Love Hurts!
9 All of these things : living together
Notas iniciais
“ I’m sick, I like it;
There’s a moment when we fight I get so excited, oh, oh;
The next move is someone’s;
Maybe that’s what makes it fun;
We don’t know what comin’ oh, oh;
But you got me and I got you;
Couldn’t stop this if we wanted to;
You got me and I got you…”
Residencial Solaris (sábado, 15:00 p.m)
Sarah
“...I like us when we’re unpredictable; Cause that’s why love is so phenomenal; It’s better when there’s no one in control; We don’t know which way it’s gonna go…” , cantarolo baixinho acompanhando a canção a medida em que nos aproximamos do edifício no qual Connor reside, medo e insegurança me fazendo apertar as mãos até doerem.
Não tive forças para reagir ou ir contra sua atitude quando chegou ao prédio onde morava atendendo ao chamado de Gabby. Mas agora, um pouco mais calma, me pergunto se realmente era adequado ou correto viver sob o mesmo teto que ele ainda que por pouco tempo.
—Sarah, tudo bem? Está sentindo alguma coisa? – pergunta, preocupado.
—Uhum – murmuro, retendo o ar nos pulmões ao ver a fachada imponente e assustadora (ao menos para mim) crescer a nossa frente.
—Tem certeza? – insiste.
—Uhum – repito, ficando ainda mais tensa quando o portão da garagem abre e entramos.
—Fique tranquila, vai ficar tudo bem – garante tirando uma mão do volante, segurando a minha, levando-a a boca num beijo casto, o gesto despretensioso e carinhoso provocando uma sensação boa de segurança como a muito tempo não sentia.
Observo-o por um tempo enquanto estaciona próximo ao elevador, desligando o veículo assim que o posiciona em sua vaga, soltando o cinto, me pagando em flagrar ao voltar o rosto para mim. Durante alguns segundos nos observamos em silencio, quebrado por ele.
—Vou subir com vocês e algumas malas, deixo-as no apartamento e desço para buscar as demais – diz, se voltando para Emma e Marina – Meninas, peguem seus amiguinhos e suas bolsas – ordena, abrindo a porta do motorista, dando a volta correndo para abrir a do passageiro.
—Obrigada – agradeço, aceitando a mão que me estendia, ajudando-me descer do carro, ele retribuindo com um sorriso rápido antes de abrir as porta de trás ajudando Emma a descer como fizera comigo para depois retirar Marina, pondo-a nos braços após retirarmos suas bolsas da escola, duas sacolas e uma bolsa a tiracolo que pendura em seu ombro, fechando e travando o veículo ao terminarmos de nos organizar.
—Deixe-me levar outra sacola, está sobrecarregado – peço, ele negando educadamente.
—Não precisa, consigo levar tudo sem problema, não se preocupe – afirma, minha irmã agarrando-se a ele como faz comigo: pernas enroscada a cintura, braços no pescoço, tal qual uma macaquinha, apelido que Jay lhe dera.
Pensar em meu amigo me entristece e faz-me sentir culpada. Imagino o tamanho da bronca que Kim e Will devem ter-lhe aplicado, mas principalmente imagino o quanto deve estar magoado comigo.
—Tem certeza que está bem? Me parece um pouco pálida – Connor pergunta uma vez mais enquanto caminhamos para o elevador e ergo meus olhos encontrando os seus, percebendo quão inchados e roxos estavam devido aos socos desferidos por Jay.
—Estou sim, não se preocupe. É apenas cansaço – tranquilizo-o sentindo meu peito oprimido pela culpa.... Como isso foi acontecer? Como uma única noite foi capaz de virar nossas vidas de cabeça para baixo desse jeito? — interrogo-me mentalmente entrando no elevador a seu lado, Emma segurando minha mão e ao fazê-lo uma onda de recordações toma conta de mim assim que as portas se fecham. Lembranças dos beijos e caricias trocados ali enquanto subíamos para seu apartamento fazendo-me corar violentamente, a forma como me olhava dando-me certeza de que também se recordava. Desvio meus olhos dos seus sentindo minha face esquentar e sei que deve estar vermelha, olhando para qualquer ponto que não seu rosto até sairmos.
Enquanto caminhamos pelo corredor, mais lembranças me veem a mente. Momentos bons, momentos desagradáveis, de raiva, medo, tensão fazem minhas pernas tremerem e meu coração acelerar.
—Importa-se em pegar a chave de casa em meu bolso? – pede ao pararmos em frente a porta.
—Claro – anuo, chegando mais perto, enfiando uma mão no bolso de sua calça, meu rosto esquentar novamente ao sentir o calor de seu corpo sobre o tecido fino do forro, seu perfume entrando em minhas narinas me deixando levemente zonza.
Retiro a mão assim que alcanço o molho de chaves, um pouco bruscamente, reconheço, buscando sua orientação para saber qual inserir na fechadura.
—Segunda a direita da do carro – orienta.
Separo a indicada insiro na fechadura, abrindo a porta.
—Vocês primeiro – indica, ficando de lado para que eu e Emma entrássemos.
Seguro a mão de minha irmã respirando fundo antes de adentrar o apartamento ao qual só havia vindo uma única vez, quatro meses atrás, durante uma madrugada fria na qual me deixar levar pelo desejo.
—Fiquem a vontade – escuto-o dizer, pondo Marina no chão, depositando a bolsa e a sacola sobre o balcão da cozinha – Vou descer para pegar o restante das malas e já volto – avisa, despindo a jaqueta e enrugo a testa intrigada ao notar que ainda usava o uniforme de trabalho no Med.
—A que horas saiu do plantão? — interrogo, fazendo-o estancar.
—Há uns vinte minutos mais ou menos – diz, sorrindo discretamente antes de sair, nos deixando sozinhas.
—Que lugar lindo! – Emma exclama, olhando a volta – Olha Sarah, a televisão dele é maior que a nossa! – diz, pulando no sofá, Marina a seguindo– E o sofá também – acrescenta.
—Macio – minha irmã caçula elogia deitando-se, alisando o assento do móvel.
—Ok mocinhas, chega de deslumbres. Emma, pare de pular e desça daí agora mesmo, não quero que sujem ou quebrem nada enquanto estivermos aqui – ralho, pondo as bolsas que trazia sobre o balcão junto as outras, indo até elas.
—Quanto tempo vamos ficar Sarah? – Emma pergunta, sentando e faço o mesmo pensando em qual resposta dar a minha irmã.
—Eu ainda não sei meu anjo – admito, acariciando seu rosto.
—Ele sofreu um acidente? – inquere, me olhando curiosa.
—Não e não quero que fiquem perguntando sobre isso para ele entenderam? – alerto, pondo Marina no colo, prendendo seu cabelo em um rabo de cavalo.
—Uma menina malvada empurrou ele também? – Marina pergunta de forma inocente, tocando a testa e não consigo conter o riso ao ver o bico que fazia, assustando-me ao escutar a porta ser aberta novamente.
Sinto o chão sumir sob meus pés ao me voltar e ver o casal que entra junto com Connor ajudando-o com as malas. A mulher para ser exata. Era uma das duas com as quais cruzei na saída do elevador aquela manhã, a mais jovem.
—Olá, boa tarde – cumprimenta, sorrindo, pondo as sacolas que trazia sob um dos bancos perto do balcão– Lívia Brown – se apresenta, chegando mais perto de onde me encontrava, estendendo a mão.
—Sarah Reese – apresento-me apertando a mão que me estendia ao levantar pondo Marina no chão a minha frente enquanto Emma se posta a meu lado, sustentando seu olhar.
—Prazer Sarah – retribui – E essas duas princesas quem são? – pergunta, desviando o olhar para minhas irmãs.
—Eu sou Emma ela é Marina – adianta-se antes que eu diga algo, estendendo a mãozinha para a garota, que sorri divertida.
—Muito prazer Emma, Marina – responde, aceitando o cumprimento, afagando a cabeça de Marina antes de voltar sua atenção para mim novamente ainda sorridente.
—Obrigado pela ajuda – ouço Connor dizer, fazendo ela e eu voltarmos nossa atenção para ele e o rapaz.
—Não foi nada – responde o acompanhante da garota acenando em minha direção – Vamos indo amor? – chama, estendendo-lhe a mão.
—Vamos – responde, segurando-a – Até qualquer dia Connor e cuide desse machucado. Ferimentos na região dos olhos são geralmente menosprezados, mas podem deixar sequelas graves algumas vezes – aconselha, preocupada, tocando seu rosto de forma carinhosa, o gesto me desagradando. Antes que consiga controlar, me pego cruzando os braços, torcendo o nariz.
—Cuidarei, não se preocupe. Mais uma vez obrigado – agradece novamente conduzindo o casal a porta.
—Por nada. Até mais ver meninas, Sarah – despede-se ela, acenando antes de sair.
—Até – respondo forçando um sorriso – Amiga sua? – pergunto de forma pouco amistosa – Desculpa, não é de minha conta – apresso-me corrigir.
—Vizinha – responde dando de ombros, me encarando por um segundo – Vou leva-las até o quarto – convida provocando um frio em meu estomago.
—Quarto? – indago, pendurando a bolsa em meu ombro, a imagem de nós quatro dividindo a mesma cama me vindo a mente, provocando uma sensação estranha.
—De hospedes – informa, notando meu incomodo, sorrindo discretamente ao pegar as bolsas das meninas e a sacola que trouxera – Só terei que providenciar duas camas para as meninas – avisa, caminhando a nossa frente.
—Não precisa se incomodar – digo, sentindo a tensão aumentar a medida em que avançamos pelo curto corredor – Estamos acostumadas a dividir a mesma cama. Além disso não ficaremos muito tempo em sua casa – completo.
—Vemos isso depois, com calma – sugere, abrindo a porta de um quarto antes do seu, entrando a nossa frente.
Confesso que não tinha notado a existência de outro cômodo quando entramos aquela noite muito menos quando sai, o que me leva a cogitar se havíamos dormido em seu quarto ou neste, minha dúvida sendo sanada assim que entro no ambiente... No dele, penso observando o ambiente a nossa volta.
—Vou pegar o restante das malas e sacolas – avisa, saindo sem esperar resposta.
—Aqui é maior que nosso antigo quarto não é Sarah? – Emma comenta sentando sobre o recamie acolchoado aos pés da cama...Por que alguém põe uma cama de casal no quarto de hospedes quando não tem amigos casados? Que eu saiba pelo menos! E por que raios pôs um recamie aqui? questiono-me mentalmente, enrugando meu nariz ao fazer careta– Sarah? – minha irmã chama novamente me tirando do devaneio.
—É sim meu anjo – concordo, prestando mais atenção ao ambiente.
Ao contrário do quarto dele, os tons ali eram mais leves, claros. Tal qual em seu quarto, este também dispunha de um banheiro, um armário imenso e uma tv menor do que a da sala.
—No armário vai encontrar cobertores se quiser trocar estes – sobressalto-me ao ouvir sua voz – Toalhas e roupões na gaveta do meio, sabonete, caso não tenham, no móvel abaixo da pia – orienta – Se encontrar alguma roupa nos armários pode pô-las num canto que depois retiro. Minha irmã passou uns dias aqui e pode ter esquecido algo – informa.
—Não me deve satisfações de sua vida doutor Rhodes – digo de forma rude, me arrependendo mal termino de falar – Desculpa, não quis ser rude ou mal agradecida – peço, sem graça, dando uma olhada rápida nas meninas antes de falar novamente, baixando meu tom de voz – Só quis dizer que o fato de esperar um filho seu não me dá o direito de querer controlar sua vida, seus casos e namoros.
—Mesmo assim quis explicar. Caso encontre alguma roupa feminina aqui dentro, certamente será de Claire – justifica-se, baixando o rosto para Marina, que se aproximara puxando sua mão em busca de atenção.
—Uma menina má te empurrou também? –pergunta, contrariando meu pedido.
—Marina! – ralho, olhando feio para ela.
—Tudo bem – diz, abaixando-se, ficando da altura dela – Não boneca, foi apenas um mal entendido – minimiza, sorrindo discretamente.
—Não tá doendo? – Emma dá voz ao que desejava saber durante todo o caminho.
—Só um pouquinho assim! – admite, mantendo o sorriso, recebendo o carinho de minhas irmãs.
—A gente cuida de você – garante Emma, as duas fazendo carinho em seu rosto, Marina lhe dando um beijo estalado na bochecha fazendo-o seu riso aumentar.
—Certo meninas, agora vamos deixar doutor Rhodes descansar – ordeno, batendo as mãos levemente – E também temos que nos arrumar aqui – completo.
—Connor – fala, levantando, me encarando sério – Me chame apenas de Connor, Sarah. Ao menos fora do hospital — pede, continuando sem esperar resposta – Vou deixar vocês à vontade para arrumarem suas coisas enquanto tomo um banho e troco essa roupa. Quando terminar, caso você e as meninas queiram comer algo, não se acanhe. Fique à vontade para usar a cozinha e preparar o que desejarem – recomenda, encaminhando-se para a porta.
—Dou...Connor – chamo fazendo-o estancar – Obrigada por nos receber em sua casa. Prometo que não vou demorar a resolver essa situação para que tenha sua privacidade de volta – asseguro.
—Falamos sobre isso depois Sarah, não se preocupe – pede, acenando para as meninas antes de sair, deixando a porta aberta.
—Não vamos ficar morando aqui? – Emma pergunta.
—Vamos, mas só por alguns dias até encontrar um novo apartamento para nós – explico, pegando as malas e sacolas, indo até o armário, abrindo-o, verificando que lá dentro, além do que dissera, havia apenas duas peças de roupa, ambas femininas: um casaco e um vestido simples porém elegante e caro – Muito caro! – exclamo ao ver a etiqueta de grife, pondo-o num canto juntamente com o casaco – Me ajudem aqui meninas – chamo, fazendo-as largarem as bonecas e juntarem-se a mim.
Abro nossas malas e sacolas começando a organizar tudo com a ajuda delas, separando o lado direito para as roupas e objetos pessoais das duas, a parte central para minhas coisas e o lado esquerdo para seus brinquedos visto que não havia nenhum baú ou cesto, como dispúnhamos em nosso apartamento, para coloca-los lembrando-me que ainda haviam vários objetos meus lá ao quais não poderia trazer para cá. Mordo o lábio pensando no que fazer. Alugar um deposito, por menor que fosse seria caro ainda que não fazia a mínima ideia de quanto tempo iria precisar desse tipo de serviço. Vender era uma opção que resolveria meus problemas no momento, mas me criaria outro no futuro pois precisaria comprar tudo de novo, o que também não seria barato mesmo que buscasse em segunda mão.
Havia ainda a questão do bebê. Com tudo que se passara na sexta, não havia tido tempo ou chance de pensar o que precisaria fazer ou comprar para ele além de mim mesma. Estou entrando no quarto mês, dentro em pouco algumas roupas ficarão apertadas ou incomodas. Além da bata que Connor presenteara não tinha nenhuma outra roupa adequada para gravidas. E não havia comprado ou ganhado nada, absolutamente nada, para meu bebê!
—Tô com fome! – Marina reclama, despertando-me, entregando uma de suas blusas que “dobrara”.
—Eu também – Emma corrobora, fechando a gaveta com suas meias e calcinhas que fizera questão de organizar sozinha – Podemos parar para comer?
—Podemos sim meu amor – anuo, levantando, fechando as portas do armário – Vamos até a cozinha e vejo o que posso fazer para nós.
—Pro Connor também? – Emma questiona me seguindo de mãos dadas com Marina – Ele vai comer com a gente? – pergunta.
—Acho que sim – respondo, dirigindo um olhar rápido em direção a porta de seu quarto – Vamos fazer o seguinte: vemos o que tem na cozinha, decidimos o que fazer e quando estiver tudo pronto o chamamos, o que acham? – negocio.
—De acordo – Emma anui, acrescentando – Podemos fazer uma sobremesa para ele? Porque está dodói e precisa de carinho – pede, Marina batendo palmas, eufórica.
—Sobremesa! Sorvete!! – vibra.
—Podemos, mas não sei se temos sorvete Mama. Faremos o que ele tem na dispensa certo? – advirto, olhando-as de soslaio.
—Certo – Emma responde pelas duas – Se tiver gelatina podemos preparar? – quer saber.
—Se tiver – anuo, me perguntando quais as chances de um homem solteiro, sem sobrinhos, ter algum tipo de sobremesa que agradasse a duas garotinhas.
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“... It drives me crazy;
We go to bed at night in love;
You Wake up and hate me, oh, oh;
But I just can’t fight it;
Other people might break up, but thats how I like it, oh,oh;
Cause you got me and I got you;
It’s enough for us to make through;
You got me and I got you, oh...”
Connor
Deixo Sarah com as irmãs no quarto de hospedes para que pudessem se ajeitar seguindo para o meu.
Confesso que não via a hora de sair da frente delas. Não que estivesse arrependido ou algo assim. Apenas não aguentava mais bancar o durão fingindo estar bem quando era assim que me sentia. Minha cabeça doía terrivelmente assim como minhas costas. Meus olhos ardiam pela dor e falta de sono. Na verdade, era um milagre ter conseguido atravessar meia cidade dirigindo, indo e voltando, sem causar ou sofrer um acidente. Fui irresponsável, sei, mas que opção eu tinha?
Quando Gabriela Dawson me ligou avisando o que estava acontecendo sabia o que tinha que fazer e não podia perder um segundo que fosse.
Fecho a porta começando a me despir enquanto caminho para o banheiro chegando lá dentro usando apenas a box. Dou uma olhada no espelho avaliando o tamanho do estrago causado pelo irmão de Will. Jay tinha uma mão pesada e a raiva lhe dera mais força. Resultado: meu olho esquerdo apresentava um hematoma a sua volta cuja tonalidade beirava o preto em alguns pontos, abaixo do direito outra mancha escura se formara. Ambos, estavam inchados, resultado não apenas dos golpes, mas também da noite mal dormida. Um pequeno corte no canto de meu lábio inferior o deixava igualmente inchado, meu pescoço doía e agora mal podia mexe-lo e minhas costas queimavam tamanha dor que sentia, fruto da tensão acumulada desde a cirurgia até aquele momento.
Suspiro, terminando de me despir, entrando no boxe. Abro a ducha deixando a água levar a tensão e parte da dor consigo, me permitindo demorar um pouco mais do que o costume na tentativa de relaxar.
Apoio minhas mãos na parede baixando a cabeça, relembrando tudo que acontecera nas últimas horas. Havia alternado momentos de alegria absoluta ao acompanhar Sarah na consulta, passando pela tensão durante a cirurgia até os desagradáveis encontros com Jay Halstead, depois com meu pai, toda dor e tensão geradas por cada um deles “pesando” sobre meus ombros.
A possibilidade de perde meu filho fizera-me refletir sobre qual a maneira mais correta de agir em relação a Sarah. Não podia (nem deveria sob pena de levar mais pancadas, físicas e verbais!) propor-lhe casamento ou mesmo morarmos juntos (por mais que a ideia me agradasse muito), mas também não podia simplesmente mantê-la distante limitando-me ajuda-la apenas financeiramente. Não era isso que queria....Quero fazer parte da vida de meu filho de uma forma como meu pai não fez da minha — penso, desligando o chuveiro...Talvez a atitude de sua senhoria tenha decidido por nós — pondero, esfregando o sabonete pelo corpo distraidamente, pensando na melhor maneira de iniciar uma conversa com ela sem que acabássemos discutindo ou transando, duas fortes tendências nos últimos tempos quando nos víamos a sós. Era estranho ter dormido com uma pessoa e depois passar praticamente quatro meses sendo odiado por ela e ainda assim ter feito sexo com essa mesma pessoa uma vez mais – Tem sido sempre os extremos conosco – penso alto, ligando a ducha novamente, retirando a espuma, desligando-a ao terminar.
Enrolo uma toalha a cintura saindo do banheiro, resistindo a tentação de me jogar sobre a cama do jeito que estava, hábito que teria que rever agora que tinha duas crianças (meninas) morando comigo.
Recolho as roupas que deixara jogada pondo-as no cesto de roupa suja, indo até o guarda roupa a seguir. Opto por bermuda e uma camiseta, ambas de algodão, bastante confortáveis.
Sento na cama após vestir-me ficando meio “fora do ar”, o cansaço me vencendo sem que perceba, meu corpo caindo sobre o colchão, os olhos fechando lentamente.
—Cinco minutinhos – murmuro — Descanso cinco minutinhos antes de ir até ela – prometo, caindo em um sono profundo, sem sonhos ou pesadelos (ao menos que lembre). Nada além do escuro e relaxante mundo de Morpheus.
Acordo sentindo um perfume suave e familiar ao mesmo tempo que uma mão delicada toca meu rosto. Abro os olhos encontrando o par castanho me observando atentamente, a expressão tensa relaxando a ponto de trazer um sorriso tímido aos lábios doces.
—Como está se sent... – corto-a, levando uma mão a sua nuca, puxando-a para um beijo que começa casto, mas evolui rapidamente tornando-se exigente, no entanto, sou obrigado a cessa-lo primeiro pela dor em meus lábios ao pressionar mais forte os seus lembrando-me não apenas de minha condição mas a dela também. Ambos estávamos nos recuperando e sexo não era em absoluto indicado. Segundo, pelo toque da campainha.
—Desculpe-me – peço libertando-a, ofegante.
—Tudo bem – diz, igualmente ofegante, inclinada sobre mim, que permaneço deitado – Como está se sentindo? — formula a pergunta, o rosto corado.
—Como se um caminhão cegonha carregado tivesse me acertado em cheio! – brinco, fazendo-a rir, uma nova rodada de toques me irritando – Melhor ir atender – afirmo, levantando rápido demais, ficando levemente zonzo.
—Não acha melhor ficar deitado? – questiona, me apoiando, mas antes que responda a voz cínica de meu pai ecoa pelo apartamento, paralisando-me por alguns segundos.
— Não acredito que ele veio até aqui! – rosno, caminhando a passos largos para a sala, Sarah a meu lado, vendo-o parado de pé junto ao balcão da cozinha, mãos nos bolsos, enquanto Claire encontrava-se agachada conversando com Marina e Emma.
—Boa noite Connor, como anda muito ocupado ultimamente, resolvi me antecipar e fazer-lhe uma visita – comunica, olhando de mim para Sarah alternadamente.
—Ele disse que era seu pai Connor – Emma se justifica, vindo até mim com expressão de choro.
—Ele é minha querida, não fez nada errado, não se preocupe – tranquilizo-a, afagando sua face e cabeça carinhosamente.
—Boa noite Connor, Sarah – Claire nos cumprimenta abraçada a Marina – Essas bonecas estavam nos contando que vão morar com você por um tempo.
—Vão sim – confirmo, sustentando o olhar que meu pai dirigia-me – Tiveram alguns problemas no antigo apartamento e as trouxe para cá.
—Por quanto tempo? – pergunta ele sem fazer rodeios.
—Pouco – Sarah apressa-se dizer, tensa.
—Na verdade, ainda não definimos isto – corrijo-a, recebendo um olhar intrigado – Não havíamos combinado que Eu o procuraria e não o contrário? – cobro, continuando a encará-lo.
—Como disse a pouco, anda ocupado portanto resolvi poupar seu e meu tempo. Além do mais sua irmã estava preocupada e como ultimamente readquiriu o mau hábito de não atender ao seu celular – justifica, voltando sua atenção para minha irmã – Claire, por que não pede a essas duas mocinhas para mostrar-lhe o quarto onde ficarão enquanto converso com seu irmão e a irmã delas? – sugere, ou melhor ordena, ela dirigindo-lhe um olhar nervoso enquanto me preparo mentalmente para defender-me e principalmente para evitar que fosse desagradável com Sarah.
—Certo, vocês me mostram onde vão ficar? – Claire pede pondo-se de pé, estendendo as mãos para ambas, que aceitam, dirigindo-me um olhar de suplica ao passar por nós.
—Vamos sentar – convido, indicando o sofá, sentando-me ao lado de Sarah deixando a poltrona para meu pai – Então, o que quer pai? – pergunto sem rodeios, segurando-lhe uma mão.
—Nossa, nem sei por onde começar! – ironiza – Desde quando isto entre vocês está acontecendo? Por que aquele policial o atacou? O que ele tem a ver com essa história? E por último, mas não menos importante, esse filho é realmente seu? Porque a julgar pelo exemplo da mãe, não hesitaria em pedir DNA, aliás, exijo que o faça antes de dar meu sobrenome a essa criança – declara calmamente, desabotoando o terno e cruzando as pernas, continuando a nos encarar.
—Deixe-me ver: não lhe diz respeito, não é da sua conta e por último, mas não menos importante – o parafraseio, controlando a raiva – Definitivamente não lhe diz respeito! – decreto, levantando — Agora que respondi suas perguntas, faça o imenso favor de se retirar de minha casa – convido, indicando-lhe a porta.
—Pelo visto onde a mão fracassou, a filha obteve sucesso –comenta, ignorando meu convite – Fez um bom trabalho encantando meu filho, senhorita. Sem dúvida esse rostinho angelical tem seus encantos...Além de certamente ter outros atributos – alfineta, olhando diretamente para ela.
—Já chega! Estou lhe pedindo educadamente para se retirar pai. Não me faça pô-lo para fora a força! – ameaço, fazendo menção de ir até ele, Sarah segurando minha mão, impedindo.
—Conhece minha mãe senhor Rhodes? – pergunta, intrigada.
—O suficiente para questionar os motivos de ter ido para cama com meu filho, senhorita – revela, irônico.
—Está insinuando que estou tentando dar o golpe da barriga, é isto? – interroga e sinto sua mão tremer.
—Não diria isto já que, como certamente deve saber, Connor pediu sua emancipação aos dezessete anos, pouco antes de ir embora, portanto não tem mais nenhum direito sobre minha herança a não ser que eu queira lhe conceder No entanto essa criança, caso seja realmente meu neto, terá – discursa fazendo meu sangue ferver.
—Não quero seu dinheiro senhor Rhodes, muito menos seu sobrenome. No que depender de minha vontade, Meu filho, mesmo sendo um Rhodes, não usara seu precioso sobrenome! – faz questão de dizer com voz embargada.
—Mas não depende – intervenho, ainda mais irritado – É meu filho também e terá sim meu sobrenome – afirmo — E não se preocupe pai, ele não precisara de um centavo seu para nada enquanto eu viver! Agora, vá embora antes que eu perca o pouco de civilidade que ainda tenho, esqueça quem é e o atire porta afora – ameaço novamente, elevando a voz.
—Tão bonito quando o casal fala pela mesma boca! – ironiza, levantando-se (finalmente) – Ah, esqueci: não são um casal – provoca, não me dando chance responder – Avise sua irmã que estou esperando-a no carro, muito embora ache que fará questão de ficar – ordena, encaminhando-se para a saída – Essa conversa não termina aqui. Voltaremos a nos falar, os três, em um outro momento bem antes dessa criança nascer, tenham certeza – alerta, saindo sem esperar resposta.
Durante alguns minutos ficamos em silencio, ela sentada, eu de pé olhando a porta fechada, lutando contra a vontade de ir atrás dele e fazê-lo engolir cada palavra.
—Vou embora – escuto-a e me volto a tempo de vê-la ficar de pé – Não fico nem mais um minuto nesse lugar! – exclama tentando sair mas a impeço.
—Como é? Perdeu o juízo? – acuso, segurando seu pulso com firmeza.
—Perdi no exato momento em que fui pra cama com você! – vocifera, tentando libertar-se, socando meu peito com a mão livre – Me largue, quero ir embora!
—Para onde, posso saber? – questiono, ignorando seu pedido – Seja racional Sarah, não pode sair por ai a ermo arrastando suas irmãs. Além de já ter anoitecido, acaba de sofrer uma ameaça de aborto. Precisa descansar, se recuperar...
—Farei em outro lugar bem longe de você e sua maldita família! – esbraveja, as lágrimas escorrendo por seu rosto – Sabia que seria um erro me envolver com vocês desde o início.
—Ai está seu erro: não está envolvida com minha família, está envolvida comigo – rebato, respirando fundo, controlando-me. Sabia que parte desse surto que a estava acometendo devia-se aos hormônios – Escute-me Sarah, o que meu pai pensa ou diz não me importa. Apenas você e nosso filho importam, nada ou ninguém além de vocês dois – afirmo, enxugando suas lagrimas com o polegar – Minto, tem duas garotinhas adoráveis lá dentro, em companhia de minha irmã, com as quais passei a me preocupar depois que as conheci – corrijo-me, afrouxando o aperto em seu pulso – E te asseguro que a outra parte de minha família que te conhece não pensa como meu pai. Claire está duplamente encantada: com você e com o fato de ganhar um sobrinho – revelo – Desde que soube não parava de me cobrar apresenta-las, sem falar ter-me feito promete não a afastar de vocês. Para ser sincero, estou surpreso por não ter comprado dezenas de presentes para o sobrinho! – revelo, conseguindo arrancar-lhe um sorriso discreto.
—Hã...Na verdade comprei algumas coisinhas! – a voz de Claire anuncia fazendo-nos voltar encontrando-a parada no corredor nos observando – Peço desculpas pelas palavras de nosso pai, Sarah, e também por ter ficado escutando – pede, aproximando-se – Fiquei preocupada quando escutei vozes alteradas e resolvi ver o que se passava. Faço minhas as palavras de meu irmão e posso assegurar que nossas avós pensam o mesmo e antes que reclame Connor, saiba que mantive minha palavra – avisa, me encarando um segundo – Não sei qual o teor da conversar que estavam tendo já que peguei apenas o final, mas peço que repense tanto sua decisão de ir embora quanto sua opinião a nosso respeito. Meu pai pode ser muito duro quando quer.
—Ele não foi duro, foi cruel – a corrijo.
—De onde seu pai conhece minha mãe senhorita Rhodes? – Sarah quer saber.
—Não sei lhe responder e por favor me chame de Claire – pede, sorrindo discretamente – Mas se quiserem posso descobrir – se oferece voltando-se para mim.
—Não tenho o menor interesse nesse assunto – asseguro.
—Mas eu sim – Sarah rebate me encarando – Seu pai me acusou de estar dando um golpe em sua família e insinuou que minha mãe havia tentado fazer o mesmo. Quero saber porque insinuou isso.
—Papai disse isso? – Claire pergunta, surpreendendo-se com nossa confirmação – Estranho – comenta, enrugando o cenho intrigada.
—Repito o que disse a pouco, esse assunto não me interessa, mas entendo que queira saber o que houve, contanto que não atribua a mim as palavras dele. Não tenho dúvidas sobre minha paternidade e nada do que ele diga vai mudar isto – asseguro, minha atenção sendo chamada pelas duas pequenas figuras que surgem no corredor – Elas ouviram alguma coisa? – pergunto em voz baixa indicando as meninas com um gesto de cabeça.
—Não. Pedi que ficassem brincando no quarto enquanto vinha saber se já podíamos vir. Reclamaram de fome – Claire alerta.
—Ainda não comeram? – pergunto, chamando-as com um gesto de mão.
—Elas queriam esperar por você, por isso fui chama-lo – Sarah explica enquanto enxuga o rosto com o dorso da mão.
—Podemos comer agora? – Emma questiona quando me agacho a frente delas.
—Podemos sim princesa – digo, envolvendo-as pela cintura, uma de cada lado – Estão com fome? – pergunto, elas acenando afirmativamente – Eu também. Que tal lavarmos nossas mãos para jantarmos?! – convido.
—Ehhh!!! – anuem batendo palmas – Fizemos sobremesa pra você – Emma avisa sorridente – A Sarah também ajudou – completa me fazendo rir com vontade em muitas horas.
—Nesse caso acho que vou pular direto para a sobremesa – brinco, levantando – Fica conosco Claire?
—Se não se importarem – minha irmã declara.
—De jeito nenhum. As intrusas aqui somos nós – Sarah comenta.
—Não são intrusas Sarah, são minhas convidadas – corrijo seguindo para a cozinha, as quatro a meu lado, erguendo primeiro Emma e depois Marina ajudando-as a lavarem as mãos – Sentem-se enquanto pego a louça – peço, as duas atendendo – O que fez? – pergunto curioso, o cheiro vindo das panelas aguçando meu apetite.
—Creme de legumes e reaproveitei uma lasanha que tinha em sua geladeira – informa, ajudando as irmãs a sentarem – Também fiz algumas torradas, suco e café – completa.
—O cheiro está muito bom – Claire comenta pondo seu celular de lado – Avisei papai que vou jantar com vocês – avisa, sentando-se enquanto sirvo.
—Lasanha ou creme? – pergunto.
—Creme para começar – pede minha irmã, agradecendo.
—Sarah? — questiono.
—Creme mas pode deixar que me sirvo – declara.
—Não, deixe comigo. Já estou com a mão na massa mesmo – declaro, servindo-a – Meninas, o que vão querer?
—Lasanha!!! – respondem juntas e sorrio.
—Ok, lasanha para as duas senhoritas – digo, servindo uma depois a outra para só depois me servir.
Durante a refeição evitamos assuntos desagradáveis principalmente por causa das meninas. Ao final, Sarah serve a sobremesa preparada por elas: bananas carameladas.
—Estava gostoso Connor? – Emma pergunta me entregando seu prato e o de Marina, ansiosa.
—Deliciosa boneca – garanto, sincero – Tanto que merecem uma recompensa – digo, fechando a lava louças após colocar o ultimo prato – Qual sabor preferem: chocolate ou morango? – pergunto abrindo o freezer.
—De que, sorvete? – Emma pergunta, abrindo um largo sorriso quando confirmo – Morango por favor – pede.
—Também quero morango – Marina pede.
—Dois sorvetes de morango saindo – anuncio entregando-lhes os copinhos com sorvete – Sarah e Claire, o que vão querer? – pergunto entregando as colheres as meninas.
—Morango – respondem juntas.
—Sério que o único a querer chocolate sou eu? – pergunto admirado, entregando-lhes os potinhos, pegando o meu – O que acham de assistirem desenhos enquanto tomam seu sorvete meninas? – convido.
—Sim!!! – vibram, não esperando novo convite, correndo, atirando-se sobre o tapete.
—Tomem cuidado para não sujar nada – Sarah adverte.
—Vamos para a varanda, precisamos conversar – chamo após ligar a televisão deixando-as assistindo um canal infantil.
—Menina ou menino? – Claire pergunta assim que nos acomodamos.
—Menino – Sarah informa fazendo minha irmã sorrir convencida – O que foi? – quer saber, intrigada.
—Nada, só a escrita sendo mantida – minha irmã responde, misteriosa.
—O que Claire quer dizer é que nas ultimas gerações os primogênitos na família têm sido meninos – esclareço, ela soltando um “Ahhh” distraído – Sarah – começo a dizer me calando em seguida, escolhendo as palavras certas. Assim espero – Estive pensando....Acho melhor que fiquem comigo pelo menos até o bebê nascer – falo, prosseguindo sem lhe dar chance falar – A ideia já tinha me ocorrido antes do que aconteceu. Seria bom para nós dois: você ficaria livre do aluguel e eu poderia acompanhar sua gravidez mais de perto.
—Desculpa, mas não acho uma boa ideia – afirma me deixando tenso – Não vou me opor que me acompanhe nas consultas muito menos impedi-lo de vê-lo quando nascer, mas isto de morarmos juntos é temporário. Assim que encontrar um apartamento que possa pagar vamos embora.
—Este é outro assunto que gostaria de falar. O que aconteceu exatamente? – pergunto.
—Aconteceu que paguei todos os meses que ela diz estarem em atraso ao marido, só que ele nega e como alegou estar sem recibos na época e eu cometi a burrice de não cobrar-lhe, agora não tenho como provar nada, foi isso que aconteceu – desabafa, sufocando o choro.
—Que cafajeste!! – Claire xinga – Deve haver alguma coisa que possamos fazer Connor. Não é justo que esses dois saiam impunes.
—Não precisa, essa briga não é de vocês – Sarah diz, enxugando uma lágrima teimosa.
—Não era, passou a ser – rebato, pensativo – Tenho um amigo advogado. Não sei se é a especialidade dele, mas vou entrar em contato na segunda e ver se pode nos ajudar – declaro, retomando o assunto casa – Quanto a morar comigo, peço que repense com calma. Está no quarto mês, tem toda a situação com a mudança de bolsa, precisara se concentrar para adiantar tudo que conseguir antes do bebê nascer e ainda precisa encontrar tempo para descansar, sem contar suas irmãs. Imagino como tudo isto pode estar mexendo com elas. Se começar a correr atrás de apartamento irá se expor a um estresse desnecessário. Mesmo que seus amigos te ajudem acredito que a última palavra será sua, ou não? – argumento.
—Sim mas...
—Vamos fazer um trato ok: vocês ficam comigo até nosso filho nascer. Depois eu mesmo te ajudo a encontrar um bom apartamento para você, que me diz? – negocio, encarando-a.
Durante minutos que mais pareceram horas, Sarah se mantém num silencio pensativo, parecendo travar uma batalha intima.
—Tudo bem, eu aceito – declara finalmente.
—Maravilha!! – Claire exclama, batendo palmas entusiasmada – Agora que decidiram, podemos começar a reforma!
—Que reforma? – Sarah e eu perguntamos ao mesmo tempo, surpresos.
—No quarto de hospedes evidente – esclarece, continuando animada – Temos que abrir espaço para o berço e a cômoda do bebê, pôr camas para as meninas – enumera, os olhos brilhando – Ah, e ainda tem a banheira com o trocador, a caixinha para os objetos de higiene como sabonetes, perfumes, escovas, conheço uma pessoa que faz coisas lindas, vou ligar para ela e encomendar a caixinha, o enfeite para a porta, as lembrancinhas, já pensaram em um nome? Precisam começar a pensar para...
—Claire, pare, está assustando-a – ralho, observando a expressão de Sarah...E me assustando também! — penso mas não verbalizo.
—Me desculpa, mas é meu primeiro sobrinho! Estou muito animada, não nego – assume, respirando fundo – Certo, reconheço que exagerei, mas a reforma é necessária Connor. Sarah não pode continuar dormindo na mesma cama que as meninas, é perigoso. E se uma delas chuta a barriga durante a noite? Além do mais irá precisar de espaço à medida em que começar a crescer.
—Não quero que altere nada aqui, não quero bagunçar sua casa – pede ela, visivelmente sem graça.
—Não há problema, o que for alterado me servira no futuro – tranquilizo-a -Claire está certa. Dentro em pouco não poderá mais dormir com elas – anuo, segurando sua mão – Relaxe Sarah, precisamos fazer os preparativos para a chegada do bebê, e se tiver que bagunçar as coisas um pouco, ou muito, tanto faz, por aqui, não será em absoluto motivo de desagrado para mim, muito pelo contrário– garanto, levando sua mão aos lábios, beijando-a.
—Então posso cuidar da reforma? Tenho carta branca? – Claire pergunta.
—De jeito nenhum! – exclamo – Pode alterar o que precisa mas nada de carta branca pra você. Tudo terá que ser aprovado por Sarah antes de ser feito – aviso.
—Por mim? – pergunta surpresa.
—Por você e por essas duas bonecas! – acrescento ao vê-las se aproximando – Querem mais sorvete?
—Uhum., mas o que temos que aprovar? – Emma pergunta pondo uma mecha de cabelo por detrás da orelha, ficando mais parecida com a irmã.
—As reformas que farei no quarto onde estão – Claire se adianta – Depois quero que façam uma lista do que gostam e deixem com o Connor. Agora vou indo, não quero atrapalhar o descanso de vocês – avisa, levantando.
—Levo você em casa – me ofereço.
—Nem pensar! Precisa descansar tanto quanto Sarah. Não se preocupe comigo, peço um Uber – diz, pegando sua bolsa – Quem me dá um abraço?
—Eu!! – dizem juntas mais uma vez, pendurando-se em minha irmã.
—Ai que abraço gostoso, nunca mais quero sair daqui !!– Claire declara, soltando- se aos poucos – Connor, será que posso vir almoçar com vocês amanhã? Assim adianto as coisas com Sarah e na segunda mando meu pessoal para cá – pede.
—Se ela não se importar – condiciono.
—Tudo bem – concorda, sorrindo timidamente.
—Então até amanhã, e mais uma vez desculpa as palavras de nosso pai – reitera minha irmã, despedindo-se– Me leva até o elevador Connor – pede e levanto, seguindo-a – Ela me parece uma boa garota. Não a deixe escapar – recomenda enquanto caminhamos pelo corredor de braços dados, aproveitando quando paramos de frente ao elevador para solicitar o Uber – Prontinho, em dez minutos estará aqui. Até amanhã maninho – despede-se me dando um beijo na bochecha antes de entrar.
—Fique na portaria até o carro chegar – recomendo, acenando antes que as portas fechassem.
Retorno ao apartamento encontrando Sarah e as meninas sentadas no sofá assistindo desenhos.
—Vem sentar com a gente Connor – Emma convida.
Durante a meia hora seguinte me permito relaxar, rindo com as três enquanto assistimos desenhos variados como pica pau, meninas superpoderosas entre outros. Por volta das dez horas, preparo um lanche para nós enquanto Sarah as prepara para dormir. Entrego a bandeja no quarto aproveitando para desejar-lhes boa noite.
—Boa noite Connor, durma bem – Emma deseja, bocejando enquanto Marina mal consegue manter os olhos abertos.
—Estão cansadas – Sarah explica.
—Todos estamos – afirmo, massageando meu pescoço – Boa noite Sarah. Se precisar de qualquer coisa não hesite me chamar – peço.
—Digo o mesmo. Boa noite – retribui, acrescentando antes que saísse – Connor, mais uma vez obrigada – agradece sorrindo de maneira doce, beijando meu rosto, o gesto provocando a sensação de borboletas voando em meu estomago. Me limito a sorrir de volta, acenando afirmativamente, aguardando-a fechar a porta para só então ir para meu quarto, sorrindo feito bobo.
“....I like us when we’re unpredictable;
Cause that’s why love is so fenomenal;
It’s better when there’s no one in control;
We don’t know wich we’re unprecditable;
And that’s why love is so fenomenal;
It’s harder when there’s no one in control;
We don’t know wicgh way it’s gonna go...”
Unpredctibale
Olly Murs feat. Louisa Johnson
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