta.

—Como desejar – diz, não perdendo a oportunidade de me provocar – Contanto que não pegue nenhum desvio para o aeroporto! – exclama – Vai deixar sua amiga trancada até voltar?

—Estou sozinho pai...Não que seja da sua conta! – bufo, fechando a porta.

Caminhamos para o elevador, em silencio, pelo corredor, assim permanecendo até chegamos ao estacionamento onde mais uma vez me provoca dizendo para que sinalizasse ao motorista caso se distanciassem muito e ficasse com medo de me perder.

Respiro fundo, me controlando, preferindo lhe dar a resposta atravessada em minha garganta de outra forma.

Quando saímos da garagem do prédio (na qual nem imagino como conseguiu entrar sem ser morador, ou melhor, imagino!), ultrapasso seu carro acelerando até que sumam de meu campo de visão, chegando a minha antiga residência bem antes que ele.

Estaciono em frente à entrada da casa, as lembranças vindas em ondas a minha mente. Boas, ruins.... Péssimas.... Lembranças que pensei estivessem sepultadas a anos, me assustando ao escutar o grito (literalmente falando) de minha irmã.

—Connor, você veio! – vibra, pulando em meu pescoço mal desço do carro – Eu disse ao papai que viria, mas ele foi teimoso! Vocês se desencontraram? – pergunta, olhando por sobre meu ombro.

—Não, apenas o deixei para trás... De novo!— penso, mas não verbalizo, um sorriso irônico desenhando-se em meu rosto ao escutar seu carro aproximar-se, estacionando poucos metros à frente do meu.

—Vejo que não desaprendeu o caminho – diz, parando ao nosso lado – Se não veio antes é porque quis! – alfineta, entrando.

—Eu deveria ignorar essa maldita promessa que te fiz e Te ignorar por um bom tempo já que se aproveitou de um momento de fraqueza meu! – bufo, olhando-a de soslaio.

—Desculpe Connor, mas não tenho culpa se anda exagerando na bebida ultimamente – pede, enroscando seu braço ao meu – Agora pare de rabugice! Nossas avós estão loucas para rever o netinho lindo e ingrato delas – diz – Quanto ao papai, se não responder as provocações ele te deixara em paz.

—Duvido! – exclamo, seguindo-a casa adentro, o passar das horas provando que ela estava enganada. Muito enganada.

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Residência Estela Smith (início da tarde 25/12 -12:10 p.m)

Narrador

—Sarah, por favor, se acalme! – Kim pede, entregando-lhe outra caixa de lenços de papel (a primeira se fora completamente minutos atrás!) – Se soubéssemos que ficaria neste estado, não teríamos insistido para que fizesse o bendito teste!

—Como se gravidez fosse uma coisa que ela não notasse! — ironiza Lindsay cruzando os braços a frente do peito – Mais cedo ou mais tarde todos perceberiam, por mais que tentasse esconder – racionaliza com seu jeito, às vezes insensível, de ser.

—Como isso pôde acontecer Kim? Como? – interroga encarando a amiga, assuando o nariz, àquela altura vermelho como um tomate.

—Obviamente você e o pai do bebê, no ímpeto do momento, devem ter-se esquecido de usar preservativo, simples assim! – deduz a loira, recebendo um olhar ressentido da médica.

—Não sou estúpida Erin! Evidente que usamos preservativo – assegura ela, secando o nariz uma vez mais – Aquela porcaria que falhou!

—Ou talvez tenham se esquecido de trocar entre uma transa e outra, isso supondo que tenha sido mais de uma na mesma noite! – Gabby Dawson argumenta – Eu e Matt já esquecemos algumas vezes…. Ou nos descuidamos ao retirar, enfim, em algum momento houve uma falha.... Do preservativo ou de vocês! – avalia a paramédica.

—Isso! – Kim anui – Pode acontecer com qualquer um...

—Mas não podia ter acontecido comigo!!! – Sarah a interrompe, voltando a chorar – Não Comigo! ...E justo com ele! – desabafa – Como vou conseguir sustentar três crianças?? – desaba sobre o colchão, chorando copiosamente.

—Acha que o pai não vai querer assumir? – Erin questiona, desconfiada – Isso é coisa de moleque irresponsável! – esbraveja.

—Recolha as armas Erin, não é do Jay – Kim assegura, arrependendo-se no minuto em termina de falar.

—E de quem é? – Gabby deixa escapar, tapando a boca com as mãos – Desculpa Sarah, me desculpa – pede, afagando os cabelos da amiga – Isto é o que menos importa agora.

—Discordo totalmente Gabriela. Esse cara tem que assumir a responsabilidade, seja ele quem for –Lindsay frisa, encarando Kim – Na hora de fazer foi bom né!?

—Não é tão simples assim Erin – Kim afirma – É...complicado!

—Descomplica! – bufa a agente.

—E faz como senhorita FBI? Vai atrás do cara e põe uma arma na cabeça dele? – Gabby indaga.

—Se for necessário! –afirma, deixando as outras duas de boca aberta – É só me dizer onde encontro o filho da mãe e...

—Não! – Sarah exclama, alterando a voz – Não quero que ele saiba! De jeito nenhum! – afirma, categoricamente, afundando o rosto no travesseiro novamente.

—Sarah, como você mesma lembrou, não terá condições financeiras de sustentar a si própria e três crianças. Esse cara tem sim que saber e assumir a reponsabilidade! Esse filho é tão seu quanto dele – insiste Erin.

—Dessa vez tenho que concordar – Gabby diz, olhando a médica carinhosamente – Não pode assumir essa responsabilidade sozinha.

—Não preciso assumir...Posso não ter esse bebê – diz, evitando olhar as amigas.

Durante alguns minutos o silencio reina no quarto, sendo quebrado mais uma vez por Erin.

—Ele te violentou? – pergunta, direta.

—Não – responde rápido.

—Não precisa ter medo Sarah. Se foi isso, estaria protegida por lei para...

—Não fui violentada Erin! – interrompe-a, sentando, tensa – Fui para cama com ele por livre e espontânea vontade...E fraqueza, burrice... – acrescenta, voltando a chorar – Não sei se consigo ter esse bebê! Que tipo de lar posso oferecer a ele? Que tipo de vida teria?

—Certo, em primeiro lugar pare agora de se menosprezar desse jeito na minha frente. Não admito, está me ouvindo?! – ordena, segurando as mãos dela – Em segundo lugar, por mais que pense o contrário, será uma mãe maravilhosa! Suas irmãs são a maior prova disso. Nunca deixou nada faltar as duas, elas são alegres, saudáveis, educadas.... Que tipo de lar ofereceria ? Um cheio de carinho, amor e alegria, mesmo passando por dificuldades! Quantas crianças, mesmo vivendo em casas suntuosas, cercadas de luxo e riqueza, podem dizer que têm isso? – questiona, prosseguindo – Que tipo de vida, perguntou? Vida, Sarah. Vida!! Essa criança não pediu para ser gerada e por mais que concorde que será difícil para você, me desculpa, mas aborto me parece uma decisão tão injusta!

—E perigosa. Sabe que, se não foi estuprada, está legalmente desprotegida não sabe? – Gabby pergunta, ela acenando afirmativamente – Estaremos a seu lado, não importa o que decida, mas é bom prepara-se para enfrentar uma batalha! – alerta.

—Sem sombra de dúvidas! – Kim anui – As leis não são nada favoráveis, mas te daremos total apoio no que decidir.

—Quem vai decidir o quê? – a voz de Jay as assusta, fazendo-as grita – Que foi isso? Querem me deixar surdo é?? – reclama o policial, massageando a região próxima ao ouvido, franzindo o cenho ao ver o rosto de Sarah – O que está acontecendo aqui? Está chorando Sarah? – pergunta, sendo impedido de entrar no quarto por Lindsay.

—Conversa de garotas Halstead. Cai fora! – expulsa, as mãos em seu peito

—Que tipo de conversa? Por que Sarah está chorando?? – insiste ele.

—Não é da sua conta. Cai fora! – reforça Gabby – O que veio fazer aqui afinal? Nos espionar?

—Logico que não! – defende-se o jovem – Acontece que já faz mais de uma hora que estão trancadas aqui em cima...

—E daí?? – Erin questiona levando as mãos a cintura.

—Daí que, tirando as meninas, ninguém almoçou à espera das madames! – bufa – Se estão a fim de fazer regime deveriam ter a decência de nos avisar!

—Ta, ta, estão liberados. Podem começar sem nós. Descemos em alguns minutos – informa a agente, empurrando-o para fora do quarto, fechando a porta em sua cara, rindo divertida ao escutar os palavrões proferidos por ele – Sinto falto disso! – admite, piscando para as demais, voltando a sentar-se sobre a cama – Sabe, cheguei a torcer que fosse do Jay. Seria bem mais simples! – exclama.

—Mas não é – Sarah reafirma – Não é dele ...Nem é simples! – funga, enxugando os olhos e nariz – Sei que posso contar com vocês...Só não sei se ... Não me sinto preparada para ter um filho agora...

—Então vai mesmo abortar? – Gabby pergunta num misto de preocupação e tristeza.

—Não sei Gabby...Honestamente me parece o mais correto a fazer...No entanto, não sei se vou conseguir me olhar no espelho caso o faça – assume, as lágrimas aflorando mais uma vez – Estou tão confusa, com tanto medo!

—Vamos combinar uma coisa: amanhã você procura uma obstetra, no Med ou em outro lugar. Posso te acompanhar se quiser – Gabby se oferece – Faça uma consulta, veja com quanto tempo está, tire suas dúvidas e partindo daí decida o que fazer, o que acha?

—Acho que vocês são maravilhosas e que vou precisar de outra caixa de lenços! – exclama a médica, fazendo bico, recomeçando a chorar.

—Tudo bem, vai ficar tudo bem. Estamos aqui a seu lado! – Kim a conforta, abraçando-a, Gabby e Erin se unindo as duas em um abraço em grupo.

—Vou acabar desidratando! – Sarah resmunga, a cabeça recosta no ombro da amiga, fazendo-as rirem.

—São os benditos hormônios! – Gabby diz, as quatro rindo mais, esquecendo-se por um momento os temores da jovem– Agora, que tal descermos antes que um certo detetive estressado suba novamente!? – sugere ao separarem-se.

—Falando nele, sabe que vai te encher o saco para saber quem é o pai não sabe? – Erin pergunta, levantando.

—É só mais um detalhe com o qual me preocupar! – Sarah retruca, controlando-se, secando os olhos antes de saírem do quarto.

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Chicago Med (segunda, 26/12 – 16:45 p.m)

Sarah

Aperto minhas mãos nervosamente enquanto caminho em direção a sala de Miss Goodwin. Havia decidido conversar com ela sobre minha situação antes mesmo de fazer a consulta a fim de saber qual seria a posição do hospital tanto no caso de decidir levar a gravidez adiante quanto se escolhesse o aborto.

Estava bastante ansiosa e nervosa ao parar em frente a porta de minha chefe, refletindo o quanto deveria lhe contar, ou seja, se deveria revelar quem era o pai do bebê que esperava, se é que estava mesmo grávida (uma esperança ínfima insistia em se infiltrar em minha mente já que tinha feito apenas os testes de farmácia).

Olho o relógio em meu pulso verificando quanto tempo dispunha antes da consulta. Optei por faze-la ao final de meu turno, no Med mesmo, com uma obstetra que havia sido contratada recentemente e que ainda não conhecia toda a equipe (entenda-se Connor Rhodes, assim espero!), tentando me expor o mínimo possível. Por isso também marcara a consulta em nome de outra pessoa: Gabriela Dawson (ela mesma sugerira fazê-lo pedindo mil desculpas por não poder me acompanhar como prometera).

Respiro fundo batendo levemente, estremecendo ao escutar um “pode entrar” abafado, fechando os olhos, enchendo-me de coragem, abrindo a porta, entrando ainda temerosa.

—Bom dia Miss Goodwin, digo, boa tarde – me corrijo, ficando tensa ao notar a presença de doutor Charles.

—Boa tarde, minha querida. Em que posso lhe ajudar? – pergunta, sinalizando para que sentasse.

—Vou deixa-las sozinhas – doutor Charles diz, fazendo menção de levantar-se.

—Na verdade, gostaria que ficasse – olho-o suplicante – Por favor – peço, sentando, insegura, ele fazendo o mesmo, ambos me encarando – Miss Goodwin, eu...Gostaria de saber qual a política do hospital no que se refere a mães solteiras, tanto no caso de decidirem levar a gravidez adiante quanto se optarem por abortar – despejo de um folego só, vendo-os trocarem olhares surpresos.

—Bem, mães solteiras tem todo nosso apoio levando a gravidez até o final ou não – garante – Não fazemos perguntas caso decidam fazer aborto, apenas cuidamos para que o faça dentro da lei – informa – No caso de decidir levar a gravidez até o final, terá os mesmos direitos que qualquer outra funcionaria de nosso quadro mesmo não sendo casada– completa, me observando atentamente – Está grávida Sarah? – pergunta direta após alguns segundos.

—Sim – sopro – Quer dizer acho que sim. Pelo menos o teste da farmácia deu positivo...Os três! – desabafo, sentindo as lágrimas brotarem.

—Tudo bem querida, tudo bem. Estamos aqui para lhe ajudar – doutor Charles afirma, vindo sentar a meu lado, me estendendo um lenço.

—Me desculpem – peço, enxugando o rosto.

—E está pensando em não ter o bebê? – Miss Goodwin questiona e respondo com um aceno vacilante – Preciso lembrá-la que em nosso Estado só é permitido abortar em caso de estupro, incesto ou risco de morte para a mãe – relembra, perguntando com cuidado – Foi estuprada meu anjo??

—Não, não – tranquilizo-a – Só ...Não esperava já que usamos preservativo – afirmo.

—Então temos que conversar a respeito para que não tenha problemas meu bem – diz, apoiando as mãos sobre a mesa – Para começar preciso saber com quanto tempo está e em quais circunstâncias exatamente essa criança foi gerada. Pode parecer invasivo mas preciso desses dados para ajudá-la caso decida interromper a gravidez a fim de buscar uma alternativa legal junto com os advogados do hospital– explica.

—Saiba, desde já, que tem nosso total apoio no que decidir fazer – doutor Charles assegura.

—Obrigada – agradeço – Eu ainda não sei com quanto tempo estou. Na verdade, só fiz os testes ontem à tarde – revelo –Minha primeira consulta será daqui alguns minutos, com a doutora Harris – prossigo – Usei o nome de uma amiga para marcar! – completo, baixando os olhos, envergonhada.

—Entendo – diz, complacente – Sugiro esperarmos o resultado desta consulta para pensarmos na melhor maneira de agir – sugere e mais uma vez me limito acenar – Então faça sua consulta com calma, converse com a doutora Harris, e depois me procure, ainda hoje ou amanhã se preferir, ok?

—Uhum – concordo, levantando.

—E Sarah, tente manter-se calma. Como já foi dito, lhe apoiaremos no que seja – garante, vindo até mim, segurando minhas mãos – Daniel e eu estaremos a seu lado da mesma forma que estivemos antes.

— Quando quiser conversar, me procure estarei a sua disposição sempre – doutor Charles emenda – Deseja companhia em sua consulta?

—Não, não precisa, obrigada – agradeço.

—Muito bem minha linda – doutor Charles fala, um tremor involuntário percorrendo meu corpo ao ouvir a expressão, a mesma que Rhodes usara aquela manhã.

– O que foi? Está sentindo alguma coisa? Suas mãos ficaram frias de repente – Miss Goodwin pergunta, preocupada.

—Só ansiedade – minto, em parte, sorrindo sem graça – Me deem licença, não quero me atrasar – peço, agradecendo mais uma vez o apoio antes de sair.

Sigo direto para o consultório da doutora Harris, agradecendo mentalmente por sua recepcionista não ser nenhuma das enfermeiras do PS.

—Oi, tenho uma consulta marcada. Gabriela Dawson – me identifico.

—Pode entrar senhorita Dawson, a doutora está a sua espera – diz, indicando a porta a suas costas.

—Hora da verdade Sarah! – murmuro, dando uma leve batida antes de abri-la, entrando hesitante.

—Olá, boa tarde! – cumprimenta, indicando a cadeira a sua frente, estendendo-me a mão – Prazer ...Gabriela? – indaga, franzindo o cenho, olhando da tela para mim alternadamente, parecendo estranhar algo.

—Sim – confirmo, apertando sua mão.

—Caitlin Harris – apresenta-se – Pois bem, Gabriela – novamente parece hesitar precisando olhar a ficha a sua frente – Em que posso ajuda-la? – pergunta, me encarando calmamente.

Respiro fundo antes de começar a falar.

—Eu acho que posso estar gravida...Quer dizer, estou...Pelo menos os três testes de farmácia que fiz deram positivo – informo, sorrindo minimamente, baixando os olhos para seu jaleco e só então me dou conta da burrada.... Ai merda, esqueci de tirar meu jaleco! Que idiota! – recrimino-me mentalmente.

—E quer saber se os testes estão corretos? – pergunta

—Sim – confirmo, pensando em uma boa desculpa para usar o jaleco com o nome diferente do que constava na ficha – Também quero saber com quanto tempo estou, caso esteja realmente gravida, para... – me calo, indecisa se deveria falar ou não, ela decidindo por mim.

—Saber se ainda é possível e seguro um aborto – completa, sorrindo complacente ao ver minha expressão de espanto – Ficaria admirada quantas vezes me pediram isto! – exclama, pegando uma caneta – Em primeiro lugar quero saber duas datas: quando teve relação e quando menstruou pela última vez.

—Então, lembro de ter menstruado na semana seguinte a ter tido relação – relembro – E eu usei...Nós usamos preservativo – acho importante acrescentar.

—Camisinha apenas ou associado a pílula? – pergunta.

—Camisinha. Só camisinha.... Pro meu azar! .... Estava mudando de anticoncepcional – informo, esticando o pescoço na tentativa de ver o que escrevia – É normal menstruar e mesmo assim engravidar?

—Deixe-me esclarecer uma coisa antes: você menstruou, todos os dias, o ciclo completo direitinho, ou teve um sangramento de um dia ou dois? – interroga.

—Agora que falou, meu ciclo costuma durar cinco dias – relembro levando uma mão a boca, mordendo a unha, me esforçando para lembrar o que pedira – Foi sangramento. Um dia e meio. Nem chegou a dois – concluo.

—Nesse caso é bem normal acontecer – informa diminuindo minha já tênue esperança de um falso positivo dos testes – E a data em que teve relação?

—Vinte e dois de outubro – digo, corrigindo-me logo a seguir – Ou melhor, vinte e três porque já era madrugada.

—Ok... E o sangramento ocorreu por volta do dia...?

—Vinte e seis – afirmo.

—Ok Gabriela, vou pedir a minha assistente que colete seu sangue para os exames que preciso fazer, depois faremos um ultrassom – avisa, levantando-se – Siga-me por favor – pede, me conduzindo a uma sala anexa onde uma outra enfermeira que me recebera já se encontrava – Vista isto, sente-se que já volto. Elaine, quando terminar de coletar o sangue me avise – pede, saindo da sala.

Um medo infantil de que fosse procurar alguém para saber sobre minha identidade falsa toma conta de mim enquanto tiro a roupa vestindo a bata que me dera, fazendo-me ter vontade de correr dali.

—Pare com isso Sarah! Tem que fazer esses exames...Droga, porque tinha que esquecer o bendito jaleco? – me recrimino novamente, sentando com o braço esticado, fazendo uma careta ao sentir a agulha perfurar minha pele.

O medo só passa quando a vejo voltar antes mesmo que a enfermeira fosse chama-la, sua expressão tranquila me tranquilizando por tabela.

—Pronto? – pergunta a enfermeira, que acena afirmativamente – Deite por favor – pede, indicando a cama a seu lado, sentando-se de frente para o aparelho.

Obedeço, tensa, abraçando meu ventre com os dois braços enquanto aguardo, soltando-o quando ela pede, acompanhando seus movimentos desde que abre a bata até quando espalha o gel frio sobre meu ventre, espalhando-o com a ajuda do leitor.

Por um longo tempo (ao menos me pareceu) permanece com os olhos grudados a tela, calada, o que só aumenta minha aflição. Estava prestes a quebrar o silencio quando ela finalmente fala, deixando escapar o que descobrira.

—Muito bem Sarah, não sei se é uma boa ou má noticia – começa dizer, ainda sem me olhar – Gosto de pensar sempre que é uma boa pois trata-se de uma nova vida.

—Então estou mesmo grávida? – interrogo, ansiosa

—Está sim – confirma, voltando a tela para mim – Está vendo aqui? – indica um ponto no centro, circulando-o com a caneta – É seu bebê! – exclama, fazendo-me prender a respiração – Baseada nas informações que me deu e pelo que vejo, calculo que esteja com oito semanas e três dias.

—Dois meses! – sopro, suspirando.

—Sim, dois meses – confirma, prosseguindo – Como me pediu outras informações vou te passar agora – anuncia, suspendendo o exame, olhando diretamente para mim – Pode interromper a gravidez, tanto pelas leis do Estado de Illinois quanto com segurança para sua saúde, até a vigésima semana – revela – Esse é o limite para se interromper caso se encaixe nos perfis permitidos – alerta, mudando de expressão – Não sei a história por detrás desse filho que te faz querer tirá-lo, já que me parece não haver sido fruto de uma violência, e ter a necessidade de esconder sua identidade – expressa o que eu já presumia – Mas se posso te dar um conselho, peço que pense muito bem a respeito porque depois que fizer não tem volta – lembra-me – Não falo apenas pelo lado legal, ou ético. Falo pelo pessoal, como mulher. Já vi muitas jovens se arrependerem por ter tomado a decisão num momento de raiva, por impulso ou orgulho e se arrependerem quando já era tarde – conta, tomando minha mão entre as suas – Há outras opções, como entrega-lo para adoção – sugere.

—Uhum....- murmuro, tensa – E está tudo bem com ele? – quero saber, voltando meu olhar para a tela.

—Tudo dentro do esperado para o tempo de gestação. Ainda está na fase embrionária, é quase um grãozinho ainda! – compara, sorrindo carinhosamente – Está com 19mm, ou seja, dentro do esperado, como disse – assegura, passando a me explicar como deveria proceder dali para frente independente de manter ou não a gravidez, terminando a consulta após me dizer que enviaria os resultados dos exames de sangue para meu e-mail. Aproveito para lhe explicar o porquê de ter usado o nome de outra pessoa, omitido o nome do pai, evidente.

Conversamos por mais algum tempo depois que me visto, nos despedindo combinando que a procuraria assim que tomasse minha decisão.

Saio do consultório sentindo um misto de alivio e medo, seguindo no automático até o PS para fechar meu turno (já passava das sete da noite), despedindo-me de todos que estavam por lá também automaticamente, seguido para a estação de metrô e de lá para a casa de Estela buscando minhas irmãs, indo direto para casa.

Após banha-las, dar-lhes o jantar e pô-las para dormir, tomo um banho demorado, jantando sozinha na sala pensando em tudo que me acontecera nos últimos dois anos, me entregando ao choro abraçada a uma almofada até adormecer.

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Apartamento Connor (23: 45 p.m)

Connor

Sento na cadeira apoiando minhas pernas na meia parede de vidro da varanda observando a cidade em seu ritmo frenético enquanto tomo uma cerveja.

O dia tinha sido estranhamente calmo tanto no PS quanto na cardiologia.

Havia aproveitado parte dele para ir à biblioteca do Med estudar alguns casos além de escutar áudios de sons do coração, um hábito que adquirira graças a meu novo mentor.

O som do meu celular vibrando sobre a mesinha de centro chama minha atenção. Pego o aparelho torcendo o nariz ao ver o nome no identificador de chamadas: Ava Beker.

—Mas nem pensar que vou te atender sua intragável! – falo para o visor, deixando o aparelho cair sobre o tapete embaixo da cadeira.

O único motivo para ter salvo o número dela era por sermos colegas de trabalho, nada mais. Não pretendia de forma alguma ter absolutamente nada com ela.

Na verdade, não pretendia ter nada com mulher nenhuma por um longo tempo mesmo que isto significasse um período de abstinência sexual, que poderia ser facilmente quebrado pagando pelos serviços de uma profissional, o que eliminaria inúmeros aborrecimentos... Tipo ser tratado como um leproso por alguém que claramente se divertiu tanto em minha companhia, sexualmente falando, quanto eu me diverti na dela! — penso, suspirando.

Admito: o comentário que disse ter sido dela, na verdade era meu. Ela foi a melhor transa dos últimos tempos, conseguindo, para minha surpresa, superar Samantha e Robin (sendo a última a mulher com quem cogitei passar o resto de meus dias). Ainda agora a simples lembrança de seu corpo, seu cheiro e gosto me excita!

—Pare com isso Connor, sabe que é um caminho perigoso! – admoesto-me, tomando o restante da cerveja.

Sacudo a cabeça a fim de espantá-la de minha mente, levantando, indo direto para meu quarto certo de tê-lo conseguido. Só que, quando finalmente adormeço, meu sono é povoado por sonhos nada comportados com a residente de olhos e cachos cor de mel!

“....Quem não tem pra quem se dar, o dia é igual à noite;

Tempo parado no ar, há dias de calor, insônia, oh! Noite...;

Se vens lá das alturas com agruras ou paz, oh, meu bem,

Serei seu guia na terra;

Na guerra ou no sossego sua beleza é o cais e eu sou o homem;

Que pode lhe dar, além de calor, fidelidade!

Minha vida por inteiro eu lhe dou;

Minha vida por inteiro eu lhe dou”

Boa Noite

Djavan

Notas finais
Bjinhos flores!