Love Hurts!
8 All of these things! (II)
Notas iniciais
“O amor tem feitos coisas;
Que até mesmo Deus duvida;
Já curou desenganados;
Já fechou tanta ferida...”
Iluminados
Ivan Lins
Chicago Med (sexta, 3/2 – 08:35a.m)
Sala Miss Goodwin
Connor
—Duas horas!!? – a observação em tom de espanto feita por Beker me tira do estado de letargia — Precisamos de mais tempo. Não temos nenhuma informação sobre a paciente – reclama.
—Todos os dados de que precisamos estão sendo, neste exato momento, enviados para os computadores do Med, mais precisamente para o meu – Latham comunica-nos tranquilamente – Quanto ao tempo, temos o equivalente ao deslocamento da paciente da cidade onde reside, para cá. A obstetrícia foi avisada a fim de agilizarem os preparativos. Tenham em mente que só iremos começar nossa parte quando eles fizerem a deles, ou seja, depois que realizarem o parto – prossegue – Usaremos a SO geminada no andar da Neurologia, o que nos permitirá transportar o recém-nascido imediatamente para outra mesa em separado da mãe – avisa, dando atenção a seu celular.
—E quanto a nossa estratégia? O que faremos? Como faremos? – Beker questiona, parecendo extremamente nervosa, para minha (e acredito de todos os presentes) surpresa.
—Começaremos a montar agora mesmo, em minha sala, pois os dados acabam de me serem enviados – ergue o aparelho exibindo a mensagem que recebera- A doutora Grant já está a caminho para juntar-se a nós – avisa.
—Ainda assim acho muito pouco tempo de preparação para uma cirurgia de tão alto risco – insiste Beker.
—Podemos utilizar a PNCA – sugiro – Com o auxilio da plataforma poderemos montar uma estratégia mais tranquilamente.
—Doutor Rhodes está certo – Miss Goodwin anui, parecendo mais tensa do que o normal, silenciando um segundo como se decidisse algo– Devido a iminente demora desse procedimento, avisei aos membros do conselho que atrasaríamos o início da reunião – nova pausa onde troca um olhar com meu mentor, este acenando afirmativamente – Devo comunicar-lhes duas coisas: alguns membros da diretoria solicitaram e receberam a permissão para acompanhar, a meu lado e da família na sala de observação, todo o procedimento– revela, deixando-me tão ou mais tenso do que Beker pois tinha certeza que um destes membros seria meu pai – Doutor Stohl solicitou que fosse filmado para fins acadêmicos – completa.
—E fica cada vez melhor! – Miah deixa escapar, sendo repreendida por Latham.
—Doutora Bardovi, quero lembrá-la de que se trata de um caso extremante raro daí a curiosidade natural. Mas nada, absolutamente nada, do que está sendo feito ou foi solicitado visa transforma o procedimento em um espetáculo. A família, única a poderem opor-se a ambas as solicitações, não o fez, portanto, não espero menos do que uma atitude respeitosa e profissional de minha equipe. Fui claro? – inquire.
—Sim senhor – respondemos instintivamente em uníssono, arrancando-lhe um sorriso tão rápido quanto discreto.
—Dito isto, vamos para minha sala. De lá seguiremos para o departamento de neurologia – ordena.
_Doutor Rhodes, doutora Reese, um minuto – Goodwin pede antes que nos movamos – Rahm, vá encontrar sua sobrinha e fique tranquilo. Apesar do que ouviu aqui, tenho total confiança em meu pessoal – assegura.
—Digo o mesmo Sharon – garante ele, apertando as mãos de ambos antes de sair, dirigindo-nos um aceno breve.
—Doutor Rhodes, poderia nos explicar por qual motivo exatamente teve que acompanhar a doutora Reese em sua consulta mais cedo? – Miss Goodwin questiona direta, após a saída dos demais, Latham a seu lado.
Antes de responder, dirijo um olhar rápido a Reese, notando sua palidez.
—Porque o filho que espera é meu – revelo, também direto –Peço desculpa a ambos por não ter dito isso antes. Tive meus motivos.
—Que seriam? – Latham pergunta, me encarando, as mãos cruzadas às costas.
—Estava inseguro quanto a assumir um novo envolvimento com outra colega de trabalho após o ocorrido entre mim e Robin Charles – informo, sustentando sues olhares.
—Doutora Reese? – Miss Goodwin intima, voltando-se para ela.
—Sarah apenas respeitou minha vontade – a defendo – Fui eu quem determinou que ninguém deveria saber o que houve entre nós – assumo.
—Houve, não há mais? – interroga meu mentor – Estamos aguardando Rhodes. Não estão mais envolvidos? – reitera diante de nosso silencio.
—Eu...Não sei – respondo honestamente.
—Acho que....Eu... Eu não sei – Reese balbucia, insegura, ante o olhar inquisidor de Goodwin.
—Deixem-me responder: SIM! – nossa administradora, agora visivelmente irritada, diz – Terão um filho. Estão envolvidos para sempre doutores, querendo ou não, gostando ou não e Não ficamos nada satisfeitos em terem nos escondido isto! – pontua, apontando de Latham para si – No momento em que foi consultado sobre a possibilidade da doutora Reese integrar a equipe da qual participa doutor Rhodes, tinha por obrigação nos comunicar que haviam se envolvido, por uma, duas noites, semanas, o período que fosse. Deveríamos ter sido informados! – reforça, batendo o indicador sobre sua mesa – Principalmente depois que soube da gravidez...
—Ele soube apenas quando me convidaram a mudar de residência – Reese adianta-se – E só confirmei que era o pai algum tempo depois – completa– Miss Goodwin, desculpe-me por não ter sido totalmente honesta quando lhe procurei para comunicar da gravidez. Estava insegura e com raiva – admite – Doutor Latham, entenderei se quiser procurar outra pessoa para meu lugar na bolsa...
—Não precisa fazer isso – protesto, interrompendo-a – Sarah é a escolha certa, já provou ter aptidão e ser capaz de separar as coisas mais de uma vez desde que a colocou conosco – argumento – Não podem prejudicá-la apenas por termos dor...
—Relaxe doutor Rhodes – Latham me interrompe, erguendo uma mão — Não tenho a menor intenção de mudar minha escolha – declara.
—Não?? – perguntamos ao mesmo tempo.
—Não – confirma – Mas terei que rever algumas coisas. Não poderá ser mentor da doutora Reese em hipótese alguma – diz, taxativo – Quanto ao resto...- volta-se para Gooddwin.
—Deixemos para outro momento – sugere, nos encarando novamente – Têm uma cirurgia longa e delicada pela frente. Concentrem-se nisso – recomenda – Quanto à reunião com a diretoria, manteremos, a princípio, o planejado. Irá acompanhar doutor Latham – avisa-me – Agora é melhor irem andando.
—Certamente. Já perdemos um tempo preciso – Latham pronuncia com seu jeito pouco sensível– Temos muito a ver e decidir.
—Quanto a mim, vou tomar um antiácido! – a ouvimos dizer pouco antes de sairmos.
—Desde quando sabia que doutor Latham pretendia me pôr na cirurgia? – Reese interroga baixinho enquanto o seguimos pelo corredor.
—Dezembro – revelo, sinalizando para que entrasse antes de mim ao chegarmos, recebendo um olhar nada amistoso dela – Merda! –xingo, seguindo-a, juntando-nos a Beker, Miah e Grant, uma das obstetras do Med.
Durante trinta minutos estudamos o caso detalhadamente. Para nosso alivio, não fora diagnosticado nenhum outro defeito além do coração fora da caixa torácica (em casos como este podem ocorrer defeitos na estrutura óssea e em outros órgãos, como pulmões, por exemplo, além de defeitos na própria estrutura e funções do coração).
Terminados os estudos, nos dirigimos para o departamento de Neurologia, mais especificamente a sala onde a plataforma estava instalada, Grant e Latham indo ter com a equipe dela acertando os últimos detalhes à espera da paciente.
Alimento o computador com os dados gerando as imagens dimensionais do corpo do bebê, nos permitindo ter uma visão próxima a que teríamos na SO.
—É tão pequeno! Será possível colocar o coração no lugar com tão pouco espaço? – Miah questiona, deslizando os dedos na tela, ampliando a imagem exibida, Reese ao seu lado observando atentamente.
—Teremos que dar um jeito – Beker declara, igualmente atenta – Como pretende fazer a incisão Rhodes? – pergunta.
—Acredito que frontal seja a melhor opção – respondo, reposicionando a imagem – Se fizer em outro local...
—Terá que passar por debaixo das costelas ou remover ao menos as aéreas– Reese observa – Será uma incisão muito grande – pondera, mordendo o lábio.
—Praticamente todo o abdômen – concordo – Mas o que está me preocupando é a observação da doutora Bardovi. Temos pouco espaço já que os demais órgãos ocuparam o lugar que seria do coração – observo ampliando ainda mais a imagem, pensativo.
—No que está pensando? – Reese questiona.
—Alternativas – respondo, concentrado.
—Podemos tentar fazer uma incisão abaixo das costelas, como chapeuzinho sugeriu, mesmo tendo que sacrificar uma ou duas– Beker opina – O que acha lobo mau?
—Acho que não é uma boa hora para me irritar! – declaro, encarando-a, mas antes que revide, Latham retorna.
—Chegaram – avisa e o seguimos para a sala de esterilização.
—Não disse o que pensou como alternativa doutor Rhodes – Reese relembra enquanto realizamos nossa assepsia.
—Inversus – revelo, Latham sobressaltando-se.
—Por quê ? – questiona meu mentor.
_Se o espaço for tão reduzido quanto esperamos, pode ser que não consigamos pô-lo na posição natural – argumento, finalizando ao mesmo tempo em que ele – É apenas um plano B para o caso de precisarmos. Evidente que colocá-lo na posição natural é a primeira opção. Também podemos tentar aumentar o espaço retirando as costelas aéreas...
— Vejamos o que nos aguarda antes de partir para soluções drásticas – declara ele– Fico feliz que tenham pensado em alternativas – afirma, entrando na SO.
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Departamento de Neurologia – SO conjugada (10:36 a.m)
Narrador
Posicionados sala de operações anexa, Latham e sua equipe acompanham a jovem mãe ser preparada para a cesariana, a postos para receberem o bebê assim que fosse retirado do ventre. A incubadora colocada próxima a mesa cirúrgica o receberia e conduziria a UTI pediátrica após o termino do procedimento.
Concentrado, Connor relembra os dados e imagens, cada gesto que pretendia fazer sendo minuciosamente revisto em sua mente.
Desde que entraram na SO evitava olhar em direção a sala de observação onde tio e marido da paciente se encontrava juntamente com Miss Goodwin, Peter Andrews, advogado do Med, dois diretores, Doutor Sthol e sua equipe de filmagem além de Cornelius e Claire Rhodes (esta conseguira convencer o pai a levá-la, curiosa sobre o procedimento).
Ao seu lado, Sarah aguardava ansiosa e ao mesmo tempo tensa tanto por tratar-se de um caso tão raro quanto por envolver um bebê, fato que aguçava sua sensibilidade.
Vinte minutos após Grant iniciar a cesariana, o choro do bebê ecoa pelo ambiente, aumentando a tensão de todos dentro e fora das SOs.
Rapidamente, a recém-nascida é trazida para mesa da segunda sala, as portas de ligação fechado, o procedimento sendo iniciado assim que o bebê é preparado.
— Doutor Rhodes, faça a primeira incisão – Latham comanda, Connor acenando afirmativamente, deslizando o bisturi por toda a extensão do pequeno e delicado abdômen, o corte passado rente ao órgão exposto.
Nas horas seguintes, a equipe se mobiliza em reposicionar os demais órgãos abrindo espaço para o coração. Terminada esta etapa, acionam o by-pass para poderem realizar o encaixe do órgão.
—Tempo Martin – Latham pede, o anestesista acionando o cronometro
Quando realizavam a primeira tentativa de encaixe, os aparelhos disparam , sobressaltando-os.
—Parada! — Martin avisa.
—Doutor Rhodes inicie as massagens, Beker e Reese, mantenham os demais órgãos em seus lugares, Bardovi, libere o bypass – Latham comanda rapidamente – Delicadamente Rhodes, delicadamente – orienta enquanto Connor segura o pequeno órgão em suas mãos, massageando-o a fim de fazê-lo voltar a pulsar.
—Nada ainda – Martin informa, voltando o rosto para o bebê, tenso.
—Vamos lá pequenina, não desista agora! Vamos lá! – Connor recita aumentando levemente a pressão das massagens – Vamos, reaja... Reaja! –implora, voltando-se para os monitores ao escutar o som emitido por eles.
—Temos batimentos! – comemora o anestesista — Sessenta, noventa, cem, ritmo sinusal! – avisa, fazendo todos respirarem aliviados.
—Vamos em frente – ordena o chefe do setor cardíaco, retomando o procedimento, o cronometro sendo reativado.
Após o susto, tentam encaixar o órgão em sua posição normal, uma, duas, três vezes, sem sucesso. Uma quarta e quinta tentativas são feitas, estas por Reese e Beker instruídas por Latham, por terem mãos menores, ambas sem sucesso.
—Temos que aumentar a incisão lateralmente – Latham pondera.
—Ou podemos usar o plano B – Sarah opina, respirando fundo.
—Inversus? – Latham indaga, Connor acenando afirmativamente – Faça – libera após alguns segundos.
Rapidamente, Connor vira o órgão em suas mãos, conduzindo-o a caixa torácica aberta, respirando aliviado ao vê-lo deslizar suavemente, encaixando-se a cavidade.
—Liberar by-pass – Latham ordena assim que o pupilo termina de por o órgão e refazer as ligações que faltavam.
A tensão toma conta de todos mais uma vez enquanto o sangue volta a circular por veias e artérias impulsionando o pequeno coração que, desta vez, bate forte e compassado.
—Batimentos normais, pressão normal – Martin anuncia, os olhos marejados revelando o sorriso por trás da mascara.
—Doutora Reese, sutura interna, Beker externa. Rhodes descanse – ordena, os três movendo-se, trocando de lugar a fim de obedecê-lo e, ao fazê-lo, Connor ergue os olhos em direção a sala de observação, visualizando as pessoas em seu interior por breves segundos.
—Doutor Rhodes? – Miah chama, tocando seu braço.
—Me dêem licença – pede, saindo sem esperar resposta, indo refugiar-se na sala de esterilização, retirando a máscara, escorregando encostado à parede até sentar-se no chão, apoiando os braços nos joelhos, escondendo o rosto entre estes, caindo em um choro compulsivo, permanecendo nesta posição até sentir o toque em seus ombros fazendo-o ergue o rosto para encontrar o de Will Halstead, que entrara sem que notasse, ajoelhando-se a frente do amigo, deixando-se abraçar por este.
—Desabafe meu amigo, vai te fazer bem – aconselha, apoiando-o enquanto chora novamente.
—Doutor Rhdoes – a voz de Miah chama atenção de ambos – Doutor Latham pede que retorne – avisa.
—Ok – diz o cirurgião, levantando-se rapidamente, enxugando o rosto no antebraço.
—Tem certeza? – Will questiona.
—Sim – afirma, respirando fundo, descalçando as luvas sujas, calçando as limpas que ela trouxera, repondo a mascara no rosto, ambos retornando a SO.
—Concordamos, doutora Beker e eu, que deveria ser o senhor a finalizar a cirurgia – informa, fazendo-o franzir o cenho – Termine seu trabalho Rhodes, feche a paciente – diz, o sorriso transparecendo por detrás da máscara, Connor obedecendo.
Depois de colocarem a bebê na incubadora encaminhando-a para a UTI pediátrica, Latham reúne a equipe na sala de esterilização.
—Fizeram um excelente trabalho hoje – elogia – Comam, descansem enquanto falo com a família, a tarde está apenas começando – recomenda –Rhodes, lembre-se da reunião com a diretoria – alerta-o, saindo em seguida.
—Por que quis que a fechasse? – Connor interroga direto, fazendo o grupo voltar-se para Beker, que dá de ombros.
—Por ser justo – responde casualmente – Além do mais, sua prática com os sheiks tinha que servir para alguma coisa não acha? No futuro essa garotinha vai me agradecer por ter cedido à vez. Vai por mim lobo mau! – provoca-o, saindo sem esperar resposta.
_Mesmo quando tenta ser legal, consegue ser irritante! – comenta o cirurgião, provocando risos nos demais.
—Não seria Ava se não o fosse! – Miah filosofa, fazendo uma reverencia discreta antes de sair, Martin e Beth logo atrás dela.
—Está melhor? – Sarah pergunta, observando-o.
—Sim, obrigado – afirma, sustentando seu olhar – Sarah eu...
—Melhor fazermos o que Latham sugeriu – interrompe-o, dedicando-lhe um sorriso doce antes de sair, deixando-o sozinho.
—Acho que posso estar me apaixonando por você! – Connor sussurra, baixando a cabeça, massageando o pescoço levemente antes de sair.
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Entrada da emergência (15:20 p.m)
Jay Halstead
—Boa tarde Maggie – cumprimento ao entrar no Med,Kim a meu lado.
—Boa tarde detetives, o que os traz até aqui hoje? – pergunta, sorridente.
—Eu chamei Maggie – Natalie responde, vindo até nós – Obrigada por terem atendido tão rápido.
—Sem problema – digo – Está suspeitando que seu paciente foi mantido em cárcere privado? – interrogo, ela confirmando.
—Temo que sim. Está muito assustado por isso pedi a doutor Charles para nos ajudar – avisa e aceno positivamente.
—Vem cá, que confusão é essa ai em frente? A calçada do outro lado está cheia de carros da televisão, fotógrafos, e uma infinidade de gente. Quase não conseguíamos entrar – Kim comenta.
—Verdade, o que houve? – reforço.
—A sobrinha do prefeito foi trazida para dar a luz aqui. O bebê tem uma condição genética rara e quando nascer vai seguir direto para a mesa de cirurgia – Maggie nos conta.
—Condição rara? Qual? – minha parceira quer saber, curiosa.
—Ectopia Cordis – Nat revela, rindo ao nos ver enrugar a testa – É um defeito que faz o coração crescer fora do peito!
—Credo, deve ser horrível! – Kim exclama, esfregando os braços – Não gosto nem de pensar na dor da mãe, menos ainda na imagem!
—Da mãe, do pai, a família inteira sofre já que o índice de mortalidade é altíssimo – doutor Charles revela ao chegar, cumprimentando-nos com um aceno.
—Mais ainda por ser o primeiro filho do casal – April relata, encostada ao balcão – Tomara que consigam salvar o bebê – suspira, triste – Reese está participando da cirurgia com a equipe do Latham – informa-nos.
—Nossa, espero que ela agüente – Kim solta, justificando-se – Sabe como é, está grávida. Deve ser difícil não pensar no próprio filho numa hora dessas.
—Verdade – Nat concorda.
—Por isso a imprensa e todos estes curiosos –relembro, Maggie fazendo uma careta.
—Na verdade, não teria ninguém se Alguém – aumenta propositadamente a voz – Não tivesse posto nas redes sociais o que estava acontecendo aqui! – relata, olhando ao redor, intimidadora, fazendo vários estagiários e residentes, incluindo Noah Sexton, encolherem-se – A segurança e Goodwin vão adorar saber quem foi! – acrescenta apoiando uma mão ao balcão, a outra na cintura.
—Tenho pena do coitado – doutor Charles diz, nos fazendo rir.
—Acabou! – Doris chega anunciando, fazendo todos pararem para escutá-la – A cirurgia do bebê acabou. É uma menina e está viva! –revela, uma salva de palmas ecoando pelo ambiente chegando à triagem, o alvoroço natural do local aumentando imediatamente.
—Agora que o bicho vai pegar pra valer! – April exclama, ela e Maggie dirigindo-se para lá após chamarem mais seguranças.
—Melhor irmos ver o garoto antes que as coisas compliquem por aqui – sugiro, Nat anui e doutor Charles anuindo, nos conduzindo até onde o rapaz encontrava-se.
Após vinte minutos tentando fazê-lo nos contar o que lhe acontecera, optamos por deixá-lo descansar, Daniel Charles comprometendo-se a tentar, sozinho, mais tarde, nos repassando o que conseguisse.
—Jay, espera um minuto enquanto vou ao banheiro – Kim pede.
—É a quinta vez só essa tarde. Por acaso está grávida Burguess? – não resisto provocá-la, ganhando um gesto nada educado em resposta.
Encosto-me a parede no inicio do corredor aproveitando para checar minhas mensagens.
—Sem essa Noah, não ganhou coisa nenhuma! – uma voz protesta fazendo-me erguer a cabeça visualizando o irmão de April cercado por três estagiários ou residentes, não sei, alguns metros a frente – Não foi o nome dele que pôs na lista, eu vi. Isso é trapaça – acusa, os outros dois concordando com acenos.
—Não é não. Disse que poderiam mudar o nome até um mês antes de o bebê nascer – defende-se e algo me diz que estavam falando de Sarah.
Maggie comentara certa noite quando nos encontramos no Molly’s, que Goodwin estava estressada por causa de apostas acerca do nome do pai do filho que ela esperava, me irritando.
—Uma ova que disse! – o loiro, mais exaltado que os outros, declara.
Instintivamente, desencosto da parede caminhando até o grupo.
—Tudo bem por aqui? – indago, os três jovens recuando ao verem o distintivo.
—Tudo sim oficial – Noah garante, aproximando-se de mim – É só uma diferença de opiniões – afirma, os demais anuindo com relutância, afastando-se – Valeu detetive! – agradece, abrindo a mão no ar para que a tocasse.
—O que aprontou Sexton? – pergunto, deixando-o “no vácuo” – Por acaso tem a ver com as apostas sobre pai do filho de Sarah? – interrogo.
—O quê? Não, não, é outra coisa – garante, seu nervosismo o contradizendo, fazendo menção de afastar-se.
—Sem essa! – exclamo, segurando-o – Sei sobre as apostas. Por que estavam reclamando? – questiono, uma sirene soando em minha mente – Espera ai... – silencio alguns segundos, refletindo – Qual o nome? – pergunto, encarando-o.
—Nome de quem? – desconversa, tenso.
—O nome Sexton – pressiono –Agora! – altero a voz o suficiente para fazê-lo ceder.
—Rhodes – solta – Doutor Rhodes é o pai – completa.
—Rhodes?? – indago, espantado – Como sabe?
—A enfermeira da obstetrícia falou para a enfermeira da emergência que falou...- enrola, fazendo-me prensá-lo contra a parede – Ele acompanhou a Reese hoje cedo, na consulta. Elaine, assistente da Harris confirmou. Doutor Rhodes é o pai do fil...
—Miserável! – vocifero, largando-o, entrando no primeiro elevador que abre as portas.
—Jay, aonde vai? – ouço Kim perguntar antes que se fechassem.
—Quebrar a cara de um cafajeste! – digo, entre dentes, cerrando os punhos.
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Pediatria (16:15 p.m)
Will Halstead
—Sarah, espere – peço, fazendo-a estancar – Teria um minuto? – pergunto.
—Sim – diz e indico uma sala vazia, onde entramos.
—Vou ser direto: sei que Connor é o pai de seu filho – revelo, vendo-a reter o ar nos pulmões – Ele desabafou comigo – continuo – Também sei que a acompanhou hoje cedo e que pretende falar com Goodwin e Latham. Dentro de pouco todos no hospital saberão e antes que chegue aos ouvidos de meu irmão...- sou interrompido pelo toque de seu celular – Pode atender – libero, apoiando-me no leito, os braços cruzados.
—Oi Kim, tudo...- cala-se, franzindo o cenho – Espera, fala devagar por favor – pede, empalidecendo – Como assim Jay sabe? – questiona deixando-me alerta – Noah o quê?? – pergunta, fechando os olhos, a mão na testa – Não sei, talvez na cantina...Por favor Kim, faça isso – pede desligando – Noah contou pro Jay, ele sabe que Connor é o pai de meu filho! – revela, abrindo a porta, saindo rápido.
—De todas as burradas que Sexton já cometeu, essa é forte candidata a maior! – exclamo, seguindo-a – Onde Connor está?
—Eu não sei!! Latham liberou a todos para comer e descansar, mas ele iria encontrá-lo na reunião do conselho – conta, olhando a volta – Will, eles não podem se encontrar antes que eu fale com Jay. Não podem! – desespera-se.
—Fique calma – peço, preocupado – Kim vai verificar na cantina não é isso? – pergunto, ela confirmando – Então vamos ao andar da diretoria. De repente Connor está lá e consigamos evitar esse encontro – sugiro, conduzindo-a ao elevador – Se algo de ruim acontecer, esgano Noah! – ameaço.
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Diretoria (16:25 p.m)
Narrador
Recostado no fundo do elevador, olhos fechados, Connor tenta relaxar, preparando-se para o inevitável encontro com o pai.
Mal tivera chance de comer ou descansar, pois fora chamado por Ethan a avaliar um paciente, bebendo o suco que pegara rapidamente, levando o misto quente consigo.
Também não vira Sarah. Esperava que pelo menos ela tivesse conseguido descansar e se alimentar direito, seus pensamentos sendo interrompidos pelo aviso de mensagem em seu celular.
Pega o aparelho, suspirando, um misto de alivio e raiva ao ler o texto enviado por seu mentor dispensando-o da reunião.
—Bom que avisou com antecedência! – ironiza, atendendo a ligação de Will enquanto saia do elevador.
< Aonde você está? > a pergunta é feita assim que atende, mas antes que pudesse responder é prensado contra a parede.
—Cafajeste! – escuta ao mesmo tempo em seu rosto é atingido por um soco violento, fazendo-o largar o aparelho erguendo os braços na tentativa falha de defender-se da seqüência de socos desferidas por Jay Halstead.
—JAY, PARE! – o grito de Sarah chega a seus ouvidos no momento em que um soco violento o atinge fazendo sua cabeça chocar-se contra a parede a suas costas.
—Jay, pare! – Will ordena, agarrando o irmão por trás, obrigando-o a soltar o cirurgião que vai ao chão– PARE! – grita o médico prendendo o irmão contra a parede – Perdeu o juízo?
—Esse cafajeste que engravidou Sarah! –esbraveja o detetive tentando libertar-se.
—O que está acontecendo aqui? – Sharon Goodwin pergunta saindo da sala de reuniões, olhando a cena estupefata.
—CONNOR! – Claire grita, chamando atenção do cirurgião, que olha em direção a irmã, vendo Sarah encolhida em um canto do lado oposto ao que se encontrava, abraçando o próprio corpo, a expressão de dor.
—Sarah – sussurra – Will, Sarah – alerta, fazendo ambos, médico e detetive voltarem-se para a médica – Ajude – pede, tentando levantar, Claire impedindo-o bater a cabeça contra o solo quando tomba desacordado.
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Obstetrícia Chicago Med (20:45 p.m)
Sarah
Abro os olhos lentamente, piscando algumas vezes até acostumarem-se a claridade excessiva.
A primeira coisa que me vem à mente é o foco cirúrgico e agito-me agoniada ante a possibilidade de estar passando por algum procedimento, o que significaria que perdera meu bebê.
—Tudo bem lindinha, está tudo bem – a voz mansa de Maggie me acalma – Está tudo bem agora – reforça, acariciando meu rosto.
—Meu bebê, Maggie, meu bebê...- soluço , agarrando seu braço.
—Seu bebê é um guerreiro igual a mãe! – diz, beijando minha cabeça – Ele está bem, relaxe – pede, mantendo-me junto a seu corpo protetoramente.
Adormeço embalada pelo som de sua voz, acordando algum tempo depois mais tranquila. Encaro o teto por longos minutos antes de virar a cabeça para o lado, encontrando Connor sentado na poltrona, o tronco inclinado para frente, o rosto escondido entre as mãos.
—Connor – chamo, chocando-me ao ver seu rosto – Ah meu Deus! — exclamo, ele levantando rápido – Desculpa, é tudo minha culpa – peço, tocando sua face, as lágrimas correndo livres.
_Não, a culpa é minha Sarah, toda minha – declara, segurando minha mão – Como está se sentindo? – pergunta, preocupado.
—Como se um caminhão cegonha tivesse me atropelado! – comparo, fazendo-o ri minimamente – E você, como está? Fizeram um raio x? – questiono, tocando os ferimentos com cuidado.
—Estou bem, não se preocupe – garante.
—Ele é mais duro do que aparenta — Will diz, entrando no quarto, Nat a seu lado.
—Como se sente Sarah? Alguma dor? – Nat pergunta, lendo meu prontuário preocupada.
—Estou bem Nat – asseguro, notando Connor afastar-se discretamente– Quantas horas? As meninas! Tenho que pegar as meninas na escola! – sobressalto-me, tentando levantar, Will impedindo.
—Kim já fez isso, fique tranqüila – afirma, fazendo com que deitasse – Ficarão com ela e Adam até você receber alta – avisa.
—Vou ficar internada? – pergunto.
—Lógico! – Natalie responde – Sarah, acabou de passar por uma ameaça de aborto. Não será liberada antes de amanhã à tarde no mínimo! – revela, torcendo o nariz ao escutar o pager de Connor tocar.
—Preciso ir até a UTI. Volto o mais rápido possível – avisa.
—Vai ficar com ela como disse? – Nat interroga antes que saísse.
—Vou – confirma, retirando-se.
—Começo a pensar que estava certo Will – ela diz.
—E eu que você é quem estava – responde, me deixando confusa – Coisa nossa, não se preocupe – tranqüiliza-me, atendendo seu celular que tocava – Oi Kim ...Já sim. Está. Vou passar para ela – entrega-me o aparelho.
—Kim, as meninas...- começo, ela me interrompendo.
< Estão bem aqui ao meu lado loucas para te mandar um beijo de boa noite ....Boa noite Sarah! > Marina e Emma falam juntas < Você vai dormir no hospital hoje? > Emma pergunta.
—Vou sim anjo – confirmo – Tive um probleminha e terei que ficar aqui, mas amanhã à tarde nos vemos ok? Não dêem trabalho aos tios – recomendo – Obrigada Kim, e desculpe o transtorno – peço quando a escuto retomar o telefone.
< Não é trabalho nenhum, fique tranqüila. Amanhã vamos te ver e aguardamos sua alta. Agora descanse > pede, despedindo-se.
—Nós também vamos te deixar descansar – Nat avisa, verificando o soro – Antes de sairmos passamos pra te ver.
—E Jay, como está? –pergunto.
—Triste, arrependido, preocupado, zangado – Will enumera – Não pense nele agora. Aquele cabeça dura vai ficar bem – garante.
—Eu sei – anuo – Diga-lhe que sinto muito e que conversaremos quando estiver pronto – peço.
—Direi – promete – Fique bem Sarah – recomenda, ambos despedindo-se, me deixando sozinha.
Adormeço novamente acordando ao escutar algo quebrar. Olho de lado vendo Connor e April junto à janela, ele agachado recolhendo alguma coisa do chão.
—O que houve? – pergunto, fazendo-os voltar-se para mim.
—A desastrada aqui quebrou o vaso de flores que te mandaram – April acusa-se e rio minimamente – Está sentindo-se melhor? Tem fome? Sede?- Interroga, aproximando-se.
—Vou jogar isso fora e aproveitar para dar outra passada na UTI. Não demoro – Connor avisa, retirando-se. Sigo-o com o olhar.
—Te trouxe um lanchinho reforçado – April avisa, indo até a mesa perto da janela, voltando com uma bandeja com bolo, suco, leite, salada de frutas, frutas e biscoitos diversos.
—Lanchinho?? – digo, sentando-me, rindo divertida.
—Lanchinho sim – reafirma, pondo a bandeja em meu colo – E vai comer tudinho viu! – ordena, enchendo um copo com suco.
—April, o que estão comentando? – quero saber – Você e Maggie estão bravas comigo? E doutor Rhodes, como está sendo tratado? Miss Goodwin e doutor Latham...
—Uma pergunta por vez, por favor – pede, erguendo a mão – Connor não está sendo hostilizado, se é isso que a preocupa. Não estamos com raiva de vocês, apenas magoados por não terem confiado em nós – revela, me encarando por um segundo – Jay fez um estrago e não apenas no rosto dele. Goodwin teve que contornar a situação com a diretoria, o prefeito e a família além dos Rhodes, pai e filha.
—Deve estar furiosa conosco – digo, mordendo uma fatia de bolo, percebendo o quanto estava faminta.
—Até que não – afirma – Pelo que sei, conseguiu resolver tudo, deu uma bronca homérica no Connor, Latham ajudando, sobrou até para Will, que tratou de mandar o irmão embora antes que Burguess o esganasse! – exclama, rindo, ficando séria logo a seguir – Me desculpa pelo Noah –pede – Se não fosse as malditas apostas nada disso teria acontecido.
—Ele não tem culpa, Connor e eu que temos – afirmo, tomando um pouco do suco.
—Também, mas se ele não tivesse inventado esse tal bolão, as coisas seriam diferentes – insiste, me dirigindo um olhar carinhoso – Tive uma conversa séria...Assim que parei de batê-lo! – revela, fazendo-me rir junto com ela.
—Liberada April – Connor diz, retornando – Ethan pediu para avisar que te espera na recepção e que vira te ver de novo amanhã de manhã – avisa, parando junto a cama.
—Também virei – April avisa, levantando – Durma bem flor – deseja, beijando minha mão – Você também. Está horrível! – diz ao passar por Connor, tocando seu ombro, ele limitando-se acenar afirmativamente.
—Como está a bebê? – pergunto assim que ficamos a sós.
—Teve outra parada no começo da noite, mas agora está bem – revela – Irei vê-la dentro de duas horas se tudo estiver bem.
—Vai dar plantão? – indago, surpresa ante sua confirmação – Assim? Não deveria ir para casa? – questiono.
—Latham já havia me escalado antes do que aconteceu, por causa da cirurgia –informa, apoiando as mãos no leito junto a meus pés – Tentou me liberar, mas declinei. Ficaria de qualquer jeito por sua causa – afirma, me olhando intensamente por um longo período.
—Pode retirar a bandeja, por favor? – peço, quebrando o clima — Obrigada – agradeço, deitando-me novamente, observando-o sentar na poltrona.
Permanecemos em silencio um bom tempo, quebrando-o apenas quando me pergunta se Kim já ligara, revelando ter conversado brevemente com ela antes que fosse embora.
Volto a me sentir sonolenta, adormecendo sem perceber.
Acordo diversas vezes durante a madrugada, em praticamente todas o vejo sentado na poltrona, quieto, saindo desta quando lhe peço algo.
Ao amanhecer, quando a visitação é liberada, Kim chega com minhas irmãs, Gabby, Matt e Adam ficando na recepção por não permitirem o excesso de visitas, Connor retirando-se a fim de fazer sua ronda antes do final do plantão.
Assim que a doutora Grant me libera, pouco antes das quatorze horas, sob a promessa de repouso absoluto, vou embora com elas deixando recado para Connor na recepção avisando-o de minha partida.
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“... O amor junta os pedaços;
Quando um coração se quebra;
Mesmo que seja de aço;
Mesmo que seja de pedra...”
Estacionamento Chicago Med (14:25 p.m)
Connor
“Nada é tão ruim que não possa piorar!”, uma das famosas leis de Murphy me vem à mente ao reconhecer o carro de meu pai ao lado do meu no estacionamento.
Como estacionei em outro local na manhã da sexta-feira, abri mão da área exclusiva para médicos além de ter sido obrigado a dar uma volta enorme para chegar até ali.
Após o incidente com Jay, o restante do dia e o plantão noturno não foram nada bons para mim.
Se por um lado a pequena Victoria (os pais escolheram esse nome), mesmo tendo nos dado dois sustos, estabilizara dando sinais de que se recuperaria assim como Sarah e meu filho, mesmo a ameaça de aborto tendo sido severa e assustadora, por outro a anos não era chamado atenção de forma tão incisiva e dura como fui.
Miss Goodwin e Latham, passaram-me um sabão homérico mesmo admitindo estarem preocupados com minha saúde, ressaltando o quanto fui irresponsável em colocar tanto a bolsa de Sarah quanto o projeto de ampliação da Pediatria em risco.
—Minha vontade era suspende-lo por uma semana, no mínimo, sem remuneração, mas não posso me contradizer diante do conselho, portanto, por hora, o senhor e a doutora Reese serão punidos apenas com a perda de uma semana de salário cada – avisara, me dispensando.
Já Latham comunicara que Beker seria mentora de Sarah, mantendo-me no plantão após convencê-lo que estava bem (no que menti descaradamente).
Passei praticamente a noite inteira acordado, dividindo meu tempo entre o quarto de Sarah, a UTI pediátrica e a emergência, cochilando algumas vezes na poltrona.
Retomo a caminhada pelo estacionamento respirando fundo ao ver meu pai sair de seu carro.
—Quando pretendia me contar sobre esse filho? – pergunta direto.
—Agora não pai – peço, colocando a chave na porta de meu carro, seu motorista posicionando-se de forma a não me permitir abri-la – Afaste-se! – ordeno, encarando-o irritado.
—Tem certeza de que é seu? – insinua, fazendo-me voltar em sua direção.
—Não é da sua conta – revido, sustentando seu olhar – Pai, não é um bom momento. Estou cansado, com fome e sono, meu corpo inteiro dói, só quero ir para casa tomar um banho e descansar – enumero, suspirando ao escutar o toque de meu celular – Alô – atendo.
< Connor, aqui é Gabby Dawson. Desculpa ligar, mas achei que deveria saber que Sarah está sendo despejada! >
—Como assim despejada? – pergunto, sentindo meu corpo retesar-se.
< Quando chegamos ao prédio onde mora agora a pouco, estavam pondo as coisas dela na rua. A senhoria alega que deve vários meses de aluguel > explica < Sarah está fragilizada Connor, não pode ter um aborrecimento desses nesse momento >
—Estou indo pra ai – aviso, desligando, tentando abrir a porta, o motorista me impedindo – Mande seu gorila se afastar ou não respondo por mim pai – ameaço sentindo a descarga de adrenalina em meu sangue aumentar.
—Teremos essa conversa cedo ou tarde Connor. Não poderá me evitar para sempre – avisa, sinalizando para que seu funcionário se afastasse.
—Não pretendo pai – asseguro, entrando em meu carro, dirigindo-lhe um olhar duro antes de partir em alta velocidade.
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Edifício Alphavile (14:27 p.m)
Narrador
—Senhora Mitchel, reveja suas anotações, por favor! Não tenho nenhum pagamento pendente. Deve haver algum engano– Sarah pede sentada dentro do carro, aceitando o copo com água que Kim lhe entregava.
—Engano nenhum. Tenho tudo anotado direitinho bem aqui. Me deve quatro meses de aluguel – sustenta, exibindo uma caderneta de couro, Burguess tomando-a de suas mãos.
—Pois anotou errado! – exclama, folheando-a com raiva – Sarah jamais deixaria de pagar-lhe – garante, devolvendo a caderneta com certa violência – E se estava assim tão atrasada, por que não cobrou? – questiona, encarando a mulher, que recua um passo.
—Cobrei. Varias vezes – diz, exibindo um envelope – Pus um desses todos os meses em sua caixa de correio...
—Eu li e falei com seu marido – Sarah corta-a, soluçando – Ele me garantiu que estava tudo bem, que haviam se enganado – informa, enxugando os olhos – Senhora Mitchel, não correria o risco de deixar minhas irmãs sem um teto. Paguei religiosamente em dia – assegura.
—Ótimo. Mostre-me os recibos – exige a mulher.
—Quando fiz o pagamento a seu marido, disse-me que estavam com problemas na impressora e que me daria depois, pode perguntar-lhe. Onde ele está? – questiona.
—Viajando e já perguntei. Me garantiu que não recebeu nada – informa, cruzando os braços – Saiba que só não a despejei antes a pedido dele, mas agora já chega! – decreta, desesperando a jovem.
—Por favor, me dê mais alguns dias e pago tudo novamente – implora.
—De jeito nenhum. Já fui paciente demais – diz, dando-lhe as costas.
—Ora sua...- Kim rosna, cerrando os punhos,o namorado a segurando.
—Opa, parou, não vou te deixar fazer besteira – avisa, mantendo-a junto a si.
—Sarah, não podemos entrar em casa? – Emma pergunta.
—O que está acontecendo? – Jay questiona, chagando , olhando diretamente para Sarah.
—Quem te chamou? – Kim rosna, irritada, tentando libertar-se.
—Eu – Ruzeck admite, o som de uma freada brusca chamando atenção do grupo.
—O que esse cretino está fazendo aqui? – Jay vocifera ao ver Connor estacionar, descendo a seguir.
—Eu chamei – Gabby avisa, pondo-se a frente do detetive – Ela espera um filho dele, portanto...- deixa a insinuação no ar, voltando-se para recebê-lo.
—O que aconteceu? – Connor pergunta, aproximando-se .
—Doutor!! – Marina exclama, correndo a seu encontro, pulando em seus braços – Ta dodói também?
—Um pouco princesa – diz, encarando Jay, desviando o olhar para Sarah e depois para Gabby.
—Como lhe falei, a senhoria alega que Sarah lhe deve quatro meses...
—Eu paguei! – a médica reafirma, chorosa.
—Nós acreditamos em você querida – Gabby tranquiliza-a, agachando-se, voltando a encarar Connor – Não dá pra expô-la a esse estresse. Precisa de um lugar para ficar ao menos por hoje.
—Ela tem onde ficar: Comigo – Jay declara, tencionando segurar a mão de Sarah, Connor interpondo-se.
—Meu filho, Minha responsabilidade – rebate, encarando-o – Isso inclui a mãe dele – acrescenta, sustentando o olhar do detetive – Ponham as coisas no meu carro – ordena, desviando sua atenção para Sarah– Pode andar? – pergunta, ela acenando afirmativamente – Venha – chama, estendendo-lhe a mão, dirigindo-se a Kim – Me ajudem a pô-las em meu carro com as malas. O que não der para levar agora, levem mais tarde, te passo o endereço por mensagem – avisa, conduzindo Sarah até o carro, acomodando-a juntamente com as meninas ajudado por Kim, enquanto Gabby, Adam e Matt colocam algumas malas no interior do veículo – Obrigado por me avisar. Não se preocupem, vou cuidar delas – tranquiliza-as, dando a volta, assumindo a direção, dando a partida, saindo desta vez com calma.
—Só espero ter tomado a decisão certa! – Gabby exclama, abraçada a Matt.
—Tomou sim – Kim afirma– E pode melhorar essa cara e ir tratando de se acostumar Jay, afinal não era isso que você queria? Que o pai do bebê assumisse a responsabilidade? – questiona, encarando o parceiro.
—Era – admite.
—Então fique feliz por ela – diz a policial, voltando-se para o prédio – Agora, temos duas coisas a fazer: recolher tudo da Sarah e das meninas aqui fora e lá dentro e descobrir porque o senhor Mitchel mentiu.
“... Fica tão cicatrizado;
Que ninguém diz que é colado;
Foi assim que fez em mim;
Foi assim que fez em nós;
Esse amor iluminado.”

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