Love Hurts!

7 All of these things! (I)


Notas iniciais
Olá flores! Mais quinze dias já se passaram. Hora de Connor começar a por as coisas em ordem mesmo que lhe custe alguns dissabores futuros; de Sarah conhecer a futura cunhada; de os dois começarem a se entender; de Connor assumir sua responsabilidade; de saberem o sexo do baby; de deixar o coração assumir o controle. Grata por todas a rewiews passadas....More rewiews, please....Boa leitura..Bjinhos flores. P.S: Postando um pouco mais cedo por motivo de força maior. P.S 2: LEIAM AS NOTAS FINAIS.

“Meu amor tem freios nem receio de errar;

Só entende os segredos que eu pude revelar;

Eu senti no teu beijo meu prazer acordar;

Tinha fogo e desejo eu nao quis mais parar…”

Apartamento Will Halstead (madrugada 28/01 – 02:20 a.m)

Will

Acordo sobressaltado com o toque de meu celular. Ergo a cabeça olhando a volta tentando localizá-lo, lembrando de tê-lo posto sobre a mesinha ao lado da cama. Estico o braço alcançando-o, atendendo sem olhar o visor.

—Alô! – digo, minha voz saindo rouca pelo sono.

< Por que diabo tinha que te escutar Halstead? Por que tinha que dá ouvidos seus conselhos idiotas? > uma voz arrastada questiona do outro lado da linha.

—Quem está falando? – pergunto, confuso.

< O idiota que te deu ouvidos?! > esbraveja, fazendo-me afastar o aparelho a fim de ver a tela.

—Connor? – interrogo, piscando – Connor? – repito pondo o aparelho junto ao ouvido novamente, escutando-o confirmar após um novo xingamento.

< Eu mesmo! Quem mais poderia ser, a menos que ande dando conselhos idiotas a caras ainda mais idiotas que resolvem segui-los! Porque fui te escutar Will? Estava quieto no meu canto, vivendo feliz... Ok, nem tão feliz assim...>assume, fazendo uma pausa, voltando a falar segundos depois < Mas sem dúvida estava bem melhor do que o inferno em que me encontro agora! >, resmunga.

—Me diz que não está bebendo, de novo, por favor! – peço, sentando recostado a cabeceira, apertando minha ponte nasal com força, fechando meus olhos.

< Evidente que estou! Por que mais ligaria no meio da madrugada correndo o risco de atrapalhar sua transa? Aliás, eu devo ser realmente muito estúpido pra dar ouvidos a um cara que levou mais de dois anos para levar a mulher que queria de verdade para a cama! >, me provoca.

—Vou ignorar o que disse por estar claramente alterado, mas não facilita ou deixo que amanheça seja lá em que pulguero se enfiou...

< No meu pulguero. Estou em casa! > me interrompe.

—Menos mal. O pior que pode.... – faço uma pausa, uma ideia nada agradável cruzando minha mente – Connor, onde está?

< Em casa, esta surdo? > responde malcriado.

—Qual parte da casa gênio!? – inquiro, impaciente.

< Sala, sofá mais especificamente > responde, mal-humorado.

—Certo – digo, massageando meu pescoço – Do que estou sendo acusado mesmo?

< De ter estragado minha vida com seus conselhos estúpidos! Você e Ethan! > acusa, xingando algo inteligível.

—Poderia ser mais claro? Sabe como é, em relação a você devo ter gasto metade de meu arsenal – rebato, tentando entender o raciocínio dele.

< Vocês me disseram para sair, me divertir, me aconselharam ir naquela maldita festa de formatura onde ela estava! > relembra, bufando.

—Ah, isso! – exclamo tentando não rir – Connor, nosso conselho foi para que procurasse se divertir com seus amigos e colegas de trabalho ao invés de ficar enfiado em seu apartamento remoendo o que não tem mais concerto. Dentro não estava implícito ir para a cama muito menos engravidar uma delas! – discurso, escutando-o bufar mais uma vez – E se não tivessem sido descuidados não estariam passando por nada disso! — acuso – Outra coisa, como poderia adivinhar que cairia de amores na primeira oportunidade que teve de ficar mais próximo a ela?

< Não cai de amores!! > protesta rápido < Só não esperava que estivesse tão diferente do que estou habituado a ver todos os dias > Argumenta < Ela estava tão linda, tão leve, tão...Solta, sorridente, descontraída, ...Tão doce e macia...> enumera, suspirando.

—Ok, melhor que pare por ai! – peço, escutando-o rir – Connor faça um favor a nós dois: largue o que estiver bebendo, vá pro seu quarto, deite e durma um pouco. Descanse. Mal tem feito isto ultimamente – recomendo.

< Como sabe disso? > questiona, fazendo barulho ao largar algo no chão (acho!).

—Pra começar sua aparência. Tem se olhado no espelho nos últimos dias? Está começando a parecer um dos figurantes de The Walking Dead! – exclamo, ouvindo-o rir – Anda, levanta desse sofá e vai pro seu quarto – ordeno, prestando atenção aos sons do outro lado da linha. Após um silencio incomodo, chamo-o novamente – Connor?

< Oi?! > responde, a voz ainda mais arrastada.

—Já está no quarto? – pergunto.

< À caminho mãe! > responde irônico, e rio com o canto da boca.

—Se fosse sua mãe te daria uma surra, se bem que isso não está exatamente longe de acontecer! – ameaço, continuando atento.

< Will? > chama após alguns minutos.

—Sim – respondo em meio a um bocejo.

< Por que ela? > pergunta, prosseguindo sem esperar resposta < Por que justo a Sarah? Já vacilei com outras mulheres antes e nada aconteceu. Por que com ela foi diferente? Ela é uma pessoa boa, uma mulher incrível... Não quero fazê-la sofrer mais do que tem sofrido, ela não merece! > desabafa.

—Então não faça Connor – aconselho – Assuma, de uma vez por todas, esse filho, ajude-a, apoie e não apenas no sentido financeiro. Sabe que muitos irão apontá-la, que será vítima de fofocas e maledicências, já está sendo na verdade, mesmo antes de revelar o nome do pai do bebê. Não se omita mesmo que isto te custe alguns pontos não apenas no rosto! – exclamo – Não precisa casar ou mesmo morar juntos se não é o que desejam, mas pode e deve protegê-la. O porquê não importa aconteceu e pronto – friso, apertando meus olhos – Agora precisam aprender a lidar com a situação porque esse bebê nada tem a ver com os problemas de vocês. Faça isso por ele. Faça por vocês.

< Vou fazer Will > garante, silenciando.

—Connor? – chamo após novo e prolongado silencio, não obtendo resposta.

Aguardo mais alguns minutos escutando o que parece ser sua respiração antes de desligar, pondo o celular de volta na mesinha, deixando meu braço cair pesadamente sobre o colchão.

—Connor é o pai do filho que Sarah espera, não é? – Nat pergunta.

—É sim – confirmo, voltando o rosto em sua direção – Descobri na sexta quando fui buscá-lo no Molly’s. Não falei porque acho que devem ser os dois a fazer isso — justifico-me.

—Entendo – afirma, apoiando-se nos cotovelos, me encarando – Ele está arrependido? Apaixonado?

—Arrependido acredito que não. Sentindo-se culpado com certeza – afirmo, coçando minha barba – Apaixonado? – pondero um segundo, rindo com o canto da boca – Definitivamente sim!

—Mas ainda não se deu conta disso!! – exclama, e respondo com um aceno afirmativo – E quanto ao bebê, ele vai assumir o filho?– pergunta, sentando enrolada no coberto e mais uma vez confirmo com um aceno – As coisas vão ficar complicadas para os dois e não apenas no hospital.

—Vão sim – anuo – A maior parte das pessoas acha que o pai sabe do bebê e não quer assumir a responsabilidade incluindo meu irmão — suspiro pensando na reação que Jay terá quando descobrir que o cara que ele quer pegar é Connor – Não me pergunte os motivos para o segredo porque não sei – aviso – O que sei é que Sarah está com muita raiva de Connor que por sua vez está apaixonado, mas não admite nem sob tortura! –brinco, fazendo-a rir.

—Os dois passaram por tanta coisa nos últimos dois anos, não?! – Nat relembra – Agora esse bebê e justo na hora em que Sarah é convidada a participar da bolsa... – se cala, mordendo o lábio pensativa – Connor não poderá ser mentor dela depois que revelarem o envolvimento dos dois. Latham não permitira! – exclama, preocupada.

—Alguma chance de que ela possa ser excluída por causa disto especificamente? – pergunto, igualmente preocupado.

— Acredito que não – diz – O risco existe, lógico, porque Isidore dificilmente irá ser seu mentor para a cirurgia clínica e cardiotorácica. Certamente estaria pensando em delegar essa função a um membro de sua equipe qualificado, no caso Connor – supõe, mordendo o lábio mais uma vez, aconchegando-se a mim.

—Beker não poderia assumir? É tão qualificada quanto Connor, até onde sei – pergunto.

—Poder pode, a questão é se vai querer e, principalmente, se será imparcial e justa – alega.

—Acha que ela tem algum interesse nele além do profissional? – questiono.

—Não, mas também não a vejo sendo mentora de quem quer que seja – afirma – Meu medo é de que a competição que parece ter estabelecido com Connor possa respingar, direta ou indiretamente, na Sarah, tipo, Beker usar a relação dos dois para desestabilizá-lo ou a ela. Ou aos dois casos perceba...

—Que ele está apaixonado! – concluo sua frase – Droga, para todo lado que se olhe, o envolvimento deles neste momento não é bom nem para um nem para outro! – lamento.

—Isso sem contar que Miss Goodwin e Latham não ficarão nada felizes por não terem sido informados desse envolvimento desde o princípio – Nat acrescenta – E eu que já estava ficando alegre pelos dois terem se descoberto, por assim dizer!

—Por quê? – questiono, inclinando a cabeça para ver seu rosto.

—Sabe aquela noite na festa de formatura? – relembra e anuo com um aceno – Pois é, quando vi os dois sentados a mesma mesa, conversando, rindo, depois dançando, pensei: que bom, Sarah é exatamente o tipo de mulher que Connor precisa para se recuperar de tudo de ruim que já passou e vice-versa – teoriza.

—Sério? Porque eu fiquei preocupado quando os vi juntos – admito – Na atual fase não sei se ele está preparado para alguém como ela.

—Pois acho que é justamente dela que ele precisa – reafirma – Sarah é doce, gentil, meiga, mas também é forte, decidida, inteligente, alguém capaz de fazê-lo voltar enxergar as coisas boas do amor como o companheirismo, o carinho, a dedicação. Quem sabe ela não seja a cura, por assim dizer, para ele – filosofa – E ele para ela – emenda.

—Uhum... Quem sabe – concordo, aconchegando-a a meu peito novamente...Quem sabe! , repito mentalmente, beijando o topo de sua cabeça, pensativo.

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Apartamento Connor (manhã de domingo, 29/1 – 10:35 a.m)

Connor

—Droga, isso já está virando um hábito! – resmungo ao acordar com o som estridente da campainha mais uma vez – Pelo menos desta vez está sendo paciente– digo, levantando.

Sigo para a sala tendo o cuidado, desta vez, de olhar através do olho mágico antes de abrir a porta.

—Já sei, estou atrasado para almoçar com você outra vez! –exclamo desanimado ao abri-la para minha irmã entrar.

—Na verdade, eu me adiantei um pouco – diz, parada no corredor – Tentei te ligar mas só dava desligado ou fora de área. Posso entrar? – pergunta.

—Lógico – digo, lhe dando passagem – Acho que meu celular deve ter descarregado – declaro, atirando-me sobre o sofá após fechar a porta.

—O que está acontecendo Connor? – escuto-a perguntar após um longo silencio – Tem bebido com muita frequência, não está, evidente, dormido a quantidade de horas que deveria, e nem perca seu tempo negando! – avisa – Só te vi assim depois que soube o que Robin havia feito. O que está te incomodando a ponto de pôr sua carreira em risco novamente? — questiona-me.

Viro a cabeça de lado para ver seu rosto. Claire me observava visivelmente tensa, sentada em uma cadeira de frente para o sofá. Tristeza e preocupação mescladas em sua expressão.

—Fiz burrada Claire, das grandes, e desta vez prejudiquei uma pessoa que não merecia – começo a dizer – Engravidei uma mulher com a qual fui para cama – revelo.

—E qual a grande tragédia nisso? Ela é casada? É menor de idade? Arrependeu-se e está te acusando de estupro? Corre o risco de ser preso ou está sendo ameaçado? Precisa de um advogado? Posso... – dispara a falar, agitando-se e preciso interrompê-la a fim de acalmá-la.

—Não é nada disso! – afirmo, sentando, passando as mãos no cabelo – Ela é residente no Med, maior de idade, pode até ter-se arrependido, mas não está me acusando de nada, fique tranquila – garanto, encarando-a.

—Então qual o problema? – pergunta, enrugando a testa.

—O problema é que ela acaba de ser convidada a mudar de residência passando para a de cirurgia, onde receberá uma bolsa maior que irá ajudá-la a sustentar a si mesma e as irmãs menores, as quais foram largadas pela mãe sob seus cuidados mais ou menos dois anos atrás, sem precisar se matar trabalhando em outro lugar em seus dias de folga ao invés de descansar, o que certamente a fará repensar essa gravidez novamente, mesmo já a tendo revelado, por força das circunstancias, aos nossos chefes, omitindo meu nome, já que esse envolvimento pode pôr em risco a bendita bolsa lhe dando mais um motivo para me odiar, se é que precise de mais algum! – concluo, o final saindo num sussurro, deixando meu corpo cair contra o encosto do sofá, suspirando alto.

—Está namorando uma colega de trabalho novamente? – pergunta, franzindo o cenho, confusa.

—Não estamos namorando – corrijo-a – Fomos para cama apenas uma vez três meses atrás... Transamos no Molly’s outro dia!... relembro mentalmente –Usamos preservativo, que obviamente falhou, ela engravidou e agora me odeia – concluo.

—Te odeia por que se foi consensual? – questiona, não me dando chance responder — Gravidez acidental, por mais inconveniente que possa ser, não é motivo já que a responsabilidade não é apenas sua. Ela também tem sua parcela de culpa já que poderia ter te avisado que não estava tomando pílula...Ou estava? – pergunta, respondendo a si mesma – Obvio que não ou não teria engravidado! Então por que não te avisou? É médica, sabe dos riscos! Estavam bêbados, é isso? O que não está me contando Connor?– fala de um fôlego só, me olhando intrigada.

Respiro fundo, controlando a irritação que ameaçava me tomar, antes de responder.

—Disse-lhe que ninguém deveria saber que havíamos passado a noite juntos, que não seria bom para nenhum de nós, que não se repetiria... No que menti descaradamente!! ... Mesmo tendo sido muito agradável, enfim, não posso dizer que fui gentil ou agradável no dia seguinte – reconheço.

—E porque disse isso? Ela poderá se prejudicar de alguma forma por ter dormido com você? – questiona.

—Não ....Ao menos é o que espero!!— digo, massageando meu pescoço.

— Então por que lhe disse essas coisas? – quer saber, cruzando os braços.

—Porque queria ter certeza de que não criaria expectativas a meu respeito, fantasiando um relacionamento que não desejava, porque queria mantê-la afastada... Porque sou um idiota!... – xingo-me mentalmente.

—Idiota! – Claire verbaliza meu pensamento – Como pôde ser tão insensível ? – indaga, novamente não me deixando responder – Como vai fazer agora? Ela está esperando um filho seu Connor! – exclama, pondo uma mecha de cabelo por detrás da orelha, suspirando impaciente – Como ela é? Eu a conheço? – pergunta de repente.

—Pra que quer saber? – questiono desconfiado.

—Porque sim, ora! – exclama – Será a mãe de meu futuro sobrinho ou sobrinha, é natural querer saber quem é ou pretende manter os dois longe de sua família?

—De nosso pai com certeza! – afirmo, levantando, indo até a cozinha preparar algo para comer pois meu estomago começara a reclamar, Claire me seguindo – Não faço a menor questão de que ele venha sequer a ter conhecimento dessa criança – acrescento, abrindo a geladeira, pegando uma garrafa com iogurte, me servindo após oferece-lhe, ela recusando.

— Sabe que isto é praticamente impossível não sabe? – pergunta, sentando-se em um dos banquinhos – Mesmo que você ou eu não contemos, ele vai saber. Além dessa mulher....Qual é mesmo o nome dela?

—Sarah – revelo, servindo-me de mais um copo de iogurte.

—Além de ela trabalhar no mesmo hospital que você, do qual ele tem cotas que lhe dão direito a participar das reuniões e decisões da diretoria...

—O que ele certamente fará mesmo que seja apenas para me aborrecer ou provocar! – corto-a, pegando uma embalagem de pão, queijo e suco.

—Será difícil esconder o nascimento de um Rhodes em plena Chicago não acha? – completa, ignorando meu comentário, apoiando o cotovelo no balcão, o queixo sobre a mão – Ou pretende arrastar Sarah para ter esse filho em outro lugar? No meio do mato, por exemplo! – ironiza.

—Evidente que não– rebato, apoiando as mãos na bancada, sustentando seu olhar – Mas não pretendo fazer desse nascimento a manchete do ano e garanto que Reese também não.

—Ótimo, então vai me apresentá-la – intima, pegando uma maçã na fruteira a sua frente, empinando o nariz.

—Por que quer conhecê-la? – repito, a pulguinha da desconfiança mordendo-me forte novamente.

—Porque quero travar amizade com ela, porque quero ter certeza de que realmente não irá manter essa criança longe de mim ou de nossas avós por causa do papai, aliás, elas ficarão eufóricas quando souberem que ganharão um bisneto, ou bisneta, se bem que se a regra da família Rhodes for mantida, será um menino com certeza! – dispara a falar, um sorriso travesso na face.

—Claire, ninguém em nossa família além de você pode saber dessa criança por enquanto. Ninguém – friso, encarando-a – Falo sério! – aviso ante seu sorriso persistente – Não quero o senhor Cornelius ou nossas avós, por mais que as ame, no meu pé ou indo atrás de Reese por conta desse bebê. Se quiser mesmo ter a chance de conviver com essa criança, não dê com a língua nos dentes antes do tempo – alerto, pondo duas fatias de pão na torradeira.

—Não vou contar a ninguém Connor, relaxe– garante – Mas quero conhecê-la, mesmo não podendo revelar que sei sobre a gravidez, ainda – insiste, dirigindo-me um olhar estranho – Quando pretende assumir?

—O mais rápido possível – digo, massageado meu queixo – Não posso correr o risco de Latham me pôr como mentor dela....

—O que isso tem haver? – me corta, curiosa.

—Tem que estamos envolvidos e não seria adequado. Meu julgamento pode ser comprometido – admito, vendo-a sorrir de forma estranha novamente – O que foi? Por que esse sorriso? – indago.

—Nada – diz, levantando – O que acha de anteciparmos nosso almoço? Podemos dar uma volta pela orla ou irmos ao cinema, faz tempo que não fazemos esses programas de irmãos – sugere, desconversando descaradamente.

—Pode ser – concordo, ainda mais desconfiado – Vou tomar um banho, trocar de roupa e já saímos. Fique à vontade – digo, seguindo para meu quarto.

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“.....Nosso amor deu sentido ao que eu sempre sonhei;

Transformou meu destino me deu mais do que eu sei;

Nunca mais vou ser triste sei que me superei;

Fui além dos limites dentro e fora da lei...”

Chicago Med (sexta, 3/2 – 06:15 a.m)

Connor

Respiro fundo recostando a cabeça no banco de meu carro, buscando coragem para enfrentar esse que prometia ser o dia mais longo e cansativo dos últimos tempos, rejeitando pela décima vez a chamada de minha irmã.

Depois que conversamos no domingo, Claire não me dera sossego, procurando uma desculpa qualquer para vir até o hospital a fim de conhecer Reese, o que acabou conseguindo na quarta-feira graças a um pequeno acidente na galeria anexa a Dolan, precisando de atendimento médico, buscando-o, evidente, no Med. Não sei como (estava em meio a um procedimento) mas conseguiu se fazer ser atendida por ela...

********* Flashback On *******

Claire? – chamo, em pé junto a porta da sala onde se encontrava, surpreso por ver minha irmã deitada no leito sendo atendida por Reese, Doris a auxiliando – O que aconteceu? Está ferida? – pergunto, adentrando preocupado.

—Não foi nada, só um cortezinho bobo! – minimiza, fazendo uma careta – Fui ajudar uma das vendedoras a arrumar uma prateleira e acabei me cortando.

—Quantos pontos? – pergunto diretamente a Reese, observando-a fazer a sutura no antebraço de minha irmã.

—Sete – informa – E não foi tão bobo assim senhorita Rhodes. Mais alguns centímetros e poderia ter o movimento de algum dedo comprometido– diz, voltando seu olhar para mim – Atingiu um tendão partindo uma fatia, por assim dizer, do mesmo – revela – Um ortopedista fez a avaliação antes de eu suturar.

—Fez bem – elogio, puxando uma cadeira, sentando a seu lado, acompanhando o final do procedimento – Estão muito bons – volto a elogiar, cortando o fio ao final do último ponto – Optou por fazê-los separados por quê? –questiono.

—Sua irmã...A senhorita Rhodes – corrige-se – Me informou que é um pouco inquieta e meio desastrada – diz, voltando seu olhar para Claire – Achei que seria mais seguro não contínuos.

—Muito bem – parabenizo, aguardando-a terminar o curativo e liberar Claire.

—Siga as instruções que lhe dei, tome a medicação e ficara tudo certo. Nos vemos dentro de dez dias – avisa, levantando, descalçando as luvas.

—Estou liberada então doutora? – pergunta.

—Está sim – Reese confirma, fazendo menção de sair, detendo-se ante o chamado de Claire.

—Muito obrigada Sarah, posso chamá-la assim? – pergunta, segurando a mão que eu lhe oferecia, descendo do leito, Reese consentido com um sorriso meigo que tem o poder de deixar meu estomago em alvoroço como se milhares de borboletas batessem asas dentro dele – Nos vemos em dez dias Sarah – declara, voltando-se para mim – Faria a gentileza de levar sua irmã doente até o carro Connor? – pede, fazendo bico.

—Levo – digo, enlaçando seu braço ao meu – Aproveite para me contar direitinho como esse acidente aconteceu! – falo em seu ouvido, dando dois tapinhas leves em sua mão, conduzindo-a para fora do hospital.

************ Flashback Off *********

Havia tentado, durante toda a semana, encontrar um momento para conversar com Reese e comunicar-lhe que pretendia assumir meu filho ante Goodwin e Latham, a princípio, decidindo com os dois (e ela evidente) como deveríamos proceder dali em diante a fim de acabar com as especulações, piadas e apostas (havia uma “bolsa” de apostas correndo a marginalidade onde funcionários e até mesmo alguns médicos tentavam adivinhar quem seria o pai do bebê, fonte de irritação constante para nós dois), mas não conseguira.

Evitava procurá-la fora do expediente por inúmeras razões, as mais fortes sendo a atração cada vez maior que sentia e Jay Halstead (a insistência deste em se fazer pai do bebê, sua presença constante ao lado dela, vindo deixá-la e buscá-la ao final dos turnos, me irritando mais e mais a cada dia!).

Minha intenção fora reforçada quando na segunda, logo no início do turno, Latham avisara que eu seria o mentor de Reese (tal qual imaginei) no que se referia à cirurgia geral, pois, apesar de ela ter uma base teórica consistente, não tinha a prática necessária e ele, abre aspas: “Não tomaria para si as duas funções tendo outro profissional qualificado na equipe para dividir a tarefa! ” fecha aspas.

Tentara me eximir da atribuição iniciando uma justificativa, mas fora interrompido pelo chamado na emergência, que acabou por transforma-se em minha primeira cirurgia como seu mentor por se tratar de um caso clinico.

Admito: fiquei surpreso não apenas com sua capacidade quanto com seu profissionalismo. Em momento algum se deixou abalar por minha presença ou reprimendas (as dei algumas vezes durante o procedimento para corrigir seus erros) demonstrando ter real aptidão para cirurgia, ratificando minha decisão em falar com Latham. Não queria, em hipótese alguma, que tivesse sua bolsa ameaçada por termos dormido juntos, no entanto, meus planos foram frustrados pelo dia imensamente agitado que tivemos. Estava sendo uma das semanas mais difíceis dos últimos tempos no hospital e para fechá-la com chave de ouro, fomos avisados que a reunião com os membros da diretoria (incluindo meu adorável pai!) fora remarcada para a sexta-feira às treze horas.

Descobri, através de Maggie e April, que Reese faria, no mesmo dia antes de começar o turno, sua primeira consulta oficial como pré-natal e por essa razão me encontrava sentado em meu carro esperando que chegasse, torcendo para desta vez Jay Halstead não estar em sua cola.

Tomara uma decisão: iria acompanhá-la na consulta, aproveitando para conversarmos e mais tarde, se nada desse errado, nos reuniríamos a Goodwin e Latham para esclarecemos tudo de uma vez por todas

—Sarah! – o chamado me tira do devaneio fazendo-me olhar para fora.

—Merda! – xingo ao ver Jay vindo até ela – Desta vez não vou recuar amigão! – digo, descendo do carro.

Penduro minha bolsa no ombro, caminhando lentamente em direção aos dois, que conversam, sorrindo satisfeito ao vê-lo afastar-se após um beijo rápido em seu rosto (gesto que sempre me incomoda).

—Reese – chamo, fazendo-a estancar, voltando-se para mim – Bom dia – cumprimento, a imagem das caricias trocados no sábado à noite vindo a minha mente sem que pudesse controlar – Como está Marina? – pergunto à guisa de desculpa para puxar assunto.

—Muito bem. Dormindo cada dia melhor, quase não tem reclamado de dor, mesmo assim pedi para que continuasse a não brincar com as outras crianças durante o intervalo – relata, sorrindo docemente – O que faz aqui tão cedo doutor Rhodes? E... Deste lado? – questiona, franzindo o cenho.

Estávamos em uma das entradas laterais do Med, pela qual poderia seguir direto para o andar da obstetrícia sem precisar passar pela recepção da emergência.

—Na verdade estava te esperando...Vou a consulta com você, se permitir obvio – apresso-me dizer antes que perdesse a coragem. Algo nela me deixa sem saber como lhe falar as coisas que preciso.

—Como assim ir comigo? Por que? – questiona.

—Porque está na hora de acertar as coisas. Quero assumir meu filho e deixar tudo às claras com Miss Goodwin e Latham ao menos. Devo isso ao dois. Devo a você – declaro, sustentando seu olhar.

—Tem certeza disso? Não será bom para nenhum de nós se...

—Ok, não precisa repetir o que disse aquela manhã – corto-a, erguendo as mãos – O que quer que eu diga? Que estava errado? Certo, eu errei. A partir do momento em que soube de sua gravidez, deveria ter assumido que dormimos juntos e que esse filho é meu, satisfeita? – pergunto.

—Não se trata de estar certo ou errado. Se quer saber, se não tivesse engravidado, faria sua vontade: ninguém jamais saberia o que aconteceu aquela noite – declara, sincera – E certamente não repetiria o mesmo erro uma segunda vez.

—Uma terceira – corrijo-a, me aproximando mais – Ou esqueceu o que houve no Molly’s?- relembro, vendo a veia em seu pescoço pulsar ao mesmo tempo em que a respiração torna-se pesada – Ou o que quase aconteceu sábado à noite em sua casa.

—Obrigada por lembrar-me o quanto sou fraca! – ironiza, girando nos calcanhares, retomando o caminho para entrar no hospital.

—Não se trata de fraqueza Reese, e sim desejo – corrijo novamente, seguindo-a – Desejamos um ao outro e isto não é motivo de vergonha tampouco significa que somos fracos – afirmo, abrindo a porta para ela– E ainda não me respondeu – lembro, acompanhando-a, ambos parando a frente dos elevadores – Posso te acompanhar na consulta? – reitero.

—Adianta dizer que não? – devolve, entrando assim que as portas abrem. Sigo-a.

—Honestamente não – admito, recostando-me em um canto, mais para manter uma distância segura do que por outro motivo – Mas gostaria de ter seu consentimento. Não quero impor minha presença Reese, mesmo estando em meu direito – friso.

—Então não há o que discutir, se tem certeza de que é isso mesmo que quer – diz, dando de ombros – Mas é bom estar preparado. Muito provavelmente antes que falemos com Miss Goodwin ou doutor Latham, já estarão sabendo que me acompanhou e aí não terá como voltar atrás sem prejudicar sua imagem.

—Não estou preocupado com isso – asseguro tranquilo, sustentando seu olhar, sorrindo com o canto da boca ao vê-la corar, seguindo-a mais uma vez quando as portas abrem.

Em silencio caminhamos lado a lado até o consultório de Harris.

—Bom dia Elaine, marquei com a doutora Harris agora cedo, Sarah Reese – identifica-se, a jovem a sua frente sorrindo gentil.

—Ela já está esperando Sarah. Pode entrar – diz, indicando a porta a suas costas, me dirigindo um olhar inquisidor.

—Ele está comigo – avisa, dando uma leve batida antes de abrir a porta – Vamos? – convida, entrando e mais uma vez a sigo.

—Bom dia doutora Harris – cumprimenta, sendo recebida com um abraço.

—Caitlin, Sarah, me chame de Caitlin – pede, voltando sua atenção para mim – Doutor Rhodes, bom dia — cumprimenta, estendendo-me a mão – Sentem-se – convida, indicando as cadeiras a frente de sua mesa.

—Bom dia – devolvo o cumprimento, apertando sua mão, sentando na cadeira ao lado de Sarah.

—Em primeiro lugar, quero lhe pedir desculpas Sarah por ter remarcado a consulta. Tive um imprevisto e não foi possível mantê-la na quarta-feira – justifica-se.

—Sem problemas, Elaine me avisou com bastante antecedência – garante, apoiando as mãos no colo, o gesto chamando minha atenção e só então percebo que usava a bata que lhe dera de presente – Recebeu os resultados de meus exames? – questiona.

—Sim e estou mais ou menos satisfeita – Harris diz, fazendo-me ficar atento – A anemia reduziu consideravelmente mas ainda está acima do que desejava ver – fala, voltando-se para mim– Descobrimos que Sarah estava muito anêmica, causando cansaço, indisposição e sono em excesso – explica, me observando um segundo antes de falar, retornando sua atenção para Reese – Já seu nível de cálcio ainda me preocupa. Continua baixo e por isso vou passar um suplemento para ajudar a eleva-lo mais rapidamente. Mesmo assim quero que aumente a ingestão de alimentos ricos nesse mineral como leite por exemplo – pede, ela fazendo uma careta – Não me diga que não gosta de leite!? – Harris pergunta.

—Não muito. Prefiro café – admite, sem graça.

—Nem mesmo achocolatado? – questiono, lembrando que April preparara um para ela no sábado.

—Nem achocolatado – afirma, repetindo a careta.

—Mas precisa fazer um esforço. Sabe que carência de cálcio pode acarretar pré eclampsia não sabe? – pergunto, preocupado.

—Ou eclampsia no pós parto – Harris completa – Por sorte temos tempo para recuperar todas as taxas que estiverem baixas.

—Alguma está alta? – não resisto perguntar.

—Não a ponto de me preocupar, apesar do susto no começo do mês – relembra.

—Que susto? – pergunto, voltando-me rápido para Reese.

—Eu comi e bebi um pouco demais no réveillon e acabei passando mal – admite, mordendo o lábio.

—Na verdade – Harris chama nossa atenção – O problema em relação as taxas de Sarah está lá no início – afirma – Como não sabia que estava grávida, cometeu o erro que todos nós, médicos, cometemos: descuidou da alimentação. Agora temos que recuperar suas taxas mantendo o controle para que não ter um ganho de peso indesejado até o final da gravidez, uma tendência natural de toda mãe de primeira viagem.

—Já consultou com nutricionista? – questiono, o toque de mensagem em meu celular chamando nossa atenção.

—Já sim. Estou seguindo a dieta que ela prescreveu à risca além de ter visto alguns vídeos e links que recomendou – Reese afirma, me observando – Se precisar pode ir – libera, fazendo-me voltar o rosto para ela.

—Não, não, vou ficar. Expliquei onde estou – digo, enviando a mensagem a Latham.

—Tudo bem se tiver que sair antes....

—Reese, Quero ficar – friso, sustentando seu olhar.

—Certo.... – a voz de Harris nos faz voltar atenção para ela – Se está tudo bem podemos passar para a ultrassom, o que acham? – convida, levantando, dirigindo-se a porta a sua direita.

—Se não queria minha presença, deveria ter sido sincera quando perguntei – reclamo, levantando juntamente com ela.

—Não é isso. Apenas pensei que estivessem precisando de você, nada mais – assegura, agradecendo-me ao segurar sua bolsa – Obrigada.

—Por nada – respondo – Era Latham querendo saber se já havia chegado ao hospital.

—Por que? – pergunta, estancando a porta.

—Não sei, ele não disse – dou de ombros – Avisei que estava com você e o encontraria quando terminássemos – completo, notando a expressão de espanto em seu rosto – Disse que falaria com ele não disse? – lembro, entrando na sala anexa ao consultório.

—Deite-se por favor, Sarah e abra a bata – Caitlin Harris pede – A propósito, é muito bonita – elogia.

—Obrigada. Foi um presente – agradece, fazendo o que ela pedira, dirigindo-me um olhar demorado (foi carinho o que vi??) que não passa despercebido a Harris.

—Tem bom gosto doutor Rhodes – diz, sorrindo discretamente enquanto prepara-se para realizar o exame.

—Obrigado – agradeço, meio sem graça, sentando ao lado do leito.

—Prontos para saber como está seu bebê? – Harris surpreende-me com a pergunta.

—Estamos – me pego respondendo, Reese me olhando igualmente surpresa.

—Vejamos então – diz, sua enfermeira espalhando o gel sobre o ventre de Reese.

—A barriguinha já está começando a aparecer! – exclama a mulher, sorridente.

—Está sim – concorda, ajustando a bata a fim de deixar a barriga mais livre, retribuindo o sorriso antes de a mulher sair.

—Muito bem – Harris declara, deslizando o leitor sobre o ventre iniciando o exame, ficando em silencio pelo que me pareceu uma eternidade – Certo – recomeçar a falar, erguendo os olhos para nós ao mesmo tempo em que indica a tela a nossa frente – Está na decima terceira semana, início do segundo trimestre, o equivalente a três meses – informa – Como já deve ter notado, os enjoos estão diminuindo e sua disposição só não está maior por conta da anemia.

—Dou graças por isso! – Reese exclama, fazendo-me rir minimamente.

—Em compensação – Harris diz, provocando outra careta – Seu útero está crescendo para acomodar o bebê o que irá te causar algum desconforto e dores abdominais. O risco de um aborto espontâneo também reduz para sessenta e cinco por cento, o que não é motivo para descuidos – recomenda.

—Não vou me descuidar, pode deixar – garante rapidamente – E o bebê, como está? – adianta-se, olhando a tela ansiosa. Faço o mesmo, aguçando meus ouvidos.

—Está tudo bem com ele, como podem ver. Aqui as mãozinhas, os pés, a coluna, cabeça – mostra-nos com o auxílio de uma caneta –Está com onze centímetros e meio e pesando vinte gramas. A curvatura e tamanho do crânio estão normais....

—Ele mexeu a mão? – Reese a interrompe, surpresa.

—Pode ter mexido sim – confirma – A partir de agora os movimentos começam. Abrir e fechar mãos, mexer os pés, coçar a cabeça e esfregar os olhos – faz aspas no ar – São alguns que podem ocorrer.

—Ou seja, vai começar a chutar! – Reese exclama.

—Vai sim, pode se preparar – recomenda Harris, dirigindo seu olhar para mim, que me encontro apoiando o queixo em minhas mãos unidas, atento aos sons vindos do aparelho – O que acha doutor Rhodes? Tudo batendo no ritmo certo? – interroga, aumentado o volume discretamente, o som inundando o ambiente.

Não consigo dizer nada. Apenas fecho meus olhos escutando o ritmo continuo, cadenciado do coração de meu filho batendo, abrindo-os ao sentir o toque em meu ombro, erguendo-os para ver seu rosto.

—Tudo bem? – Reese pergunta, os olhos marejados.

Ainda sem palavras, anuo com um meneio de cabeça, coçando o olho discretamente a fim de enxugar uma lágrima teimosa.

—Ouvir o coração de seu filho batendo é sempre um momento emocionante – Harris comenta, continuando – O bebê começa, de agora em diante, a responder a estímulos externos como músicas ou o som da voz dos pais, portanto, se quiserem conversar com ele já podem – sugere – Querem que tente saber o sexo? – pergunta, Reese e eu anuindo após uma breve troca de olhares.

—Sim – respondemos juntos.

—Certo – diz, deslizando o leitor sobre o ventre dela novamente, nós três observando a tela atentamente – Ao que tudo indica é um menino – fala e rio discretamente lembrando o comentário de Claire – É um menino sim – afirma, sorridente – Bom, como ambos tem que iniciar seus turnos, vou libera-los – declara após alguns minutos em silencio, respeitando nossa emoção, entregando papel toalha para que limpasse o gel. Instintivamente, pego-os antes que Reese assumindo a tarefa – Continue seguindo a dieta que Camila prescreveu, acrescente o suplemento que vou receitar, mas acima de tudo escute e respeite o que seu corpo lhe diz Sarah. Se pedir que descase, faça isso. Sei que é difícil com a correria de uma residência, mas tente – recomenda, voltando-se para mim – Posso lhe dar os parabéns? – pergunta, e concordo com um aceno – Parabéns pai! – exclama.

Após mais algumas recomendações, a consulta termina, uma nova sendo agendada para daqui três semanas.

Em silencio, caminhamos juntos até os elevadores, entrando assim que as portas abrem.

—Acha que devemos...- Reese começa a falar mas a interrompo, tomando-a em meus braços.

O beijo que trocamos mistura emoção, desejo, alegria, tudo ao mesmo tempo.

—Obrigado – sussurro após cessa-lo, mantendo nossos rostos unidos, as mãos acariciando seu ventre, afastando-me o suficiente para olhar seu rosto – Desculpe-me pela forma como agi até hoje, Sarah – peço, olhando dentro de seus olhos.

Permanecemos assim, ligados pelo olhar, por um longo tempo, separando-nos apenas quando as portas começam a abrir, a tempo de evitar o flagra de Beker e Miah.

—Lobo mau, Chapeuzinho, bom dia! Já estão a caminho da sala da Goodwin? – pergunta, entrando seguida de perto por Miah, que arqueia a sobrancelha olhando de mim para Sarah alternadamente.

—Beker, agradeceria se parece com essa brincadeira – peço, irritado.

—E faria isso por que exatamente? – devolve, saindo sem me dar chance responder, seguindo a nossa frente, parando a porta de nossa administradora, batendo levemente antes de abri-la – Vamos, já estamos atrasados – apressa-nos, me irritando ainda mais.

—Bom dia doutores – Goodwin cumprimenta ao entrarmos – Acho que todos conhecem nosso prefeito, Rahm Emmanuel – indica o homem a seu lado, Latham um pouco mais a direita deste.

—Ainda não tive o prazer – Beker adianta-se, apertando a mão do prefeito.

—Rahm veio nos fazer um pedido – Goodwin avisa, este tomando a palavra.

—Minha sobrinha está gravida. Seu bebê foi diagnosticado com uma anomalia rara – revela, visivelmente tenso – Está programado para que dê à luz hoje. Ela e o marido estavam receosos quanto a capacidade da equipe do hospital onde tem se consultado em realizar o procedimento necessário no bebê, então tomei a liberdade de sugerir que a trouxessem para o Med.

—Qual anomalia? – questiono, intrigado.

—Ectopia Cordis! – Latham responde– Vamos operá-la dentro de...duas horas aproximadamente!

Continua...

“....O amor pegou de jeito bateu fundo no peito;

Foi paixão não teve culpa nem o medo de viver só de ilusão;

O amor pegou de jeito bateu fundo no peito;

Foi paixão, que eu só pra mim;

Tudo que há de bom, tudo que há de bom”

Notas finais
CENAS DO PRÓXIMO CAPITULO: "...._O nome Sexton – pressiono –Agora! – altero a voz o suficiente para fazê-lo ceder. —Rhodes – solta – Doutor Rhodes é o pai – completa... —Miserável! – vocifero, largando-o, entrando no primeiro elevador que abre as portas. —Jay, aonde vai? – ouço Kim perguntar antes que se fechassem. —Quebrar a cara de um cafajeste! – digo, entre dentes, cerrando os punhos....." Bjinhos flores!