Love Hurts!

20 Pancakes…and marriage?


Notas iniciais
Olha quem voltou flores! Capitulos por atacado para compensar um pouco minha ausência. Momentos fofura aguardam vocês neste cap. Muita fotura e calmaria para compensar a tensão do anterior. Grata por todas as rewiews passadas....more rewiews please...Boa leitura...Bjinhos flores

“Eu pensei que pudesse ficar sem você;

Mas nãos posso;

Pois viver sem você meu amor é difícil demais;

Eu deixei minha porta entreaberta;

Você chegou sem me avisar;

Não se afaste de mim, oh não...”

Não Se Afaste De Mim

Roberto Carlos

Apartamento Connor e Sarah (Sábado, 15/4 — 07:45 a.m)

Connor

— Connor... Estamos Bem? – Sarah repete a pergunta que fiz noite passada.

Volto-me para ela, envolvo sua cintura com um braço por baixo do casaco, trago-a para mais perto enquanto acaricio seu rosto levando a mão a sua nuca, massageando carinhosamente.

— Estamos – afirmo, tomando sua boca num beijo saudoso que encero somente quando o ar nos falta – Estamos e ficaremos bem Sarah. Mas para isto precisamos confiar um no outro, no que sentimos... Eu te amo, já disse isto, mas você parece não acreditar em mim. Prefere duvidar de meu sentimento dando ouvido às fofocas, comentários e insinuações maldosas – reclamo, olhando dentro de seus olhos.

— Não é que duvide Connor. Tente entender. Eu... – para, respirando fundo, os olhos marejados – Eu só... custo a acreditar que um homem como você tenha-se apaixonado por alguém como eu – diz, abaixando o rosto, quebrando o contato visual, e mesmo diante da seriedade do momento é impossível para mim não sorri.

Seguro seu queixo fazendo-a erguer o rosto, prendendo seu olhar ao meu outra vez.

— Como assim alguém como você? – questiono, não lhe dando chance responder – Sarah, você é linda. É doce, gentil, generosa, dedicada – enumero fazendo com que core sutilmente – Quantas garotas teriam a coragem que teve em assumir cuidar de duas crianças em meio ao tumultuo de uma graduação em Medicina? E nem tente minimizar dizendo que qualquer um faria a mesma coisa apenas por serem suas irmãs. Sabe que não é verdade – advirto, tocando a ponta de seu nariz com o dedo– Atrasou sua formatura, teve que reestruturar-se, mudar seus planos, buscar outra fonte de renda para suprir suas necessidades e não deixar nada lhes faltar, quase parou sua vida profissional e pessoal por conta de um ato de irresponsabilidade justamente de quem deveria ser responsável... Isto sem falar no quanto me satisfaz na cama – friso, seu rosto atingir o mais forte tom de vermelho possível a um ser humano e sorrio novamente, inclinando meu rosto até tomar seus lábios num beijo que já começa urgente.

Sem interromper, a princípio, o contato, recomeço a caminhar em direção a nosso quarto levando-a comigo, cessando-o ao passarmos em frente ao quarto das meninas, parando ali, verificando que ainda dormiam.

— A noitada foi boa, presumo! – exclamo, erguendo a sobrancelha, escutando seu riso de menina.

— Muito. Nem imagina o que perdeu! – brinca, segurando minha mão, passando ela a me conduzir.

— Uhum... Devo supor que pizza e refrigerante tenham feito parte do menu além de muita correria e brincadeira – teorizo, fechando a porta após termos entrado, despindo meu casaco, ela fazendo o mesmo.

— Em casa nem tanto, mas no parquinho do shopping se esbaldaram – conta, observando-me aproximar – Estavam cansadas quando chegamos, mas encontraram disposição rapidinho quando avisei que convidaria Kim e Gabby a ficarem conosco um pouco ganhando Sylvie de brinde – conta, assumindo a tarefa de desabotoar minha camisa.

— O que me lembra: por que passou mal? O que sentiu exatamente e aonde foi? – disparo, encarando-a ao mesmo tempo a ajudo a despir a peça de roupa– Em sua mensagem disse que estava indo fazer uma coisa e depois me explicaria. Essa tal coisa provocou seu mal-estar? – insisto, o suspiro resignado que dá causando-me certo incomodo.

— Connor... – começa dizer cautelosamente, mordendo o lábio do jeito que me excita. Sempre – Espera – pede quando tento beijá-la mais uma vez – Sente-se – pede, empurrando-me carinhosamente em direção a cama, parando a minha frente – Em primeiro lugar, prometa que irá me escutar até o final e somente depois dirá algo, ok? – pede e aceno afirmativamente, a tensão invadindo-me imediatamente – Está certo quando diz que precisamos confiar um no outro, no que sentimos – parafraseia-me – Saiba que apesar de ser difícil para mim, estou me esforçando para fazê-lo. Juro que estou – garante, mordendo o lábio outra vez obrigando-me quebrar a promessa.

— Ok, se não quer que te interrompa, melhor parar de fazer isto ou não vou conseguir me concentrar no que diz – alerto, massageando seus lábios com o polegar, arrancando um gemido sôfrego – Porra Sarah, não faz assim ou essa conversa não acontecerá! – garanto, levando uma mão a seu pescoço, fazendo-a inclinar-se até que possa colar minha boca ali, sugando a pele num chupão que deixara marca.

— Hummm... – geme, pondo as mãos em meus ombros, as unhas cravando-se em minha pele, afastando-me sem muita convicção – Quero transar com você... Céus como eu quero isso! – assume, empurrando um pouco mais forte – Mas preciso te contar uma coisa e não quero usar o sexo pra te amolecer, por assim dizer – avisa e franzo o cenho intrigado – Vou começar pelo final e explico tudo – diz, tomando fôlego antes de falar – Fui ver a doutora Harris ontem, melhor dizendo, me consultei com ela... em Bloomington – conta, fazendo uma pausa que me deixa ainda mais ansioso – Fiz o exame de Amniocentese para determinar, entre outras coisas, sua paternidade — revela e abro a boca para protestar, ela impedindo-me – Sei que não tem dúvidas mesmo eu tendo te falado o contrário no princípio, mas há quem duvide e não me refiro apenas a seu pai. Ele é, na verdade, o único a declarar isto em alto e bom som para quem quiser ouvir – afirma – Depois que te deixei no Med fui até a orla, caminhar um pouco. Estava precisando refletir sobre tudo que aconteceu em minha vida nos últimos dois anos, como bem lembrou – continua, enroscando os dedos em meu cabelo – Eu te amo e odeio ver você sofrendo por conta de insinuações maldosas e nem tente negar, pois já percebi o quanto te incomoda certos comentários feitos por pessoas que trabalham conosco... sem falar de seu pai – repete, dando-me um selinho antes de seguir – Pode me chamar de vingativa se quiser, mas a verdade é que só vou me sentir melhor quando puder esfregar na cara dele a prova de que esse bebê...Que Max é seu filho! – frisa – Na dele e todos que insistem em questionar sua paternidade. Faço isto não apenas por você, mas por mim também. Escutar os cochichos insinuando que engravidei pra te prender está sendo tão difícil para mim quanto, presumo, seja pra você escutar que está sendo enganado ou quando põem em dúvida... bem... a sua masculinidade – diz, sem graça.

— Virilidade na verdade – a corrijo vendo-a corar intensamente outra vez – Adoro quando fica rubra desse jeito! – exclamo, puxando-a outra vez.

— Connor, não me interrompa, por favor, ou não faremos nada além de tomar banho! – ralha, ou deveria dizer ameaça? – Bem, como dizia, imagino que não seja fácil pra você. E ainda tem aquela insinuação feita por seu pai quando vim morar aqui – lembra, brincando com meu cabelo – Não sei o que há de verdade na acusação velada que fez e confesso ter deletado o assunto da mente devido a toda correria diária... — Fomos dois! , penso fazendo uma nota mental para lembra de falar com Benny assim que possível – O fato é que desde aquele dia tinha vontade de fazer o teste, porém ficava procrastinando, por medo, admito, mas depois do que houve ontem à noite resolvi dar um basta! – confessa – Tenho consciência que tanto seu pai quanto as pessoas mesquinhas que falam por detrás ou cochicham pelos cantos, irão mudar o discurso e afirma que estou dando o golpe do baú após o resultado sair. Mesmo assim quero ter o prazer de esfregá-lo no nariz do senhor Rhodes! – reafirma, decidida.

— Sinto muito amor, mas este prazer teremos que dividir. – afirmo fazendo-a rir – Por que não me disse nada? Por que escondeu o que pretendia? Foi perigoso ir e especialmente voltar dirigindo após te feito um exame tão invasivo – ralho, uma dúvida cruzando minha mente – Podemos transar? Não deveria estar em repouso total? – questiono encarando-a entre tenso e frustrado.

— Não necessariamente e sim, podemos desde que, como direi? – indaga, tamborilando o polegar no queixo – Moderadamente – diz, e ambos rimos – Não te contei, nem a ninguém, porque decidi num impulso – admite – Sabia que Caitlin estaria no hospital de Bloomington. Liguei para ela, expliquei o que queria e se seria possível realizar. Quando recebi o Ok, só tive que pilotar aquele seu avião e pronto. Em pouco tempo estava no hospital – brinca – Após a coleta permaneci no consultório, em observação e repouso por uma hora e meia, mais ou menos. Não senti praticamente dor nenhuma durante o procedimento. A volta também foi bem tranquila. Seu carro é muito confortável e fácil de guiar – elogia – Meu mal-estar deveu-se ao fato de ter exagerado ao ficar zanzando por aí com as meninas ao invés de vir direto para casa. Estava muito pilhada, não conseguia relaxar – admite, suspirando – O resultado deve sair entre segunda e terça. Cait vai me ligar avisando – comunica, enrugando o nariz numa careta engraçada – Mais uma coisinha... duas pra ser franca: não ouvi suas mensagens. Tinha medo do que iria escutar e meu celular não descarregou, eu o desliguei para não correr o risco de você ligar, nos falarmos e eu desistir de fazer o exame. Quando cheguei, só lembrei-me de ligá-lo depois que Emma perguntou por você. Desculpa – pede, voltando a morder o lábio – Desta vez foi de propósito! – confessa, com cara de levada.

— Imaginei que fosse! – exclamo, arqueando a sobrancelha – Ok. Admito que não gostei de ter decido e feito tudo sozinha, sem perguntar minha opinião ou se era isto que gostaria. Tenho meus traumas em relação a este tipo de atitude – afirmo fazendo uma ruga se formar entre seus olhos – Mas entendo seus motivos – garanto, pondo o dedo no ponto, massageando-o – Se tivesse me contado, do jeito que estava sensível ontem, possivelmente iríamos discutir mais uma vez. – admito, deslizando as mãos por seu corpo lateralmente, detendo-me no quadril – Não gosto quando discutimos... muito embora ame a forma como fazemos as pazes! – digo, ajuntando o tecido de algodão sob as mãos fazendo-o subir – Tem certeza de que não há problema em transarmos? Porque senti muita falta de você! – exclamo, erguendo-me, roçando meu corpo no seu, trazendo o vestido comigo – De sentir seu corpo nu suado e grudado ao meu... de seu cheiro... sua boca... – enumero, afastando-me o suficiente para retirar a peça de roupa, ela erguendo os braços, ajudando-me, suspirando deliciado ao ver que não usava nada além da calcinha de algodão por baixo – De seu gosto – prossigo, colando nossos corpos, minha boca passeando na pele alva e macia a começar do pescoço, vendo-a arrepiar-se – De te arrancar suspiros... estar com e em você – sopro pouco antes de beijá-la com avidez, uma mão em sua nuca segurando firma, mantendo-a junto a mim, minha língua pedindo e recebendo permissão para invadir sua boca quente, úmida, aprofundando o beijo, sendo correspondido com a mesma intensidade, suas mãos passeando por meu corpo, arranhando, uma insinuando-se para dentro do cós da jeans enquanto a outra estimula meu pênis por cima do tecido deixando-o completamente duro.

Sem pressa, giro, invertendo nossas posições fazendo-a sentar para logo em seguida deitar-se parcialmente sobre o colchão, me encaixando entre suas pernas. Escuto o protesto rouco quando cesso o beijo, afastando-me o suficiente para despir sua calcinha, admirando por um segundo o corpo feminino que mesmo a barriguinha proeminente de cinco meses não torna menos desejável. O contrário. Por conta da gravidez suas formas estavam mais arredondadas e a sensibilidade acentuada a fazia arrepiar-se ao menor toque.

Suspiro, inclinando-me cuidadosamente, os braços sustentando meu corpo a fim de não pesar sobre o seu, tomando sua boca em um novo beijo tão exigente quanto o anterior, abandonando-a pouco depois, deslizando por seu corpo lentamente.

— Muita... roupa! – protesta, ofegante, buscando o cós da jeans mais uma vez, e rio, detendo-me no vale entre os seios, sugando a pele num chupão que deixa uma marca avermelhada, as mãos delicadas tentando abrir minha calça.

— Ainda não – decreto, erguendo-me, segurando-lhe as mãos , liberando-as apenas quando me ajoelho sobre o tapete aos pés da cama, no meio de suas pernas, distribuindo beijos e chupões na parte interna de suas coxas até alcançar meu objetivo.

Escuto-a gemer rouco arqueando o corpo o máximo que consegue, segurando e apertando o lençol em suas mãos com força na medida em que a estimulo.

Sinto o gosto do pré gozo em minha boca precedido por um gemido forte quando sugo e seguro seu clitóris entre os dentes, porém antes que goze interrompo o contato, erguendo-me, terminando de me despir rapidamente.

— Connor...? – sopra, erguendo o tronco apoiada nos cotovelos, uma mecha de cabelo ornando-lhe um lado dor rosto, o protesto morrendo em seus lábios a me ver atirar calça e cueca em um canto.

Posiciono-me mais uma vez segurando suas pernas, começando a penetrá-la devagar, dosando ritmo e força para não machucá-la.

Era fácil perder a noção e o controle quando estávamos nos amando. A forma como seu corpo reagia a meu toque deixava-me louco de tesão, isso desde o primeiro contato mais intimo que tivemos ainda em meu carro aquela noite, cinco meses atrás.

— Connor! – o gemido alto vem acompanhado pelo gozo, seu corpo relaxando sobre o colchão.

Aproveito sua pulsação para sair dela, deitando-me a seu lado. Gentilmente, envolvo-a em meus braços fazendo com que fique de lado moldando meu corpo ao seu. Penetro-a por trás enquanto massageio os seios intumescidos, entrando e saindo lentamente, amando-a sem pressa até gozarmos juntos desta vez, nossos gemidos e sussurros inundando o quarto.

— Amo você – sussurro em seu ouvido, saindo dela, votando seu rosto para mim, beijando-a intensamente.

— Também te amo – afirma, beijando e mordendo meu lábio – Bem que dizem que sexo de reconciliação é o melhor que há! – exclama e rimos juntos.

— Então vou querer brigar todos os dias! – brinco, roçando meu queixo em seu pescoço, a barba por fazer arrepiando-a e fazendo-a rir mais.

— Sarah? Tá acordada?– a voz doce chamando seguida da leve batida na porta me faz sorrir ainda mais.

— Estamos gatinhas – respondo, escutando o som de palmas.

— Vão indo para a sala que já encontramos vocês lá – Sarah ordena, girando em meus braços, roubando vários beijos estalados – te amo... te amo... te amo – declara entre cada um deles.

— Tá bom – Emma responde, o som de passos rápidos no assoalho indicando que corriam.

— Vou dar uma bronca nas duas. Já falei para não correrem dentro de casa! – exclama, estapeando-me quando rio – Sério Connor. É perigoso. Podem tropeçar e cair sem contar que tenho que por ordem agora para que quando Max chegar saibam se comportar – pontua, apoiando-se nos cotovelos.

— Amo esse seu lado mandão sabia? – indago, lhe dando um selinho – Que tal um banho refrescante... uns beijos revigorantes... – sugiro, beijando seu ombro, descendo pelo braço, alcançando a mão delicada, segurando aberta sobre a minha, palma contra palma.

Por um segundo imagino uma aliança adornando-a no dedo anelar.

— Humm, aceito a proposta – diz, sobressaltando-me.

— Qual proposta? – pergunto, confuso.

— Do banho, qual mais!? – indaga, retirando-a da minha, deslizando para fora da cama – Connor, não vem? – pergunta, de pé, estendendo-me a mão.

— Sim, claro – respondo ainda distraído com o rumo que meus pensamentos haviam tomado.

Dentro do box, me pego mais uma vez pensando em como seria dividir minha vida com ela, as meninas e nosso filho enquanto nos banhamos relativamente comportados. Ok, nem tanto assim. Dou e recebo uma deliciosa rodada de sexo oral finalizada com nova transa dentro da banheira, o que acaba fazendo-nos demorar mais do que o previsto.

— As meninas devem estar mortas de fome – comento enquanto vestia uma bermuda apressadamente, a consciência pesada por ter feito as pequenas esperarem.

— Duvido muito – Sarah afirma, categórica, terminando de trançar o cabelo lateralmente, arrumando a blusa de cetim azul que escolhera usar com um short de algodão na mesma cor repleto de desenhos de cães e gatos – Emma sabe se virar. Além do mais deixei algumas coisas prontas antes de ir te... – cala-se de repente, aspirando forte o ar.

— O que foi? – pergunto, franzindo o cenho.

— Está sentindo esse cheiro? – interroga, repetindo o gesto.

Imito-a, vestindo uma camiseta, sentindo um cheiro estranho no ar.

— Parece que algo está...

— Queimando! – exclamamos ao mesmo tempo, saindo correndo do quarto, eu alguns passos a sua frente.

– Emma? Marina? – chamo, aflito, olhando do tapete onde ficam deitadas assistindo televisão para a cozinha, precisando conter o riso diante da cena: de pé, cada uma sobre um banquinho (presumo), os rostos sujos de farinha, Emma segurando uma espátula de onde pendia um aglomerado de massa, Marina um prato plástico (compráramos alguns para ela especificamente) evitando que o conteúdo que a irmã segurava caísse ao chão, as duas estáticas, com cara de gato que foi pego roubando comida – O que estão fazendo? – questiono, caminhando em direção a elas, Sarah a meu lado.

— Panquecas – responde, pondo o amontoado sobre uma folha de papel a seu lado direito – E suco, ovos mexidos... – enumera, Marina a interrompendo.

— Panquecas de chocolate – a corrige, exibindo o prato onde vemos algumas folhas de massa pouco melhores do que a que fora posta sobre o papel toalha.

— De chocolate e normal também Mama – avisa Emma, limpando as mãos no avental.

— O que está queimando? – Sarah questiona, apoiando as mãos na bancada, esticando o pescoço para espiar.

— Nada não. É que pingou um pouco da massa no fogo daí fez fumaça e esse cheiro irritante! – explica, afastando uma mecha de cabelo com o dorso da mão, melando a têmpora direita e parte do cabelo com chocolate.

Impossível não sorri da cena!

— Por que estão brincando com fogo sem nossa presença e pra quê se já havia deixado tudo pronto? – Sarah questiona, dando a volta, levando as mãos à cintura – E sobre as cadeiras da mesa!

— É que os banquinhos que encontramos eram muito baixos. Eu conseguia alcançar tudo, mas a Mama não – justifica-se e prenso os lábios retendo o riso mais uma vez – É que... bem...Assim...quando viemos pra cá, Marina quis comer e nós meio que...

— Nós? – Sarah interroga, estreitando os olhos ao encarar a irmã do meio.

— Nós sim, pode perguntar pra ela! – garante Emma, beijando os indicadores cruzados – Derrubamos parte do que você tinha preparado no chão, Sarah – assume, contrariada, apontando um ponto a suas costas.

Inclino-me vendo a enorme mancha no piso e faço uma careta.

— Desculpa – pede, sem jeito.

— Sem problema meu anjo. A careta não foi por causa disto – garanto, lhe dando um beijo na bochecha antes de pegar um rolo de papel toalha – Não precisavam cozinhar por causa disto. Eu e Sarah refaríamos o que estragou sem problemas – digo, abrindo um dos armários a procura do spray para limpar gordura.

— Precisava sim e mesmo que não tivéssemos derrubado nada íamos fazer algo pra você porque voltou e fez as pazes com a Sarah – revela, fazendo-me voltar rápido, encarando-a — Fizeram as pazes, não fizeram? – pergunta, a ansiedade em sua voz e rosto deixando meu coração apertado – Porque não ouvimos vocês brigarem e a pouco sua voz parecia alegre e...

Interrompo seu discurso surpreendendo ao pega-la em meus braços, apertando-a forte.

— O que foi? Disse alguma coisa errada? – questiona, as mãos em meus ombros.

Afasto-a sem a soltar, olhando em seu rostinho melecado de chocolate e farinha, um sorriso ganhando forma em meu rosto.

— Não boneca, não disse nada de errado – asseguro, sentando-a sobre o balcão, fazendo o mesmo com marina, pondo-as lado a lado – Eu que disse e fiz – digo — Sinto muito que tenham escutado e visto o que aconteceu entre mim e Sarah na quinta à noite. Estávamos, ela e eu, de cabeça quente por conta de alguns problemas e acabamos não sabendo lidar com eles de forma correta – explico, olhando de uma para outra.

— Tudo bem. Casais às vezes brigam – Emma diz, compreensiva, pondo uma mão sobre meu ombro direito – Só ficamos preocupadas porque estavam tristes e zangados um com o outro e mal se falaram no café nem no caminho pra escola...

— Você nem cantou no carro! – Marina cobra e rio.

— E a Sarah chorou... pensamos que íamos embora... – Emma diz, tristonha, fazendo meu coração ficar do tamanho de uma semente de mostarda! – Aí quando ouvimos sua voz e respondeu quando chamamos ficamos alegres e queríamos fazer uma surpresa preparando algo para vocês comerem, mas aí a massa pingou e estragou tudo – lamenta-se, fazendo bico.

— Pois é. Estrago – Marina repete, abrindo os braços.

— E ainda tem toda a sujeira que fizemos – lembra, olhando a volta – Desculpa Sarah. Foi sem querer – pede, dirigindo o melhor olhar “gato de botas” que já vi (recentemente) a ela.

— Tem como não desculpar com um olhar desses? – Sarah questiona, afagando o rostinho sujo – Tudo bem meu anjo, não se preocupe com isto e desculpa também. Por tudo – pede, roçando seu nariz ao dela num beijo de esquimó.

— Desculpa eu também Sarah. Quero beijo de esquimó! – Marina cobra, sacudindo os braços.

— Lógico que desculpo coelhinha – diz, usando o apelido que dei pela primeira vez, passando por detrás de mim, indo até ela, repetindo o que fizera com Emma.

— Escutem meus amores... as três – friso, envolvendo a cintura de Sarah com um braço, trazendo-a para mais perto, Marina vindo junto – Não posso prometer que não irá acontecer outra vez. Como bem disse boneca, casais brigam vez ou outra – reforço, afastando uma mecha de cabelo do rosto de Emma – Posso prometer me esforçar para evitar ao máximo qualquer discussão entre nós, seja por qualquer motivo e se acontecer, não vou esperar um dia inteiro para fazer as pazes... muito embora tenha valido a pena. Cada segundo – afirmo, fazendo Sarah corar – Não quero fazer nenhum das três sofrer. Amo vocês demais e foi muito, muito mesmo, doloroso passar um dia e uma noite inteira sem ouvir suas vozes ou ver seus risos nem mesmo por telefone! – confesso – Será que podem me perdoar por ter sido tão estúpido? – peço.

— Hummm... vejamos – Emma diz, fazendo cara de séria, enrugando o nariz numa careta antes de responder – Claro que sim! – exclama, abraçando meu pescoço.

—Que bom. Fico feliz, boneca – digo sem libertar-me do abraço, olhando de esguelha Marina – E você coelhinha, me perdoa? – questiono.

— Sim! – responde mal termino de falar, juntando-se a Emma em volta de meu pescoço.

— Já sabe minha resposta – Sarah diz quando a olho.

— Sei? – indago, arqueando a sobrancelha – Não te escutei dizer nada – cobro, as meninas soltando-me, voltando-se para ela.

—É mesmo. Não disse nada Sarah – Emma cobra.

— Preciso dizer? – rebate, estreitando os olhos ao me encarar.

De forma alguma. Já disse tudo que precisava a pouco! – Na verdade, ela já me disse... com outras palavras... no quarto – não resisto provocá-la, rindo ao ver seu rosto se tingir de vermelho novamente, o riso das meninas ajudando a deixá-la ainda mais sem graça – Agora que todos pedimos desculpas, que tal terminarmos de fazer estas panquecas? Estou com uma fome de leão. Poderia comer uma garotinha inteira... ou duas! – brinco, fingindo morder primeiro Marina, depois Emma, Sarah advertindo-me com o olhar quando me volto para ela.

— Pode parar por ai senhor leão. Se devorar a cozinheira, quem irá servi-lo? – comete o erro de dizer, soltando um grito quando avanço em sua direção, agarrando-a ao tentar fugir, mordendo levemente seu pescoço sob os aplausos das meninas.

—Corro o risco... já que a cozinheira é tão apetitosa! – sussurro em seu ouvido, mordendo o lóbulo com um pouco mais de força, sentindo-a estremecer.

—Connor... não.. pare – sopra, tentando libertar-se – Pare. As panquecas estão esfriando e... e o ovo mexido... e ainda temos outras coisas a fazer... como limpar o chão, por exemplo – diz, apontando a mancha a nossos pés – Ande, me solte. Cuido do café com as meninas enqu...

—Eu cuido do café e da limpeza com as meninas enquanto você senta bonitinha e nos observa – a interrompo, sussurrando em seu ouvido novamente – Até porque duvido que suas pernas estejam firmes o suficiente! – exclamo, dando uma nova mordida em seu pescoço, rindo quando morde a própria mão a fim de abafar o gemido rouco – Meninas, vejamos se sabem mesmo fazer uma panqueca – convido, fazendo Sarah sentar-se a mesa, piscando antes de voltar minha atenção para Emma e Marina.

Na meia hora seguinte, ajudo Emma a fazer panquecas enquanto Marina, sentada a mesa com Sarah, as recheia com pedaços de frutas que haviam cortado antes de chegarmos, sentando-me com as três ao terminarmos o preparo da refeição.

Novamente minha mente divaga acerca de um futuro com e sem a presença delas em minha vida, a segunda opção causando-me mal estar apenas em pensar na falta que fariam, no quão vazio, sem cor e alegria seria não tê-las a meu lado. Evidente que em todos os quadros por mim imaginados na ultima hora, nosso filho também fazia parte. O que me faz questionar a mim mesmo se caso Sarah não estivesse grávida as coisas seriam diferentes...

— “Vou te mostrar que é de chocolate; De chocolate que o amor é feito; De chocolate, choco, choco, chocolate bate o meu coração...” – a voz doce e melodiosa de Emma me desperta e sorrio ouvindo-a seguir cantarolando enquanto nos ajuda com a louça, Marina se juntando a ela.

— “E numa casinha de biscoito e de sorvete; você vai me esperar a cada amanhecer ...” – seguem, pulando das cadeiras aonde estavam, ficando de frente uma para a outra, tocando as mãos no ar em cima, embaixo –“...brigadeiro, chocolate, doce de leite...” – juntam as palmas, descendo quase até o chão dançando – “...é só você tomar cuidado pra não derreter...” – levantam, girando no próprio eixo, rebolando (ou tentando) enquanto seguem cantando – “...vou te mostrar que é de chocolate; de chocolate que o amor é feito...” – param, entrelaçando os dedos, apoiando ambas as mãos sobre o peito, subindo e descendo, imitando a batida de um coração – “..de chocolate, choco, choco, chocolate bate o meu coração...na, na,na,na, nana... de chocolate bate o meu coração!” – abrem ao braços, voltando-se para mim e Sarah, finalizando a performance.

— Bravo! Bis! – exclamo, batendo palmas e assobiando, as duas agradecendo com uma reverencia.

— Obrigada, obrigada – Emma agradece, sorrindo.

— Que musica é esta? – Sarah quer saber, enxugando as mãos, também sorrindo.

— Tia Cassy quem cantou pra gente na aula de balé. Cantou e dançou. Disse que era da época que ela era criança – explica – Podemos ver tv? – pergunta.

— Podem, mas nada de Frozen, por favor! – Sarah implora, unindo as mãos, as duas sorrindo, sapecas, antes de dispararem para a sala – É sério, se ouvir Let it go mais uma vez vou surtar! – garante, me encarando, franzindo o cenho – O que foi? Por que esse sorriso bobo? – pergunta, pondo as mãos em meu peito, mantendo-me a certa distancia quando a envolvo pela cintura.

— Nada... só pensando em como esse seu jeitinho me faz feliz – digo.

— Jeitinho? Qual jeitinho? – inquire, estreitando os olhos.

— Esse de me olhar, de sorri... senti falta desse sorriso – assumo, encarando-a.

— Do jeito que fala parece que passamos uma semana longe! – diz, apoiando os braços em meus ombros – Também senti falta do seu sorriso – confessa.

— Só do sorriso? – pergunto, trazendo-a mais perto.

— Preciso mesmo responder essa pergunta? – devolve, corando acintosamente e rio alto, chamando atenção das meninas, que nos olham como se tivéssemos duas cabeças cada.

— Não, não precisa – digo, roubando um beijo.

— Bom... que tal se parar de encabular e sentarmos no sofá pra vê televisão com elas, já que Frozen saiu do “cardápio” – brinca, fazendo aspas no ar, indicando o aparelho com um gesto de cabeça.

— Que filme é este? – pergunto, deixando-me conduzir ao sofá.

— Coco, a vida é uma festa. Assistimos ontem – diz, sentando-se após colocar duas almofadas as costas – Por que não deita um pouco? Descanse enquanto assiste conosco – sugere e acato em silêncio, deitando com a cabeça em seu colo – Tudo bem? – pergunta após alguns minutos nos quais não havia dito nada, afagando meu cabelo – Parece preocupado. Correu tudo bem na cirurgia? Acabei não perguntando – lembra.

— Correu. Dentro do possível – respondo, me aconchegando mais a ela – Sono que está batendo – assumo, sentindo os olhos pesando.

— Quer ir para o quarto? – questiona sem interromper o carinho, os dedos passeando por entre meus cabelos numa massagem relaxante – Connor? – chama ante meu silêncio e abro os olhos que mal notara haver fechado.

— Humm...

— Quer ir para o quarto? – repete.

— Não... aqui tá bom – sopro, tomando grande respiração antes de mergulhar num sono profundo, a principio, tranquilo...

****

— Nossa! Quantas horas? Porque me deixou dormir tanto assim?

— Parecia cansado

— Robin? O que faz aqui? Onde estão Sarah e as meninas?

— Quem?

— Não se faça de desentendida! Sarah...

— Sei muito bem quem é sua piriguete, Connor, infelizmente.

— Minha o quê? Ficou maluca? E dobre sua língua ao falar da mulher que amo e mãe do meu filho!

— Oi? Está delirando por acaso? Sabia que não havia sido uma boa ideia comida Tailandesa para o jantar noite passada!

— Robin, o que está fazendo aqui? Quando voltou? Como conseguiu entrar e o que fez ou disse a Sarah para fazê-la ir embora sem falar comigo?

— Em primeiro lugar, voltar de onde? Minha viagem foi adiada para a próxima semana esqueceu? Eu Ainda moro aqui apesar daquela uma estar fazendo de tudo para destruir nosso relacionamento, aliás, que historia de mãe de seu filho é essa? Engravidou aquela vadia Connor?

— Não se atreva a falar dela dessa maneira está me ouvindo? Eu amo e vou me casar com ela.

— O que? Perdeu o juízo? E quanto a nós? Vai jogar fora tudo que vivemos por uma aventura?

— Não é uma aventura...

— É e sabe muito bem disso. Maldita hora em que dei brecha aquela...

— Não se atreva a maltratá-la ou não respondo por mim!

— Connor, pare com isso! Pare de falar dessa mulher como se ela fosse mais importante do que eu, do que nós! Sei que brigamos por ter aceito o convite sem te consultar, que foi para a cama com aquela garota para me provocar, mas agora já chega! É hora de dar um basta nessa situação e caso tenha cometido a irresponsabilidade de engravidá-la, tenho certeza que seu pai ficara muito feliz em ajudar-nos a livrarmo-nos deste incomodo...

— Cale a boca! O que fez a Sarah? Onde ela está? Onde estão as três?

— Três? De quem está falando? Connor está sentindo-se bem? O que aquela vadia aprontou?

— Já chega! Sai daqui agora!

— Como assim saia? Me solte! Está me machucando! Connor pare! O que está fazendo? Abra essa porta?

— Vá embora Robin. Não temos nada a dizer um ao outro. Acabou... Sarah? Emma? Marina? Onde estão? Sarah? ...O que? O quarto... onde estão as coisas de nosso filho? Sarah? SARAH?...

**

— SARAH! – desperto, sentando rápido, olhando a volta, assustado, confuso, a vista embaçada pelas lágrimas – Sarah! – repito sentindo o peito oprimido.

— Estou aqui – ouço ao mesmo tempo em que sinto o toque em meu rosto – Estou aqui – repete enquanto a aperto em meus braços para ter certeza de não estar sonhando – Tudo bem. Estou aqui. Estou bem aqui, a seu lado... respire, apenas respire – pede, acariciando meu rosto e cabelo, a voz suave acalmando-me lentamente.

— O que houve com ele? – é Emma quem pergunta, de pé a nossa frente, assustada.

— Nada meu anjo. Foi só um pesadelo. Esta tudo bem, não se preocupe – Sarah responde sem interromper as caricias – Agora vá, faça o que te pedi. Tome banho junto com Marina e depois venham para almoçarmos ok? – ordena fazendo-me perceber a presença da pequena segurando a mão de Emma, assustada.

— Tudo bem coelhinha. Foi apenas um sonho ruim – ratifico a fala de Sarah – Vou ficar bem, não se preocupem. Façam o que sua irmã mandou – asseguro, recebendo dois sorrisos inseguros antes de se retirarem – Desculpe, não quis assustá-las... nem a você – peço, afastando-a carinhosamente – Desculpe.

— Tudo bem – diz, sorrindo docemente – Quer tomar alguma coisa? Água? Está tremendo – comenta, fazendo menção levantar-se, mas a impeço.

— Sonhei que Robin havia voltado... – começo, franzindo o cenho, confuso – Na verdade, nem tinha partido... ainda estávamos juntos... e eu e você tínhamos um caso... – conto vendo-a rir divertido.

— Só em sonho mesmo! Nunca me envolveria com um homem casado ou mesmo comprometido – garante.

— Eu sei – asseguro, puxando-a para um beijo – Eu sei – repito, mantendo nossos rostos colados pela fronte durante alguns segundos – Vou querer aquela água – digo, levantando, ela fazendo o mesmo, seguindo-me até a cozinha onde me sirvo de um copo com água tomando-a vagarosamente, as imagens do sonho (ou melhor, pesadelo) confusas em minha mente.

— Connor, sei que me ama, mas... – titubeia, encarando-me – O que aconteceu entre você e a doutora Charles foi muito forte não foi? – pergunta e confirmo com um aceno. Não iria mentir sobre isto – Entendo... – diz pensativa.

— Foi, mas acabou Sarah. Não restou nada além da magoa que nem mesmo os bons momentos foram capazes de apagar – afirmo, respirando fundo antes de prosseguir – Minha relação com Robin não terminou apenas por ela ter aceitado o convite para participar da equipe de pesquisa do Sinai. Estava disposto a tentar manter nosso relacionamento mesmo sabendo o quanto seria complicado – confesso – Pretendia pedi-la em casamento antes que partisse. Cheguei a ir numa joalheria com Claire escolher a aliança – revelo vendo seu rosto empalidecer – Não realizei a compra por muito pouco – admito.

— Por que desistiu? Por que não lutou se estava...

— Ela tirou meu filho! – solto, deixando-a paralisada – Robin descobriu que estava grávida na mesma época em que recebeu o convite e decidiu, sozinha, sem me consultar ou levar em conta meus sentimentos, que não seria apropriado levar a gravidez adiante – revelo, o nó na garganta dificultando-me respirar – Estava fora, em um congresso com Latham, quando tudo aconteceu... Quando retornei, falou-me apenas do convite... dois dias depois estava saindo de um duplo turno quando Maggie veio perguntar-me se estava tudo bem porque havia visto o nome dela na lista para um procedimento de curetagem – faço nova pausa, respirando fundo – Corri para obstetrícia me sentido culpado visto que havíamos tido uma pequena discussão... quando me aproximei, escutei-a discutindo com Daniel. Ele a questionava acerca da decisão de ter abortado, lembrava-a do risco que correra tanto física quanto judicialmente, e questionava minha posição... foi quando disse que não havia contando-me, que decidira por nós dois pois um filho naquele momento seria um estorvo para ambos... – silêncio, o nó atingindo um ponto que me impede falar, deixando as lágrimas caírem sem restrição quando me abraça.

— Connor, sinto muito – sussurra, afastando-se o suficiente para olhar dentro de meus olhos, segurando meu rosto entre suas mãos – Sinto tanto! – exclama, dando-me pequenos beijos seguidos até prender-me um intenso, sôfrego, carinhoso.

Por um tempo impreciso permanecemos perdidos um no outro trocando beijos e caricias suaves.

— Desculpe-me – pede de repente – Desculpa ter sido cruel com você no começo. Não tinha ideia... não... me perdoe!

— Não há o que perdoar Sarah, você não sabia. Quase ninguém sabe – revelo – Daniel e eu optamos por esquecer.

— Por isso ela foi embora tão rápido – lembra, mordendo e soltando-o rapidamente, me fazendo rir minimamente — Como não eu não soube desse fato antes? – questiona-se, enrugando o cenho.

— Acho que não estava de plantão no dia – presumo, dando de ombros – Depois disso entrei no modo destrutivo, como Claire e Will me alertaram. Não queria saber de relacionamentos duradouros... até você... – sou interrompido pela chegada das meninas, animadas, perguntando se já poderíamos comer.

— Daqui a pouco. Ainda falta finalizar algumas coisas – Sarah avisa, voltando-se para mim – Quer continuar?

— Não – digo, taxativo – Ajudo a terminar o almoço. Estou faminto! – exclamo, enxugando o rosto rapidamente – O que fizeram?

— Apenas o básico: arroz com verduras, salada, feijão, macarrão, bife e estávamos nos preparando para fritar as batatas. Não é nada chique, eu sei, mas me deu vontade de comer algo mais... normal – diz, sem graça.

— Pra mim parece ótimo – digo, lavando as mãos – Já que fizeram tudo, vou preparar uma sobremesa para compensar não tê-las ajudado. O que querem? – pergunto, olhando-as.

— Pavê! – é a resposta unânime e sorrio.

— Então teremos pavê! – anuo, me voltando para o móvel, pegando os ingredientes que precisava.

— Ainda podemos ter batata Sarah? – Marina pergunta.

— Sim. Ainda querem me ajudar? – pergunta.

— SIM! – dizem em alto e bom som e rimos, nos dedicando ao termino da refeição.

Durante o almoço, Sarah lembra que o aniversário de Emma se aproximava (seria dentro de doze dias) questionando-a se gostaria de festa.

— Não precisa. Basta que façam um bolo e tá bom – garante, brincando com sua sobremesa – Não quero dar trabalho.

— Não será trabalho nenhum, boneca – afirmo, acariciando seu rosto, rindo ao vê-la corar – Pense no que deseja e nos fale. Temos tempo ainda – asseguro, piscando.

— Se é assim. Vou pensar em algo – diz, satisfeita.

Decidimos dar uma volta após a refeição optando pela região do parque ali perto. Alugo duas bicicletas para as meninas, Sarah e eu acompanhando-as caminhando devagar, abraçados.

Permanecemos no local cerca de uma hora e meia retornando para casa após comprarmos sorvete e picolés.

— Podemos jogar um pouco? Tem uns jogos bem legais na internet! – Emma pede assim que entramos, despindo seu casaco.

— Acho que sim – respondo, olhando para Sarah, que anui com um gesto de cabeça, guardando nossos casacos e os delas – Vou por na televisão assim fica mais fácil para vocês... e para nós sabermos o que estão vendo – murmuro.

— Com certeza! – anui, indo para a cozinha – Querem sorvete? – pergunta, abrindo as sacolas.

— Eu quero! – Marina se adianta, erguendo a mão.

— Agora não – Emma declina, observando-me acessar a internet através do aparelho de tv, escolhendo o jogo comigo.

— Connor? – escuto-a perguntar e nego com um gesto, concentrado em explicar-lhes o funcionamento dos controles.

— Marina, sente, não pode jogar e tomar sorvete deitada – Sarah avisa, esperando-a obedecer para entregar a taça fazendo menção sentar-se no sofá.

— Sente comigo – convido, tocando um ponto no chão entre minhas pernas, ajeitando minha postura para que pudesse fazê-lo, ambos passando a observar as meninas jogarem, rindo vez ou outra da zanga de uma delas por perder uma jogada, comentando ou sugerindo o que fazer para passarem de fase.

Volto a ficar em silêncio desfrutando da companhia das três, escutando-as rirem, sentindo o calor, a respiração de Sarah bem como o movimento sutil de nosso filho em seu ventre (esteve extremamente comportado durante todo o dia).

Uma sensação de conforto, bem estar e leveza me invade fazendo-me suspirar.

— Casa comigo – peço, Sarah inclinando-se rapidamente em meus braços, olhando-me surpresa – Casa comigo – repito olhando dentro de seus olhos – Não porque vai me dar um filho e precise garantir o futuro dele e o seu, mas por tudo de bom que esse amor tem nos feito e ainda irá fazer. Por tudo que tem nos ensinados, a mim e a você – prossigo, um braço apoiando seu tronco, a mão livre brincando com uma mecha de seu cabelo – Como estava dizendo antes, não queria relacionamentos duradouros. Satisfazia-me com transas de uma noite, relações tipo one way – lembro, rindo torto – Julguei que seria feliz assim. Só que, para minha sorte, não fechei a porta completamente. Deixei-a entreaberta e você entrou, sem pedir licença, com esse seu jeito inocente, simples e ao mesmo tempo complicado de ser... e foi me conquistando, dia a dia, semana a semana. Até mesmo quando me dava patada...

— Eu não te dava patada! – defende-se – Só estava fazendo o que me pediu: mantendo distância.

— Uhum... porque o sabichão aqui, o senhor experiência em pessoa, tinha certeza de que evitaria se apaixonar. Ledo engano! – exclamo – Você me provou isto. Bastou uma única recaída, por assim dizer, para provar o quão errado estava – afirmo – Pode não acreditar, mas não me apaixonei por você depois que descobri estar grávida. Apaixonei-me a partir da bofetada no Molly’s, quando me largou, estático, feito um panaca. Um pouco antes até. Só não queria admitir — garanto — Sempre que te via com Jay, sorrindo, parecendo tão feliz, sentia ciúmes porque eu queria ser o motivo do seu riso. E quando ele te abraçava e beijava, mesmo que somente na face, sentia vontade de arrancá-la de seus braços e gritar que era minha. O mesmo em relação ao Sexton ou outro residente que insistia em tentar te conquistar. Era egoísta, eu sei, mas não conseguia evitar – assumo – Pior de tudo era saber ser minha culpa não estarmos juntos. Foi minha teimosia que nos manteve afastados tanto tempo. Já não via mais sentido ou vontade de transas passageiras. Queria mais. Queria você. Queria as promessas contidas em seu beijos, seus olhos, seu corpo... Você me fez sentir vivo novamente. Fez-me querer ser melhor. Melhor médico, melhor irmão, amigo, pessoa... te queria mas não tinha coragem de me aproximar. Achava que não iria perdoar-me por isso, quando Miss Goodwin e Latham me questionaram sobre convidá-la a juntar-se a equipe sequer pestanejei em concordar. Via a oportunidade de te conquistar – silêncio mais uma vez, mantendo-a presa a meu olhar – Case comigo, Sarah.

Continua...

“...Eu pensei que com tanta experiência;

Eu soubesse tudo;

Mas você me ensinou que no amor;

Não importa quem sabe mais;

E que o tempo entre nós não existe;

Por tudo que este amor nos traz;

Não se afaste de mim, oh, oh, oh não...”

Notas finais
Até o próximo cap. Bjinhos flores Eu consegui!! Eu consegui!! Essa garotinha fofa é a Noah Marie (fazer o que né?) uma das participantes do Júnior Baker off Brasil e representa a imagem que faço da Emma.