Notas iniciais
Olá flores! Demorei mas voltei. Deveria ter postado ontem mas o cansaço não deixou, rsrsrsrs. Como o titulo diz, hora de oficializar a relação de nosso casal. Hoje só festa e alegria. Grata por todas as rewiews passadas....Aguardo mais rewiews...Boa leitura....Bjinhos flores

“ I feel it in my fingers;

I feel it in my toes;

The love that’s all aroud me;

And so the feeling grows;

It’s written on the wind;

It’s everywhere I go;

So if you really love me;

Come on and let it show;

You know I love you, I always will;

My mind’s made up by the way that I feel;

There’s no beginning, there’ll be no end;

‘Cause on my love you can depend...”

Love Is All Around

Wet Wet Wet

Apartamento Connor e Sarah (sexta, 28/9 – 10:44 a.m)

Sarah

Respiro fundo, me esticando preguiçosamente na cama, de olhos fechados, abrindo os braços a procura de Connor, encontrando o espaço vazio a meu lado.

Suspiro, virando de lado e agarrando o travesseiro, esquecida momentaneamente que dia era hoje, sobressaltando-me quando minhas irmãs pulam sobre a cama, animadas.

—Acorde Sarah, a massageadora chegou, acorda!! – Marina exclama, deitando-se sobre minhas costas, me abraçando e beijando meu pescoço, provocando cócegas.

—É massagista Mama – Emma a corrige – E tia Claire já está vindo com sua roupa, a cabelereira e o maquiador. E a Kim também ligou pra saber se já tinha acordado e avisar que vai direto pro cartório – enumera – Sarah, tá ouvindo? – pergunta, me sacudindo.

—Uhum – murmuro, apertando o travesseiro.

—Então repete – desafia e suspiro.

—A massagista chegou, Claire, Kim e Sylvie também. Todo mundo vai se arrumar aqui para ir pro....

Me levanto de supetão, quase derrubando as duas, minha mente demorando um pouco para processar as coisas. Dobrara o turno pela segunda vez aquela semana e ainda estava meio sonolenta, logo meu raciocínio era bem mais lento do que o normal.

—Que dia é hoje? Por que não estão prontas para a escola? – interrogo ao notar que ainda usavam pijamas, um estalo me fazendo olhar de lado, para o berço – Max?? Cadê meu filho? E Connor? – questiono, me voltando ao escutar a risadas das meninas.

—Nossa, você tá muito confusa!!! – Emma exclama, pondo a mão sobre meu ombro – Hoje é sexta-feira e não fomos para a escola porque...

—Meu Casamento!! – completo por ela – Vou me casar hoje!! – lembro, um filme passando por minha cabeça.

Trinta dias haviam se passado desde que Benny nos comunicara que os papeis do casamento civil estavam prontos. Que fechei negócio, vendendo o prédio que me fora dado como indenização pela calúnia levantada contra mim pelos ex proprietários. Que meu pai apareceu trazendo mulher, meio irmã e uma doença grave. Onde um tiroteio me fez voltar ao trabalho mais cedo. Onde Connor me convencera a realizarmos uma cerimônia religiosa, simples, no mesmo dia do casamento civil o qual marcáramos a data. Trinta dias os quais me pareceram trinta anos!

Como era possível tanta coisa ter acontecido em tão pouco tempo??

—Sarah?? – a voz de me traz de volta a realidade.

—Estou acordada – digo, fazendo o lençol deslizar para longe – Connor e Max, onde estão? – reinquiro, lembrando vagamente de ele ter-me dito que estava saindo.

—Max tá com a gente e Larissa, lá na sala e Connor saiu faz uns dez minutos para resolver alguma coisa. Disse que volta bem antes da hora do casamento, para não se preocupar – Emma explica – Somente a noiva, as damas e madrinhas estão em casa por enquanto. Clube da Lulu total!! – comemora, dançando e rio, bagunçando meu já bagunçado cabelo, tendo outro sobressalto ao escutar a voz de minha futura cunhada.

—Não acredito que ainda está assim??? – inquere, as mãos na cintura, me encarando de boca aberta – Sarah, a massagista tá te esperando. Posso mandá-la entrar?? – pergunta, abraçando Marina e Emma – E vocês já para a mesa terminar o café e fazer as tarefas que não fizeram ontem! Não pensem que porque permitiram ficar em casa hoje irão relaxar. Tem bastante tempo até a hora dos casamentos. Andem, cuidem – apressa-as, batendo palmas, as duas pulando para fora do colchão e logo a seguir do quarto, suas risadas ecoando pela casa – E quanto a você senhorita, acorde!! Teremos um dia cheio – alerta.

—Estou acordada. Apenas não despertei ainda – me defendo bocejando – Me dá um desconto Claire. Cheguei em casa as sete da manhã. Mal adormeci e já me acordaram! – resmungo, sentando-me pesadamente, os olhos começando arder.

—Eu bem avisei que essa história de dobrar turno na véspera de seu casamento não era uma boa idéia – lembra, e rolo os olhos – Agora tenho uma noiva zumbi andando pela casa – brinca, conseguindo me fazer rir.

—Só preciso de mais meia horinha e estarei nova em folha! – asseguro, deixando um bocejo escapar.

—Acontece que não tem meia horinha! Seu dia de noiva já deveria ter começado. Vai atrasar tudo se não corrermos – alerta, indo até a porta, sinalizando alguém – Pode dormir durante a massagem de Helga – sugere, uma senhora forte e loira surgindo a porta do quarto – Ela provavelmente dormirá – avisa, a mulher me sorrindo gentil – Deixe-a somente até o final da massagem, depois faça com que vá banhar-se – recomenda e sorrio, me sentindo grata pelo cuidado e carinho que Claire tem demonstrado nos últimos dias em especial – Vou me certificar que as meninas terminem o café e depois pô-las para banharem-se se vestirem antes de você assim quando as madrinhas e as duas outras daminhas chegarem elas já estarão quase prontas. Cuide bem de minha cunhadinha Helga e prepare suas mãos de fada porque ao menos mais duas irão precisar de seus serviços – Claire anuncia, lançando beijos a mim e a mulher antes de sumir de vista.

—Pode, por favor, ir ao banheiro e colocar esta toalha enquanto preparo o espaço para sua massagem – pede a mulher e tal e qual minhas haviam feito com minha cunhada, obedeço sem contestar.

—Hã, posso tomar um banho antes? – pergunto.

—Melhor deixar para depois senhorita. Se banhar-se agora irá fazer o mesmo depois por causa dos cremes e óleos – aconselha, me estendendo uma tolha enorme e felpuda – Sempre uso as minha pela mesma razão – explica-se, parecendo lê minha mente e sorrio, seguindo para o banheiro onde me dispo, saindo de lá enrolada na toalha, me deparando com minha cama arrumada e um tipo de mesa com aqueles encostos de furo do meio. Confesso que me surpreendi com a rapidez da mulher. Não demorei nem dez minutos para me trocar – Deite-se de bruços e afrouxe a toalha, por favor – pede e novamente obedeço.

Nunca havia recebido uma massagem estética antes. O mais próximo disto foi durante a universidade quando tivemos aula com o pessoal da fisioterapia e nem de longe se comparava com as sensações que estava experimentando agora. A começar por meus pés, Helga apertavam esfregava e espremia de uma forma que tinha tudo para ser dolorosa, mas não era. Muito pelo contrário. Seus movimentos me traziam alívio para dores que sequer notei estar sentindo. E relaxamento. Nunca me senti tão relaxada em toda minha vida!

Tanto que acabo, de fato, como Claire previu, adormecendo (após ela me fazer virar de frente e depois de costas novamente). Mergulho em um sono tão profundo a ponto de sonhar. Na verdade, relembrar meu segundo encontro com meu pai e sua família, cerca de vinte dias atrás.

*** Flashback on ***

Respiro fundo, tomando coragem para entrar no quarto onde meu pai se encontrava internado. Semana passada tinha vindo vê-lo, mas me chocara com a presença de sua esposa e filha e acabei fugindo sem nada dizer. Não tive coragem de voltar. Até agora.

Connor me mantivera informada da situação dele. Como não aparecera nenhum doador compatível, haviam feito a cirurgia e colocado dois estentes. Também trocaram a medicação por outra, mais potente, porém ainda em teste no mercado. Ele próprio se dispusera participar dos testes após Latham apresentar-lhe a nova droga. O resultado, até agora, estava sendo surpreendente. Bem acima do esperado na verdade.

No entanto, meu noivo não estava tão animado quanto Latham e Bekker, por exemplo. E se Connor não estava satisfeito muito menos confiante com os resultados, era porque algo não ia bem. Ao menos não tão bem quanto parecia. E o fato de ele me incentivar ter uma conversa definitiva com ele, apenas reforçava minhas suspeitas.

—Vamos lá Sarah. Você consegue – incentivo-me, tomando forte respiração, dando uma leve batida na porta antes de me mostrar para eles – Posso entrar? – pergunto tão logo sua esposa e filhas se voltam.

—Sarah!! – meu pai exclama, sorridente – É claro que sim. Venha. Quero apresenta-las, finalmente – convida, sinalizando me aproximar.

O faço, um pouco constrangida, notando as duas parecerem estar sentindo o mesmo que eu, parando alguns passos de seu leito, perto de minha meio irmã.

—Que bom que encontrou um tempinho para me vê. Tenho tanto para lhe dizer- começa dizer, mantendo o riso – Mas antes, deixe apresentar sua irmã, Serena – indica a garota a meu lado direito fazendo-me olhá-la mais atentamente.

—Oi – ela cumprimenta com voz fraca, evitando me encarar.

—Cumprimente sua irmã direito Serena – a mãe admoesta, e antes que se formasse um mal-estar maior, me apresso em minimizar sua atitude.

—Está ótimo, não se preocupe – garanto, erguendo a mão – Desculpa não ter vindo antes. Estou retornando da licença maternidade e tenho muita coisa para por em dia além de reassumir minhas funções na Pediatria – justifico-me vendo o brilho em seus olhos aumentar.

—Meu primeiro netinho! Que bom que pude chegar a tempo de viver este momento – comemora, sinceramente emocionado – Fiquei imensamente feliz quando doutor Rhodes me contou sobre vocês e o filhinho que tiveram – diz e sorrio sem vontade. Connor me pedira permissão para contar sobre nossa relação e filho e acabei cedendo. Não me arrependo – Escute Sarah, e peço que me deixe falar – pede, enchendo os pulmões de ar, soltando-o lentamente antes de recomeçar a falar – Agi errado com você. Não deveria ter-me afastado, hoje vejo isto. Na verdade, percebi meu erro quando Serena nasceu – conta, esclarecendo minha maior dúvida até então: era ela a mulher pela qual largara a mim e minha mãe. Não consigo evitar uma pontinha de raiva se formar em meu peito – Não espero que entenda, mesmo porque não há justificativa para o que fiz a você. Filho é para sempre. Mesmo que sua mãe e eu não estivéssemos nos entendendo, você não deveria pagar por nossos erros. Eu era imaturo e ela também. Erramos, não soubemos e não tivemos maturidade suficiente para concertar ou mesmo assumir nossos erros – afirma, me encarando, o sorriso sumindo aos poucos – Casamos cedo demais. Você veio cedo demais. As cobranças de ambos os lados começaram a surgir e nenhum de nós soube dar o braço a torcer – acresce, suspirando, segurando a mão de sua atual esposa – Ao contrário do que sua mãe provavelmente deve ter-lhe dito em seus momentos de raiva e decepção, o que era direito dela, Adriele não teve culpa de nada. Nos apaixonamos. Ela nunca me pediu para abandonar minha família. Isto foi escolha minha. Cheguei mesmo a mentir-lhe dizendo ter resolvido a situação junto a sua mãe – confessa, rindo sem vontade – Eu não posso dizer o quanto sinto ter tomado as decisões que tomei. Não posso voltar o tempo e refazê-las e agora, que estou recebendo este tempo extra, quero tentar ao menos aplacar um pouco do prejuízo que lhe causei e espero que possa, senão me perdoar, compreender minhas atitudes na época – diz, sincero – E me permita conviver um pouco com meu netinho – pede, calando-se.

Não sei se por respeito a mim ou se por nenhuma das duas terem o que dizer, as duas permanecem no mesmo silêncio que eu. Durante alguns minutos ninguém diz nada, eu sendo a primeira a falar.

—Bom, para começar, minha mãe nunca chegou a dizer por que foi embora pai. Ela disse apenas que não voltaria para o jantar àquela noite ou outra qualquer. Isso três dias depois que havia partido – conto – Descobri que a trocara por outra mulher no final de semana seguinte, quando ela voltou de uma confraternização com o pessoal do escritório, completamente bêbeda, chorando e xingando você. Depois disso o assunto morreu em casa. Ela nunca mais falou nada. Só mergulhou no trabalho e em casos passageiros, ao menos para os homens com os quais se relacionou. Ganhei duas irmãs por conta disto – lembro – Não nego que me ressenti de sua ausência. Nem um cartão de Natal ou aniversário, ou lembrança, nem mesmo um telefone para saber se estava bem. Nada. Durante anos sequer mencionei seu nome e agradeci quando mamãe me fez omitir seu sobrenome. O H passou a ser uma letra sem significado algum a qual escrevia por extenso somente quando era exigido. Cheguei mesmo a dizer que havia morrido quando perguntavam. Depois simplesmente parei de falar -relembro, sentindo algumas lágrimas aflorarem – Hoje, não posso dizer que sou indiferente a você – afirmo, sincera – Saber que estava na cidade, que veio para ficar e principalmente saber de seu estado de saúde mexeu comigo mais do que gostaria – admito, encarando sua esposa – Não havia sido informada da presença de vocês – indico a garota alguns passos de mim e a mulher a minha frente – Por isto tive um choque e não consegui voltar semana passada – paro, respirando fundo antes de prosseguir, tomando coragem para fazer o que Connor sugerira – Evidente que não irei impedi-lo conhecer ou conviver com meu filho. Inclusive, se desejarem e sentirem-se bem, considerem-se convidados a irem jantar conosco daqui dois dias, quando receberá alta. Assim conhecerá as crianças, minhas irmãs e filho, ao mesmo tempo – convido vendo seu rosto se iluminar.

—Iremos, com certeza – afirma, apertando a mão da esposa.

—Certo – digo, olhando-os alternadamente – Connor lhe passará o endereço – aviso, sentindo que atingira meu limite por hora – Bem, se me dão licença, preciso voltar ao trabalho – peço, inclinando a cabeça minimamente em um cumprimento, voltando-me para deixar o quarto, estancando ao escutá-lo chamar.

—Sarah – me volto – Obrigado – diz, as lágrimas o impedindo falar.

Sorrio curto, dirigindo mais um olhar as duas mulheres presentes antes de sair, soltando o ar que mal notara ter prendido tão logo me vejo fora do ambiente, apoiando as mãos ao balcão da ilha de enfermagem do andar, fechando os olhos e respirando fundo.

—Tudo bem amor? – escuto e me volto, encontrando Connor parado a meu lado, olhando-me preocupado, uma mão acariciando meu braço delicadamente.

—Está. Acho – digo, sorrindo fraco – Não foi tão difícil afinal – minto, em parte – Fiz o que pediu. Irão jantar conosco – conto, ele acenando afirmativamente – Acha mesmo que é o ideal Connor? – questiono-o. Não tinha certeza de como iria me comportar ao vê-lo interagindo com as meninas e Max.

—Tenho – afirma ele, tranquilo, se aproximando mais – Apesar de seu pai estar respondendo incrivelmente bem ao tratamento, não se sai do quadro em que ele estava do dia para a noite sem que haja sequelas graves – alerta e retenho o ar antecipando o que diria a seguir – Estive revendo os exames juntamente com Latham e Bekker. Achamos que o que pode estar acontecendo seja uma melhora passageira. Por isto pusemos o nome dele no site do Med, para uma consulta pública. Precisamos, o quanto antes, conseguir um coração para ele ou temo que quando começar a cair, não irá se recuperar...

*** Flashback off ***

—Senhorita? Senhorita, hora de acordar – a voz macia da massagista convida enquanto me sacode levemente, tirando-me do mundo dos sonhos e lembranças.

—Hummm! – gemo, esticando os braços, uma sensação de agradável relaxamento me tomando – Quantas horas? – pergunto, sentando-me devagar, notando que a toalha não escorrega.

—Onze horas e dezessete minutos – diz e me espanto.

—Só?!?! Pensei que tinha se passado mais tempo – admito, deslizando para fora da mesa/cama montada por ela, me sentindo leve como nunca havia me sentido antes – Nossa, que sensação boa!! – exclamo, suspirando – Acho que vou virar freguesa – digo, ela sorrindo gentil.

—Deixarei meu contato. Caso deseje, basta marcarmos o dia e hora – dispõem-se e penso que poderia me dar este mimo ao menos uma vez por mês, afinal ainda restara bastante dinheiro da venda do prédio e ainda havia a renda dos investimentos que fiz orientada por ninguém menos do que Cornélius Rhodes (sem que soubesse, evidente) – Preparei seu banho conforme a senhorita Rhodes me orientou – avisa, me causando nova surpresa – Irei a sala ver qual das outras senhoritas irá querer massagem. Importa-se se fizer aqui? Para não ter de desmontar a estrutura e montar – pergunta.

—Claro. Sem problema – libero, caminhando para o banheiro.

Lá dentro encontro a banheira cheia, a água exalando um perfume doce sem ser enjoativo que não consigo identificar do quê. Aspiro o perfume me sentindo ainda mais relaxada, soltando a toalha, que desliza por meu corpo até o chão. Inconscientemente a imagem de Connor me vem a mente. Seu riso e forma como costuma me olhar quando tomamos banho juntos mesmo não transando. Meu corpo imediatamente responde a lembrança e sinto a umidade aumentar entre minhas pernas. Suspiro novamente, entrando na água devagar, a temperatura causando arrepios, minha pele acostumando-se na medida em que mergulho até ficar quase que totalmente submersa.

Apoio a cabeça na tolha dobrada na borda de modo a me servir de travesseiro. Fecho os olhos, mexendo braços e pernas vagarosamente sob a água, aproveitando meu dia de noiva ao máximo.

O plano era nos casarmos apenas no civil, mas Will convencera Connor, que por sua vez me convenceu, a realizar as duas cerimônias no mesmo dia assim também resolveríamos o problema dos padrinhos: Will e Nat seriam seus padrinhos no religioso e Ethan e April o seriam no civil enquanto eu tomei doutor Charles e Miss Goodwin para o religioso e Jay e Kim para o civil.

Will ajudara agilizar as coisas na igreja com a ajuda de padre Paul, seu amigo e pároco. Connor e eu não tínhamos ligação com nenhuma paróquia, logo o padre não teve muito trabalho para nos encaixar em uma igreja próxima ao cartório, em um dos bairros no centro da cidade.

O casamento civil está marcado para as treze e trinta e o religioso para as quatorze e quinze. Iriamos direto do cartório para a igreja e depois para uma recepção que Claire preparara em um salão de festas. Tudo muito simples, desde ambos casamentos até a recepção. Apenas os amigos mais íntimos e aqueles colegas do Med e do distrito que estivessem de folga iriam participar. Ninguém mais. Ah e claro, Cornélius Rhodes (caso aceitasse o convite que Claire lhe entregara) e agora meu pai, sua esposa e minha meio irmã. Eles haviam ido jantar em casa dois dias após ter recebido alta e para minha grata surpresa, tudo correra magnificamente bem. Claire, Jay, Kim e Will também haviam participado.

—Sarah, está acordada? – ouço e rio baixinho.

—Não – respondo, rindo mais ao escutar Kim bufar.

—Engraçadinha – diz – Estou indo ao departamento. Esqueci de assinar uma papelada e a Trudy tá me cobrando. Vou levar minha roupa, me troco lá no distrito e sigo direto para o cartório – avisa.

—Certo. Até daqui a pouco – despeço-me.

—Até – responde, o silencio tomando o ambiente novamente durante alguns minutos, o choro de meu filho ecoando pelo apartamento, quebrando-o , ficando cada vez mais perto.

Me sento dentro da banheira, ereta, apoiando as costas, usando a mesma toalha que me servia de travesseiro para proteger minha nudez, aguardando a porta ser aberta segundos depois de uma leve batida.

—Desculpa doutora, mas ele não aceitou a mamadeira de jeito nenhum – Clarissa pede, sem graça, entrando com meu filho ainda choroso no colo.

—Tudo bem. Tire a roupinha dele e me dê esse rapazinho bravo aqui – peço, ela obedecendo, me entregando-o – Então quer dizer que o senhor resolveu se revoltar, não é mesmo? Não basta toda atenção que sua tia está te dando não? – digo com voz aveludada, Claire protestando de imediato.

—Eu não estou exagerando não, viu? – resmunga e rio, me posicionando melhor a fim de amamentar meu filho, que não se faz de rogado, mamando com vontade até se dar por satisfeito.

Mas ao contrário do que costumava fazer, não adormece. Ativo, mexe pés e braços mesmo quando o coloco na posição para que arrotasse. Depois que o faz, inquieta-se e o ponho no colo, de bruços, permitindo que brincasse com a água, coisa que adora fazer. Rio de seu riso alegre, os gritinhos ecoando pelo recinto. Me distraio a ponto de não notar estar sendo observada, sobressaltando-me.

—Desculpe amor, não quis assustá-la – Connor pede, sorridente, cabelo e barba feitos, o perfume exalando de seu corpo me dizendo que estava quase pronto para as cerimônias.

Claire bem que tentou nos fazer passar parte do dia (depois que chegasse do Med) separados até a hora do casamento, mas nenhum de nós quis. Não nunca fomos noivos comuns e não seria agora que começaríamos a ser. Até nossa lua de mel não seria só nossa. As meninas, Claire e Max estariam lá conosco. em quartos e andares separados, mas estariam.

—Não assustou – digo, devolvendo o sorriso – Na verdade, chegou a hora certa para pegar este rapazinho aqui ou não conseguirei me arrumar a tempo – sugiro, postando nosso filho de forma que o visse – Olha quem chegou? Papai!! – digo, ele parecendo entender, sacudindo braços e pernas, espalhando água.

—E aí garotão?! Vamos deixar a mamãe terminar o banho dela?? – convida, se agachando junto a banheira, segurando-o, se inclinando para me dar um selinho antes de levantar-se, envolvendo nosso filho com uma toalha – Até já – despede-se, piscando antes de sair, levando-o.

Suspiro, coisa que estava fazendo muito hoje. Sorrio, finalizando meu banho com uma ducha rápida, usando os óleos que Claire me dera de presente. Retorno ao quarto me surpreendendo ao encontrar tudo arrumado, a mesa de massagem desmontada, minha roupa e a de Connor sobre a cama.

Fecho a porta sem, no entanto, trancá-la. Me enxugo, escolho uma lingerie entre as que mais gostava (como dizem: algo novo, algo usado, algo emprestado!), visto, admirando-me no espelho. Minhas formas haviam ficado mais definidas e robustas, por assim dizer, depois da gravidez, o que me agradava e muito.

A seguir, borrifo perfume em meu corpo, esperando secar antes de por o vestido. Sento-me na cama e quando estou calçando a sandália, Connor entra.

—Tem um maluco dizendo para você correr agora mesmo ou não vai dar tempo fazer o penteado e a maquiagem – avisa, me encarando com um sorriso de derreter iceberg no rosto – Embora, para mim, está perfeita do jeitinho que está – elogia, estendendo-me a mão, fazendo com que levantasse, envolvendo-me a cintura, roubando um beijo demorado – Seu vestido é lindo, mas devo admitir que não vejo a hora de tirá-lo de você!! – sussurra, provocando arrepios de puro prazer.

—Uhum... também quero muito isso!! – devolvo, tomando a iniciativa do beijo, fazendo-o gemer ao morder seu lábio inferior – Mas, para isso acontecer, temos um compromisso. Aliás, dois. No cartório e na igreja – lembro-o – Portanto, melhor me deixar ir antes que a cavalaria, entenda sua irmã, venha a minha caça – advirto-o, me afastando.

—Ok – anui, fazendo uma carinha de gato de botas!

—E ainda pergunta a quem Max puxou!! – brinco, roubando dois selinhos antes de sair em direção a sala, ao encontro de Claire e seu exército de beleza.

Apesar dos delírios, faço valer minha vontade, optando por uma maquiagem leve e uma trança que envolve minha cabeça como uma tiara, pequenas e discretas flores sendo aplicadas em pontos estratégicos. O resultado final me agrada e sorrio, satisfeita.

—Sarah, Sarah, tô bonita?? – Marina chega, correndo, chamando minha atenção, Claire logo atrás delas, sorridente, girando ao parar a minha frente.

—Está sim meu amor – digo, dirigindo meu olhar a Emma – As duas estão – corrijo-me, Claire fazendo um bico engraçado.

—E eu, não estou? – pergunta.

—Está sim, bicuda – brinco, rindo mais.

—E nós, como estamos? – Connor surge trazendo Max em seus braços e sorrio.

—Lindos!! – elogio, indo ao encontro do dois, dando um selinho em meu noivo antes de pegar nosso filho nos braços.

—Agora que estamos todos prontos e tudo organizado por aqui, podemos ir andando – Claire convida e somente então me dou conta de que, além de nós, não havia nem sombra do tal exército de poucos minutos atrás. Até minhas amigas tinham ido embora – Brett foi encontrar Benny e Kim avisou que irá lá do distrito junto com Adam – avisa minha quase cunhada, lendo meu pensamento – Maggie ligou a pouco e avisou já estarem todos esperando no cartório, portanto...

—Vou fechar tudo e encontro você no elevador – Connor avisa, pegando a bolsa com as coisas de nosso filho, olhando em volta – As malas??? – inquere.

—Já despachei. Digo, o motorista despachou – Claire avisa.

—Eficiente essa minha irmã, não? – Connor a provoca, ganhando um estirão de língua em resposta.

—Vamos indo e nada de correr – advirto antecipadamente as meninas, ambas se comportando de forma exemplar.

Seguimos pelo corredor, parando em frente ao elevador, alguns vizinhos me cumprimentando. Sabia que Lívia e Scoth iriam apenas ao cartório posto que estavam de viagem marcada e certamente já estariam por lá, assim como eu pai e sua nova família. Apesar disto, não iria entrar com ele na igreja (não se apaga vinte anos de ausência em vinte dias. Ou quase). A única presença que não confirmada ainda fora de meu diletíssimo sogro. Mas admito, não estava fazendo a menor questão de sua ilustre presença. Ainda não o engolia de bom grado.

Outras que não estariam presentes eram Estela e as avós de Connor. As três enviaram presentes e cartões desejando-nos felicidades.

—Connor – Claire chama, retendo o elevador, que chegara.

—Estou indo – ouvimos ele responder, demorando-se um pouco mais do que esperado – Desculpem. Queria me certificar de tudo estar fechado – justifica-se, entrando, pegando Max em seus braços – Me lembrem de entregar as chaves a Will – pede.

Íamos ficar fora apenas o final de semana, mas como voltaríamos após meio dia, Will ficara de passar no apartamento domingo a noite para dar uma olhada em tudo.

Ao chegarmos na garagem, Claire acomoda as meninas, eu acomodo Max enquanto Connor guarda a bolsa do bebê e a minha, assumindo seu lugar no assento do motorista pouco depois de sua irmã e eu termos nos acomodado.

—Todos prontos? – pergunta.

—Estamos – respondemos em coro, ele dando a partida, manobrando, deixando a garagem do prédio, nos conduzindo a cerimônia que nos tornaria, oficialmente, marido e mulher.

Não posso evitar um frio na barriga ao pensar nisto. Olho-o de soslaio, sua mão buscando a minha em um gesto de apoio, seu sorriso me transmitindo tudo que precisava: amor.

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Cartório (13:45 p.m)

Connor

Olho o relógio em meu pulso ficando levemente ansioso. Mais ansioso, quero dizer.

Apesar de ainda estarmos dentro do horário (um atraso de quinze minutos era algo até esperado), se não fossemos os próximos a serem atendidos, fatalmente nos atrasaríamos para a cerimônia religiosa, o que não seria nada agradável posto que o padre teria uma missa logo após nos casar e mesmo que tenhamos pedido por algo simples, demandava tempo, algo que estava se tornando escasso para nós. E ainda havia o horário do voo.

—Amor, relaxe. Vai dar tempo – Sarah pede, tocando minha mão enquanto segura nosso filho com a outra. Max estava ficando mais ativo e esperto a cada dia, o que significava dizer que estava mais inquieto também, não se conformando em ficar no colo, sentado, por muito tempo – Seremos os próximos, estou certa disto – diz, sorrindo confiante.

—Assim espero ou o efeito bola de neve vai começar acontecer – resmungo, olhando de lado, encontrando o olhar de meu pai sobre nós – Preferia que ele não tivesse vindo – deixo escapar, Sarah olhando na mesma direção que eu.

—E eu que os dois não estivessem se dando tão bem, aparentemente – confessa, suspirando.

—Isso também – corroboro, segurando a outra mão de Max, ajudando-o manter-se de pé, meu olhar ainda sobre os dois.

—Por que tenho a sensação de estar presenciando o encontro do Imperador com Darth Vader??? – Will sussurra, o rosto entre mim e Sarah e ambos esprememos os lábios para não rir.

—Isso faria do Connor Luke e Sarah da a princesa Leia? – Mouse inquere, Benny respondendo antes que eu o fizesse.

—Neste caso estaríamos sendo coniventes com um incesto! – exclama, e rolo os olhos.

—Melhor esse juiz os chamar logo ou não respondo por mim se tiver de escutar mais bobagens como esta por mais tempo – Ava resmunga, soprando tão alto que chama atenção de todos.

—Falou Jabba, o... – Benny sussurra e me volto rápido, admoestando-o com o olhar. Tudo que eu não precisava naquele momento era ter de separar uma briga entre os dois – Ela que começou! – defende-se meu amigo, recostando-se em sua cadeira.

—Parecem crianças – resmungo, a jovem assistente do juiz nos chamando no momento exato em que a impaciência ameaçava me tomar.

—Connor Rhodes, Sarah Reese, família, padrinhos e testemunhas – convida, e nos levantamos, os demais convocados fazendo o mesmo.

Dentro da sala, o processo é rápido. Após nos inquerir se era realmente o que desejávamos e dizer algumas palavras de incentivo, o juiz nos convida assinar o livro de registro, nossos padrinhos e testemunhas fazendo o mesmo, a troca de alianças ficando para a igreja. No entanto, para marcar a ocasião, presenteio minha esposa com um anel de brilhantes que pertencera a minha avó (ela enviara e pedira que o desse a Sarah).

Trocamos um beijo rápido e assim termina a primeira cerimônia. A partir dali, diante da lei, Sarah passa a ser minha esposa, anexando Rhodes a seu próprio sobrenome.

Após recebermos os cumprimentos daqueles que não poderiam ir à igreja, seguimos para o local, que por sorte não era muito distante. Ainda assim, chegamos com cinco minutos de atraso.

—Perdão padre Paul. Tivemos um pequeno atraso no cartório – peço tão logo o encontro.

—Não se preocupe meu rapaz. Já tive atrasos bem maiores do que este. Só precisamos agilizar porque meu colega irá celebrar dentro em pouco e não quero atrasá-lo – avisa.

—Claro. Não se preocupe – tranquilizo-o, indo até Claire – Precisamos agilizar as...

—Sarah já está se posicionando e as daminhas também. Will está com as alianças e já o encaminhei juntamente com os demais padrinhos para a sacristia – enumera minha irmã e sorrio.

—Como disse, tenho uma irmã muito eficiente! – elogio, ela rindo curto.

—Obrigada por notar – diz, beijando o ombro – Agora presta atenção: Marina vai entrar com uma plaquinha. Já pedi a todos, só faltava você, para não comentarem nada. Foi super difícil convencê-la trazer simplesmente porque está escrito tio ao invés de pai, portanto, bico fechado! – adverte, segurando-me pelos ombros, me fazendo virar de frente para o altar – Agora vai para lá que a noiva já vai entrar – ordena, me empurrando e obedeço, rindo mais.

Posiciono-me ao lado de Nat e Will, respirando fundo, buscando controlar minha ansiedade. Corro o olhar pela nave da igreja, feliz por ver que a maioria de nossos amigos conseguira se fazer presente (mesmo alguns tendo de sair dali direto para o trabalho), detendo-me primeiro no pai de Sarah e sua nova família. Sabia o quanto aquele simples gesto de o convidar, de reatar relações com ele, estava sendo difícil para ela e por isto me deixava orgulhoso dela. Não quis forçar nada e por isto não disse-lhe, de forma direta, o quão os exames recentes de seu pai nos tinha desanimado. Mesmo assim, acredito que tenha intuído pois atendeu meu pedido de deixá-lo se aproximar. Mas deixou claro que não aceitaria entrar com ele. Compreensível.

Logo em seguida, visualizo meu pai, sentado em um canto discreto. Durante a cerimônia no cartório manteve-se quieto quase todo o tempo, respondendo e sendo educado com aqueles que o cumprimentavam. Apenas quando as meninas, Emma, Alessandra e especialmente Marina, se aproximaram o vi sorrir sem forçar, interagindo com elas com surpreendente naturalidade. Outro momento em que pegara Max no colo (Claire o levara até ele) podia jurar que o vi chorar, mas foi algo tão rápido que posso ter me, de fato, enganado.

Agora se encontrava sentado na segunda fileira do lado direito, atrás de Maggie, Ethan, April, Noah e outros amigos do Med, do distrito vinte e do batalhão cinquenta e um. Parecia distante e estranhamente calmo.

Olhando aqueles dois homens tão diferentes e ao mesmo tempo tão parecidos, me pego meditando acerca do futuro. Não sabia o que nos esperava, se o pai de Sarah iria conseguir sobreviver até encontrarmos um coração compatível, se meu pai iria tentar se aproximar mais de nós por conta de nosso filho, mas o fato é que daquele dia em diante nossas famílias estarão irremediavelmente unidas por laços fortes. Laços de sangue.

—E lá vem a noiva! – Will cochicha, me tirando do devaneio, a música escolhida por nós (não a tradicional marcha nupcial e que o padre aceitara) preenchendo o ambiente.

Olho em direção a entrada da igreja, sorrindo ao ver Marina entrando, sorridente, com a tal plaquinha, Emma e Alessandra a seguindo, ambas usando o mesmo modelo. Logo após elas, surgem Claire e Sylvie, também usando modelos de vestidos mudando apenas a cor. Me pego ansioso, apertando as mãos, a espera de Sarah, que surge, linda, caminhando graciosa e firmemente através da nave, aproximando-se de onde estou. Quando está a poucos passos, desço os degraus, indo encontrá-la, afagando os rostos das duas garotinhas que aprendi a amar tanto quanto amo nosso filho.

—Eu sei que já disse isso antes, mas está linda! – repito, beijando seu rosto castamente, recebendo um de seus sorrisos doces em resposta.

—Você também – retribui, vermelha.

Damos as mãos, nos voltado para o altar, subindo um degrau, postando-se de frente para o sacerdote.

—Estamos aqui reunidos para celebrar a união deste homem e desta mulher – começa ele, ressaltando, em outras palavras, tal como o juiz fizera, a importância do matrimônio e o quanto estava feliz em celebrar conosco nossa união – Em tempos de sentimentos e compromissos passageiros, onde amor, família e amizade se tornaram artigos de luxo, alegra o coração em ver dois jovens decididos dividirem suas vidas um com o outro mesmo cientes de o caminho não será sempre florido. Pedras e percalços surgirão e os testarão diversas vezes – prossegue, nos olhando atentamente – Mas se derem chance ao amor que os uniu e os trouxe aqui hoje, ele os ajudara vencer os obstáculos um a um – ressalta, sorridente – Os noivos preparam votos? – quer saber e ambos anuímos – Podem fazê-los – diz, sinalizando para que ficássemos de frente um para o outro.

Respiramos fundo ao mesmo tempo, trocando um olhar apaixonado antes de falarmos, ela começando.

—Sabe que te amo. Sempre te amei, mesmo quando não queria admitir que o sentia. Mesmo quando teimava em brigar com você – declara, sorridente – Não foi fácil admitir o que sentia, primeiro para mim mesma, depois para você por diversos motivos que nós dois conhecemos. Mas quando finalmente o fiz, senti como se um mundo novo e belo se abrisse diante de meus olhos. E agora, que me deu e mais lindo presente que poderia querer, te amo ainda mais que antes. Você será sempre meu abrir de olhos ao amanhecer, meu sorriso e minha lágrima de alegria, meu amanhecer e anoitecer durante muitos, muitos, muitos, muitos anos – finaliza, me emocionando.

—Quando te conheci, jamais pensei que iria me apaixonar. Eu precisava de alguém a meu lado, alguém para e guiar, para dar sentindo a minha vida e acabar com aquele vazio que me deixava angustiado e sem rumo – declaro, segurando firme suas mãos – Sei que não fui quem você esperava no começo. Que te magoei e fiz chorar. Mas acredite, sofri tanto quanto você e ainda mais ao me dar conta do que fizera. Se hoje estamos aqui, juntos, é porque você é a pessoa mais generosa que tive a sorte de encontrar. Ser amado por você mesmo após tudo que te fiz, é minha maior benção e alegria e espero merecê-lo pelo resto de nossas vidas. Te amo hoje mais do que ontem e menos do que amanhã. Te amo por ser minha amiga, minha companheira, minha amante. Te amo pela irmã maravilhosa, pela mãe dedicada e carinhosa que faz nosso menino crescer feliz e saudável. Te amo por ser a profissional dedicada e capaz, que trata cada paciente como um carinho todo especial. Te amo por me fazer ser uma versão melhor de mim mesmo a cada dia. Te amo e sempre te amarei – finalizo, beijando suas mãos.

—As alianças – o padre pede após alguns segundos de silencio, Will pondo-as sobre a pequena almofada que Marina e Emma seguravam, as duas aproximando-se do sacerdote – Abençoe, Senhor, estas alianças. Que elas sejam o sinal visível do amor que une este casal, que veio hoje aqui pedir sua benção – diz, aspergindo-as.

Em seguida, me pede que segure repetindo as palavras por ele ditas enquanto coloco-a no dedo anelar da mulher que amo.

—Sarah, recebe esta aliança em sinal do meu amor e respeito. Prometo estar a seu lado na saúde ou na doença, na alegria ou na tristeza, na riqueza ou na pobreza até que a morte nos separe – declaro, beijando-lhe a mão mais uma vez.

—Connor, recebe esta aliança em sinal do meu amor e respeito. Prometo estar a teu lado na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza até que a morte nos separe – repete, beijando minha mão tal qual fiz ao terminar de pôr o anel em meu dedo, ambos nos voltando para o sacerdote.

—Pelos poderes a mim investidos pela santa madre igreja, eu os declaro agora marido e mulher. Aqueles que Deus uniu, homem nenhum separe -declara, abençoando nossas mãos unidas – Pode beijar a noiva— libera.

—Te amo – reitero, tomando seus lábios em um beijo casto e relativamente curto.

Nos voltamos para nossos amigos, deixando a igreja de mãos dadas sob uma chuva de pétalas de flores e arroz.

Seguimos direto para o salão onde recebemos poucos convidados, nossos pais se fazendo novamente presentes. Nos encantamos com tudo, desde a decoração, aos enfeites de mesa que seriam presenteados aos convidados como lembrança, passando pela música (uma orquestra tocava desde clássicos românticos a jazz, blues e músicas atuais, agradando a todos os gostos) ao bolo. Claire caprichara em tudo, não esquecendo nem mesmo do tradicional enfeite do topo do bolo de cinco andares. Emma, Marina e Alessandra se divertiam na pista de dança em companhia da meio irmã de Sarah (minha cunhada) enquanto nós permanecemos boa parte do tempo circulando entre as mesas. Já nosso filho, depois que acordara (o que aconteceu exatos cinco minutos depois de havermos chegado ao salão) foi literalmente “sequestrado” por uma de suas muitas madrinhas e circulava, de braço em braço, sendo disputadíssimo. Apenas nossos pais conseguiram retê-lo por mais tempo. O meu em especial. Ninguém ousou pedir que entregasse Max. Somente quando Claire foi até ele que nosso menino voltou a circular pelos braços dos convidados, muito embora ele não estivesse reclamando o avô o manter por mais tempo em seu colo.

Aliás, me surpreendeu, não nego, a rapidez com que ele se afeiçoou a ambos avôs. Não que fosse de estranhar. Raramente o fazia e quem fosse alvo de sua desconfiança teria trabalho para reverter o quadro. Que o diga o pobre Noah!

—Vai ver ele não é tão ruim quanto parece – Kim comentara, nos fazendo encará-la – Gente, criança sabe quando alguém é mau de verdade – justifica.

—Ou talvez ele tenha prometido comprar a Disneylândia para ele! – Adam brinca, recebendo um beliscão caprichado.

—Ou pode ser que tenha prometido deserdar Claire e Connor e torná-lo o único herdeiro da fortuna Rhodes. Sabe quantas Disneylândia poderia comprar?? – Benny brinca também e rolo os olhos.

—Prefiro pensar que sentiu algo que nenhum de nós sentiu, como Kim sugeriu – Sarah diz, olhando o relógio – Temos que ir ou vamos corremos o risco de perder o voo – alerta, olhando em volta.

—Pode deixar que busco a meninas e Max – me disponho, levantando e indo a cata das pequenas e de nosso menino, trazendo-os quando se despedia.

Claire convida as mulheres presentes a se reunirem para que Sarah pudesse atirar o buque, ela própria se pondo de lado, para alívio de Jay, o mesmo caindo nas mãos de Brett, para alegria dela, desconsolo de algumas das presentes (e desespero de Benny, com quem andava saindo), expressão de meu amigo provocando riso em todos.

Nos despedimos mais uma vez recebendo os votos de felicidade e bom descanso, seguindo para o carro e de lá para o aeroporto.

Chegamos com meia hora de antecedência, tempo suficiente apenas para conferirmos se as malas haviam sido corretamente despachadas, embarcando na última chamada.

—O Havaí nos espera!! – Claire comemora, Marina erguendo as mãos animada enquanto Emma se acomodava melhor na poltrona, pondo os fones de ouvido, mergulhando em seu mundo particular de sons e ritmos.

Sorrio, ajudando Sarah acomodar nosso filho em seu assento especial entre nós dois, beijando suas mãos e seus lábios uma vez mais, me acomodando ao escutar o pedido do comandante, rezando intimamente para que os sinais que notara em Bob Haywood não significarem o que tanto temia e que ele resistisse um pouco mais. Ao menos o suficiente para zerar em definitivo as pendências que ainda restavam (segundo ele mesmo dissera) com Sarah.

“...You gave your promise to me;

And I gav mine to you;

I need someone beside me;

In everything I do;

You know I love you, I always will;

My mind’s made up by the way that I feel;

There’s no beginning, there’ll be no end;

‘Cause on my love you can depend;

I got to keep it moving;

It’s writteninthe wind;

Oh, everywhere I go;

So if you really love me;

Comeon and let it show;

Come on and let it;

Come on and let it;

Come on and let it;

Come on and leti it show”

Notas finais
Até breve flores. Bjinhos