Love Hurts!
6 Descobertas (II)
Notas iniciais
“I thought I saw a man brought to life;
He was warm he came around like he was dignified;
He showed me what it was to cry;
Well you couldn’t be that man I adored;
You don’t seem to know-or seem to care;
What your heart is for but I don’t know him anymore…”
Torn
Natalie Imbruglia
Chicago Med (sábado, 28/1 – 06:45 a.m)
Narrador
O sábado amanhecera chuvoso obrigando Sarah a pegar um taxi para levar as irmãs à creche, ela pegando o metrô após deixá-las para ir trabalhar.
Conseguira ter uma noite tranquila não acordando nenhuma vez para vomitar, o que acontecera apenas pela manhã. Sua consulta, a primeira de seu pré-natal, fora marcada para a sexta-feira ao final de seu turno, mas tentaria falar com a obstetra antes de iniciar seu plantão para tirar algumas dúvidas a fim de tranquilizar-se. Por essa razão, seguira direto para o consultório de Caitlin Harris.
—Desculpa incomoda-la, sei que deve estar ansiosa para ir embora após ter dobrado turno – pede, sentando-se a sua frente.
—Tudo bem Sarah, mães de primeira viagem sempre têm muitas dúvidas a respeito de tudo – diz a obstetra, sorrindo gentilmente – Em que posso ajudá-la hoje?
A médica respira profundamente antes de começar a falar.
—Revi algumas de minhas anotações da universidade, minha amiga paramédica disse ser normal, mas ainda assim estou...Insegura. E um pouco envergonhada também! – admite, corando, prosseguindo ao ver Caitlin arquear a sobrancelha – Eu pensei que não sentiria vontade de fazer sexo com quem quer que fosse, mas não é bem isso que está acontecendo. Tenho sentido desejo de transar, e o faria até mais de uma vez se pudesse – afirma ficando mais vermelha – É normal, não é?
—Tão normal quanto as oscilações de humor – assegura a obstetra – O aumento da libido em mulheres grávidas acontece porque os hormônios estão elevados deixando seu corpo inteiro mais sensível, potencializando as sensações – explica – Nada a impede fazer sexo desde que seja precavida. Ai você deve estar se perguntando: Precavida? Como assim? – indaga, sorrindo docemente – Precavida no sentido de saber se a pessoa com quem está é saudável no sentido de não ter nenhuma doença que possa transmitir para você e, consequentemente, para o feto, as DSTs por exemplo – exemplifica – Se é alguém em quem confia não há problema algum em transar, ao contrário, faz até bem pois mantém o canal lubrificado além de aliviar a tensão própria pela chegada do bebê e não o machuca como costumavam dizer nossos avôs – assegura – Os únicos motivos para pedirmos a uma paciente que evite fazer sexo durante a gestação são sangramentos ou dor, e aí entenda que a dor a qual me refiro é algo fora do normal em uma relação, como dor aguda no baixo ventre por exemplo que pode ser um indicio de que algo não está bem, fora isso, está liberado.
—Até quantos meses é aconselhável ou possível? – interroga a jovem, ficando vermelha novamente.
—Sarah, não há do que se envergonhar, não se tornou um ser assexuado por ter engravidado! – exclama a obstetra – Isso de que é errado a mulher sentir desejo durante a gestação é um mito que nos impuseram por motivos na maioria das vezes religiosos. – diz – Quanto ao tempo isso quem determina é você, primeiramente, junto com seu parceiro. Vou me usar como exemplo: fiz sexo com meu marido até poucas semanas antes de dar à luz, e olha que estava com um barrigão por serem três! – revela, rindo da expressão de espanto da garota – Tarada não?? – brinca, descontraindo-a – O que vai determinar é você sentir-se a vontade com seu corpo e as mudanças que estão ocorrendo nele. Estando confortável consigo mesma e com seu parceiro, basta encontrarem a melhor posição, e nesse ponto temos que ser egoístas: nosso conforto em primeiríssimo lugar! Ele que se vire pra dar conta! – afirma fazendo Sarah rir abertamente – Nada melhor do que uma boa conversa para determinar essas coisas.
—Justamente esse é o problema: conversas entre nós tem sido sempre complicada! – revela a médica, mordendo o lábio, insegura – Fizemos sexo apenas uma vez após a noite em que o bebê foi gerado,e mesmo assim, na época, não sabíamos, nem eu nem ele, que estava grávida. Quase fizemos novamente ontem – deixa escapar– Em ambas às vezes havíamos meio que discutido momentos antes.
—Está falando do pai do bebê? – Caitlin pergunta, ela anuindo, sem graça – Bem, como não sei a história de vocês, só posso te aconselhar a tentarem se entender. Por diversas razões – aconselha – Mesmo que não casem ou venham a morar juntos, este filho será um elo permanente entre vocês. Quanto mais cedo se entenderem melhor para vocês e para o bebê.
O problema é que não conseguimos ficar cinco minutos a sós sem que acabe com ele entre minhas pernas!,pensa a jovem, suspirando profundamente chamando atenção da obstetra.
—É mesmo tão difícil assim a comunicação entre vocês? – pergunta.
— Mais ou menos! – admite, fazendo uma careta – Nossa situação é um pouco complicada– tenta explicar – Para começar não sei o que sinto por ele. Às vezes quero matá-lo, por vários motivos! Às vezes quero envolve-lo em meus braços, fazê-lo contar o porquê de ter mudado tanto e ajudá-lo a superar para que volte a ser o homem maravilhoso que conheci dois anos atrás. Às vezes tenho vontade de bater nele, às vezes de beijá-lo e acho que sente o mesmo em relação a mim! – divaga, distraída – Uma coisa é certa: sentimos atração um pelo outro com a mesma intensidade, o que é estranho porque até três meses atrás não éramos mais que meros colegas de trabalho! – relembra, arrependendo-se por ter revelado mais do que pretendia.
—Isto acontece – comenta a obstetra – Foi assim com meus pais. Eles trabalharam juntos, foram confidentes um do outro por quase sete anos antes de começarem a namorar e depois casarem! – revela – Essas coisas são imprevisíveis, Sarah. Podem levar anos para acontecer, podem levar meses, ou dias... Quando tem que acontecer, como minha falecida avó dizia, não pergunta se é o que queremos ou planejamos, apenas acontece – filosofa, a conversa sendo interrompida pelo bipe da médica.
—Tenho que ir – diz ela, levantando – Mais uma vez muito obrigada por me receber.
—Por nada querida. Até sexta e se cuide – recomenda, apertando a mão que lhe estendia.
Mais aliviada (em parte) Sarah dirige-se a emergência a fim de começar seu turno.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Connor (13:55 p.m)
Após fazer a ronda no início do turno verificando quais pacientes deveriam receber alta aquele dia, retornei à emergência, onde estava hoje. Caso surja alguma cirurgia de urgência a faria junto com a equipe de plantão, que incluía Reese.
Desde nosso encontro de ontem (que me rendeu um banho gelado e uma noite para lá de agitada onde o que menos fiz foi dormir!), me sentia inquieto. Sabia o que deveria fazer, mas uma insegurança tola insistia em me atormentar.
Que nos desejávamos mutuamente era fato! Havíamos admitido. Afora isto, não tinha a mínima noção de como agir perto dela quando não estivéssemos atendendo juntos.
Não podia agir como se fossemos pais felizes à espera do primeiro filho (por mais que me sentisse assim com sua decisão em ter o bebê). Também não podíamos agir como um casal apaixonado já que não o éramos (ou éramos?). Ignora-la estava fora de cogitação. Ela seria, gostasse ou não, a mãe de meu filho!
—Em que planeta está doutor Rhodes?? – April pergunta fazendo-me abrir os olhos e inclinar a cabeça para vê-la – Há vinte minutos está parado ai em silencio, de olhos fechados. Algo o incomoda? – pergunta, me encarando séria.
—Algum problema com o qual possamos ajuda-lo de alguma forma? – é a vez de Maggie questionar, apoiando uma mão sobre o balcão centímetros atrás de April, encarando-me também.
—Se eu disser qual meu problema vão querer me matar! – falo sem pensar, escondendo o rosto entre as mãos logo em seguida – Humm, falei demais! – resmungo sem olhá-las.
—O contrário: falou de menos! – Maggie rebate, tamborilando os dedos sobre o balcão – Será que a prepotente doutora Beker tem razão? – indaga, fazendo-me sair do “esconderijo”, voltando-me para elas de cenho franzido – Andou aprontando lobo mau? – repete o maldito bordão usado por Ava para me irritar – Uhum, essa careta ai diz mais do que mil palavras! – exclama e por mais tenso que esteja não consigo evitar sorrir.
—April, os exames que pedi estão prontos? – Reese, que adentra a estação de enfermagem passando por detrás de mim vinda sei lá de onde, pergunta, causando-me um sobressalto que não passa despercebido por ambas, Maggie e April – Boa tarde doutor Rhodes – dirige-me um cumprimento formal ao qual respondo com um aceno de cabeça.
—Estão sim Sarah – April informa – E você, como está? Soube que esteve com a doutora Harris logo cedo. Tudo bem com o bebê? – revela, surpreendendo-me.
—Tudo bem sim – responde evasiva.
—Então por que foi vê-la? – pego-me perguntando antes que consiga me controlar... Merda, porque não ponho uma placa luminosa na testa dizendo Eu sou o pai do bebê! – admoesto-me mentalmente – Desculpe, não quis ser invasivo – reparo meu descuido rapidamente. Ou pelo menos assim espero!
—Não foi, fique tranquilo – garante calmamente… Ok, esse lado Dama de Gelo é novidade para mim! – Quis apenas tirar algumas dúvidas – diz, estreitando os olhos, fitando a tela do computador.
—Vai começar seu pré-natal na sexta não é? – April pergunta, ela anuindo com um aceno – Que dúvidas tão urgentes eram essas que não puderam esperar? Só para lembra-la: eu e Maggie estamos a sua disposição viu! – adianta-se, fazendo-a sorrir.
—Isso mesmo. Não precisa recorrer sempre a Harris lindinha, podemos ajudar de vez em quando – Maggie afirma.
—Estou sentindo um pouco de ciúmes aqui?? – Reese interroga, voltando-se para elas.
—Um pouquinho assim! – April confirma, usando o indicador e o polegar para exemplificar, franzindo o nariz em uma careta – Agora deixa de enrolar e responda minha pergunta? – ordena, curiosa.
—Nada demais – garante pegando o tablete, voltando-se para sair – Só queria saber se é realmente seguro e até quando posso fazer sexo durante a gravidez! – declara, passando por mim.
—Oi!?! – deixo escapar ao mesmo tempo em que meu cotovelo derrapa na borda do balcão, fazendo-me perder o equilíbrio tamanho o susto por sua resposta direta.
—Como é? – Maggie questiona enquanto April abre a boca, tão surpresa quanto eu.
—O que tem de tão estranho nisso? – pergunta com ar inocente, um sorriso brejeiro iluminando seu rosto, olhando por sobre o ombro enquanto caminha lentamente rumo aos elevadores.
—Reese!! – Maggie admoesta tentando parecer severa.
—Estou chocada! – April verbaliza meu pensamento – Espera, com quem ela....
A indagação morre no ar ante a mensagem recebida no paiger de Maggie que a faz assumir uma expressão assustada.
—Reese! – chama, a urgência em sua voz fazendo-a estancar antes de entrar no elevador – É Marina! – avisa fazendo-a largar o tablete, deixando-o cair, disparando de volta a entrada no exato momento em que as portas abrem permitindo o acesso dos paramédicos com a maca. Sobre ela, uma menina com não mais que cinco anos chora compulsivamente, inquieta, rosto e roupas cobertos de sangue.
—Courtney, fale comigo – peço enquanto Reese para junto à maca, pálida.
—Tia Mags, Sarah! – uma voz infantil chama!
—Emma! – Reese exclama, agachando-se recebendo a outra menina em seus braços – O que aconteceu? — questiona, seguindo a maca direcionada por mim até a sala mais próxima sem aguardar o encaminhamento de Maggie ou a explanação da paramédica.
—Na minha contagem, três, dois, um – comando, transferindo a menina para o leito – Courtney fale! – ordeno, iniciando o atendimento, April auxiliando-me apreensiva.
—Marina Stevens Reese, cinco anos, corte profundo na testa por queda na área externa da creche, não chegou a ficar inconsciente, pressão 12x4, aplicamos 0,5ml de Cetoprofeno, mesma dose de Transamin – informa antes de sair, acenando discretamente para Maggie.
—Sarah, Sarah!! – a pequena chama entre soluços, estendendo os braços, inquietando-se mais.
—Reese, vou precisar de você. Ela tem de ficar quieta – chamo, ela pondo a outra menina imediatamente no chão.
—Fique comigo querida – ouço Maggie dizer.
—Tente acalmá-la – peço, vendo-a, para minha surpresa, subir no leito, deitando-se, pondo a garotinha sobre seu corpo com a ajuda de April.
—Calma meu amor, estou aqui, calma! – fala carinhosamente, beijando-lhe a bochecha – Calma bonequinha vai ficar tudo bem! – repete, segurando os braços da garotinha delicadamente, prendendo as pernas da menina com as suas, acenando para que eu continuasse.
Cuidadosamente retiro o curativo feito pelos paramédicos verificando a extensão do ferimento. Lentamente limpo o sangue coagulado a volta do mesmo refazendo a assepsia, avaliando a melhor maneira de fechá-lo.
—Vou ter que suturar – aviso, erguendo meus olhos para os dela – Terei que dar no mínimo uns dez pontos. O ferimento é muito extenso e profundo, as bordas estão muito separadas. Não quero arriscar por grampos.
_Faça o que achar melhor doutor Rhodes, confio no senhor – afirma, sustentando meu olhar.
—Ok. April, prepare o anestésico local – peço, trocando as luvas de atendimento por estéreis, Doris, que se juntara a nós, trazendo a bandeja de sutura para perto de mim – Mocinha, isso aqui vai arder um pouco, segure firme a mão de sua irmã – sugiro, ela voltando a inquietar-se a medida em que aplico a sedação local, obrigando Reese a segurá-la mais fortemente.
—Marina, calma – pede novamente.
—Doe Sarah! – reclama a garotinha entre soluços.
—Eu sei meu amor, mas vai passar daqui a pouco. Confia em mim não confia? – pergunta, rindo assim como nós quando a menina solta um “não” magoado -Não vou deixar ninguém te machucar anjinho – garante, beijando sua bochecha mais uma vez, protegendo o rosto da irmã com o campo cirúrgico que Doris lhe entregara – Vou por esse lencinho para proteger seus olhos está bem. Não tenha medo, estarei o tempo todo aqui– garante, carinhosa colando o rosto ao dela enquanto canta suavemente junto a seu ouvido, surpreendendo-me.
— “Let it go, let it go,can’t hold back anymore, let it go, let it go turn back and slam the door; The snow blows white on the moutain tonight, not a footprint to be see a kingdom of isolation and it tooks like I’m a queen...
Concentro-me em fazer a sutura. A medida em que o efeito da medicação aumenta, a garotinha relaxa, a voz doce de Reese ajudando. Confesso que também senti-me relaxar, um calor gostoso aquecendo meu coração apesar de a letra falar de frio!
—Emma, o que está fazendo aqui? – ouço Will questionar, parando a porta da sala perto de Maggie.
—Marina se machucou tio Will – a outra menina explica.
—Como foi isso? – pergunta ele, e pelo canto do olho o vejo agachar-se.
—Ela caiu enquanto brincava com as outras crianças no pátio – outra voz feminina responde.
—Não caiu não. A Thais que empurrou ela, aquela bruxa! – Emma acusa – Ela é maior e vive implicando com a gente que é menor.
– Não é bem assim Emma – escuto a jovem argumentar –Poderia ficar com as bolsas? Preciso retornar à escola. Minha supervisora já ligou duas vezes. – justifica-se – Ela vai ficar bem não vai?
—Não graças a você – digo de forma agressiva, interrompendo o procedimento temporariamente – Como pôde deixar uma criança maior misturar-se às menores? Poderia ter acontecido algo muito mais grave – afirmo olhando-a duramente, retomando o atendimento.
—Connor está certo – Will reforça – E se tivesse sido empurrada de algum brinquedo, um escorrega por exemplo. Uma queda de mal jeito poderia ter sido fatal.
— São muitas crianças, nem sempre consigo controlar todas! – defende-se a garota, inclinando-se para falar com Sarah – Eu sinto muito senhorita Reese. – desculpa-se, saindo sem esperar resposta
—Olha, vou te contar, essas coisas me tiram do sério! – Doris bufa, entregando-me o esparadrapo micro poroso assim que termino a sutura.
—Nem me fale! –April anui – Ela dormiu? – indaga, Reese acenando negativamente.
—Não, só está quietinha – assegura, retirando o pano de campo, revelando um par de olhinhos negros espertos por debaixo dele – Não falei!
—Pronto mocinha, terminei – aviso, apertando levemente o esparadrapo para que aderisse melhor a pele dela.
—Ouvi dizer que temos a visita de uma bailarina! – Miss Goodwin exclama chegando de mansinho.
—Duas tia Sharon – Emma reclama, fazendo-a sorrir.
—Desculpa meu anjo, duas – corrige-se, acariciando o rosto da menina – Como ela está? – pergunta voltando-se para nós.
—Assustada mas vai ficar bem, não é amor? – Reese responde afagando o rosto da menina.
—Vamos fazer um raio x e deixa-la umas horas em observação por segurança – recomendo, olhando diretamente para ela, que anui com um aceno – No final da tarde, se tudo estiver bem, a libero.
— Pode ficar com elas na ala infantil Sarah, caso precisemos de você por aqui Maggie avisa – Miss Goodwin libera.
—Obrigada Miss Goodwin– agradece, tentando levantar-se.
—Deixe-me ajudá-la – peço, levantando rápido, segurando a menina que para minha surpresa agarra-se a meu pescoço, deitando a cabeça em meu ombro.
—Obrigada doutor Rhodes – agradece tentando pegar a garotinha de volta, esta agarrando-se mais forte a mim – Marina, venha preciso liberar doutor Rhodes! – argumenta tentando pegá-la novamente, parando ao escuta-la chorar.
—Melhor não a estressar mais. Eu a levo para você – sugiro.
—Não precisa, vai lhe atrapalhar, além do mais é só manha dessa mocinha birrenta! – afirma, tentando outra vez fazê-la soltar meu pescoço – Marina! – ralha em tom de advertência, ela chorando mais alto.
—Sarah, mesmo sendo manha, é melhor deixar Connor leva-la – Will recomenda.
—Marina está zangada com você porque segurou ela Sarah – Emma afirma, séria.
—Mas era só o que me faltava! – exclama, inclinando o rosto para olhar o da irmã caçula – Escute aqui mocinha, trate de parar com essa manha está me ouvindo!? – ordena, fazendo-a enroscar as pernas em mim.
—Deixe – peço – Levo-a junto com você e depois retorno. Daqui para a ala infantil tenho certeza que ela já te perdoou não é boneca? – pergunto.
—Não! – responde manhosa junto a meu pescoço, fazendo-nos rir enquanto Reese rola os olhos.
—Venceu por enquanto! – afirma, voltando-se para a outra menina – Venha Emma – chama, estendendo a mão, pegando as bolsas com Maggie.
—Fique tranquila, se precisar de você aviso – Maggie garante.
—Obrigada Mags – agradece – Vamos indo? – chama e aceno afirmativamente.
—Tchau bonecas, antes de irem embora passo lá para ver vocês – Will afirma, beijando uma depois a outra.
—Vou providenciar um lanche bem gostoso para vocês e levo daqui a pouco – April avisa.
Nos dirigimos a ala infantil no terceiro andar. Durante o caminho escuto Emma relatar a irmã como acontecera o incidente no pátio da escola, fazendo eu e Reese trocarmos um olhar preocupado diante da informação que ela havia batido a cabeça em um degrau. Ao chegarmos, levo-as a um dos quartos onde ponho a garotinha sobre o leito.
— Vou deixar a solicitação para o raio x na ilha de enfermagem. Quando o fizerem peça para me biparem. Antes do final do plantão passo para dar alta se tudo estiver bem – aviso, fazendo menção de sair, Reese me segurando pelo braço.
—Mais uma vez obrigada por tudo – agradece, sorrindo de um jeito que mexe comigo.
—Por nada. É o mínimo que posso fazer pelas tias de meu filho! – brinco, piscando para ela antes de sair, sorrindo discretamente ao vê-la corar.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Ala Infantil (17:50 p.m)
Narrador
Connor entra no elevador levando consigo uma bandeja contendo três copos com achocolatado e três bolinhos além de dois saquinhos com jujubas de diversos sabores que April providenciara na cantina para as duas meninas e Sarah, pedindo-lhe que levasse até elas já que estava indo libera-las. Acabara de receber o resultado do raio x de Marina constatando que não havia farturas.
O cirurgião não conseguia parar de sorrir enquanto se dirigia ao encontro da médica e suas irmãs. Havia gostado das garotas e elas, ao que tudo indicava, também gostaram dele o que, por alguma razão, fora significativo para ele.
Ainda sorridente, sai do elevador caminhando a passos largos, estancando ao chegar ao quarto onde a menina se encontrava, o riso morrendo em seus lábios ao ver a cena a sua frente: Sarah deitada sobre o leito com Marina no colo, Emma de mãos dadas com o irmão de Will, Jay. A médica sorria de forma encantadora enquanto o detetive dançava com a menina erguendo-a vez ou outra no ar.
—Doutor, doutor, vem dançar com a gente!! – Emma convida largando a mão do detetive assim que a põe no chão, vindo até Connor.
—E aí Connor, tudo bem? – Jay o cumprimenta, animado – Veio liberar minha bonequinha? – pergunta.
—Doutor Rhodes? – Sarah chama diante de seu silencio fazendo-o voltar-se para ela.
—Hã...Sim, sim – responde finalmente – Acabei de ver o resultado do raio X. Está tudo bem com Marina. Nenhuma fratura, e pelo que vejo ela está bem- diz, sorrindo para a menina.
—Esse lanche é pra gente tio? – Emma questiona.
—É sim – confirma, sorrindo minimamente.
—Obaaa! Podemos levar não podemos Sarah? – pergunta a garota, apoiando as mãos nas pernas da irmã.
—Emma, que coisa feia! Até parece que não tem o que comer em casa! – Sarah ralha.
—Desculpa – pede, baixando os olhos – Mas ele trouxe e se não levarmos e ninguém comer vai estragar!! – argumenta – Deixa vai!! – insiste, fazendo bico.
—Ela está certa Reese. Levem com vocês quando saírem – aconselha o cirurgião, pondo a bandeja sobre a mesinha junto a porta.
—Certo, vamos levar, mas só para não desperdiçar comida – concorda, dirigindo um olhar severo a irmã, voltando-se para Connor a seguir – Ela já pode ir para casa?
—Pode. Passei alguns dias de antibiótico e analgésico. Os pontos serão retirados entre dez e catorze dias – avisa, seus dedos roçando os dela ao entregar-lhe a receita – Faça a limpeza diária do ferimento com soro fisiológico e borrife o spray que passei para ajudar na cicatrização — recomenda – Pode ser que ela sinta incomodo nos primeiros dias especialmente quando for dormir.
—Certo. Mais uma vez obrigada por tudo – agradece, levantando-se, Marina em seus braços – Vamos indo? – chama, voltando-se para Jay e Emma.
—Deixe que eu a levo – se oferece, tirando a menina de seus braços sem esperar resposta – É muito peso para você sair por ai carregando.
—Jay, estou grávida não invalida! Ainda consigo carregar minha irmã no colo – reclama Sarah, segurando Emma com uma mão, o lanche (que Connor havia colocado em uma sacola) na outra – Obrigada pelo lanche doutor Rhodes, foi gentil de sua parte – agradece, sorrindo discretamente.
—Na verdade foi April quem providenciou – revela, meio sem graça – Cuide-se mocinha – recomenda, afagando os cabelos de Emma – Até qualquer dia boneca – repete o gesto com Marina.
—Vamos indo? – Jay convida – Obrigado doc! – agradece ao passar por Connor, que abria a porta para o grupo passar, este respondendo com um aceno.
— Até segunda Reese – Connor despede -se, fechando a porta atrás de si após todos saírem recebendo um novo sorriso discreto da médica, que segue o amigo.
Ao entrarem no elevador, Sarah é surpreendida por um beijo rápido dado por Jay antes que as portas fechassem, erguendo os olhos a tempo de ver a expressão de desagrado que o gesto provocara em Connor.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Dolan Rhodes (19:27 p.m)
Connor
Atravesso as portas giratórias entrando na loja de departamentos pertencente a minha família, estancando em meio a entrada desorientado.
Após ficar incontáveis minutos sentado dentro do carro no estacionamento olhando o nada, decidi vir até aqui a fim de comprar...Na verdade, não fazia a menor ideia do que tinha vindo fazer aqui!
O beijo que Jay dera em Reese dentro do elevador (mesmo sendo rápido) continuava a me incomodar. Muito. E não apenas o gesto, mas a atitude dele como um todo. A intimidade que demonstrara, a evidente possessividade em relação a ela, a forma como ela lhe sorria quando cheguei ao quarto, absolutamente tudo me incomodava mais do que queria admitir. O fato de Will ter-me revelado, enquanto tomávamos um café, que ele se oferecera para assumir o bebê contribuíra para aumentar sensivelmente o mal-estar que sentia cada vez que os via juntos.
Ninguém vai assumir meu filho! Não, vou permitir isso nunca! — Se Jay Halstead pensa que vou deixa-lo tomar meu lugar está redondamente enganado! – vocifero um pouco alto demais enquanto subo na escada volante, sobressaltando-me ao escutar a voz de Claire ao mesmo tempo em que sua mão toca meu braço.
—Quem é esse Jay e a qual lugar está se referindo Connor?? – questiona.
—De onde diabos você apareceu?? – xingo, tropeçando quando chegamos ao topo da escada, soltando alguns impropérios.
—Connor Rhodes, que linguajar é esse?? – minha irmã chama atenção ao pararmos alguns metros à frente, as mãos na cintura.
—De onde você surgiu? – reformulo, fazendo uma careta ao girar meu pé direito, ignorando sua reprimenda – Me assustou.
—Não me culpe se anda com a cabeça nas nuvens! – devolve – Vi quando entrou e o chamei. Como não me deu atenção vim atrás de você. Se soubesse que seria recebida a pedradas teria ficado no meu canto! – reclama.
—Desculpe, eu não te escutei – assumo.
—Deu pra notar! – ironiza – O que está fazendo na Dolan? Veio a minha procura ou do papai?
—Está delirando!?!? A sua até podia ser, mas do pai, nem pensar! – devolvo na mesma moeda– Ele ainda está por aqui?
—Não, já saiu. Tem um jantar com alguns empresários – informa, olhando-me interrogativamente – Vai me dizer o que veio fazer aqui ou terei que usar meus poderes telepáticos!?
—Eu vim... – paro, indeciso – Para ser honesto não sei o que vim fazer aqui! – admito, passando as mãos no rosto e cabelo – Estava pensando em uma paciente, uma garotinha que atendi a tarde com um corte feio na cabeça.
—Nossa! Ela está bem?? – preocupa-se.
—Sim, já foi para casa – digo, lembrando, finalmente, o que me trouxera a Dolan – Claire, onde fica a sessão de brinquedos?
—Quarto andar. Por que? – quer saber.
—Pensei em presenteá-la com uma boneca da Frozen, parece que ela adora esse desenho – digo, lembrando como a canção do filme a acalmara.
—Presenteando garotinhas!?! Que estranho!! – comenta, seguindo-me até o elevador – Qual o interesse por detrás desse mimo?
—Interesse nenhum – respondo, entrando com ela em meu calcanhar – Só pensei em alegrar uma garotinha que passou por um trauma, só isso – reitero, apertando o botão do quarto andar.
—Sei ... -diz, me olhando esquisito – Como sabe que ela gosta desse filme? – questiona, sorrindo com o canto da boca ante minha resposta.
—A irmã cantou a música do filme para acalma-la durante o atendimento – revelo, saindo do elevador, Claire em meu encalço.
—Ahá, está explicado! – exclama, sorrindo abertamente – Quer ganhar pontos com a irmã agradando a garotinha! – conclui, prosseguindo sem me dar chance responder – Desde quando precisa desse tipo de artificio para conquistar uma garota Connor? Está perdendo seu charme maninho? – provoca-me.
—Primeiro: não estou querendo ganhar pontos com ninguém! ...Mentira! – meu subconsciente acusa instantaneamente – Segundo: continuo não precisando de artifícios para conquistar qualquer garota, especialmente essa. Não que ela tenha sido exatamente fácil ou que a tenha conquistado... Ainda – resmungo não suficientemente baixo.
—Oi?? Como assim? O que está havendo entre você e a irmã dessa garotinha? – interroga, segurando meu braço, obrigando-me parar e encara-la – Connor!?!
Suspiro profundamente encarando os olhos extremamente vivos de minha irmã. Mesmo sendo mais nova e apesar de termos passado um bom tempo distantes um do outro, Claire conseguia “ler-me” com uma precisão irritante!
—Olha só, vamos fazer um trato: ajude-me a comprar o presente para a menina e outro dia te conto o que está acontecendo ok? – negocio, seus olhos azuis faiscando de curiosidade.
—Outro dia não, amanhã – rebate – Te ajudo se almoçarmos amanhã, em seu apartamento, se preferir – diz, acrescentando rápido – Já sei até qual boneca comprar! É pegar ou largar! – chantageia, fazendo-me revirar os olhos.
—Ok, aceito! – concordo, sua mão segurando a minha, arrastando-me departamento afora.
Após exaustiva uma hora e meia sendo arrastado (literalmente!), de um lado para o outro acabo saindo da loja com cinco bonecos, uma caixinha de música que servia de porta joias além de uma bata para gestante (este último comprara num impulso ao passar na seção feminina e graças a Deus Claire não estava mais em minha companhia), seguindo para o apartamento de Reese.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
“...But you crawled beneath my veins;
And I don’t care, I have no lucky;
I don’t miss it all that much;
There’s just so many things that I can’t touch...”
Apartamento Sarah ( 22:35 p.m)
Sarah
—Não acredito que Jay fez isso! – Gabby diz enquanto termino de lava a louça do jantar, Marina e Emma sentadas no tapete da sala assistindo desenhos na televisão.
—Eu não duvido! – Kim rebate, encostada no balcão – Qual foi a desculpa para a infantilidade desta vez!? – questiona.
—Que não tinha gostado da maneira como Rhodes me olhou, que era para ele saber que eu não estava “disponível”, coisa e tal – repito a justificativa que Jay usara para ter-me beijado no elevador a vista dele.
—Como se o mesmo não se aplicasse a ele! – Gabby ironiza.
—O mais engraçado é que ele vive dizendo que são apenas amigos mas morre de ciúmes cada vez que um cara se aproxima de você enquanto ele sai correndo ao menor estalar de dedos da Erin! – Sylvie contesta, sentada em um dos banquinhos ao lado de Gabby– Jay está me saindo o maior empata do pedaço, isso sim! – reclama, fazendo-me rir.
— Ele fez o mesmo comigo por um tempo e olha que nem namoramos! – Kim recorda – Independente do que aconteceu e ainda pode acontecer entre você e Rhodes, tem que pôr um freio nisso Sarah ou nunca vai conseguir namorar de novo.
—Kim, sou responsável duas irmãs menores, futura mãe solteira, acha mesmo que o ciúme do Jay é meu maior problema? – questiono voltando-me para elas, vendo-as rir.
—Grande verdade! – Sylvie concorda, tocando minha mão no ar.
—Falando nele, Rhodes ficou enciumado com o beijo, foi? – Kim pergunta, completando maliciosamente – Acho que não vai ficar sozinha por muito tempo, a menos que queira!
—O que não é o caso! – Gabby completa, piscando.
—É o caso sim! Não quero nada com Rhodes além de que assuma o filho! – rebato – Afora isto, não o quero em minha vida! O que? Não acreditam? — pergunto ao ver suas expressões.
—Honestamente? – Gabby questiona, as três respondendo juntas – Não!
– Até eu, que fui a última a saber o que aconteceu, já percebi a maneira como ele te afeta – Sylvie afirma, sorrindo – Só em se mencionar o nome dele você já fica toda sensível!
—Além de já ter admitido que sente atração por ele, não queira negar agora! – Kim relembra fazendo-me bufar.
—Não estou negando – afirmo– Mas isso não quer dizer que quero me envolver. Não estou preparada para um relacionamento com Connor Rhodes e tudo que isto acarreta, toda a bagagem que o acompanha!
—De qual bagagem está falando?? – Sylvie questiona, mas antes que possa responder a campainha toca.
—Deixa que eu atendo, devem ser os rapazes – Gabby adianta-se, indo até a porta, abrindo-a.
—Quem é Gabby? – questiono ao vê-la estática, nenhum dos rapazes entrando.
—Delivery! – responde, estalando a língua.
—Posso entrar? – a voz grave pergunta fazendo minha pele arrepiar-se.
—Por favor! – Gabby permite, olhando-me significativamente enquanto Connor Rhodes adentra meu apartamento.
—Ele não sabe que nós sabemos, sabe? – Kim pergunta ao meu ouvido, completando ante meu aceno negativo – Logo vi! – exclama, voltando-se – Boa noite doutor Rhodes, o que o traz a estas bandas? – pergunta.
—Estava aqui perto e aproveitei para saber como a garotinha está – responde.
Só eu achei essa desculpa esfarrapada!?! – questiono-me mentalmente – Não mesmo! – concluo ao ver as expressões de “Sei!” , exibidas por minhas amigas– Marina está ótima, como pode ver. Meninas, temos visitas – chamo atenção fazendo-as desgrudarem os olhos da televisão, só então notado as sacolas nas mãos dele.
—Oi doutor! – Emma cumprimenta, indo ao encontro dele rapidamente, Marina logo atrás dela – O que tem nas sacolas?
—Emma! – ralho, fazendo-a parar as mãos na metade do caminho – Que modos são esses mocinha?
—Desculpa – pede, juntando as mãos, apoiando a cabeça sobre elas, sorrindo.
—Não precisa se desculpar gatinha – Rhodes diz, agachando-se – As sacolas são para vocês – afirma – Um passarinho me contou que gostam muito da Elza e da Anna, é verdade?
—É sim. E do Sven, do Olaf, do Kristoff – enumera minha irmã contando nos dedos.
—Neste caso acho que acertei em cheio! – exclama ele, abrindo as sacolas, fazendo-as soltarem gritinhos alegria.
—Olha Sarah, a Elza, a Anna, Sven, Olaf e Kristoff! – Emma vibra, agarrada a sua personagem favorita, Marina fazendo o mesmo. – Obrigada, obrigada, obrigada! – agradece pulando em seu pescoço.
—Esquecemos o aniversário de alguém??? – a voz de Matt tira Gabby, Sylvie, Kim e a mim, do transe que nos encontrávamos. – Connor, que surpresa!
—Boa noite Casey , Ruzeck — cumprimenta ambos, sorrindo sem graça.
—Beleza Connor – Adam responde, arqueando a sobrancelha ao olhar em nossa direção.
—Boa noite e tchau! – Kim exclama puxando Sylvie pela mão rumo a saída, pegando as bolsas na passagem – Está ficando tarde. Melhor irmos andando. Boa noite meninas, Sarah – despede-se, empurrando todo mundo porta afora sem lhes dar chance contestar, fazendo sinal para que ligasse depois, fechando-a ao saírem.
As risadas de minhas irmãs me tiram da letargia. Volto minha atenção para elas, meu queixo indo ao chão ao ver Rhodes sentado no tapete junto com as duas, brincando.
Durante alguns minutos me limito a observá-los, sem ação, prendendo a respiração ao ter meus olhos capturados pelos dele.
—Emma, Marina, hora de dormir – digo, saindo detrás do balcão.
—Não!! – protestam – Podemos ficar só mais um pouquinho!? – Emma pede, segurando a boneca da Elza em suas mãos.
—Não podem não – sustento, chamando-as com a mão — Agradeçam os presentes, se despeçam do doutor Rhodes e venham comigo – ordeno provocando novos protestos.
—Obedeçam sua irmã – Rhodes recomenda, levantando-se – Eu vou...
—Vai ficar sentado ai quietinho me esperando! – ordeno o dedo em riste, surpreendendo-o.
—Ok – responde, obedecendo-me sem contestar.
Após dirigir-lhe um olhar assassino, ponho Marina nos braços agarrada a boneca da Anna, Emma a de Elza seguindo-me para o quarto.
Banho-as, arrumo-as, as ponho na cama aguardando adormecerem e só então retorno a sala, encontrando-o sentado no mesmo lugar, imóvel, girando um dos bonecos que trouxera entre as mãos, o olhar perdido.
Paro um segundo observando-o atentamente. Parecia tenso, nervoso...triste.
—O que veio fazer aqui doutor Rhodes? – pergunto, sobressaltando-o – Sem desculpas esfarrapadas por favor! – peço, acompanhando-o com o olhar levantar-se, tensa a medida em que se aproxima.
—Eu... Não sei! – confessa, em pé a minha frente segurando o boneco de neve do filme Frozen. Apesar de estar com raiva, tenho que me esforça para não rir da cena – Eu realmente queria saber como Marina estava... Mas também queria te ver – admite, me encarando.
—Por que? – questiono, cruzando os braços a frente do corpo usando-os como escudo a fim de mantê-lo distante (o que caba se mostrando ineficiente!), sustentando seu olhar.
A resposta vem na forma de um beijo urgente que me tira o folego. Instintivamente envolvo seu pescoço, ele envolvendo minha cintura, mergulhando naquela boca tentadora por longos minutos, empurrando-o para longe ao sentir suas mãos insinuarem-se por sob minha blusa.
—Se veio a procura de sexo fácil perdeu seu tempo! Posso ter cedido a você outras vezes, mas não significa que estou a sua disposição sempre que desejar! – digo de um folego só.
—Não vim a procura de sexo Sarah. Eu queria ver a menina... E conversar com você sobre o irmão de Will – fala, ofegante – Não vou permitir que ele ocupe meu lugar!
—Seu lugar??? Que lugar?? – questiono, irritada.
—Junto a você, a meu filho! – declara e mais uma vez não consigo evitar acertar-lhe uma bofetada.
—Não passei a ser propriedade sua por carregar seu filho no ventre! – rosno sentindo meu corpo inteiro tremer – Por isso me beijou? Para “marcar território”!?
—Não!! Não, não, por favor, não me interprete mal! – pede, tentando se aproximar –Sarah...
—Vá embora Connor! – peço, indo até a porta, abrindo-a – Saia da minha casa agora! – reforço – Não se preocupe, ninguém vai roubar seu filho! – garanto quando ele passa por mim, sentindo um nó na garganta, ele estancando um segundo como se fosse falar algo, desistindo, saindo de cabeça baixa sem nada dizer.
Bato a porta com força assim que sai, me atirando sobre o sofá, agarrando uma almofada, chorando copiosamente por longos minutos.
Quando finalmente me acalmo, noto uma sacola menor sobre a mesinha de centro. Sento-me enxugando o rosto antes de pega-la, sentindo as lágrimas aflorarem novamente ao ver seu conteúdo: uma bata para grávida na cor azul!
“....I’m torn;
I’m all out of faith, this is how I feel;
I’m cold and I’m ashamed;
Lying naked on the floor;
Illusion never changed into something real;
I’m wide awake and I can see;
The perfect sky is torn;
You’re a little late i’m alread torn;
Torn...”
Fale com o autor