Love Hurts!
4 Time to think about the future …Descobertas!
Notas iniciais
“Show me the meaning of being lonely;
So many words for the broken hearts;
It’s hard to see in a crimson love so hard to breathe;
Walk with me, and maybe;
Nights of light so soon become;
Wild and free I can feel the sun;
Your every wish will be done, they tell me….
Show Me The Meaning Of Being Loneny
Backstreet Boys
Estacionamento Med (terça, 2/1 – 7:00 a.m)
Narrador
—Será que posso saber por qual motivo estou apanhando? — Jay questiona enquanto Kim desfere mais socos em seu ombro.
—Por ser intrometido e linguarudo. — acusa a detetive, sacudindo a mão já dolorida — O pessoal do hospital ainda não sabe da gravidez da Sarah. — revela, surpreendendo-o — Apenas Miss Goodwin, doutor Charles e a obstetra. — diz, parando junto à viatura — E você já ia dizendo ao Rhodes! E justo a ele.— resmunga baixinho ao entrar no carro.
— E como poderia saber? Ela não me avisou nada. — reclama o detetive, entrando no lado do motorista — E quanto tempo ela pretende esconder?
—Não está escondendo — Gabby defende a amiga, sentando-se no banco de trás — Só não vai espalhar para Deus e o mundo enquanto não decidir o que fazer.
— Pois é. Já pensou na reação das pessoas se ela contasse a todos sobre o bebê e depois decidisse abortar ou entregá-lo para adoção? — Kim pergunta, pondo o cinto de segurança, voltando-se para ele.
— A mesma que terão daqui duas, três semanas. O tempo, nesse caso, não fará diferença alguma. – argumenta Jay, manobrando o carro — Honestamente não entendo o porquê de tanto segredo! — exclama, estreitando os olhos — Com quanto tempo ela está mesmo?
— Entrou na nona semana. — Gabby se adianta.
— Na minha língua, por favor? — pede, olhando-a pelo retrovisor interno.
— Quase três meses. — informa a paramédica.
— Três... — repete pensativo.
— O que foi? Ficou quieto de repente. — Kim comenta após alguns minutos estranhando o silencio dele, não esperando resposta — Olha só, temos que abastecer antes de ir para o distrito. — avisa, indicando o painel — Pode ser antes ou depois de deixar a Gabby... Ou agora se preferir. — ironiza ao notar que ele manobrava o carro entrando no primeiro posto que encontra, saindo assim que estaciona sem nada dizer.
— Que houve com ele? — Gabby interroga, franzindo o cenho.
— Não sei. Espero que não seja o que estou pensando. — Kim expressa, mordendo o lábio inferior.
— Falando nisso, por que o justo ele, referindo-se ao Rhodes agora a pouco? — pergunta a paramédica, fazendo aspas no ar.
— Como assim? — disfarça a detetive, de olho no amigo do lado de fora.
— Ok, não sou estúpida Kim! Tenho notado a maneira como Sarah fica cada vez que se fala no Rhodes perto dela. — afirma — Também notei como ficou tensa ao cruzarmos com ele no elevador a pouco e antes que desconverse, vamos deixar claro que se Eu notei, alguém mais vai notar cedo ou tarde. — diz, indicando Jay com um gesto de cabeça.
— Certo, vou te fazer um resumo enquanto ele paga. — Kim avisa, sentando de lado assim que vê Jay dirigindo-se para a loja de conveniência — Connor é o pai do bebê da Sarah.
— UOU! Isso que é resumo! — exclama a paramédica, recostando-se no assento, surpresa — Quando foi que eles...
— Depois da festa de formatura. — adianta-se — Connor a viu na parada de ônibus, ofereceu carona e o resto já pode imaginar!
— Agora entendo o porquê de ela estar tão tensa. — Gabby profere, batendo as mãos nervosamente sobre o encosto do banco a sua frente, assustando a amiga — Misericórdia Kim, Rhodes vai surtar se souber que ela pretende tirar ou dar o filho dele para adoção!
— E eu não sei disso — anui, fazendo uma careta — Agora imagina minha agonia?
— Desde quando você sabe? — pergunta.
— Desde a confraternização no Molly’s. — revela — Rolou um lance entre os dois aquela noite, por isso ela quis sair tão de repente. — explica — Vamos mudar de assunto, Jay está voltando. — avisa, e ambas se ajeitam nos assentos.
— Pronto madame, carro abastecido. — Jay ironiza ao entrar, pondo o cinto — O que foi? — questiona diante do silencio delas, arqueando uma sobrancelha.
— Nada. — ambas respondem
_ Anda, já estou atrasada. — ordena Gabby, tocando seu ombro.
—Caramba, os hormônios estão agitados hoje hein?! — provoca o detetive, pondo o carro em movimento, nenhuma das duas respondendo.
Após deixarem Gabby no esquadrão seguem para o distrito.
— Não vai subir? — Kim pergunta ao vê-lo seguir em direção oposta à sua.
— Agora não, tenho que resolver uma coisa antes. — avisa seguindo para a garagem — Hei, Phil, me tira uma dúvida — pede aproximando-se de um dos mecânicos — Foi seu primo que filmou e fotografou a festa de formatura do pessoal do Med três meses atrás não foi?
— Foi. Noah Sexton e ele são amigos. — afirma o mecânico, limpando as mãos — Por quê? Alguém se queixou do preço ou da qualidade do vídeo e das fotos?
— Não – apressa-se dizer – É que o aniversário da Sarah é daqui a três semanas e pensei em presenteá-la com algo personalizado, tipo uma xícara com uma foto da festa. Teria como me conseguir uma cópia do pendrive com as fotos? — pergunta.
— Com certeza. Hoje ainda te consigo. — garante.
— Beleza! — exclama, apertando a mão do mecânico — Só mais uma coisa: não comenta com ninguém que te pedi isso. Pode chegar aos ouvidos da Kim e ai adeus surpresa -pede.
— Pode deixar. Ninguém vai saber. – o mecânico assegura.
— Ótimo. — diz satisfeito, despedindo-se do mecânico — Três meses... Se esse cara estava na festa, vou descobrir quem é. — Afirma consigo mesmo, ao subir os degraus a caminho da sala da Inteligência de dois em dois.
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Sarah
Que vontade de matar o Jay! Penso, fechando os punhos... Tanto esforço para manter Rhodes alheio ao que me acontece e ele quase põe tudo a perder! _Também, ele não tem culpa Sarah. Não pode acusá-lo dessa forma — admoesto-me enquanto caminho para a cantina depois de ter deixado Rhodes falando sozinho – De onde ele estava vindo? Por que está aqui tão cedo? — questiono-me tentando lembrar o que havia nos andares acima da ala pediátrica – Que se dane! – vocifero, balançando a cabeça a fim de afastá-lo de minha mente (ainda mais que a simples lembrança de seu cheiro, seu gosto, é suficiente para aumentar minha temperatura). Pego uma bandeja, me sirvo de uma fatia generosa de bolo, um sanduíche natural, suco de laranja e gelatina. Sentindo-me com muita fome. Muita fome mesmo!
Sento em uma mesa no canto saboreando minha refeição, esperando intimamente conseguir mantê-la dentro do estomago pelo menos até o almoço.
Sem sombra de dúvidas, enjoos matinais entram na lista de piores coisas da vida. Pensei que depois de ter vomitado tanto ontem, comido muito pouco quando me recuperei, hoje estaria livre. Qual nada! Logo cedo estava com a cabeça enfiada no vaso mais uma vez. Nem sei o que tinha (se é que tinha) mais para pôr pra fora.
—Merda! – xingo ao escutar meu pager, interrompendo minha refeição.
Tomo o restante do suco de um só gole, levanto com a metade do sanduíche na boca, saindo correndo em direção à emergência.
— Me bipou Maggie? — pergunto, recuperando o fôlego.
—Uhum... Mas pode terminar seu café da manhã – aconselha, espantando-se ao me ver pôr o que restava do sanduíche dentro da boca de uma só vez — Assim vai engasgar garota – ralha
Ambas nos voltamos para a entrada ao escutarmos as portas abrirem — Fale comigo Courtney — pede enquanto nos aproximamos da maca.
—Isadora Braga, dezesseis anos, desmaiou quando nadava na piscina do colégio, o professor impediu que se afogasse, inconsciente no local, consciente no caminho, saturação 92 por cento, ritmo sinusal, pressão 13x8 – relata.
—Trauma quatro – Maggie indica.
— Certo, na minha contagem, 3,2,1 — comando, ajudando a transferir a jovem, agradecendo com um aceno – Isadora, sou a doutora Reese, vou te atender ok? – apresento-me enquanto April afixa os eletrodos na paciente para realização dos exames preliminares, a garota acena afirmativamente — O que aconteceu? — pergunto.
— Estava... treinando... com a equipe... senti uma dor forte no peito e depois... tudo ficou escuro. — relata, retirando a máscara de oxigênio, falando com dificuldade.
— EGG alterado. — April avisa.
— Ok, Isadora seu quadro é compatível com um infarto. Tem histórico de problemas cardíacos? — questiono, repondo a máscara em seu rosto, ela responde negativamente com um aceno — Certo. Acione o protocolo STEMI e peça uma avaliação da cardiologia – peço.
— Doutor Rhodes? — April pergunta.
— Sim – respondo – Me avise quando ele terminar – peço e me retiro a fim de evitar um encontro, pois, sei que ele está por perto.
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Trauma 4 (duas horas depois)
Narrador
—Senhor e senhora Braga, os exames mostraram que sua filha tem uma doença coronária tri arterial — Connor explica a família da jovem, Sarah a seu lado, Latham observando atentamente – Apesar de jovem, a situação dela é delicada por isso recomendo que façamos a cirurgia o mais rápido possível. — finaliza.
—Rápido quando? — o pai da jovem pergunta.
— Hoje ainda – Latham se adianta – Ela está estável, e conforme doutor Rhodes explicou, por ser uma situação delicada quanto mais cedo fizermos a cirurgia, maiores as chances de recuperação. — argumenta.
— Como isso pode ter acontecido? Ela é uma atleta. Corre, nada, não come porcaria – questiona a mãe, afagando os cabelos da filha.
—Trata-se de uma condição congênita, não adquirida – Connor explica – Mesmo sendo uma atleta, mais cedo ou mais tarde o problema iria se apresentar — afirma.
—E essa cirurgia vai curá-la? — quer saber o pai da jovem.
— Se bem sucedida sim — Latham assegura.
— Então podem fazer – autoriza o homem.
— Muito bem avise a equipe que estamos subindo — Latham ordena à enfermeira, voltando-se para Sarah — Doutora Reese, irá nos acompanhar no procedimento – avisa, surpreendendo a ambos, Connor e Sarah, a última seguindo-o rapidamente, deixando para Connor esclarecer as possíveis dúvidas dos pais.
— Doutor Latham, desculpe-me, quando diz acompanhar ...
—Significa que participara da cirurgia — explica, voltando-se para a médica — Algum problema? — questiona, e continua a caminhar antes que ela responda — Li em sua ficha que tem interesse na área de cirurgia pediátrica. Está correto?
— Sim — ela admite – Mas não...
— Prepare-se doutora, gosto de ser pontual — interrompe-a uma segunda vez, entrando no elevador, dirigindo-lhe um sorriso rápido antes que as portas se fechem por completo.
— Por que leu minha ficha? — Sarah interroga a si mesma, sobressaltando-se ao escutar a voz de Connor.
— É uma tarefa árdua e demorada conseguir entendê-lo — comenta, apertando o botão do elevador – Estou fazendo isto há meses e ainda assim me surpreende. Apenas aceite. Quem sabe com o tempo irá entender — aconselha, sinalizando para ela entrar.
Após trocar de roupa, Sarah dirige-se para a sala de esterilização encontrando Connor e Latham na metade do processo, o segundo informando-a de que forma iriam proceder na SO enquanto ela se prepara, após as informações dadas por ele os três entram juntos.
—Doutora Reese, apresente a paciente — Latham pede.
— Isadora Braga, dezesseis anos, segunda filha do casal Marta e Douglas Braga, integrante da equipe de natação da escola onde estuda. Seu maior sonho é um dia defender o país em uma olimpíada — conclui a residente, olhando a garota carinhosamente.
— Vamos cuidar para que esse sonho se realize — Connor diz – Martin, aprofunde a sedação, por favor — pede e o anestesista sinaliza afirmativamente _ Farei a primeira incisão agora — avisa, recebendo o bisturi.
Após o peito da jovem ser aberto, Latham passa a orientar Sarah em como proceder a fim de que auxiliasse Connor, indicando onde e como pinçar ou soltar veias, fazer a sucção mantendo a área limpa para o cirurgião trabalhar, bem como orientando-a a observar os movimentos do mesmo.
Na metade do procedimento, Sarah percebe um movimento estranho na face da garota.
— Ela está sentindo dor — avisa.
— Não está não. Esta sedada. — Connor rebate concentrado em prender uma veia.
— Está sim — sustenta a médica.
— Doutora Reese está certa. — Latham intervém – A paciente está sentindo dor. Martin, o que houve? – questiona.
— Não sei. A sedação está a mesma desde o início, os sinais estão lineares — anuncia, verificando todos os monitores — Não estou entendendo. Querem que aumente a quantidade de ISO?
— Se estiver dentro dos parâmetros seguros sim. — Latham ordena.
— Aumentando — avisa o anestesista, fazendo uma nova verificação. — Sinais normais.
— Obrigado. — Connor agradece, concentrando-se novamente.
Alguns minutos depois, um novo movimento chama a atenção dos três dessa vez, fazendo-os pararem.
— Martin? — Connor interroga, olhando-o de soslaio.
— O monitoramento me diz que está tudo bem Connor. — afirma o anestesista abrindo os braços — Não estou entendendo! Quer que aprofunde ainda mais a sedação?
— Não a menos que demonstre sentir dor mais uma vez. Estamos quase no final — Connor avisa — Reese, mais sucção aqui, por favor. — pede, a médica aproximando-se a fim de atendê-lo, chamando sua atenção ao emitir uma interjeição de espanto — O que foi? — questiona, seguindo o olhar dela, ele próprio surpreendendo-se ao deparar-se com o rosto da jovem voltado para eles, os olhos abertos — Mas o que!?
— Doutor Rhodes, doutora Reese, foco. — Latham chama a atenção de ambos pondo uma mão sobre os olhos da garota, tapando-os, tirando-os do estado de letargia — Doutor Rhodes, finalize a cirurgia e faça a sutura interna, doutora Reese fara a externa. Concentrem-se! — ordena, fazendo-os retomarem o procedimento.
— Liberar by-pass. — Connor pede alguns minutos depois, enquanto Sarah solta as pinças que prendiam as veias — Sangue circulando normalmente, coração voltando a pulsar, ritmo sinusal, pressão normalizando. — enumera o cirurgião, voltando-se para Sarah – Ela está de volta. — anuncia, ambos sorriem.
— Bom trabalho pessoal. — Latham elogia — Martin, assim que a levarmos verificaremos os monitores e demais equipamentos. Quero saber o que houve — avisa, só então retira a mão que cobre os olhos da jovem agora fechados – Estranho. — deixa escapar.
Após transferirem a garota para um quarto, encarrega Connor e Sarah de falarem com a família enquanto verifica o maquinário com o anestesista.
— Não encontraram nada errado? — Connor questiona ao se encontrarem na ilha de enfermagem do andar.
— Absolutamente nada! — exclama Latham.
— E como explica o que aconteceu lá dentro? — Sarah interroga, franzindo o cenho, curiosa.
— Simples, não se explicar! — responde, e muda de assunto bruscamente — Saiu-se muito bem doutora Reese. — parabeniza — Certamente se sairá ainda melhor de uma próxima vez.
— Próxima vez? Haverá uma próxima vez? — espanta-se a médica.
— Certamente que sim! — exclama, pegando seu pager que começa a tocar — Temos trabalho Rhodes, venha. — chama e sai sem esperar resposta.
— Bem-vinda ao time! — Connor sussurra ao passar por Sarah, sorrindo minimamente antes de seguir seu mentor, deixando-a confusa tanto pela observação quanto pelo arrepio que percorreu seu corpo com a proximidade dele.
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Chicago Med (três semanas depois,26/1 – 6:45 a.m)
Connor
— Sarah, espera! — escuto alguém chamar e ergo a cabeça a tempo de vê-la parada aguardando Jay Halstead, que se aproxima, lhe entrega uma sacola pequena.
Sem sair de meu carro, observo-os. Durante alguns segundos os dois conversam, ele diz algo que a faz sorrir, despedindo-se pouco depois com um abraço, ele a beijando o rosto (o gesto intimo causando-me um inexplicável incômodo) e cada um segue seu caminho.
Sigo-a com o olhar até que entre na emergência sumindo de meu campo de visão.
Foram tantas coisas acontecendo nas últimas semanas que acabei por esquecer (ou me fazer esquecer) em tentar descobrir porque ela tinha procurado uma obstetra. Que havia alguma coisa era fato!
Todos que a conheciam no hospital andavam comentando como estava diferente tanto comportamental quanto fisicamente — Reese parece estar mais cheinha não parece? April comentara sexta-feira passada observando-a enquanto atendia uma garotinha. Eu encontrava-me, naquele momento, verificando alguns exames no computador da emergência, o comentário fazendo-me seguir seu olhar, franzindo o cenho não apenas por ter que concordar com ela como pelo sorriso estranho que Maggie lhe dirigira (um daqueles códigos que só as mulheres entendem).
— Seja como for, hoje vou descobrir ela querendo ou não! — exclamo para mim mesmo ao descer do carro.
Hoje o dia seria bem estressante e não por conta de algum procedimento complicado, mas pelas duas reuniões programadas, uma agora antes de iniciar o turno, outra ao final do dia, a mais difícil por envolver ninguém menos do que meu querido pai.
— Bom dia Maggie. — cumprimento-a assim que entro na emergência.
— Bom dia doutor Rhodes. Miss Goodwin e doutor Latham lhe aguardam na sala dela. — avisa.
— Obrigado. Avise que já estou indo, por favor. — peço e sigo direto para os elevadores — Segura ai! — grito, acelerando os passos, surpreendendo-me ao me deparar com Nat e Reese — Bom dia doutoras. — cumprimento-as sorrindo, ambas respondem com um aceno de cabeça — Algum problema? Parecem tensas — pergunto.
— Fomos chamadas a sala da Goodwin. — Nat informa, apertando as mãos.
— Sei — digo, fingindo não saber nada — Não se preocupem, vai dar tudo certo. — asseguro, as postas do elevador se abrem e faço sinal para que saiam a minha frente.
— Sabe do que se trata? — Reese indaga, estreitando os olhos, desconfiada.
— Se sabe Connor, nos fale, por favor — Nat pede no momento em que paramos diante da porta.
— Já vão saber — digo misterioso, adorando o ar de nervosismo de ambas, dou uma leve batida na porta antes de abri-la — Damas primeiro! — faço uma mesura para que entrem.
— Tão cavaleiro — Reese ironiza baixinho ao passar por mim.
— Sempre minha linda, sempre. — devolvo, entrando depois delas e fecho a porta — Bom dia Miss Goodwin, doutor Latham. — cumprimento-os indo sentar-me na poltrona junto à mesa enquanto as duas sentam-se nas cadeiras de frente para Goodwin, Latham está de pé ao lado dela. Hora do show! Penso divertido, cruzando os braços e pernas, aguardando-os falar.
— Bom dia doutoras Reese e Manning. — Miss Goodwin cumprimenta-as — Devem estar se perguntando o que fazem aqui tão cedo. — começa sorridente — Podem tirar essa ruga de preocupação. Pedi para que viessem para tratar de assuntos que lhe interessam. — informa — Para começar, doutora Manning, como deve saber a doutora Steele está se aposentando. Com isso, abriram duas vagas no setor pediátrico. Uma será preenchida pela doutora Dorn, que assumira o lugar deixado pela doutora Steele como chefe de setor. A outra será o lugar que Dorn ocupa hoje como chefe dos residentes. Gostaria que aceitasse ocupar este cargo. — convida.
— Miss Goodwin eu... — Nat leva uma mão a boca, surpresa — Nem sei o que dizer.
— Um sim estaria de bom tamanho. — sugere nossa administradora.
— Sim! — Nat responde — Espero corresponder a sua confiança.
— Corresponderá, tenho certeza. — Goodwin afirma e se volta para Reese.
Desencosto-me da cadeira imediatamente, ficando em alerta.
— Doutora Reese — começa — Não deve ter entendido o porquê de o doutor Latham ter solicitado sua presença durante a cirurgia da jovem nadadora três semanas atrás. — relembra.
— De fato, não entendi. — anui olhando de um para outro — Doutor Latham tem sua equipe, portanto, não vi a necessidade de minha presença.
— Como disse no dia — Latham começa a falar fazendo-me ir para frente ficando na ponta da poltrona — Li em sua ficha que tem interesse em cirurgia pediátrica, está correto?
— Está — confirma.
— Estamos para ampliar a Pediatria e em breve contaremos com uma SO exclusiva para o setor — Miss Goodwin informa — Desde dezembro que doutor Latham e eu vínhamos conversando sobre a possibilidade de termos um cirurgião especifico.
— A princípio pensei em sugerir a doutora Beker que aceitasse o desafio, mas vi que não tem o perfil para o cargo — Latham explica — Pensamos então, Sharon e eu, juntamente com a colaboração de doutor Rhodes — me indica com um aceno de cabeça — Em uma de vocês duas por já serem da área, mas ao sonda-la doutora Manning, me disse que não tinha interesse.
— De fato não tenho. — Nat confirma.
— Portanto, por exclusão, me sobrou à senhorita, doutora Reese. — declara com seu jeito impessoal – Impressionou-me bastante sua conduta na sala de operações. Tenho certeza que será uma excelente cirurgiã. — elogia — O que me diz?
— Antes que responda Sarah, quero lhe avisar que a bolsa para cirurgia é bem maior do que a sua atual. — Miss Goodwin avisa.
— Eu teria que esperar seis meses para trocar minha escolha de residência — Reese começa a dizer, apertando as mãos nervosamente.
— Estou ciente. — Latham rebate — Enquanto esperamos participara de cirurgias sempre que possível. Irá aprendendo aos poucos e...
— Estou grávida! — solta de repente, fazendo-me reter o ar nos pulmões... Grávida!? — Estou grávida. — reforça, evitando olhar em minha direção.
— Também estou ciente disto. — Latham declara tranquilamente.
— Como é que é? — deixo escapar, recebendo um olhar furtivo dela e um de advertência de meu mentor.
— Quando doutor Latham me procurou antes do final do ano passado sugerindo que lhe oferecêssemos a bolsa na cirurgia, informei-o sobre seu estado. — Godwin revela sorrindo.
Porra! Todo mundo estava sabendo menos eu? Revolto-me, olhando Natalie de esguelha, vendo a surpresa em sua expressão... É, nem todos!
— Mesmo assim quer-me na equipe? — Reese espanta-se, atiçando mais minha curiosidade.
Qual o problema? Natalie trabalhou até bem perto de dar à luz. Na verdade, ela o fez durante o plantão e até onde sei a própria Sarah a ajudou. Qual o empecilho?
— Por que não iria querer? Qual o empecilho? — Latham da voz a meu pensamento.
— O que a doutora Reese deve estar se questionando Isidore, é que dará à luz na mesma época em que poderá mudar de residência. — Miss Goodwin elucida e preciso segurar-me para não cair da poltrona. — Ou seja, entrará de licença na mesma época em que poderia iniciar sua nova residência.
— Continuo a não ver problema algum. — meu mentor reafirma — Pode muito bem solicitar a mudança antes de entrar de licença maternidade. Quando retornar entrará direto na nova residência, ou não pode ser feito? — interroga, voltando-se para Goodwin.
— Pode solicitar um mês antes do termino do prazo. — informa nossa administradora — E como estamos cientes do caso, evidente que ajudaremos a viabilizar a mudança. — conclui, encarando-a — O que me diz doutora Reese?
— Eu... Eu não sei o que dizer! — exclama ainda surpresa.
— Diga sim. — escuto-me dizendo, chamando a atenção de todos — Diga sim. — repito — Todos saem ganhando, o hospital terá sua cirurgiã pediatra, você terá uma bolsa mais alta...
— E poderá largar o emprego na cafeteria. — Natalie me interrompe, segurando as mãos dela — Terá mais tempo para as meninas, para se preparar para a chegada do bebê, ficará bem mais tranquila Sarah.
— A doutora Manning está certa minha querida. — Miss Goodwin anui — Terá bem mais tempo e recursos para você, o bebê e as meninas. — reforça.
Emprego em uma cafeteria? Meninas? Que meninas? Do que diabos estão falando? Penso, contendo a duras penas minha curiosidade.
— Têm razão. Eu aceito! — declara, sorrindo de um jeito que me causa um frio estranho no estômago.
— Decidido. Agora temos uma equipe para apresentar na reunião desta tarde com a diretoria. — Latham comemora fazendo meu estômago revirar negativamente desta vez ao lembrar que teria que encontrar meu pai.
— Bom ter mencionado Isidore. — Miss Goodwin começa dizer — Nossa reunião foi adiada. Dois membros do conselho tiveram problemas de saúde. — informa e agradeço mentalmente — Vou dar continuidade ao projeto, o que pode ser feito sem necessitar do aval do conselho. — frisa — quando tiver uma nova data para a reunião aviso com antecedência. — assegura — Bem, agora que estamos resolvidos, voltemos a nossa rotina. Doutora Reese, comunicarei aos demais chefes de residência sobre sua disponibilidade para a cirurgia, já que não preciso faze-lo a nova chefe da residência da pediatria.
— Não precisa mesmo. — Nat diz, sorridente, levantando-se, assim como Reese – Mais uma vez obrigada pela confiança. — agradece.
— Digo o mesmo. — Reese repete-a — A ambos. — volta-se para Latham, sorrindo discretamente e sai em companhia de Natalie, após despedirem-se.
— Tenho certeza que fiz uma boa escolha, não concorda Rhodes? — a pergunta me pega de surpresa e por alguns segundos fico sem reação.
— Fez sim. — digo finalmente, minha cabeça fervendo com a possibilidade de ser pai... Outra vez!
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Terraço do Med (18:40 p.m)
Sarah
Respiro fundo antes de sair do elevador no terraço do hospital para participar de minha festa “surpresa”, a qual, o pessoal havia preparado.
Passara o dia em um misto de alegria, medo e ansiedade pelo que estava por vir. O desafio de uma nova residência, novos aprendizados, meu aniversário, a forma carinhosa com que todos estão tratando-me depois que souberam da gravidez (a notícia se espalhara como rastilho de pólvora!), trazem-me uma gama de emoções, levando-me da euforia ao choro.
— Bem que desconfiei. — April dissera, abraçando-me calorosamente.
— Só você não meu bem. Eu também estava desconfiada que tinha algo diferente com ela. — Doris se vangloriara.
— Aham! Agora todo mundo estava desconfiando, não é? — Maggie comentara, me abraçando assim que April me soltara — Parabéns querida! Triplo, pelo convite, pelo bebê e pelo aniversário. — desejara — Parabéns as duas! — frisa, voltando-se para Natalie.
— Obrigada Maggs! — Nat retribuirá, sendo abraçada pelas três sucessivamente.
— Parabéns Sarah. Por tudo! — doutor Choi desejara.
— Isso. Vemo-nos mais tarde no terraço! — doutor Halstead deixara escapar recebendo vários tapas — Hey, melhor ela saber logo do que ter um susto e perder o bebê. — exagerara fazendo-nos rir.
O último a me cumprimentar foi Rhodes. Sua aproximação não fora nada gentil ou sutil.
— Temos que conversar — dissera, sustentando-me pelo braço quando saía da ilha da emergência, parecendo não se importar que alguém notasse a animosidade entre nós.
— Não temos nada a dizer um ao outro — fora a resposta grossa, em tom baixo que lhe dera, me esforçando por ignorar os arrepios de prazer que o contato mínimo me causava.
— Esse bebê que espera...
— Não é seu — menti rapidamente, cortando-o, puxando o braço que segurava.
—Tem certeza absoluta disso? — questionara, encarando-me, fazendo-me precisar desviar o olhar para manter o que lhe dissera.
— Evidente que tenho. — sustentei – Agora me dê licença, tenho muito a fazer — disse eu saindo sem maiores explicações ou dar-lhe chance de contestar.
Numa coisa Kim estava certa: Rhodes não é burro. Evidente que somaria dois mais dois quando soubesse meu tempo de gravidez mesmo eu não tendo deixado claro de quantos meses estava, e cogitaria ser dele.
— A aniversariante chegou! — Noah anuncia tirando-me do devaneio, vindo até mim, segurando minhas mãos — Feliz aniversário! — deseja, tentando me dar um selinho o qual evito desviando o rosto só para ver a cara enfezada de Rhodes a alguns metros a nossa frente.
Que se dane! — penso, voltando minha atenção para as demais pessoas que vinham me parabenizar tanto pelo aniversario quanto pelo bebê.
Aos poucos, todos que estavam presentes me cumprimentam, Kim, Adam, Gabby, Matt, Sylvie e Jay, que acabavam de chegar, sendo os últimos, a exceção de Rhodes que permanecia em um canto parecendo ainda mais enfezado depois que Jay me dá um selinho.
Confesso, massageou meu ego a possibilidade de estar provocando-lhe ciúmes, porem a sensação logo foi substituída por outra: raiva!
Se ele próprio deixara claro não querer nada além de transas ocasionais (o que definitivamente não me interessava por melhor que tenha sido!) e que não seria interessante para nenhum de nós o que aconteceu vir à tona, por que a raiva evidente? Acaso sentia-se meu dono apenas por supor estar esperando um filho dele?
A simples lembrança dos momentos vividos em seus braços faz-me corar violentamente além de alterar minha pulsação, respiração... E me deixa úmida entre as pernas!
— Parabéns Reese — a voz grave me tira do devaneio, arrepiando minha pele ao sentir o contato de sua mão na minha ao mesmo tempo em que aproxima o rosto do meu — Não me convenceu! — exclama junto a meu ouvido — Ainda teremos aquela conversa. — avisa, deixando um beijo próximo a meu ouvido, afastando-se tão rápido quanto se aproximara.
— Hora do bolo! — Doris anuncia, vindo até onde estou, segurando minha mão, me conduzindo ao centro do terraço onde um bolo duplo me aguardava.
Após cantarem o parabéns para você seguido do já tradicional (porém não menos chato) “com quem será”, parto o bolo, dividindo-o ao meio com a ajuda de Kim e Jay deixando metade para o pessoal. A outra levaria para casa, para minhas irmãs.
— Pessoal. — chamo-lhes a atenção — Obrigada por tudo. Muito obrigada mesmo. Mas preciso ir andando. — anuncio, despedindo-me de todos os presentes (Rhodes sumira do mapa!), agradeço mais uma vez antes de sair em companhia de Kim, Adam e Jay.
Saímos do hospital direto para a casa de Hermann, onde minhas irmãs e um jantar caprichado feito por Cindy me aguardavam.
Ficamos lá até perto da meia noite quando me despeço, aproveitando a carona de Kim e Adam.
Em casa, banho minhas irmãs, troco-as, ponho-as para dormir, e vou para a cama com elas . Sento-me recostada a cabeceira lendo um livro à espera do sono chegar.
Sem querer me pego pensando nele novamente. Como podia alternar momentos em que lembrava o homem que conheci dois anos atrás, atencioso, educado, com outros em que agia como um cafajeste insensível? Ainda assim, só de lembrar sua voz sussurrando em meu ouvido, o hálito morno, a boca macia tocando minha pele, minha pulsação acelera.
Sem que consiga controlar, as lembranças retornam com uma força avassaladora, fazendo minha temperatura subir, gemidos involuntários escapam de meus lábios ao mesmo tempo em que começo a me tocar em pontos sensíveis, minha excitação chegando ao ponto de um pré-gozo que encharca minha calcinha obrigando-me a tomar outro banho (frio!) e trocar de roupa.
Volto para a cama ainda ofegante.
— Droga! O que está acontecendo comigo? — questiono-me, apagando o abajur. Deito-me, porém por exaustivos minutos reviro-me na cama pensando nele, arriscando acordar as meninas – Maldito Rhodes! Tenho que tirar você de minha mente e principalmente de meu corpo. — resmungo, entregando-me ao sono pouco depois.
“.....You are missing in my heart;
Tell me why can’t I be there where you are;
Show me the meaning of being lonely;
Is this the feeling I need to walk with?
Tell me why I can’t be where you are;
There’s something missing in my heart."
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