Love Hurts!

21 Emma’s gourmert music party! – part. I


Notas iniciais
Olá flores! Começando o final de semana com atts. Duas hoje e se tudo der certo duas amanhã. Pelo titulo já devem imaginar do que se trata não é? Mas tem mais coisa acontecendo. Pretendia fazer deste um capitulo único mas acabei dividindo. Ainda assim ficou grande. Mal hábito que estou tentando reverter, rsrsrs. Não vou falar muito ou acabarei dando spoiler. Sem mais demora, grata por todas as rewiews passadas(espero ter respondido todas)...More rewiews, please..Boa leitura..Grata pela força de todas vocês...Bjinhos flores.

“...I don’t wanna go another day;

So I’m telling you, exactly what is on my mind;

See the way we ride in our private lives;

Ain’t nobody getti’n between;

I want you to know that, you the only one for me…”

Stickwitu

The Pussycat Dolls

Apartamento Connor e Sarah (Segunda, 17/4 — 05:55 a.m)

Sarah

A idéia me ocorrera noite passada quando fomos a uma cafeteria enquanto Emma e Marina brincavam no play station do shopping sob o olhar atento de Claire (ela havia aparecido no final da tarde do domingo nos convidando a passear e acabamos por aceitar). Por conta disto, acordei mais cedo a fim de por meu plano em prática.

Cheguei a ficar chateada com Connor pois supus que havia comentado sobre seu pedido. Senti-me pressionada e por muito pouco não discuti com ele. Graças a Deus percebi que não havia dito nada, relaxei e aproveitei o passeio para descansar um pouco, pois estava tensa tanto com a espera pelo resultado do teste de paternidade quanto pelo pedido. Ainda restava uma pontinha de insegura quanto à motivação mesmo ele tendo garantido não ser apenas a gravidez a fazê-lo pedir-me.

Admoestara-me dezenas de vezes a confiar em suas palavras e sentimentos, pois já os provara varias vezes, mas sabe como é, o bichinho da insegurança faz parte da minha personalidade não somente no campo amoroso. No profissional custei me decidir e mesmo após o ter feito titubeie em alguns momentos.

Pois bem, Connor me convidou para tomarmos um café enquanto as meninas brincavam e enquanto conversávamos aguardando nosso pedido chegar(ele pedira-me para contar como fui parar em uma cafeteria como aquela no passado) o estalo me veio à mente.

Já havia tomado minha decisão sobre seu pedido, mas não sabia como dizer-lhe. Não queria ser direta. Temia parecer fria demais. Também não via porque fazer um discurso emocional para justificar minha decisão. Não faz meu gênero este tipo de atitude, ele sabe, portanto, soaria falso, logo...

— Bom dia Sarah! – o cumprimento de minha irmã tira-me do devaneio e volto parcialmente o rosto vendo-a atirar sua mochila escolar sobre o sofá (atitude que não gosto), correndo ate mim (outra coisa que não gosto), Connor e Marina surgindo logo em seguida – O que está fazendo? – pergunta, curiosa, apoiando as mãos no balcão, ficando na ponta dos pés a fim de visualizar a bandeja a sua frente, abrindo e fechando a boca, me olhando surpresa.

Levo um dedo a boca pedindo sigilo ao mesmo tempo em que ouço a queixa de Connor, que sentara Marina no sofá ocupando-se em pôrostênisnela .

— Por que não me acordou Sarah? Fez tudo sozinha? – inquire.

— Estava dormindo tão tranquilo que fiquei com dó te acordar – justifico, piscando para Emma enquanto sigo com minha tarefa – Além do mais preparar nosso desjejum é antes de tudo um prazer pra mim – afirmo – Fiz panquecas, ovos com bacon, torradas, suco e estou terminando o café – aviso – Poderia ir servindo as meninas, por favor? – peço, vendo-o pelo canto do olho ergue-se – Emma, pegue o queijo, leite e iogurte na geladeira e sente-se – comando, sussurrando um pedido de ajuda. Precisava manter Connor longe do balcão mais alguns minutos ou estragaria a surpresa.

— Ok – minha irmã anui, saltitante – Ah, antes que esqueça, escolhi o tema de minha festa...Connor me ajuda aqui – pede, recostando-se ao balcão com as duas mãos ocupadas.

— O que vai ser boneca? – escuto-o pergunta, afastando-me discretamente para não chamar sua atenção.

— Bem, eu gosto de dança e música...falando nisso quero aprender a tocar Cello, Violoncelo – avisa fazendo-me voltar em sua direção, por pouco não derrubando o conteúdo da xícara a minha frente – O quê? Connor falou que eu poderia escolher qualquer um, ta lembrada? – relembra e abro a boca para protestar, ele sendo mais rápido.

— Disse e cumpro – anui, olhando-me sorridente.

— E como pode saber se vai gostar de tocar violoncelo? – questiono, ficando de frente para os dois, cruzando os braços a frente do corpo, calculando mentalmente quanto tempo ainda dispunha para nãoperder tudo que fizera até agora.

— Sabendo oras! – responde, dando de ombros – E gosto do som que faz – diz, sorridente.

— Isto não é garantia que irá gostar quando começar a aprender – rebato.

— Posso leva-la a um conservatório no meu dia de folga para que assista uma aula demonstração – Connor sugere.

—Isso! – Emma vibra.

— Não vai dançar Ems? – Marina interroga, “brigando” com o pote de geleia, Connor indo em seu auxilio após colocar o leite sobre a mesa.

— Vou. Vou dançar, tocar e cantar! – assegura, rodopiando antes de por a jarra com iogurte e o queijo sobre a mesa elegantemente.... Gostaria de saber a quem puxou tão elegante e graciosa assim!! Aos pais certamente que não. Ou a mim! ...penso, sua voz chamando minha atenção outra vez – Bem, como dizia, gosto disso tudo e como também gosto de cozinhar. ..um pouquinho...mas só guloseimas – acresce.

— Emma, faça sentido, por favor – peço, indicando que sentasse, me voltando para o balcão novamente.

— O que tanto faz ai? – ouço Connor perguntar e prendo o ar, temendo que viesse verificar, Emma salvando a situação.

— Quero uma festa de música gourmert! – exclama – Ou seria festa gourmert com música? – indaga mais para si mesma, completando antes que possamos dizer alguma coisa – Dá pra fazer no colégio mesmo. Tem uma sala onde dão aulas de culinária para adultos e crianças. Já pensei até nas lembranças: aventais com os nomes dos convidados. A gente pode colar ou escrever com cola colorida...

— Quero cozinha! – Marina exclama.

— Pode até rolar uma aula de doce ou salgado, quem sabe. A tia é bem legal. Se falarem com ela acho que topa...e podia ter violoncelos enfeitando as mesas dos adultos. Meus amigos da escola iriam, os de Mama também, não precisa falar com o sindico, Sarah não vai ter que se preocupar com nada nem se cansar... – teoriza e rio de sua inocência – Pode ser? – pergunta e mesmo sem vê-la sei que está mordendo o lábio inferior.

— Isso é tique de família por acaso? – Connor questiona e solto uma gargalhada – Pode ser sim boneca. Só preciso falar com Claire para...

— Para que falar com ela? – questiono, justificando-me – Não me leve a mal, mas não quero alugar sua irmã a todo momento – digo, fazendo aspas no ar – Posso pedir a Kim e Gabby ajudarem na preparação. Aliás, se não o fizer ganharei duas inimigas ferrenhas! – exagero, sorrindo ao conseguir finalizar minha obra de arte.

— Corro o mesmo risco com minha irmã – rebate – Façamos o seguinte: contaremos a elas o que Emma quer e vemos quem pode ajudar com o que, assim ninguém fica ofendido. Que tal? – sugere.

— Uhum – respondo, dando os retoques finais na xícara a minha frente.

— O que tanto mexe nesse balcão? Por que não vem tomar café conosco? – Connor interroga e por seu tom de voz sei que está irritado.

Sorrio, satisfeita, inclinando o rosto o suficiente para ver o de Emma, piscando antes de responder.

— Já terminei – aviso, segurando os dois pires e xícaras cuidadosamente – É que deixei de praticar e acabei demorando bem mais do que costumava – digo, me voltando para eles ainda sorridente.

— Deixou de praticar o que? – questiona-me, franzindo o cenho.

— Connor, lembra que a Sarah trabalhou numa cafeteria por vários meses? – Emma pergunta, ele franzindo ainda mais o cenho, acenando afirmativamente – Ela aprendeu a fazer uns cafés bem maneiros lá, sabia?

— Hã...não, não sabia – responde, olhando-me interrogativamente.

— Me fez uma pergunta no sábado, está lembrado? – interrogo, ele acenando afirmativamente, devagar, sem tirar os olhos de mim – Então...eis sua resposta – aviso, sentando a seu lado, pondo ambas as xicaras a sua frente sobre a mesa, lado a lado.

— Minha...resposta?!? – indaga, arqueando a sobrancelha, baixando o olhar – O que isso...você....Isso é o que estou pensando ? – titubeia, encarando-me, um brilho que sai de seu olhar e ilumina todo o rosto quando confirmo.

— Sim, eu aceito casar com você – verbalizo o que escrevi na espuma do café junto com um coração recebendo um beijo apaixonado como recompensa sob os aplausos de minhas irmãs.

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Connor

Felicidade. Essa era a única palavra capaz de definir o que sentia. Estava feliz como a muito não me sentia. Feliz no sentido amplo da palavra. Em todo seu significado.

Ela disse “sim”! , vibro internamente, olhando de soslaio a mulher a meu lado, o amor que a vida me deu de presente de forma inesperada, a mulher que me trouxe luz e alegria, que me daria um filho, minha futura esposa!

Cheguei sim a temer que recusasse, não pela demora, que nem foi tanta assim, mas por ter feito o pedido de maneira impulsiva e em um momento de espera pelo resultado de um teste não desejado por nenhum de nós dois, porém necessário para silenciar certas pessoas.

Tá, reconheço que mesmo não falando abertamente, as insinuações maldosas me irritavam e magoavam (outro dia escutara acidentalmente dois residentes da Neurologia comentando se não seria Jay o pai do bebê posto que o viram diversas vezes acompanhando Sarah ao hospital). Além disto, havia a irritante presença (não física) de meu pai. O digníssimo senhor Cornelius conseguia se fazer sempre presente de alguma maneira e apesar de sua opinião não me importar em nada, sentia imensa vontade de esfregar a verdade em sua cara. Descobri que Sarah sentia o mesmo foi meio catártico para mim.

—Vocês vão falar com a diretora agora? – o questionamento de Emma me tira do devaneio e a olho pelo retrovisor.

— Talvez – Sarah responde, verificando a hora no relógio em seu pulso – Acha que temos tempo? – indaga.

— Acredito que sim. Ao menos para darmos uma palavrinha rápida -digo, estacionando o mais próximo a entrada que consigo – Vamos lá gatinhas, precisamos nos apressar – peço, soltando o cinto de segurança.

Com ajuda de Sarah, as meninas pegam suas bolsas, apressando-se em descerem do carro, postando-se entre nós como de costume.

Seguimos os quatro de mãos dadas pelo corredor indo primeiramente a sala de Marina, deixando-a com a professora e logo depois para a de Emma.

Após deixa-las, Sarah e eu nos dirigimos a diretoria da escola onde somos prontamente recebidos pela senhora Duval.

— Bom dia Sarah, senhor Rhodes, como estão? – cumprimenta-nos indicando as cadeiras a sua frente.

— Bem, obrigado e pode me chamar de Connor, por favor – peço, sentando ao lado de Sarah.

— Tentarei – compromete-se sorrindo afável – Em que posso ajuda-los? Alguma dúvida quanto as notas das meninas? Alguma queixa por parte delas? – interroga.

— Não, nada de queixas ou dúvidas – Sarah a tranquiliza – Na verdade queremos saber da possibilidade de a festa de aniversario da Emma ser feita aqui, na escola. Será semana que vem e peço desculpas por procura-la tão em cima da hora, mas somente hoje nos disse que deseja festejar – justifica-se.

— Ficaremos responsáveis por tudo: comida, decoração bem como a limpeza do espaço que utilizaremos – me adianto – Gostaríamos apenas de pedir a colaboração de duas de suas professoras, se não entendi mal, não é amor? – indago, olhando para Sarah.

— Uhum, duas para nos ajudarem: a senhorita Taylor, professora de Literatura e língua e a senhorita Hall, de Culinária, acho – responde, incerta – Mas todos os professores e a senhora estão convidados, obviamente – completa.

— Obrigada, considere o convite aceito – agradece – Qual espaço pretendem utilizar? – quer saber.

— Emma sugeriu a sala de Culinária, mas não sei se é adequado. Pode ser qualquer espaço amplo, pois ainda convidará algumas amiguinhas do balé – lembra, sem graça.

— Humm, sei. Por que não vamos até lá? Temos um tempinho antes de Daniela começar a dar aula – sugere, levantando e fazemos o mesmo.

Seguimos a mulher até uma sala ampla no final do segundo corredor, uma jovem ruiva nos recebendo com entusiasmo. Lá dentro, Sarah conta o que Emma nos pedira enquanto caminho pelo ambiente( mais para disfarça minha distração do que por outro motivo).

Desde que saíramos de casa, Sarah tendo aceitado meu pedido, um pensamento ocupava minha mente: onde poderia comprar as alianças de noivado (decidira comprar o par). Naquele momento, enquanto ela discutia com a professora e a diretora sobre o melhor dia e hora para a festa de Emma, tentava lembrar alguma loja próxima ao Med de forma a me permitir comprá-las na primeira oportunidade ainda hoje.

— Connor? – o chamado me tira do devaneio e volto-me para as três mulheres – Vamos indo? – Sarah convida.

— Sim – limito-me responder, cumprimentando as duas educadoras com um meneio de cabeça ao passar por elas.

— Até mais tarde – a senhorita Hall diz e franzo o cenho, confuso.

— Ela e a senhorita Taylor irão em casa hoje a noite para acertarmos tudo – explica – Aliás, caso não se importe, vou convidar Kim ,Gabby mais April, Maggie e Nat, se ela puder, a se juntarem a nós. Temos muito pouco tempo para providenciar tudo. Será que Claire pode ir também? Assim já deixamos acertado quem irá fazer o quê e como. Só espero que Emma não invente muita coisa – pondera, segurando e puxando minha mão, fazendo-me encará-la – Ouviu alguma coisa do que eu disse? – interroga.

— Fará uma reunião logo mais a noite, em casa, para decidirem os detalhes da festa de Emma – resumo, abrindo a porta para que passasse – Desculpe se não participei lá dentro. Estava distraído – confesso, vendo-a rir.

— Estava? Ainda está – rebate, parando junto a porta do carona – Connor, se não quiser, por alguma razão, que façamos essa festa, melhor que fale agora – pede.

— O quê? Não, não, faremos sim. E fique certa que terá de conter o entusiasmo de Claire mais uma vez – garanto, dando a volta pela frente do veiculo após acomodá-la – Estava pensando em outras coisas, por isso me distrai.

— Outras? Plural? – questiona, enrugando o nariz numa careta gozada – O resultado do teste não é? – quer saber.

— Também – admito, dando partida no motor – E em qual presente dar a Emma– minto. Queria fazer-lhe uma surpresa.

— Como sei que não adianta dizer-lhe que não compre nada – começa dizer me fazendo ri – Sugiro algo útil, que esteja precisando, tipo um agasalho – sugere.

— Ou um violoncelo – digo, rindo alto ao vê sua expressão de pânico.

— Nem pense nisto! Emma está empolgada com essa historia de tocar um instrumento agora, mas logo passa e teremos um entulho enorme em casa – diz me fazendo rir mais – Falo sério Connor. Nada de violoncelos! – reforça.

— Ok....Deixo para comprar depois que a levar no conservatório – digo, entrando no estacionamento do hospital.

— Vai mesmo levá-la não vai? – indaga, balançando a cabeça negativamente – Ok, mas não espere muito. Afora o balé, ela já se entusiasmou com teatro, canto, pintura...

— Humm, quer dizer que temos uma artista polivalente em casa! – brinco, desligando o motor após haver estacionado.

— O que estou querendo dizer é que até hoje apenas o balé permanece, todos os outros foram fogo de palha – explica, soltando o cinto – Pior que Marina acaba querendo imitá-la – suspira, descendo do carro.

— É natural – digo, fazendo o mesmo, travando-o depois que retiramos nossas bolsas – Já parou para pensar que dentro de quatro meses teremos uma bolsa a mais para carregar? O que me lembra: ainda não compramos a cadeirinha – estalo os dedos, a idéia vindo num estalo – Irei no horário de almoço, se tiver evidente – digo, pendurando minha bolsa no ombro, aguardando-a ficar a meu lado.

— Irá aonde? Comprar a cadeirinha? – questiona e confirmo com um aceno – Por que a pressa? Como disse, ainda temos quatro meses pela frente – diz.

— E quanto menos coisas para providenciarmos de ultima hora melhor – rebato, envolvendo seus ombros com um braço, caminhando abraçados para a entrada do hospital.

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Dolan Rhodes (13:45 p.m)

Narrador

Indeciso, Connor observa a fachada da imponente loja de departamentos de sua família, suspirando resignado antes de descer do carro.

Aproveitara a folga inesperada visto que a cirurgia agendada para o horário fora cancelada para escapar do Med indo até a joalheria a qual se recordara ficando desapontado ao não encontrar nada que o agradasse.

Vira diversos modelos de alianças, porém nenhum o tocara suficiente para que o comprasse. Sabia que Sarah não usaria uma jóia espalhafatosa ou chamativa por mais bela que fosse. Menos ainda de grande valor (ficara tentado por um solitário de cinco pontos em ouro numa tonalidade que lembrava o rosa), portanto suas opções eram mínimas.

Até encantara-se por dois pares em prata e ouro trabalhados cujos desenhos reproduziam o ritmo cardíaco, mas a espessura o desanimara. Queria algo simples e delicado como Sarah era e na loja não encontrou o que desejava. A vendedora indicara a loja que havia na Dolan, da mesma rede, dizendo haverem recebido novidades e ali estava ele, adentrando o prédio, contrafeito, porém decidido a realizar a compra naquele dia.

Sua primeira providencia ao entrar foi pedir ao chefe da segurança, que o reconhecera, que não avisasse seu pai ou irmã de sua presença na loja, seguindo o mais rápido e discretamente possível para a joalheria.

— Boa tarde. Em que posso ajudá-lo? – o jovem atendente se aproxima, prestativo, ao vê-lo observando o balcão.

— Quero um par de alianças de noivado, ou compromisso – pede, o jovem postando-se por detrás do mostruário.

— Que tipo de modelo pensou? – pergunta, abrindo um dos balcões.

— Não quero nada chamativo ou espalhafatoso. Minha noiva gosta de discrição. Procuro algo simples, de bom gosto e romântico — especifica o cirurgião.

— Liso, trabalhado, com ou sem pedras – indaga o atendente, suas mãos procurando as bandejas sob o vidro.

— A dela com pedras. Pelo menos uma – pede.

— Uhum... Temos estes dois modelos bem semelhantes, porém se reparar irá vê que um é trabalhado e o outro liso com uma única pedra no centro – retira as jóias, pondo-as sobe uma almofada – Já este modelo é todo trabalhado com detalhes em ouro branco. Neste par a feminina é um solitário – expõem os pares para ele.

— Muito fina, simples demais, grosseira, definitivamente ela não vai gostar de uma pedra deste tamanho – descarta um a um, seu olhar sendo atraído por um par no canto da bandeja aveludada – Pode pegar aquele, por favor – pede,indicando-o sendo prontamente atendido.

— Neste par a masculina é totalmente lisa enquanto a feminina tem uma faixa com pequenos brilhantes – explica, pondo-as sobre a almofada para ele examinar.

— Vou levar este par – avisa o cirurgião — Não precisa embalar. Basta por em uma caixinha apropriada – pede, sacando a carteira – Pago a você ou no caixa?

— No caixa, por favor. Depois pegue comigo – instrui o rapaz, escolhendo uma caixade veludo negrodiscreta a qual enfeita com um pequeno laço e um cartão, entregando-a ao cirurgião quando retorna – Meus parabéns, senhor. Tenho certeza que sua noiva irá amar.

—Obrigado – agradece ele, saindo da joalheira tão distraído que custa escutar o chamado da irmã, sobressaltando-se ao sentir-se puxando pelo braço.

— Connor, não me ouviu chamar?- interroga a empresaria, olhando-o de cenho franzido – Que faz aqui? Não que esteja reclamando, mas sei o quanto evita vir a Dolan – comenta, encarando o irmão, surpresa.

— Estava...eu vim...- titubeia, inseguro se deveria ou não contar a irmã – Dane-se! Vai saber do mesmo jeito hoje à noite – pragueja deixando-a ainda mais surpresa – Poderia jantar conosco hoje? Sarah fará uma pequena reunião para organizar a festa de aniversario da Emma e gostaríamos de contar com sua ajuda – convida.

— Certamente. Me apaixonei por aquelas garotinhas no minuto em que as vi, sabe disso – prontifica-se Claire, o riso dando lugar a desconfiança — O que há para eu saber além disto? – questiona-o.

— Pedi Sarah em casamento e ela aceitou – revela, sinalizando com as mãos ao vê-la ensaiar um surto – Contenha-se Claire, por favor. Não quero ...

— Quer dizer que vai mesmo tornar oficial sua relação com aquela jovem independente do que falei? – Cornélius Rhodes questiona, surgindo por detrás de uma coluna – Essa moça realmente o enfeitiçou. Mais até do que a esquisita filha do psiquiatra. A mãe a ensinou bem, por certo.

— Dobre a língua pra falar da Sarah, pai! Não admito que a maltrate seja de que maneira for – vocifera o cirurgião, elevando a voz.

— Connor, por favor, acalme-se. As pessoas estão olhando – é a vez de Claire chamar-lhe a razão.

— Ao menos certificou-se se esse filho é seu de fato? – interroga o empresário, rindo torto – Não que duvide da fertilidade e virilidade dos Rhodes...Mas não poria minha mão no fogo por alguém ...

— Alguém o que? O que sabe sobre Sarah pai? Que direito tem de acusá-la? Sequer a conhece, não sabe sua historia ou tudo que enfrentou nos últimos dois anos e ainda assim se dar ao direito de pré julgá-la – esbraveja Connor, Claire o contendo discretamente quando avança em direção ao pai – Não faz a menor idéia de quem ela seja – bufa.

— Conheço a mãe e para mim é mais do que suficiente – revela o empresário, surpreendendo os filhos – Quer saber de onde? Encontrei-a em um evento em Vegas. Foi para a cama comigo, tentou e quase conseguiu me envolver. Descobri a tempo que estava envolvida com outro homem que conhecera dois antes, portanto na me culpe por pensar que o fruto pode não ter caído tão longe da arvore quanto gostaria!- exclama o empresário, encarando o filho com dureza.

— Não somos vocês – Connor afirma, firme, baixando o tom de voz perigosamente – Nem Sarah nem eu, somos iguais a você ou a mãe dela. Não fale do que não sabe e não conhece pai. Eu a amo e ela a mim e nada nem ninguém vai interferir em nossa relação. Não vou permitir. Vou pedir uma única vez, educadamente: afaste-se de nós – ordena, encarando-o um segundo antes de dar-lhe as costas, deixando ambos, irmã e pai, estáticos.

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Chicago Med (14:37 p.m)

Connor

Entro no Med tão furioso e tenso com tudo que ouvira de meu pai na Dolan, que somente percebo a aproximação da doutora Harris quando sinto o toque em meu ombro fazendo-me voltar em sua direção.

— Caitlin, desculpe, não a vi – peço, retendo o elevador – Vai subir? – pergunto.

— Na verdade estou de saída, um pouco mais cedo – avisa, erguendo um envelope pardo – Poderia entregar a doutora Reese?

— Claro – anuo, segurando-o, um tremor me atingindo – É o resultado do teste? – quero saber, rindo minimamente ante sua expressão surpresa – Sarah me contou que havia feito o teste de DNA no hospital em Bloomington – informo.

— Imaginei que o faria – diz, cordata – Aproveitando, quero lhe dizer que solicitei alguns dados seus no RH do Med. Apesar do material fornecido por Sarah ter sido suficiente, precisei de maiores informações suas. Espero que não se importe – avisa.

— Sem problemas – garanto – Você já leu? – quero saber.

— Apenas o laudo geral – conta, explicando-se – Além do DNA pedi outros exames. Como sabe este exame pode detectar, entre outras coisas, síndrome de Down, então aproveitei para verificar se estava tudo bem com o bebê – justifica-se.

— E está? – pergunto, relaxando ante sua resposta.

— Sim. Tudo bem com o Maxmilian – garante, sorridente, dando atenção a seu celular que tocava – Preciso ir. Boa tarde – despede-se.

Entro no elevador, o envelope queimando em minhas mãos. Queria abri-lo junto com Sarah, mas apenas depois de dar-lhe a aliança, o que seria complicado caso ela estivesse em algum atendimento. Complicaria para as duas coisas.

Saio do elevador seguindo apressadamente para a sala de repouso rezando para que estivesse por lá, agradecendo mentalmente quando a visualizo deitada no sofá.

— Hey – cumprimento ao entrar fazendo-a erguer a cabeça olhando em minha direção.

— Oi – responde, deitando novamente, abraçando uma almofada.

— Tudo bem amor? Esta sentindo alguma coisa? – preocupo-me, agachando junto ao sofá, pondo o envelope sobre a mesa do computador.

— Uhum, uhum...só descansando coluna e pernas um pouco – garante e respiro aliviado – Falei com Maggie e as demais. Acho que teremos um pequeno exercito em casa logo mais a noite – diz, enrugando o nariz numa careta graciosa.

— Falei com Claire também. Ela irá – aviso, erguendo-me parcialmente – Posso te fazer companhia? – questiono, ela acenando afirmativamente, erguendo o tronco, abrindo espaço para que pudesse sentar.

Recosto-me no assento trazendo-a para mim, fazendo com que deitasse em meu peito.

— Onde foi? Procurei por você e Maggie disse que havia saído. Não foi comprar a tal cadeirinha foi? – interroga e rio junto a seu cabelo, deixando um beijo no topo de sua cabeça antes de responder.

— Não – digo, respirando fundo – A cadeirinha não, afinal ainda temos quatro meses – repito sua fala escutando-a bufar.

— Foi o que disse mais cedo – reitera e rio novamente – Disse que tinha falado com Claire. Foi a Dolan? – quer saber.

— Sim, mas não apenas para falar com ela. Precisei ir a uma das lojas lá dentro porque na outra não encontrei o que queria – resumo, afagando os cachos rebeldes que tanto amo.

— Então saiu para comprar alguma coisa – diz, afastando-se, sentando de lado, me encarando com a testa franzida – O quê, posso saber? – indaga.

— Deve já que terá de ...- começo dizer levando a mão ao bolso de meu casaco – Já que terá de pô-lo em meu dedo e eu no seu – conclui ao mesmo tempo em que abro a caixinha de veludo exibindo as alianças – Sei que já perguntei isto e você me respondeu, mas o farei novamente – digo ante seu olhar abismado, limpando a garganta antes de falar novamente – Sarah Resse, casa comigo? – peço, endireitando o corpo, tenso – Só pra lembrá-la: já me disse sim...

— Então por que está perguntando de novo? E para quê estas alianças? Sabe que não me importo com estas coisas – mente linda e descaradamente e sorrio mais abertamente.

— Bem, eu sim e mostrar para todos que te amo e não estou te enrolando é importante para mim – afirmo vendo seu riso surgir aos poucos, iluminando-lhe o rosto – Agora, pode me responder, digo, confirmar o que lindamente disse esta manhã para que eu possa por esta aliança em sua delicada e linda mão!?...Por favor! – peço, unindo as mãos a frente do corpo.

— Sim, aceito casar com você... seu maluco, desmiolado, meu adorável bobo! – responde, sorridente – E agora, que faço? – pergunta.

— Dê-me sua mão...Somente ela por hora! – não resisto provocá-la rindo ao ver seu rosto se tingir de vermelho – Já disse o quanto é adorável o fato de aindaficar encabulada cada vez que te faço um elogio ou provocação? – questiono, segurando sua mão direita, encaixando a aliança no anelar, deixando um beijo ao terminar – Sua vez – aviso, entregando-lhe a caixinha.

— Devo dizer algo? – pergunta, girando a aliança entre os dedos e dou de ombros – Certo – diz, pensativa – Vou ser original: dê-me sua mão, apenas ela por enquanto – imita-me e rio alto.

— Muito original! – brinco, sentindo o toque macio quando desliza o metal em meu dedo, repetindo meu gesto – Agora estamos oficialmente amarrados...ou quase – digo, inclinando-me para lhe dar um selinho.

— Uhum – murmura, retribuindo, girando em meus braços, aninhando-se em meu peito novamente – É linda! –exclama, erguendo a mão, o brilho discreto do metal e pedras refletindo a luz ambiente.

— Sim. E discreta – acrescento, pondo minha mão ao lado da sua.

— Ainda bem ou não usaria – afirma, entrelaçando nossos dedos, apoiando nossas mãos unidas sobre seu ventre.

— Nem se fosse um solitário de cinco pontos? – provoco-a mais uma vez, rindo divertido.

— Connor, um solitário de cinco pontos não é uma aliança, sequer merece ser chamado de anel –diz, fazendo-me rir alto com a explicação que segue sua observação – Um solitário é o melhor amigo, namorado, marido e amante de qualquer mulher e não sou fingida a ponto de dizer que não receberia se resolvesse me dar um. Só não usaria em lugar nenhum excerto em casa – afirma e quase que imediatamente uma imagem se forma em minha mente.

— Ok, já sei o que lhe darei de presente no Natal – aviso, fazendo-a sentar-se rápido, ficando de lado a fim de visualizar meu rosto.

— Humm, por que pressinto que sua mente pervertida pensou em alguma coisa devassa para que eu possa retribuir tal mimo? – inquire, estreitando os olhos, não conseguindo disfarçar o riso.

— Porque me conhece muito bem – afirmo, sorrindo maliciosamente.

— Certo...E qual seria então o Seu presente? – pergunta, apertando do dedo em meu peito.

— Nada muito caro – digo, fingindo displicência — Apenas eu e você....usando nada além de seu amigo brilhante! – insinuo, beijando-a demoradamente, gemendo ao sentir meu lábio inferior ser capturado e prensado entre seus dentes numa promessa velada.

—UOU! Comportem-se crianças! Estamos em horário de trabalho ainda...alguns de nós ao menos – a represália de Will chega a nossos ouvidos e nos afastamos devagar- A hora do recreio acabou Connor. Preciso que avalie uma paciente.Ainda neste século. Se der, este ano. Preferivelmente este mês. Esta semana. Se possível hoje. Em outras palavras: agora! – ordena, estapeando minha cabeça – Anda, mexa-se!

— Halstead, já te disse o quanto é chato quando quer? – indago, levantando-me.

— Umas quinhentas vezes, mas não te dou cartaz – responde e soco seu ombro – É coisa rápida. Acho – pondera, torcendo o lábio.

— Nunca é rápido ou simples quando se trata de coração – declaro, escutando a interjeição Nat, que entrava acompanhada por April.

— Humm, tem alguém romântico por aqui hoje não! Algum motivo especial? – Nat pergunta, curiosa.

— Todos. Sarah te conta já que seu namorado está estalando o chicote! – brinco, lembrando de pegar o envelope, pondo-o no bolso antes de sair junto com Will.

— Qual o motivo de tanta alegria? – pergunta-me enquanto caminhamos corredor adentro.

— Pedi Sarah em casamento e ela disse sim – conto, mostrando-lhe a aliança em minha mão.

— ATÉ QUE ENFIM! ALELUIA! Eu ouvi um amém???

— E.xa.ge.ra.do! – soletro, sua gargalhada ecoando por todo PS.

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“...And now, ain’t nothing else I can need;

And now, I’m singing…’cause your so, so into me;

I got you, we’ll be making love endlessly;

I’m with you, baby you’re with me…”

Sarah

Que envelope é aquele?, penso, seguindo Connor com o olhar até que sumisse de vista.

— Então, qual o motivo da alegria do doutor Rhodes? – April pergunta no mesmo instante em que Maggie entra na sala.

— O que aconteceu aqui? Doutor Halstead assustou metade do PS com os gritos de Aleluia! – conta, me fazendo rir.

— Depois dizem que mulheres que são exageradas – digo, balançando a cabeça negativamente.

— Sarah, estamos falando de Will Halstead. Exagero é o nome do meio dele – Nat brinca fazendo todas rirmos – Mas e ai, qual o motivo da alegria de um e do exagero de outro? – reitera.

— Nada de mais – digo, dando de ombros com fingida displicência – Nada além de Connor ter me pedido em casamento e eu ter aceitado – revelo.

—WHAT!! – berram (literalmente) juntas, me encarando boquiabertas.

— Quando? Como? Onde? Precisamos de detalhes, todos eles! – April exclama, batendo palmas.

— Bom, o quando e o onde, sábado no finalzinho da tarde em nosso apartamento – conto, sentindo um calor gostoso ao dizer “nosso apartamento” – O como, bem, não teve joelho no chão ou qualquer dessas coisas românticas que vemos no cinema e televisão. Ele apenas me pediu para casar com ele enquanto estávamos sentados sobre o tapete da sala assistindo as meninas jogarem pela internet.

— Simples assim! – Natalie exclama, suspirando – Mas o brilho em seu olhar me diz que foi perfeito! – comenta e anuo com um gesto de cabeça.

— E você respondeu de imediato ou pediu um tempo? – April pergunta, curiosa, pegando (ou deveria dizer puxando?) minha mão ao notar o brilho me meu dedo.

— Oh myGod! Que lindo!! – exclama, exibindo-a para Nat e Maggie.

— Parabéns meu bem, vocês merecem – Maggie diz, me dando um beijo na testa.

— É realmente muito bonito. Como não vimos antes? – Nat questiona, intrigada e sorrio.

— Porque ele acabou de me dá e respondendo sua pergunta April, não pedi tempo, mas não dei a resposta de imediato. Fiquei um pouco...muito surpresa na verdade – admito — Hoje cedo, durante o café da manhã, que respondi – revelo.

— Tá explicado o porquê da cara de felicidade do Connor desde que chegou – Nat conclui.

— E o motivo da escapadinha de agora a pouco – Maggie lembra, nossa atenção sendo chamada para a porta quando esta é aberta.

— Pensei que a reunião era somenteà noite – Ava indaga, nos olhando de sobrancelha erguida.

— Estamos admirando a aliança de noivado da Sarah – Nat se adianta.

— Noivado? – questiona, aproximando-se.

— Sim – confirmo, exibindo minha mão – Connor me pediu e aceitei.

— Ahhh...meus parabéns – cumprimenta, pondo as mãos nos bolsos do jaleco – Quer dizer que teremos casório em breve! – comenta, rindo enviesado, algo na sua atitude me incomodando e deixando em alerta ao mesmo tempo.

— Não tão breve, mas sim, teremos – respondo, as insinuações feitas por Miah Bardovi tempos atrás emergindo com força em minha mente, provocando uma sensação ruim em meu estomago.

— Bom...melhor começar a pensar no presente – diz, o toque de seu paiger fazendo-a sobressaltar – Doutor Latham, tenho que ir. Mais uma vez meus parabéns – repete, saindo sem esperar resposta.

— Relaxe meu bem, doutor Rhodes só tem olhos para você – ouço Maggie dizer após alguns segundos durante os quais observo o espaço vazio deixado por ela.

— Eu sei Maggie – asseguro, sorrindo discretamente – Eu sei – repito para mim mesma quando as três desviam sua atenção para minha aliança novamente.

O restante da tarde transcorre relativamente tranquila a exceção de um pequeno incidente envolvendo dois motoqueiros que mesmo feridos quase brigaram dentro do PS.

Como estava de plantão lá hoje, só volto a encontrar Connor ao final do turno.

A primeira coisa que noto ao vê-lo é o curativo em sua mão esquerda. A segunda é a tensão evidente em seu rosto.

— O que houve? – pergunto, preocupada.

— Prendi a mão em um dos armários na Cardiologia – explica, pegando sua bolsa distraidamente.

— É grave? – questiono, saindo juntamente com ele.

— Não. Superficial apenas – responde, acenando para Maggie e April.

— Até mais tarde – despeço-me de ambas, acenando – Por isso está tenso desse jeito? – interrogo enquanto caminhamos para o carro, ele levando alguns segundos para responder.

— Não – limita-se dizer, destravando o veículo.

Após jogarmos nossas bolsas sobre o banco traseiro e nos acomodarmos nos da frente, Connor da a partida permanecendo em silencio nos primeiros vinte minutos iniciais do percurso para casa, quebrando-o de repente.

— Sarah, se te pedir uma coisa faria? – questiona, apertando o volante com tanta força que os nós de seus dedos ficam brancos – Já aviso que pode ficar chateada comigo – alerta-me.

— Por que? – indago, curiosa e tensa ao mesmo tempo.

— Porque envolve seu estado atual – diz, prosseguindo – Sabe que prezo sua opinião e a pediria mesmo que não estivesse grávida e apesar de ser este o fator motriz, também quero sua opinião como minha colega de trabalho – afirma.

— Connor, o que há? – interrogo, levemente nervosa.

— É sobre a paciente que Will pediu-me para avaliar – começa dizer, cuidadoso – Ela tem um defeito congênito na válvula mitral e precisa de uma cirurgia corretiva – conta, tenso– Ela está gravida de quatro meses e já me avisou que interromper a gestação está completamente fora de cogitação –revela, ficando ainda mais tenso.

— Não dá pra salvar os dois, mãe e filho? – interrogo vendo a tristeza passar por sua face.

— Posso e vou tentar se Latham concordar, uma alternativa, mas o risco é enorme. Posso, em algum momento, ter que terminar a gravidez para salvar a vida dela e ai reside meu pedido: poderia conversar com ela a respeito disto? –pede, aproveitando o sinal fechado para em olhar – Não aceitou sequer ouvir quando Will e eu tentamos lhe falar. Repetia que não essa não era uma opção e não aceitaria em hipótese alguma – informa, pondo o carro em movimento novamente.

— E acha que eu posso ter sucesso onde falharam apenas por estar grávida também? – questiono, incomodada.

— Honestamente não sei, mas preciso tentar qualquer coisa. Não posso correr o risco de um processo contra o hospital. Se fosse apenas contra mim, arriscaria sem medo, mas se precisar interromper a gravidez sem uma autorização previa e ela decidir processar o Med, todos podem sair prejudicados. Não posso correr esse risco entende? – pergunta, me olhando de soslaio – Veja bem amor, não estou jogando nenhuma responsabilidade sobre seus ombros. De forma alguma. Tudo que peço é que tente fazê-la ao menos deixar esta opção viável para mim.

— E se ela se zangar e decidir ir a outro lugar Connor? Já pensou nessa possibilidade? – interrogo, suspirando, completando antes que ele responda – Não estou dizendo que não farei o que me pede, mas se ela está tão irredutível assim pode ficar zangada e optar por outro hospital. Você sabe os motivos de tal atitude?

— É outro motivo que me levou a te pedir isto. Não quis nos dizer – revela, entrando na garagem do condomínio onde moramos – A princípio pensamos ser a ultima esperança, tipo, ter tentado diversas vezes sem sucesso e este ter sido o único feto a vingar, que não teria filhos nem a chance de ter outros. No entanto ela já tem filhos. Três pelo que soube. O mais velho está a caminho. Mora no Canadá e deve chegar esta madrugada – conta,suspirando – Infelizmente ela criou um bloqueio contra mim depois que levantei a possibilidade de ter que interromper a gravidez. Tentei fazer-lhe entender que esta seria minha ultima opção, mas sequer me deixou falar. Fez o mesmo a Wil.

— E quanto a doutora Bekker? – inquiro, sentando de lado no banco após soltar o cinto – Ela não seria mais indicada a falar-lhe do que eu?

— Sarah, quero que a paciente me escute e não que chame o pelotão de fuzilamento! – exagera e é impossível não rir mesmo ante a gravidade da situação – Bekker é totalmente contrária a qualquer tentativa de salvar ambos. Expus o caso a ela e deixou claro que não concorda com a alternativa que pensei .

— O que pensou? – quero saber, curiosa.

— Diminuir o anticoagulante durante a cirurgia usando Heparina – revela – É arriscado ,eu sei, mas se conseguirmos controlar o sangramento pode dar certo – afirma, o brilho em seu olhar lembrando-me o porque David Downey o havia escolhido.

— Mas para isto as taxas dela tem que estar no mínimo perfeitas – pondero, mordendo o lábio instintivamente.

— Uhum. Mas tenha em mente que está opção somente será aceita caso ela primeiramente e Latham depois me dêem carta branca. Se insistir em não permitir o termino da gravidez, ele não irá me permitir operá-la. Ou até o faça, mas com uma adaga apontada pra minha cabeça – afirma – Na verdade, tudo depende do que ela decidir. Nem sei o que poderá acontecer se mantiver sua decisão. Irei informar o caso a Latham pela manhã e por isso precisaria que tentasse falar com ela assim que chegarmos. Se servir de consolo, Will iria pedir a Nat para intervir também – diz, rindo amarelo.

— Deixe-me pensar a respeito ok? Preciso me sentir confortável pra falar a uma mãe sobre abrir mão de seu filho – peço, esticando minha mão, tocando seu rosto com carinho – Antes de dormir te dou a resposta.

— Ok – anui, beijando a palma – Ah, com toda essa situação acabei esquecendo uma coisa – estala os dedos, inclinando-se entre os assentos, pegando sua bolsa.

— Se me disser que deu uma fugidinha para comprar o solitário, vou ficar brava com você. Falo sério – alerto, dedo em riste, escutando-o rir.

— Infelizmente não — diz, rindo divertido, retirando o envelope que vira a tarde dentre suas coisas – Harris me entregou quando voltei da Dolan. Pediu-me para dizer que tudo está bem com o bebê nos demais exames que aproveitou para realizar – conta.

— Ela leu? Você leu? – interrogo, tensa.

— Nops! Preferi esperar para vê com você muito embora já saiba o que está escrito ai – assegura — Ela disse que leu o laudo de forma geral, mas pelo sorriso que me dirigiu já sabe o que eu também já sei e você também já sabe –diz, usando um tom brincalhão que não consegue disfarçar sua ansiedade – Quer abrir ou eu faço as horas? – questiona tencionando fazê-lo, rindo quando tomo o envelope de suas mãos.

Abro-o devagar, retirando o papel contido lá dentro, lendo-o com calma, tentando manter uma expressão neutra, o que obviamente descubro não ter funcionado quando o ouço perguntar.

— Então, quando iremos visitar meu pai?

— Marque dia e hora e estarei lá.... Papai! – digo, envolvendo seu pescoço com os braços, tomando sua boca num beijo apaixonado....

Continua

“...So don’t cha worry about people hanging around;

They ain’t bring us down,I know you, and you know me;

And that’s, that’s why I say;

Nobody gonna love me better; I must stick with you forever;

Nobody gonna take me higher; I must stick with you;

You know how to appreciate me, I must stick with you, my baby;

Nobody ever made me feel this way, I must stick with you”

Notas finais
Repetir música vale né? Próximo tem festa, namoro, bolo, farra...Nos vemos em breve. Bjinhos flores