Notas iniciais
Oi meninas, flores lindas, bom dia! Dia sim porque já passa da meia noite! A pessoa fica em e ai faz o quê? Posta, claro! rsrsrsrsrs. Estava na maior indecisão se postava este capitulo agora ou junto com a fic de época (ainda não encontrei uma forma de abreviar o nome dela). Acabei optando por posta-la. Até porque estou em divida com vocês. Estava olhando as postagens recentes e vi que não att Links há um mês! Choquei geral. Mas as vezes acontece (minhas colegas escritoras bem sabem como é) de dar um branco na gente. Não branco de não saber o que escrever, mas branco de ter tanta ideia na cabeça para o capitulo que não consegue pô-las numa sequencia lógica. Este capitulo, por exemplo, já o tinha em mente mas não conseguia organizar nem nomear....até escutar a canção da Sandy. Ai deu um estalo e as coisas foram se encaixando. Não sei se perfeitamente mas foram. Bom, o importante é que saiu. E eis aqui o baby que traz sombras encobrindo o sol que somente sairão totalmente no próximo cap (que já está em produção) Grata pelas rewiews passadas....alegrem meu core com mais rewiews, pleaseee...Boa leitura.... Bjinhos flores. P.S 1: cap de Madly está quase finalizado e Perfect na metade. Links ainda no inicio...bem no inicio...

“Fiz mais do que posso;

Vi mais do que aguento;

E a areia nos meus olhos é a mesma;

Que acolheu minhas pegadas;

Depois de tanto caminhar;

Depois de quase desistir;

Os mesmos pés cansados;

Voltam pra você;

Pra você...”

Pés Cansados

Sandy

North Avenue Beach (sexta, 14/4 – 07:15 a.m)

Sarah

Estaciono o carro junto a um dos postos de salva vidas em Noth Beach. Desligo o motor segurando firme no volante ao mesmo tempo em que puxo o ar com força enchendo os pulmões, soltando-o vagarosamente.

Havia deixado Connor no hospital minutos atrás após termos levado as meninas para a escola. Hoje fariam uma excursão e somente retornariam no finalzinho da tarde, um pouco depois do horário usual.

Como estava de folga aquele dia e Connor iria dobrar o plantão (hoje estaria a serviço do PS), teria o dia e a noite inteiros para mim.

Suspiro, abrindo a porta, jogando as rasteirinhas no chão junto ao carro, pondo os pés para fora, calçando-as, saltando do veículo logo em seguida, permanecendo apoiada a porta aberta.

Olho a volta notando a pouca movimentação do lugar, mordendo o lábio, insegura. Chicago não era exatamente uma zona de guerra, mas também não é o que se pode chamar de segura. Sei bem disso. Todos os dias dezenas de pessoas chegam ao Med vítimas de tentativas de assalto bem ou malsucedidas além daquelas que sofrem atentado por fazerem parte de alguma gangue.

—Bom dia senhora – ouço o cumprimento e me volto, assustada, dando de cara com um homem fardado – Desculpe-me se a assustei. Trabalho no posto – informa, apontando o prédio nas cores branco e azul a nossa direita – Estava chegando quando a vi estacionar e ficar parada após sair de seu carro. Suponho que esteja indecisa quanto a fazer o passeio que planeja, não é? – teoriza sorrindo amável quando confirmo, boquiaberta, com um meneio de cabeça – Bem, posso lhe dizer que a esta hora é bem tranquilo aqui, especialmente nesta época do ano. Se fosse verão estaria repleto de pessoas que vem aproveitar o sol matinal, menos ofensivo, para fazer alguma atividade física antes de irem trabalhar – conta – Caso deseje caminhar pela areia ou calçadão pode fazê-lo tranquila mesmo porque começaremos nossas rondas dentro de alguns minutos. Não estará sozinha, por assim dizer. Alerto-a, no entanto, para que evite passar muito perto de locais aonde os moradores de rua possam estar dormindo. Não que sejam perigosos, normalmente não o são, porém alguns bebem e quando acordam assustados tendem a ficar agressivos – recomenda, olhando o carro de Connor – Seu carro tem alarme não tem? – pergunta.

—Uhum, tem sim – respondo, fechando a porta.

—Sei que não preciso recomendar que o ative correto? – indaga.

—Não, não precisa – confirmo, travando e ativando o alarme da imponente BMW preta de Connor– Obrigada por seus conselhos – agradeço começando a caminhar em direção a orla, ele me acompanhando alguns passos a minha direita – Não pretendo me demorar. Só quero caminhar um pouco aproveitando o sol matinal... E pensar na confusão que minha vida se tornou... penso, acariciando minha barriga instintivamente

—Por nada senhora e parabéns – diz, sorridente, fazendo uma mesura meio antiquada antes de me dar as costas seguindo para o posto a passos largos.

Sorrio minimamente, acompanhando-o com o olhar até que entre, repreendendo-me baixinho por duvidar de sua informação inicial, voltando-me para o mar a minha frente. Retomo a caminhada, parando quando atinjo a faixa de areia a fim de descalçar as sandálias.

Suspiro ao sentir o contato da areia com minha pele, a sensação de frio e calor mesclando-se.

Escolho um lado aleatoriamente e começo a caminhar, sem pressa, sentindo a brisa acariciar minha pele ao mesmo tempo em que os primeiros raios de sol se insinuam por entre as nuvens pintando o céu em tons alaranjados. Amanhecera parcialmente nublado fazendo com que o sol demorasse a “mostrar sua cara”.

Caminho pela areia me aproximando da água devagarinho, parando, deixando as ondas “lamberem” meus pés enquanto olho o horizonte, pensativa.

Esta semana fora extremamente cansativa e corrida. Mal tive tempo de sentar e conversar com Connor, hábito que estávamos tentando cultivar para nos conhecermos melhor fora da cama (ali sabíamos muito bem o que nos agradava mutuamente). Era ridículo estar no quinto, quase sexto mês de gravidez, dividindo o mesmo teto com o pai de meu filho e tudo que sabia a respeito dele limitava-se basicamente ao campo profissional. O que conhecia de seu lado pessoal, seus gostos e preferencias, não passava de migalhas jogadas aleatoriamente, algumas por sua irmã. Mas esta semana foi impossível fazê-lo.

Eu havia dobrado plantão na segunda e ele o faria hoje. Não folgamos na quarta-feira por conta de um engavetamento que mobilizou toda a equipe do hospital. Ontem, apesar de termos saído um pouco antes do final de nosso turno, fora dia da aula de balé das meninas e tivemos que ficar esperando durante uma hora e meia o termino além de aguardarmos pacientemente elas se despedirem-se das coleguinhas (nesse quesito ele tem se revelado posto que nunca reclama ou as apressa). Ao saímos do prédio onde ficava a escola de balé, acabáramos decidindo fazer as compras do mês. Chegamos em casa bem depois das dez pra lá de cansados.

Banháramos as meninas, tomáramos nosso banho, jantáramos, as ajudamos em suas tarefas escolares e depois fui para o quarto pô-las para dormir deixando-o na sala com seu notebook posto que iria estudar o caso de um paciente recém-admitido na cardiologia cuja segunda tentativa de transplante falhara.

Depois que as meninas haviam adormecido, decidi ir à sala fazer companhia a Connor mesmo ele tendo me liberado para dormir já que avisara que ia demorar.

Quando adentrava na sala, escutara seu tom alterado e estancara, vendo-o caminhar de um lado para outro na varanda. A porta entreaberta me permitiu escutar a conversa, melhor dizendo, discussão, que estava tendo com o pai via telefone.

O senhor Rhodes ligara usando o celular de Claire (descobri depois), o que já fora motivo para Connor zangar-se. Não podia ouvir o teor do que ele dizia do outro lado da linha, evidente, mas pelas respostas que Connor dava pude entender que estava questionando, mais uma vez, se eu havia ido para a cama com mais alguém depois dele, pondo em dúvida sua paternidade. Durante alguns minutos o observei sem ser notada por Connor, que, furioso, revidava cada novo questionamento que o pai fazia com palavras duras. Em determinado momento a memoria do que acontecera com sua mãe viera a tona.

Quando finalmente percebera minha presença, estancara em um lugar, me encarando, lívido, desligando com um “basta” que não dera margem a retruque por parte de seu interlocutor, atirando o celular contra a parede a sua frente, assustando-me. Logo em seguida, Connor adentrara o apartamento seguindo direto para o quarto sem nada dizer-me.

Levei algum tempo para me recuperar e quando o fiz, girara nos calcanhares indo atrás dele, o que acabou se mostrando um erro gravíssimo. Estava irritada com o que ouvira e ele mais ainda pela discussão. O resultado imediato foi nossa primeira briga oficial depois que fora morar com ele. Briga mesmo, não discussão. Falamos tão alto que acabamos por acordar as meninas, que foram até nós chorando, assustadas.

Depois que conseguíramos acalmá-las, especialmente Marina, Connor as deixara no quarto comigo, pegara coberto e travesseiro e fora dormir no sofá.

Afasto-me da água sentando na areia com as pernas cruzadas, protegendo-as com a saia longa, fechando o casaco, suspirando profundamente mais uma vez, respondendo ao aceno do guarda vidas com o qual conversara no estacionamento que passava em companhia de uma colega de farda, mergulhando em meus pensamentos após fazê-lo.

A partir do momento em que confirmei minha gravidez sabia que não seria fácil, que teria de enfrentar muitas coisas pela frente: dúvidas, questionamentos, desconfianças, suposições, insinuações, provocações, maledicências...

Não planejara esse filho, não o queria, no começo, mas aos poucos a ideia de ser mãe foi tomando conta de mim e antes mesmo que Connor descobrisse e se dispusesse assumi-lo, já havia tomado minha decisão. Iria ter meu bebê e criá-lo com ou sem a ajuda do pai.

Após revelar minha condição a Miss Goodwin e doutor Charles, me preparei mentalmente para quando o restante do hospital descobrisse. Tinha o firme propósito, na época, em não revelar a ninguém, nem mesmo a ele, a identidade do pai. Pelo menos não até deixar claro diante de todos que não havia nenhum interesse escuso por detrás de minha gravidez, que independente de quem era o pai iria criar meu bebê com recursos próprios. Não foi nada fácil escutar as insinuações muito menos saber sobre as apostas acerca da identidade do pai de meu filho, no entanto havia conseguido manter minha decisão quase que integralmente visto que ao receber o convite para integrar a equipe de doutor Latham fora obrigada a revelar minha condição diante de Connor e consequentemente a contar-lhe que seria pai. Mantivemos segredo da maioria de nossos colegas a princípio pelo simples fato de não havermos decidido absolutamente nada e as coisas corriam relativamente bem ...até aquela bendita tarde!

Todo o esforço acabou indo ralo abaixo. Tudo que tentei evitar acabou acontecendo pela maneira atribulada como a paternidade de Connor fora revelada diante de todos inclusive do pai e irmã dele.

A partir daquele dia os comentários ficaram ainda piores. Esperta foi o termo mais simpático ao qual passaram a se referir a mim, discreta ou indiscretamente. Os cochichos, os dedos apontando sempre que passava pelos corredores ainda hoje persistiam mesmo após Miss Goodwin ter advertido algumas pessoas mais inconvenientes.

—O preço por me envolver com um Rhodes – sussurro para o vento, abraçando meu corpo de olhos fechados, uma lágrima teimosa escapando sem que pudesse contê-la.

Além do pessoal no trabalho, havia também meus antigos vizinhos e depois os vizinhos de Connor, quando me levou para morar com ele (nem todos, em ambos os casos, admito), com seus risinhos e sussurros. Sem contar a família dele.

Claire fora um amor desde o começo. Suas avós igualmente, muito embora esteja com o pé atrás em relação a elas. Algo me diz que não devo confiar totalmente apesar do jeito doce e carinhoso com que me trataram quando fomos apresentadas.

Por fim havia o pai dele. Deste, desde o primeiro momento em que nos vimos, não espero nada de bom.

Cornelius Rhodes tem certeza absoluta que minha gravidez se trata de um tipo de golpe do baú. Na mente distorcida daquele homem, havia engravidado de caso pensado. Planejara esse filho para conseguir ter acesso a fortuna da família pois mesmo não casando com Connor, poderia tentar exigir algo dele, coisa que em momento algum me passou pela cabeça. A única vez em que o assunto dinheiro veio à baila fora quando meus amigos, antes de saberem (alguns) ser Connor o pai, lembraram que este teria deveres e direitos perante a lei comigo e com o filho.

Mas nunca sequer passou por minha cabeça pedir nada para a mim a Connor. Se o fizesse seria para o bebê e mesmo assim se estivesse nas últimas, sem nenhum outro recurso possível. Não deixaria meu filho passar necessidade em hipótese alguma. Este era meu pensamento e parte dele permanece.

Apesar de minhas irmãs e eu estarmos morando com ele, tenho mantido nossas despesas em separado, tarefa nada fácil, diga-se, visto que Connor não me deixa pagar nada. Não deixava antes e agora que nos entendemos menos ainda. Quer dizer, que tínhamos nos entendido. Após a briga de ontem já não tinha mais certeza de nada.

Sinto um aperto no peito ao lembrar das palavras duras que dissemos um ao outro no calor da discussão. Reconheço que fui cruel em alguns momentos, que o feri, trazendo à tona lembranças desagradáveis de seus relacionamentos anteriores, mas ele não ficou atrás. Também me magoou com suas insinuações a respeito de meu envolvimento com Jay.

E tudo por culpa do pai dele novamente. Na verdade, para ser justa, culpa de algum repórter enxerido que fotografara a mim e Connor no dia em que fomos ao shopping com as meninas. Pelo que entendi, estava para sair (provavelmente neste final de semana) uma matéria nos envolvendo e alguém do circulo de amizades do senhor Rhodes o avisara a respeito deixando-o furioso.

Não consegui maiores detalhes com Connor, por motivos evidentes, mas sabia que tinha vindo para cima do filho com força. Senti as consequências na pele. Ainda estava sentindo.

Distraída, assusto-me quando a pequena figura surge a minha frente, rindo, estendendo-me um ramo com uma flor na ponta.

—Oi, bom dia – digo, aceitando o presente, retribuindo o sorriso.

—Danielle, quantas vezes já pedi para não se aproximar das pessoas por detrás, sem avisar? – ouço a reprimenda e giro o tronco vendo uma mulher alta, morena, aproximando-se – Qualquer dia vai ter ou me causar problemas – afirma, parando alguns passos de onde estou – Desculpa se minha filha a assustou. É muito comunicativa e um pouquinho hiperativa – pede, sorrindo, afagando o barrigão – Oh, também está grávida! De quantos meses? – pergunta, sentando próxima a mim com dificuldade, entregando o baldinho plástico a filha – Não vá para longe está ouvindo? – recomenda, a menina balançando a cabeça afirmativamente, disparando em direção a água – Meu anjinho lindo! – exclama, olhando a filha maravilhada, voltando-se para mim segundos depois – Está tudo bem? Parece-me meio triste – comenta, não me dando chance responder – Desculpa mais uma vez. Não estou querendo invadir sua privacidade. Esse meu sangue latino me faz sair por aí querendo saber da vida de todos que encontro. Como Chad, meu marido, costuma dizer: Angelina, não está em seu país. Aqui as pessoas não saem fazendo confissões intimas a estranhos, portanto trate de conter sua curiosidade — diz, imitando, suponho, a voz do marido e rio, fungando.

—Estou bem sim, obrigada por perguntar – respondo, mantendo meu sorriso discreto.

—Quantos meses? – repete, parecendo satisfeita com minha resposta.

—Cinco – informo – E você?

—Oito e meio – responde, respirando fundo – Mais alguns dias e este rapazinho vem ao mundo – diz, acariciando a barriga, sorridente, me encarando com olhos curiosos – Desculpa minha insistência, mas você me parece realmente muito triste. Algo errado com seu bebê? Com você? – interroga recebendo acenos negativos a ambas perguntas, um nó impedindo-me falar – Então é entre você e o pai do bebê – conclui, rindo de minha cara de espanto – Sou meio bruxa! – brinca, mexendo os dedos, ficando séria a seguir – Brincadeira. Faz parte do meu trabalho lê as pessoas – revela, fazendo aspas no ar -

—É psicóloga ou psiquiatra? – questiono, ela negando.

—Não, muito embora tenha formação na área. Trabalho para uma multinacional selecionando pessoas para as diversas funções – revela – Fico junto com o entrevistador enquanto este conversa com o candidato e interfiro, se for o caso, fazendo algum questionamento. Me especializei em linguagem corporal e o seu corpo está me dizendo que está triste e tensa por mais que tente esconder, como agora, por exemplo, cruzando os braços na defensiva – diz fazendo-me deixa-los cair ao lado do corpo imediatamente – Escute, não quis assusta-la. Apenas, bem, como já deve saber, grávidas ficam mais sensíveis e quando vi seu rostinho triste me solidarizei – explica – Se não quiser falar não precisa – diz, voltando o rosto na direção da pequena Danielle que brincava, obediente, com seu baldinho a beira mar bem a nossa frente.

—Brigamos – me ouço dizendo, ela voltando-se para mim – Brigamos feio pela primeira vez desde que fui morar com ele – prossigo, contando-lhe, para minha surpresa, tudo que ocorrera noite passada omitindo o nome e sobrenome de Connor (não sabia o quanto ela conhecia e não estava a fim de mais julgamentos muito embora algo me dizia que ela não iria me julgar).

Ao final, sinto como se tivesse tirado um peso enorme de cima de meus ombros só em falar.

—Posso te perguntar uma coisa Sarah? – Angelina indaga e aceno que sim – Qual a posição do pai do bebê? O que ele diz? Questionou a paternidade em algum momento desde que sou da gravidez? – pergunta, olhando-me atentamente.

—Não – respondo, sentindo as lágrimas aflorarem – Estraguei tudo não foi? – pergunto, permitindo-me chorar.

—Não me querida, de forma alguma – afirma, afagando meu braço carinhosamente – Certo que palavras doem e marcam muito mais do que uma bofetada. Mas igualmente podem concertar as coisas. Podemos usar um milhão delas para ferir alguém, especialmente os que amamos. Basta uma para fazer todo o mal-entendido sumir. Duas na verdade: desculpa amor – diz, um sorriso discreto iluminando seu rosto – Estas palavras quando ditas com sinceridade, vindas do coração, seguidas por um beijinho, ou dois, ou três, são um santo remédio para curar as feridas – aconselha – Quando estiverem a sós, fale com ele. Peça desculpas independente de estar certa ou não, e verá que ele fará o mesmo. No caso de vocês, pelo que entendi, não há culpados. Apenas duas pessoas que foram pegas de surpresa por um sentimento e uma gravidez inesperados. Estão aprendendo a viver juntos, a se conhecer melhor, a conhecer os próprios limites, qualidades e defeitos. Sempre que pensamos conhecer alguém Sarah, sempre que julgamos saber tudo sobre aquela pessoa, somos surpreendidos por algo que ela diz ou faz. Tempo não importa, acredite, sei o que estou falando – garante, rindo mais abertamente – Passei cinco anos namorando o pai de meus filhos. Namorando, não noivando. E quando engravidei de nossa filha, tinha certeza absoluta de que iria me largar. Deixara claro diversas vezes que não queria ter filhos tão cedo. Estava decidida a não contar-lhe nada, a ir para casa de parentes em minha terra natal, ter o bebê e ficar por lá. Ou deixá-la com meus parentes e retornar. Fiz um milhão de planos, teorizei a reação dele em minha mente, em cada um deles, chorei, xinguei, me martirizei até por fim me conformar e decidir deixar as coisas correrem naturalmente. Isso tudo em um mês, durante o tempo em que ele estava fora realizando um treinamento para a mesma empresa onde trabalho – revela – Quando ele retornou, passei uma semana de extrema agonia indecisa se lhe contava ou não. Até que uma noite ele me levou para jantar...e me surpreendeu com o mais lindo pedido de casamento dizendo que não queria que nossa menininha nascesse longe dele! – conta, chorando junto comigo – Ele havia descoberto meus exames, procurara minha mãe, em segredo, que lhe contara absolutamente tudo que se passou enquanto estivera fora – faz uma pausa para respirar e enxugar as lágrimas – Estamos juntos a quinze anos no total. Tivemos e ainda teremos muitas brigas e muitas alegrias. Porque é isto que significa estar junto, dividir a vida com alguém que amamos. Nem tudo são flores. Haverá espinhos. Mas quando se ama, sempre se dá um jeito de concertar o que quebrou. Só duas coisas não têm concerto, isso na vida e numa relação: a confiança depois de quebrada jamais será a mesma; e a morte. Portanto, não deixe a chance de ser feliz lhe escapar entre os dedos. Aja enquanto há tempo! – aconselha, segurando minhas mãos firmemente.

—Agirei – asseguro, respirando fundo – Obrigada Angelina. Muito obrigada – agradeço, beijando sua bochecha antes de levantar – Tenha uma boa hora – desejo, acenando a pequena Danielle, caminhando decidida para o carro.

Entro, escutando o toque de meu celular. Pego-o no exato momento em que para de tocar. Deslizo o dedo na tela verificando haver dezenas de ligações e mensagens de voz. Todas de Connor. Fecho os olhos, respirando lenta e profundamente antes de gravar uma mensagem para ele optando por não ouvir, a princípio, as suas.

—Oi. Desculpa não ter atendido. Estava caminhando um pouco e deixei o celular dentro da bolsa, no carro. Estou indo fazer uma coisa e depois vou para casa descansar. Te vejo amanhã de manhã. Tenha uma noite tranquila dentro do possível – desejo, enviando, apertando o botão de gravação novamente – Te amo – digo, simplesmente, pondo o aparelho sobre o banco do passageiro.

Ponho o cinto de segurança, ligo o carro, manobro-o tomando a direção oeste, decidida.

No meio do trajeto até meu destino final, paro em um posto de gasolina para abastecer aproveitando para ligar primeiro para a escola das meninas avisando que poderia me atrasar um pouco, segundo para Caitlin Harris a fim de confirmar seu plantão no hospital de Bloomington, perguntando se poderia atender-me aquele dia, dizendo que explicaria quando chegasse. Por último, ligo para Connor, deixando novo recado visto que a chamada fora para a caixa de mensagens.

Sigo meu caminho após ter feito um lanche optando por desligar o celular momentaneamente.

Estaciono em frente ao hospital de Bloomington pouco depois do meio dia. Entro, procuro pela doutora Harris sendo levada diretamente a seu consultório.

Após uma conversa relativamente rápida, seguimos para a sala anexa a seu consultório onde realiza a coleta do material que precisava para os exames que pedi.

Preencho o formulário com sua ajuda aproveitando para relaxar. Não foi tão difícil quanto pensei, mas também não foi tão fácil. O medo me acompanhou durante todo o processo. Ao final, entrego-lhe o saquinho com as amostras que coletara no carro, permanecendo deitada, conversando com ela, até que me liberasse.

Saio do hospital sentindo como se mais um peso saísse de meus ombros.

Dirijo até um shopping próximo, almoço, faço algumas compras, tomo um lanche reforçado e pego a estrada de volta para Chicago chegando quando já anoitecia. Sigo direto para a escola onde as meninas já me aguardavam, ansiosas, certamente reflexo do que haviam presenciado noite passada.

Para descontrai-las um pouco e já que não havia pressa em retornar para casa, levo-as ao shopping onde assistimos um filme infantil que estava em cartaz e que se tornaria a mais nova paixão das duas. Jantamos por lá mesmo. Ainda as deixo brincar no parquinho antes de finalmente irmos para casa.

—Direto para o banho senhoritas – comando assim que entramos no apartamento, ouvindo-as reclamar — Nada de reclamações. Já tiveram muita diversão por hoje não acham? – questiono, ondo as sacolas com as compras que fizera em Bloomington sobre o sofá.

—Ah, Sarah, só mais um pouquinho vai! – Emma implora de mãos unidas, Marina fazendo coro, a mancha de chocolate em seu nariz me fazendo rir.

—Ok, mais meia horinha e pronto. Estou muito cansada e quero dormir cedo. Relativamente cedo – corrijo-me verificando a hora em meu relógio de pulso: dez e vinte e cinco – Nossa, não percebi que era tão tarde – murmuro, Emma chamando minha atenção.

—Que sacolas são estas? Fez compras? – pergunta, curiosa, xeretando.

—Fiz. Estas aqui são suas...estas são suas ... — digo, entregando as sacolas com o que comprara para cada uma delas – Estas são do bebê ..e esta é para Connor – enumero, separando a sacola marrom das demais.

—Presente pra fazer as pazes? – Emma indaga e rio.

— Pode ser – digo, pensativa, a voz de minha irmã trazendo-me de volta mais uma vez.

—Ele vem pra casa hoje não vem? – pergunta, temerosa.

—Hoje não meu anjo. Hoje ele vai dobrar o turno. Mas amanhã de manhã estará em casa – explico, uma lembrança cruzando minha mente – Ai, merda! – o xingamento sai antes que possa impedir e recebo a devida reprimenda das meninas enquanto abro minha bolsa em busca do celular.

—Sarah! Não devia falar palavrão – dizem juntas, rindo.

—Desculpem amores – peço, ligando o aparelho – Que tal irem tomar um banho enquanto preparo pipoca para assistirmos um filme juntas? – sugiro, mordendo o lábio ao ver a quantidade de mensagens e ligações de Connor – Então, que me dizem? – pergunto apertando a discagem automática, erguendo os olhos em busca de minhas irmãs, rindo ao ver que já haviam se retirado, sentindo um frio no estomago ao escutar a voz grave de Connor atender – Oi, me desculpa. Meu celular descarregou e só percebi agora – minto, mordendo o lábio com força.

< Tudo bem. Desconfiei que tinha sido isto mesmo > diz, sem muita convicção.

—Sério Connor. Não fiz de propósito. Depois que mandei aquela mensagem e tentei te ligar, ele descarregou e não percebi – mantenho – Queria falar comigo? — interrogo ouvindo-o suspirar.

< Não era nada demais. Só saber se estava bem, nada mais > garante < Está em casa? As meninas já foram dormir? Como elas estão? > pergunta, preocupado.

—Acabamos de chegar. Fomos ao cinema no shopping e jantamos por lá. Depois ainda as deixei brincar no parquinho um tempo. Estavam elétricas demais. Estão na verdade – conto, sentando, uma pontada de dor me incomodar – Estavam pergunto por você a pouco – revelo, respirando fundo, apoiando as costas na almofada, esticando as pernas no assento do sofá.

< O que há? Está sentindo alguma coisa? > pergunta tenso.

—Somente cansaço, nada mais – minimizo, vendo as meninas retornarem – As meninas acabaram de chegar, quer falar com elas? – pergunto.

< Quero sim > responde e entrego o telefone a Emma deixando que ela e Marina falassem com ele a vontade.

Mentira para ele. Não estava me sentindo bem e logo que desligasse pediria a Gabby e Kim para virem me fazer companhia.

—Sarah, Connor quer falar com você – Emma avisa, e abro os olhos, pegando o aparelho de volta.

—Sim – digo, tentando disfarçar meu mal-estar.

< Está tudo bem mesmo Sarah? Emma disse que parecia estar com dor > preocupa-se.

—Não é nada demais. Acho que exagerei um pouquinho e agora estou sentindo os reflexos – admito – Vou ligar para Kim e Gabby, pedir-lhes que venham até aqui um pouco. Importa-se? – questiono.

< Evidente que não. Sarah, está em casa, já disse isso. Pode chamar quem quiser, quando quiser, para ir visita-la > repete, impaciente, suspirando < Me desculpe. Não estou em meu melhor dia > pede.

—Entendo – digo, mordendo o lábio outra vez – Connor....- chamo, me calando em seguida.

< Sim? ....Sarah? >

—Busco você amanhã – digo, fechando os olhos... Covarde!.. xingo-me mentalmente.

< Não precisa. Pego uma carona ou vou de uber. Descanse>

—Não. Quero ir te buscar – reitero – Me espera. Por favor – peço.

< Ok > anui, o som de seu pager se fazendo ouvir < Tenho que ir agora. Se não melhorar me ligue ok? > pede e anuo.

—Uhum, ligo sim. Tenha um bom final de plantão – desejo.

< Obrigado e Sarah....Estamos bem? > verbaliza a pergunta que não tive coragem de fazer anteriormente.

—Estamos – respondo, sentindo o nó na garganta – Um beijo.

< Te amo > diz, desligando sem esperar resposta.

Fecho os olhos segurando o aparelho apertado no peito, sobre o coração, abrindo-os lentamente, a visão embaçada pelas lágrimas.

—Fica triste não Sarah – ouço Marina dizer ao mesmo tempo em sinto suas mãos acariciando meu rosto.

—Não estou meu anjo. São lágrimas de alegria – afirmo, enxugando o rosto com o dorso da mão – O que acham de chamar tia Kim e Gabby par ficar conosco? – questiono.

—Acho que seria top! – Emma exclama, ligando a televisão – Especialmente se elas trouxerem pizza – sugere, sentando sobre o tapete.

—Pizza! – Marina vibra, escorrendo até sentar-se a seu lado.

Sorrio observando-as concentrarem-se na televisão, zapeando em busca de algo para assistir.

Ligo para Kim, ela dispondo-se a vir ficar comigo, dizendo que ligaria para Gabby. Meia hora depois as duas estão no apartamento trazendo pizza e o Sylvie Brett como reforço.

Comemos, melhor dizendo, Sylvie e as meninas comem e bebem refrigerante assistindo a maratona de The Big Bang Theory, rindo, enquanto Gabby e Kim sentam a meu lado no sofá, conversando.

Acabo lhes contando tudo que acontecera noite passada, do passeio que dera na orla, o encontro e conversa com Angelina e por fim minha pequena aventura em Bloomigton (toda ela).

—As vezes tenho vontade de te bater sabia! – Kim diz, tocando minha testa com a palma da mão – Como faz uma coisa dessas sozinha? Tem noção do risco que correu? – indaga.

—Não é à toa que estava sentindo-se mal. Não deveria ter dirigido de volta Sarah – Gabby ralha, me encarando, séria – Aposto que a doutora Harris não sabia que estava sozinha, caso contrário não teria permitido que retornasse hoje.

—Deveria ter ligado pra uma de nós duas. Daríamos um jeito de te acompanhar – Kim reclama, me olhando feio.

—Me desculpem, mas decidi num impulso e tive medo de que se parasse para pensar acabaria desistindo – confesso, suspirando com a massagem que Gabby fazia em meus pés e pernas – Ai, que delícia! Quanto quer pra ficar a noite inteira aqui?

—Meu cache é alto senhorita, e não tem o necessário para pagá-lo! – responde, maliciosa – Mas garanto que se pedir ganha isso e muito mais de um certo cirurgião – sugere, piscando para mim e rolo os olhos.

—Oh, se ganha! – Kim exclama, estapeando minha testa.

—Ai! Por que fez isso? – resmungo, esfregando o local.

—Para aliviar a tensão já que na posso te bater, sua irresponsável – reclama.

—Não fui irresponsável – retruco, sentando – Bem, talvez um pouco – admito – Mas vai valer a pena se trouxer um pouco de paz para esta casa! – exclamo.

—Sarah, vocês já têm paz aqui. Sua relação com Conno está muito bem obrigada para vista da maneira como começou — Kim afirma – O problema é que infelizmente ambos têm famílias complicadas e de vez em quando essas famílias podem tentar interferir – diz, me olhando séria – Não permita que o pai do Connor ou qualquer outra pessoa se meta no meio de sua relação com ele. Sei que não é uma tarefa fácil, mas tente. Não deixe sua felicidade escapar por entre os dedos amiga – aconselha fazendo-me arrepiar.

—Angelina disse-me a mesma coisa mais cedo – conto, esfregando os braços.

—Ela está certa – Gabby afirma, levantando, recolhendo os pratos e embalagens – Você e Connor tem uma coisa boa aqui e coisas boas atraem inveja em algumas pessoas.

—Infelizmente – Kim anui, levantando.

— Por que levantaram? Já querem ir embora? – questiono, somente então notando o silencio no ambiente.

Me volto encontrando Marina e Emma adormecidas com as cabeças apoiadas sobre as pernas de Brett, que cochilava e sorrio.

—É tarde. Teve um dia cansativo. Precisa descansar – Kim recomenda, agachando-se, pegando Marina no colo, encaminhando-se para o quarto delas.

—Emma, acorde amor, hora de ir para a cama – chamo, afagando seus cabelos, Sylvie despertando assustada.

—Não to dormindo! – exclama fazendo Gabby e eu rirmos.

—Certeza que não loira – Gabby diz, chamando-a – Vem, me ajuda arrumar tudo enquanto Sarah leva Emma para o quarto – chama, ela fazendo-o assim que ajudo minha irmã levantar, conduzindo-a ao quarto.

Despeço-me de minhas amigas, tranco tudo e vou para o quarto das meninas. Opto por dormir com elas agradecendo mentalmente por não termos tirado a cama de solteiro lá de dentro.

Adormeço quase que imediatamente após deitar, tendo um sono agitado, repleto de perseguições e ameaças fazendo-me acordar algumas vezes.

Levanto as seis em ponto, vou para meu quarto, tomo um banho, troco de roupa optando por um vestido de algodão, longo, quente e confortável. Calço uma sapatilha preta, prendo o cabelo num rabo de cavalo e vou ao quarto das meninas verificando que ainda dormiam pesadamente.

Beijo suas cabeças, fecho a porta, vou para a cozinha onde preparo um café da manhã reforçado já pensando em Connor.

Tomo meu desjejum sem pressa visto que ainda dispunha de tempo. Volto a meu quarto ao terminar, faço minha higiene, coloco um pouco de perfume, pego um agasalho e sigo para o quarto de minhas irmãs novamente. Como permaneciam dormindo firme, escrevo um bilhete dizendo aonde ia e quando estaria de volta recomendando para que não abrissem a porta nem saíssem de casa,

Colo-o no quadro de avisos junto a cama de Emma, beijo-as mais uma vez antes de sair, me dirigindo a sala onde pego as chaves de casa e do carro no aparador, dou uma olhada ao redor saindo logo a seguir.

Apesar do trânsito pesado, chego ao Med apenas cinco minutos após o turno de Connor haver terminado.

Buzino ao vê-lo parado perto da entrada do PS conversando com o segurança e um paramédico, acenando quando se volta.

Acompanho-o com o olhar vir em minha direção, a aparência abatida, porém um sorriso tranquilo desenhando-se em seu rosto.

Sem sair do automóvel, passo para o banco do passageiro, recebendo-o com meu melhor sorriso.

—Bom dia – cumprimento assim que entra, sentando-se no banco do motorista, atirando sua mochila no banco de trás. Espero que se volte para me inclinar e deixar um beijo casto em seus lábios.

—Bom dia – responde com voz rouca – As meninas não quiseram vir? – pergunta, tocando meu rosto com carinho.

—Estavam dormindo quando sai – respondo, olhando dentro de seus olhos por um longo tempo antes de beija-lo mais uma vez, desta demoradamente, sendo prontamente correspondida – Me desculpa Connor. Não quis te magoar. Estava chateada com o que tinha escutado de sua conversa com seu pai – admito, acariciando seu rosto.

—Eu que te devo desculpas Sarah – diz, esfregando seu nariz no meu – Infelizmente meu pai consegue me tirar do sério completamente – confessa, suspirando – Perdoe-me ter gritado com você, ter dito aquelas coi....

—Esqueça – peço, pondo a mão sobre seus lábios – Esqueça. Nós dois dissemos coisas grosseiras um ao outro. Não deveria ter ido atrás de você daquela forma, naquele momento. Estava de cabeça quente e não ajudei em nada acalmá-lo – reconheço, sorrindo sem graça — Não vamos ficar batendo na mesma tecla ok? – peço, continuando sem esperar resposta – Deve estar cansado. Vamos para casa – convido, me sentando ereta, pondo o cinto de segurança.

—Certo. Mas precisamos conversar – avisa, fazendo o frio no estomago ressurgir.

—Ok – anuo, tensa.

Permanecemos em silencio praticamente todo o caminho, quebrando-o apenas quando adentramos o apartamento e lhe pergunto se iria comer antes de banhar-se.

—Vou tomar um banho antes – avisa, seguindo para o quarto, estancando de repente, voltando-se para mim – Me acompanha? – pergunta, estendendo-me a mão.

—Sim – respondo, indo até ele, segurando a mão que me oferecia, retendo-o quando tentar retomar a caminhada – Connor – chamo, fazendo-o me encarar novamente – Estamos bem? – pergunto, retendo o ar quando volta-se completamente, um braço envolvendo minha cintura, me trazendo para junto de seu corpo enquanto a mão livre passeia por meu rosto descendo até o pescoço, detendo-se na nuca, massageando carinhosamente, a ternura em seu olhar me emocionando a ponto de quase chorar.

—Estamos – responde, tomando minha boca num beijo saudoso.

“....Eu lutei contra tudo;

Eu fugi do que era seguro;

Descobri que é possível viver só;

Mas num mundo sem verdade;

Depois de tanto caminhar;

Depois de quase desistir;

Os mesmos pés cansados voltam pra você;

Pra você;

Sem medo de te pertencer;

Volto pra você...;

Meus pés cansados de lutar;

Meus pés cansados de fugir;

Os mesmos pés cansados voltam pra você;

Pra você”

Notas finais
Até breve. Bjinhos flores.