Love Hurts!

25 Lost beats of the hearts


Notas iniciais
Olá flores! Apareci, finalmente! Brinks. LH nem está tão atrasada assim, rsrsrsrs. Bem, pra começar alguns esclarecimentos sobre o capitulo: apesar de andar pra lá de estressada e desanimada com a quarta temporada de Cm ( e ainda nem começou! Afffs!), os eventos descritos nada tem a ver com isto. Não é vingança nem nada viram? Tudo já estava previsto do jeitinho que está acontecendo em minha mente. O capitulo também já estava em andamento quando os rumores começaram. Miah foi sincera e o fato que vai desencadear toda a segunda parte deste capitulo será explicado no próximo mas já adianto que Connor também está sendo sincero. Explicações dadas, vamos ao que interessa. Grata por todas as rewiews passadas...Aguardo mais rewiews, please...Boa leitura...Bjinhos flores P.S: Em tempo: alguns capítulos atrás cometi um erro, inverti as descrições de Emma e Marina (capítulo "Treinando o papai -I"). Quem é parecida com a Sarah é a Emma não a Marina como disse. Me perdoem

Conservatório da cidade de Chicago(quarta, 3/5 – 17:38 p,m)

Narrador

Sentada em uma das cadeiras na plateia do imenso auditório, Emma assiste ao ensaio/aula da turma composta por crianças de doze a dezesseis anos, estática, os olhos brilhantes, boca levemente aberta, expressão serena.

—Ela está respirando não está? – Claire sussurra, preocupada, recebendo com bom humor a reprimenda que o irmão lhe faz.

A empresaria recebera a ligação do diretor do conservatório, amigo pessoal da família Rhodes, enquanto retornava à Dolan (após sua conversa com Jay e Kimberly) perguntando-lhe se a menina da qual lhe havia falado ainda estaria interessada em entrar na turma posto que uma vaga fora aberta em virtude da desistência de uma candidata e ela dissera que sim sem ao menos consultar o irmão e a futura cunhada.

Para sua sorte e felicidade, a menina não apenas não desistira como também já se encontrava a caminho do local.

—Foi uma tremenda coincidência Stephano ter me ligado justamente no dia em que vocês a estavam trazendo para conhecer o conservatório – comenta a empresaria, inquieta – Mais sorte ainda ter aparecido uma vaga de última hora não é mesmo? – indaga sem esperar resposta – Ainda bem que havia falado com ele sobre o desejo da Emma em aprender violoncelo desde que a trouxe para assistir uma opera Connor. Ele foi muito gentil em abrir exceção para recebe-la – conclui, animada.

— Esta é uma das poucas coisas que me deixam relativamente feliz em ser um Rhodes e se está querendo ouvir um muito obrigado é só pedir Claire, não dê indiretas. Sabe que não suporto isto – Connor reclama, azedo, Sarah o repreendendo.

—Não seja mal agradecido! – ralha – E temos sim que agradecer não apenas a sua irmã mas este senhor Stephano por receber Emma tão em cima da hora. Devo lembra-lo da enorme lista de espera que vimos afixada no quadro de avisos quando chegamos? – questiona em tom baixo, o cirurgião fazendo uma careta contrafeita.

—Este é outro detalhe que me preocupa – revela fazendo a irmã e a noiva o olharem de cenho franzido – Não quero que ela seja discriminada ou perseguida pelos demais alunos caso descubram que entrou por conta de ter ligações conosco, e sabe bem que sempre existe alguém que solta um fato como este acidentalmente diante de algum aluno ou pior, pais de aluno – alerta, fazendo aspas no ar, encarando e calando o protesto que a irmã ensaiava – Se um destes moleques metido a besta, seja menino ou menina, disser um Ai com minha pequena, vai se ver comigo! – ameaça, olhando em direção aos alunos que compunham a turma na qual Emma ficaria, dois garotos ruivos olhando em direção aonde estavam como que adivinhando que falava sobre o grupo.

—Connor Rhodes, não acredito que o ouvi ameaçar crianças! – Claire exclama em tom exageradamente dramático, tapando a boca com uma mão – Que coisa feia! – diz, sacudindo o dedo em frente ao rosto do irmão.

—Em primeiro lugar, Emma sabe defender-se muito bem, para sua informação – Sarah retruca, tapando a boca dele com a mão – Se acha que estes garotos e garotas daqui podem ser intimidantes, precisa visitar, de surpresa, uma escola pública. Ficaria aterrorizado – garante, retendo o ar quando ele segura sua mão mantendo-a sobre seus lábios, a mordida suave que o cirurgião aplica na palma provocando uma descarga elétrica que se espalha por todo o corpo da médica fazendo-a arrepiar-se.

—Já estive na escola delas, esqueceu? – Connor lembra, ainda segurando-lhe a mão, usando a ponta de sua língua para instiga-la mais.

—Não...esqueci não – Sarah sopra, tentando libertar-se, consciente de que deveria estar vermelha como um pimentão e com a respiração pesada, fatos que certamente não iriam passar despercebido as pessoas em volta – Connor, pare! – sussurra quase em um gemido ao sentir o toque úmido novamente, um sorriso sedutor lhe sendo dado em resposta.

—É Connor, pare porque além de ter crianças e outras quinhentas pessoas por perto que certamente ficarão preocupados ao verem uma mulher grávida arfando, EU estou ficando sem graça aqui! – Claire reclama, aproximando-se mais de ambos – Façam o favor de se comportar! – ralha, Connor sorrindo travesso antes de afastar-se – Bom garoto! – brinca, dando dois tapinhas no antebraço dele, a atenção dos três sendo chamada para o palco quando as pessoas aplaudem.

—Muito obrigado, senhoras e senhores. Quero agradecer a presença de todos neste mini concerto organizado pelos professores. Esta foi uma pequena amostra do quanto vossos filhos já evoluíram desde o inicio do semestre. Os convido a juntarem-se a nós na ante sala para uma recepção aos novos alunos que irão iniciar suas aulas semana que vem – convida o diretor do local após discursar, novos aplausos enchendo o ambiente enquanto as pessoas começam a levantarem-se caminhando em direção ao local indicado pelo homem.

—Vamos embora agora? – Marina pergunta, estendendo os braços em direção a Connor.

—Ainda não coelhinha. Agora vamos conhecer os amiguinhos com quem Emma vai estudar – explica o cirurgião, pondo a menina nos braços enquanto Claire e Emma afastam-se junto com a multidão – Está tudo bem amor? – pergunta ao ver Sarah fazer uma careta, levantando-se com certa dificuldade.

—Só uma dorzinha chata – diz, apoiando as mãos no encosto da cadeira a sua frente, puxando o ar com força – Deve ser por conta do tempo que fiquei sentada – justifica a médica.

—Neste período qualquer tempinho a mais que passamos sentada ou de pé incomoda – a senhora na fileira imediatamente acima da qual estavam comenta, sorrindo amável – Está de quantos meses? Seis, sete? – quer saber.

—Vinte e duas semanas e sete dias! – especifica, aceitando a mão que Connor estendia após apoiar Marina em um lado de seu corpo.

—Desculpa a curiosidade mas é sua primeira gravidez? Me parecem tão novos – comenta a mulher olhando deles a menina nos braços de Connor , acompanhando o casal.

—Sim. São minhas irmãs – conta a médica, indicando Marina e Emma, que quase sumira de seu campo de visão junto com Claire, puxando ar mais uma vez a fim de vencer os últimos degraus que conduziam a saída.

—Coelhinha, vou te colocar no chão para ajudar a Sarah ok? Não se afaste – Connor avisa, pondo a garotinha de pé a seu lado, passando o braço em volta da cintura de Sarah, ela apoiando seu braço direito nos ombros do noivo.

—Sarah tá dodói? – quer saber a menina, segurando a mão que a irmã lhe estendia.

—Não meu anjo. É só cansaço– minimiza a médica, respirando aliviada ao chegarem a saída da sala.

—Pegarei uma cadeira para que possa sentar-se – prontifica-se a senhora, saindo rápido, retornando segundos depois com o objeto nas mãos – Aqui, descanse um pouco. Seus pés me parecem um pouco inchados – aconselha, preocupada – Se quiserem aviso a moça com a outra menina que estão aqui – diz, prestativa.

—Se não for incomodar lhe – Connor agradece, ajoelhando-se diante de Sarah, retirando a sapatilha que usava.

—Imagina, incomodo nenhum – garante a mulher, despedindo-se antes de sair em direção ao local aonde Claire e Emma se encontravam.

—Marina, está com sede ? – Sarah inquire abrindo sua bolsa, retirando uma embalagem de suco lá de dentro, oferecendo a menina que aceita, parando, comportada , a seu lado – Hummm, que alivio! – sussurra, suspirando ao sentir os dedos de Connor massageando seu tornozelo.

—Seus pés estão muito inchados meu amor. Acho melhor marcamos com a doutora Harris amanhã antes de iniciar o plantão – sugere, preocupado – Precisa descansar mais, ouviu o que ela disse da última vez – ralha, passando para o outro pé.

—Lembro e estou seguindo o que me pediu...dentro do possível! – responde, suspirando impaciente ao vê-lo balançar a cabeça negativamente – Connor, sabe que não posso simplesmente me omitir. Se pretendo realmente a vaga oferecida por doutor Latham, não posso usar minha gravidez para fazer corpo mole. Continuarei fazendo meu pré natal direitinho, seguindo as orientações da Harris ...

—Sempre que possível – antecipa-se o cirurgião e é a vez de ele impacientar-se – Não estou pedindo ou mesmo sugerindo que o faça, meu amor. Apenas que tenha mais cuidado. Suas taxas ainda não estavam boas e vi como Harris ficou preocupada mesmo ela tentando disfarçar. Tenho certeza de Latham não opor-se que reduza o ritmo – relembra, tenso.

—Mais ainda? – indaga ela, suspirando uma vez mais — Não se preocupe Connor, está tudo bem com seu filho – afirma, levemente irritada.

—Minha preocupação não é apenas com Nosso filho, mas com você , com sua saúde e bem estar amor – assegura ele, tranquilo, continuando a massagear seu tornozelo.

—Eu sei. Desculpa meu amor. Não quis insinuar que não se preocupa comigo. Ando meio irritadiça estes dias – reconhece, acariciando o rosto do noivo.

—Já notei – Connor anui, sorrindo abertamente.

—Sarah, Connor, tudo bem? – a pergunta de Claire chama atenção dos dois, que se voltam vendo-a aproximar-se tendo Emma e um garoto moreno ao lado dela.

—Tudo – Sarah adianta-se, encarando o menino com um sorriso – Olá Raymond, como está? – pergunta educadamente.

—Bem e a senhora? – responde ele igualmente educado.

—Tudo bem – responde Sarah, olhando de sua irmã para o menino alternadamente – O que faz aqui? Não me diga que estuda musica!? – indaga.

—Não me diga que estuda musica Aqui!? – Connor inquire, recebendo um olhar de advertência da noiva.

—Estudo sim senhor doutor. Fazem dois anos já – responde, orgulhoso.

—Ray está na turma adiantada – Emma especifica, os olhos brilhando – Não seremos colegas de turma mas ele poderá me ajudar quando tiver duvida e a mãe dele se ofereceu para me trazer e levar em casa nos dias de aula – revela, Connor arqueando a sobrancelha, abrindo e fechando a boca, calando-se ante novo olhar de Sarah.

—Que bom meu bem. Assim terá mais facilidade em aprender – anui a medica, tocando o ombro do noivo – Acho que por hora esta bom meu amor. Vamos para casa. Quero deitar um pouco – pede, ele acenando afirmativamente, calçando as sapatilhas em seus pés antes de levantar-se – Mas antes temos que falar com o senhor Stephano – lembra, Claire a tranquilizando.

—Não precisa, já falei – avisa a empresaria entregando uma pasta a Connor – Aqui está a documentação que precisa trazer para a matricula dela, os dias e horários das aulas e qual material irá precisar no começo – explica – Sei que irão reclamar mas não ligo – diz antecipando-se – Paguei o semestre antecipadamente. É meu presente de aniversário para Emma – revela, sorridente.

—Claire, já deu presente para ela. Deu presente, festa – Sarah enumera, encarando a empresaria – Não quero ser mal agradecida mas precisa parar de mimar minhas irmãs – pede.

—Ok, ok, eu solenemente prometo que vou me controlar – declara a empresaria bem humorada, cruzando e beijando os dedos indicadores.

—E nós fingiremos acreditar – Connor responde, auxiliando Sarah caminhar conforme fizera para saírem da sala de concertos – Já que resolveu tudo, vamos indo. Sarah precisa descansar. Claire, poderia ir até o carro conosco? – pergunta, tentando segurar Marina, que ameaça sair correndo.

—Com certeza. Venha cá mocinha!! – exclama, segurando a menina pelo braço, trazendo-a para si – Você é uma coelhinha muito esperta e rápida mas eu te peguei desta vez! – brinca, beijando e soprando na barriga da menina, que ri soltando gritinhos de alegria.

—Marina comporte-se – Sarah ralha, fazendo cara de brava, caminhando mais firmemente com o apoio do noivo, sentindo a dor diminuir.

—Quando vamos comprar meu violoncelo? – Emma pergunta, saltitando animada.

—Vemos isto dentro de uns dias boneca – Connor avisa, destravando o carro quando se aproximam.

Após acomodar Sarah no banco a seu lado, ajudar Claire fazer o mesmo com Marina e verificar se Emma pusera o cinto corretamente, despede-se da irmã com um beijo no rosto, estancando antes de entrar no veículo ao ouvi-la chama-lo.

—Connor, antes que esqueça, papai irá viajar amanhã pela manhã – avisa – Passara alguns dias fora. É uma viagem de negócios – completa.

—Ok. Quando ele voltar nos avise por favor . Estamos devendo uma visitinha a ele – lembra, a empresaria concordando com um aceno.

Despedem-se novamente, Connor seguindo direto para o apartamento do casal.

Ao chegarem, faz com que Sarah deite-se no sofá, encarregando-se de preparar o jantar, banhar as meninas, banhando-se juntamente com ela antes de servir a refeição, ligando para a obstetra da noiva, conforme planejara, logo que termina de arrumar a cozinha.

As dez horas põem as meninas na cama juntos, indo eles próprios para a sua após elas adormecerem.

No dia seguinte, levam-nas a escola mais cedo conseguindo chegar ao Med com antecedência suficiente para a consulta de Sarah.

Após examina-la e ouvir os relatos do casal, a Obstetra diz estar preocupada com o quadro da médica, especialmente o aumento de edemas em mãos, rosto e pés bem como da oscilação de sua pressão arterial . Por conta disto aconselha-a reduzir ainda mais seu ritmo.

—Tentarei doutora – compromete-se a médica.

—Tem que fazer mais do que tentar Sarah. Não apenas por seu bebê mas por você também. Entrou nos três meses finais da gravidez e a manter-se este quadro, o risco que desenvolva Eclampsia é alto demais para meu gosto – alerta no momento em que Connor retorna a sala após haver saído para atender uma ligação a fim de não atrapalhar a conversa entre as duas.

—Eclampsia? Como assim? – preocupa-se o cirurgião, sentando ao lado da noiva novamente – Pensei que ela não estivesse correndo este tipo de perigo – confessa, tenso.

—Infelizmente Sarah se enquadra no grupo de fatores de risco: a mãe sofreu pré eclampsia durante a primeira e a última gravidez; esta vivenciando a sua primeira; há presença de proteínas em sua urina além de ter tido uma pequena infecção e por fim o líquido amniótico reduziu, discretamente mas reduziu, especialmente nos dois últimos meses – enumera, olhando-os com atenção – Infelizmente, como já lhe disse em nossa primeira consulta, o problema está lá atrás, onde por não saber estar gravida não teve os cuidados e a devida atenção a sua saúde, o que causou o desequilíbrio em seu organismo. Mesmo tendo hábitos saudáveis, certos nutrientes são necessários a mãe e ao bebê no começo de uma gravidez e não os teve. Junte a isto toda tensão nos três primeiros meses e terá um quadro mais que propicio, não esquecendo a ameaça de aborto – relembra, ambos ficando mais tensos – Na verdade, desde que confirmamos seu estado, o que temos feito é correr atrás de recuperar o tempo perdido. Estou feliz com os avanços que conseguimos mas não quero e não devo baixar a guarda – declara, pegando seu receituário – Vou anotar as principais recomendações e cuidados e te prescrever um suplemento alimentar – avisa, concentrando-se na tarefa por alguns minutos – Caso sinta-se mal ou que não está evoluindo da maneira esperada, me avise imediatamente – recomenda, entregando-lhes a anotação – Duvidas? – interroga-os recebendo acenos negativos – Pois bem, nos vemos dentro de três semanas, se tudo correr bem. E por favor, não se assustem. Quis deixá-los alerta para os riscos, não apavora-los está bem?

—Está sim Caitlin – Sarah responde, levantando-se, Connor fazendo o mesmo – Muito obrigada e pode deixar, qualquer coisa eu grito! – brinca, tentando descontrair o ambiente, despedindo-se – Connor, quer relaxar por favor! – pede quando entram no elevador, incomodada com o silencio do noivo.

—Como posso relaxar sabendo que está em perigo Sarah? – questiona, encarando-a.

—Não estou em perigo....Não imediato ao menos – afirma, mordendo o lábio, insegura, sacudindo a cabeça a fim de espantar o desanimo – Tomarei o triplo de cuidados daqui para frente meu amor, não se preocupe – promete, lhe dando um selinho.

—Não me peça o impossível! – rebate fazendo-a rir carinhosamente.

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“Às vezes me pergunto se;

Eu viverei sem ter você;

Se saberei te esquecer;

Passa um segundo e eu já sei;

Você é o que eu quero ter;

Inesquecível para amar;

Mais que uma história pra viver;

O tempo parece dizer: não, não me deixe;

Nunca me deixe...”

Chicago Med (terça-feira, 16/5 – 13:45 p.m)

Connor

—Quer dizer que ainda não conseguiram falar com seu pai? – Will pergunta enquanto caminhamos para a cantina.

—Nops! – respondo, estalando a língua – Se não o conhecesse diária que está nos evitando – digo, parando em frente ao balcão, olhando o que havia àquela hora para comer.

Havia sido uma manhã bastante corrida tanto na emergência quanto na cardiologia, mas por sorte conseguira, com a ajuda de todos, fazer com que Sarah fosse poupada grande parte do tempo e graças a Deus não se rebelara, algo bem comum sempre que tentamos, mesmo por uma boa causa, controla-la.

—De repente percebeu que estava enganado e não quer dar o braço a torcer diante de vocês – pondera meu amigo e rio enviesado.

—Mesmo que o faça engoli o exame, não o dará Will, acredite – afirmo, escolhendo duas embalagens com salada caprese.

—E Sarah, como está? O que ela acha disto? – questiona, pegando o mesmo que eu.

—Nada – respondo, entregando o cartão ao balconista – Inclua o dele também – peço antes que Will impeça, prosseguindo — Na verdade, anda meio abatida nos últimos dias – comento, recebendo meu cartão de volta – Estamos seguindo à risca tudo que a Harris pediu, ela sente-se fisicamente melhor, mas anda triste, sem ânimo para nada. Quase diariamente dorme cedo, bem antes de mim e das meninas – acresço, sentando em uma da mesas mais afastadas.

—Já tentou conversar com ela para saber se algo está errado? Talvez tenha tido algum aborrecimento e não está querendo dizer – inquire, sentando-se de frente para mim.

—Já. Disse que não é nada, apenas cansaço e um pouco de ansiedade pela chegada do bebê – informo, mexendo na comida sem apetite – Falei com Caitlin e ela disse que pode ser apenas isto de fato, mas pediu que ficasse de olho – conto, suspirando ao escutar meu paiger, franzindo o cenho ao ver quem me bipava – Estranho. Falava nela e me bipam da Obstetrícia – revelo, uma sensação ruim me invadindo sem motivo aparente – Will, viu a Sarah antes de vir para cá? – pergunto enquanto levanto.

—Estava conversando com April e a irmã do Ethan da última vez que a vi. Coisa de uma meia hora mais ou menos – responde, pondo-se de pé tão rápido quanto eu o fizera, a palidez em seu rosto me deixando em alerta – Nat, o que foi? – pergunta fazendo-me voltar para nossa colega, que chegava apressada, tão ou mais pálida que ele.

—Connor, é a Sarah...encontraram-na desmaiada dentro de um dos banheiros na emergência e...- não escuto mais nada.

Saio em disparada pelo corredor quase derrubando April que me retém pelo braço.

—Ethan está segurando o elevador – avisa, me conduzindo ao mesmo, Nat e Will adentrando segundos antes de as portas fecharem-se – Connor, me escute – ordena, pondo as mãos em meus ombros, fazendo-me encara-la – A doutora Harris já está com ela. Está sendo examinada neste exato momento. Estão realizando uma tomografia. Harris pediu-me para avisa-lo que não há sangramento severo, nem hematomas ou ferimentos, o que indica que ela não caiu diretamente no chão, e principalmente, ao que tudo indica, havia desmaiado havia pouco quando Munique a encontrou – enumera – Sei que é difícil mas tente manter-se calmo ok? – pede, as portas abrindo-se naquele momento.

Seguimos juntos pelo corredor direto para a antessala da tomografia aonde encontramos Caitlin Harris.

—Como ela está? – pergunto, aproximando-me da imensa janela de vidro, meu coração batendo descompassado ao ver a mulher que amo deitada naquela cama fria – Ainda está desacordada? – inquiro, me voltando para Harris.

—Está e vai permanecer por um bom tempo por conta da medicação – avisa, sem desviar o olhar da tela do computador – Chegou a ter um breve momento de consciência , mas optei por aplicar-lhe medicação para que relaxasse permitindo baixar sua pressão arterial. Estava em dezoito por quinze quando medimos além de apresentar um quadro de convulsão leve – revela e sinto meu estomago revirar – Sente-se Rhodes. Não quero ter que me preocupar com outro paciente neste momento e por favor, fique quieto – ordena, seu tom deixando claro que não admitiria discussão.

Faço o que ordenara (em parte) apoiando uma perna sobre o balcão, mantendo-me próximo a janela de vidro, acompanhando o movimento da máquina lá dentro.

Durante o que me pareceu uma eternidade, o único som que se ouve nas duas salas são do aparelho e os bipes emitidos pelo computador, Caitlin Harris reclinada sobre Marvin, o técnico responsável, atenta a cada detalhe exibido no monitor. Vejo, pelo canto do olho, April e Nat mexerem-se, começando a impacientar-se, assim como eu. Quando faço menção dizer algo, a Obstetra de Sarah finalmente ergue seu rosto para mim, sua expressão serena me trazendo um pouco de alivio.

—Não há nenhuma lesão ou sangramento interno. Quis fazer porque ela bateu a cabeça, de leve, mas bateu, então achei por bem não deixar nada descoberto – justifica-se – Coletei o sangue e pedi máxima urgência nos exames. Por hora, nem Sarah nem o bebê correm risco de morte, mas não vou relaxar. Seja lá o que tenha provocado este quadro, foi muito forte – acresce – Vou coloca-la em um quarto agora e ficara em observação por pelo menos esta noite independente do que os resultados digam. Está medicada e não deve recuperar os sentidos antes do final da tarde – alerta – Pode acompanha-la se desejar – libera e aceno afirmativamente descendo da mesa, o nó em minha garganta impedindo-me falar.

Entro na sala de exames junto com a maca, Will e Ethan ajudando a mim e ao enfermeiro coloca-la sobre a mesma.

Em silencio, acompanho-a até o quarto, fazendo questão tanto de ajudar a pô-la sobre o leito, quanto de ministrar a medicação prescrita pela Harris, ajustando o gotejar do soro conforme deixara especificado.

Trago a cadeira para junto do leito e sento-me, segurando sua mão livre entre as minhas, a frieza da aliança de noivado chamando minha atenção e somente então noto que suas mãos estavam inchadas.

—Vai ficar tudo bem, você vai ver – a voz de Will soa as minhas costas ao mesmo tempo em que sinto-o por uma mão em meu ombro – Sarah é mais forte do que aparenta e o filho de vocês também – garante, apertando o local a fim de me transmitir força.

—Está medicada e como Caitlin falou, fora de risco – Nat lembra, aproximando-se – Vai dar tudo certo, Connor. Confie – reforça ela.

—Melhor retirar a aliança – digo de maneira torpe, levando seu dedo anelar a minha boca, umedecendo-o, prendendo a joia entre os dentes, puxando-a cautelosamente até retira-la por completo e quando o faço sou tomado por uma ridícula crise de riso – Ela detesta quando faço gestos assim em público, como quando beijei a palma de sua mão durante o concerto na escola de artes. Fiquei brincando com a pele, incitando-a...Claire ficou louca da vida com a gente. Reclamou, xingou, ameaçou nos bater. Mas ela se manteve calma. Serena. Vermelha como um pimentão, completamente envergonhada mas manteve a postura – relembro, o riso mudando-se em choro – O que aconteceu Will? Por que aconteceu? Estava tão bem hoje cedo. É certo que andava um pouco triste nos últimos dias, mas hoje não. Hoje brincou, riu e até cantou junto com as meninas no carro a caminho da escola.... O que deu errado? – questiono sem me preocupar em deter as lágrimas.

—Eu não sei, mas vou descobrir – diz, a princípio a frase me soando estranha mas deixo passar, guardando-a na memória – O importante agora é focar na recuperação de Sarah. Precisa ser forte para que possa apoia-la nesta hora – recomenda , a lembranças das pequenas me vindo a mente de imediato.

—As meninas...Emma e Marina...preciso ligar para Claire...- começo dizer, fazendo menção levantar-me, ele detendo-me.

—Não se preocupe. Ligarei para Jay e pedirei que ele e Kimberly busquem-nas na escola e também para avisarem sua irmã. Acho que eles tem o número e se não tiverem venho pegar com você – prontifica-se.

—Isso. Não se preocupe com nada agora. Apenas fique aqui que cuidaremos de tudo – Nat corrobora.

—Obrigado – é tudo que consigo dizer, os quatro me dedicando sorrisos amáveis antes de saírem, deixando-me sozinho no quarto.

Neste momento dou vazão a toda dor que sentia oprimir meu peito.

Deito a cabeça, sua mão e a aliança ainda entre as minhas. Colo-a em meu rosto, as lágrimas molhando lençol e colchão, aliviando parte da dor que sentia. Acabo por adormecer naquela posição, sendo acordado pela presença da enfermeira , que viera troca o soro e verificar seus sinais.

Aproveito sua presença para ir ao banheiro anexo ao quarto, perguntando por Caitlin Harris antes de o fazer.

—A doutora está pressionando o laboratório pelos resultados. Todos – informa a garota, sorrindo de maneira gentil – Não se preocupe doutor, tenho certeza de que a doutora Reese irá se recuperar – tranquiliza-me e lhe sorrio de volta, entrando no reservado.

Olho meu reflexo no espelho enquanto lavo as mãos, suspirando ante minha aparência deplorável. Não seria nada aconselhável falar com as meninas neste momento, no entanto preciso ligar para minha irmã e saber como estavam.

Fecho a torneira, enxugo o rosto, giro a maçaneta abrindo a porta lentamente, congelando ao escutar uma voz feminina lamentando-se no interior do quarto.

—Me desculpa Sarah. Não fiz por mal, por favor me perdoe. Só quis abrir seus olhos para não confiar naquela víbora. Perdão – implora, um soluço ecoando pelo ambiente – Se algo acontecer a você ou ao bebê jamais irei me perdoar -declara, uma outra voz surgindo.

—Deveria ter pensado nisso quando foi fazer intriga – admoesta e de imediato reconheço como sendo de Maggie – Agora me diga, o que ganhou com isto doutora Bardov? – questiona e sinto meu sangue ferve fazendo-me sair da inercia, abrindo a porta de supetão, sobressaltando a ambas.

—O que você fez? – interrogo, seco, encarando-a – O que disse a Sarah para faze-la adoecer? – reinquiro, caminhando em sua direção, ela recuando na medida em que me aproximo – Fale! – ordeno, entre dentes, parando a centímetros de distância da mulher.

—Avisei que não devia confiar tanto em Ava Bekker quanto vinha fazendo – revela e cerro os punhos a fim de conter a irritação – Não fiz por mal. Juro! – exclama, começando a chorar, olhando de mim para Maggie e em seguida para Sarah – Achei que devia abrir-lhe os olhos para a atitude dissimulada da Bekker. Ela está se aproveitando da confiança que Reese tem em todos pra se aproximar e tentar reconquista-lo, sabe que é verdade – afirma, apontando para mim – Não é justo deixa-la enganar Sarah desta maneira. Só quis que ficasse atenta – insiste, fungando, olhando em direção ao leito – Jamais teria dito nada se soubesse que poderia provocar algum mal, por favor acreditem – pede, voltando-se para mim e Maggie mais uma vez.

—O que disse a minha noiva Miah? – repito, sentindo o chão sob meus pés desaparecer antecipadamente, o frágil fio de esperança em estar enganado partindo-se no segundo em que responde.

—Contei que a vi beijando-o na noite em que dobraram o plantão juntos – diz, confirmando meu temor – Não disse nada além do que vi: Bekker aproveitando-se de um momento em que estava claramente fragilizado para te beijar. Não inventei, não floreei e fiz questão de frisar que a repeliu – completa, enxugando o rosto com o dorso da mão – Não fazia ideia que estava com a saúde fragilizada. Adoro a Sarah. Ela sempre me deu apoio, por isso não suportei ver a Bekker fingindo-se de amiguinha o tempo todo. Não é justo com ela – justifica-se.

—Saia daqui – rosno, endurecendo o maxilar, ela me encarando de boca aberta – Suma da minha frente ou não respondo por meus atos! – ameaço em tom baixo, fechando os olhos. Quando os abro, segundos depois, ela já não está mais no aposento.

Recosto-me a parede olhando diretamente para Sarah, o desespero invadindo meu ser.

—Vou perde-la Maggie. Dessa vez não terá volta, eu sei – constato.

—Não diga isso. Palavras tem poder – admoesta-me, parando a minha frente – Quando Sarah estiver em condições irá explicar-lhe o que aconteceu e tenho certeza de que tudo ficara bem. Basta que seja sincero com ela como foi comigo e Will aquele dia – relembra, o gemido baixo chamando nossa atenção, ambos olhando em direção ao leito, meu coração falhando uma batida ao vê-la abrir os olhos.

—Connor!? – um misto de alegria e apreensão me invade ao escutar meu nome sair de seus lábios.

—Estou aqui meu amor. Estou bem aqui, a seu lado – aviso, segurando sua mão, levando-a a meus lábios num beijo casto – Estou aqui – reitero, acariciando seu cabelo e rosto enquanto Maggie posta-se no lado oposto, verificando seus sinais.

—Onde estou? O que houve? – pergunta, franzindo o cenho, confusa, virando a cabeça de um lado para outro – Maggie?

—Olá minha flor! Que bom que acordou – diz, repetindo meu gesto, sorrindo ternamente – Como se sente?

—Estranha – diz com voz torpe, voltando seu rosto para mim – Oi estranho! – exclama, sorrindo de maneira débil, afagando meu rosto.

—Ela deveria estar assim? – questiono, preocupado.

—É efeito da medicação – Maggie afirma, erguendo os olhos para a porta – Ela acabou de acordar – avisa, Caitlin Harris surgindo a minha frente.

—Olha senhorita. Como está? – pergunta, fazendo o mesmo que Maggie fizera segundos antes.

—Estranha – Sarah repete, erguendo as mãos, abrindo-as e fechando-as – Eu...desmaiei? – inquire, cessando o movimento, voltando o rosto para mim de novo.

—Foi um pouco mais complicado que um desmaio meu bem – Harris afirma, dirigindo-me um olhar tenso – Depois vou te explicar tudo direitinho. Por hora tudo que precisa saber é que vocês dois estão fora de perigo – assegura e respiro aliviado.

—Quantas horas? Onde estão Emma e Marina? – pergunta tentando sentar-se mas a impeço, o fato de não me repelir, como pensei que faria, trazendo-me alivio.

—Estão bem amor, fique tranquila. Não tente levantar – aconselho, fazendo com que voltasse a deitar.

—Connor está certo, Sarah. Já cuidamos de tudo. Relaxe meu bem – Maggie reforça.

—Quero vê-las, ou falar com elas – diz, suspirando longamente – Não quero dormir de novo – resmunga, apertando minha mão.

—Mas precisa meu amor – digo, levantando – Façamos o seguinte: vou ligar para Kimberly e pedir que grave um vídeo com as meninas te desejando uma boa noite ok? – prometo, beijando sua fronte.

—Como vou ver se estiver dormindo!? – reclama, sonolenta e sorrio.

—Terei a noite inteira para te mostrar – tranquilizo-a, apoiando-me em um braço, acariciando seu rosto e cabelo.

—Doutor Rhodes, precisamos conversar – Caitlin avisa em voz baixa – Venha, Maggie pode ficar com ela por enquanto – convida e a sigo relutância, surpreendendo-me ao encontrar Latham, Miss Goodwin e doutor Charles a nossa espera.

—O que está acontecendo? – pergunto, olhando-os com desconfiança.

—Aqui não é o melhor lugar para termos essa conversa – doutor Charles pondera – Por que não vamos para uma sala aqui mesmo neste andar? – sugere.

—Certamente será bem melhor – Latham anui, adiantando-se, Daniel, Caitlin e Miss Goodwin o seguindo.

Hesito um instante antes de segui-los, dando uma última olhada em Sarah.

Na sala, sento-me na cadeira indicada por Daniel notando a apreensão presente na fisionomia de todos os presentes.

—O que há? Por que esta reunião neste momento e a esta hora? – questiono, cada musculo de meu corpo doendo tamanha tensão que sentia.

—Bom, acho que devo ser eu a começar – Caitlin Harris declara, entrelaçando os dedos, me encarando séria – Como disse a pouco, não foi um simples desmaio. Sarah teve uma pré Eclampsia – revela e retenho o ar – Sua pressão estava altíssima quando me uni ao doutor Sthol, primeiro a socorre-la após a enfermeira dar o alerta. Imagino que tenha tido um pico maior que acabou por causar uma convulsão moderada, que por sua vez causou o desfalecimento – esclarece – Neste quesito considero que teve muita sorte... E um anjo da guarda pra lá de eficiente! Estava sozinha quando sentiu-se mal , porém não sofreu uma queda direta, o que certamente seria bem pior posto que poderia machucar-se gravemente na cabeça, barriga ou os dois. Suponho que deva ter pressentido o que iria acontecer e ao perceber que não daria tempo pedir socorro, tentou minimizar os danos. E conseguiu – afirma – Apesar de ter machucado o pulso direito, o joelho e ter um corte superficial no lado direito da cabeça, diante da situação, foi o melhor que poderia acontecer – diz, tomando folego – Agora, vou lhe pôr a par do quadro geral dela – avisa, fazendo uma breve pausa – Minha primeira providencia, após medica-la para reduzir a pressão e parar a convulsão, foi coletar seu sangue. Refiz todos os exames novamente e apesar de não estarem tão ruins quanto pensei, houve um leve aumento nas enzimas do fígado e na anemia. Ela queixou-se, recentemente, de dores ou vômitos? – inquere.

—Nenhuma reclamação nova além das que lhe contamos na consulta duas semanas atrás – afirmo – Apenas os edemas nas mãos e pés estavam incomodando um pouco mais – informo.

—Certo – diz, retirando os óculos, massageando os olhos antes de voltar a falar – Connor, vou ser sincera com você como fui com Miss Goodwin e doutor Latham: estou muito preocupada – admite – Mesmo estando seguindo minhas ordens, o quadro de Sarah tem se agravado lentamente. O que aconteceu hoje poderia acontecer tranquilamente dentro de alguns dias, com ou sem a interferência da doutora Bardov – afirma fazendo-me mexer desconfortavelmente na cadeira – Se estivesse com trinta semanas, cogitaria a possibilidade de induzir o parto, mas neste momento não é indicado – relata, me deixando ainda mais tenso – Portanto, para que Sarah possa levar sua gravidez adiante sem riscos para ela e o bebê, vou interna-la preventivamente por um mês. Durante este período poderei monitorar e acompanhar a progressão ou regressão da doença – avisa — No final deste tempo, dependendo de como esteja, irei ou não libera-la para voltar ao trabalho – decreta fazendo-me entender as presenças de nossa administradora e mentor.

Levo uma mão a boca, fechando meus olhos, respirando fundo, antecipando as consequências daquele ato na carreira dela.

—Como deve estar prevendo, torna-se impossível manter a bolsa da doutora Reese na Cardiologia – Latham da voz a meus temores – Não apenas por conta deste mês que precisara se afastar mas pelo que vem depois. A doutora Harris foi muito clara comigo em sua decisão. Gostaria muito de poder mantê-la na equipe, mas infelizmente é impraticável reter a bolsa por um período indeterminado – explica.

—Já estávamos abrindo uma exceção, como bem sabe, a doutora Reese posto que daria a luz justamente no período em que teria de solicitar a transferência – Miss Goodwin relembra – Não irá, em hipótese alguma, perde a bolsa que já possui. Ela terá todos os direitos garantidos bem como a manutenção de seu contrato com o Med. Mas está fora do programa de bolsa na cardiologia ...por hora – frisa – O senhor também recebera, quando da alta da doutora Reese, uma licença para que possa ajustar-se e organizar a rotina em sua casa – avisa – Apesar de saber que para o senhor o mais importante agora seja a saúde de sua noiva e filho, espero que compreenda nossa decisão. Não foi fácil, acredite. Além de termos um carinho especial por Sarah, Isidore me falou diversas vezes o quanto demonstrou real habilidade para a cirurgia cardiotorácica. Discutimos por horas qual seria a melhor decisão a tomar – relata.

—Acredito e entendo Miss Goodwin. Agradeço estarem sendo honestos comigo– digo, sincero.

—É meu dever zelar pelo bem estar da minha equipe – Goodwin afirma.

—Bem, se já terminamos, vou providenciar a papelada de internação – Harris avisa, levantando-se – Sei que agora o quadro não parece nada bom agora, mas logo ficara melhor, acredite – tranquiliza-me, tocando meu ombro antes de sair.

—Se precisar desabafar, a qualquer hora do dia ou da noite, sabe que pode contar comigo – Daniel prontifica-se.

—Tire os dois próximos dias de folga Rhodes. Organize-se, recupere-se e somente então volte a equipe – Latham libera-me.

—Agradeço, mas prefiro continuar trabalhando – declino, não dando tempo nenhum dos três protestar – Só preciso de um tempo para explicar as meninas o que aconteceu e reorganizar nossa rotina. Estari perto de Sarah diariamente é tudo que preciso – afirmo, respirando fundo – Quanto ao que aconteceu....

—Doutor Rhodes, não precisa nos dar nenhuma explicação acerca de sua vida particular – Miss Goodwin interrompe-me.

—Mas eu quero dar – retruco, olhando-os – Não houve nada além de um beijo. Não estou traindo Sarah. Eu a amo, é a mulher da minha vida e não arriscaria perde-la por nada! – friso – Ava foi até mim ao notar minha tristeza aquele dia e aconteceu. Não significou nada para mim e disse isso a ela.

—Então não há porque culpar-se meu rapaz – Daniel afirma – Não tinha como saber que haviam sido vistos muito menos que a doutora Bardov tomaria tal atitude impensada – garante, meu sangue fervendo só em lembrar do que escutara – Connor, neste momento deve focar em Sarah. Não pense em revides. Apenas foque em sua amada – aconselha e rio sem graça.

—Tentarei – digo, honesto, o toque de meu celular sobressaltando-me – É minha irmã – aviso, assustando-me ao ver a hora no visor.

—Fique a vontade. Estamos de saída – Goodwin diz, levantando, Latham e Daniel fazendo o mesmo – Tente relaxar um pouco doutor Rhodes. Sarah irá precisar que esteja inteiro quando acordar. Em mais de um sentido – aconselha, retirando-se, seguida dos demais.

Respiro fundo mais uma vez, retornando a chamada de minha irmã, que atende ao primeiro toque.

—Claire, as meninas, como estão? – pergunto antes mesmo de ela falar.

< Dormindo > diz < Estamos em seu apartamento, Jay, Adam, eu e Kim > enumera < Ela achou melhor não tira-las de casa para não assusta-las. Dissemos que vocês dois iriam dobrar o plantão por isso nos pediram para dormirmos aqui > explica < Como ela está Connor? > — pergunta e por seu tom sei que está prestes a chorar.

—Claire, poderia colocar no viva voz por favor? – peço ela atendendo-me – Sarah está bem. Ela e o bebê estão fora de perigo hora – revelo, suspirando – Escutem, vou ser franco com todos vocês ok? Peço que não me interrompam – recomendo, passando a narrar, lentamente todos os fatos, desde a maldita noite em questão, até a atitude supostamente desprendida de Miah Bardov cuja consequência fora a crise de Sarah. Em seguida, conto das decisões de Harris e nossos chefes, surpreendendo-me em não ouvir Jay xingar-me ou culpar-me pelo acontecido.

Por fim, aviso que passaria a noite no hospital ao lado de Sarah e que na manhã seguinte eles deveriam prepara as meninas e traze-las aqui para verem a irmã desligando após combinarmos os detalhes.

Sigo para a recepção da Obstetrícia e de lá para o quarto aonde Sarah encontrava-se.

Verifico todos os sinais e o prontuário ao pés de seu leito. Trago a poltrona para junto dela, deixo um beijo em seus lábios e sento-me mantendo sua mão entre as minhas, velando seu sono, fazendo, baixinho, algo que raramente fazia antes de conhece-la: rezar.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

“...Ouço sua voz e a alegria;

Dentro de mim faz moradia;

Vira tatuagem sob a pele;

Te levo sempre em meu olhar;

Não canso de te procurar;

Entre meus lábios sinto a falta de você...”

Obstetrícia (17/5 – 07:00 a.m)

Sarah

Observo a chuva chocar-se contra o vidro da janela assumindo a forma de gotas que escorregam lentamente até sumirem entre a esquadria e o parapeito.

Desde a madrugada chove sem cessar, ora mais forte, ora mais fraco, ora, como agora, um meio termo indeciso, igual ao meu estado de espirito.

Acordara algumas vezes durante a noite. Em todas Connor sempre estava a meu lado, desperto ou, como agora, cochilando, a cabeça sobre o colchão, a mão sobre a minha.

Em um destes momentos o havia convencido me contar o que acontecera, já que não conseguia lembra-me com exatidão. Mesmo reticente, ele o fizera, não me escondendo nada, desde o que julgava (acertadamente) a causa de minha crise até as consequências imediatas: ficaria internada por um mês.

Depois disto, um silencio pesado se abatera sobre nós. Eu precisava de tempo para processar tudo que ouvira. Ele respeitou. O restante da noite e madrugada transcorreu desta forma: eu dormindo na maior parte do tempo, ele velando meu sono com raras exceções, como agora.

Discretamente, enxugo uma lagrima teimosa no canto do olho. Desde que conversáramos sentia uma vontade imensa de chorar porém me obrigara a não abertamente permitindo apenas poucas lágrimas rolarem. Tudo que vivi nos últimos meses vindo-me a mente repetidamente, fazendo-me questionar aonde errara, a resposta surpreendendo-me: Nada! Não errei em nada. Não considerava mais um erro (o havia feito no começo, por raiva e orgulho ferido, admito) ter-me envolvido com Connor. Também não me arrependia em haver decidido levar minha gravidez adiante nem em manter meu filho. Talvez tenha alçado um voo mais alto do que poderia naquele momento ao aceitar a oferta do doutor Latham. Por mais que esteja amando a Cirurgia, o momento não foi o melhor.

—Deveria ter recusado, ter deixado para depois que você nascesse filho – murmuro, massageando minha barriga com a mão livre, sentindo mais lágrimas rolando mansamente – É isso. Fui pretenciosa...

—Não, não foi – a voz rouca de Connor me interrompe e volto meu olhar para seu rosto amassado e abatido – Não foi pretenciosa. Tem real talento e habilidade Sarah. Nunca duvide ou deixe qualquer um, incluindo eu, dizerem o contrário – diz, beijando minha mão carinhosamente – O único responsável pelo que está acontecendo sou eu – acusa-se, mas antes que possa continuar, a porta do quarto é aberta dando passagem a Maggie.

—Bom dia. Tem duas pessoinhas aqui ansiosas pra te ver – avisa, abrindo mais a porta, minhas irmãs surgindo de mãos dadas, adentrando timidamente

—Venham aqui meus amores! – chamo, elas dirigindo um olhar interrogativo a Connor antes de correrem para mim postando-se uma de cada lado, Marina contando com a ajuda da escadinha para me abraçar junto com Emma, cuidadosamente – Estava com tanta saudades!- exclamo, beijando o topo de suas cabeças, emocionada. Pela primeira vez a possibilidade de não revê-las cruzando minha mente.

—Uhum, uhum... Não esqueceu nada não Maggie!? – ouço Kim reclamar e dirijo meu olhar a porta mais uma vez vendo-a ao lado de Jay, Adam e Claire.

—Não! – responde, encarando-a com as mãos na cintura e rio pelo nariz.

—Estamos sem moral nenhuma aqui! – Jay brinca, adentrando juntamente com os demais, beijando a bochecha de Maggie ao passar por ela.

—Bom dia luz do dia! – Kim me cumprimenta da maneira como costumava fazer em nossa infância, me deixando mais emocionada – Hey, não chora ou vou me sentir culpada – pede, ela mesma tentando segurar as lágrimas, coisa que Claire sequer tentar.

—Claire, por favor! – Connor ralha, impaciente.

—Desculpem – pede ela, aceitando o lenço que Jay lhe estendia, a interação entre eles me causando surpresa – Como você esta Sarah? – pergunta, retirando discretamente a mão de meu amigo.

Antes que eu possa responder, Caitlin Harris surge a porta.

—Mas o que significa isto? – questiona com uma expressão de poucos amigos.

—Viemos pra ver Sarah. Tava com saudades – Marina responde com simplicidade, a sombra de um sorriso cruzando o rosto de minha Obstetra.

—Entendo que estavam saudosos – ela começa a dizer, entrelaçando os dedos, olhando meus amigos, cunhada (quase) e irmãs com atenção – Porém, deveriam ter-se dividido em grupos pequenos ou priorizado alguém. Sarah esta se recuperando de um trauma relativamente forte, precisa descansar, especialmente nas primeiras vinte e quatro horas e ter toda esta quantidade de pessoas aqui ao mesmo tempo não é, nem de longe, minha ideia de descanso – diz, olhando agora diretamente para Connor – Não vou permitir que se repita. Devo zelar pelo bem estar de minha paciente e se tiver que ser chata, serei. Portanto, doutor Rhodes, Maggie, visitas apenas nos horários determinados e no máximo três pessoas por vez – avisa, erguendo o dedo, calando meu protesto – Pelo menos nos primeiros dias será assim. Depois, dependendo de seu estado, veremos como fica, mas agora, neste momento terão que respeitar minhas determinações – reforça.

—Quer dizer que teremos de sair? Mal chegamos! – Kim reclama, encolhendo-se ante o olhar que recebe – Mas tudo pelo bem da Sarah, portanto, vamos indo amores. Uma outra hora, dentro do horário de visitas, volto com vocês – corrige-se, sorrindo amistosamente.

—Podem ficar por mais uns cinco minutos e só! – irei ver outra paciente e na volta quero encontrar apenas Sarah e Rhodes aqui – alerta, encarando-nos, seu olhar dizendo mais que palavras – Cinco minutos – repete, saindo.

—Bom não discutir com a fera – Maggie “cochicha” nos fazendo rir.

—Mas ela está certa – Jay anui – No final da tarde, depois que buscarmos as meninas, voltamos pra te vê de forma mais organizada. Agora também queríamos tranquilizar estas duas mocinhas e a nós mesmos. Por mais que Connor tenha dito que estava bem....ficamos preocupados – declara com voz embargada, um silencio repleto de sentimentos caindo sobre nós.

—Bem, melhor irem andando – Maggie aconselha, quebrando-o – Vou organizar tudo para que possam ficar um pouco mais de tempo mais tarde – avisa, sorrindo calmamente.

—Fica boa logo Sarah. Sentimos sua falta e do Connor em casa – Emma pede, beijando meu rosto, afastando-se com relutância, Marina fazendo o mesmo, estendendo os braços para Connor.

—Um mês passa rápido gatinha. Daqui a pouco ela está em casa de novo, vai ver – Claire afirma, me jogando um beijo – Fique bem cunhadinha – deseja, segurando a mão de Emma.

—Peço o mesmo. Fique bem anjo – Jay repete, me dando um selinho, demorando-se um segundo, a fronte colada a minha, beijando meu rosto antes de se afastar.

—Te amo! – Kim declara, me dando um beijo estalado, enxugando duas lágrimas teimosas.

—Também te amo – retribuo, segurando sua mão por um segundo, liberando-a.

—Volto em um minuto – Connor avisa, saindo com eles.

Ao me ver sozinha, não consigo mais reter as lágrimas. Deixo o choro correr solto, medo, dor e frustração me tomando de assalto.

—Hey, não chore amor – Connor pede ao retornar, deixando a mochila que trazia em um canto, vindo até mim rapidamente – Vai ficar tudo – garante com voz suave, me abraçando com ternura. É assim que Caitlin nos encontra ao voltar.

Novamente ela reforça o que dissera em frente nossa família, desculpando-se por ter sido dura.

—Sinto ter que agir assim, mas é para seu bem. Não quero apavora-los, mas o que estamos enfrentando é muito sério. É de sua vida que falamos – relembra, frisando o quão importante era para mim o repouso total e absoluto neste momento.

—Entendemos sua atitude Caitlin e fique tranquila que irei explicar as meninas com calma mais tarde – Connor prontifica-se.

— Explique. E aos outros também. Não quero bancar a malvada mas se tiver que fazê-lo, irei sem o menor problema – assegura – Agora que nos entendemos, vou fazer nova coleta de sangue, verificar sua pressão e reajustar a medicação antes que seu desjejum chegue – enumera, posicionando o estetoscópio, arqueando a sobrancelha ao olhar para Connor – Aproveite minha presença Rhodes e recomponha-se. Esta com uma aparência horrível – aconselha e rio discretamente – Tome uma ducha, troque essa roupa, coma algo e volte, se ainda dispuser de tempo.

—Farei isso – anui, pegando a mochila – Volto já com seu café da manhã meu amor – diz, me dando um beijo casto na testa, saindo rapidamente.

—Como vocês estão? – surpreendo-me com a pergunta direta – Não quero ser invasiva, mas, a esta altura, ele já deve ter-lhe contado o que aconteceu e as consequências, não é? – inquire e confirmo com um aceno – Veja bem, mais uma vez repito: não quero ser invasiva, mas se perceber que a presença de Rhodes será um problema...

—Não será – interrompo-a – Não considero culpa de Connor o que aconteceu. Estamos bem – asseguro, tranquila, vendo-a sorrir.

—Neste caso, ficarei feliz em tê-lo por perto vinte e quatro horas por dia! – brinca e sorrio – Mas agora vejamos como estão você e este rapazinho – diz, passando a me examinar, coletando uma nova amostra de sangue, saindo quando Connor retorna trazendo, como prometera, meu desjejum.

Tomo a refeição sob seu olhar atento, o som de seu paiger obrigando-o retirar-se, não sem antes prometer retornar assim que possível, o que cumpre, vindo ver-me diversas vezes ao longo do dia.

No final da tarde, minhas irmãs retornam em companhia de Kim, que conta-me haverem, ela, Jay e Claire, feito um planejamento para ajudar Connor durante todo o mês, Matt, Gaby e outros amigos prontificando-se fazer o mesmo.

Emociono-me novamente, segurando as lágrimas com bastante esforço.

Depois que saem, April, que dobraria turno, adentra, ficando em minha companhia até Connor chegar trazendo o jantar.

Mais uma vez o silencio reina durante a refeição, ele ajustando os travesseiros as minhas costas, deixando-me confortável, arrumando a poltrona ao lado de minha cama aonde senta-se, iniciando uma conversa amena interrompida apenas pela visita de Caitlin, a última do dia, um novo silencio, este mais tranquilo e sereno, tomando conta do ambiente.

Adormeço sentindo o calor das mãos de Connor sobre a minha, massageando-a carinhosamente, transmitindo-me calor, carinho, segurança e principalmente, amor.

“...E assim profundamente meu;

Pra que pensar que existe adeus;

Não, não me deixe mais, nunca me deixe;

Já não preciso mais dizer;

O quanto me apaixonei...

Não, não me deixe mais;

Se eu não tiver você;

Agora e sempre vai estar;

Preso em meus olhos;

Inesquecível em mim”

Inesquecível

Sandy e Júnior

Notas finais
Ficou meio longo, eu sei. Sorry! A música veio antes do capitulo. Até breve. Bjinhos flores