Love Hurts!

18 Knigths on a shinning armor! (II)


Notas iniciais
Olá flores, voltei. Pela primeira vez atrasei e muito LH, mas na fase em que ando isto está sendo normal. Ainda não consegui solucionar meus problemas de visão o que me impede de ficar muito tempo em frente a televisão, PC quer seja lendo ou escrevendo. Mas a partir de segunda estarei cuidando em resolver isto sem falta. No mais, Benny em missão de resgate, Ava sendo Ava (aqui ela Não vai nem encostar no Connor!!!) Connor interagindo com os amigos e sendo nostálgico a sua maneira. Grata por todas as rewiews passadas....More rewiews, please...Boa leitura...Bjinhos flores. P.S: para quem sentir falta das fofinhas, no próximo capitulo elas retornam.

“What would I do without your smart mouth;

Drawing me in and you kicking me out;

Got my head spinning, no kidding, I can pin you down;

What’s going on in that beautiful mind;

I’m your magical Mystery ride;

And I’m so dizzy, don’t know what hit;

But I’ll be alright...”

All Of Me

John Legend

Apartamento Benjamin (quinta, 30/3 – 05:15 a.m)

Benny

Sentado na cama, massageio o pescoço girando-o de um lado para o outro.

Confesso que alguns dias as dores voltam a me incomodar por demais fazendo-me recordar o dia em que meu avô foi assassinado. Por mais que esteja “trabalhando” minha mente para esquecer os acontecimentos daquele dia (ou parte deles ao menos) meu corpo me trai.

— Humm...por que acordou tão cedo Benny? –Rayssa questiona, manhosa, tocando minha cintura com as mãos – Você é o patrão, não precisa chegar cedo. Vem, volta pra cama! – diz ,me irritando.

— Caso não tenha notado Estou na cama – rebato sem me preocupar em esconder o que sentia – Quanto a ser o patrão, está enganada mais uma vez. Meu pai e seus sócios é que o são – corrijo.

— Mas você é o herdeiro, o único, diga-se, já que os irmãos Fischer são gays, ambos, portanto tudo será seu algum dia meu querido- insinua sem nenhuma vergonha, sentando as minhas costas, as pernas ladeando minha cintura, os braços por baixo dos meus espalmando as mãos em meu peito, colando o corpo nu (ao meu igualmente nu) – E quando disse pra voltar para a cama quis dizer deitar comigo, melhor dizendo, transar – ressalta, as mãos descendo até encontrarem meu pênis duro, envolvendo-o, estimulando-o – Vem, me fode gostoso como só você sabe fazer! – ronrona em meu ouvido, mordendo o lóbulo.

— Só eu?? Está dizendo que passou todo este tempo que estive fora sem transar, é isso? – pergunto, não esperando resposta.

Seguro suas mãos, afastando-as, levantando o suficiente para girar meu corpo ficando de frente para ela, derrubando-a sobre o colchão, prendendo-a sob meu corpo.

— Não foi pra cama com mais ninguém esse tempo todo? Sério? – indago, erguendo seus braços acima da cabeça, inclinando-me até colar meus lábios em seu pescoço, sugando pele num chupão forte que certamente deixaria marca escutando-a balbuciar algo indecifrável – O que? Não entendi? – digo, acrescentando – Cuidado com o que irá responder – alerto, descendo mais um pouco, deixando um beijo rápido no vale entre os seios antes de tomar um em minha boca, repetindo o gesto que fizera no pescoço fazendo-a gemer rouco e alto ao mesmo tempo em que ergue seu quadril de encontro ao meu.

— Benny, por favor...- arfa, gemendo mais enquanto prossigo minha tortura tomando o outro seio, prendendo o bico rijo entre os dedos até fazê-la gritar, balbuciando meu nome entre palavras desconexas – Me fode agora! – repete, arfando.

Sorrio, erguendo-me devagar, inclinando o rosto até encostar a boca em seu ouvido, sussurrando baixinho:

— Vou correr – aviso, levantando sob seu olhar atônito.

—Sério Benny? – indaga, apoiando-se nos cotovelos, acompanhando-me com o olhar enquanto visto a cueca e o conjunto de moletom sentando na beirada para calçar os tênis de corrida.

– Não precisa me esperar se não quiser. Caso decida, sirva-se na cozinha – digo, ignorando sua indagação – Se não for esperar, feche a porta quando sair – peço, pegando meu celular e os fones, ajustando-os em meus ouvidos, sustentando seu olhar furioso.

— Decido depois – responde, deitando novamente, agarrando um travesseiro, dando-me as costas – Feche a porta, se não for pedir muito – resmunga sem me olhar.

Durante alguns segundos a observo atentamente. Balanço a cabeça negativamente, deixando o aposento sem nada dizer, caminhando para a cozinha onde me sirvo de iogurte e uma maçã, sobressaltando-me ao escutar a porta da área de serviço que dá acesso ao apartamento ser aberta.

— Senhora Lynch, o que faz aqui tão cedo? – questiono ao ver minha diarista entrando.

— Avisei que viria mais cedo senhor Goodman, não está lembrado? – pergunta, descalçando as luvas, pondo-as sobre o balcão junto com a bolsa – Vai sair? – questiona, despindo o casaco.

—Vou correr um pouco antes de ir para o escritório – informo, abrindo o play list do celular – Rayssa está em meu quarto. Não sei se vai me esperar, mesmo assim deve tomar o desjejum — aviso

—Pode deixar que cuidarei da senhorita, fique tranquilo – garante pondo o avental – Melhor levar um casaco pois está muito frio lá fora – alerta, pegando um dos casacos pendurados na área e entregando-me.

—Sim senhora, senhora! – brinco, vestindo-o, calçando também as luvas e o goro antes de sair, acenando-lhe um adeus.

Desço pelo elevador de serviço, mais próximo do que o social, saindo do edifício por uma das portas laterais, agradecendo mentalmente o cuidado da bondosa senhora Lynch posto que estivesse realmente muito frio. No entanto não mudo meu plano.

Dirijo-me ao parque próximo ao condomínio onde moro acelerando o passo gradativamente até começar a correr efetivamente.

Por conta da camada de gelo fino que se formava sobre a calçada, decido correr por uma das trilhas do lugar, seguindo por entre as arvores. Havia corrido alguns minutos trilha adentro quando escuto alguém pedindo ajuda e estanco. Escuto atentamente para me certificar que não estava imaginando coisas, o pedido repetindo-se mais claramente vindo do lado direito do caminho.

Sigo o som da voz visualizando uma garota com no máximo dezessete anos parada a beira de um pequeno lago parcialmente congelado, empurrando um galho em direção a água. Ao me aproximar vejo que na verdade tentava fazer com que outra garota segurasse a ponta do galho a fim de puxá-la para fora da água fazendo-me correr ao encontro das duas.

—O que houve? – questiono, parando a alguns passos da garota na margem.

—Ela caiu ao tentar pegar o gatinho – explica, apontando a outra jovem que se debatia.

—Hei, tente se acalmar ok? Vou até ai te ajudar – aviso, dando atenção a garota a meu lado novamente – Ligue para os bombeiros – ordeno, começando a entrar na água gelada, quebrando a fina camada de gelo que se formava.

—Não tenho celular – avisa a jovem, me fazendo bufar...De todos os jovens que caminham e correm por aqui, tinha que ser justamente uma que não possui aparelho a vir ajudar!?, penso, enfiando a mão no bolso.

—Aqui, ligue – reitero, cometendo meu primeiro erro diante da situação, retomando a caminhada em direção a menina, agora mais calma (estranhamente calma na verdade) sem prestar atenção se a da margem fazia o que lhe ordenara, o que constituiu meu segundo erro – Oi, como é seu nome? – pergunto assim que me aproximo da garota sob a água não obtendo resposta – Oi? Senhorita? – chamo, segurando seu braço, tentando puxá-la sentindo a resistência ao fazê-lo – Senhorita, preciso que fale comigo – peço, notando que apesar dos olhos abertos parecia não estar consciente – Merda, deve está entrando em choque! – concluo, notando que tremia – Conseguiu contatar os bombeiros? – questiono, voltando-me para a margem – Mas o que..??? – indago, confuso ao ver que a jovem sumira, o gemido baixo fazendo-me voltar minha atenção a menina que segurava – Oi, qual seu nome? – reinquiro ao vê-la abrir os olhos.

—Ka-Karina – balbucia, os lábios tremendo – Ga-ga-gatinho ..cadê..??- pergunta, vacilante.

—Não vi nenhum gato, desculpe – digo, tentando descobrir o porquê de não estar conseguindo puxá-la, notando o emaranhado a suas costas – Aguente firme, vou te tirar daqui – tranquilizo-a (ou tento) ao escutá-la gemer novamente...Droga, vou ter que mergulhar! – Escute Karina, vou mergulhar para poder te soltar, ok? Tente manter a cabeça fora da água – peço, ela concordando com um aceno.

Vou para trás dela, tomo fôlego e mergulho, abrindo os olhos quando estou submerso, encontrando o motivo de não conseguir tira-la: seu pé ficara preso em algumas raízes e ao agitar-se o prendera ainda mais. Por sorte não eram muito grossas e consigo parti-las sem muito esforço retornando a superfície.

— Venha, vamos sair daqui – chamo, passando um braço em volta da cintura delgada, segurando seu braço esquerdo, pondo-o sobre meus ombros.

—O gato...tira...ele vai morrer – murmura enquanto a conduzo até a margem.

—Não há nenhum gato, pelo menos não a vista – reitero, olhando para os dois lados da margem quando saímos em busca da outra garota – Onde raios ela se meteu? – questiono não querendo acreditar que se aproveitara da situação para roubar meu celular, voltando rosto para a direita ao escutar um miado baixo.

Estreito os olhos enxergando a pequena figura peluda a alguns metros, tremendo.

—Gatinho – aponta a menina, que não deve ter mais do que quatorze anos, praticamente se jogando em direção ao animal.

—É, estou vendo – digo, suspirando, o vento frio fazendo-me tremer – Preciso te levar para o hospital já que sua amiga resolveu tomar chá de sumiço – digo, caminhando com ela em direção a trilha.

—N-não podemos deixá-lo...vai morrer..- fala com voz trêmula, retesando-se – Por favor! – pede chorosa e mais uma vez suspiro, fazendo com que sentasse, indo até o filhotinho , pegando-o e o entregando a menina, que sorri timidamente – Grata – diz, tremendo compulsivamente.

—Tenho que te levar a um hospital agora mesmo! – exclamo, tomando em meus braços, recomeçando a andar.

Apesar de não ser muito cedo (suponho, pelo tempo, que deveria passar um pouco das seis), o número de pessoas era bastante reduzido no parque, certamente pelo frio.

Refaço o caminho de volta a trilha calçada, tremendo cada vez mais, sentindo minhas mãos e pernas começar a ficar dormente, a respiração difícil por está-la carregando. Não que fosse pesada (aparentemente não o era), mas por estamos ambos com as roupas encharcadas seu peso dobrava na medida em que caminhava. Em determinado momento sinto falta de ar e paro, a vista escurecendo rapidamente.

—Droga! – xingo, ajoelhando-me antes que tombasse com Karina, machucando-a e a mim mesmo.

—Meus Deus, vocês estão bem? – ouço alguém perguntar e ergo o rosto vendo uma massa disforme a minha frente.

—Chame ...ambulância – é tudo que consigo dizer antes de apagar por completo.

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Chicago Med (06:59 a.m)

Ava

—Doutora Bekker, bom dia – ouço o cumprimento e me volto para ver uma das enfermeiras da emergência, vindo em minha direção sorridente – Lindo dia não? – pergunta, parando junto a mim com as mãos nos bolsos do casaco.

—Lindo?? – indago, arqueando a sobrancelha, batendo a porta do carro com um pouco mais de força do que deveria, travando-o após pôr a mochila no ombro – Para quem gosta de frio certamente! – exclamo, mal-humorada, dirigindo-me a entrada do hospital com ela em meu encalço.

—Pensei que os ingleses gostassem de frio – comenta e estanco, voltando-me para ela sem importar-me esconder o aborrecimento – A senhora é inglesa, não é? – questiona, confusa.

—Sul Africana – respondo, seca, lhe dando as costas.

—Sério? – escuto-a dizer e fecho os olhos apertando as fossas nasais com força...Por que todo mundo acha que apenas pessoas de cor são originárias da África?, questiono-me mentalmente adentrando a emergência.

—Todo mundo não. Apenas uma parcela da população mundial desinformada – Halstead afirma, me encarando com um sorriso debochado no rosto, indicando que verbalizara meu pensamento – Bom dia doutora Bekker, como está? – pergunta.

—Estaria bem melhor se alguns ditos colegas de trabalho parassem de me incomodar com perguntas tolas! – bufo, encarando-o

—Desde quando querer saber se um colega está bem é tolice? – a pergunta em tom de reprimenda me faz fechar os olhos antecipando o discurso que viria a seguir – Saiba, doutor Bekker, que se tivéssemos nos preocupados mais em saber como nossos colegas estão , quer seja de saúde, quer seja de humor, poderíamos ter evitado que o doutor Wheller pulasse do terraço – Sthol exemplifica, parando a minha frente pelo lado de dentro da ilha de enfermagem.

—Não podemos afirmar isto com total segurança Sthol – Daniel Charles afirma sem tirar os olhos da tela de computador a sua frente.

—E também não podemos dizer o contrário doutor Charles visto que...- Sthol recomeça falar sendo interrompido por Maggie.

—Atendimento chegando – avisa fazendo todos nos voltarmos para a entrada no momento em que os paramédicos adentravam trazendo uma jovem protegida por uma manta térmica – Fale comigo Brett – pede.

— Karina Hoffman, catorze anos, ferimento em ambas as pernas provocado por ramagens a julgar pelo material que encontramos lá dentro, hipotermia severa, batimentos irregulares, ficou inconsciente na metade do trajeto – relata a paramédica.

—Doutor Halstead, fique com ela, trauma dois – encaminha.

—Quer ajuda? – me ofereço, largando a mochila sobre o balcão, fazendo menção de segui-lo, estancando, surpresa, ao ver o paciente trazido na maca seguinte.

—Gaby, o que temos? – Maggie pergunta.

—Benjamin Goodman, trinta e seis, ferimento na cabeça proveniente do impacto contra a calçada ao desmaiar, também está hipotérmico, não recobrou a consciência até o momento – relata.

—Não é o amigo do doutor Rhodes? – alguém pergunta.

—Doutor...

—Cuido dele Maggie – me antecipo, seguindo a maca – Para onde? – quero saber.

—Trauma quatro. Vou avisar doutor Rhodes – avisa, indicando a sala.

—O que faço com ele? – a paramédica loira questiona, erguendo o filhote em suas mãos – Estava com a garota. Ficou exasperada quando tentamos deixá-lo.

—Leve-o imediatamente. Isto aqui não é clínica veterinária! — escuto Sthol dizer, Maggie repreendendo-o, o restante da conversa se perdendo em meio aos sons da emergência.

—Na minha contagem. Em três, dois, um, transferir – comando, ajudando a colocá-lo sobre o leito – Assumo daqui obrigada – digo, dispensando-a.

—Por nada – a morena responde, tocando a testa com dois dedos, retirando-se.

—Dóris...

—Munique. Eu sou Munique – a enfermeira que me atormentara minutos atrás corrige-me.

—Munique, me ajude a tirar essas roupas molhadas, preciso de mais cobertores para aquecê-lo, quero hemograma e raio X de corpo inteiro. Vamos pô-lo de lado – ordeno, ela e outros dois enfermeiros me ajudando a despi o casaco pesado pelo excesso de água, as marcas em suas costas assustando e surpreendendo-me.

—Ele está muito frio – comenta uma enfermeira baixinha.

—Temperatura em trinta e dois graus...tá muito baixa- Munique comenta, franzindo o cenho – O que leva uma pessoa a entrar num lago com esse tempo? – questiona, enquanto corto a perna da calça moletom.

—Saberemos assim que acordar – respondo, erguendo o rosto ao escutar a voz de Rhodes.

—Benny? O que houve? – pergunta, calçando as luvas.

—Não sabemos ainda. Está desacordado desde que chegou – aviso, terminando de cortar a outra perna, a cicatriz na coxa direita me causando nova surpresa – Temos que elevar a temperatura, mas também preciso de um ....

—Raio x de corpo inteiro – Rhodes completa, movendo-se com agilidade, posicionando as placas na lateral da cama – Você ergue e nós pomos as placas – diz, me olhando e aceno positivamente posicionando o corpo lateralmente mais uma vez, deitando-o sobre as placas.

—Afastar – Rhodes comanda, o técnico acionando a maquina – Tudo limpo. Vamos aquecê-lo antes de fazer o da cabeça.

—Uhum – anuo novamente, concentrada no ferimento profundo em sua testa – Foi profundo. Vai levar uns seis ou sete pontos – concluo, notando que abria os olhos e a boca, soprando – Pode dizer seu nome? – peço, Rhodes aproximando-se rapidamente.

—Benny – sopra debilmente.

—Sabe onde está? – Rhodes pergunta, passando a lanterna por seus olhos de um azul tão intenso quanto os dele.

—Hospit...Hospital – diz, tentando virar a cabeça – A menina...onde está? – quer saber, fazendo uma careta de dor.

—Sendo atendida, não se preocupe – aviso, recebendo a placa que Rhodes entregava. A ponho debaixo de sua cabeça, afastando-me quando comanda – Parece-me bem — digo, retirando a placa, entregando-a a enfermeira –Vamos mantê-lo aquecido, suturar o corte e pô-lo em observação – determino, olhando diretamente para Rhodes.

—De acordo, mas gostaria de fazer uma tomografia. Ele bateu forte a cabeça. Pode vir a ter uma concussão. Quero estar preparado para tudo – pondera, observando o amigo semiconsciente.

—Não se preocupe Rhodes, ele ficara bem. Está sendo muito bem cuidado, sem falsa modéstia. Logo irá se recuperar vai ver – tranquilizo-o.

—Sei disso – anui, ajudando a cobri-lo.

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Connor (13:34 p.m)

—Connor, tem um minuto? – escuto Will chamar e me volto, aguardando-o chegar aonde estou – Está ocupado? – pergunta olhando a bandeja em minhas mãos.

—Só levando o almoço para Sarah. Ela não comeu quase nada hoje cedo, estava enjoada – explico – O que foi?

—Poderia avaliar a garota que chegou junto com seu amigo? – pede, estalando os dedos (tique que adquirira recentemente).

—Claro. Pode adiantar o caso? – peço, sinalizando para voltarmos a andar.

—Bem, ela tem síndrome de Williams, o que, como deve saber, é comumente associada ....

— Com doenças cardiovasculares – me antecipo.

—Pois é. Acredito, pelo exame que fiz após estabilizá-la e pelo histórico que a mãe me passou, que tenha desenvolvido algum problema cardiológico – comenta, abrindo a porta da sala dos médicos – Hei, oi Sarah, como está? – pergunta, sentando na ponta a mesa.

—Enjoada – resmunga continuando deitada, as mãos protegendo os olhos.

—Vai melhorar depois de comer algo. Trouxe seu almoço: salada, suco, arroz integral e carne de soja – digo, sentando na cadeira de frente para ela com a bandeja em meu colo.

— Connor, entende que o conceito de enjoo está diretamente ligado ao fato de não conseguir ingerir absolutamente nada, não entende? – Sarah questiona-me, irritada.

—Entendo meu amor – anuo inicialmente – Mas também entendo que precisa se alimentar, mesmo que seja uma quantidade pequena. Não pode ficar tanto tempo em jejum e ainda pretender trabalhar. Vai acabar passando mal e ai sim terá problemas e não comigo – afirmo, abrindo as embalagens na esperança que o cheiro agradável a fizesse mudar de ideia – Porque não tenta comer ao menos um pouco? – indago, acariciando seu antebraço.

—Connor, não insista – bufa, sem mexer-se.

—Ok – digo, abrindo os braços, me voltando para Halstead – Então Will, que mais pode me dizer sobre a paciente com síndrome de Williams? – questiono propositadamente alto fazendo-o rir divertido ao entender minha intenção: despertar a curiosidade de Sarah e usar isto para fazê-la comer visto que certamente quereria participar de uma cirurgia caso está se fizesse necessário. Chantagem? Com certeza. E funciona que é uma beleza!

—Síndrome de Williams? – interroga, sentando rapidamente, surpreendendo tanto Will quanto a mim – Temos uma paciente com síndrome de Williams? – repete, tomando o copo com suco de minha mão.

—Uhum. A garota que o amigo de Connor trouxe, digo, que veio junto com ele – Will informa, rindo com o canto da boca.

—O que sabe sobre a doença? – questiono, aproveitando pra colocar a embalagem com salada em suas mãos, pegando o suco de volta.

—É comumente associada com doença cardiovascular e que o organismo produz muita ocitocina, que é o hormônio associado com a confiança e o desejo de ser sociável, ou seja, faz com que desejem agradar as pessoas – explica, devorando a salada em poucos segundos.

—Correto. São pessoas muito interessantes – digo, passando-lhe a embalagem com o arroz e a carne de soja, sorrindo discretamente quando aceita sem pestanejar – O que a mãe te contou Will? Qual histórico? – questiono, voltando meu rosto para ele, notando que também sorria.

—Que a filha tem se cansado com mais frequência e teria desmaiado na aula ontem. Por conta disto estava com uma consulta marcada para esta tarde, que obviamente não iria acontecer – relata, recostando-se a cadeira – Pedi que avisasse Latham já que é o chefe da cardiologia. Deve estar a caminho – avisa.

—Então o que estamos fazendo sentados aqui?- Sarah questiona, enrugando o cenho e estreitando os olhos ao me encarar – Usou o caso pra me fazer comer, é isso mesmo? – interroga e sorrio acenando afirmativamente – Trapaceiro! – exclama, pondo a embalagem sobre a mesinha de centro, apoiando as mãos em minhas pernas, levantando – Saiba que estarei atenta de agora em diante – avisa, pegando o copo com o restante do suco, encaminhando-se para a porta, estancando ao abri-la, voltando-se para nós – Vão ficar sentados ai? – pergunta arqueando a sobrancelha.

—Nops! – respondemos ao mesmo tempo, levantando – Depois de você amor – digo, largando a bandeja sobre a mesa.

—Tão gentil. Por isso sou doido nele! – Will, brinca, tocando meu ombro.

—Estava falando com a Sarah, bobalhão! – exclamo, estapeando-o.

—Não faça isso! Já pensou se alguém da equipe escuta? – ralha ela, saindo para o corredor conosco em seu encalço.

—E eu sou o quê mesmo?? – Will pergunta, abrindo os braços.

-Prefiro que me trate formalmente aqui dentro se não se importa. Já chega os mexericos e comentário que tive de aturar por conta da gravidez – bufa, ignorando-o a princípio.

—Um amigo – respondo, seguindo-a juntamente com Will– Um grande amigo, tenho que reconhecer – admito, vendo-o rir convencido.

—O que não muda o fato de ser da equipe também. Apenas é alguém que sabemos não irá julgar por ouvi-lo me chamar de amor como muitos certamente o farão, portanto nada de tratamentos pessoais ou excessivamente carinhosos aqui, fui clara? – interroga, parando e voltando-se para nós.

—Perfeitamente – respondo – Vamos? – convido, indicando o elevador com um gesto de mão.

Chegamos ao andar onde a paciente se encontrava ao mesmo tempo em que Latham o faz, seguindo para o quarto da jovem.

—Boa tarde, Karina, como se sente? – Will cumprimenta, dando uma batida leve na porta.

—Cansada – responde a garota com voz fraca, sorrindo – O gatinho, descobriu onde o puseram? – quer saber.

—Hã, ainda não, mas estou em busca não se preocupe – meu amigo garante, voltando-se para a mulher ao lado do leito – Susan, estes são os doutores Rhodes, Latham e a doutora Reese, da cardiologia – apresenta-nos.

—Como vai? – cumprimento, estendendo-lhe a mão.

—Preocupada – admite sorrindo fraco – Karina vem se sentido mais e mais cansada mesmo quando não está fazendo nenhum esforço, o que não a impediu de doar sua mesada a instituições de caridade pela terceira vez este ano – conta, olhando a filha carinhosamente – Consegui, junto a escola, reduzir sua carga horária o máximo que podia sem prejudicá-la, mas não parece ter ajudado muito, por isso havia marcado consulta para hoje – explica – Acham que o mergulho no lago pode agravar sua condição? – questiona, nos encarando ansiosa.

—Não poderemos dizer com certeza até realizarmos alguns exames – respondo.

—Posso auscultá-la? – Latham questiona recebendo a permissão da mãe da menina, aproximando-se do leito – Hummm ...Sopro sistólico ejetivo médio no segundo espaço intercostal direito – relata após alguns minutos auscultando-a.

—Estenose aórtica? – questiono-o.

—Provavelmente. Peça um eco cardiograma, faremos alguns testes e voltaremos com nossas recomendações – Latham avisa, olhando de mim para a mãe da jovem.

—Tudo bem. Façam o que for preciso – libera, dirigindo mais um olhar carinhoso, desta vez para Sarah – Quantos meses? – pergunta.

—Cinco – responde, corando levemente.

—Menino? – arisca, sorrindo quando confirma – Desconfiei. Sua pele está bonita, sabe – comenta.

—Solicite os exames doutor Rhodes, e me avise assim que ficarem prontos – Latham intervém, certamente temendo o rumo que a conversa tomaria.

—Vocês vão me concertar? – Karina pergunta.

—Certamente – meu mentor anui, surpreendendo-se, assim como nós, ao ser abraçado pela menina, ficando imediatamente atônito.

—Obrigada – agradece ela sem largá-lo.

—Certo querida, agora deixe os doutores irem – a mãe pede, fazendo-a soltá-lo.

—Voltaremos com os resultados – aviso, mal conseguindo segurar o riso.

— Síndrome de Williams cria personalidades admiráveis – Latham comenta, cruzando os braços atrás das costas – Avise-me quando os resultados estiverem prontos – pede, retirando-se, deixando-nos livres para rirmos.

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Sarah (15:40 p.m)

Sentada em frente a um dos computadores na ilha de enfermagem da emergência, releio os exames de Karina mais uma vez, mordendo a ponta dos dedos, ansiosa.

Latham e Connor ainda não os haviam visto (já bípara avisando-o, mas ainda viera a meu encontro) e certamente recomendariam a operação, o que somente seria possível com autorização da mãe da menina posto que era menor de idade. E aí residia o problema.

Tive a oportunidade de conversar com Susan Hoffman durante alguns minutos quando a encontrei junto as maquinas de salgados (senti uma vontade irresistível de comer um). Descobri que ela é uma mãe atenta, preocupada, que amava muito a filha...em outras palavras, super protetora.

—Duvido que queira operar – murmuro, mordendo o lábio insegura.

—Se quer mesmo que não a trate de maneira excessivamente carinhosa aqui, pare de fazer coisas que me excitam – Connor sussurra em meu ouvido, arrepiando-me inteira – São os resultados de Karina? – questiona, apoiando as mãos no balcão, ficando perto de mim. Muito perto. Tentadoramente perto – Latham estava certo. Estenose aórtica. Temos que operá-la o mais rápido possível – decreta, voltando o rosto – O que foi? – inquire, franzindo o cenho.

—Por acaso acha que fazer o que fez também não me excita? – inquiro, olhando-o furiosa.

—O que eu fiz? – devolve com a cara mais lavada do mundo.

—Esqueça – retruco, dando atenção a tela a minha frente – Susan não vai querer operar. Teme que a filha não sobreviva a uma cirurgia por conta de sua condição – conto, explicando ao vê-lo enrugar a testa – Conversamos um pouco quando fui pegar um salgadinho.

—Como é? Comida saudável a senhorita não quer, mas porcaria quer, não é? Que decepção! – ralha, estalando a língua.

—Podemos focar na paciente, por favor?! – peço, olhando-o feio – Concordo que cirurgia parece ser a melhor opção...

—Parece não, é melhor e única opção Sarah – me interrompe – Por estes resultados, se não operarmos morrera- afirma.

—Então teremos de convencê-la, caso contrário não dará autorização – alerto.

—Doutor Rhodes, poderia, por favor, assumir o caso de seu irritante amigo? – Ava aparece de repente, pondo o tablete sobre o balcão com força – Se tiver que lidar com ele mais algum tempo, não me responsabilizarei por sua segurança! – ameaça, olhando a tela aberta, lendo-a rapidamente – Estenose aórtica? Quando iriam me convidar para a festa? Se é que iriam? – questiona, nos encarando.

—Em primeiro lugar, Benny é seu paciente. Se considera que esteja em condições o libere e pronto –Connor começa dizer, erguendo a mão para calar o protesto que Ava ensaiava – Em segundo lugar, recebemos os resultados a pouco e ainda não falamos com Latham, que certamente não iria deixá-la de fora – conclui, sustentando seu olhar.

—Certamente que não – ratifica ela, suspirando – Quanto ao idi...ao paciente em questão, quero fazer uma tomografia visto que sentiu tontura e vomitou, mas o idiota...paciente, não quer e insiste para que o libere. Juro por Deus que estive a ponto de sedá-lo e realizar o exame contra sua vontade mesmo correndo o risco de um processo – admite.

—Outro processo? Deve estar brincando não é doutora Bekker? – doutor Sthol, que aproximara-se sem que o notássemos (típico dele), interroga.

—Evidente que está – Connor se adianta, pegando seu tablete – Nos dê licença doutor Sthol, as doutoras e eu precisamos levar estes resultados até doutor Latham — pede, sinalizando para o acompanharmos – Maggie, peça a doutor Abrams que faça uma avaliação em Benjamim Goodman. Avise, aos dois, que doutora Bekker e Eu solicitamos e somente após este exame o paciente poderá ser liberado, ok? – pede.

—Pode deixar comigo. Manterei na linha – avisa, piscando e rimos.

—Vamos logo, ainda temos que pensar numa maneira de convencer Susan Hoffman a permitir operarmos a filha – Connor comenta.

—Explico no caminho – digo ao ver a expressão de Ava.

Conforme previra, mesmo com a recomendação expressa de ambos, Latham e Connor, Susan se recusa a permitir a cirurgia.

—Quero outras opções – declara após haver-nos escutado.

—Senhora Hoffman, a condição de Karina é bastante avançada, qualquer médico com o mínimo de responsabilidade irá recomendar o mesmo que nós – Connor insiste.

—Doutor Rhodes, sei que consideram que minha filha tem melhores chances com a cirurgia, mas igualmente deve saber que as chances de um paciente com Williams não sobreviver à anestesia são enormes – pontua ela, encarando-o.

—Sim, mas...

—Sem mas! Quero outras opções doutor Rhodes –Susan sustenta, cruzando os braços, permanecendo a encará-lo.

—Veremos o que pode ser feito senhora Hoffmam – Latham intervém, voltando-se para Connor – Realize mais alguns testes, doutor Rhodes, e veja, juntamente com doutora Bekker, quais opções afora a cirurgia – ordena, Connor anuindo contrafeito.

—Ok. Vou levá-la para mais testes agora mesmo – avisa.

—Onde ela está? – Bekker, que adiantara-se até o quarto questiona, abrindo a cortina, voltando-se para nós confusa.

—Onde está minha filha? – Susan repete, olhando em volta, aflita.

—Dóris, a paciente que estava neste quarto, onde está? – Connor interroga ao mesmo tempo em que nos espalhamos em busca da menina, encontrando-a em companhia de um paciente que aguardava avaliação psicológica considerado de médio risco.

Depois do susto, após conversarmos mais um pouco, descobrindo através da própria Karina que fora parar a duas quadras de sua casa quando deveria estar na escola e depois num lago gelado por ter-se disposto ajudar estranhos tendo corrido risco de morte por hipotermia não fosse a intervenção de Benjamim Goodman, Susan permite a cirurgia.

—Até que para um dia que começou com certo estresse emocional, até que as coisas correram muito bem obrigado –Will pondera sentado por dentro da ilha de enfermagem na emergência, terminando de fechar seu turno.

—Estresse emocional? A qual estresse refere-se Will? – Connor interroga, acenando para o amigo, que se aproximava em companhia dos pais – Liberado? – pergunta, cumprimentando o casal com um aceno de cabeça.

—Finalmente! – Benny Goodman exclama, juntando as mãos, dirigindo um olhar acusatório a Ava – Perdi um dia inteiro de trabalho por pura teimosia – provoca-a claramente.

—Não diria isso Benny. Fomos cuidadosos. Levou uma pancada forte na cabeça, ficou desacordado por um tempo considerável e ainda estava hipotérmico...

—Além de ter vomitado e se sentido tonto...Mais tonto – Ava acresce, cortando Connor, diminuído o tom ao fazer o ultimo comentário.

—Bem lembrado doutora Bekker – Connor diz, erguendo o indicador – Seria irresponsabilidade nossa te mandar para casa sem ter absoluta certeza de que ficaria bem – conclui.

—Estão mais do que corretos doutores e por favor não deem atenção a meu filho, ele às vezes é um cabeça dura teimoso – a mulher loira com os olhos na mesma cor dos dele afirma, sorrindo complacente, afagando o rosto do filho.

—Devo desculpas e um agradecimento então – Benny diz, sorrindo discretamente – Pensarei numa forma de agradecer...a todos – frisa, olhando diretamente para Ava, esta limitando-se arquear a sobrancelha sustentando o olhar – Poderiam me dizer como a menina está? – pergunta, ficando sério.

—Está bem, não se preocupe. Passou por uma cirurgia, mas está reagindo muito – Connor o tranquiliza, fazendo-me recordar o recado de Karina.

—Por falar nisso, pediu-nos para agradecer a seu cavaleiro de armadura brilhante por tê-la ajudado a sair do lago e resgatado o filhotinho. Ela e a mãe, que ficou muito grata o que fez pela filha – conto, sobressaltando-me quando Will salta da cadeira.

—Falando nisso, não saia ainda – pede, correndo até a sala dos médicos, retornando com uma caixa de sapatos – O troll queria que o atirássemos na rua, mas não achei justo afinal a Karina e você se arriscaram para salvar o bichinho – declara, entregando a caixa ao amigo de Connor.

—Um gato? – o pai indaga, olhando o animal com cara de nojo – Arriscou sua saúde, a vida por causa de um bicho de rua? – questiona, conseguindo irritar noventa e nove por cento dos presentes.

—Não arisquei-me por ele, embora não faria diferente do que a menina fez – Benjamin começa dizer, afagando o animalzinho – Arisquei-me por ela em primeiro lugar. Fico imensamente feliz que ambos estejam bem – afirma, sorrindo.

—Pretende mantê-lo? – a pergunta sai sem que consiga segurar fazendo-me corar intensamente.

—Sim – afirma categoricamente, brincando com o bichinho novamente.

—Melhor irmos andando. Ainda quero passar em uma delegacia para prestar queixa do roubo de seu celular –o pai de Benjamin diz, apressando-o.

—Seu celular foi roubado? – Connor pergunta, surpreso.

—Sim, mas não pretendo dar queixa – informa, prosseguindo sem deixar o pai se pronunciar – Havia outra garota na margem tentando ajuda-la, ou pelo menos assim parecia. Pedi-lhe que ligasse para os bombeiros, disse que não tinha celular então lhe dei o meu – resume, rindo com o canto da boca – Agora, se me permitem, vou para casa. Quero descansar e recuperar as forças para amanhã. Boa noite a todos – despede-se.

—Boa noite – respondemos praticamente juntos, observando-o sair em companhia dos pais.

—Será que é algo na água dessa cidade? – Will, diz de repente e o encaramos confusos – Parece que todos temos problemas com nossos pais! – exclama, provocando risos discretos.

—Quem sabe – Connor diz – Boa noite a todos – despede-se, segurando minha mão

—Boa noite e até amanhã – despeço-me, ganhando de Maggie um beijo estalado na bochecha.

Saímos de mãos dadas seguidos por Will e Nat, April e Ethan, parando quando chegamos ao estacionamento.

—Boa noite Sarah, Connor – Nat deseja, abrindo a porta do carro.

—Will, aquela padaria em nosso antigo bairro ainda funciona? – questiono, completando sem esperar resposta – Me deu vontade de comer um pão quente com manteiga. Sabe aquele que eles fazem lá com recheio de quatro queijos? – pergunto, rindo ao vê-lo umedecer os lábios com a língua.

—Hummm, nem lembre! Funciona sim e se formos rápidos pegamos uma fornada quentinha – diz, sorridente.

—Podemos Connor? – pergunto, olhando-o com olhos pidões.

—Claro – anui e bato palmas de felicidade.

—Acho que vamos com vocês – Ethan diz, olhando-nos alternadamente.

—Só me seguir -Will avisa, entrando em seu carro juntamente com Nat, Connor e eu fazendo o mesmo, aguardando que Ethan e April também o fizesse.

Seguimos em grupo (ou comboio) para o bairro onde morei após mudar para Chicago com minha mãe estacionando na lateral da pequena padaria onde costumávamos nos reunir para lanchar, jogar conversa fora e, logico, namorar após as aulas e nos finais de semana tendo a grata surpresa de encontrarmos com Jay, Kim, Adam, Matt e Gaby lanchando.

Nos reunimos a eles, Will e eu relembrando os velhos tempos enquanto degustamos os pães, doces e salgados, acompanhados por sucos e cervejas, despedindo-nos quarenta minutos depois de havermos chegado, cada um levando sacolas com delicias variadas para casa.

Durante todo o trajeto noto Connor estranhamente calado, limitando-se a responder as perguntas que lhe fazia.

Em casa, após liberarmos a babá, sentamos a mesa com Emma e Marina, as duas devorando os salgados e pães doces rapidamente. Mais uma vez percebo Connor silencioso, quase taciturno, rindo minimamente das observações e lembranças de Emma, permanecendo praticamente mudo enquanto me ajuda a por as duas na cama.

—Connor, o que está te incomodando? – questiono, sentada na cama, espalhando creme hidratante em meus braços, observando-o enxugar-se.

—Nada – responde sem me olhar, vestindo o short do pijama.

—Sei...- digo, suspirando – Sabe, as coisas entre nós começaram erradas, de certa forma, e ficar mentindo um para o outro, ou não sendo sinceros com o que sentimos não irá ajudar em nada – afirmo, pondo o hidratante sobre o criado mudo – Algo está te incomodando desde que saímos da padaria, antes até, e não venha me dizer o contrário – peço vendo-o caminhar até a cama, sentando a meus pés – Fale comigo, por favor – digo, esticando o braço, acariciando sua perna.

—Não é nada com você ou conosco – assegura, apontando de mim para ele – Foi apenas uma coisa que senti ao te ver interagindo com seus amigos – começa dizer, fazendo uma pausa onde parece escolher as palavras que diria a seguir – Ver e ouvir vocês compartilhando tantas lembranças de infância e juventude me fez perceber o quanto minha vida é vazia, ou melhor, o quanto foi e era vazia até que entrasse nela. Cresceram juntos, viveram, brincaram, fizeram descobertas, choraram e riram juntos e...Eu nunca tive isto Sarah. Minha infância foi turbulenta, minha adolescência mais ainda, meus amigos, ou os que julgava serem, estão mortos ou me ignoram pelo simples fato de não fazer mais parte do mundinho de futilidades e zombarias deles. O único que se salva é Benny. Nunca pensei que sentiria falta disto algum dia... mas senti – desabafa, massageando o pescoço, contendo o choro – É difícil a esta altura da vida, reconhecer que... sabe, não viveu, de certa forma. Olhando para trás, vejo que minha infância foi regada a brigas, medos, ausências, castigos...Na adolescência as coisas só pioraram pois vieram as drogas, bebidas, sexo irresponsável...

—Ok, poupe-me saber dos detalhes sórdidos – digo, fechando os olhos e erguendo as mãos, escutando-o rir – Connor, nem tudo foram flores em nossas vidas da mesma forma que se buscar em sua mente irá encontrar bons momentos também, ao lado de Benny por exemplo. Todos tivemos nossa parcela de pais ausentes, solidão, prova disto é o excelente relacionamento que temos com eles: Will e Jay agora que estão conseguindo manter o mínimo de dialogo com o pai, Kim nem isso tem mais, a irmã serve de ponte ela e eles e quanto a mim, que dizer? – enumero, sorrindo triste – Alias, a pergunta de Will foi muito bem colocada, não acha? – inquiro fazendo-o rir novamente – Acho que em nosso caso o que importa é o que iremos construir de agora em diante. Nossos momentos – afirmo, acariciando seu rosto, vendo a tristeza e a tensão darem lugar a calma e serenidade.

—Tem razão – concorda, pegando o frasco de hidratante, massageando minhas pernas como faz quase todas as noites – Em tudo – acresce, depositando um beijo em meu joelho – Por isso me apaixono cada dia mais por você. Me apaixono por cada pequena coisa em você – declara, subindo lentamente — Espero que tenha paciência para me aturar com todas as minhas neuras e receios – diz, suspirando.

Sorri, inclinando-me até aproximar o rosto do seu, deixando um beijo casto em seus lábios – O que acha de deitar aqui a meu lado? – convido, batendo no colchão vazio.

—Sim senhora – anui, deixando o creme de lado, vindo até mim – Já posso chama-la de amor, amor? – brinca e rio, envolvendo seu pescoço com os braços.

—Deve...Amor – libero, o beijando, fazendo com que deitasse comigo – Te amor, muito, muito, muito, muito mesmo – afirmo, roçando meu nariz no seu.

—Também te amo – declara, cheirando e beijando meu rosto e pescoço, envolvendo-me em seus braços, iniciando mais uma noite de carinho e amor.

“...’Cause all of me, loves all of you;

Love your curves and all your edges;

Love your perfect imperfections;

Give your all to me;

I’ll give my all to you;

You’re my end and my beginning;

Even when I lose I’m winnng;

‘Cause I give you all of me;

And you give me all of you, oh...”

Notas finais
Até o próximo capitulo. Bjinhos fores