Love Hurts!
5 Descobertas!
Notas iniciais
“You’ve got a hold of me don’t even know your power;
I stand a hundred feet but I fall when I’m around you;
Show me an open door Then you go and slam it on me;
I can’t take anymore, I’m saying baby;
Please, have mercy on me;
Take it easy on my heart;
Even thought you don’t mean to hurt me;
You keep tearing me apart;
Would you please have mercy;
Mercy on my heart...”
Mercy
Shawn Mendes
Molly’s (quinta, 26/1 – 23:45 p.m)
Connor
—Otis, mais uma! – peço erguendo a mão, chamando atenção para a mesa onde me encontrava.
Tinha aproveitado o momento do bolo para sair à francesa da festa organizada por Maggie e April em comemoração ao aniversário de Reese, ampliando-se pelas novidades: sua futura mudança na residência e o bebê.
—Grávida! Ela está grávida! – repito baixinho, de olhos fechados, abrindo-os ao escutar a voz de Otis.
—Dia difícil? –pergunta, sorrindo complacente, pondo a cerveja sobre a mesa.
—Nem imagina o quanto! – exclamo, tomando um generoso gole do liquido gelado – Me traz um uísque cowboy, por favor – peço antes que se afaste, ele fazendo uma careta gozada.
—Não é uma boa ideia misturar bebidas doutor. A ressaca no dia seguinte é sempre brava. Muito brava, vai por mim! – aconselha.
—Vou correr o risco – digo – Melhor, traz logo um duplo cowboy! – refaço o pedido, vendo-o abrir os braços em rendição.
—Eu tentei – resmunga, dirigindo-se até o balcão, voltando segundos depois com um copo e a garrafa de uísque, me servindo.
—Obrigado – agradeço tomando o liquido marrom de um só gole – Põe outra dose! – ordeno, ele abrindo e fechando a boca, desistindo de argumentar, despejando mais um pouco da bebida no copo – Pensando bem – digo, segurando seu braço, impedindo-o retornar para detrás do balcão, pegando minha carteira no bolso – Me vê essa garrafa, assim te poupo o trabalho de ficar indo e vindo – falo, entregando-lhe duas notas dobradas sem mesmo verificar o valor – Sem sermão, por favor! – peço, juntando as mãos, fazendo-o revirar os olhos, balançando a cabeça negativamente.
—O senhor é que sabe doutor – diz, deixando a garrafa sobre a mesa– Vou trazer mais gelo para diminuir o prejuízo.
—Prejuízo??? – questiono, franzindo o cenho.
—Em seu fígado! – declara, se afastando, me fazendo rir minimamente.
Sirvo-me uma nova dose tomando-a devagar dessa vez, relembrando a conversa que tivera com Will algumas horas atrás.
********* Flash Back on ********
—Irmãs Will, Reese tem irmãs? – questiono, encostado a mureta no terraço enquanto a esperamos chegar a sua festa surpresa – Como eu não sabia disso?
—Deixa te contar algumas coisas sobre sua nova colega de trabalho – começa dizer fazendo aspas no ar, pondo uma mão em meu ombro – Ela tem duas irmãs menores, uma com cinco outra com nove anos, que foram largadas pela mãe sob sua responsabilidade na metade do ano retrasado. Por conta disso precisou se afastar da faculdade e deixar o estágio no hospital por quase dois meses até se reestruturar e reorganizar sua vida, além de arrumar um trabalho extra numa cafeteria, em finais de semana alternados para poder arcar com as despesas já que, pelo que sei, a mãe só enviou algum dinheiro quatro meses após ter partido e depois nada. Nem dinheiro, nem notícias a não ser dois telefonemas rápidos: o primeiro para comunicar que enviaria o dinheiro e o segundo na véspera de natal ano passado – revela, prosseguindo – Quanto a não saber ...- começa a dizer, parando, tomando um pouco da bebida em seu copo – Olhe ao redor Connor. Apesar de convivermos diariamente por semanas, meses, quantos de nós conhecemo-nos de fato? O que sabemos das vidas uns dos outros? – questiona, me encarando – Estamos tão envolvidos em nossos problemas, presos em nossos mundos particulares, que não prestarmos atenção aos nossos colegas, às pessoas com as quais convivemos todos os dias, porém mal sabemos quem são! – discursa.
—Você sabia – pontuo, tomando o restante de minha bebida.
—Eu não conto porque a conheço fora do hospital. Foi nossa vizinha por um bom tempo, ela e meu irmão namoraram na adolescência – relembra – Da mesma forma que poucos sabem o real motivo da separação entre você e Robin Charles, também são poucos a saber o que aconteceu a Sarah incluindo o fato do Joey ter terminado o namoro deles por conta dessa situação com as irmãs – revela.
—Minha nossa Will, não fazia a mínima ideia de que ela havia passado por tudo isso! – me espanto – Sabia apenas que enfrentara um início de estágio difícil, até lembro de ter escutado Maggie comentar que se afastara mas não cheguei a perguntar o porquê. Depois simplesmente perdemos o contato, por assim dizer, até o dia da morte do Wheeler, quando atendemos juntos durante todo o plantão – relembro — Como isso foi acontecer?
—Três nomes: Downey, Latham e Robin – lista, me fazendo franzir o cenho – Seu começo pra lá de puxado na residência com Downey e depois a morte dele te afastaram um pouco da rotina do PS por um tempo. Quando retornou teve que se adaptar ao Latham. Em meio a isso tudo, se envolveu com Robin e todo o tumultuo que foi o relacionamento de vocês desde o começo, ou estou enganado? – pergunta.
—Está correto – admito, olhando a nossa volta, observando as pessoas com as quais convivo todos os dias mais atentamente – Nós realmente mal nos conhecemos não é?- indago.
— Não – responde fazendo o mesmo que eu – Tirando uma ou outra exceção. Apenas depois do que aconteceu ao Jason a ficha caiu, por assim dizer, e percebemos o quanto estávamos distantes uns dos outros – argumenta — Não se culpe por não estar por dentro do que aconteceu com Sarah – aconselha, nossa conversa sendo interrompida pela chegada da aniversariante.
********** Flash Black off *********
—Que merda fui fazer? – me recrimino baixinho, tomando mais um pouco de uísque, enchendo o copo antes de secá-lo, segurando meu rosto entre as mãos de olhos fechados– Que merda Connor, que merda! –repito – Deveria ter sido mais cuidadoso seu idiota! Melhor, não deveria nem mesmo tê-la levado para a cama. Não agora, não da maneira como foi. Não me admira tenha pensado em tirar essa criança –admoesto-me, apertando meus olhos com força, lembrando o comentário feito por duas enfermeiras enquanto caminhavam a minha frente no corredor (uma delas a assistente de Caitlin Harris) rumo à saída, nenhuma delas notando minha presença.
—Quer companhia bonitão? – a pergunta feita junto a meu ouvido causa um sobressalto. Abro os olhos encontrando o sorriso meloso de Miah.
Merda era tudo que eu Não precisava! penso, irritado – Não – respondo seco.
—Tem certeza? Olha que da última vez...
—Qual parte do não você Não entendeu? Vou ter que desenhar? – corto-a, irritando-me mais.
—Opa, saindo! – exclama, erguendo as mãos, indo até o balcão puxar conversa com um dos bombeiros.
—Recusando transa fácil Connor? Mal sinal! – resmungo enchendo o copo mais uma vez... “Está indo contra sua natureza e uma hora vai receber a conta da vida por agir dessa forma”... a lembrança da frase dita por Ethan semanas atrás me vem à mente – Pensei que só praga de mãe pegasse! –ironizo para mim mesmo, tomando o conteúdo do copo de um só gole, voltando a fechar os olhos. Ao abri-los, dou de cara com o “barba ruiva”– Não é o rosto que gostaria de ver! – exclamo, enchendo o copo novamente.
—Não é o agradecimento que esperava receber por ter-me deslocado do conforto de meu apartamento atendendo ao chamado de um amigo – Will rebate, os braços cruzados a frente do peito, me encarando.
—Não me lembro de tê-lo chamado Halstead! – resmungo de volta.
—Não chamou. Otis o fez quando percebeu que pretendia zerar o estoque de bebidas do Molly’s hoje à noite – exagera e o encaro por sobre a borda do copo.
—Ele obviamente exagerou – respondo, virando o copo, enchendo-o em seguida.
—Não acha que já bebeu o suficiente? – questiona, sério.
—Não acha que deveria cuidar da sua vida? – contesto de volta, evitando encara-lo.
—Ok, não estou nem um pouco a fim de ficar perdendo tempo com esse joguinho de palavras. Vim aqui te buscar e vou fazê-lo mesmo que para isso precise pedir ajuda a nossos amigos ali – indica Cruz e mais dois bombeiros do 51 que nos observavam.
—O que foi? Não consegue dar conta sozinho Halstead? – desafio, rindo com o canto da boca antes de um novo gole.
—Ta brincando! No estado em que está até uma garotinha de cinco anos dá conta de você! – ironiza – Anda Connor, vamos embora. Amanhã, melhor dizendo, hoje, é dia de trabalho e não será nada agradável ou confiável ter você atendendo na emergência ou dentro de uma sala de operações de ressaca durante o plantão – lembra, tentando tomar a garrafa de minhas mãos.
—Está preocupado comigo!? Que fofo!! – ironizo, dando duas tapinhas em seu rosto – Pode voltar pra casa querida, posso e vou sozinho quando acabar aqui – afirmo, despejando mais bebida em meu copo.
—Connor, falo sério, vamos indo. Levo você em casa para sua segurança e das pessoas nas ruas que não têm culpa por ser um idiota – provoca, conseguindo tomar a garrafa finalmente – Se queria secá-la para ir embora já pode! – exclama, virando-a, pondo-a sobre a mesa em seguida – Vamos – chama novamente, segurando meu braço.
—Posso ir sozinho – retruco, desvencilhando-me bruscamente, perdendo o equilíbrio, quase caindo.
—Estou vendo – diz, irônico, apoiando uma mão sobre a mesa – Podemos? – indaga quando me recomponho, indicando a porta.
Respiro fundo espantando a irritação, tomando o que restara da bebida, me dirigindo (aos trancos, reconheço) para a porta.
Apenas quando chegamos do lado de fora é que percebo o quanto estava “alto” ao sentir o chão fugir sob meus pés ao mesmo tempo em que tudo gira.
—Melhor você dirigir – me rendo, entregando-lhe as chaves.
No carro, sento no lado do carona pondo o cinto com dificuldade.
—E ainda queria ir sozinho! – escuto Will dizer – O que deu em você?–pergunta, dando partida no veículo.
—Deu que sou um cretino filho da mãe tão fodido que mulher nenhuma quer ter um filho meu! – resmungo, recostando a cabeça no banco – Não sei se aguento passar por isso de novo Will! – afirmo sentindo um nó na garganta.
—Como assim? Do que está falando? Passar pelo quê de novo?– ouço-o pergunta, sua voz vinda de longe.
—Ela queria tirar meu filho Will, de novo... – balbucio, as lembranças se misturando em minha mente deixando-me confuso – Não vou suportar passar por isso outra vez. Não vou! – repito, minha cabeça girando, a visão embaçada pelas lágrimas que teimavam em cair.
—Connor, faça sentido, por favor! Sobre o que está falando? Connor? – ainda o escuto chamar pouco antes de apagar.
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Apartamento Sarah (sexta, 27/1 – 05:40 a.m)
Sarah
Termino de preparar o café da manhã e retorno ao quarto, acordando as meninas.
Este final de semana seria complicado, pois iria dar plantão no sábado e com Estela fora, Kim, Jay, Matt e Gabby, todos de plantão assim como eu, precisaria fazer uso do serviço de creche da escola em que estudavam, o que me custaria uma despesa extra com a qual não contava (a escola é gratuita, a creche em finais de semana não!). Mesmo assim era uma opção melhor do que as deixar em casa, sozinhas, pedindo para alguma vizinha olhá-las (isso não funcionou nada bem na única vez que tentei) ou levá-las para ficar na ala infantil do Med.
Enquanto nos arrumamos, relembro o conselho dado por Kim e Gabby quando lhes contei que havia negado quando Rhodes insinuou (não o deixei chegar a perguntar) ser o pai do bebê.
—Sarah, pense bem, agora que decidiu ter o bebê, não pode excluí-lo! Bem ou mal ele é o pai, tem seus direitos –Kim lembrara.
—Além do mais, pode muito bem querer ele próprio ficar com o filho caso desista, afinal pensou em dá-lo para adoção, não pensou? — Gabby completara.
Só que me separar desse filho, mesmo não tendo sido planejado, estava se tronando para mim uma opção mais distante a cada dia que passava.
—Sarah, posso levar suco? – Emma pergunta me tirando do devaneio.
—Pode sim anjo. Vamos nos arrumar, levar tudo para a sala e depois do café preparo o lanche de vocês – digo, terminando de vestir Marina.
Depois que arrumo as meninas, nossas bolsas, o quarto, eu mesma, seguimos para a sala onde sirvo o café delas tomando o meu enquanto preparo seus lanches, saindo vinte minutos depois.
Na escola, deixo tudo acertado para o sábado inclusive o pagamento, me dirigindo a estação de metrô mais próxima, chegando ao Med quinze minutos antes de iniciar meu turno, aproveitando esse tempo para refletir sobre o que faria em relação à Rhodes enquanto reforçava meu café da manhã na cantina.
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Apartamento Connor (sexta, 06:00 a.m)
Narrador
—Ai, merda! – Will escuta o xingamento voltando-se a tempo de ver Connor empurrar a mesinha de centro, virando-a, atirando-se sobre o sofá, um braço sobre aos olhos, tapando-os.
Em silencio, o médico serve uma xícara do café que fizera indo levá-la ao amigo.
—Pode escolher se vai beber agora ou depois do banho – avisa o ruivo, parando próximo ao sofá, xícara estendida em direção ao cirurgião – Anda, levanta. Tem pelo menos que amenizar essa ressaca antes do trabalho!
—Que diabos está fazendo aqui? – Connor resmunga, sentando-se a contragosto, girando o pescoço de um lado para o outro, relutando em aceitar o liquido fumegante a sua frente – O que tem aí? – pergunta segurando a xicara.
—Coquetel anti-cretinice! – responde o médico, mal humorado, pondo a mesinha de volta no lugar, sentando na borda – Café, o que mais seria idiota? – responde.
—Sei lá. Pode ter decidido me dar uma lição ou...
—Bem que está merecendo! – corta-o, apoiando as mãos nas pernas — Engravidou a Sarah? Sério? – questiona-o – Nunca me passou pela cabeça que poderia se interessar por ela – comenta.
—Duas coisas: ela é uma mulher atraente e até onde sei, precisam dois para se fazer um filho! – revida, fazendo uma careta ao sorver um pouco do café – Posso estar enganado, mas na última vez que fiz compras trouxe açúcar – resmunga.
—Para surtir o efeito desejado não se coloca açúcar – rebate Will, encarando-o.
—Dormiu aqui? – interroga o cirurgião, ganhando tempo.
—Quando finalmente consegui lembrar o nome do prédio onde mora, já que o belo adormecido apagou, era tarde e como não estava nenhum pouco a fim de voltar para casa de metrô àquela hora, decidi abusar de sua hospitalidade – relata – Também não quis levar o seu carro sem avisar– justifica-se.
—Se não fosse tão orgulhoso te daria um carro como presente de aniversário– Connor diz, fazendo nova careta após outro gole, pondo a xicara de lado.
—Sinta-se à vontade, mas antes me dê um sofá igual a este. Nem minha cama é tão macia assim! –brinca, fazendo-o rir com o canto da boca.
—Dormiu no sofá? – pergunta o cirurgião.
—Na cama com você é que não! –Will responde, reassumindo a postura séria – Como e quando isso entre você e Sarah aconteceu? – quer saber.
—Na noite da formatura, depois que saímos da festa – começa contar, deitando a cabeça no encosto do sofá – Como essas coisas acontecem? – indaga, abrindo os braços– Dançamos, conversamos, rimos, enfim nos divertimos durante a festa...– faz uma pausa, apertando os olhos com os dedos– Sai alguns minutos depois que ela, avistei-a na parada de ônibus, ofereci carona, ela aceitou.... – relembra, abrindo os braços novamente.
—E num passe de mágica estavam na sua cama transando! – ironiza o ruivo.
—Evidente que não! – rebate – Como disse, ela é uma mulher atraente. Naquela noite ela estava desinibida, talvez pela bebida, não sei, mas não estava bêbeda – frisa, suspirando antes de continuar – Me ofereci para levá-la em casa. No meio do trajeto meu carro foi cortado, pisei no freio bruscamente, ela bateu o rosto no painel, machucou a boca, fui verificar o ferimento... E quando dei por mim ela estava em meu colo.... Começamos a nos beijar, o clima esquentou, as caricias foram ficando mais ousadas, intimas ... Aconteceu Will!
—No carro? Em plena via pública? — espanta-se.
—Não! Claro que não! – nega rapidamente – Eu a convidei para vir até aqui, ela aceitou...Dois adultos que se sentiram atraídos um pelo outro... E usamos preservativo – afirma.
—Deu pra notar que usaram! – Will ironiza.
—Sério Will, usamos! – reitera – Na maioria das vezes, pelo menos – assume, deitando novamente.
—Nossa, fiquei impressionado com tamanho cuidado! – ironiza Will mais uma vez.
—Dá pra parar de apontar o dedo!? – Connor pede, irritado – Ok demos mole, reconheço, mas quem nunca fez o mesmo no calor do momento? E presumi que ela estivesse tomando anticoncepcional – defende-se – Além do mais, posso estar me preocupando à toa, afinal ela disse que não é meu!
—Também deu para notar o quanto acreditou nisso – comenta o médico, não dando chances a ele rebater – Connor, Sarah não sai por ai pulando de cama em cama! Algo deve tê-la motivador a dizer isso. Talvez num impulso por raiva, o que me leva a perguntar o porquê de ela estar brava com você! – indaga, coçando o queixo, observando o cirurgião atentamente.
—Talvez ela tenha ficado zangada com o que eu disse no dia seguinte – admite, explicando diante do olhar interrogativo do amigo – Falei que mesmo tendo sido espetacular, fora só mais uma noite, que ninguém deveria saber o que aconteceu, que não seria bom para nenhum de nós dois.... Essas baboseiras todas que se diz quando se quer evitar falsas esperanças, para mantê-la longe entende? – pergunta, passando as mãos pelo cabelo.
—Entendo.... Entendo que não sei onde estou com a cabeça que não quebro sua cara! – vocifera Will, fazendo o mesmo que ele– Como foi capaz de ser tão cretino? – questiona – Com mulher nenhuma deveria agir dessa maneira, mas ela... Porra Connor, Sarah não é uma qualquer que catou na rua! Sabe quem ela é. Muito ou pouco, Sabe. Quem. Ela. É – soletra, impaciente – Agora entendo porque ficava estressada cada vez que estava por perto – relembra.
—Pois eu não! Não a forcei a nada e ela gostou tanto quanto eu, garanto – Connor assegura, sentando-se outra vez.
—E foi um perfeito, um completo imbecil no dia seguinte! – acusa – E agora, o que vai fazer? Vai deixa-la sozinha nessa? – questiona-o.
—Ela parece já ter decidido isso por mim.... De novo! – lamuria-se.
—Pare de compara-la com Robin! São pessoas e situações completamente opostas. Robin não lhe deu escolha. Sarah está lhe dando. Indiretamente, mas está ou já teria interrompido essa gravidez! – assegura, irritado – Portanto trate de agir como homem e assumir sua responsabilidade! É o mínimo que espero, ou melhor, exijo de você – bufa o médico, batendo as mãos nos joelhos, levantando-se – E ainda preciso me preocupar em não deixar meu irmão te matar quando descobrir! – desabafa, levando uma mão ao queixo, preocupado.
—Eles estão ficando ou namorando de novo? – Connor pergunta.
—A resposta é não para as duas coisas – informa, vestindo seu casaco – Sarah é importante para Jay não apenas pelo que tiveram, mas pelo que têm hoje, a amizade que ficou, coisa rara de acontecer, diga-se. Tenho certeza que mesmo sendo você ele vai surtar – completa.
—Bom saber que não estão juntos – Connor afirma, Will encarando-o incrédulo.
—Jura que é com isso que está preocupado? – interroga o médico, sacudindo a cabeça negativamente, rumando para a saída.
—Aonde vai? – Connor pergunta, levantando.
—Para o Med, evidente. Tenho que trabalhar – diz o ruivo, detendo-se .
—Espere, vamos juntos. Só vou tomar uma ducha rápida – pede, levantando, indo em direção ao banheiro, enquanto Will volta a sentar-se, aguardando-o.
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Chicago Med (sexta, 27/1 – 18:45 p.m)
Connor
Encostado a ilha de enfermagem na cardiologia reviso o prontuário da jovem Isadora. Estava evoluindo muito bem, acima do esperado na verdade, o que faria com que lhe déssemos alta antes do previsto.
O turno transcorrerá relativamente tranquilo, sem atropelos ou surpresas, para meu alivio visto que a ressaca estava, como Otis previra, brava, provocando uma dor de cabeça persistente além de um embrulho no estomago que me fizera passar boa parte do dia em jejum quase absoluto.
Refleti bastante durante todo o turno sobre o que havia conversado com Will mais cedo chegando à conclusão de que deveria tentar falar com Reese novamente, procurar saber a verdade, fosse ela qual fosse…A verdade é que a chance desse filho não ser meu é zero! – penso, coçando meu queixo, pensativo, olhando um ponto fixo a minha frente.
A oportunidade para tal conversar acontecer não surgira e agora, ao final do turno, seria ainda mais difícil ...
—Doutor Rhodes, teria um minuto? – a voz doce interrompe meu devaneio, causando um arrepio gostoso em meu corpo.
—Sim – respondo, baixando os olhos, fingindo dar atenção a ficha em minhas mãos, olhando-a de soslaio, vendo-a morde o lábio inferior – Pode falar doutora Reese – incito-a.
—Poderia ser em outro lugar? – pede, apertando as mãos.
—Claro – digo, me voltando para ela, indicando o corredor com um gesto.
Caminho a seu lado, nossos braços roçando de vez em quando – Aqui – anuncio parando a frente a uma sala vazia, abrindo-a, deixando que entrasse primeiro – Então, qual é o assunto? – pergunto, fechando porta e cortina após entrarmos (força do hábito), cruzando ao braços a frente do peito, observando-a atentamente.
Engraçado como o fato de ir para a cama com alguém te faz ter uma nova percepção da pessoa! Não é como se nunca a tivesse notado antes, afinal seu sorriso e jeito doces haviam conquistado todos no hospital, inclusive a mim....Mas depois de tê-la em meus braços, simplesmente não conseguia mais ignora-la por mais que tentasse. E o tenho feito, acredite!
—Eu menti – ouço-a dizer fazendo-me ergue os olhos, desviando-os de suas curvas onde insistiam em parar.
—Sobre?? – interrogo, franzindo o cenho.
—Sobre não ser o pai do bebê que espero – diz, voltando a morder o lábio.
Porra, ela bem que podia parar de fazer isso!!— Está dizendo que é meu? – pergunto e acena positivamente – Até ontem não era, mas hoje passou a ser, é isso? – questiono, sentindo o sangue ferver, me aproximando (um erro duplamente grave) – O que te fez mudar de ideia? Medo de ter sua imagem exemplar maculada ou a possibilidade de lucrar gerando um Rhodes? – mal termino de falar e meu rosto é atingido por uma bofetada violenta.
— Cretino, idiota! Como me deixei convencer que merecia a verdade? – despeja, os olhos faiscando – Quer saber? Você não é pai coisa nenhuma! Esse filho é meu, só meu...
—Melhor decidir-se logo porquê se ficar mudando de opinião a cada meia hora... – desta vez a bofetada vem antes que eu termine de falar e seria seguida por outra não fosse rápido em impedi-la – Faça isso de novo e não respondo por mim! – ameaço, segurando seu pulso com força, puxando-a de encontro a meu corpo – Sei muito bem que esse filho é meu! – afirmo, olhando dentro de seus olhos – Não haveria a menor chance de não ser a menos que tivesse transado com outro no dia seguinte e mesmo assim ainda iria... – sou interrompido novamente, só que desta vez por um surpreendente e ávido beijo, provocando uma reação imediata em meu corpo.
Em questão de segundos estamos agarrados (sem nenhum exagero!) um ao outro, minhas mãos envolvendo sua cintura, mantendo o corpo macio colado ao meu, as suas enroscadas em meu cabelo.
Empurro-a em direção a parede a nossa esquerda saindo do campo de visão das pessoas lá fora, prensando-a.... Connor, alguém pode chegar e pegá-los no flagra! — minha consciência alertar recebendo um sonoro “Vai a merda! ” em resposta enquanto, sem cessar o contato entre nossos lábios, exploro o corpo macio e delicado por cima da roupa.
Era arriscado, sabia, mas como resisti aquele beijo tão doce e ao mesmo tempo sedento? Àquele corpo quente, que vibra ao menor toque de minhas mãos?
Solto um gemido ao sentir suas mãos insinuando-se por sob a camisa do uniforme, tocando meu abdômen, apertando, aranhando a pele. Ergo meus braços permitindo que a retirasse, interrompendo o beijo por um segundo, qualquer resquício de sanidade caindo por terra no momento em que sinto seus lábios deslizarem por meu pescoço até o peito detendo-se no mamilo, mordendo-o.
—Puta que... – levo as mãos a sua nuca obrigando-a a erguer o rosto, prendendo sua boca em um novo beijo tão avido quanto o que me dera.
Cesso o contato de nossos lábios deslizando-os por seu pescoço, abrindo rapidamente os botões de sua blusa, retirando-a, beijando cada centímetro de pele a mostra, apalpando-a, afastando o tecido rendado do sutiã com uma mão expondo um seio, minha boca tomando posse dele, sugando-o, prendendo o bico rijo entre os dentes, minha excitação aumentando a medida em que a escuto gemer baixo, correspondendo a cada caricia, chegando a um nível perigosamente insuportável.
Beijo-a com ardor redobrado, minhas mãos deslizando por seu ventre, detendo-me um segundo, descendo, insinuando-se para dentro de sua calça. Dirijo um olhar rápido em direção a porta, tenso ao notar alguém parado do lado de fora. Teria que contar com a sorte para não sermos pegos. Sabia que praticamente todos da equipe já foram embora e os que por ventura ainda estivessem no hospital estariam fechando seus turnos ansiosos em irem para casa juntar-se a seus familiares. Este não era meu caso... Não tenho ninguém à minha espera! – meus pensamentos são interrompidos ao sentir o movimento discreto sob a palma de minha mão, que voltara a passear por seu ventre.
—Mexeu? – indago, ofegante, interrompendo o beijo, ela confirmando com um aceno, pondo sua mão sobre a minha, guiando-a a pontos onde volto a sentir mexer mais uma vez.
Por mais que tente, não saberia descrever a emoção que senti.
—Tenho que ir – declara de repente, afastando minha mão, começando a se recompor ainda ofegante.
Leva alguns segundos para que a “ficha caia” e comece a fazer o mesmo, ambos em silêncio. Observo seus movimentos atentamente, devorando-a com os olhos.... Caramba, como não havia notado essas curvas deliciosas antes? –questiono-me mentalmente, não me preocupando em esconder a admiração masculina ao ser pego por ela em flagra durante meu exame.
Sem dizer uma palavra, vira as costas indo em direção a porta, eu alcançando-a rapidamente, impedindo-a abri-la.
—É meu não é? Não transou com mais ninguém depois daquela noite não foi? – pergunto, acariciando seu ventre por sobre a blusa.
—Não transei com mais ninguém nos últimos meses....Ao contrário de você! – acusa, a voz embargada pela emoção – Se teve o mesmo cuidado com todas como teve comigo, terá muitos testes de paternidade a fazer...E muitos filhos para dividirem a herança dos Rhodes! – alfineta, afastando minha mão novamente.
—Reese, sinto muito pelo que disse a pouco. Não quis te ofender. Estava zangado por ter mentindo para mim – justifico-me.
—Mas ofendeu – afirma, me encarando – Quanto a ter mentindo, só estava fazendo o que me pediu: mantendo segredo sobre o que houve entre nós...
—Sobre o que está havendo – corrijo-a – Não pode negar que sente atração por mim tanto quanto sinto por você – argumento sustentando seu olhar.
—Não estou negando – declara após um segundo, suspirando antes de falar novamente – Por que tinha que entrar em minha vida Connor? Já tenho tantos problemas... – sussurra baixinho, parecendo esquecer-se de minha presença momentaneamente, sobressaltando-se com o toque de seu celular, atendendo-o rapidamente – Oi Kim, já estou saindo – avisa, desligando – Até amanhã doutor Rhodes – despede-se, assumindo uma postura distante, saindo sem me dar chance responder.
Permaneço parado, sem reação, minha respiração voltando ao normal gradativamente enquanto a sigo com o olhar até que entre no elevador, dirigindo-me mecanicamente para a ilha de enfermagem, fechando meu turno.
Desço até a emergência, pego minhas coisas, me despeço de Maggie e April seguindo direto para meu apartamento onde, após um banho gelado e demorado, esquento o resto do jantar do dia anterior no micro-ondas indo deitar assim que termino, sua pergunta martelando em minha mente.
Demoro a adormecer, e quando consigo sonho com um par de olhos castanhos cravados em um rosto angelical, emoldurado por cachos cor de mel, e um outro par, esses azuis, em um rosto de bebê, ambos sorrindo para mim.
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Apartamento Sarah (20:30 p.m)
Sarah
—Deixa ver se entendi: foi conversar com o Rhodes.... – Kim começa dizer, eu a interrompendo.
—Porque vocês me convenceram! – aponto dela para Gabby, que me encarava, um misto de divertimento e surpresa no rosto.
—Nós aconselhamos você dizer a verdade não transar com ele! – Kim rebate, abaixando a voz de olho no namorado, em Jay, Matt e as meninas, que disputavam o controle remoto – Ainda mais no hospital. Perdeu o juízo de vez mulher?!
—O juízo, a decência, o pudor – enumero, mordendo meu lábio – E não transamos! Ficamos no quase! – defendo-me.
—O que explica seu mau humor – Gabby me provoca, rindo abertamente quando a encaro, furiosa.
—Não estou de mau humor! – rebato.
—Imagina!!! – Kim exclama, cruzando os braços a frente do corpo – O que está acontecendo com você amiga? –indaga, me encarando.
—Eu não sei! — admito, suspirando – O fato é que quando nossos corpos se tocam simplesmente perco a noção de tudo a minha volta. Tudo que consigo pensar, desejar, é sentir seu toque, seu gosto...Senti-lo em mim! Só de lembrar sinto meu corpo inteiro arder! – confidencio em voz baixa.
—Ok, correndo o risco de que se zangue – Gabby começa dizer – São seus hormônios. Durante a gravidez a libido tende a aumentar na maioria das mulheres – afirma, mordendo um pedaço da pizza que trouxeram – Desejo, tesão puro e simples! – Gabby exclama – Pode perguntar a doutora Harris, ela vai confirmar.
—Sarah, mais bolo – Marina pede, vindo até a cozinha.
—Ele admitiu que se sente atraído por mim – revelo, entregando o prato a minha irmã caçula, apoiando as mãos no balcão, encarando-as.
—Ah, e só agora tu percebeu?! – Kim exclama, arqueando a sobrancelha, verificando a hora em seu relógio – O importante é que ele já sabe que será pai e agora precisam decidir como irão proceder...E precisa contar para alguém antes que saiba por terceiros – indica Jay com um gesto de cabeça.
— Quero e vou contar para ele, mas admito: morro de medo de sua reação! – digo, olhando-o insegura.
—Não se preocupe, ele ladra mais do que morde! – brinca, beijando minha bochecha – Vamos indo para que possa descansar um pouco – diz, sinalizando para Adam, que levanta-se, Jay e Matt fazendo o mesmo.
—Descanse porque amanhã é dia de trabalho –Gabby relembra, fazendo uma careta.
—Sabe que pode contar conosco para o que precisar inclusive dar um corretivo nos bonitões de sua vida, não sabe?! – Kim brinca novamente, me fazendo rir mais.
—Isso mesmo! – Gabby anui, abraçado Matt– Hora de ir amor! O dia vai ser longo amanhã!
—Concordo – ele anui, beijando sua testa – Boa noite Sarah, meninas – despede-se, pegando Marina no colo, beijando-a, depois Emma, Adam fazendo o mesmo.
—Também vou indo – Jay anuncia – Boa noite Sarah – despede-se com um beijo em minha bochecha – Boa noite meninas, bebê! – brinca, afagando minha barriga, esquivando-se quando tento acertá-lo – Olha só, ainda temos que esclarecer umas coisas. Não pense que porque estou quieto esqueci que ainda não me disse quem é o pai e não vou descansar enquanto não descobrir! – relembra, fazendo-me suspirar.
—Tenha só mais um pouco de paciência Jay. Assim que acertar as coisas com ele te conto tudo, se prometer se comportar – afirmo, beijando-o no rosto.
—Vou me comportar...Depois que arrebentar a cara dele! – exclama, afastando-se antes que possa revidar.
—Relaxa Sarah, ele faz isso pra te provocar – Kim diz sem muita convicção, acenando enquanto se dirige para o elevador junto com os outros.
— Sei não Kim! Não sei não – murmuro para mim mesmo, fechando a porta -Quem está a fim de tomar um banho gostoso e depois ficar vendo filmes no tablete embaixo do edredom quentinho? –convido, voltando-me para minhas irmãs.
—EUUUU! – as duas gritam juntas, erguendo os braços, dando pulinhos de alegria.
—Vão indo para o quarto, peguem suas roupas que já, já chego por lá – peço, rindo ao vê-las apostar corrida para ver quem chegaria primeiro.
Fecho tudo, apago as luzes massageando meu pescoço enquanto caminho até o quarto onde após tomar banho junto com Emma e Marina, deito com elas na cama, pondo Frozen para passar (pela ducentésima vez!), adormecendo praticamente ao mesmo tempo que elas.
“...I’m not asking for a lot;
Just that you’re honest with me;
My pride is all I got;
I’m saying baby;
Please have mercy on me;
Take easy on my heart;
Even though you don’t mean to hurt me;
You keep tearing me apart;
Would you please have mercy ..”
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