Love Hurts!

24 Is this how heart beats!


Notas iniciais
Oi flores. Este capitulo era para era pra ter sido postado ontem, mas a internet não colaborou. Sem demora vamos ao dia seguinte do niver de Emma. Preparem seus cores. Duas revelações sobre a família Rhodes, uma delas ligada a Sarah. Grata por todas as rewiews passadas....Aguardo mais rewiews, please...Boa leitura...Bjinhos flores. P.S: GENTES COMETI UM ERRO, OU MELHOR HAVIA ESQUECIDO DE CORRIGIR ALGO NA PARTE QUE A CLAIRE CONTA DO EVENTO EM VEGAS. ACABEI DE FAZE-LO. FOI MAL. SORRY!

“Mapeei a dedo tuas sardas;

Contornei sem jeito tuas linhas;

Que te entregam e desvendam o melhor em ti;

Me perdi no céu das tuas pintas;

Me encontrei no céu da tua boca;

Tu é labirinto, rua sem saída...”

Fica

Anavitória part. Matheus e Cauã

Apartamento Claire Rhodes (Domingo, 30/4 – 08:27 a.m)

Jay

O passear suave de dedos delicados em minhas costas e ombros provocando arrepios me desperta. Abro os olhos porém não me mexo.

—Você tem mais sardas do que meu irmão – ouço-a comentar sem parar de traçar um caminho com os dedos, como se ligasse pontos em minhas costas – E não apenas nos ombros e costas mas em seu corpo inteiro. Até nas pernas e braços – enumera e franzo o cenho.

—Estava bancando a médica enquanto eu dormia? – não resisto provoca-la, tentando girar meu corpo mas ela impede.

—Pare, ainda não terminei de contar — ralha, rindo descontroladamente quando ignoro seu pedido e me viro, agarrando-a e fazendo com que se deite sore o colchão ficando por cima dela, cutucando suas costelas – Jay, pare! Pare!! -pede entre uma gargalhada e outra ficando incrível e lindamente vermelha em meio a sua crise de riso.

—Sabe que fica linda vermelha como está?! — digo, roubando-lhe um beijo rápido.

—Só quando estou vermelha é? – devolve, envolvendo meu pescoço com seus braços delgados.

—Não minha sardentinha! – exclamo, tocando a ponta de seu nariz, o contato de seus seios contra meu peito excitando-me quase que imediatamente – Vou corrigir: fica Ainda mais linda vermelha como um pimentão! — brinco, roubando outro um beijo, desta vez mais demorado, que vai evoluindo na medida em que colamos nossos corpos um ao outro, qualquer resquício de sanidade se perdendo quando sinto sua perna enroscar-se as minhas fazendo seu sexo roçar meu quadril – Claire! – sopro, apertando-a ainda mais, me posicionando entre suas pernas.

Sem pressa, penetro-a, seus gemidos e sussurros me guiando e ajudando a cadenciar o ritmo, investindo mais forte quando pede num gemido rouco, cravando as unhas na pele de minhas costas, o que certamente deixaria marcas por um bom tempo.

Invisto mais algumas vezes até senti-la estremecer, meu nome escapando por seu lábios no instante em que gozamos juntos.

Permanecemos um tempo abraçados, deitados em sua cama até que ouço um som estranho.

—Foi a minha ou a sua? – pergunto, rindo divertido.

—Acho que ambas para fazer tanto barulho! – diz, rindo também – O que acha de comermos algo? Desde ontem no começo da noite que não comemos nada – lembra.

De fato, depois que viemos para o quarto, saímos apenas uma vez para fazer um lanche (nem jantar foi!).

—Verdade -concordo – E admito que estou começando a ficar com fome – assumo.

—Então me deixe levantar e providenciar algo para comermos – pede, dando duas tapinhas em meu braço – Ande Jay, me deixe levantar! – reforça quando não faço nenhum movimento.

—Ok, ok, já te liberto...mediante um pequeno pagamento: um beijinho – peço, fazendo bico, Claire sorrindo antes de deixar um beijo rápido em meus lábios, pulando literalmente da cama.

Acompanha-a com o olhar enquanto cata suas roupas pelo quarto, suspirando ao vê-la por a delicada (e sensual) calcinha de renda negra, a blusa folgada que terminava centímetros abaixo de seu quadril...e só!

—Suponho que não tem empregados por aqui hoje – digo, sentando na borda da cama, fazendo o mesmo que ela.

—Não tenho empregados fixos aqui, ao contrário da casa de meu pai. Apenas uma diarista que vem duas vezes por semana – informa, atirando-me a box e a jeans – Te ofereceria algo mais leve, mas não tenho nenhuma roupa masculina aqui.

—Tudo bem. Calça e box estão ótimos – garanto, vestindo-me rapidamente – Se importa se dispensar a camisa? – pergunto fechando apenas o zíper, seguindo-a quando sai do quarto, descalça.

—De jeito nenhum – responde – Por mim poderia ficar apenas com a box, se quisesse – afirma, encolhendo-se quando a alcanço envolvendo-a pela cintura, beijando seu pescoço enquanto caminhamos pelo curto corredor que conduz a sala e por conseguinte a cozinha.

Olho a volta um segundo, libertando-a, deixando-a seguir em frente enquanto observo a decoração. Tudo ali era muito sóbrio, elegante mas ao contrário do que pensara ontem quando chegamos, nada impessoal. Bem o oposto. Em cada recanto, cada mínimo detalhe da decoração tinha o toque da proprietária. Quadros e fotos de família espalhavam-se pelo ambiente sem exageros. Tudo muito discreto, assim como ela.

—Você mesma que decorou? – pergunto, me aproximando de um nicho ao lado da televisão.

—Sim, mas com a ajuda de uma designe de interiores. Uma amiga que se formou junto comigo – conta e me volto para ela, surpreso.

—É formada em designe de interiores? – questiono, curioso.

—Também – diz, abrindo os armários distraidamente — Me formei em administração para ajudar meu pai na Dolan, já que meu irmão abriu mão de o fazer, e depois cursei designe porque sempre quis. Amava, ainda amo não verdade, montar, criar ambientes inéditos ou de acordo com os gostos e desejos das pessoas, como fiz aqui – desanda falar, parando de repente, se voltando para mim – Falei demais não foi? – inquire, respondendo a si mesma – Falei! Desculpa Jay, mas é que me empolgo quando falo sobre isto – assume.

—Notei – digo, rindo, voltando minha atenção para o porta retratos que chamara minha atenção – São você e Connor nesta foto? – interrogo, mostrando-lhe o objeto.

—Sim – confirma, pondo uma tigela sobre o balcão – Essa foto foi tirada um ano antes de nossa mãe morrer. Connor tinha seis anos e eu oito – conta, abrindo mais armários.

—E não é que Marina parece realmente com ele! – exclamo, devolvendo a fotografia para o lugar aonde estava antes, outra foto chamando minha atenção. Enrugo a testa focalizado os dois homens extremamente parecidos na fotografia, reconhecendo o senhor Rhodes como sendo um deles – Seu pai tem um irmão? – questiono, segurando a quadro em minha mão.

—Tem, mas não de sangue. Tio Samuel foi adotado por meus avôs quando ainda era um bebê – revela e arqueio a sobrancelha – Infelizmente ele e papai não se dão muito bem por isto mal nos vemos ou nos falamos. Acho que a ultima vez que o vi foi há uns cinco anos atrás, talvez um pouco mais, não lembro bem. Estava com meu pai em um congresso e ele também estava por lá. Mas, pra variar, os dois discutiram na véspera de virmos embora – comenta.

—Uhum – murmuro, e por algum motivo recomendo-me mentalmente registrar a informação em algum canto da memória – Em que posso te ajudar? – pergunto, recolocando a moldura ao lado da anterior, somente então percebendo que não havia nenhuma foto da mãe dela quer sozinha ou com os filhos mas opto por não perguntar nada por hora – Não quero ficar de braços cruzados te vendo cozinhar – digo, parando a seu lado no espaço limitado da cozinha.

—Antes de qualquer coisa, precisa saber que os dotes culinários da família se limitam a meu irmão – avisa, sorrindo graciosamente – Por isso, pensei em preparar minha única e melhor especialidade para nosso café da manhã: torradas francesas!

—Hum, chique! – não resisto provoca-la – Neste caso, posso preparar a minha especialidade: panquecas a lá Halstead – digo, piscando para ela.

—Torradas, panquecas, acho que vou incluir umas frutas pra quebrar esse excesso de glúten logo cedo – brinca.

—Glúten não, energia pra repor as energias que gastamos ontem, hoje cedo...E ainda vamos gastar essa manhã....Se é que não vai me mandar embora logo depois do café – a corrijo, puxando-a de encontro a meu corpo – Espero estar errado ou então terei que te convencer a não o fazer – digo, apertando-a e colando meu nariz e boca a seu pescoço, sugando a pele alva e macia.

—Ah, me convença por favor, me convença! – exclama, massageando minha nuca.

—Com prazer...depois do café porque não quero que passe mal por minha culpa, o que irá me custar dois irmãos furiosos em meu encalço – afirmo, soltando-a devagar, mantendo o contato visual.

—Atiça e depois tira o corpo fora. Ah, que feio detetive! – reclama, fazendo um muxoxo – Mas já que prefere assim, vamos comer algo e depois vemos o quão convincente pode ser – sugere, piscando antes de me dar as costas, apoiando-se ao balcão, se dedicando ao preparo das torradas.

Sorrio, observando-a uns segundos antes de me juntar a ela preparando as panquecas para nós.

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Apartamento Connor e Sarah (10:40 a.m)

Connor

Engo as mãos no pano, penduro-o no porta toalha na cozinha, retiro o avental, dou uma ultima olhada em volta para me assegurar de não ter esquecido nada e vou para a sala me atirando (literalmente) sobre o sofá.

Respiro profundamente, ligando a televisão, zapeando um tempo até decidir parar em um canal infantil que exibia um filme de animação, Hotel Transilvânia dois.

—Assistindo desenhos numa manhã de domingo!? Quem diria hein Connor?? – digo, rindo de mim mesmo, vendo, pelo canto do olho, uma pequena figura despenteada surgir – Bom dia coelhinha! Dormiu bem? – pergunto, acenando para que viesse sentar comigo – Ainda está dormindo? – refaço a pergunta pondo-a sentada junto a meu peito, ela balançando a cabeça negativamente enquanto esfrega os olhinhos ao mesmo tempo em que bocejo escapa de sua boca – Não o quê coelhinha!? – inquiro, rindo do bico que faz.

—Não to dormindo Connor, já acordei – diz, deitando a minha frente – Oba, hotel Transilvânia! – exclama, batendo palmas.

—É sim. Está com fome? Quer comer alguma coisa? – pergunto, trançando seu cabelo. Ao contrario do de Emma, que parecia muito com o de Sarah, Marina tem o cabelo longo, liso com cachos nas pontas e quase tão negros quanto os meus.

—Agora não. Ainda não to com fome – diz, concentrando-se no desenho.

Rio, fazendo o mesmo após terminar a trança.

Alguns minutos depois, quando estou levantando para preparar o café de Marina, Emma surge, ainda de pijama, espreguiçando-se.

—Bom dia – cumprimenta, parando perto do sofá.

—Bom dia boneca. Dormiu bem? – pergunto, beijando sua testa ao passar por ela rumo a cozinha.

—Dormi sim – responde, olhando a volta – Sarah ainda não acordou?

—Ainda não. Ela teve uma noite agitada então a deixei descansar – explico, parando por detrás da ilha – Quer alguma coisa pra comer? Vou preparar o café da Marina – pergunto, pondo as torradas que havia preparado num prato, indo até a geladeira.

—Torrada com geleia e suco está bom – diz, vindo me ajudar

—Escute boneca, estou te devendo aquela ida ao conservatório para assistir uma aula de violoncelo, mas é que estavam de recesso. Nesta quarta retornam e podemos ir, se quiser, evidente – lembro, pegando a jarra de suco (que também havia preparado) entregando-lhe, pegando geleia, queijo e iogurte – Marina, venha para a mesa comer. Depois pode continuar assistindo desenho – chamo fazendo com que pulasse do sofá vindo correndo juntar-se a nós – Opa, opa, quantas vezes Sarah já disse que não deve correr mocinha? – ralho fazendo-a estancar passando a caminhar pé ante pé em nossa direção.

—Ou é oito ou oitenta! – Emma exclama, rolado os olhos, servindo-se de suco antes de sentar em um dos bancos e rio.

—Oito e oitenta? – Marina interroga erguendo os braços quando para junto a mim num pedido mudo.

—Oito ou oitenta. Quer dizer que a senhorita não tem um meio termo: ou esta correndo ou muito devagar – explico, sentando-a num banco perto de mim, servindo torradas e suco para ela – Quer iogurte coelhinha?

—Sim – responde de boca cheia fazendo a irmã rolar os olhos mais uma vez.

—Afff, Mama, esqueceu a educação presa debaixo do colchão foi? – reclama, torcendo o nariz quando a pequena balança a cabeça afirmativamente – Deixa a Sarah saber disso! – ameaça, me dando atenção – Se não der pra ir nesta quarta entendo Connor. Não tem pressa não – garante e lembro o que Sarah havia comentado a respeito de perder o interesse rápido.

—Não quer mais aprender violoncelo? – inquiro, servindo-me de um pouco de iogurte.

—Não, não, quero aprender sim – responde rapidamente – Só não quero atrapalhar você e Sarah. Ela anda bem cansada ultimamente – comenta.

—É, anda sim – anuo, pensativo – Deve ser por causa da gravidez. Mas ela não precisa ir com a gente se não quiser. Pode ficar em casa descansando – sugiro, o questionamento de Sarah chamando nossa atenção para sua chegada.

—Não preciso ir aonde? – quer saber, pondo uma mecha de cabelo para trás da orelha – Nossa, já passa das onze da manhã! – espanta-se, apoiando as mãos sobre a ilha perto de Marina – Por que não me acordou mais cedo?

—Um, não havia motivo já que é final de semana. Dois, você teve uma noite agitada, acordou diversas vezes que vi e outras tantas, tenho certeza, que não vi. Três: acordar cedo por que? Não temos nenhum bebê chorando, faminto, pedindo para ser alimentado...Por hora – brinco rindo ao vê-la enrugar o nariz numa careta engraçada – Portanto, nada mais justo do que deixa-la descansar tranquilamente – justifico, roubando um beijo rápido, um sorriso lindo iluminando seu rosto.

—Esta certo. Mesmo assim gostaria que tivesse me acordado mais cedo – insiste, sentando-se.

—Também acordamos tarde Sarah – Emma avisa servindo-se de mais torradas as quais “afoga” em generosas camadas de geleia – O dia ontem foi muito legal mas cansativo – admite.

—Correto. Por isso mesmo deixei minhas garotas dormirem até mais tarde – corroboro, colocando um sanduiche em um prato a frente de Sarah, que me encara com ar divertido.

—Suas garotas é? – questiona, fazendo charme quando aceno afirmativamente – Uhum, deixa a Claire saber disso! – exclama, dando um mordida caprichada, piscando para mim.

—Ela já sabe – rebato, beijando seu ombro esquerdo que a blusa generosamente expusera quando moveu-se de lado – Assim como sabe que também tem um lugar cativo em meu coração – concluo, ganhando um beijo com gosto de presunto, queijo e manteiga.

—Ecaaa! Ficou um pedaço de pão grudado na sua boca! – Marina reclama fazendo careta.

—Verdade. Deixa pegar de volta – Sarah diz, me dando outro beijo, rindo com a boca colada a minha ao escuta-la reclamar novamente.

—Eca, Sarah! Que nojo! – diz fazendo outra careta.

—Olha, tem um restinho de geleia no canto de sua boca Mama. Deixa limpar – aviso, me inclinando por sobre o balcão rapidamente, beijando sua bochecha antes que pudesse impedir ao mesmo tempo em que limpo a geleia com o polegar.

—Eca, agora minha bochecha tá melecada de manteiga! – resmunga tentando parecer brava, o riso discreto que se transforma em gargalhada quando dou a volta a abraçando e fazendo cócegas, a traindo.

—Só porque reclamou vou deixar suas duas bochechas melecadas de manteiga coelhinha! – digo, dando vários beijos estalados em seu rosto, Emma e Sarah rindo alto.

Entre mais brincadeiras, terminam seu desjejum, as meninas indo sentar no tapete defronte à televisão, abrindo alguns presentes que haviam ficado para trás na noite anterior enquanto Sarah e eu arrumamos a cozinha.

—Que acha de pedirmos o almoço em algum restaurante aqui perto? Ou prefere sair? – questiono quando terminamos, envolvendo-a pela cintura.

—Humm, pedimos. Não estou muito a fim de sair hoje. Ainda estou me sentindo um pouco cansada – confessa, acariciando meu rosto.

—Decidido então – digo, segurando sua mão, conduzindo-a ao sofá onde sentamos.

—Sarah este é do bebê – Emma diz entregando um pacote verde escuro.

—Obrigada amor – agradece, abrindo-o, exibindo um traje imitando marinheiro – De quem terá sido? – interroga de cenho franzido.

—Não tem cartão ? – pergunto, ela respondendo com um aceno negativo – Estranho – digo, imitando-a, uma sensação estranha me tomando ao notar a etiqueta na roupinha – Talvez seja de uma de minhas avós – sugiro, explicando – Etiqueta da Dolan – indico.

—Ah! Por que será que não puseram cartão? – indaga, dando de ombros – De qualquer maneira é lindo – declara, sorrindo.

Nas horas seguintes, conversamos sobre o futuro, evitando planejar algo (ambos não gostávamos de fazer isto) enquanto as meninas distraiam-se assistindo programas de culinária e desenhos.

Por volta das duas da tarde, nosso almoço chega (havia ordenado que fosse entregue neste horário por terem tomado café tarde e ainda comido bastante besteira enquanto viam televisão), horário que havia calculado estaríamos, todos nós, com fome.

Almoçamos sentados sobre almofadas o centro servindo como mesa principal e outra mesinha que Marina usava para brincar como apoio, as meninas, aproveitando que pedira comida chinesa, fingindo estarmos em um restaurante temático, espalhando diversos desenhos de dragões e flores orientais, que fizeram enquanto aguardávamos a entrega, por toda a sala como decoração.

A noite, Sarah e eu preparamos um jantar leve posto que mais uma vez a fome chegara tardiamente.

Após colocarmos as meninas na cama, tomamos um banho demorado, de banheira, aproveitando cada segundo para relaxar e nos prepararmos para a semana que seria bastante puxada desde o início posto que teríamos uma consulta com a doutora Grant na segunda, antes de nosso turno começar, essa para Marina, que andava reclamando de dores nas costas e peito além de uma tosse seca e persistente, portanto achamos por bem não menosprezar os sintomas; uma cirurgia programada para a terça à tarde; consulta pré-natal na quarta pela manhã; visita ao conservatório no mesmo dia à tarde e para fechar a semana planejávamos, em algum momento do da sexta-feira, fazermos uma visita a meu digníssimo pai e esfregar o resultado do DNA em sua cara. Literalmente, no que dependesse de mim.

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Dolan Rhodes (quarta, 3/5 – 11:28 a.m)

Claire

Ergo os olhos da pasta que reexaminava enquanto aguardava meu pai sair do lavabo, ao escutar o toque do celular dele, que deixara sobre o braço da poltrona, a meu lado. Sorrio ao ver o nome e foto na tela decidindo atender.

—Oi tio Fred – cumprimento animada.

< Claire, minha princesa, quanto tempo! > responde no mesmo tom.

—Pois é. O senhor sumiu – reclamo.

< Casa, trabalho, filhos, sabe como é minha querida, coisas de um homem responsável e maduro > declara e rio.

Responsável, posso até acreditar. Maduro? Tenho minhas dúvidas! — Então, soube por vovó Eleonor que havia casado e nem me convidou, bandido! – ralho, rolando os olhos ao escuta-lo rir do outro lado da linha.

< Foi tudo muito repentino minha querida. Fui picado pelo bichinho do amor quando menos esperava e simplesmente não consegui fugir ou resistir, não que o quisesse fazê-lo! Muito pelo contrário > completa < Em breve irei fazer uma visita a vocês e te apresento minha esposa e filhas. Gêmeas > avisa, me deixando surpresa < Agora me passe para o intragável de meu irmão antes que mude de ideia e desligue > pede.

—Só um minutinho tio, ele foi ao lavabo e ainda não saiu – digo, me voltando ao escutar a porta do mesmo ser aberta – Prontinho, vou passar para papai – aviso – Tio Fred – digo, entregando-lhe aparelho.

—Claire, pode me dar licença um segundo – pede, me causando surpresa.

—Claro pai. Aguardo lá fora – prontifico-me.

—Não precisa. Deixe tudo que assinei na mesa da senhorita Duarte e pode ir almoçar. Depois vemos o restante – ordena.

—Se quer assim – digo, levantando e recolhendo os papeis espalhados sobre a mesinha, notando que me aguardava sair para falar, o que me causa estranheza.

Saio direto para a mesa de sua secretaria a fim de fazer o que pedira. Quando estamos repassando o que deveria ser redigitado e o que seria excluído nos contratos revisados por nós dois, percebo que meu celular ficara dentro do escritório de papai.

Termino rapidamente de explicar as demais alterações, levanto, bato levemente na porta da sala de meu pai, entrando sem esperar resposta. Fico surpresa quando não o vejo ali, mas priorizo encontrar meu celular.

Sigo até a poltrona aonde estivera sentada em busca do aparelho, xingando baixinho quando não o encontro, erguendo a cabeça em direção mesa dele ao escutar o vibrar repetido do aparelho sobre sua mesa.

—Ai esta você coisinha chata! – murmuro, indo pegá-lo, paralisando ao escutar a voz alterada de meu pai na sala de reuniões anexa a seu escritório.

‘Não quero uma lista das mulheres com as quais fodeu seis anos atrás. Só me interessa saber se tomou as devidas precauções com uma única’ — ouço-o esbravejar tão alto que sua voz escapa pela porta entreaberta – ‘Tenho meus motivos’ – garante, fazendo silencio por um tempo antes de voltar a falar um pouco mais controladamente – ‘Escute aqui Fred, não estou querendo prejudicar seu casamento, muito embora isto possa acontecer caso o que aquela mulher disse seja verdade’ – afirma e estanco o movimento de saída que fazia ao escutar um sobrenome familiar- ‘Reese. Elisabeth Reese. Deve lembrar dela. Bonita, inteligente e ambiciosa. Estava a serviço de um dos escritórios de advocacia ...Não seu estúpido, não estou querendo seus conselhos para conquistá-la. Aliás, você seria a ultima pessoa na face da terra para quem pediria conselhos amorosos. Na verdade já tive bastante dessa senhora para o restante de meus dias’ – ouço-o dizer, um novo silencio se fazendo no qual tento me obrigar parar de ouvir sua conversa mas simplesmente minhas pernas parecem ter ganho uma tonelada de chumbo –‘Acontece que a filha dessa senhora se envolveu e engravidou de Connor e...’ – outra pausa, curta, onde o escuto bufar forte – ‘Não tenho duvidas quanto a paternidade dele, embora tenha dito o contrário, e a referida senhora não sabe posto que abandonou as filhas para se aventurar com algum namorado’ – conta, espantando-me.. Como ele sabe sobre isso?-‘O fato é que fui procurado por ela alguns meses após o evento no qual nos conhecemos, em Vegas, acerca de uma suposta paternidade de um filho que esperava e é justamente este o motivo pelo qual entrei em contato com você. Sei que dormiu com ela. Mais de uma vez. Agora, se não for pedir muito, poderia me esclarecer se tomou ou não precauções?’ – inquire, sua observação seguinte (após ouvir a resposta de meu tio, suponho) tendo o poder de me fazer despregar os pés do chão – ‘Neste caso aconselho fazer o teste de paternidade quando vier a cidade e tomar as providências cabíveis em caso de confirmação a fim de evitar que ela, caso decida aparecer do buraco aonde se enfiou posto que este tipo de gente fareja uma oportunidade de lucro fácil a quilômetros de distância, lhe arranque até as calças com um pedido de pensão vitalício porque, pelo que vi, a filha mais nova tem tudo para ser sua e...’ – o restante da conversa se perde posto que sai quase correndo (meus pés e pernas readquirindo vida própria miraculosamente!) de seu escritório, quase derrubando a pobre estagiaria que chegava (lembrarei de pedir-lhe desculpas depois), minha mente fervilhando com tudo que escutara.

Sequer espero o elevador para descer ao térreo da loja descendo os degraus da escada de dois em dois, me dirigindo direto para o estacionamento, uma única pessoa me vindo a mente enquanto entro em meu carro: Jay.

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Vigésimo primeiro distrito (12:27 p.m)

Narrador

—Vai dar tudo certo, confiem em mim! – Kim Burguess declara enquanto desce as escadas a frente dos demais rumo a saída do distrito.

—É bom você estar certa ou teremos uma baita de uma encrenca nas mãos Kim – Hailey Upton diz seguindo-a – E isto é tudo que Não quero ainda mais sendo a novata do time – acresce.

—Novata ou não, se o sargento não gostar, todos pagaremos o pato! – Kevin Atwater afirma fazendo os demais rirem.

—Pior que é verdade – Jay Halstead anui, dirigindo-se ao balcão – Sargento, estamos saindo para comer alguma coi...o que foi? Por que tá fazendo isso com a cabeça? – questiona, enrugando o cenho, confuso.

—Tá se sentindo bem Platt? Esta esquisita. Mais esquisita – Adam Ruzeck brinca, recebendo um olhar mortal da mulher.

—Tem visitas Halstead – avisa a sargento Platt fazendo o detetive voltar-se.

—Claire? – surpreende-se ao ver a empresaria se aproximar – Combinamos algo? – interroga, recebendo o selinho dela, para a surpresa dos demais colegas presentes.

—Oi, não, não combinamos mas precisava falar com você urgente – afirma, voltando-se para Kim sem soltar a mão de Jay – Na verdade com os dois – indica a detetive com um gesto de cabeça.

—Comigo? – inquire a garota, espantada.

—Uhum. Estão indo almoçar, pelo que entendi, não é? – pergunta.

—Sim – confirma Ruzeck.

—Se importam em ir junto com vocês? Melhor, convido vocês para almoçarem comigo – convida.

—Hã... vocês podem ir, nós vamos para o restaurante de sempre – Antônio Dawson avisa.

—Podemos ir com vocês e ficar em uma mesa separada, se não se importarem – apressa-se dizer a jovem empresaria – Não quero atrapalhar, não fosse importante não teria vindo direto sem avisar – assegura em tom de desculpas, encarando Jay.

—Sem problemas – garante ele, sorrindo-lhe ternamente.

—Neste caso, vamos indo antes que algo aconteça e nosso almoço vire lenda! – Greg “Mouse” sugere, adiantando-se para a saída.

—Essa criatura é movida a comida não é? – Upton interroga, Atwater, Dawson e Bruguess anuindo com gestos de cabeça, seguindo-o.

O grupo deixa o distrito, Jay com Claire em seu carro, a jovem desculpando-se novamente por ter aparecido sem avisar.

No restaurante, Ruzeck e os demais juntam duas mesas em um dos cantos, ocupando-as, enquanto Jay, Claire e Kim sentam-se em outra mais afastados. Após todos haverem ordenado (a empresária insistindo em pagar as despesas do grupo), Jay inicia a conversa.

—Então, o que é tão urgente que te fez despencar da Dolan até aqui? – pergunta de forma descontraída tentando dissipar a tensão visível no rosto da garota – Claire, o que houve? Por que está tão tensa? – inquire quando a vê apertar as mãos forte fazendo os nós de seus dedos esbranquiçarem, segurando-as entre as suas de maneira protetora.

—Antes, o que sabem sobre o pai de Marina? – pergunta, ambos detetives arqueando as sobrancelhas, surpresos.

—Nada – Kim responde, dando de ombros – A senhora Reese não disse nada sobre ele nem mesmo para a Sarah – revela.

—Nada? – reinquire a jovem empresaria.

—Bom, o que sabemos, através da Sarah, é que o conheceu em um evento do qual participou em algum lugar, Seattle, acho...

—Vegas – Jay a corrige fazendo Claire ficar ainda mais tensa.

—Vegas, pois é – anui a detetive, prosseguindo – Foi um daqueles relacionamentos relâmpagos. Durou o tempo do evento e quando acabou cada um foi para seu lado – conta a detetive.

—Quando descobriu que estava grávida vibrou, o contrário do que se esperava já que não mantinha contato com o tal sujeito....- Jay começa dizer, Kim o interrompendo.

—Pelo que sabemos – diz, erguendo um dedo – Ela nunca disse que não mantinha. Presumimos, todos nós, pelo fato de o cara não ter aparecido em momento algum, muito embora ela proclamasse por toda a rua, em alto e bom som, que iria sair daquela pocilga, como chamava nosso bairro – relembra, torcendo o nariz – A verdade é que nunca gostou de morar em Canaryville. Achava que merecia bem mais e no começo da gravidez de Marina deu a entender que iria sair de lá com as filhas porque o pai do bebê era um rico empresário de Chicago – revela.

—Claire, tudo bem? Ficou pálida de repente – Jay preocupa-se, segurando suas mãos novamente – Está gelada! Quer um copo com água? – questiona, já sinalizando a garçonete, que aproxima-se de imediato – Um copo com água, por favor – pede, a jovem atendendo-o prontamente – Sente-se melhor? – interroga após ela haver tomado um gole generoso.

—Uhum – afirma a empresaria, respirando fundo antes de falar – Era meu pai. A senhora Reese pensava que o pai de Marina era o meu pai – despeja.

—OI?? – indagam Jay e Kim ao mesmo tempo, boquiabertos – Então...

—Não, não, não é ele – Claire apressa-se dizer, tomando ar uma vez mais antes de prosseguir – Suponho que Sarah contou a vocês sobre as insinuações feitas por nosso pai quando descobriu que estava grávida de meu irmão – indaga, ambos confirmando com acenos – Pois bem, uma semana antes da festa de Emma, meu irmão foi a joalheria que há dentro da Dolan comprar as alianças. Nos encontramos por acaso e enquanto conversávamos papai surgiu justamente na hora em que Connor me contava sobre o pedido. Ele voltou a fazer insinuações e, como devem imaginar, os dois discutiram e durante essa discussão papai revelou de onde conhecia a mãe de Sarah...Foi em Vegas, durante um evento – revela, fazendo uma pausa rápida para respirar – Contou que havia tentado seduzi-lo, palavras dele, chegaram a dormir juntos uma vez, acho que por isso ela pensou ser dele, mas que não deu em nada porque papai descobriu que ela já estava envolvida, dormindo na verdade, com outro homem – nova pausa para deixar os dois policias assimilarem as primeiras informações passadas – Hoje, a pouco, descobri que a senhora Reese chegou a procura-lo na Dolan dizendo-se grávida dele, o que é impossível....

—Por que? Se eles transaram, mesmo que uma única vez, a possibilidade é real. Sabemos que preservativos podem falhar – Kim a interrompe.

—Meu pai fez vasectomia dois meses depois de minha mãe haver engravidado de Connor – revela a empresaria, deixando-os surpresos – Sei disso porque ouvi uma discussão entre eles. Quando contou a nossa mãe o que havia feito, eles brigaram feio pois ela julgou que papai tinha tomado essa decisão para evitar de alguma amante surgir a nossa porta dizendo-se grávida dele – nova pausa onde toma outro gole de água antes de continuar – Por conta disto, papai foi obrigado a revelar que durante seus exames anuais, o médico descobrira, um câncer no sistema urinário – revela , causando nova surpresa – O problema foi descoberto no começo, a cirurgia foi recomendada. Ainda assim faria algumas sessões de quimioterapia. Devido à localização do tumor havia a possibilidade de ele perder a fertilidade com estas sessões, logo papai optou por fazer a vasectomia.

—Connor sabe? – Jay pergunta, ela negando.

—Não. Pouquíssimas pessoas sabem. Eu mesma só descobri por ter escutado a discussão – confessa, ficando vermelha.

—Desculpa Claire, mas o que tudo isto tem a ver com o pai de Marina? – Kim questiona, encarando-a – Se não pode ser seu pai, então...?? – inquire, abrindo os braços, os três aguardando a garçonete servi-los para retomar o assunto.

—Como disse, estava em reunião com meu pai mais cedo – relembra – Em um momento no qual ele estava usando o lavabo, seu celular tocou e por ser um parente atendi — conta, erguendo o dedo indicador – Antes mais uma informação: temos um tio, não um irmão de nosso pa. Trata-se do filho de um primo de nosso avô paterno cujos pais morreram quando era bebê e por não ter outros parentes acabou sendo adotado por nossos avós – explica – Era ele quem ligava por isto atendi sem culpa. Conversamos até meu pai deixar o lavabo, quando lhe passei o aparelho informando de quem se tratava. Meu pai e meu tio costumavam discutir por conta da irresponsabilidade dele portanto quando me pediu para sair não estranhei tanto – para, suspirando – Enquanto passava as tarefas para sua secretaria, notei que havia esquecido meu celular no escritório e entrei, após bater na porta. Meu pai havia ido para a sala de reuniões anexa e através da porta entreaberta escutei-o discutindo com tio Fred. Não gosto ou costumo ouvir conversas alheias, mesmo de meu pai, mas quando ouvi no nome da mãe de Sarah congelei – admite, mordendo o lábio inferior.

—E??? – Jay instiga-a prosseguir, acariciando suas mãos sobre a mesa.

—E que era ele o homem com quem ela estava envolvida. Ele pode ser o pai de Marina – revela, contando detalhadamente o que escutara no escritório do pai, um silencio tenso caindo entre eles ao final da narrativa.

—Ele virá a Chicago? – Jay questiona, quebrando-o.

—Disse que sim, mas honestamente, depois de ter conversado com papai duvido muito – diz, triste – Meu pai tem muitos defeitos, eu sei, mas ele é justo também. Se Marina for filha de tio Fred, vai fazê-lo assumir a responsabilidade integralmente, gostando ele ou não – garante.

—Mas para isto seu tio tem que vir a cidade e estar disposto a fazer o bendito exame e pelo que disse seu pai pode tê-lo espantado – Kim bufa, cruzando os braços, o silencio se instalando mais uma vez, sendo quebrado pelo toque dos paigers de ambos detetives.

—É do distrito. Temos que ir – Jay avisa, tomando todo o suco que pedira, pegando as batatas fritas antes de levantar.

—Vocês mal tocaram na comida – Claire observa – Acabei atrapalhando – lamenta-se.

—Não se preocupe, comemos algo no distrito – Jay a tranquiliza, segurando-a pela mão, acompanhando-a a seu carro – Relaxe Claire, tudo vai se resolver – tranquiliza-a, afagando seu cabelo e rosto.

—Espero Jay. Não é justo com Marina ela não saber quem é o pai – comenta, apoiando-se a porta aberta, acenando para os detetives, que passam por eles a caminho do distrito – Quer que te leve?

—Não precisa, vou com o casal vinte ali – indica a parceira e o namorado, sorrindo – Jantamos hoje? – convida.

—Uhum. Meu apartamento ou restaurante? – interroga, brincando com a gola da jaqueta dele.

—A primeira opção com certeza! – responde, aplicando-lhe um selinho – Quer que leve a sobremesa.

—Além de você!?– insinua a empresaria, ficando na ponta dos pés, envolvendo o pescoço do detetive, lhe dirigindo um olhar malicioso.

—Sim – responde, aceitando a provocação, cingindo-a pela cintura – Sorvete está bom pra você?

—Uhum – limita-se dizer antes de beijá-lo demoradamente, o paige os fazendo afastarem-se – Melhor ir antes que seu sargento fique bravo – aconselha ela.

—Mais bravo, quer dizer – diz ele, roubando um beijo rápido, liberando-a para que entrasse no carro, acenando quando parte – Nem uma palavra Kim – adverte ao se aproximar da viatura aonde os colegas o esperavam, ambos sorrindo com cumplicidade.

—Não disse nada – diz a policial, rindo, entrando no carro – O que faremos? Quanto ao pai de Mama, quero dizer – pergunta, olhando-o pelo retrovisor interno.

—Por hora só podemos esperar e torcer para o senhor delicadeza Rhodes não tenha espantado irmão – diz, fazendo aspas no ar – Caso ele venha a cidade, vemos o que faremos – acresce, distraindo-se olhando pela janela pensativo enquanto seguem para o distrito.

“...Fica;

Fica, me queira e queira ficar;

Fica;

Faz o que quiser de mim;

Contanto que não falte tempo pra me amar;

Fica !”

Notas finais
Até breve. Bjinhos flores.