Love Hurts!

31 Fanny days...lazy days...hard days(II)


Notas iniciais
E olha quem apareceu por aqui finalmente!! Olá flores. Desculpem mais está longa demora. Desta vez parte da culpa foi da internet e parte daqueles idiotas roteiristas que me deixaram deprimida ao tirar Colin da série!! É isso mesmo flores. Primeiro foi a Rachel e agora o Colin. Hoje (22/5) foi ao ar o último episodio onde ele participa. Nem preciso dizer o quanto isto me abalou né? Não tive meu #Rheese. Perdi a Sarah. E agora o Connor. E CM morreu pra mim! Agora só fics ,e importam. E para não ficar deprimida de novo, já que sempre que começo a falar sobre isso acabo chorando de raiva, vamos ao que interessa. Momentos bem família neste cap todo sobre o ponto de vista do Connor. Obrigada por não desistirem da historia; Aguardo suas impressões; Espero que gostem; Boa leitura. E Bjinhos flores

“It’s been said and done;

Every beautiful thought’s been already by sung;

And I guess right now here’s another one;

So your melody will play on and on with the best of ‘em;

You are beautiful like a dream come alive, incredible;

A centerfold miracle, lyrical;

You saved my life again;

And I want to know, baby;

I, I love you like a love song, baby;

I, I love you like a love song, baby;

I, I love you like a love song, baby;

And I keep hittin’ repeat, peat, peat, peat, peat…”

Love You Like A Love Song

Selena Gomez

Apartamento Connor e Sarah (terça, 28/8 – 23:10 p.m)

Connor

—Sente-se melhor? – pergunto, continuando a massagear os ombros de Sarah a fim de que relaxasse um pouco da tensão provocada em descobrir que o pai chegara a cidade. Pior: estava seriamente doente e em breve seria meu paciente! Coincidência?? Ela não acreditava ser.

—Uhum – murmura, tocando minha mão – Pode parar amor – pede, voltando-se para mim tão logo o faço – Quando irá vê-lo novamente? – quer saber.

—Na quinta, se nada de inesperado acontecer – informo, me recostando a cabeceira de nossa cama – A consulta está agendada para as nove e meia – específico, olhando-a com atenção – Minha vez de perguntar: o que a preocupa? – quero saber, encarando-a sério.

—Eu... eu não sei – admite, levando o polegar a boca, mordendo-o, gesto típico seu quando está em dúvida sobre algo – Eu realmente não sei. Talvez seja o fato de ele surgir de repente, do nada, após vinte anos de ausência total e absoluta – diz, suspirando – Quando meus pais se separaram, ele pareceu esquecer ter uma filha. Não ligava, nem mandava cartas, mensagens, nem mesmo um cartão de aniversário ou Natal. Zero contato durante todos estes anos e agora aparece aqui, em Chicago, e vai se consultar justo no hospital no qual trabalho?? – enumera, torcendo o nariz – Ou talvez o que me incomoda seja o fato de ele ter procurado especificamente por você – confessa.

—Não é tão estranho assim amor. O cardiologista que o acompanhava em Minessota, doutor Forster, buscou por David e meu nome surgiu como segunda opção – conto, tocando o espaço vago a meu lado com a mão num convite mudo o qual aceita prontamente – E quanto a ter buscado o Gaffney, bem, ele não teve escolha na verdade. Foi encaminhado especificamente ao Med justamente por eu trabalhar lá – digo, pondo o indicador na ruguinha de desconfiança que se formara entre seus olhos – Mas se isto vai te deixar desconfortável, posso passar o caso para Bekker ou mesmo Latham – afirmo, rindo da careta que faz.

—Não é preciso, até porque o que me deixa desconfortável é o aparecimento dele e isto não posso mudar – diz, mexendo o nariz em caretas sucessivas – Me promete uma coisa: se ele começar a perguntar de sua vida pessoal, não responde e me avisa. Faz isso por mim?? – pede, me encarando com aqueles olhos castanhos que tanto amo.

—Faço – garanto, tocando seu rosto carinhosamente, deixando minha mão deslizar pelo pescoço, ombro e braço direito até entrelaçar nossos dedos – Faço se prometer que não vai surtar e começar a imaginar milhões de teorias de conspiração – condiciono – Faz isso por mim?? – a parafraseio, rindo novamente ante novas caretas – É pegar ou largar!! – aviso, fazendo-a rolar os olhos e suspirar.

—Vou tentar. Mas tem de reconhecer que, mesmo diante de tudo que disse, é um pouco estranho – insiste, não me dando chance contestar – Eu sei que foi o tal médico quem encaminhou, que buscou primeiro por David, mas Latham consta como substituto imediato dele e....

—No site do Med talvez, mas a nível nacional é o meu nome que aparece logo abaixo do dele – retifico sem esconder meu orgulho pelo fato. David me escolhera pessoalmente, confiara em mim e tenho muito orgulho disso sim!

—Ok, senhor convencido, você venceu!! – concorda, cruzando os braços e fazendo bico.

—Hummm, estou com uma vontade louca de desmanchar esse biquinho com um beijo e uma mordida...Não necessariamente nesta ordem! – declaro, anuviando o clima tenso que ainda persistia, fazendo-a rir minimamente.

—E quem está te impedindo? – provoca, olhando-me desafiadoramente, fingindo que iria sair da cama.

—Ah, é assim? Provoca e tenta pular fora, não é?? Pode ir tirando o cavalinho da chuva senhorita! – exclamo, girando rápido por sobre ela, prendendo-a com meu corpo, dirigindo um olhar ligeiro ao berço aonde nosso filho dormia tranquilo – Nem pense em acordar nas próximas duas horas rapazinho!! – advirto-o baixinho, o dedo em riste, ao mesmo tempo em que me inclino até tocar seu colo bem no decote rendado da parte superior de seu shortdoll, pressionando forte meus lábios contra a pele alva e sensível, fazendo-a arrepiar-se.

—O quê?? Ameaçando nosso filho por causa de sexo, é isso mesmo que entendi? Que feio Connor Rhodes!! – brinca, enroscando os dedos em meu cabelo e rio, causando mais arrepios.

—Nops!! Ameaçando para poder fazer sexo de excelente qualidade com a mãe dele!! – a corrijo sem interromper as carícias que começara, levando ambas mãos a seus ombros, descendo a fina alça de seu pijama – Melhor dizendo, para fazer amor com a mãe dele até estarmos exaustivamente satisfeitos – corrijo a mim mesmo, tomando seu seio direito em minha boca cuidadosamente, sorrindo satisfeito ao escutá-la gemer alto, arqueando-se, aumentando meu acesso – Xiii!!! Assim vai acordá-lo e não vai querer isto vai? – inquiro, tomando o outro enquanto massageio delicadamente o anterior com a mão. O fato de estar amamentando a deixava ainda mais sensível naquela região – Sarah, vai acordar nosso bebê – não resisto provocá-la quando geme ainda mais alto, me divertindo ao escutá-la me xingar baixinho – Ei, sem impropérios!! – ralho.

—Connor, cala a boca e se concentra em cumprir sua promessa. Exaustivamente satisfeitos, não foi o que disse?? – inquire, deslizando as mãos por minhas costas, enfiando-as sob o short até alcançar minha bunda, cravando as unhas ali e desta feita sou eu a gemer alto – Xiii, vai acordar nosso bebê! — devolve e ambos rimos baixo – Estou esperando doutor Rhodes. Satisfação até a exaustão!! – reitera, dobrando a perna direita e ao fazê-lo me encaixo melhor entre elas, nossos sexos chocando-se doce e dolorosamente, seu pé roçando a parte externa de minha coxa.

—Seu desejo é uma ordem doutora Reese! – devolvo, erguendo-me o máximo que sua “prisão” me permitia, sinalizando a ela ergue os braços para que pudesse despir a micro blusa de seu pijama, tomando sua boca num beijo sedento assim que retiro a peça, apertando-a em meus braços.

Durante um tempo impreciso apenas nos beijamos, permitindo nossas línguas interagirem à vontade, seus seios prensados contra meu peito me deixando duro numa rapidez espantosa até para mim.

Desfaço o contato apenas quando respirar se torna uma necessidade, deslizando por seu corpo com beijos e chupões que certamente deixariam marcas. Seguro as laterais do short acetinado levando-o comigo quando sigo meu caminho, Sarah ajudando-me na tarefa de despi-lo ao erguer o quadril, a peça indo juntar-se a blusa em algum canto do quarto.

De joelhos sobre o colchão, paro um segundo, admirando-a, extasiado, a luxúria em meu olhar refletindo-se no dela, rindo sacana ao lembrar nossa primeira noite juntos, o quanto tinha-me admirado em descobrir como era gostosa e quente por detrás daquele jeitinho de anjo... “Anjo do prazer, só se for! Se é que existe um!” ...meu subconsciente exclama e rio novamente...Existe e está bem aqui na minha frente, em minha cama. E é toda minha!! ...respondo-o, egoísta, livrando-me de meu próprio short, única peça que vestia, rapidamente, me deitando sobre ela novamente. Sem pressa, a penetro, prolongando ao máximo nosso prazer, aumentando e diminuindo o ritmo de minhas investidas guiado por seus pedidos e gemidos, alcançando o ápice quase ao mesmo tempo que ela, relaxando alguns minutos antes de começar tudo de novo, gastando, por assim dizer, mais tempo com as preliminares, amando-a mais uma vez.

Devo confessar que poderia passar horas, até um dia inteiro, a seu lado, na cama (ou em qualquer outro lugar) sem nunca me cansar de fazer amor. E nunca uma vez era igual a outra. Mesmo conhecendo cada pequeno recanto de seu corpo e ela do meu, encontrávamos sempre novas formas de propiciar prazer um ao outro.

—Exausto?? – ouço-a perguntar enquanto afaga meu cabelo numa clara provocação e rio, erguendo minimamente a cabeça, que deitara em seu peito, a fim de ver-lhe o rosto.

—Pareço exausto? – devolvo, beijando-lhe o vale entre os seios, ela mexendo os ombros em resposta, o riso discretamente provocativo me fazendo arquear a sobrancelha – Deixa vê se entendi: sua tática é me provocar, é isso mesmo? – questiono, apoiando-me nos cotovelos, erguendo parcialmente meu tronco, encarando-a, fingindo zanga.

—Está funcionando? – devolve, erguendo, tal qual fizera a pouco, uma perna, roçando-a na minha, mordendo o lábio inferior da forma que sabe me deixar louco.

Rio com o canto da boca, piscando antes de começar beijar seu corpo a partir da barriga, enfiando a língua em seu umbigo, brincando até fazê-la gemer. Sigo descendo, lambendo de um lado a outro seu quadril, visitando ambas virilhas antes de dedicar toda minha atenção a seu sexo. Faço com que dobre os joelhos me dando mais acesso aquela área sensível, já bastante inchada pela excitação. Aperto e massageio suas coxas ao mesmo tempo em que sugo o clitóris de forma intensa, fazendo-a contorcer-se e cortar o grito que escapava de boca ao sentir meus dentes roçando ali.

—Connor, por favor!! Não aguento mais esperar. Quero você em mim agora!! – arqueja, erguendo o quadril contra meu rosto.

—Paciência meu amor, paciência – respondo, rindo ao escutá-la me xingar entre um gemido e outro.

Intensifico os movimentos de minha língua, indo o mais fundo que consigo, sentido seu corpo estremecer quando atinge o clímax, derramando-se em minha boca, a respiração ofegante ecoando pelo quarto.

Sorrio, satisfeito, pondo-me de joelhos, seguro suas pernas, a puxando para mim. Penetro-a num movimento único e vigoroso que a faz arquear-se emitindo um grunhido baixo e rouco, as mãos agarrando o lençol em ambos os lados. Me acomodo, sentando-me sobre meus pés, inclinando-me, deslizando as mãos pela lateral de seu corpo, ela segurando em meus braços ao perceber minha intenção.

Com sua ajuda, trago-a de encontro a mim, fazendo com que sentasse em meu colo sem sair dela. Instigo-a iniciar uma cavalgada lenta e sensual, apoiando-a, distribuindo beijos em seu pescoço e colo, sugando e retendo os bicos rijos entre os dentes um por vez, acompanhando seus movimentos cada vez mais rápidos até que gozasse novamente, deixando-a deslizar languidamente até deitar-se para somente então deitar sobre ela, investindo mais duas vezes até me libertar num gozo pleno em seu interior, suspirando, ofegante, rindo ao escutar o resmungo quando saio dela, deitando-me a seu lado, recebendo-a em meus braços quando se aconchega, manhosa, a mim, nossos corpos suados “pegando” um ao outro. Afago os cachos desgrenhados e úmidos, trazendo o lençol sobre nós, adormecendo quase ao mesmo tempo que ela.

Acordo com o som baixo de choro e viro o rosto vendo Max mexer-se impaciente no berço.

—Deixe comigo amor. Durma mais um pouco – digo, retendo Sarah quando faz menção levantar-se, ouvindo-a agradecer debilmente antes de se aconchegar novamente entre os lençóis – Um segundo filhote – peço, deslizando para o lado da cama, o chão frio provocando arrepios quando o toco descalço.

Me inclino em busca do short, desistindo, indo pegar outro na gaveta da cômoda. Após vesti-lo e a uma camiseta, vou até o berço, pegando nosso filho, que àquela altura já estava bem mais esperto, mexendo braços e pernas enquanto segue resmungando e choramingando em protesto por não ter sido alimentado ainda.

—Paciência, rapazinho, paciência!! – exclamo em tom quase inaudível, ninando-o enquanto caminho para a porta, fechando-a parcialmente ao sair.

Dou uma olhada nas meninas ao passar pelo quarto delas, certificando-me que dormiam tranquilas (ambas haviam tido noites agitadas mesmo após Sarah estar em casa e bem), seguindo meu caminho rumo a cozinha.

Retiro a mamadeira com leite materno que Sarah sempre deixava no congelador, pego uma panela pequena, encho a metade com água e a levo ao fogo baixo, pondo-a dentro. Caminho de um lado para o outro, cantarolando, deixando Max morder meu dedo mindinho (após haver lavado bem a mão), distraindo-o enquanto o leite aquece. Quando vejo que está pronto, apago o fogo, retiro e envolvo a mamadeira em um pano limpo para proteger minha mão e vou a varanda, olhando o tempo lá fora antes de abrir minimamente a porta envidraçada, as luzes da cidade misturadas a umidade natural do ar àquela hora da madrugada (passava um pouco das quatro e trinta) conferindo uma atmosfera meio etérea, a brisa leve refrescando o ambiente .

Puxo uma das cadeiras com o pé até pô-la junto a porta não querendo expor Max demais, sentando-me, apoiando meu filho cuidadosamente em meu colo. Testo o líquido em meu antebraço, conforme aprendera com Sarah, certificando-me estar na temperatura adequada para somente então oferecê-la a ele, rindo quando a agarra vorazmente.

—Precisamos ter uma conversa sobre esta sua atitude mocinho. Não vai conseguir as coisas mais rapidamente fazendo manha. Até pode conseguir, mas não é legal fazê-lo, ok? – digo, encantado ao notar que me olhava atentamente sem deixar de sugar a mamadeira, o azul de seus olhos lembrando a mim mesmo numa fotografia antiga, o formato do rosto e olhos bem como o cabelo cor de mel encaracolado lembrando-me Sarah – Você é realmente uma linda mistura de nós dois!! – exclamo, rindo feito um bobo quando ele sorri para mim.

—Connor?? – escuto e volto o rosto para dentro do apartamento me deparando com Emma esfregando os olhos e sorrio.... Na próxima quero uma menininha!! penso, sorrindo para a miniatura de Sarah que me olhava intrigada.

—Oi princesa. O que foi? Pesadelo? – pergunto, seguindo-a com o olhar quando vem sentar-se a minha frente sonolenta.

—Não. Sede – responde, esticando o pescoço para ver o sobrinho – Nossa, ele come muito!! – exclama, bocejando ao mesmo tempo que “coça” a cabeleira castanha bem menos bagunçada que a se Sarah.

—Natural, está crescendo – digo, voltando dar atenção a meu filho, que mais uma vez me derrete com seu sorriso, erguendo o olhar a minha pequena cunhada outra vez – Quer que pegue água pra você anjo? – me ofereço posto que Max quase terminara sua mamada.

—Precisa não. Tô indo já – avisa, pendendo para um lado ao levantar-se, precisando apoiar-se em meu joelho para não cair.

—Opa, opa, opa, cuidado aí bela adormecida. Melhor esperar por mim. Max está terminando – peço, sinalizando para que voltasse a sentar.

Em silêncio aguardamos ele terminar, Emma apoiando as mãos em meu joelho e o queixo nos punhos fechados, encantada observando o sobrinho se alimentar. Quando ele termina, me ajuda, segurando a mamadeira vazia enquanto apoio Max em meu ombro, dando leves tapinhas em suas costas até escutar o arroto baixo.

—Prontinho! – exclamo, o acomodando em meus braços – Venha, vou pegar sua água – convido, esperando que entrasse, fechando a porta e seguindo para a cozinha com ela a meu lado – Emma, ponha a mamadeira dele dentro d’água por favor – peço, pegando um copo, enchendo-o e entregando a ela.

—Quantas horas Connor? – pergunta, sorvendo o líquido lentamente.

—É cedo ainda. Pode dormir mais um pouquinho princesa – afirmo, aguardando pacientemente que terminasse – Vamos?? – chamo quando percebo haver terminado, ela pondo o copo sobre a bancada e me seguindo pelo corredor, parando a porta de seu quarto, ficando na ponta dos pés para beijar Max suavemente – Quando estiver na hora venho chamar vocês – aviso, lhe dando um beijo estalado na bochecha, esperando deitar-se para poder encostar a porta de seu quarto e somente então retornar ao nosso.

Entro silenciosamente, sorrindo ao ver Sarah esparramada sob os lençóis, dormindo tranquila e profundamente. Estava cansada, mesmo não admitindo. Max estava mais ativo a cada dia, as meninas haviam voltado a sua rotina com a energia própria da idade e sinto que não estava a ajudando tanto quanto deveria depois que retomei minha rotina no hospital. Por essa razão me comprometo mentalmente em ajudá-la mais e não apenas em meus dias de folga.

Ando de um lado para o outro junto a janela, ninando nosso filho até que adormecesse, pondo-o no berço tão logo o faz, admirando-o apoiado a grade durante alguns minutos.

Fecho o cortinado verificando a hora em meu relógio de pulso, refletindo um segundo se me juntaria a Sarah na cama (correndo o sério risco de perder a hora) ou trocar de roupa e partir para uma corrida matinal antes de preparar nosso café da manhã, a segunda opção ganhando por muito pouco.

Visto um conjunto de moletom que Claire me presenteara no Natal, calço um par de tênis, pego um agasalho, ajusto o cronômetro em meu relógio, dou mais uma olhada em nosso filho, um beijo rápido na fronte de Sarah e deixo nosso quarto. Olho novamente as meninas ao passar pelo delas, deixando o aconchego convidativo do apartamento logo em seguida.

Opto por usar as escadas ao invés do elevador, aproveitando para me aquecer adequadamente, reduzindo o risco de contusões. Começo caminhando pelo quarteirão, iniciando uma corrida depois de alguns minutos. Dou algumas voltas, aumentando o ritmo gradativamente até cansar, diminuindo aos poucos até parar quando chego a portaria do edifício aonde moramos, usando o elevador para retornar ao apartamento desta feita.

Sigo direto para nosso quarto, rindo ao ver que Sarah praticamente não mudara de posição desde minha saída, o mesmo valendo para nosso filho, ambos ressonando gostoso em seus respectivos mundos de sonhos particulares. Pego uma toalha limpa na gaveta do armário, uma cueca box e outro conjunto de moletom limpo. Entro no banheiro e tomo um banho refrescante, encontrando Sarah espreguiçando-se igual uma gata ao retornar para o quarto, seu olhar e sorriso me aquecendo o coração.

—Bom dia meu amor! Dormiu bem? – pergunto, indo até ela, lhe dando um selinho.

—Muito bem!! – exclama, envolvendo meu pescoço com os braços antes que pudesse me afastar, retribuindo com outro beijo rápido – Por que não voltou para a cama? — pergunta, manhosa, esfregando o nariz em meu pescoço e quase me rendo a tentação de deitar a seu lado.

—Estava sem sono e você dormindo tão lindo.... tive receio de te acordar– digo, retribuindo o carinho – Além disso, queria te deixar se recuperar de nossa pequena maratona de ontem ... para, quem sabe, repetirmos a dose mais tarde, depois que as meninas forem para a escola – sugiro, mordendo o lóbulo de sua orelha, escutando-a rir pelo nariz.

—Quem sabe!! – concorda, suspirando quando a afasto delicadamente – Aonde vai? – quer saber, fazendo um biquinho gracioso.

—Acordar as meninas, preparar nosso café da manhã, levá-las a escola e depois.... — deixo a insinuação no ar vendo-a corar lindamente – Fique mais um pouco na cama, aproveitando a trégua que este rapazinho está dando. Deixe que cuido de tudo – sugiro, fazendo com que olhasse nosso filho ressonando tranquilo em seu berço.

—Hummm... vou aceitar a sugestão – declara, manhosa, se aconchegando sob os lençóis outra vez, abraçando meu travesseiro.

Deixo um beijo casto no topo de sua cabeça e saio, fechando a porta, parando a frente do quarto das meninas.

—Anjinha, coelhinha, hora de acordar – chama através da porta entreaberta, aguardando-as despertar, sentando-se em suas camas, esfregando os olhos – Tomem um banho, troquem de roupa, organizem suas bolsas e vão me encontrar na cozinha – ordeno, elas anuindo com um meneios de cabeça, Emma pondo-se de pé e arrumando a própria cama, Marina imitando-a de imediato – Se precisarem de mim, chamem mas sem gritos, ok?. Sarah e Max estão dormindo – alerto.

—Ok – respondem juntas e jogo-lhes um beijo antes de ir-me, encostando a porta e seguindo para a cozinha pela segunda vez aquele dia.

Ponho café na cafeteira elétrica ajustando o temporizador, pego os pães para torrada, queijo ricota, requeijão, a geléia e alguns legumes. Espalho a manteiga nas fatias, pondo-as de duas a duas dentro da torradeira. Em seguida, lavo os legumes em água corrente, retiro as cascas, corto em pedaços pequenos, tempero e ponho-os para cozinhar. Escolho algumas frutas, lavo e corto, distribuindo-as em quatro tigelas médias, colocando-as junto com os potes contendo granola e aveia no centro da mesa, começando arrumar tudo para o desjejum. Me volto ao escutar o apito da panela na qual pusera os legumes. Retiro-os, escoro parte da água e os coloco no liquidificador, triturando-as até formarem um creme o qual ponho para cozinhar mais um pouco até ficar bem cremoso. Ponho numa tigela com tampa e em seguida sobre a mesa.

—Connor, quero tranças!! – Marina requisita, atirando sua mochila sobre o sofá, vindo até mim com uma escova e alguns elástico de cabelo coloridos, sentando-se numa das cadeiras – Humm, que cheirinho bom!! – elogia, me dando as costas após entregá-los.

—Creme de legumes para sua irmã. Se quiser um pouco ponho para você – ofereço, usando um guardanapo para limpar um pouco de espuma atrás de sua orelha direita, aproveitando para verificar se não havia também na outra, no pescoço e nas dobrinhas – Tomou banho sozinha ou Emma te ajudou coelhinha? – quero saber, deslizando a escova por seu cabelo, dividindo-o e preparando para a trança, me voltando ao escutar o aviso que as primeiras torradas estavam prontas – Um segundo coelhinha – peço, retirando-as com auxilio de um papel toalha, pondo mais duas no lugar, me concentrando na trança (e não é que tinha ficado bom nisso??) – Anjinha, pode me ajudar com as torradas enquanto tranço o cabelo de sua irmã? – pergunto ao ver Emma chegar a sala, arrumada, cabelo preso em uma trança única que lhe caia de um lado, a deixando ainda mais parecida com Sarah.

—Uhum – anui, vindo se juntar a nós na cozinha – Fez creme de legumes! Posso comer um pouco? – pergunta, trocado as torradas novamente.

—Pode. Fiz bastante – libero, finalizando a segunda trança – Ajudou sua irmã ou ela banhou-se sozinha? – pergunto, liberando Marina — Sente direito coelhinha, que já vou servir o café de vocês – aviso.

—Ajudei – escuto Emma responder ao mesmo tempo em que põe o prato com as torradas na mesa – Faço o que agora? – pergunta, me olhando em aguardo.

-Me ajude a terminar de pôr a mesa – peço, abrindo armários, retirando pratos, copos, xícaras e talheres, entregando-os a ela – Vou preparar suco de laranja pra gente, mas já podem ir comendo. Pegue, por favor, o leite e iogurte na geladeira – peço, ela obedecendo de pronto.

—Quero calda de chocolate Connor – Marina pede, brincando com as frutas.

—Uhum, uhum, nada de doces a esta hora senhorita – corto, ela fazendo uma careta de desagrado – Se não quiser granola ne aveia, ponha um pouco de iogurte ou coma as frutas in natura mesmo. Emma, vigie sua irmã sim – peço, concentrando-me em terminar o suco.

Ponho-o numa jarra, pego um pouco de gelo, o açucareiro e me sento junto com as duas, que já estavam na segunda rodada de torradas com geléia. Me sirvo uma xícara de café puro e pão com queijo e uma fatia de presunto de peru que Emma pusera na mesa para começar. Sirvo uma tigela pequena do creme de legumes para ambas, ponho granola sobre minhas frutas e as acompanho, conversando e rindo ao contarem como fora o dia anterior na escola (não o haviam feito quando cheguei por estarem distraídas quando cheguei noite passada). Sirvo-nos suco com fatias de bolo e por fim tomo meu iogurte com mel, atento a Emma, que retirava a louça suja da mesa.

—Vão escovar os dentes e dar um beijo em sua irmã para podermos ir – recomendo quando termina, ajudando Marina a descer – Sem correr nem fazer barulho – admoesto, rindo quando estancam na metade do caminho, abrindo os braços a fim de recuperarem o equilíbrio, voltando minha atenção a louça suja quando saem de meu campo de visão.

Retiro o que sobrara nos pratos e tigelas, passo uma água rápido antes de arrumar tudo na lava louças. Preparo mais algumas torradas, cubro as vasilhas com queijo e presunto, fecho os potes de aveia e granola, verifico a temperatura do creme de legumes (a tigela no qual o pus conserva bem o calor), ponho o leite, o iogurte e a ricota de volta a geladeira e por fim deixo prato, xícara e talheres limpos para Sarah sobre a mesa, estranhando a demora das meninas,

Quando estou para ir em busca delas, surgem juntamente com Sarah e Max, nos braços de uma orgulhosa e sorridente Emma.

—Já estavam acordados quando entramos – Emma apressa-se em dizer.

—Max tava mamando na Sarah!! – Marina acresce, saltitando para ver o rosto dele – Posso segurar ele depois, posso?? – pede, juntando as mãozinhas, dirigindo um olhar estilo gato de botas a Sarah.

—Quando estivermos no carro deixo ele em seu colo, como combinamos – diz, me dando um selinho – Me deixa só comer algo rapidinho e já saímos – pede e anuo com um aceno.

—Fiz creme de legumes pra você – aviso, ajudando Emma a sentar-se no sofá, acomodando melhor o bebê em seus braços, Marina sentando-se perto da irmã, acariciando a cabeça dele delicadamente – Vou escovar os dentes e pegar a chave do carro. Cuidado – recomendo, Emma acenando afirmativamente, atenta a cada gesto do pequeno sobrinho.

—Ele vai me chama de titia? – Marina perguntar quando estou entrando no corredor para os quartos.

—Vai sim. Você e eu – ainda escuto Emma responder e rio. Seria engraçado ver os três interagindo no futuro, um arrepio estranho percorrendo minha espinha repentinamente quando a possibilidade de mãe delas ressurgir tal qual o pai de Sarah passa por minha mente.

Sacudo a cabeça espantando tais pensamentos ao entrar em nosso quarto. Pego chave, carteira e um agasalho para Sarah (notei que não usava um), retornando à sala rapidamente.

—Ia te pedir justamente isso agora mesmo! – exclama quando lhe entrego a peça, me dando um beijo em agradecimento.

—Transmissão de pensamento – brinco.

—Ou tenho o noivo mais atencioso e eficiente do mundo! – elogia, me dando mais um selinho – Vou escovar os dentes e já volto. Vê pra mim se as meninas não esqueceram de pôr nada na bolsa – pede, voltando-se ligeiro – Ah, prepara dois sanduiches para levarem por favor. E um iogurte e fruta para ambas – lembra, seguindo para o quarto.

—Eu ajudo!! – Marina prontifica-se de imediato, correndo a minha frente para a cozinha.

—Tudo bem aí anjinha? – pergunto antes de segui-la.

—Tudo. Ele tá quietinho – Emma diz, sorrindo.

Faço o que Sarah pediu-me tendo o auxílio de Marina e dela própria, retornara. Acrescemos fatias de bolo, barras de cereais e biscoitos além de pormos suco em suas garrafas térmicas. Acondicionamos tudo em suas lancheiras, prendo ambas em suas bolsas, Sarah pega Max de volta e saímos para o corredor, encontrando com Lívia e Scott.

—Bom dia família linda!! – exclama, animada, saindo do abraço do namorado para ir ao encontro de Sarah – Ownn meu Deus, que coisa mais fofa da tia!! – fala com voz melosa, apertando as mãos – Ai que dá vontade de apertar, morder e beijar você todinho, pedacinho do céu!! – declara, Marina abrindo boca e olhos, olhando-me assustada, segurando e puxando-me pela mão, fazendo com que me inclinasse a fim de ouvi-la.

—Eu tô com medo dela!!! – cochicha em meu ouvido e rio.

—Tudo bem coelhinha, Sarah não vai deixar ela fazer nada disso – tranquilizo-a, me erguendo novamente – Bom dia Scott, como vai? – cumprimento o loiro que nos socorrera prontamente no dia em que nosso menino veio ao mundo e ganhara não apenas nossa amizade e de nossos amigos, mas também o coração de nossa vizinha.

—Tudo bem – responde, apertando a mão que lhe estendia – E aí bonecas, como estão? – pergunta, piscando para Emma, que fica vermelha como um pimentão, baixando os olhos, envergonhada.

—O namorado da Emms vem aqui hoje – Marina solta, deixando a irmã ainda mais sem graça.

—Namorado é? Legal – Scott diz, rindo ao me ver rolar os olhos.

—Estamos bem, obrigada – Emma responde, finalmente, caminhando a nossa frente.

—Ela está namorando? – Lívia pergunta, Sarah confirmando com um aceno – Que fofo!! Acho tão lindo namoro nessa idade. Minha prima também começou a namorar um dos coleguinhas de escola. Os dois tem onze. Precisa ver a fofura que é andando de mãos dadas – conta, nos acompanhando, segurando uma mão de Max – É algum amiguinho da escola dela ou do balé? – quer saber, curiosa, desculpando-se logo em seguida – Perdão, não quis ser invasiva – pede.

—Sem problema – Sarah afirma, tranquila – É colega da escola e da aula de violoncelo – conta, entrando no elevador juntamente com ela e as meninas, Scott e eu as seguindo – Um garoto muito bom e educado – elogia e faço uma careta discreta, recebendo um olhar de advertência de sua parte.

—Legal – Lívia limita-se dizer, dando atenção a Max, que apertava um dedo seu – Hum, esse rapazinho está ficando forte hein – comenta, sorridente.

—Está. Cada dia mais forte e levado! – brinco, segurando as portas do elevador quando abrem na garagem, deixando as meninas, Sarah com Max, Lívia e Scott saírem, eu sendo o último.

—Nos separamos aqui. Beijos a todos – Lívia anuncia, mexendo com nosso filho – Tchauzinho pra você jovem galã! – exclama, beijando a mãozinha que segurava – Bom dia casal – deseja, segurando a mão do namorado.

—Bom dia – respondo enquanto sigo para o carro, destravando-o, parando junto a porta do carona, aguardando Sarah e as meninas.

—Bom dia – Scott deseja, acenando, se deixando conduzir pela namorada até o carro desta.

—Tchau – Marina acena, entusiasmada, fazendo ambos voltarem-se, acenando mais uma vez antes de seguirem seu caminho.

—Parece que a coisa está ficando séria – Sarah comenta, aguardando Marina e Emma se acomodarem no interior de nosso carro.

—É – anuo, acomodando as bolsas no banco da frente, aguardando-a se acomodar com nosso filho, pôr o cinto de segurança e fechar a porta para somente então assumir meu lugar no assento do motorista.

—Todos prontos? – pergunto, prendendo meu cinto, olhando-as pelo retrovisor interno.

—Sim!! – Marina e Emma respondem juntas, erguendo as mãos.

—Então vamos nessa. Partiu expresso escola! – brinco, dando a partida no veículo, as meninas rindo divertidas.

Conecto meu celular ao carro, ponho a playlist usada nos aniversários de Emma e Marina (havia feito uma compilação com as músicas das duas festas) numa altura agradável a todos e manobro, saindo da garagem com calma, afinal, eram cargas muito preciosas que levava comigo!

O caminho até a escola é animado, as meninas acompanhando as canções, fazendo Max se mover e emitir muxoxos no colo de Sarah. Quando percebe, Emma saca o celular e grava cada reação dele as canções tocadas bem como as vozes dela, de Marina e de Sarah, que também cantava.

—Olha Connor, ele reage diferente pra cada uma de nós!! – se admira, pondo-se entre os assentos aproveitando que o farol fechara, mostrando-me os vídeos que fizera – Que legal!!

—É sim anjinha. Me envia depois. Agora sente que o farol abril – alerto, saindo devagar até me certificar que retornara a seu lugar, o resto do trajeto sendo feito um pouco mais silenciosamente, ela concentrada em mostrar a Sarah os vídeos enquanto Marina mastigava as uvas que sequestrara de sua lancheira.

Estaciono defronte a escola, solto o cinto e desço antes delas, abrindo a porta e ajudando Sarah sair antes das meninas. Logo em seguida, dou a volta e ajudo Marina, Emma saindo sozinha, postando-se ao lado da irmã e de outras coleguinhas que haviam se aproximado quando a reconheceram obrigando Sarah abaixar-se um pouco para que pudessem ver Max.

Sorrio, liberando Marina quando segamos a calçada, ao escutar os elogios e gracejos que as crianças faziam, encantadas quando meu filho reagia a elas. Pego as bolsas, acomodo a de Emma em suas costas, abro o extensor da de Marina e a entrego, ficando ao lado de Sarah, acenando quando começam caminhar para dentro da escola, enrugando o cenho ao ver Emma voltar apressada.

—Não esqueçam que meus amigos vão lá pra casa depois da aula – lembra, girando nos calcanhares, correndo de volta a entrada da escola sem esperar resposta.

—E dá pra esquecer – resmungo, rolando os olhos.

—Connor Rhodes, prometeu se comportar – Sarah lembra e faço uma careta marota – Você é um caso sério!! – exclama, abrindo a porta antes que o fizesse – Amor, trouxe sua carteira? Quero comprar umas coisas de uso pessoal nosso e para Max que notei estarem quase acabando em casa – pede e anuo, fechando a porta para ela após ter-se acomodado.

Novamente assumo o volante, dando partida e seguindo em frente, parando no primeiro mercado que encontramos.

Procuro uma vaga, estaciono e a ajudo a descer, travando o carro. Seguro nosso filho enquanto a acompanho pelos corredores em busca de tudo que precisava. Acabamos comprando bem mais do que dissera (parte por minha culpa, reconheço) enchendo o carrinho.

Quando estamos saindo após pagar, vemos algo numa vitrine que chama nossa atenção. Uma daquelas coisas com tecido que chamam de canguru. Entramos na loja, Sarah experimenta decidindo levar uma. Acabo comprando três!!

—Pode me explicar por que tantos cangurus?? – me questiona enquanto arrumo as compras na mala do carro, já usando um dos citados acessórios.

—Simples: um fica no seu carro, outro no meu e o terceiro em caso, de reserva – racionalizo, estancando com um pacote nas mãos — Pensando bem, deveria ter comprado mais um, só para mim porque os ajustes são diferentes do seu – digo, rindo de sua reação de espanto – O quê? Acha que não posso usar um destes sem ferir minha masculinidade? – a provoco, guardando o pacote.

—Vindo de você, meu amor, não duvido de nada!! – exclama, recostando-se a lateral do carro – Mas acho que ficaria mais tranquila se usasse aquele outro modelo estilo cadeirinha, com fechos e bem seguro!! – diz e rio pelo nariz, pegando o último pacote.

Tinha esquecido que comprei este outro modelo também! – Não confia em mim somente com faixas e sem travas?? – interrogo-a, pondo o carrinho no espaço marcado para tal – Mas admito que também me sinto assim – confesso fazendo-a rir.

—Bom, nada que umas aulinhas não resolvam. E como sei que adora um bom desafio...- instiga, abrindo a porta do passageiro e estancando, me olhando um segundo por cima do teto do automóvel – Connor, será que podemos dar uma volta na orla enquanto o tempo está bom? Quero apresentar o mar ao Max – pede.

—Claro meu amor. Mas sabe que teremos de repetir depois com as meninas não sabe? – questiono, pondo o cinto, me voltando minimamente para olhá-la.

—Sei sim. E provavelmente com Kim, Gabby, Claire, Jay, Will.... — enumera, girando o indicador no ar.

—De fato – concordo, sorrindo com o canto da boca.

Sigo para a orla, procuro um lugar bom para estacionar.

Descemos para a beira-mar de mãos dadas, Max confortavelmente acomodado no canguru, cochilando. Paramos na borda d’água, tirando nossos calçados. Devo admitir que a muito tempo não desfrutava a sensação de contato com a água salgada, a areia, a brisa marítima, o sol morno (para nosso alívio) nos abraçando agradavelmente.

Depois de uma caminhada curta, paramos junto ao posto de guarda vidas aproveitando a sombra fornecida pela construção de madeira para tirar nosso menino do aconchego junto ao peito da mãe. Sarah despe a calça do conjunto de algodão com o qual estava vestido começamos a caminhar em direção a água novamente tendo-o em seus braços. Nos agachamos lado a lado, Sarah o segurando cuidadosamente, permitindo seus pés tocarem o solo arenoso. A reação foi imediata: Max desperta de seu estado de sonolência, agitando-se, fazendo barulhinhos com a boca que nos fazem rir.

Durante um tempo impreciso permanecemos naquela posição, deixando nosso filho saborear seu primeiro contato com o mar, esquecendo, propositadamente ou não, de filmar ou fotografar o momento, satisfeitos em tê-lo gravado em nossas mentes e corações.

Quando o sol e o mormaço começam incomodar, nos retiramos, seguindo direto para casa aonde a babá, Larissa, nos aguardava. Ela nos ajuda com as compras e depois ajuda Sarah a arrumar o apartamento enquanto preparo o almoço. Quando terminamos, Sarah e eu vamos para o quarto levando Max conosco, avisando-a que poderia ir após tomar a refeição.

Fecho a porta do quarto após entrarmos, seguindo para o banheiro aonde nos despimos e a nosso filho, tomando um banho longo e refrescante regado a muito mimo e conversa boba.

Saímos do banho e enquanto me arrumo ela o amamenta, sentada na cama, cantando uma de suas músicas prediletas baixinho. Me encosto ao armário, admirando-a, pensando em quanta sorte tive em não a ter perdido definitivamente com minha teimosia e arrogância, por haver reconhecido meu erro em tempo e tê-la conquistado. Durante toda minha vida tive muitas mulheres, de diferentes profissões e ideais. Algumas em total sintonia comigo, outras nem tanto. Nenhuma se compara a esta garota tímida e sincera, que me jogou as verdades que precisava ouvir de uma maneira tão sutil que sequer protestei. Ela me trouxe luz, alegria e tristeza, dúvidas, certezas, tudo num pacote só e de quebra me presenteou com as três melhores coisas depois de seu amor, lógico: Marina, Emma e nosso pequeno Max!

—Acho que podemos almoçar agora. Ele dormiu – ouço-a dizer e saio do devaneio, sorrindo quando se aproxima – Posso saber aonde o senhor estava? – pergunta, tocando o dedo indicador na minha fronte.

—Pensando no quanto sou um cara sortudo em ter você na minha vida mesmo depois de ter feito tantas besteiras – confidencio, envolvendo-a pela cintura, distribuindo beijos por seu pescoço e colo – O que acha de namorarmos um pouquinho antes de almoçarmos? – sugiro, soltando o laço de seu roupão, trazendo-a para mais perto.

—Acho que posso pensar a respeito... se for convincente! – insinua, manhosa, retribuindo minhas caricias.

—Posso pensar em um argumento ou outro – digo, a conduzindo a nossa cama.

Assim como noite passada, fazemos amor sem pressa, aproveitando cada segundo juntos, a sós, antes, durante e depois de almoçarmos.

Por volta das três e quarenta, as meninas chegam com Claire ( ela avisara que as buscaria e aproveitaria para rever o sobrinho) trazendo as amigas e o tal namoradinho de Emma, Raymond, junto.

Para minha surpresa, a tarde passa de forma bastante agradável. Aproveito que Claire e Sarah estão entretidas com Marina e Max para observar o garoto. Até que ele parecia ser um bom menino. Era tranquilo, esperto, inteligente, educado e pela maneira como olhava para Emma gostava dela de fato. E o melhor: ele a olhava como um garoto de dez anos deve olhar para a namoradinha da mesma idade, o que me traz um alívio imenso.

Claire vai embora logo no começo da noite dizendo ter combinado sair para jantar com Jay (os dois parecem estar cada vez mais firmes). Pouco tempo depois é a vez de as crianças irem com a mãe de Raymond, que aproveita para fazer uma visita rápida a nosso filho.

Depois que saem, retomamos nossa rotina. Sarah e as meninas vão banhar-se enquanto preparo nosso jantar. Faço o mesmo assim que termino, me unindo a elas alguns minutos depois para fazermos a refeição todos juntos.

Por volta das dez, Claire aparece novamente acompanhada por Jay, Will e Kim, os três preocupados, querendo saber como Sarah estava enfrentando a aparição inesperada do pai.

—Estou bem – mente, nossos amigos a encarando, duvidosos – Ok, não tão bem – assume, suspirando – Admito que só ficarei tranquila quando tiver absoluta certeza de que não veio a minha procura. Por qualquer motivo. Não quero vê-lo, nem falar com ele e menos ainda que tente uma aproximação maior com Connor além da relação médico-paciente – declara, decidida.

—Eu também não iria querer se estivesse em seu lugar – Kimberly concorda, apoiando-a – Não depois de tantos anos sem que tenha tentado qualquer contato – acresce.

—Digo o mesmo – Will anui, Jay guardando para si o que pensava a respeito.

Conversamos por mais ou menos meia hora, Jay e Kim ajudando pôr as meninas na cama...

—Para matar a saudade!! – justificam-se, deixando Will e a mim sozinhos um tempo posto que Sarah e Claire estavam com Max.

—E você, o que acha dessa volta do falecido? – Will pergunta, fazendo aspas no ar, me encarando, sério.

—Honestamente não sei – admito, coçando o queixo – Espero e quero crer que seja apenas uma coincidência, que ele não sabe a respeito de minha ligação com ela...Mas vou me preparar para tudo – afirmo.

—Já pensou no que fazer caso Sarah esteja certa? Digo, se não for mero acaso ele ter vindo justamente para Chicago? – questiona, o som de vozes me fazendo abaixar a minha para responder.

—Não, mas com certeza não irei permitir que a magoe – asseguro, levantando ao mesmo tempo que ele, pondo um braço sobre os ombros de Sarah quando para a meu lado – Já dormiram? – quero saber, curioso.

—Não, mas fingiram para nos agradar – Kim responde, sorridente – Confesso que bate uma saudade delas de vez em quando!! – diz, suspirando.

—Eu também sinto – Jay admite, abraçado a minha irmã.

—Podem vir sempre que quiserem. São bem-vindos aqui, sabem disso – digo.

—Pois é. Se não as veem mais é culpa de vocês mesmos – Sarah reforça, ambos fazendo careta.

—Excesso de trabalho – dizem juntos.

—Por falar em trabalho, melhor irmos andando que amanhã todos nós temos hora pra acordar – Will aconselha – Boa noite Sarah, Connor. No vemos amanhã – despede-se, Claire, Jay e Kim imitando-o.

Os levamos a porta, nos despedindo novamente. Em seguida, fechamos tudo e seguimos, abraçados, para nosso quarto, parando para chamar atenção e desejar boa noite as meninas, que ainda conversavam. Já em nosso quarto, trocamos de roupa, indo deitar-nos, comportadamente, depois de verificar que Max dormia tranquilo.

Durante algum tempo conversamos sobre seu pai, Sarah me fazendo prometer mais uma vez não lhe dar qualquer chance de uma aproximação maior.

—Não darei amor, pode deixar – tranquilizo-a, fazendo-a deitar a cabeça em meu peito, afagando seus cabelos até escutá-la ressonar. Demoro ainda algum tempo para conciliar o sono, decidindo que, independente de ele contar ou não, daria um jeito de descobrir se havia algo mais além de buscar tratamento na vinda de Robert Heywood a Chicago. Para isto, teria de contar com ajuda de algumas pessoas.

—Seja lá o que o trouxe aqui, não vai fazê-la sofrer. Não mesmo!!

“....Constantly, boy, you play through my mind like a symphony;

There’s no way to describe what you do to me;

You just do to me what you do;

And it feels like I’ve been rescued;

I’ve been set free;

I am hypnotized by your destiny;

You are magical, lyrical, beautiful you are;

And I want to know, baby;

I, I love you like a love song, baby…”

Notas finais
Até breve. Bjinhos flores