Love Hurts!

30 Fanny days...lazy days...hard days(I)


Notas iniciais
Olha eu aqui de novo! Não falei que iria att mais de uma?! Promessa é divida e como a minha com vocês esta enorme, preciso começar a quitá-la rapidinho, rsrsrsrs. Como expliquei a pouco ao postar IP, nestes dias de carnaval, como ao sou muito de folia de rua e sim folia em casa, em frente a tv e pc, vou aproveitar para att meus bebês. Todas se possível. IP já foi. Agora LH e daqui a pouco mais uma. Por aqui, Connor de volta ao serviço e recebendo, no final do dia, um paciente nada desejado..ao menos para Sarah, Emma com uma novidade que irá deixar Jay e Connor enciumados e Max sendo Max...fofucho!! Aguardo suas rewiews e responderei alguma que possa ter esquecido em breve (podem cobrar no privado!!). Boa leitura. Bjinhos flores P.S: hã....Nada não! kkkkkk

“Someone told me long ago;

There’s a calm before the storm;

I know;

It’s been coming for some time;

When it’s over, so they say;

It’ll rain a sunny day;

I know;

Shinin’ down like water;

I wanna know;

Have you ever seen the rain?

I wanna know;

Have you ever seen the rain?

Comin’ down on a sunny day?...”

Have You Ever Seen The Rain?

Rod Stwart

Chicago Med (terça-feira, 28/8 – 10:18 a.m)

Connor

—Situs Inversus Totalis!! – Will repete com olhos brilhantes igual uma criança que acaba de ganhar o presente que tanto ansiava no Natal.

—Pois é – April diz, arqueando a sobrancelha – Já viram algo assim antes? – pergunta, olhando de mim para ele alternadamente.

—Assim, completo, de todos os órgãos? – questiono, tão entusiasmado quanto ele, ela acenando afirmativamente.

—Nunca!! – respondemos ao mesmo tempo.

—Reconheço que é algo bastante incomum, mas daria para as crianças demonstrarem um pouco menos de entusiasmo e lembrar que trata-se de um paciente em estado relativamente delicado? – Bekker intervém, cruzando os braços ao nos encarar – Podemos nos ater as opções de tratamento a serem expostos para a família? – sugere, com seu habitual jeito pouco amistoso de ser.

—Posso pedir permissão para me alegrar por ter sido Eu a descobrir seu caso incomum?? – Will retruca, o raspar de garganta de April chamando nossa atenção – Digo, nós – corrige-se e rio discretamente.

—Um pouco de apoio seria bem-vindo doutor Rhodes – resmunga e olho-a, sério.

Depois do que aconteceu e principalmente depois da conversa que tivera com Sarah (sem minha presença, evidente), Ava passara a me tratar com extremo profissionalismo e formalidade (salvo em raros momentos) e confesso, estou gostando muito disto. Muito mesmo. Por diversas razões.

—Em minha opinião a solução é o transplante – digo, ignorando seu pedido, ela me contestando, para variar.

—Discordo – diz, Will a interrompendo momentaneamente.

—Qual a novidade? Sempre discorda dele – verbaliza meu pensamento, protegendo-se atrás de mim ante o olhar assassino que recebe.

—Apenas quando acho que Esta errado! – defende-se.

—Então sempre estou errado em sua opinião?? – interrogo, arqueando a sobrancelha.

—Nem sempre, admito, mas neste sim – teima – Podemos tentar uma cirurgia reconstrutora, pôr um stent ou ainda pontes safenas, assim ganharíamos tempo enquanto encontramos um doador compatível – enumera e abro a boca para protesta porém é mais rápida – O transplante resolveria tudo sem dúvidas, mas neste momento não temos como realiza-lo, como bem sabe, e a meu ver o mais importante é tirarmos a paciente da crise, estabiliza-la e ai sim ir em busca de um doador – argumenta.

—E submetê-la a dois ou mais procedimentos ao invés de um único que solucionaria todos os problemas? – questiono-a mais uma vez – Não vejo sentido. Podemos mantê-la interna, a tiramos da crise com medicação, mantemos o monitoramento e vamos em busca do doador – sugiro, encarando-a.

—Simples assim!! – exclama de maneira irônica, estalando os dedos.

—Simples assim – a parafraseio – Ava, sabe o quanto essa garota já sofreu? Tem ideia da peregrinação até finalmente ter um diagnostico definitivo? – interrogo.

—E você tem noção do quão complicado e demorado pode ser encontrarmos um doador compatível não apenas sanguineamente falando mas com o formato certo de coração que possa encaixar-se na cavidade torácica? Isto sem contar a possibilidade de rejeição – devolve, cruzando os braços, resoluta.

—Sabe que sou Team Connor desde criancinha, né?! – ouço Will dizer – Mas devo admitir que desta vez a doutora Bekker está levemente certa – emenda e me volto, o encarando – Não dá pra materializar um doador qualificado do nada! – justifica-se, abrindo os braços.

—Igualmente não dá para garantir que qualquer outro procedimento nos dará tempo de procurar um!! – contesto, decidido.

—Ele também está certo – April pondera, olhando de Ava para mim – E agora? que irão fazer?- pergunta.

—Expor a situação ao Latham e deixar que decida – Bekker diz e balanço a cabeça negativamente.

—Deveríamos deixar a paciente decidir. É maior de idade, está lucida e é completamente capaz de escolher o que quer – retruco, recebendo seu melhor olhar Nazista, como Monique descrevera outro dia.

—Por mais lucida que esteja irá agir pela emoção, sabem bem disso – insiste e sopro exageradamente.

—Detesto ter de bancar o advogado do diabo aqui, mas os dois estão corretos. Então, na minha modesta opinião, ambos, Latham e Britney, deveriam ser informados do quadro geral e de todas as opções que pensaram. Ai juntos podem tomar a decisão – conclui, sorrindo de maneira amistosa.

—E por falar em advogado! – April exclama, indicando algo as minhas costas.

Volto-me, deparando com Benny, que chegava vestido a caráter, pasta em mãos, sorridente como sempre.

—Bom dia meus amigos. Tudo tranquilo por aqui? – pergunta.

—Estamos no setor de emergência. Não existe tranquilidade aqui. Apenas momentos de calmaria – Ava antecipa-se e faço uma careta ante a resposta afiada.

—Então não estão na hora do cafezinho? – meu amigo rebate, bem humorado e preciso me controlar para não rir diante da expressão de tédio dela.

—Vou expor o caso a doutor Latham – Ava avisa, recolhendo o tablete de minhas mãos sem muita gentileza – Há muito a ser feito e ao contrário de uns e outros, não sou uma desocupada que fica por ai, passeando, fiscalizando a vida alheia!! – exclama, encarando meu amigo brevemente, nos dando as costas e saindo.

—Ai!!!

—Eita!! – Will e eu falamos quase ao mesmo tempo.

—Algo me diz que ela não gosta de você! – April opina – Ou será o contrário? – questiona, estalando a língua.

—Vai saber. Essa mulher é bipolar! – Benny exclama, sacudindo a cabeça – Mas deixemos a doutora e seu mal humor crônico de lado, até porque não foi por isto que me abalei até aqui – diz, pondo sua pasta sobre o balcão.

—Não?? – provoco-o, ele olhando-me por sobre as lentes escuras, torcendo a boca num riso torto.

—Não – reafirma, estendendo-me um envelope – Os papeis do seu casamento civil junto com os horários disponíveis caso desejem casar no mesmo cartório aonde foi homologado – avisa, me pegando de surpresa.

—Já? Até que foi rápido – declaro, evitando a Will pegar o envelope antes de mim.

—E foi Apenas por isto que se abalou do centro até aqui? Tem certeza? – é a vez de April provoca-lo e rio, me divertindo com as caretas que faz.

—Não senhorita. De jeito nenhum! – frisa, não dando chance a ninguém contestar – Não foi Apenas por isto que me abalei até aqui!! – imita-a, fazendo com que o encare com as mãos na cintura – Também vim avisar que meu amigo corretor recebeu uma excelente proposta pelo imóvel pertencente a Sarah – conta, me surpreendendo outra vez.

—Uau!! Foi rápido não!? – indago, o movimento na área de triagem chamando minha atenção – Que está acontecendo ali? – questiono, fazendo Will, Benny e April seguirem meu olhar, a surpresa me tomando ao ver Sarah passar entre as portas empurrando o carrinho com nosso filho dentro – Sarah? Que aconteceu? Está tudo bem com Max? – interrogo, vencendo a distância que nos separava num piscar de olhos, agachando-me rápido junto ao carrinho.

—Não aconteceu nada a nosso filho e a propósito, estou bem também! – ouço-a reclama e ergo-me.

—Desculpe amor – peço, lhe dando um selinho – Que faz aqui? Por que não me avisou que vinha? – questiono-a, retirando Max do carrinho quando começa agitar-se.

—Lembrei que havia combinado com Caitlin de iniciar o esquema de vacinação dele hoje depois que saiu – admite, forrando meu ombro com a manta de algodão para que pudesse apoia-lo ali – De qualquer jeito não precisava vir tão cedo então resolvi esperar Larissa chegar pra vir – explica, inclinando a cabeça e sorrindo – Olá Benny, como vai? – cumprimenta, voltando-se para Will e April, que postavam a seu lado – Oi gente. Bom ver vocês! – diz, recebendo o abraço carinhoso de April.

—Bom te ver também – Will diz, sem de fato lhe dar atenção – Oi garotão! É o tio Will, tá lembrado?! – indaga fazendo voz doce – Como você cresceu carinha! – admira-se, afagando as costas de nosso filho, que tenta virar-se ao sentir o toque – Olha isso, já me reconhece!! – exagera e arqueio a sobrancelha.

—Deixa de ser bobo Will! Evidente que não reconhece ninguém. Só reagiu ao toque – April desilude-o, lhe dando um tapa leve – Até porque se fosse reconhecer alguém seria a tia April, não é bebê?! – afirma, praticamente o arrancando de mim – Olha que coisa mais fofa meu Deus! Que sorriso lindo. E estes olhos!? Que lindo!! – elogia, pegando a manta e pondo em seu ombro – Posso leva-lo até onde Nat está? Ela vai ficar louca se souber que Max Meu afilhado veio aqui e não o viu – pede, olhando exclusivamente para Sarah.

—Hello, estou aqui também. O pai!! – não resisto provoca-la, acenando acintosamente.

—Se tem uma coisa que aprendi com minha recente paternidade em tempo integral, é que nós pais sumimos ante a presença de nossos rebentos, não é garotão?! – Benny declara, me surpreendendo, brincando com nosso filho.

—Até tu Benny? – brinco.

—Aceita que dói menos! – rebate e rio mais.

—Então Sarah. Posso? – April repete, fazendo uma careta para mim.

—Pode sim. Ainda tenho uns vinte minutinhos até a Caitlin desocupar – avisa ela, April saindo apressada com Will em seu encalço, ambos parando ao cruzarem com Maggie e Dóris no caminho – Sinto que terei de caçar meu filho pelo hospital inteiro se não quiser me atrasar pra consulta!! – prediz, dobrando a outra manta no carrinho.

—Qualquer coisa acionamos o Earl – digo, puxando-a para um novo beijo um pouco mais demorado.

—Hum, hum...sem querer interromper e já interrompendo...- Benny chama nossa atenção e cesso o contato, nós dois o encarando — Vou aproveitar a feliz coincidência para fazer o que seu noivo iria fazer mais tarde: meu amigo corretor recebeu uma excelente proposta por sua propriedade – comunica, pegando outro envelope menor em sua pasta – Na verdade, que diria irrecusável – acresce, entregando-o a Sarah.

—Já? Foi mais rápido do que esperava – ela confessa, abrindo o envelope.

—Pois é, ele também ficou surpreso, mas parece que a pessoa já conhecia o lugar e havia feito uma proposta ao antigos donos mas foi ignorado, sei lá por que – conta meu amigo, dando de ombros, rindo ao ver a expressão assombrada no rosto de minha noiva – Como disse: irrecusável! – reitera ele, fazendo-me inclinar a cabeça a fim de ler a tal proposta de compra.

—Caramba!! – espanto-me – Vale tudo isto mesmo?? – pergunto, erguendo os olhos para ele.

—Perguntou a pessoa errada amigão!! Não entendo patavinas de mercado imobiliário! – afirma, ainda sorridente – Se quiserem peço a Lenin para que ponha vocês em contato com a pessoa interessada – oferece-se, apoiando o cotovelo ao balcão ao notar nossas expressões de desconfiança – Mas posso adiantar que ele é bem criterioso em suas negociações. Não traria a proposta até você se não tivesse certeza da idoneidade do interessado – assegura – Não te entregou pessoalmente porque me ofereci para trazer já que viria aqui entregar os papeis do casamento a Connor – avisa e cerro o punho, xingando-o baixinho.

—Não duvido diss...OI!?? Falou papeis do casamento? Nosso casamento, é isto?? – Sarah interroga, surpresa, olhando dele para mim alternadamente, a proposta sendo esquecida momentaneamente.

—Então quer dizer que teremos casório em breve, não é!? Que maravilha!! – Maggie anima-se, batendo palmas discretamente – Já vou começar a pensar no vestido!!

—Vestido para que Mags?? – Dóris pergunta, Monique e Sam Abrams, que chegara silenciosamente, fingindo não estarem atentos a conversa.

—Casamento de doutor Rhodes com a doutora Reese! – revela ela.

—Sério? Oba, festa! – Dóris vibra – Posso pensar no meu também? – interroga, olhando-nos, pidona.

—Hã...claro que sim – Sarah responde – Todos podem, evidente, mas ainda não escolhemos a data, não é amor? – avisa, me encarando com cara de “Mesocorreaquiporfavor!!”.

—Isso. Ainda não escolhemos – anuo, limpando a garganta – Na verdade acabamos de receber os papeis pelo Benny aqui e ainda iremos ver as datas disponíveis. Evidente que tentaremos optar por uma em que a maioria consiga estar presente – completo.

—Boa sorte com isso – Sam declara, dando-nos as costas, parando e voltando-se um segundo – Não será nada formal não é? Odeio ternos! – avisa e preciso me segurar para não rir.

—Com certeza não. É casamento civil apenas – Sarah o tranquiliza, enrugando o nariz numa careta graciosa.

—Adoro quando faz isso!! – exclamo, pegando-a de surpresa ao beijar a ponta de seu nariz.

—Connor!! – chama minha atenção, estapeando-me.

—Amor demonstrações adocicadas de afeto. Espera. Não amo não! – Abrams declara antes de nos dar as costas novamente e sair, cumprimentando doutor Charles ao passar por ele.

—Sujeito estranho!! – Benny exclama, rindo.

—Abrams sendo Abrams! – Maggie justifica, dando de ombros – Espera só até a Nat saber da novidade! – Mags vibra, batendo palmas, Daniel enrugando o cenho ao parar junto a nós.

—Qual novidade? – quer saber.

—Connor e Sarah vão casar no civil muito em breve. Doutor Goodman veio trazer os papeis para eles – elucida.

—Ah! Parabéns. E já escolheram os padrinhos?? – toca no assunto que evitávamos desde que cai na besteira de contar ao linguarudo do Will haver pedido a Benny para providenciar a papelada.

—Hã...- titubeio, trocando um olhar tenso com Sarah.

—Ainda não pensamos a respeito doutor Charles – confessa, brindando-o com um sorriso encantador.

—O bom é que não precisa repetir os padrinhos do civil no religioso, caso haja um – faz questão em dizer, piscando para nós – Mags, poderia bipar doutor Choi? Estou com a avaliação que me pediu mais cedo – avisa.

—Doutor Choi precisou substituir doutor Berger, que sairia com os paramédicos hoje, mas apenas agora pela manhã – Mags informa – Depois do almoço deve retorna para o Med e o informarei – avisa, meu paiger soando naquele momento.

—Latham – digo, dirigindo o olhar para ele – Aproveitando, poderia me acompanhar numa conversa com a família de minha paciente e a mesma? – peço – É um caso delicado e precisarão de apoio – conto.

—Certamente – prontifica-se.

—Bom. Amor, será que daria para me esperar? Queria te acompanhar na consulta. Mesmo se formos entrar em cirurgia, acredito que dará tempo, aliás...- olho o relógio em meu pulso, ela adiantando-se.

—Eu sei. Já passaram os vinte minutos e nada da April! – suspira – Sabia que teria de ir a caça dela! – exclama – Vou avisar Caitlin que irei atrasar um pouco...espero – diz, voltando-se para Benny – Doutor Goodman...

—Benny, por favor – interrompe-a meu amigo, erguendo a mão – Pode ir tranquila. Os dois podem na verdade. Já fiz até mais do que pretendia. Quanto a proposta de compra, pedirei que Lenin te ligue o quanto antes e ai vocês conversam e decidem se aceitam ou não – declara, estendendo-lhe a mão – Espero que resgate seu filho logo! – brinca, voltando-se para mim, repetindo o gesto – Boa sorte com sua paciente – deseja-me.

—Obrigado. Por tudo – agradeço, ele despedindo-se de Daniel antes de seguir em direção a saída.

—Nos acompanha amor? Quem sabe encontra a April pelo caminho! – convido.

—Quem sabe! – repete, ajustando a alça da bolsa ao ombro – O envelope...??- indaga, erguendo-o.

—Guarde os dois com você. Em casa vemos com calma – peço, ajudando-a com o carrinho, doutor Charles nos acompanhando.

Quando chegamos ao andar da Pediatria, Sarah despede-se de nós, saindo do elevador, avisando que me enviaria mensagem quando estivesse para entrar no consultório, enquanto Daniel e eu seguimos para a Cardiologia. Ao sairmos do elevador, encontramos Latham e Bekker, seguindo todos juntos até o quarto da paciente.

Após expormos toda a situação bem como as opções a Britney e sua família, os deixamos um tempo a sós a fim de discutirem o que fariam.

—Acha que optarão pela cirurgia? – pergunto a Daniel, Ava adiantando-se.

—Se tiverem um pouco de juízo sim – afirma, escorando-se a ilha do setor.

—Difícil dizer na verdade. Pelo que pude observar, a jovem pareceu-me inclinada ao transplante. Já a família, a cirurgia – comenta ele, passando a mão pelo queixo – Trata-se de uma decisão complicada. Uma trará benefícios duradouros, não havendo rejeição, logico, enquanto a outra um paliativo – compara, Bekker irritando-se.

—Não é um paliativo. A cirurgia pode salvar a vida dela ao passo que ficar esperando um doador que pode levar meses para aparecer irá apenas agravar o quadro – argumenta – Escolherão a cirurgia com certeza! – afirma, me encarando desafiadora.

—Não podemos afirmar isto doutora Bekker – Latham intervém – Assim como não podemos dizer que aguardar um transplante agravara o quadro. É uma decisão complicada posto que qualquer uma envolve risco de morte – pondera, a porta do quarto sendo aberta tão logo termina de falar.

—Já tomamos nossa decisão – o pai de Britney anuncia, pondo-me em alerta.

—Bom – Latham limita-se dizer, tomando a frente ao retornarmos ao quarto – então, o que decidiram? – pergunta assim que todos estamos no interior do cômodo.

—Quero o transplante – anuncia ela – Entendo o risco, sei que pode demorar, que há o perigo de uma rejeição, mas não quero mais soluções temporárias por melhor que sejam doutora Bekker – justifica-se, olhando diretamente para Ava, que sorri amarelo – Estou cansada de passar meus dias em um leito! Quero voltar a estudar, passear com minha família, com meus amigos, poder viajar – enumera, fazendo uma pausa para respirar – Estou ciente que isto pode demorar e não apenas pela dificuldade em encontrar um doador mas por tudo que envolve: rejeição ou não, tempo de recuperação, se irei tomar medicamentos...- faz nova pausa, respirando profundamente – Doutor Rhodes foi bastante franco comigo – garante – Assim como a senhora também foi. Espero que entenda minha opção – conclui.

—Entendo sim – Ava assegura, parecendo conformada.

—Iremos ajustar sua medicação e passaremos a monitora-la constantemente – aviso – Precisamos que autorizem-nos a colocar seu nome e algumas informações no site do hospital, na consulta pública. Isto possibilitara mais pessoas tomarem conhecimento do seu caso e quem sabe, com sorte, encontramos um doador compatível mais rapidamente – informo.

—Estarei rezando para isto acontecer – a mãe diz, unindo as mãos – Um coração compatível e que não seja rejeitado – acresce, esperançosa.

—Muito bem. Doutor Rhodes ajustara a medicação e se encarregara também de pô-la no site após assinar a autorização – Latham avisa – Estaremos, doutor Rhodes, doutora Bekker e eu, a disposição para esclarecer qualquer dúvida ou caso mudem de ideia – informa.

—Também estarei à disposição caso desejem conversar – doutor Charles prontifica-se.

—Muito obrigada – agradece a senhora Stein, sorrindo gentil.

—Ajuste a medicação e ponha um alerta de monitoramento no prontuário. Estarei no consultório – Latham avisa, despedindo-se com um aceno.

—Acabou conseguindo o que queria – Ava comenta enquanto faço o que ele ordenara – Só espero que esteja pronto arcar com as consequências Connor – declara, saindo sem me dar chance responder.

—Parece que a doutora Bekker não ficou muito satisfeita – Daniel comenta, postando-se a meu lado – Ainda às turras por conta do passado recente entre vocês? Melhor dizendo, da falta de um passado – corrige-se fazendo-me rir discretamente ao mesmo tempo em que pego meu celular, que vibrava com a mensagem de Sarah.

—É que ela não gosta de perder, por assim dizer. Nunca – digo, terminando de ajustar a medicação e colocar o alerta de monitoramento continuo no prontuário de Britney, entregando-o a enfermeira chefe do setor – Irei deixa-lo agora Daniel, e ir ao encontro de Sarah. Quero acompanhar a consulta e as vacinas de nosso filho – justifico-me.

—Fique a vontade Connor. Vou aproveitar a calmaria e almoçar. Dê um beijo em ambos, Sarah e Max, por mim – pede, acenando antes de ir embora.

—Mayra, estarei na Pediatria caso precise me encontrar com urgência. Por favor certifique-se de que o monitoramento a senhorita Travis tenha início tão logo seja medicada – peço.

—Pois não doutor Rhodes – responde.

Deixo a cardiologia seguindo direto ao encontro de Sarah.

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Pediatria (11:48 a.m)

Sarah

Ao contrário do que esperava, encontro April relativamente rápido.

Ela e Nat haviam ido até a cresce do hospital para que Owen e Helen, ex sogra (ou sogra dela, sei lá. Nunca sei como chama-la) pudessem conhecer Max.

Ainda conversamos alguns minutos antes de ir para o consultório de Caitlin Harris.

—Oi Susan, desculpa o imenso atraso! – desculpo-me assim que entro na sala.

—Tudo bem doutora Reese. A doutora Harris também teve um imprevisto. Ainda está atendendo a consulta anterior a sua. Estava entrando agorinha para ajudá-la com a ultrassom – tranquiliza-me – Pode sentar que já, já será atendida – avisa, entrando no consultório.

Faço o que sugeriu aproveitando para enviar uma mensagem a Connor avisando-lhe de que teria uns dez minutos no máximo se estivesse livre para vir e passar uma vista na proposta de compra do prédio.

A pessoa interessada dizia representar um grupo que cuida de condomínios verticais e conforme Benny Goodman dissera, já havia feito uma proposta algum tempo atrás que fora rejeitada pelos então proprietários, o que somente aumentou minha desconfia e desconforto em relação ao valor oferecido. Tenho certeza de que os Mitchel Jamais iriam recusar um valor tão alto.

—O que há por detrás dessa proposta? Porque essa sensação de que tem algo errado ou no mínimo suspeito ai?? – murmuro, relendo novamente a fim de ver se algo passara-me despercebido – Herman & Herman imobiliária. Nunca nem ouvir falar. Se bem que isto não quer dizer nada – pondero, dando atenção a meu filho, que resmungava baixinho, mexendo mãos, pés e a boca, como se mastigasse algo, provocando bolhinhas de ar e cuspe ao soprar, me fazendo rir feito boba.

—Ele tá fazendo bolhinhas né?!! – ouço Connor pergunta e volto o rosto em sua direção, ganhando um selinho quando inclina-se sobre o carrinho – Adoro quando faz isso! – declara, rindo também – Estava recendo a proposta? – pergunta, ao notar a folha em minhas mãos – Parece boa demais pra ser verdade – da voz ao que estivera pensando – Esta desconfortável com algo? – questiona-me, sentando-se de frente para mim.

—Além do valor no mínimo exorbitante? – devolvo, suspirando – Não sei bem o que é, mas algo me incomoda – admito – Não sei se é apenas o valor ou se é por ter dito que manteria os inquilinos. Logico que não gostaria de ver todos despejados, mas deve admitir que é estranho – enumero, a saída da paciente adiando sua resposta.

—Podem entrar – Susan convida, postando-se lado para nos dar passagem.

Guardo o envelope sob o carrinho enquanto Connor levanta-se antes de mim, pega a bolsa do bebê e se posiciona atrás do carrinho.

—Deixe que o levo amor – prontifica-se, sinalizando para que fosse a frente e o faço, ele seguindo-me de perto.

—Olá pais, como estão? E este rapazinho, como está? – Caitlin pergunta, indo a nosso encontro – Mais seguros nas tarefas diárias com o bebê? – quer saber, sentando-se por detrás de sua mesa ao passo que fazemos o mesmo da cadeiras a sua frente.

—Bem mais – dizemos em uníssono.

—Devo reconhecer que os tutoriais da Nat juntamente com Mags , April e os rapazes tiveram sua parcela de ajuda nisso – admito, sorrindo ao lembrar dos vídeos – O restante veio com a rotina, o dia a dia mesmo – conto.

—Era aprender ou aprender, sem chance de errar! – Connor brinca, pegando-o pois já começava a reclamar por estar deitado.

—Uhum. E pelo que ouço e vejo ele já está dando as ordens no pedaço não é?? – brinca ela – Mas lembrem do que falei lá atrás: tenham cuidado para dosar esse controle ou não farão nada além de correr cada vez que ouvirem um resmungo – relembra, arqueando a sobrancelha ao notar que ambos ficamos vermelhos – Deixa adivinhar: já está acontecendo! – exclama, entrelaçando os dedos ao nos encarar, séria.

—Mais ou menos – assumo por nós dois – Estamos nos controlando, juro – asseguro.

—No começo era bem assim mesmo. Até acordá-lo sem necessidade acordei só porque não conseguia ver o movimento característico do subir e descer característico do respirar – Connor assume e espremo os lábios para não rir – Ela quase me esganou porque havia acabado de conseguir fazer com que ele dormisse – exagera.

—Não tinha exatamente acabado. Havia um tempinho. Tinha conseguido tomar um banho demorado – defendo-me – Fiquei brava porque ele acordou Max sem necessidade e como anda bem madrugador e notívago, quando faço-o dormir durante o dia é uma vitória! – justifico-me – Aliás, conforme você e April alertaram, ele anda bem menos dorminhoco – reclamo, fazendo bico.

—É natural. Está crescendo e a tendência é seus horários mudarem. Irá retornar ao trabalho mês que vem não é? – questiona e confirmo.

—Sim. Terceira semana – especifico.

—E já decidirem como será? Se vão deixa-lo com uma babá ou num berçário? – quer saber.

—Nos dois primeiros de retorno dela pretendemos deixa-lo com a babá que minha irmã nos convenceu contratar. A partir do terceiro ou quarto poremos num berçário até porque sequer tivemos tempo de pesquisar nada referente a isto – Connor informa – Acha que faremos bem? Seria melhor ir direto ao berçário? – questiona-a.

—Pensando a nível de futuro sim. Mas como o Max é um prematuro, ficar um tempo sob cuidados mais, digamos, personalizado, fará bem desde que orientem-na a no que se refere a horários – diz, olhando-nos alternadamente – Aconselho que aproveite estes últimos dias de licença Sarah, para ver berçários com ou sem o Connor. Evidente que se os dois puderem ir será infinitamente melhor, mas se não der não façamos disso um drama – brinca outra vez – Definam juntos os critérios que desejam para o local, pesquisem, procurem por depoimentos de pais e coisas assim. Quando decidirem, procurem conhecer o ambiente com antecedência e saber como funciona. Sei que não precisaria ne estar dizendo isto a vocês mas é sempre bom reforçar – diz em tom de desculpa.

—E agradecemos por isto. Algumas coisas que citou já havíamos pensado, mas outras não. A questão do funcionamento por exemplo, sequer passou por nossa mente – confesso, Connor fazendo coro.

—Verdade – anui, fazendo uma careta ao sentir Max sugar seu dedo mínimo com mais força – Parece que alguém está ficando com fome!! – exclama.

—Não. Não estou sentindo nada – comento, apalpando meu seio – Só se ainda vai vazar – digo.

—Neste caso melhor iniciarmos a consulta – Caitlin declara, pondo-se de pé – Vamos pesar este mocinho antes de aplicarmos as vacinas. Hoje aplicaremos três . A segunda dose contra Hepatite, a primeira contra Influenza tipo B e a contra o rotavirus. Daqui duas semanas, antes de você retornar ao trabalho, aplicaremos as demais que precisam de mais de uma dose e seguiremos a sequência normal do calendário de vacinas – avisa – Vou pedir a Susan que preencha a carteira de vacinação enquanto o pesamos – diz, acionando o botão e falando com a enfermeira que a auxilia.

Em seguida, nos pomos os três de pé. Acompanhamos Caitlin até a sala de exames onde pesamos Max. Ele ganhara mais um kilo e setecentas gramas. Estava com quase quatro agora e apesar de me assustar (não parecia estar tão gordinho) ela me tranquilizou que estava dentro do esperado. A seguir ela toma as medidas do crânio e altura. Tudo dentro do normal, o que agradeço mentalmente. Somente então partimos para a vacinação propriamente dita.

Para nossa surpresa, Max não chorou. Limitou-se apenas resmungar. Após nos entregar a carteira de vacina devidamente preenchida, Caitlin passa as recomendações em caso de haver alguma reação bem como os cuidados no local das aplicações. Mais algumas recomendações e dar por encerrada a consulta, pedindo-me para agendar o retorno dentro de duas semanas conforme orientara no início.

Nos despedimos, saindo juntos para o corredor, o assunto padrinhos de casamento vindo à baila enquanto aguardávamos a chegada do elevador.

—Teremos de escolher o quanto antes. Não quero deixar para a véspera do casamento. Não fara bem a ninguém — argumento, ajeitando a manta sobre Max – Mesmo não sendo uma decisão fácil, precisamos toma-la – concluo, entrando no elevador antes de Connor.

—Eu sei amor – concorda, recostando-se na parede do fundo – O que usaremos como critério para a escolha? – pergunta, me puxando para mais perto de si.

—Não faço a menor ideia mas teremos de pensar em algo – confesso, envolvendo seu pescoço com os braços – Talvez devamos apenas escrever os nomes em papeis e sortear, assim não corremos o risco de magoar ninguém – argumento fazendo-o rir.

—Até que a ideia não é de todo ruim – diz, enrugando o nariz numa careta ao som de seu paiger – O dever me chama – suspira, olhando a tela do aparelhinho.

—Latham? – pergunto, enroscando os dedos na cabeleira espessa.

—Uhum, uhum. Mags – responde, suspirando – A verdade é que desde que tomei a decisão de te pedir em casamento há apenas uma pessoa que vejo como meu padrinho: Will – revela – O problema é que agora parece que mais pessoas se veem na mesma condição, com certa razão, e como igualmente não pensei em mais ninguém como madrinha além de Natalie, terei um problema em minhas mãos se convidar outra pessoa – dramatiza...um pouco já que me sentia exatamente do mesmo jeito em relação a Jay – Bom, ainda temos algum tempo para resolvermos isto. Espero – declara, me ajudando a sair tão logo as portas abrem.

Seguimos direto para a ilha principal de enfermagem na emergência, Maggie não dando-nos tempo dizer nada quando nos aproximamos.

—Paciente vitima de atropelamento chegando em estado gravíssimo. Pode ir direto para Bagdá – anuncia, apontando diretamente para Connor.

—Sim senhora! – exclama ele de imediato, já calçando as luvas de procedimento, tocando a fronte com dois dedos, a chagada da ambulância chamando nossa atenção – Até mais tarde amor – despede-se, me dando um beijo curto antes de correr ao encontro da maca.

Sigo-o com o olhar, a lembrança da primeira vez que o vi vindo a memória. Sua agilidade e precisão haviam chamado minha atenção, evidente. Mas não dá pra negar que a beleza também o fizera.

Havia vários médicos bonitos no Med. Will era um deles. Mas Connor era....Connor!!

—Espero encontrar alguém que me olhe e olhar para este mesmo alguém exatamente como vocês se olham! – escuto o comentário seguido do suspiro e volto-me, deparando com uma jovem de origem nipônica me observando.

—Enquanto não realiza seu desejo, sugiro levar seu traseiro universitário até trauma três e ajudar doutor Halstead!! – Mags ordena, a moça obedecendo num estalar de dedos.

—Quem é Mags? – pergunto, curiosa.

—Uma estagiaria solitária que foi, como disse o troll, “empurrada goela abaixo no meio do ano” por ser afilhada de alguém na diretoria – conta – Tirando o fato de ser meio avoada, até que é bem capacitada. E rápida! – acresce, imitando o jeito da jovem andar, fazendo-me rir – Hum, se fosse você me apressava. Parece que alguém está com fome – alerta-me no instante em que sinto a umidade em meus seios.

—Ai droga! Devia ter posto mais toalha absorvente – resmungo, afastando e sacudindo o tecido fino de minha blusa a fim de diminuir a umidade – Acho que não vou esperar até em casa, Mags. Posso usar a sala de repouso para amamenta-lo? – interrogo, escutando os primeiros resmungos de Max.

—Mas é claro. Venha, vou te ajudar a levar as coisas para lá – prontifica-se, segurando a bolsa enquanto empurro o carrinho, ajudando-me entrar na sala – Prontinho. Fique o tempo que precisar – pisca, saindo tão logo me acomodo em um canto mais discreto.

Ponho-me confortável, abro a blusa, limpo meus seios com o lenço umedecido e pego meu filho, posicionando-o em meus braços. Com o passar dos dias aprendi qual posição ficava melhor para ele pegar meu seio, eliminando a ansiedade inicial. Apesar da dor que ainda sentia, devo admitir que era um dos melhores momentos de meu dia. Não me cansava de observa-lo sugar meu peito primeiro com avidez, depois, ao perceber que não teria seu alimento tomado, com calma e serenidade. Não era raro que adormecesse enquanto mamava.

—Ele é lindo – ouço e somente então me dou conta da presença de Ava – Muito lindo mesmo. Estão de parabéns – cumprimenta.

—Obrigada – agradeço, encarando-a um segundo, notando uma sombra de tristeza em seu olhar antes que se afastasse – Vai sair? – não resisto perguntar ao vê-la pôr seu casaco.

—Doutor Choi solicitou a presença de um cardiologista em campo e como Connor está ocupado...- explica, abrindo os braços – Até qualquer hora Sarah – despede-se, não esperando resposta.

—Até – respondo assim mesmo, olhando o vazio por um segundo, dando atenção a meu filho quando o sinto soltar meu peito.

Rapidamente o coloco apoiado em meu ombro até ouvi-lo arrotar baixinho. Em seguida o ponho no carrinho, me recomponho, pego a bolsa, vou até a porta e aceno para Maggie avisando que usaria a outra siada pra ir embora.

Durante o trajeto até em casa reflito sobre a proposta, tomando uma decisão: iria aceita-la. Não havia porque não o fazer. Ainda assim iria tentar saber um pouco mais sobre os compradores.

—Quem sabe assim espanto essa sensação de que há algo errado – murmuro para mim mesma, estacionando em minha vaga na garagem, subindo, ainda pensativa, para nosso apartamento.

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Apartamento Connor e Sarah (21:10 p.m)

Narrador

—Sério que considerou não aceitar a proposta?? – Claire pergunta, ninando o sobrinho enquanto Sarah distribui a sobremesa dentro das taças – Por que? – inquire após a médica confirmar com um aceno de cabeça.

—Honestamente não sei dizer Claire. Foi apenas uma sensação de que algo não estava certo – admite ela, apoiando ambas mãos na borda da mesa, refletindo um segundo antes de prosseguir – Ainda tenho essa sensação pra ser franca. Sabe quando você presente que vai chover mesmo não tendo nenhuma nuvem no céu? – questiona-a, não esperando resposta – É exatamente assim que sinto.

—Sarah e seus pressentimentos! – Kim exclama, dirigindo um olhar divertido a amiga – É assim desde que a conheço. Certa vez nos fez perder um passeio ao museu porque tinha certeza de algo ruim aconteceria aquele dia – relembra, a médica enrugando o nariz numa careta engraçada.

—E aconteceu? – Claire quer saber, olhando de uma para outra alternadamente.

—Evidente...que não!! – Kim responde, dando um meio sorriso.

—A não ser que considere receber nota baixa algo ruim – Jay contesta, desviando o olhar da folha de papel em suas mãos, encarando as três mulheres – Pelo que entendi eles não pretendem desapropriar os moradores, não é? – questiona.

—Não. Pretendem manter tudo exatamente como está por hora – confirma Sarah, entregando as taças com sorvete a Claire e Kim, estendendo os braços para que a futura cunhada lhe entregasse o filho – Emma e Marina, a sobremesa está servida – chama, as duas meninas deixando os livros de lado e vindo correndo – Sem correrias, já pedi isso quantas vezes?? – ralha, acomodando melhor o filho em seus braços – Tem calda e pedaços de frutas para colocar por cima se quiserem – avisa.

—Ainda tem gotinhas de chocolate? – Emma pergunta, cobrindo parte do sorvete com calda de morango.

—Tem. Jay , poderia pegar pra mim por favor? Está naquela porta ali – indica, sentando-se, servindo-se.

—Voltando ao assunto proposta de compra, o que te fez mudar de ideia? – Kim pergunta, abrindo a boca ao ver a quantidade de coisas posta por Marina dentro da taça – Mama, eu tenho uma péssima noticia pra você. Acaba de matar seu sorvete afogado em calda de chocolate, pedaços de frutas e sei lá mais o quê que pôs ai!! – brinca, a menina rindo divertida.

—O corretor me ligou, nos conversamos e ele me passou confiança de que não havia nada de ilícito por detrás dessa compra – explica – Acertei os detalhes, ele ficou de me enviar o contrato de venda até amanhã e dai é só assinar e eles depositarão me minha conta – informa, dando atenção ao filho, que ressonava.

—Bom que vai poder fazer tudo que planejou e muito mais – Claire comemora – Mudando de assunto, já tiveram tempo de escolher a data do casamento? – quer saber.

—Não, apenas lemos os papeis – conta – E também não decidimos a questão dos padrinhos – completa.

—Sério que Connor tá cogitando alguém além de Will para ser o padrinho dele? – Jay solta, retorcendo-se ao receber o beliscão de Kim – Ai,ai!! Isso doeu – reclama, esfregando as costelas – Caramba Kim, vai ficar roxo! – resmunga.

—Dramático!!! – responde a detetive, levando uma colherada generosa de sorvete a boca – E você, já se decidiu? – quer saber, curiosa.

—Evidente que serão você e Jay – declara a médica – A menos que não queiram e lógico, se Claire e Adam não ficarem chateados – condiciona ela, estranhando a careta da amiga – O que foi Kim? Não me diga que andaram discutindo? – interroga.

—Tá, não digo! – exclama a detetive, deixando-a boquiaberta – O quê?? Adam é um idiota quando quer e sabe disse. Não é a primeira nem será nossa última briga com certeza...isto é, enquanto nos aturarmos mutuamente – argumenta, tomando mais um pouco de sorvete.

—Este é um dos motivos que não acho legal convidar casais para serem padrinhos de qualquer coisa e não me importo não – Claire avisa, fazendo Jay arquear a sobrancelha ao encara-la.

—Como assim? Quer dizer que não gostaria de ficar a meu lado no altar? – questiona-a.

—Não seja bobo Jay. Adoro ficar a seu em qualquer lugar! – rebate a empresaria, aplicando-lhe um selinho – O que quis dizer é que quando se convida casais há sempre o risco de o relacionamento acabar, nem sempre de maneira amigável, e ai se cria toda uma situação constrangedora, tipo, ter de convidar os dois para eventos em família, como festas de aniversario e tal. Fica o maior climão na maioria das vezes – discursa ela – Sei que amizades igualmente podem terminar mal, mas vamos combinar que é bem mais fácil de lidar do que com o final de um namoro, noivado ou casamento – argumenta.

—Faz sentido – Kim pondera, sacudindo a colher – Então se for levar em conta esta teoria, Will e Nat tá fora de cogitação como padrinhos do Connor. Vivem tão ou mais as turras que eu e Adam – compara.

—Bom, eu sei que certamente não será isto que fará Connor não convidar aos dois – Sarah avisa, voltando sua atenção para o hall de entrada no momento em que escuta a porta ser aberta, Connor surgindo segundos depois – Oi eu amor. Demorou. Algum problema com a paciente? Mudaram de ideia no que se refere a esperar um doador? – quer saber, sorrindo ao ganhar um beijo casto.

—Não, não mudaram. A demora foi porque precisei avaliar um paciente que me foi encaminhado de última hora – explica, beijando o topo da cabeça do filho e logo a seguir das meninas – Hum, alguém matou o sorvete afogado! – comenta, abrindo a boca para receber a colher que Marina lhe oferecia.

—Vou esquentar seu jantar. Fiz lasanha de legumes – avisa, entregando-lhe o filho, indo até o micro-ondas.

—Connor, agora que chegou, posso perguntar uma coisa? Uma não, duas! – Emma pede, corrigindo-se rapidamente.

—Claro gatinha – anui o cirurgião, aceitando mais sorvete.

—Amanhã vai estar de folga? – quer saber.

—Uhum, vou sim – confirma, ninando o bebê.

—Então...- começa a dizer a menina, apertando as mãos, nervosa – Será que alguns amigos poderiam vir aqui para estudarmos juntos? – pergunta.

—Lógico. Emma, já disse isso antes e repito: está é sua casa – ratifica, sentando-se com o filho no colo.

—Quem são? – Sarah pergunta, pondo prato, tigela e talheres a frente do noivo – Claire, poderia pegar um copo e suco por favor? – pede, a jovem atendendo-a.

—Samantha e Samuel, Eloise e Raymond – enumera.

—Emma tá namorando! – Marina catarola, rindo e brincando com o restante do sorvete, a irmã corando intensamente.

—Por que não ouvimos um “Não o não”!? – Jay pergunta, arqueando a sobrancelha.

—Ia fazer a mesma pergunta – Connor corrobora, entregando o bebê a Sarah, aguardando a resposta da menina.

—É porque é verdade – responde ela – Ray me pediu em namoro e aceitei – revela – E espero que vocês não impliquem com ele por causa disso tio Jay e Connor. Ray é legal e gosto dele – avisa.

—Contanto que o moleque se comporte prometo manter meu bisturi longe dele! – condiciona o cirurgião, ganhando dois tapas simultâneos da noiva e da irmã.

—Digo o mesmo de minha arma – Jay corrobora, ganhando o mesmo tratamento de Connor – Não acha que é cedo pra namorar gatinha? – questiona-a, esquivando-se do beliscão de Kim.

—Tenho dez anos tio Jay. Queria que namorasse com que idade? – interroga, não o deixando responder – Esquece, não quero saber – diz, sacudindo a cabeça – Olha só, eu gosto do Ray e ele de mim então se Vocês gostam de mim pelo menos um pouquinho assim – usa os dedos para indicar o que dizia – Não vão pegar no pé dele tá!! – chantageia.

—Eita, pegou pesado gatinha! – Jay exclama.

—Pode deixa, não iremos perturbar o ...garoto – Connor responde, ganhando um beijo e um abraço da menina, gesto que repete com Jay.

—Obrigada. Amo vocês dois!! – declara, soltando-se do detetive – Vou guardar minhas coisas e avisar a eles que podem vir – avisa, ameaçando correr, parando, andando a passos rápidos em direção a sala.

—Não vamos perturbar muito – Connor acresce baixinho, tocando a mão de Jay no ar.

—Sério? Dois marmanjos planejando contra um garotinho?? – Kim questiona, estapeando a nuca de Jay.

—Basta ele se comportar que não terá problemas – condiciona o detetive.

—Gente, é um namoro de criança! Que mal pode haver? – Claire interroga, abrindo os braços.

—Namoro de criança era no Nosso tempo maninha. Hoje em dia ...

—Hoje em dia continua igual e vamos dar o assunto por encerrado – Sarah apressa-se dizer, indicando Marina com o olhar, a conversa retornando ao tema padrinhos de casamento e proposta de venda, a médica contando ao noivo sua decisão em vender.

Cerca de quarenta minutos depois de Connor haver chego, Kim, Claire e Jay despendem-se, indo embora.

—Que pensa a respeito do que Claire disse? Sobre convidar casais? – Sarah pergunta, sentada na cama após terem posto as meninas para dormir, dando uma espiada no berço a fim de verificar se o filho dormia, espalhando o hidratante nas pernas.

—Não deixa de ter alguma logico. Mas como vou convidar um sem o outro? Não dá. Ao menos não no atual momento – Connor responde, recostado ao batente do banheiro, observando-a – Eu não gostaria que fizessem isto comigo portanto não farei justamente com ele. Farei o convite e eles decidem – diz, sorrindo de maneira charmosa – Está cansada? – pergunta de repente, caminhando em direção a cama sem desviar os olhos dela.

—Um pouco – responde, distraída, rindo e encolhendo-se ao sentir a caricia suave no pescoço.

—Um pouco quanto? – pergunta junto a pele fazendo-a arrepiar-se.

—Um tantinho assim! – responde, demonstrando com os dedos o que dizia, recostando a cabeça, voltando o rosto para receber o beijo ardente, o alerta repetido de mensagem no celular dele quebrando o clima, fazendo ambos suspirarem.

—É bom que seja importante – bufa Connor, pegando o aparelho, fazendo-a rir pequeno.

—O que foi? – Sarah pergunta ao ver a expressão séria no rosto dele – Algo errado?

—Não, não. É o histórico do paciente que me foi encaminhado, o senhor Haywood – informa, a médica paralisando.

— O que disse? – pergunta, encarando-o – Qual nome do paciente?- quer saber.

—Haywood. Robert Haywood – repete Connor – O conhece? – questiona ante a expressão de incredulidade da noiva – Sarah, conhece meu paciente? – reinquire, tenso.

—Sim. É meu pai!...

Continua...

“....Yesterday and days before;

Sun is cold and rain is hot;

I know;

Been the way for all my time;

‘Till forever, on it goes;

Through the circle, fast and slow;

I know;

I can’t stop, I wonder;

I wanna know;

Have you ever seen the rain?

I wanna know;

Have you ever seen the rain?

Comin’ down on a sunny day?”

Notas finais
I wanna know: have you ever seen the rain coming down on a sunny day? Até breve. Bjinhos flores