Love Hurts!

10 Como treinar o futuro papai! (I)


Notas iniciais
Olá flores, voltei. Adiantando postagem para começar a reorganizar as datas de todas as fics a começar por aqui. Como o titulo bem diz, Connor começando seu treinamento para quando o pequeno chegar. Grata por todas as rewiews passadas...More rewiews, pleaseee...Boa leitura...Bjinhos flores. P.S: não consegui pensar em nenhuma música adequada portanto.

Apartamento Connor (Sábado – 25/2, três semanas depois, 06:45 a.m)

Connor

—Connor, acorde! – o sussurro junto ao ouvido me faz sorrir sem abrir os olhos, a imagem de anjos com cabelos cacheados se formando minha mente – Connor precisa acordar, eles chegaram, já estão subindo e logo estarão aqui em cima – a mesma vozinha doce sussurra e abraço o travesseiro sorrindo mais.

—Ele não acorda!? – uma segunda voz mais ainda doce pergunta ao mesmo tempo em que sinto meu colchão ceder – Não vai acorda!? – repete e sinto meu rosto ser acariciado por duas mãozinhas pequenas – Conno!

—É Connor, Mama, com ere no final – corrige a primeira voz, meu colchão cedendo outra vez– E acho que não vai acordar até eles chegarem aqui em cima – repete.

—Fazer o que? – questiona a segunda.

—Não sei – responde a primeira – Ligar pra Sarah, acho – a menção do nome dela me faz abrir os olhos encontrando um par castanho e esperto me observando atentamente, as maçãs do rosto vermelhas como se acabasse de correr.

—Oi! – diz, sorridente, o rostinho de frente para o meu, as mãos ainda me acariciando – Acordô Emma – diz e imediatamente outro rosto surge a minha frente ao mesmo tempo em que sinto o peso em minhas costas.

—Bom dia Connor, está bem? – pergunta levando uma mão a minha testa – Não tá com febre – decreta me fazendo rir.

—Não estou não – afirmo, fazendo-as rir mais abertamente – Bom dia bonecas!

—Bom dia! – respondem juntas – O rapaz lá da portaria ligou dizendo que Claire está subindo com os homens para trabalhar no quarto – avisa no exato momento em que meu celular começa toca – Pego pra você – Emma se oferece, saltando da cama rapidamente, correndo até o móvel junto à porta do banheiro, pegando o aparelho – É ela – avisa mostrando o visor, retornando para a cama, subindo novamente, sentando encostada a cabeceira após me entregá-lo, Marina indo juntar-se a ela.

—Obrigado meu bem – agradeço girando o corpo, me deitando de barriga para cima tendo o cuidado de me cobrir da cintura para baixo evitando perguntas curiosas como as que precisei responder na primeira manhã que acordáramos juntos – Oi Claire, bom dia – desejo, não conseguindo disfarçar um bocejo.

< Não me diga que acordou agora? > pergunta em tom de exagerada suplica.

—Não digo, se é o que deseja – respondo, piscando para as meninas, que riem divertidas.

< Sério Connor, me diz que já está de pé e pronto para sair com Emma e Marina conforme havíamos combinado por telefone ontem à noite! > pede quase implorando.

—Sair com as meninas? Por quê? Pra que? – questiono, estreitando os olhos, confuso.

—Porque ela veio para terminar a reforma e quer fazer uma surpresa pra gente – Emma se adianta explicar, ela e Marina ficando de joelhos sobre o colchão, “dançando” – Termina hoje, termina hoje! – comemoram.

< Lembrou !? > Claire interroga, a voz soando divertida.

—Sendo honesto, não – admito, tentando recordar o que havíamos conversado ontem.

Fazia três semanas que Sarah e as meninas mudaram para cá. E duas que minha irmã iniciara a reforma em meu quarto de hospedes para acomodá-las melhor bem como prepara-lo para a chegada do bebê.

O berço, uma cômoda que acomodaria as roupinhas, uma banheira com trocador acoplado, duas camas para as que as meninas passassem a dormir separado de Sarah além da cama para a própria eram as coisas que pretendia acomodar lá dentro. Só não imagino como mesmo o quarto sendo bastante grande. Detalhe: apenas as camas de Sarah (a atual seria doada) e das meninas haviam sido compradas por ela após saber o que as duas queriam.

Prometera não atrapalhar nossa rotina nem demorar muito tempo. A segunda parte iria cumprir já que, pelo que estava entendendo, chegara com a equipe para finalizar o serviço. Quanto a primeira...

< Connor, está me escutando? > Claire questiona, impacientando-se.

—Fale – ordeno, abrindo a boca para receber o biscoito que Marina oferecia.

< Estou no corredor da área de serviço de seu apartamento, com meu pessoal, aguardando que as tire de casa para que possam finalizar a reforma enquanto eu preparo as coisas para o chá de bebê surpresa da Sarah > explica pausadamente como se estivesse falando com uma criança.

—Ah, isso – digo, tentando lembrar se concordara com mais essa ideia dela – Claire, tem certeza de que é realmente uma boa fazer esse tal chá de bebê sem consultar Sarah? Acho que ela não irá gostar muito não – argumento, aceitando mais um biscoito.

< Vai sim e não são hora nem momento de questionar o que decidimos dias atrás! > reclama.

—Decidimos? Nós dois? – questiono escutando-a bufar – Ok, me dê vinte minutos e sairei com as meninas – peço, minha careta, fazendo-as rir novamente.

< Tem dez! Já me atrasou demais. O que ainda faz na cama a esta hora? > pergunta e reviro os olhos.

—Descansando Claire, sabe o que é isto não sabe? – rebato, sinalizando para as meninas descerem, sentando na beirada – É meu primeiro final de semana de folga em quase um mês. Gostaria de poder dormir um pouco se não se importa – resmungo, levantando.

< Terá o domingo inteiro para descansar. Agora levante-se, troque de roupa, vista as meninas e rua! E trate de só voltar quando eu ligar dizendo que pode > ordena.

—Espera, o que vou fazer com elas o dia inteiro? – questiono, conduzindo-as ao banheiro.

< Irá pensar em algo, tenho certeza. É um homem inteligente, competente...>

—Que não faz a mínima ideia do que fazer com duas garotinhas que possa mantê-las ocupadas durante um dia inteiro! – exclamo em tom baixo, ligeiramente apavorado.

< Pensará em algo, já disse. Aliás, é uma boa chance de treinar não acha, papai!! > brinca, desligando antes que pudesse contestar.

_Eu mereço! – bufo, olhando a tela escura, suspirando.

—Vamos sair mesmo? – Emma pergunta, inclinando a cabeça para ver meu rosto – Aonde vamos? – quer saber.

—Boa pergunta pequena – digo, olhando a volta, pondo o celular na cômoda – Marina? – chamo – Cadê sua irmã? – questiono, assustando-me quando a sinto agarrar minhas pernas.

—Aquiiii! – exclama, rindo alto quando a seguro, erguendo-a no ar o mais alto que consigo.

—Então queria me assustar não é coelhinha!!? – indago, abaixando e subindo-a outra vez, fazendo-a gargalhar gostoso – Danadinha!

—Podemos ir ao Navy Pier? – Emma pergunta, sentando no chão com as pernas cruzadas, me encarando séria – Nunca fomos lá. Sarah nunca tinha tempo e não queríamos ir com Jay e Erin.

—Pode ser – pondero tentando lembrar se o museu do Navy estaria aberto pois se encontrava em reforma – Mas para irmos a qualquer lugar precisamos nos arrumar e comermos– argumento.

—Sarah deixou o café da manhã pronto antes de sair – Emma informa, levantando-se – Posso tomar banho sozinha, Marina que precisa de ajuda – lembra.

—Certo. Escolha, por favor, sua roupa e a dela antes de fazê-lo, ok? Deixe a de Marina sobre a cama e pode ir tomar banho no outro banheiro boneca – peço, vestindo um short por cima do calção do pijama, pondo Marina sobre um ombro (ela amava quando fazia isto), entrando no banheiro – Por favor, algo que eu saiba vestir Emma – peço, lembrando o verdadeiro baile que tomei de um bendito macacão três dias atrás.

—Certo — concorda indo até o guarda roupa, abrindo-o enquanto ponho Marina de pé sobre o balcão da pia, despindo-a, entrando no boxe começando a banha-la.

Por conta da reforma, a cama na qual dormiam com Sarah precisou ser posta em meu quarto nos obrigando a dividir o mesmo ambiente durante as noites, o que estava me causando certos transtornos, não nego.

Além de ter que me controlar por ter Sarah tão perto (a desejava cada vez mais e vê-la todas as noites nas últimas duas semanas em trajes mínimos sem poder tocá-la estava me levando a loucura!), também precisava ter cuidado ao acordar por conta das meninas (não dá para explicar para duas garotinhas o que é uma ereção matinal!!), sem contar a infinidade de vezes que acordava, especialmente durante os primeiros dias, quando ela ia ao banheiro (grávidas fazem muito isso, descobri). Acordar nem era a parte mais incômoda. Ruim era vê-la, linda, a silhueta revelada pela luz do aposento, e mais uma vez não poder tocá-la, beijá-la, trazê-la para minha cama e fazer amor até cansarmos sob pena de acordar as meninas... E ter que explicar coisas ainda mais complicadas!

Nunca fui nenhum monge celibatário, mas também não precisava de sexo diariamente de forma desesperada. No entanto, estava sentindo demais a falta dela. Tanto que certa noite cheguei a pedir-lhe que deitasse comigo, não para transar, apenas ficar ao meu lado para que pudesse abraçá-la, sentir seu corpo junto do meu (se iria cumprir o prometido quando a tivesse em meus braços era outra história). Ela até me atendeu, vindo deitar-se em minha cama, mas no momento em que me deitava a seu lado, um braço em sua cintura, Marina acordara pedindo água e depois atenção, aconchegando-se a irmã de tal forma que seria impossível para ela sair do abraço de urso da pequena sem acordá-la. Sarah murmurara um pedido de desculpas sorrindo fracamente antes de deitar-se entre as irmãs. Passei o restante daquela noite em claro!

—Pronto Connor. Deixei as roupas de Marina sobre a cama. Agora vou tomar meu banho – Emma avisa, pegando roupão, toalha e as próprias roupas.

—Obrigado boneca. Quando estiver pronta pode ir tomar seu café da manhã. Assim que aprontar Marina a levo para fazer o mesmo – aviso, ela acenando positivamente antes de sair – Vamos terminar esse banho coelhinha? – digo, ligando a ducha novamente, retirando o shampoo e o sabonete.

—Creme – pede, indicando o frasco sobre a tampa do bidê e me estico, pegando-o – Eu ponho – diz, abrindo a mãozinha.

—Ok, mas deixe-me ajuda-la — concordo, apoiando sua mão sobre a minha para não desperdiçar o creme condicionador.

Despejo uma quantidade pequena, fecho o frasco pondo-o no chão, ajudo-a a espalhar pelo cabelo a começar pela raiz (conforme Sarah me ensinara), massageando junto com ela enquanto cantarola uma música de algum desenho ou comercial, não sei. Ligo a ducha retirando o excesso de creme, desligando-a em seguida, puxando a toalha que deixara pendurada na porta do boxe, enxugando o cabelo antes de envolvê-la com a mesma, pondo-a nos braços, levando-a até a cama.

—Agora fique quietinha para que possamos terminar rápido e ir comer – peço, enxugando-a antes de fazer com que deitasse sobre o colchão.

Quando estava de bom humor, como hoje, Marina não dava trabalho para a vestirmos. Mas quando estava brava ou a fim de brincar, dava tanto trabalho que chegava a irritar. Esses momentos eram verdadeiros testes de paciência para alguém como eu, sem nenhum costume em lidar com crianças pequenas no dia a dia. Tive que aprender na marra já que Sarah não fora liberada para carregar peso ou esforçar-se excessivamente nos primeiros dias após terem vindo morar comigo.

Aliás, se qualquer de suas obstetras, Caitlin ou Grant, tivessem desconfiado de meus pensamentos nada puritanos em relação a ela, certamente teria sido castrado quimicamente (ou fisicamente!). Grant havia me “enquadrado” já na segunda-feira após aquele final de semana, nos conduzindo a sua sala mal pisáramos no Med para termos uma “conversinha particular!”

**** Flashback on ****

Sala Carrie Grant (segunda-feira, 6/2 – 06:35 a.m)

Connor

—Primeiramente, como está Sarah? Alguma dor? – Carrie Grant, obstetra que cuidara de Sarah na sexta questiona assim que sentamos a sua frente no consultório.

—Estou bem doutora Grant. Não senti nenhuma dor durante todo o final de semana. Apenas algum desconforto abdominal – comunica ela, alisando a bata branca que Claire lhe presenteara quando fora almoçar conosco ontem.

—Bom, muito bom – diz, sorrindo discretamente – Falei com Caitlin antes de vir para o hospital. Discutimos qual o melhor tratamento neste momento já que, pelo visto, parar de trabalhar por uns dias está fora de cogitação – avisa, não dando chances a ela dizer nada – Pra começar, nada de pegar peso seja ele leve ou não. Nada, zero de peso. Isso inclui suas irmãs menores – alerta, prosseguindo – Também nada de dobrar turnos pelo menos nas próximas duas semanas, nem ficar muitas horas de pé. Procure sentar-se e descansar pernas e coluna sempre que possível. Nada de pular refeições também. Precisamos corrigir essa anemia o mais rápido possível, o que me lembra – ergue um dedo, girando a cadeira para remexer no armário a suas costas. Aproveito para olhar Sarah, vendo a expressão contrafeita em seu rosto. Instintivamente ponho minha mão sobre a sua, apertando-a, fazendo-a olhar para mim – Recebi essa amostra aqui e vou te passar. É seguro para gestantes – fala, chamando nossa atenção para si outra vez – Outra coisa, quero fazer um novo ultrassom agora, antes que comece seu turno para me certificar que está tudo bem mesmo com seu bebê – avisa, silenciando um segundo – Acho que não esqueci nada – pondera – Não, esqueci sim – corrige-se, olhando diretamente para mim – Soube que estão morando juntos, é verdade?

—Sim – respondo.

—Pelo menos até o bebê nascer – Sarah apressasse em dizer e faço uma careta não escondendo que a correção me desagradara.

—Na verdade – Grant começa dizer, entrelaçando os dedos, mãos apoiadas na borda da mesa – O que estou querendo saber é se estão Juntos – frisa fazendo-nos enrugar o cenho – Certo, gostaria de ser tão desinibida para falar sobre isto com casais que não são casais quanto Caitlin é, mas não sou – tagarela, respirando fundo antes de voltar a falar – A doutora Harris achou importante me informar que procurou saber até quando é possível fazer sexo durante a gravidez, Sarah, se é seguro para o bebê etc e tal. Assino embaixo a tudo que ela lhe explicou e por isso mesmo preciso saber se estão transando ou apenas morando sob o mesmo teto – explica.

—Ah, isso – deixo escapar.

—Apenas dividindo o mesmo teto – Sarah adianta-se novamente, me causando novo desconforto.

—Até o bebê nascer, correto? – repete, olhando-nos alternadamente.

—Uhum – respondemos em uníssono.

—Mas pretendem, suponho, pela reação de doutor Rhodes ante a afirmação anterior feita pela doutora Reese – fala, me deixando completamente sem graça pela primeira vez em anos – Vejam bem – retoma sem nos dar chance falar – Não me interessa o que pretendem fazer entre quatro paredes desde que o façam apenas, e somente apenas – enfatiza, me encarando por sob os óculos grossos – Quando Sarah estiver completamente liberada para atividades de alto impacto inclusive e principalmente sexo, portanto meu caro, trate de controlar seus impulsos se não quiser ter duas obstetras muitíssimos bravas em seu calcanhar caso ponha em risco a vida de seu filho e o bem estar da mãe dele, entendeu? – ameaça apontando o dedo em meu nariz.

—Alto e claro! – digo, sentindo-me prensado contra a cadeira, vendo, pelo canto do olho, Sarah baixar a cabeça, uma mão sobre a boca disfarçando o riso — O mesmo vale pra ela não é? – não resisto provocá-la, recendo um olhar furioso em resposta.

—Vale, porém mães são bem mais equilibradas e sensatas neste quesito – afirma, levantando-se — Vamos a ultra som – convida.

—Bem feito para você – Sarah sussurra em meu ouvido quando estou levantando – E dê-se por feliz que não contei sobre o beijo no sábado à noite – lembra, deixando um beijo junto a minha orelha causando um arrepio, seguindo Grant sem me esperar.

—Ethan, juro que vou te bater quando nos encontrarmos! – rosno baixinho, terminando de levantar, seguindo-as.

**** Flasback Off ****

—Conno, faz trança – a voz de Marina me traz de volta.

Sacudo a cabeça espantando as lembranças, olhando o rosto da garotinha de pé sobre o colchão, a minha frente.

—O que disse coelhinha? – pergunto, terminando de fechar a jardineira florida que Emma escolhera.

—Trança, quero trança no cabelo – repete, enrolando o dedo em uma mecha.

—Trança...Ok – repito, fazendo-a sentar a fim de pôr os sapatos em seus pés – Uma trança? – cometo a besteira de perguntar.

—Duas! – responde rápido, balançando o corpo para frente e para trás, indicando que começava a impacientar-se.

—Certo, duas, mas precisa ficar quietinha, porque senão não conseguirei fazer…Não conseguira mesmo que ela fique tão imóvel quanto uma estátua, reconheça! – minha consciência ironiza– O que são duas tranças perto de uma cirurgia com o coração aberto? – menosprezo em resposta, indo até a cômoda, voltando com creme de pentear, escova de cabelo e dois elásticos coloridos – Ok, vamos lá – digo, despejando um pouco do creme em minhas mãos, esfregando uma na outra (conforme vira Sarah fazer algumas vezes) antes de espalhar por todo o cabelo cacheado de Marina, tão parecido com o de Sarah. Aliás, quem não as conhecia e as via juntas jurava serem mãe e filha tamanha semelhança. As três eram muito parecidas pra ser sincero. A diferença era que Emma tinha cabelos negros e olhos esverdeados – Sério que está levando uma surra de novo Connor? – resmungo, desfazendo o penteado pela terceira vez, olhando o relógio – Daqui a pouco Claire invade o apartamento e me joga para fora sem dó nem piedade! – exclamo, concentrando-me em entrelaçar as mechas mais uma vez, conseguindo algo muito parecido ao que deveria fazer – Ok, agora a outra – respiro fundo, repetindo (mais ou menos!) o processo no lado direito da cabeça dela – Pronto! – decreto ao prender o final com o elástico, arrumando os fios rebeldes da melhor maneira possível – Agora, vamos levar você para comer – digo, erguendo-a e a pondo no chão, segurando sua mão enquanto caminhamos até a cozinha – Emma, já tomou seu café? – pergunto ao ver a menina sentada no sofá assistindo televisão.

—Já – responde fazendo uma careta ao ver o cabelo da irmã.

—Viu como as tranças de Marina estão bonitas? – insinuo, levando um dedo a boca, silenciando seu riso – Venha coelhinha, vou pôr seu café da amanhã – anuncio.

Após servi-la com cereais, um dos sanduíches que Sarah deixara pronto e um pouco de suco, a coloco sentada sob os cuidados de Emma, correndo de volta ao quarto, dobrando os lençóis e arrumando o melhor possível as duas camas, xingando minha irmã diversas vezes em pensamento.

Tomo um banho rápido, vestindo calça jeans e camiseta ao terminar de me enxugar, pegando uma jaqueta para mim e dois casacos para as meninas além de minha carteira e chaves, retornando à cozinha onde me sirvo de café, como os dois últimos sanduíches, o que sobrara do cereal de Marina, um copo de suco e uma maça. Organizo a louça suja na lavadora, ligo-a, ofereço uma maçã as meninas, saindo assim que escuto as batidas impacientes de minha irmã na porta de acesso a cozinha.

—Até mais tarde Claire – grito da porta da sala antes de fechá-la.

—Aonde vamos? – Emma pergunta vestindo o casaco que trouxe para ela enquanto caminhamos pelo corredor até o elevador, parando junto às portas, apertando o botão para chamar o mesmo.

—Primeiro ao Navy ver se o museu está funcionando... O que resolveria minha vida totalmente! – Caso não esteja, veremos o que fazer – digo, me agachando para vestir o casaco em Marina.

—Quero sorvete – avisa ela me encarando séria.

—Então terá sorvete coelhinha – digo, tocando a ponta de seu nariz, levantando quando as portas do elevador abrem, dando de cara com a senhora Brown, mãe de Lívia – Bom dia senhora Brown – cumprimento a mulher, que se limita a me olhar dos pés à cabeça e sorrir (se é que dá pra chamar aquilo de sorriso!), passando por nós, ignorando a presença das meninas.

—Nossa, pensei que ela ia te morder quando levantou o lábio mostrando a gengiva daquele jeito! – Emma solta ao entramos e não consigo conter uma sonora gargalhada que certamente chegara aos ouvidos de minha simpática vizinha.

—Confesso que também pensei – admito.

—Por que ela não gosta da gente Connor? – Emma questiona.

—Não sei te dizer boneca. Acho que ela não gosta de ninguém – digo, fazendo uma careta – Desde que lembro é sempre mal-humorada. Nunca a vi sorrir nem mesmo para a filha – lembro, massageando meu queixo, recordando que não era bem verdade. A vira sorrir uma única vez: quando me flagrou aos beijos com a filha no elevador algum tempo depois que Robin fora embora – Algumas pessoas riem apenas quando estão sendo agradadas ou quando fazemos o que elas querem que façamos.

—Tendi não! – Marina fala apertando o queixo com o dedinho, enrugando a testa.

—Acho que entendi um pouco – Emma afirma, enrugando a testa — É mais ou menos como está acontecendo com tio Jay e Sarah: ele não queria que a gente ficasse na sua casa e por isso está de mau dela – compara.

—Tio Jay não fala mais com a gente? – Marina pergunta, olhando para a irmã.

—Acho que não – responde a garota, dando de ombros.

—Vai falar sim bonecas, com vocês e com sua irmã. Só precisa de um tempo para se acostumar a não ter vocês por perto ou dependendo dele totalmente – explico, respirando fundo.

A verdade era que não tinha certeza do que afirmara. Ao menos não da parte em que dizia respeito a Sarah.

Sabia de fonte fidedigna (Will) que realmente se ressentia por Sarah continuar em meu apartamento e tanto ele quanto os demais sentiam falta delas.

Depois que mudaram, só haviam ido em casa uma única vez, no domingo, levar mais pertences e avisar que haviam alugado um deposito para os móveis que eram dela, entregando-lhe as chaves do local, tranquilizando-a quanto ao aluguel. Passaram a tarde por lá, mas afora este dia não haviam retornado novamente e confesso não entender o porquê.

Não que fossemos amigos íntimos, mas o eram de Sarah e das meninas e sabia que elas estavam sentindo a falta deles, inclusive do Jay.

—Talvez seja esta a razão de estarem se mantendo longe – suponho para mim mesmo, mordendo o lábio, tomando uma decisão: iria procurar o irmão de Will e acertar as coisas entre nós já que após aquela tarde não havíamos nos encontrado novamente. Mesmo quando foi ao Med tomar o depoimento de um jovem baleado que estava sob meus cuidados, evitara encontrar-me. Pelo que sabia Hank Voight também evitava enviá-lo ao hospital – Vou concertar essa merda toda! – deixo escapar um pouco alto demais.

—Não pode dizer esse nome Conno, é feio! – Marina ralha, fazendo cara de zangada.

—Verdade coelhinha, me desculpe – peço, pegando-a nos braços quando as portas do elevador abrem ao chegarmos a garagem – Emma, segure minha mão, não se afaste – ordeno, esticando o braço.

—Não vou sair correndo por ai como a Marina faz, Connor, tenho quase dez anos! –lembra, atendendo meu pedido assim mesmo.

—Eu sei querida, mas todo cuidado é pouco. Mesmo aqui dentro as pessoas costumam sair em velocidade exagerada – alerto e como para ilustrar minhas palavras, um rapaz passa por nós pilotando sua moto em alta velocidade – Viu, era disso que falava – digo, parando ao lado de meu carro, pondo Marina no chão para poder abri-lo.

Acomodo-a na cadeira apropriada (comprara uma logo na segunda-feira após chegarem), ajudo Emma a pôr o cinto depois que se senta no banco ao lado da irmã (mesmo tendo idade para andar no da frente, preferia que fosse atrás), fecho as portas traseiras, abro a do motorista, entro, sento pondo o cinto.

—Partiu Navy Pier? – convido, dando partida no motor, olhando-as pelo retrovisor interno.

—Yes!! – dizem juntas, erguendo os braços.

—Lá vamos nós! – exclamo, manobrando o carro, saindo da garagem rapidamente.

—Música, música, música – Marina pede, batendo palmas, Emma fazendo coro.

Sorrio ligando o aparelho de som, buscando uma estação que tocasse algo que gostassem de ouvir.

—Essa, deixa nessa música ai – pedem ao escutar o refrão de uma balada conhecida e obedeço – “...to all the things I lost on you, oh, oh, tell me are they lost on you?, oh,oh, Just that you could cut me loose, oh, oh, After everything I’ve lost on you, is that lost on you? Oh, oh Is that lost on you, oh,oh, baby is that lost on you? Is that lost on you?” – cantam seguindo o refrão final da música, que termina, outra iniciando, elas seguindo, dançando com os braços.

Meu sorriso aumenta ao ver a alegria das duas e me pego pensando como seria quando um terceiro membro se juntasse a elas: meu filho.

Sinto o celular vibrar em meu bolso. Retiro-o com cuidado, deslizando o polegar na tela, atendendo.

—Espere um segundo Will, vou pôr na viva voz, estou dirigindo – aviso, pondo o aparelho em meu colo quando o faço – Pronto. Bom dia — cumprimento.

< Bom dia Connor, é Natalie. Will está no banho > avisa.

—Ah, oi Nat, tudo bem? – reformulo.

< Tudo. Só queria confirmar com você o horário do chá de bebê pois não estou conseguindo falar com sua irmã > justifica < São Marina e Emma que estou ouvindo cantar? >

—São. Tivemos que sair de casa porque Claire quer fazer surpresa para elas. A deixei em meu apartamento. Vou mandar uma mensagem pedindo que entre em contato com você porque confesso que não sei – admito escutando-a rir.

< Certo. Fico aguardando. Nos vemos mais tarde. Tenha um bom dia > deseja, despedindo-se.

—Você também. Até mais tarde Nat – despeço-me, desligando, seguindo para o Navy Pier.

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Chicago Med (10:45 a.m)

Sarah

Olho meu relógio pela terceira vez consecutiva em menos de vinte minutos. Estava ansiosa, não nego, mas precisava me concentrar.

Era a primeira vez em três semanas que trabalhava no sábado. E a primeira vez que deixava as meninas sozinhas com Connor. Ai residia a maior parte de minha ansiedade.

—Relaxe Sarah, vai ficar tudo bem. Connor é um profissional experiente além de inteligente, vai saber cuidar de duas garotinhas por um dia – ouço April dizer como se lesse meu pensamento.

—Como é que é? Connor ficou de babá de suas irmãs? Mas eu dava tudo pra acompanhar cinco minutinhos desse dia! – doutor Choi diz, rindo, ganhando um beliscão de April.

— Lobo mau ficou pajeando as ovelhinhas? Isso deve ser divertido! – Ava Beker declara apoiando a cabeça nas mãos entrelaçadas, também sorrindo.

—Os dois, parem com isto agora mesmo! – April ralha – Estão deixando Sarah ainda mais nervosa e isso não fara bem a ela.

—Tudo bem April, não me incomodo – digo, respirando fundo mais para me acalmar do que por qualquer outra coisa – E devo reconhecer que Connor sozinho com as meninas é algo estranho de imaginar, ainda mais hoje – afirmo, mordendo meu lábio, insegura, refletindo se não teria sido melhor pagar pelo serviço de creche novamente.

— O que tem hoje? – Dóris pergunta girando rápido na cadeira, ficando de frente para mim com uma expressão no mínimo estranha.

—Por que essa cara de espanto? – pergunto, enrugando o cenho.

—Nada, só não entendi porque doutor Rhodes ter ficado com as meninas hoje seria diferente de qualquer outro dia – justifica-se – Então, o que tem hoje? – insiste.

—Claire vai finalizar a reforma do quarto e pediu para tirarmos as meninas de casa o dia inteiro – explico, suspirando.

—Connor vai ter que passar o dia inteiro fora de casa com as duas? – doutor Choi espanta-se.

—Sim – confirmo.

—Ficou ainda mais interessante! – Beker declara, sorridente.

—Por que? – indago, minha atenção sendo desviada para meu celular, que vibrava com o aviso de mensagem – É a Claire. Connor já saiu com a meninas – leio em voz alta, suspirando mais uma vez, massageando meu pescoço.

—Relaxe Chapeuzinho, tenho certeza que o Lobo Mau vai sair-se bem – Beker diz tentando, do seu jeito, me acalmar.

—Doutora Beker, até quando vai insistir nessa brincadeira de Lobo mau e Chapeuzinho? Não acha que Sarah pode sentir-se ofendida de alguma forma? – April interroga.

—Connor sei que fica irritado – Ethan comenta de cabeça baixa, lendo algo em seu tablet.

—Bem, confesso que este é meu objetivo: irritá-lo – admite minha nova mentora na cirurgia geral – Mas não a você Sara – me surpreende – Estou te ofendendo? – pergunta, me parecendo sincera.

—Honestamente não – respondo, dando de ombros – Desde o começo não me importei para ser sincera. Até porque todos temos nossos dias de Lobo ou Loba má – afirmo, rindo de suas expressões surpresas.

—Ui, essa garota é das minhas! – April exclama, tocando minha mão e sorrio sem graça.

—Por essa eu não esperava – ouço Beker dizer, Ethan rindo discretamente – Quer dizer que Chapeuzinho também veste a pele de Loba má de vez em quando! – exclama, mas antes que tenha a chance de responder, doutor Latham nos chama.

—Doutora Beker, doutora Reese, comigo agora – ordena, nos dando as costas, caminhando para os elevadores.

Trato de espantar os temores da minha cabeça e segui-lo, Beker fazendo o mesmo.

Este era meu primeiro final de semana sob seu comando e não queria decepcioná-lo. Para mim era importante demonstrar que nem os incidentes de três semanas atrás, nem a mudança de mentor, nem meu filho, iriam atrapalhar minha capacidade e competência. Não queria fazer isto por arrogância, mas porque precisava daquela bolsa para poder oferecer o mínimo de bem-estar a minhas irmãs e meu filho pois mesmo sabendo que Connor não lhe deixaria nada faltar, as palavras ditas por seu pai ainda ecoavam em minha mente. Todas elas.

Connor! Ele de novo. Será que não consigo tirá-lo da minha mente um minuto sequer? — suspiro baixinho enquanto subimos ao terceiro anda.

Lá chegando nos dirigimos ao quarto onde a família Miller nos aguardava.

—Bom dia senhor e senhora Miller – doutor Latham cumprimenta – Fui informado de que gostariam de esclarecer algumas dívidas.

—Queremos sim doutor Latham. Para começar porque as duas cirurgias não puderam ser feitas ao mesmo tempo? Nosso filho terá que se submeter a um novo procedimento, ser anestesiado mais uma vez, teremos que enfrentar o mesmo estresse de dois dias atrás – reclama Claude Miller.

—Os procedimentos eram incompatíveis de serem realizados ao mesmo tempo — esclarece sem esclarecer de fato, bem ao seu estilo (já estava começando a entende-lo, se é que isso seja possível!).

—O que doutor Latham quis dizer é que os procedimentos são delicados, demorados e exporia Donald a um tempo excessivo e arriscado de anestésico não sendo recomendado– Beker “traduz”.

—E um novo procedimento não é igualmente arriscado? – questiona a senhora Miller.

—Sim, porém no caso de acontecer algum imprevisto, uma parada por exemplo, nossa preocupação se restringirá a reversão da mesma....

—Ao passo que se estivéssemos operando em conjunto com a equipe do doutor Abrams acresceria a preocupação de uma provável falta de oxigenação no cérebro – Beker e eu explicamos juntas – A melhor decisão foi fazê-las separadamente – garanto.

—E essa cirurgia no coração, qual o tamanho do risco? – quer saber o senhor Miller.

—O risco que toda cirurgia oferece – Latham fala, respirando fundo – Senhor Miller, sei que estão ansiosos e tensos, mas confio plenamente em minha equipe, mais particularmente na capacidade e competência de doutor Rhodes – revela, nos deixando surpresas – Aproveitem o final de semana para relaxarem um pouco. Na segunda, antes da cirurgia, poderão conversar com doutor Rhodes para tirar qualquer dúvida.

—Por que não hoje? – indaga o homem.

—Porque ele está de folga – justifica – Apenas tentem relaxar um pouco – sugere, o casal finalmente parecendo aceitar seus argumentos.

Após mais alguns minutos de conversa, nos retiramos.

—Então confia na competência e capacidade de Rhodes – Ava questiona enquanto caminhamos pelo corredor.

—Sim – responde ele continuando a caminhar.

—E vai dizer-lhe isto quando? – interrogo, curiosa visto que a maioria do hospital achava que havia trazido Ava para “desbancar” Connor.

—Já disse. Se não entendeu, sinto muito – afirma tranquilo — Há mais um paciente que precisamos ver. Venham – declara, encerrando o assunto.

—Ok – dizemos juntas, seguindo-o após trocarmos um olhar, rindo divertidas.

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Chicago Children’s Museum

Navy Pier (11:49 a.m)

Connor

Atenção senhoras e senhores, estaremos fechando toda a área de recreação em dez minutos. Agradecemos sua compreensão’ — a voz no alto falante anuncia, para meu desespero.

Quando chegamos, descobri que só parte da área do museu estava liberada, mas seria fechada ao meio dia ficando apenas a área de alimentação e as atrações externas disponíveis.

—Tô com fome – Marina reclama, limpando as mãos na roupa, aumentando a sujeira.

—Ok, vamos procurar um lugar legal para comermos – digo, fazendo uma careta ao ver as roupas e mãos de ambas – Mas antes temos que nos limpar. Venham, vamos até o banheiro — chamo, segurando uma mão de cada.

— Podemos comer hambúrguer? – Emma pergunta, Marina saltitando de alegria.

—De jeito nenhum! Já basta a bronca que sua irmã vai me dar por ter deixado que comessem tanta porcaria – retruco, – Vamos procurar um lugar que sirva comida de verdade e saudável – afirmo, entrando na área de alimentação com as duas.

Olho o mapa do local verificando quais restaurantes existiam no lugar (fazia anos que não vinha ali). Escolho o self servisse, buscando os banheiros a seguir a fim de fazer o que dissera anteriormente. Descobri ser uma tarefa tão complicada quanto fazer uma trança!

Não podia entrar com elas no banheiro masculino nem no feminino pelas mesmas razoes: elas ficariam deslocadas em um e eu no outro (sem falar que poderia arranjar uma baita confusão para mim).

Por conta disto, me encontrava a cinco longos minutos parado no corredor entre as duas opções pensando em uma maneira de resolver a questão.

—Tô com fome! – Marina repete – E quero fazer pipi – acrescenta, apertando a barriga.

—Também tô com fome e quero ir ao sanitário – Emma diz, suspirando.

—Ok...Acha que pode lidar com sua irmã sozinha? – questiono voltando-me para Emma – Não posso entrar no banheiro feminino com vocês, é proibido – explico.

—Então vamos no de meninos – simplifica, abrindo os braços.

—Quem dera ser tão simples assim! – sussurro, olhando de lado – Moça, poderia me ajudar? – pergunto a uma jovem com uniforme de algum restaurante que passava por perto.

—Pois não – prontifica-se, sorridente.

—Poderia acompanhar essas duas mocinhas ao banheiro para que usem o sanitário e depois se limpem um pouco antes de almoçar? – peço, sorrindo de volta.

—Claro – anui, estendendo as mãos para as meninas, que hesitam.

—Estarei aqui fora o tempo todo....

—Ela pode nos tirar por outra porta e não vai saber – Emma me corta apertando minha mão com força, desconfiada – E Sarah sempre diz para não irmos com estranhos! – exclama, Marina escondendo-se atrás de minhas pernas.

—Tenho que dar razão as duas, embora não pretenda fazer isto – a garota anui mantendo o sorriso – Façamos o seguinte: fico na porta enquanto entra com elas – se oferece fazendo-me refletir um segundo.

—Conno, xixi!! – Marina apressa-me.

—Ok, ok. Não vou demorar senhorita – prometo, a jovem acenando afirmativamente.

Lá dentro, ajudo Marina enquanto Emma vai ao sanitário. Sorrio ao observá-la, após ter saído do boxe, tentando limpar uma mancha de chocolate do bolso de seu macaquinho, desistindo, arrumando o cabelo.

—Pronto – Marina chama minha atenção e me agacho, limpando-a e vestindo a jardineira novamente, pegando-a no colo em seguida.

Ponho-a de pé sobre o balcão usando água e sabonete líquido para limpar seu rosto, mãos e braços, enxugando com papel toalha, tentando, como Emma fizera, limpar algumas manchas de roupa, desistindo ao ver que só piorava, pondo-a no chão junto a irmã.

—Fiquem aqui no canto um momento. Agora sou eu quem preciso ir ao sanitário – digo, as duas tapando a boca com as mãos, rindo – Também tenho vontade de fazer xixi! – brinco, entrando em um boxe.

Levanto a tampa da privada por completo, cubro as bordas com um pouco de papel (para o caso de respingar), e me alivio.

—Nossa, não tinha notado o quanto estava apertado – murmuro, terminando de urinar, vestindo a calça, apertando a descarga – Todo mundo limpo e aliviado? – pergunto olhando-as pelo canto do olho enquanto lavo as mãos.

—Sim!!! – dizem juntas, rindo.

—Então vamos– convido, dando uma última olhada a volta, verificando se havia limpado tudo antes de sairmos – Obrigado senhorita – agradeço a jovem do lado de fora, ficando sem graça ao ver a pequena fila que se formara – Me desculpem por isso – peço, passando pelo grupo de mulheres, duas com crianças, que nos aguardavam sair.

—Se precisar de ajuda na próxima é só me chamar! – uma loira comenta quando passamos.

—Ou a mim – a garota a seu lado diz, me secando descaradamente.

—Por que elas querem ajudar você, não nos conhecem?!– Emma indaga, dirigindo-lhes um olhar zangado.

—Nem imagino querida – minto, seguindo direto para o restaurante.

Preparo nossos pratos pondo o que achava que Sarah aprovaria: saladas, verduras, peixe, macarrão e arroz além de um pouco de purê de batata e batata frita (ninguém é de ferro!). Para beber escolho sucos de laranja para elas e abacaxi com hortelã para mim e de sobremesa pudim.

Durante o almoço recebo uma mensagem de Claire avisando que só deveria voltar após as dezoito horas, o que me daria menos de uma hora para limpar e arrumar as meninas antes de Sarah chegar. Quando reclamei, garantiu que estaria lá para me ajudar bem como algumas das convidadas, que não me preocupasse com nada.

—Com nada excerto o que fazer até lá – bufo, pondo meu prato de lado, observando as das meninas a minha frente....Como diabo vou distraí-las? – penso, me recriminando por não ter trazido uma parelha de roupa extra para cada – Mais um erro a acrescentar em sua conta Connor – contabilizo.

—Para onde vamos agora? – Emma lê meu pensamento – Pra casa?

—Ainda não podemos ir – digo – O que acham de darmos um passeio na orla? Tomamos sorvete, andamos na areia um pouco, depois vemos o que fazer – sugiro.

—Praia, ehhhh!! – comemoram erguendo os braço e sorrio satisfeito.

Acertou em cheio Connor! – cumprimento-me feliz da vida, levantando junto com elas, saindo, a felicidade que sentia durando exatamente o tempo de chegarmos a praia, onde entendo o porquê de tanta alegria!

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Apartamento Connor (18: 36 p.m)

Narrador

Claire para em meio a sala olhando a volta sorrindo, satisfeita.

Fora uma boa ideia, afinal, ter contratado uma firma especializada para organizar parte do chá surpresa para Sarah. O espaço estava lindo: simples, como Connor pedira, sem deixar de ser elegante.

A mesa com as lembrancinhas em um canto, a de frios em outro, a de doces e salgados ao centro, o bolo ocupando metade desta, as bebidas concentradas atrás do balcão da cozinha. Ursinhos azuis enfeitavam alguns pontos estratégicos da sala juntamente com flores do campo, rosas de várias cores e azaleias, as preferidas de Sarah. Um enorme cesto enfeitado para receber os presentes para a mamãe e o bebê, fora posto no meio da sala onde Sarah podia sentar-se confortavelmente para abri-los.

—Lindo! – exclama, os olhos brilhando, olhando no relógio preocupada – Connor cadê você?? – interroga, sobressaltando-se ao escutar a campainha – Um minuto – pede, dando uma última olhada antes de abrir a porta de entrada– Olá, sejam bem vindos! – cumprimenta, sorridente sinalizando para que o grupo entrasse – Que bom que puderam vir. Claire Rhodes, para os que ainda não me conhecem – apresenta-se estendendo a mão para Sylvie Brett, que aperta-a.

—Syvie Brett – apresenta-se a paramédica, rindo.

—Prazer Sylvie – diz, voltando-se para os demais – Oi Maggie, April, doutor Choi – cumprimenta-os.

— Como vai senhorita Rhodes? – April cumprimenta, sorrindo

—Claire, por favor – corrige-a.

—Onde podemos colocar os presentes? — Gabriela pergunta entrando junto com Matt e Antônio.

­­–No cesto, Gabriela – indica – Fiquem a vontade pessoal – pede olhando o relógio mais uma vez, fechando a porta — Connor, cadê você?– repete, abrindo-a quando a campainha toca novamente – Doutor Halstead, doutora Manning, Kim bem vindos – cumprimenta o novo grupo que chegava.

—Obrigada senhorita Rhodes. Estes são Adam Ruzeck e Kevin Atwater – Kim apresenta.

—Prazer em conhe...- cala-se, abrindo a boca estupefata, olhando em direção a cozinha – Mas o que..?!? – indaga, segurando o riso, os demais seguindo seu olhar.

—Não. Digam. Nada! – Connor pede, erguendo um dedo – Só me ajudem arrumar estas mocinhas antes de Sarah chegar, por favor – implora, juntando as mãos ainda molhadas.

—O que aconteceu Connor? Passaram por uma tempestade a caminho de casa? – Claire pergunta, ficando ainda mais boquiaberta ao ver o estado das meninas.

—Eu diria que um mini ciclone os capturou, jogou dentro do mar, depois os rolou na areia até ficarem parecendo bifes à milanesa! – Will exclama, fazendo os demais explodirem em gargalhadas.

—Quase isso – Connor diz, sacudindo a cabeça, derrubando areia no chão – Vão me ajudar ou não? – questiona, dando um passo em direção a sala, parando.

—Nem pense em passar por aqui do jeito que está! – Claire alerta, dedo em riste – Vou buscar um roupão, vai tirar essa roupa na área de serviço e depois poderá entrar – diz, voltando-se para os convidados – Alguém poderia pegar as meninas nos braços e leva-las para o quarto de Connor, por favor?

— Adam e eu as pegamos– Matt oferece, os dois indo até elas, pegando-as no colo.

—E nós vamos limpá-las e vesti-las – Kim avisa, apertando a bochecha de Marina quando chega perto dela – Saudades de você boneca!

—Também estávamos com saudade tia Kim – Emma diz, abraçada a Matt.

—Todos estavam, mas é hora de cuidarmos, estão saindo do hospital agora – Maggie alerta, batendo palmas.

—Vamos, vamos – Claire apressa-os, olhando desanimada para o irmão – Passe rápido, direto pro banheiro no corredor, já – ordena, apontando o dedo naquela direção, ele obedecendo – Pego sua roupa no quarto – avisa– Maggie, importar-se em recebe-los caso cheguem? – pede.

—Claro que não. Vá ajuda-los – tranquiliza-a a enfermeira, sorrindo.

—Obrigada – agradece – Vamos – chama-os.

—No quarto de Connor você disse? – Kim questiona, a empresaria confirmando ao passar por eles – Interessante! – comenta, olhando para Sylvie e Gabby.

—Muito interessante – Gabby anui, piscando, sinalizando para que seguisse os demais....

Continua

Notas finais
Bjinhos flores