Love Hurts!

35 I wish I could have done things differently


Notas iniciais
Olá flores! Voltei. Finalmente. Dizer que este capitulo estava pronto é meia verdade apenas. Estava grande parte dele.... em minha mente! Somente agora, depois que conclui as Ones de Natal (do Projeto Olicity e Rheese) que consegui me concentrar e focar em escrever nas demais regulares. e sem muita delonga porque o tempo urge, vamos ao que interessa. Por aqui, mini lua de mel e notícias não tão boas na volta. Grata por todas rewiews passadas; Aguardo mais rewiews, please; Boa leitura; Bjinhos flores LEIAM AS NOTAS FINAIS!

“Time, is going by, so much fast than I;

And I’m starting to regret not spending;

All of with you;

Now i’m wondering why;

I’ve kept this bottled inside;

So I’m starting to regret not telling all of it to you;

So if I haven’t yet, I’ve gotta let you know...”

Never Gonna Be Alone

Nickelbcak

The Westin Nanea Ocean Villas Ka’anapali

Havaí ( Sexta, 28/9 — 23:47 p.m)

Connor

—Ok. Obrigado Ava e me mantenha atualizado – peço, desligando, tendo um sobressalto ao escutar a voz de minha irmã soar as minhas costas.

—Não acredito que estava tratando de trabalho em sua já parca lua de mel, Connor! – reclama, pondo-se a meu lado tendo as mãos na cintura – E ainda por cima falando com a amadinha doutora Ava Bekker! Já quer começar seu casamento com discursão, é? Imagina se ao invés de mim fosse a Sarah, entrando no quarto e encontrando o marido conversando com a mulher que quase destruiu a relação de vocês sem mencionar ter posto em risco de morte mãe e filho! Francamente meu irmão. Não fazem nem vinte e quatro horas...

—Ok, em primeiro lugar estava tratando da saúde de meu sogro, o qual me pareceu mais cansado e pálido do que deveria estar ao final do casamento – a corto, erguendo a mão a frente de seus rosto, silenciando-a – Em segundo lugar, que eu me lembre nosso pai nos ensinou a bater antes de entrar em qualquer lugar que seja. Sempre – friso –Terceiro...Parca? Sério Claire? Ninguém mais usa essa expressão hoje em dia. De onde desencavou isto? – quero saber, olhando entre surpreso e divertido.

—Ficaria surpreso com a quantidade de expressões antigas que nossas avós usam! – responde, fazendo uma careta – A gente acaba pegando, se é que me entende – diz e rio – O que houve com o pai de Sarah? Algo errado? – questiona, apoiando um braço ao parapeito da varanda na qual me encontrava, a brisa do mar soprando generosa.

—Além de uma doença cardíaca rara e potencialmente fatal? – cito – Nada! – exclamo, irônico, apoiando-me ao mesmo parapeito com ambos braços, admirando o horizonte a minha frente.

—Refaço a pergunta: aconteceu algo a ele? Piorou de saúde depois que saímos de Chicago? – quer saber, parecendo não se ter abalado com minha ironia.

Respiro fundo antes de responder, olhando-a de soslaio.

—Não, mas passou mal quando estava deixando o salão de recepções – revelo, ela abrindo e fechando a boca, tensa – Latham e Ava o examinaram e como melhorou após um tempo o liberaram, advertindo a esposa que o levasse imediatamente ao hospital caso notassem qualquer sinal de perigo – completo, entrelaçando meus dedos, mantendo o olhar fixo no horizonte.

—Então ele ainda corre risco de morte? Mesmo com a cirurgia e a medicação de última geração? – questiona-me e me volto para encará-la.

—A cirurgia foi apenas um paliativo por conta de não ter surgido nenhum doador compatível e quanto a medicação... – suspiro, pondo-me ereto – Ainda está em fase de testes. Não sabemos se pode e quais são os possíveis efeitos colaterais que possa vi a ter – explico – A solução definitiva é o transplante e ainda assim corre-se o risco de rejeição – sigo, me escorando ao parapeito, de costas para o mar, cruzando meus braços – Ele demorou tempo demais para iniciar um tratamento mais agressivo e mesmo para ser incluso na lista a nível nacional – menciono.

—Por quê? – Claire pergunta, curiosa – Acha que estava se punindo por algo? Tipo, culpa por ter abandonado a família – supõe.

—Não. Acho que não – pondero um segundo – Não creio que quisesse reencontrá-la na situação que ocorreu, correndo o risco de sequer ter tempo desculpar-se. Não. Há algo que não está dizendo. Algo importante que o fez protelar seu tratamento a ponto de colocar sua vida em risco – concluo, a porta de nosso quarto abrindo-se naquele momento, dando passagem a Sarah com nosso filho e as meninas – Não comente nada com Sarah. Apesar de tentar não sentir nada, está mexida com tudo isto – peço, Claire anuindo com um aceno discreto, inclinando-me com os braços abertos para receber Marina – Olá coelhinha. Ainda acordada? – inquiro, beijando sua bochecha.

—Não estou com sono pai. Quero ficar acordada mais um pouco – diz, as pernas enroscando-se em minha cintura.

—Mas precisa ir dormir ou amanhã vai estar mal-humorada. Além disto, se acordar tarde não poderá ir ao passeio que sua tia programou – Sarah admoesta, pedindo-me ajuda com olhar.

—Sarah está certa anjinha. Precisa descansar ou não terá energia para toda diversão amanhã – argumento, muito embora duvidasse faltar a ela tal coisa já que a tinha de sobra!

—Eu aguento pai – insiste, esfregando os olhinhos e rio, meu coração aquecendo-se como sempre acontece quando me chama assim.

—Acredito meu bem, mas não seria bem melhor estar ainda mais disposta para correr, nadar, pular e tudo o mais que conseguir fazer a ter sono em meio as brincadeiras? – argumento novamente, pondo uma mecha d seu cabelo por detrás da orelha, seu rosto parecendo-me incrivelmente familiar de repente.

—Mas queria ver filmes! – teima, fazendo um biquinho fofo.

—Ok, vamos combinar o seguinte: vou ligar a televisão, ponho um filme novo, que ainda não viram, e aí se você começar a sentir sono vamos todos dormir, que acha? – negocio, vendo Sarah rolar os olhos antes de se voltar, entrando no quarto com Max em seus braços enquanto Emma me encara de sobrancelha erguida e braços cruzados, apoiada ao dormente da porta na varanda. Impressão minha ou aquela garotinha de dez anos estava me recriminando com o olhar?

—Fechado! – aceita, serelepe, sacudindo-se em meus braços – Eu não vou dormi – avisa e rio.

Veremos baixinha. Veremos! — Acredito em você – digo, piscando para Emma, que sorri, balançando a cabeça negativamente, indo sentar-se junto a Sarah, que amamentava nosso filho recostada a cabeceira...É, eu acho que ela estava mesmo me recriminando — penso, entrando, Claire seguindo-me em silencio.

Nos sentamos, Claire, Marina e eu, sobre o tapete macio, apoiando-nos ao baú nos pés da cama. Escolho um filme recente ao qual nenhuma da duas assistira como parte da tática para fazê-la adormecer. Sabia que se pusesse os já familiares Frozen e Deu a louca na chapeuzinho, Marina iria agitar-se posto que costuma cantar e dançar junto com os personagens ao passo que um filme inédito a faria para prestar atenção a cada detalhe. Procuro e encontro um que Benny indicara: Sing, que conta a estória de um coala que herda do pai um teatro e quer reerguê-lo produzindo um grande musical.

Justamente por ser um musical, minha pequena se prende a ele rapinho e logo começa tombar de lado, sendo vencida pelo cansaço menos de trinta minutos após termos começado assisti-lo. Sorrio, satisfeito, pegando-a em meu colo, meu queixo quase caindo ao notar que Claire e até mesmo Sarah e Emma estavam cochilando também. Despertos permanecíamos apenas eu e Max, que escapara dos braços da mãe e achava-se deitado a seu lado, deliciado em morder os cachos de Sarah, enroscando os dedos no cabelo fino dela.

Sacudo a cabeça negativamente, pondo Marina apoiada a um ombro. Vou até a cama, junto travesseiro e almofadas de modo a formarem uma barreira, muito embora duvide que nosso filho vá afastar-se da mãe (agora descobrira os laços em sua blusa e brincava com eles, puxando e mordendo).

—Comporte-se rapazinho! – recomendo, apontando-lhe o dedo, me aproximando de Emma, que se encontrava aos pés da imensa cama de casal – Emma, anjo, acorde. Hora de ir para a cama – chamo, afagando os cachos ainda presos na trança, ele esticando-se antes de me olhar, bocejando – Venha. Depois busco sua tia dorminhoca! – indico minha irmã com um gesto de cabeça, fazendo-a rir pequeno – Vamos anjo – chamo mais uma vez, segurando sua mão, ajudando-a levantar-se.

Em silencio, saímos, deixando as duas adormecidas, indo direto para o quarto ao lado onde as ponho na cama. Retorno a suíte, acordo Claire mandando-a ir deitar-se que tão logo Max dormisse o levaria para o berço. Fecho a porta após ver minha sonolenta irmã entrar no quarto ao lado e me dirijo a cama. Pego nosso filho no colo, sinalizando a Sarah permanecer deitada quando, ao sentir-me retirando o bebê, desperta, enquanto levo Max para a varanda (devidamente protegido já que esfriara bastante).

Caminho de um lado para outro, ninando-o com canções as quais está acostumado, o som do mar ajudando-me na tarefa de tentar fazê-lo dormir. Pelo canto do olho, vejo quando Sarah levanta-se, indo ao banheiro de onde sai minutos depois usando uma camisola curta e sensual e retenho o ar.

A peça, em tom escuro, tinha a lateral rendada, deixando a mostra toda aquela parte de seu corpo. As alças eram finas e transavam-se as costas, e me perecia haver um detalhe rendado sobre o busto.

—Ok rapazinho, hora de dormir e deixar papai e mamãe namorarem um pouco – sussurro ao ouvido de nosso filho sem tirar os olhos de minha esposa – Se obedecer ao papai e for dormir bonitinho neste exato segundo, amanhã te levo para mergulhar. Você vai amar o mar daqui. As cores, os sons – negocio, ele erguendo as mãozinhas, tocando meu rosto repetidamente, os olhos muito vivos me deixando preocupado – Vamos carinha. Já teve um dia inteiro de atenção. Papai quer só algumas horinhas! – exclamo, o bocejo longo que dá me deixando animado – Isso garotão, vamos dormir – comemoro, embalando-o mais um pouco, Sarah surgindo segundos depois, recostando-se ao dormente da porta, me observando.

—Quer ajuda? – oferece, os braços cruzados, um sorriso doce no rosto.

—Uhum, uhum – murmuro, secando minha linda esposa descaradamente – Camisola nova? – pergunto, observando melhor os detalhes da peça.

Como havia notado, a parte superior tinha faixa rendada e a renda lateral era em forma de rosas.

—Mais ou menos. Comprei uns três meses atrás, mas não tive chance de usar então...- dá de ombros, encolhendo uma perna, o movimento a deixando ainda mais sexy.

Meu filho, dorme logo ou papai vai acabar perdendo o pouco de sanidade que resta e te fazendo presenciar de que forma foi concebido!

—Connor Rhodes, não acredito no que acaba de dizer!! – Sarah exclama, abrindo a boca, me olhando com uma expressão indecifrável no rosto.

—O quê? -inquiro, chateado comigo mesmo por claramente ter verbalizado meu pensamento.

—Não se faça de sonso! Não acredito que ameaçou seu filho por causa de sexo uma segunda vez – ralha, não conseguindo esconder o sorriso malicioso.

—Aham! Como se eu fosse o único a pensar nisso não é minha vida?! – devolvo, rindo baixinho ante seu olhar de fingida indignação.

—Nem imagino a que está se referindo meu amor! – exclama, vindo até mim – Acho que não precisaremos nos preocupar em Max assistir algo que não deva – sussurra, e baixo o olhar, vendo nosso menino dormindo tranquilo em meus braços, seu sorriso desdentado e puro me trazendo lágrimas aos olhos.

—Me diz como conseguimos fazer uma coisinha tão linda como está, Sarah?? – pergunto – Ele é tão lindo. E perfeito. Como foi que fizemos isso, me diz? – repito, maravilhado ao vê-lo segurar o dedo dela com força, rindo mais e mesmo assim permanecer dormindo tranquilamente.

—Me pergunto a mesma coisa todos os dias! – responde, tão encantada quanto eu.

—Bem, neste caso, podemos tentar descobrir juntos – sugiro, lhe dando um selinho.

—Concordo! – anui, piscando e rio.

—Vou levar esse rapazinho para o berço e já volto – aviso, optando por ir ao quarto onde minha irmã e as meninas estavam através da varanda (eram interligados), entrando pela porta que havia combinado com Claire deixar destravada para o caso de precisar entrar apressado por alguma razão (choro de alguma das crianças por algum motivo, como pesadelo).

Coloco-o cuidadosamente no berço, arrumando o cortinado, observando-o um segundo antes de me voltar, dando uma espiada em Claire e nas meninas para somente depois sair, fechando a porta silenciosamente.

Quando retorno ao quarto encontro minha esposa, sentada sobre a cama, bem ao centro, uma perna dobrada enquanto massageava a outra, distraída. Estanco alguns passos, permitindo-me admirá-la mais uma vez.

Eu havia tido realmente muita sorte em ter-me perdoado. Depois que descobri o que sentia por ela fui ficando deprimido a cada dia em pensar que não conseguiria conquistá-la e saber que esperava um filho meu somente aumentou minha tristeza. Mas aí o destino se encarregou de começar uma virada em minha vida. Dolorosa, reconheço, mas que acabou me rendendo seu coração.

—Vai ficar aí parado a madrugada inteira? – ouço e pisco, me dando conta que Sarah me observava de volta, rindo divertida – Vem pra cama Connor – convida, tocando o espaço vazio a seu lado.

Sorrio, atendendo-a de imediato, despindo a camisa de meu pijama enquanto me aproximo da cama.

—Desculpe se estou sendo repetitivo, mas a verdade é que não me canso de dizer o quanto está linda e o quanto sou feliz em te ter a meu lado, agora como minha esposa, diante dos homens e de Deus – declaro, deslizando a mão por sua perna, desde o pé até a coxa, subindo o tecido macio da camisola, distribuindo beijos por cada centímetro de pele descoberto, deitando-me sobre ela devagar, surpreendendo-me ao descobrir que não usava calcinha.

—Não vi necessidade em usá-la – sopra, lendo minha expressão, ofegando na medida em que estímulo seu clitóris com a mão, fazendo com que arqueasse o corpo de encontro ao meu.

—Bem pensado – sopro de volta, deslizando meu corpo de forma a me encaixar entre suas pernas, distribuindo novos beijos em seu ventre sem nunca deixar de estimulá-la, descendo até alcançar seu sexo úmido, minha boca substituindo a mão que até a pouco a fazia vibrar.

—Connor...- geme alto quando minha língua passeia por cada centímetro de sua intimidade cada vez mais molhada.

Sigo com meus beijos, intercalando com mordidas e chupões, provando seu gosto que tanto amo quando a levo atingir o primeiro orgasmo da noite, mal lhe dando tempo se recuperar-se para reiniciar as carícias, as quais corresponde com igual intensidade.

Afasto-me o suficiente para despir o calção do pijama, libertando meu membro, duro e ansioso por tê-la. Novamente me encaixo entre suas pernas, permanecendo sentado. Seguro suas mãos, puxando-a de encontro a mim, estico as pernas de modo que senta-se sobre elas. Subo a camisola devagar, depositando-a sobre o baú aos pés da cama. Estávamos os dois completamente nus agora.

—Amo você – sussurro em seu ouvido, mordendo o lóbulo, nossas mãos explorando nossos corpos avidamente.

—Também te amo – devolve, mordendo meu ombro e pescoço, arranhando minhas costas – Te amei desde aquela primeira noite que passamos juntos, mesmo não querendo admitir – confessa e suspiro, segurando seu rosto entre as mãos, tomando seus lábios em um beijo sôfrego, aceitando a doce invasão de sua língua, que busca a minha em uma dança erótica que eleva nosso desejo a níveis extremos.

Nossa respiração se torna mais e mais pesada, o ar em volta enchendo-se de gemidos e sussurros. Quando ambos não aguentamos mais a espera, sustento seu quadril, erguendo-a, ajudando-a se posicionar sobre meu membro ereto. Deixo-a determinar o ritmo inicial, lhe dando o suporte necessário para que relaxe e me cavalgue com habilidade, aumentando e diminuindo a intensidade, guiando-se por seus instintos.

Gotas de suor se formam em nossos corpos, escorrendo e mesclando-se na junção de nossos sexos. Mais algumas investidas e alcançamos, quase ao mesmo tempo, o ápice, permanecendo abraçados alguns segundos antes de reiniciarmos tudo de novo, desta feita comigo assumindo o controle do ato após deitá-la sobre o colchão.

Nos amamos durante toda a madrugada, indo dormir apenas quando os primeiros raios de sol começam a pintar o céu lá fora.... Espero que todas as nossas noites possam ser como está. Que eu possa te fazer sorrir mesmo quando as coisas não estiverem tão bem e que possamos criar nossos filhos e as meninas juntos, até ficarmos velhinhos!.... Desejo, apertando-a mais contra mim, adormecendo com um sorriso bob grudado em meu rosto.

Acordamos bem tarde. Muito tarde mesmo e de imediato Sarah liga para saber de nosso filho, respirando aliviada ao saber que dormira sossegado até bem pouco, as meninas passando pela porta tão logo desliga, me obrigando puxar o cobertor sobre minha cintura. Por sorte Sarah já estava vestida.

—Bom diaa!! – Marina saúda, pulado sobre o colchão, animada – Vamos passear pai. Vamos Sarah – chama, se atirando em cima dela, que por pouco não cai por ter sido pega de surpresa.

—Marina, pelo amor de Deus, se acalme! É cedo ainda ...- começa dizer, Emma a interrompendo.

—Não é não Sarah. Já passa das onze da manhã – revela, apoiada a poltrona – Já tomamos café, demos uma volta pelo hotel, tia Claire deu mamadeira ao Max, que voltou a dormir, tomamos banho de piscina, brincamos no salão de jogos do hotel, conversamos com algumas crianças que estavam por lá...- enumera e abro a boca, espantado.

—Ual! Já fizeram tudo isto!! – exclamo, bocejando – E sua tia estava com vocês? – pergunto, arrumando melhor os lençóis.

—Estava. Quase sempre – Emma responde, sincera e enrugo o cenho – Ela não quis deixar Max sozinho e por isto pediu um dos funcionários do hotel para nos acompanhar parte do tempo. Depois foi nos encontrar com ele no carrinho – explica, minha irmã parecendo adivinhar que falávamos dela, adentrando com nosso filho nos braços.

—Bom dia casal. Dormiram bem? – pergunta, piscando e sorrindo de forma maliciosa, não nos dando chance responder – Eu dormi maravilhosamente bem! – exclama, suspirando, Max se atirando em direção a Sarah – Seu filho é um anjo sabiam? Dormiu praticamente a noite inteira. Só acordou uns minutinhos, quando sentiu fome. Dei a mamadeira e voltou a dormir tranquilo, o anjinho – relata, Sarah e eu trocando um olhar curioso – Ah, eu pedi um funcionário do hotel para cuidar das meninas enquanto aprontava meu anjinho aqui. Espero que não se importem – avisa, entregando-o a Sarah (finalmente).

—De forma alguma e desculpa ter te deixado na mão – ela pede e arqueio a sobrancelha.

—Cunhadinha fofa, estão em lua de mel. Eu nem deveria estar aqui não fossem tão apressadinhos! – diz, tapando os ouvidos de Marina, que estava perto dela, para que não escutasse seu comentário final – O importante é que deu tudo certo. Meninas, vamos indo para a piscina novamente enquanto eles tomam o café da manhã, se é que ainda dá tempo. Ou preferem uma caminhada pelo jardim aqui do lado? – minha irmã sugere, estendendo os braços com a clara intenção de levar Max consigo.

—Pode deixar que tomo conta dele agora Claire -Sarah avisa, sorridente – Vamos descer para comer algo, e depois nos juntamos a vocês – anuncia, olhando em volta – Pode só me trazer a bolsa dele para cá antes de saírem, por favor – pede, apertando entre os lábios a mãozinha curiosa de nosso filho.

—Claro. Vamos meninas – Claire chama novamente, conduzindo as pequenas para fora do quarto e somente então respiro aliviado.

—Ufa! Até que enfim. Estava morrendo de medo da Marina perguntar por que não me levantava ou pior, se jogar em cima de mim! – confesso, minha esposa rindo divertida.

—Neste caso, melhor aproveitar enquanto Claire não volta com a bolsa e ir direto para o banheiro – sugere, fazendo Max soltar um gritinho animado quando sopra em seu pescoço.

—Ok. Vou preparar a banheira para nós três – aviso, me levantando com o lençol enrolado a cintura, soltando-o apenas após ter entrado no banheiro, deixando a porta entreaberta.

Ponho o tampão na imensa banheira de hidromassagem, ligo as torneiras, escolhendo temperatura intermediaria posto que nosso menino iria tomar banho com a gente. Adiciono um pouco de um óleo perfumado disponibilizado pelo hotel (um dos mimos por estarmos em lua de mel), tendo o cuidado de não exagerar, escutando minha irmã e Sarah trocarem algumas palavras quando Claire vem entregar a bolsa.

—Minha vida, vamos para a piscina ou prefere caminhar a beira mar? – pergunta.

—Acho que piscina para começar. Depois de comermos podemos dar uma volta por aí – respondo, me olhando no espelho.

—E vai de sunga ou shorts? – quer saber, surgindo a porta com Max escanchado a cintura.

—Os dois – digo, estendendo os braços a nosso filho – Vem garotão – chamo, não tendo dificuldade em o pegar para mim – Vai usar maiô ou biquíni? – pergunto, tentando manter o controle de meu corpo ao imaginá-la dentro da peça ínfima.

—Maiô. É mais confortável por conta das crianças – responde – Vou separar nossas roupas e já volto. Se quiser itr entrando na água com ele fique à vontade minha vida – libera e sorrio. Amo escutá-la me chamar assim – Volto em um segundo – promete, retornando ao quarto.

—Vamos lá rapazinho, tomar um banho gostoso com o papai e a mamãe! – digo, despindo o pijama dele com facilidade, coisa que meses atrás nem sonhava fazer – Quem diria, Connor. Está se tornando um respeitável pai de família – murmuro, abrindo um largo sorriso.

A verdade é que jamais pensei que teria uma família. Pensava que não era para mim este tipo de coisa e minhas experiências desastrosas apenas reforçavam essa certeza. Até Sarah entrar em meu caminho. Depois dela, nunca mais fui o mesmo.

—Tem espaço para mais um? – escuto-a e ergo o olhar, mantendo nosso filho sob controle.

—Estava pensando em porque demorava tanto – ralho, suspirando, admirando minha esposa novamente (não me canso de fazer isto!) enquanto despe a camisola (que passou a ser minha favorita) – Olha quem chegou filhão! Mamãe! Ehhh!! – faço festa, Max se agitando, batendo as mãos na água vigorosamente, espirando-a para todo lado – Alguém, além de mim, se animou com sua chegada amor – brinco, ganhando meu sorriso predileto em resposta.

—Trate de se comportar Connor. Não pense que esqueci sua ameaça noturna – relembra, sorridente, pegando nosso menino para si tão logo entra na banheira.

—Que culpa eu tenho se minha esposa é uma gata deliciosa que me tira do sério!? – justifico-me, lhe dando meu melhor sorriso sedutor.

—Uhum...Sei! – Sarah diz, estreitando os olhos ao me encarar.

—O que? Não acredita em mim? – indago, espirando água em seu rosto.

—Connor, o bebê!! – ralha, fazendo cara de enfezada e rio alto – Está vendo filho, seu pai não leva a sério sua mãe! – faz um muxoxo gracioso, erguendo-o um pouco acima da cabeça.

—Pelo contrário. Levo muitíssimo a sério, meu amor – rebato, saindo de meu canto, me inclinando até roubar um beijo – Jamais antes levei um sentimento por alguém tão a sério em toda minha vida – declaro, olhando dentro de seus olhos.

—Sei disso minha vida – declara, inclinando a cabeça lateralmente.

Nos beijamos com carinho, os gritinhos de nosso filho fazendo-nos cessar o contato. Rimos, Sarah o pondo dentro da água.

O banho acaba sendo mais demorado do que planejáramos e quando finalmente descemos ao encontro de Claire e das meninas, já é hora do almoço.

Tomamos a refeição a beira da piscina, optando por um passeio pelo pátio interno do hotel onde diversas atividades eram oferecidas, entre elas vôlei, futebol e peteca além do pedalinho e bicicletas duplas, triplas ou que lembravam uma charrete.

E assim, entre passeios de bicicleta e barco, banhos de mar e piscina, práticas esportivas (de baixa intensidade), além de momentos de puro relaxamento, com massagem e sauna, nossa mini lua de mel chega ao final. Na segunda-feira pela manhã, tomamos nossa última refeição ali, partindo de volta a Chicago meia hora depois.

Durante o vôo, conto a Sarah o que Ava havia me passado na sexta a noite e como ela não voltara ligar, eu tinha suposto estar tudo bem, mas que deveria se preparar caso não tivessem querido nos atrapalhar.

—Tudo bem vida. Entendo que a situação dele é muito grave e que pode voltar a piorar qualquer momento – diz, o olhar se perdendo por um segundo – Não vou dizer que estarei pronta para o que vamos encontrar quando chegarmos, mas vou tentar estar – afirma.

—Estarei a seu lado todo o tempo amor – digo, segurando sua mão, transmitindo-lhe a calma que precisava, respirando fundo ao escutar o comandante anunciar que dentro de alguns minutos estaríamos em casa novamente.

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Chicago Med (quarta, 17/10 – 14:33 p.m)

Narrador

—Maggie, poderia ver para mim o telefone da senhora Parker? O que tenho em minha ficha não foi atualizado– Daniel Charles pode, parando de frente com a enfermeira chefe.

—Um segundo doutor Charles – responde ela, destravando o computador no balcão, fazendo uso de uma folha de papel próxima, terminando de anotar o número solicitado pelo Psiquiatra no exato momento em que o paiger, que depositara ao lado do computador, toca, chamando sua atenção – Ai, droga! – deixa escapar, a expressão em seu rosto demonstrando toda tensão que sentia, erguendo o olhar em direção as portas de entrada da Emergência.

—O que há? – Daniel questiona, olhando na mesma direção que ela, retendo o ar ao reconhecer as duas mulheres que acompanhavam a maca conduzida por Sylvie Brett – Doutor Haywood – sopra, adiantando-se ao encontro delas.

—Doutor Blake – Maggie chama o atendente de plantão, sendo prontamente atendida.

—O que temos Brett – o médico inquere, posicionando-se ao lado da maca, estetoscópio em mãos, auscultando o paciente.

—Robert Haywood, pressão dezoito por dois, oxigenação em nove por cento e caindo, forte arritmia durante todo o percurso – informa a paramédica.

—Maggie, qual sala? Quem está de plantão na Cardiologia hoje? – inquere, postando-se de forma a caminhar ao lado maca.

—Trauma quatro. Doutor Latham. Vou avisá-lo – informa a enfermeira.

—O que aconteceu? – Daniel Charles questiona, apoiando uma chorosa Adriele Haywood, a filha do casal a seu lado, apertando as mãos nervosamente.

—E-eu não sei -responde a mulher, entre um soluço e outro – Até ontem ele estava bem. Jantamos na casa da Sarah. Conversamos um pouco. Ele até brincou com a Marina e o neto um tempinho antes de irmos para casa e não reclamou de nada – relata, deixando-se conduzir pelo Psiquiatra – Mas aí, durante a madrugada, acordei escutando-o gemer e quando acendi a luz estava pálido e suando frio – conta, estancando defronte a sala onde o marido era atendido – Achei que havíamos esquecido a medicação, mas não. Não falhamos nenhuma em nenhum dia. Também não exagerou ou saiu da dieta determinada. Estamos seguindo tudo a risca -conclui, enxugando as lágrimas com o lenço – Como depois de alguns minutos melhorou, voltamos a dormir. Quando acordei ele parecia bem e não quis perturba-lo, mas como começou demorar levantar, o que não é normal, fui ao quarto chamá-lo e o encontrei caído junto a nossa cama. Pensei... eu...e-eu pensei...- a voz falha.

—Tudo bem – Daniel a conforta, dando atenção a jovem ao lado deles – Serena, como está? – pergunta, preocupado, a garota limitando-se responder com um movimento mínimo de cabeça, permanecendo calada, abrindo ainda mais os já grandes olhos castanhos ante a chegada do chefe da Cardiologia, fazendo com que o Psiquiatra e a mãe dela se voltassem.

Durante alguns minutos acompanham, a certa distância, o atendimento ao marido e pai respectivamente, Daniel permanecendo junto a elas até o homem ser levado para o andar da Cardiologia.

—Acompanho vocês a sala de espera – convida, fazendo-as caminharem alguns passos a sua frente, sinalizando a Maggie vir a seu encontro – Avise Connor – pede, em voz baixa, a enfermeira anuindo com um aceno, ela retornando para detrás do balcão a fim de fazer o que lhe fora pedido enquanto ele alcança mãe e filha quando estas param junto aos elevadores, entrando quando o mesmo chega.

< Alô > a voz sonolenta de Connor Rhodes traz Maggie de volta a realidade.

—Connor, sinto te incomodar em seu dia de folga, mas acho que deveria saber que o pai da Sarah acabou de dar entrada. O quadro não parece nada bom. Doutor Latham subiu com ele e não estava com a cara boa – relata, tensa – Daniel está com a esposa e filha dele – completa, um silencio prolongado a deixando ainda mais tensa.

< Estamos indo. Obrigada Mags > agradece o cirurgião, despedindo-se e desligando logo em seguida.

Aproximadamente quarenta minutos depois, Connor e Sarah adentram o setor de Emergência do Med.

—Mags?? – inquere o cirurgião, retendo-se um segundo junto a ilha principal de enfermagem do setor.

—Ainda em cirurgia. Daniel permanece com a esposa e filha na sala de espera – avisa, o casal seguindo adiante após agradecer-lhe, conseguindo adentrar o elevador antes que as portas fechassem.

Ao chegarem a sala de espera da Cardiologia, são recebidos por Daniel Charles, que os atualiza em relação ao primeiro atendimento realizado na emergência.

—A doutora Bekker chegou a pouco. Entrou direto na sala – comunica.

—Ok. Farei o mesmo. Ainda que não possa participar da cirurgia, quero acompanhar de perto – Connor avisa, segurando a mão da esposa – Tente ficar calma amor – pede, lhe dando um beijo rápido antes de se dirigir a sala anexa a SO.

—Sarah – a voz chorosa de Adriele faz com que a médica se volte a mulher, apressando-se em ir ao encontro dela, abraçando-a, solidaria.

—Mantenham a esperança – aconselha, dirigindo seu olhar a meio irmã, que mantinha-se sentada na poltrona do canto, cabisbaixa.

—Estou tentando minha querida – Adriele diz, suspirando, deixando-se conduzir a poltrona perto da filha – Ele parecia tão bem. Você viu ontem, não viu? – inquere, a médica acenando afirmativamente – Até brincou com o neto e sua irmã mais nova. Estava tão animado – novo suspiro.

—Eu sei – Sarah diz, sem jeito, erguendo o olhar em um pedido de ajudar a doutor Charles.

Mesmo tendo aceito os argumentos do pai, não se considerava uma amiga de sua atual esposa e ainda não havia conseguido se conectar totalmente a recém descoberta irmã adolescente. A prova disso é que a garota, nos poucos momentos em que estiveram juntos, preferira a companhia de suas outras duas irmãs maternas. Não sabia ou sentia-se confortável ante Adriele e por conta disto não sabia o que lhe dizer para animá-la. Mesmo porque ela própria não se sentia animada.

—Doutor Rhodes me apresentou, certa vez, melodia e letra de um seus compositores prediletos no Brasil – Charles começa, sentando-se entre as três mulheres presentes de modo a poder ver e ser visto por elas – Uma das canções que ouvi era simples, porém de letra profunda e adequada a este momento, acredito eu – prossegue, adiantando-se em segurar a mão de Serena – Parte da letra dizia: “ O futuro é uma astronave que tentamos pilotar. Não tem tempo, nem piedade. Nem tem hora de chegar. Sem pedir licença muda nossa vida e depois convida a rir ou chorar” – recita, olhando-as atentamente – Acho que é exatamente disso que se trata este momento. Estão sendo convidadas pela vida a enfrentar algo maior que pode ou não ser doloroso a depender de como vêem – afirma, pedindo e recebendo as mãos de Sarah e Adriele unindo-as a de Serena – Não pediram ou quiseram se tornarem parentes da noite para o dia e agora precisam aprender a lidar com isto da melhor maneira possível ante a situação que se apresenta diante de vocês – diz, acarinhando suas mãos unidas – Independente disto, saibam que podem contar, Adriele e Serena, com meu apoio – prontifica-se, voltando o rosto para Sarah – Assim como você minha querida. Sabe que estou a sua disposição – lembra-a, sorrindo gentil.

—Uhum – anui a médica, incapaz de dizer qualquer palavra, a sensação de que algo estava prestes acontecer oprimindo seu peito.

Instintivamente, dirige seu olhar ao corredor por onde a equipe médica costuma vir comunicar o resultado dos procedimentos aos familiares que ali aguardavam.

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Connor (15:27 a.m)

Entro na sala de operações após ter colocado uma das roupas protetoras por cima da minha.

Não tinha intenção de participar do procedimento (além de estar em andamento, tinha plena confiança em ambos, Latham e Bekker), mas precisava acompanhar o que acontecia para poder tranquilizar minha esposa. Ou não.

—Doutor Rhodes, bem-vindo a bordo – Ava me cumprimenta sem desviar atenção do peito aberto de meu sogro – Não vai se juntar a nós? – interroga quando me aproximo e pode ver meu traje.

—Não – respondo curto, segurando a máscara cirúrgica contra meu rosto ao me aproximar mais da mesa – O que aconteceu? – pergunto, notando a grande quantidade de sangue na cavidade.

—Os estentes não deram conta do recado – Latham responde, compenetrado – Melhor preparar sua esposa doutor Rhodes. O quadro não é nada bom – relata e sinto um arrepio gelado percorrer minha espinha.

—Mas eu pensei.... — paro, puxando o ar com força – Ele estava reagindo bem a nova medicação – murmuro, me sentindo cansado de repente.

—A reação positiva não parece estar mais tendo o efeito de antes – meu mentor prossegue – O que vemos aqui é prova disto – diz, afastando-se o suficiente para que pudesse me aproximar ainda mais – Vê? – pergunta, indicando áreas no coração de meu sogro que começavam ficar escuras, indicando que o tecido morrera – Sendo honesto, não acredito que o senhor Haywood sobreviva além deste dia – declara, e fecho os olhos – Sinto muito Connor, mas tudo que podemos fazer é deixá-lo confortável e dar-lhe um pouco mais de tempo para se despedir – conclui.

—Entendo – digo num sopro, me afastando até encontrar a parede a minhas costas, deixando a mão que segurava a máscara pender lateralmente a meu corpo, um milhão de pensamentos passando por minha cabeça

—Sinto muito Connor – Ava murmura, visivelmente contrariada.

—Colocaremos novos estentes e darei por finalizado o procedimento. Aplicarei medicação suficiente para que não sinta dor, mas sem deixá-lo desacordado para que possa despedir-se – Latham avisa.

—Ok – digo, limpando a garganta antes de voltar a falar – Eu vou.... vou falar com a ... família – titubeio, me recuperando parcialmente.

—Tem certeza? Não quer que o façamos? – meu mentor se oferece e nego com um meneio de cabeça.

—Não. Prefiro fazê-lo eu mesmo – declino, sorrindo sem vontade, saindo da SO logo a seguir.

Dispo a roupa protetora a descartando no local apropriado, tomando fôlego novamente, aguardando um segundo, terminando de me recompor antes de ir ao encontro de Sarah e da segunda família de meu sogro.

Caminho a passos firmes pelo corredor, visualizando Miss Goodwin e doutor Charles em primeiro plano, ambos voltando-se ao perceberem minha aproximação. Tão logo chego a sala de espera, Sarah põe-se de pé, a segunda esposa e a outra filha de meu sogro fazendo o mesmo, ladeando-a.

—A cirurgia terminou? Ele vai ficar bem? – a esposa pergunta, esperançosa e sinto minha garganta fechar.

Não seria nada fácil dizer o que precisava.

—Connor?? – Sarah me chama, o toque delicado em minha mão fazendo-me respirar fundo uma vez mais.

—Por que não se senta? – sugiro, indicando a poltrona a suas costas, a expressão em seu rosto passando de esperança a desânimo em segundos – Senhora Haywood... – me dirijo primeiramente a ela, como era de praxe, meu olhos buscando os de minha esposa, que retém o ar, pressentindo o que viria a seguir – Infelizmente não tenho boas notícias – começo, cuidadoso – Doutor Latham e doutora Bekker fizeram todo o possível, mas o quadro de seu marido tornou-se irreversível – revelo, segurando uma mão sua e outra de minha esposa, olhando-a demoradamente – Os estentes não são mais uma opção. Serão colocados para que tenha a chance de despedir-se e fique confortável....

—Mas a medicação...ela estava fazendo efeito não estava? Como pode ter parado assim, de uma hora para outra? – a jovem irmã de Sarah inquere, saindo do transe no qual entrara.

—Infelizmente não mais – a voz de Latham se faz ouvir, o próprio surgindo a porta ainda com o pijama cirúrgico – Era um risco que sabíamos existir, incluindo ele mesmo, desde o princípio – relembra.

—E... e quanto ao transplante? Caso surja um coração para ele....

—Não é mais uma opção senhora, sinto dizer – prossegue, cortando-a – Gostaria de ter-lhes algo melhor a dizer, mas não tenho. Seu marido dispõe de poucas horas de vida e sugiro que as aproveitem passando-as junto a ele – declara em seu modo Latham de ser.

—Estarei à disposição das duas – Daniel se prontifica.

—E-eu agradeço – Adriele Haywood gagueja, sentando-se de forma débil, a filha indo até ela, agachando-se ao lado da mãe.

Sinalizo a Sarah para sairmos discretamente, conduzindo-a a um canto reservado aonde explico-lhe mais detalhadamente o que vira e o que Latham e Ava haviam me dito dentro da SO, abraçando-a ao final.

Permanecemos assim até a enfermeira vir avisar que Haywood estava em seu quarto.

Seguimos, Sarah e eu, juntamente com a atual senhora Haywood, sua filha e Daniel, para o quarto encontrando-o ainda sedado. Latham nos informa que dentro de alguns minutos iria o efeito da sedação cessaria e logo poderíamos conversar, com parcimônia.

—Connor, avise Claire que iremos demorar, por favor – Sarah pede e a atendo, retirando-me do quarto a fim de ligar para minha irmã.

< Connor, ainda bem que ligou. Estava aflita. Alguma novidade? > Claire questiona, direta, ao me atender.

—Tenho sim e infelizmente não são boas – respondo, pondo-a a par da situação.

< Eu sinto muito > lamenta-se após haver terminado minha narrativa.

—Poderiam avisar os amigos próximos? Ficaremos aqui até.... bem até que possam se despedir – aviso – As meninas e Max, como estão? – quero saber, percebendo a movimentação dentro do quarto de meu sogro

< Bem, não se preocupe. Emma não teve febre novamente. Está aqui na sala comigo e Jay, assistindo televisão. Marina e Max estão dormindo tranquilamente. Fiquem o tempo que precisar. Larissa e eu damos conta do recado por aqui > tranquiliza-me < Me dê notícias, por favor > pede.

—Darei. Preciso desligar – aviso, o fazendo enquanto caminho de volta ao quarto, encontrando meu sogro desperto, Sarah, a meio irmã e a atual esposa junto a ele.

—Não se esforce Robert. Precisa descansar meu amor – Adriele Haywood pede, as lágrimas ciando mansamente de seus olhos.

—Tere... muito... tempo para descansar .... breve – ele responde, ofegante, fechando os olhos e respirando mais profundamente. Ao abri-los, sua atenção se volta para mim e Sarah – Filha... Minha pequena... O tempo passou tão rápido... é uma mulher agora ... como sinto não ter passado mais tempo a seu lado... como sinto não ter sabido separar.... sua mãe e eu de você e eu ...- murmura, rindo fraco – Perdi tanta coisa em sua vida... formaturas, aniversários, Natais .... – enumera, fazendo uma pausa breve – Eu sinto tanto não ter tido forças para agir diferente, para ser seu pai e não um estranho ...- declara, o olhar buscando sua outra filha – O pior é não ter .... aprendido com meu erro – diz – Serena, me perdoe por não ser o pai que gostaria, mesmo estando a seu lado ...todo o ... tempo – ofega novamente, fechando os olhos.

—Bob, poupe-se. Precisa descansar – reitero o pedido feito pela esposa segundos atrás, mesmo tendo consciência de que fora justamente para isto que Latham se esforçara pra dar a ele este tempo extra.

Ainda assim, não conseguia não pedir o contrário.

—Meu caro doutor Rhodes.... meu genro ... sabe bem que não tenho muito tempo – diz, ainda de olhos fechados – Tenho pouco tempo e tanto a dizer! – exclama, tomando nova respiração – Há muito a ser dito, mas algumas coisas deixei por escrito... outras, no entanto, preciso dizer agora – avisa, abrindo os olhos, voltando encarar Sarah e a mim – Sarah... sua mãe não agiu bem... estava confusa, frustrada, mas a ama. Ama vocês três...- declara de repente – Esta arrependida. Tente perdoá-la.... vai precisar de sua ajuda... precisar de um bom advogado... de proteção... ela se envolveu com gente perigosa – alerta, dirigindo sua atenção para mim – Precisa proteger minhas meninas, meu netinho e principalmente aquelas duas pequenas princesas. Precisa... prometa que fará isto Connor – pede, agitando-se.

—Prometo, agora acalme-se – peço, atentando-me aos aparelhos.

—C-como sabe de tudo isto? – Sarah balbucia, confusa, lágrimas grossas brotando de seus olhos.

—Eu a... reencontrei dois anos atrás, em um congresso – revela, deixando a ela e a mim surpresos – Não a queira mal. Estava encantada. Confiou na pessoa errada – diz, tomando outra respiração ainda mais profunda – Serena, minha querida, não me queira mal – muda completamente de assunto – Aceite sua irmã... obedeça a sua mãe... elas serão sua família de agora em diante. Não as afaste como fiz. Não seja eu – pede, a garota permanecendo estática, não permitindo as lágrimas caírem – Prometa pra mim que irá ser maleável, que vai ouvir mais e brigar menos... por favor meu bem. Prometa – reitera.

—Prometo – sopra de forma quase inaudível, rindo triste ao ver o pai fazê-lo.

—Bom. Muito bom – diz, voltando-se para a esposa – Me desculpe se não fui o que prometi. Acho que raízes nunca foram meu destino – diz, sincero – Sinto tê-la envolvido na confusão que era meu casamento com Elisa àquela época... e sinto por te fazer sofrer. Perdão – pede, ela apenas anuindo, emocionada demais para falar – Minha vontade está expressa e documentada. Cuide de tudo sim? – pede mais uma vez e novamente ela anui com um aceno.

—Robert, agora precisa descansar – reitero, preocupado. Sabia que de nada adiantaria, mas não gostaria que morresse de forma dolorosa, o que fatalmente aconteceria a continuar se esforçando daquela maneira.

—Só mais um pedido e prometo que não darei mais trabalho – diz, erguendo minimente o dedo, sinalizando a mim para chegar mais perto de seu rosto.

Estranho, mas resolvo obedecer, aproximando dele, escutando atentamente o que dizia em baixa voz, o choque me tomando, mas disfarço para não deixar nenhuma das mulheres presentes ainda mais tensas.

Me ergo lentamente, anuindo discretamente com um aceno, ficando ao lado de minha esposa, que claramente segura a curiosidade em saber o que ele havia me dito.

—Agora sim, posso descansar. Sei que não estarão mais sozinhas. Nenhuma das três – declara, respirando profunda e lentamente – Tão bom poder relaxa.... finalmente... sem dor...- diz, fechando os olhos, a expressão suavizando-se até estar completamente relaxada, o silencio no ambiente sendo quebrado, minutos depois, pelo som de alerta dos aparelhos ligados a ele.

Ergo a mão quando os enfermeiros adentram, apressados, contendo-os, Latham surgindo segundos depois, mantendo minha ordem, aproximando-se do leito, auscultando-o e examinando criteriosa e demoradamente, erguendo-se após dar-se por satisfeito.

—Hora da morte: dezessete e vinte – declara, voltando-se para uma surpreendentemente calma Adriele Haywood – Meus sentimentos – diz, fazendo um breve cumprimento antes de se voltar para Sarah – Doutora Reese, meus sentimentos – repete, fazendo o mesmo com a meio irmã de Sarah, a única presente a não derramar nenhuma lágrima, mantendo-se passiva, encostada no canto do quarto.

—Sarah...- chamo, tocando seu braço, indicando a garota com um gesto discreto.

Calmamente, minha esposa se aproxima da jovem enquanto permaneço ao lado da mãe desta, confortando-a, atento a reação da garota. Delicadamente, Sarah a envolve em seus braços após dizer-lhe algumas palavras de alento.

Durante minutos apenas ela abraça, a garota reagindo devagar, abraçando-a de volta e somente então consigo relaxar.

E assim, em uma fria tarde de Chicago, após ter feito as pazes com seu passado, Robert Haywood partiu deste mundo e sem querer me pego pensando em meu pai, em nossa relação e como me sentiria caso fosse ele naquele leito.

Confesso não ter gostado do que senti e por conta disto tomo uma decisão: não iria mais protelar. Sabia o que tinha de fazer e o faria. Não por ele, mas por mim. Não iria deixar para a última hora concertar as coisas entre nós, mesmo porque nunca se sabia quando esta chegaria.

Mas isto ficaria para depois. No momento minha prioridade era dar total apoio a mulher que amo... E cumprir a promessa feita a meu sogro em seu leito de morte.

“....You’ve gotta live every single day;

Like it’s the only one;

What if tomorrow never comes?

Don’t let it slip away;

Could be our only one;

You know it’s only just begun;

Every single day;

Maybe our only one;

Whta if tomorrow never comes?

Tomorrow never comes...;

Time, is going by, so much faster than I;

And I’m starting to regret not telling;

All of this to you;

You never gonna be alone!

From this moment on...;

When all hope is gone;

I know you can carry on;

We’re gonna see the world out;

I’ll hold you ‘til the hurt is gone...

You never gonna be alone...”

Notas finais
Como havia falado em outras fics, estou participando do Projeto Olicity de Natal juntamente com outras maravilindas escritoras. Serão um total de sete ones de Natal inéditas que começaram ser postadas na terça, dia 17/12. Hoje a minha foi postada e me sentiria imensamente feliz se dessem uma passadinha por lá para lê não apenas ela mas demais. Estão TODAS incríveis. Ela já consta em meu perfil portanto basta irem nas minhas historias postadas e já terão acesso. Minha one Rheese de Natal será postada entre Sábado e domingo, quando o projeto estará terminando. Espero vocês por lá. Ahhh, LH entrando em sua reta final. Bjinhos flores