Notas iniciais
Olha quem está de volta após quinze dias pontualmente!!!! Ao menos aqui, rsrsrsrs. Oi flores, boa tarde! Apesar de meus esforços me atrasei de novo. Em duas fics se não me engano. Pelo menos aqui e em IP manterei o cronograma. Por que nelas e em outras não?? Honestamente não sei responder! As vezes os capítulos surgem na mente prontinhos, precisando só de alguns ajustes. Já outras precisam de vários ajustes e de tempo de amadurecimento, coisa meio difícil para mim recentemente. De qualquer maneira, estão no forno, prestes a sair. Portanto, quem acompanha as demais não entre em pânico, serão att o mais rápido que está mente louca e estes dedos não tão ágeis conseguirem finaliza-los ok?! Ah e evidente quando minha internet permitir. Falando nisso, pode ser que no inicio do próximo mês fique "fora do ar" pois vamos trocar o provedor. Avisos dados (quase todos) vamos ao que interessa. Por aqui, Connor e Sarah tendo um susto básico, Benny preparando o terreno para o processo e Ava sendo...Ava! Grata por todas as rewiews passadas.....More rewiews, please...Boa leitura...Bjinhos flores. P.S : para quem não está acompanhando a terceira temporada, os dois casos citados aqui se passaram nos Eps 7 e 8 respectivamente. As informações de Charles vieram dessa fonte

“I’ve been awake for a while now;

You ‘ve got me feeling like a child now;

‘Cause every time I see your bubbly face;

I get the tingles in a silly place;

It starts at my toes and crinkle my nose;

Wherever it goes I always know;

That you make me smile…”

Bubbly

Colbie Cailat

Apartamento de Connor (segunda-feira, 27/3 -05:10 a.m)

Connor

Abro os olhos ao sentir o toque suave em meu rosto enquanto mãos delicadas passeiam por meu cabelo. Suspiro deixando um sorriso bobo brincar em minha face.

—Bom dia meu amor! – sussurra em meu ouvido – Pode ficar deitado mais um pouquinho, mas me libera porque tenho que coletar material para os exames que a Harris pediu – Sarah pede, me dando um beijo estalado.

—Humm, se sair agora, a cama vai ficar muito fria! – resmungo, me aconchegando a seu corpo, sentindo o vibrar da pele quando ri.

—E se não sair vai ter que se entender com minha obstetra – lembra, dando duas tapinhas em meu ombro, retirando meu braço de sua cintura, vestindo o robe de cetim antes de levantar caminhando em direção ao banheiro, fechando a porta após entrar.

Estico braços e pernas, movendo o corpo preguiçosamente, o movimento fazendo o lençol deslizar para o lado revelando uma mancha no lençol que fora a cama sob minha perna esquerda.

Franzo o cenho inclinando-me para ver do que se trata no exato momento em que escuto Sarah gritar.

—CONNOR!

Levanto de um salto, quase caindo ao tropeçar no lençol, abrindo a porta de forma atabalhoada, estancando a sua frente, seu olhar aflito oprimindo meu peito.

—O que foi? – questiono, baixando a vista para sua mão úmida com... – Sangue! Está sangrando? – aflijo-me, ajoelhando a sua frente, as mãos indo automaticamente para a parte interna de suas coxas, examinando-a.

—Não...Acho que não – titubeia – Sentei para coletar a urina e quando vi o potinho e minha mão me assustei – explica, mostrando o pequeno deposito contendo o liquido levemente marrom, caracterizando a presença de sangue.

—Está sentindo dor, alguma contração? – pergunto, esquecendo minha nudez ao sentar no chão a fim de examiná-la melhor – Não me parece haver sangramento, pelo menos não corrente – informo, intrigado.

—Ligue para Caitlin, por favor– pede e anuo com um gesto de cabeça, levantando rápido, retornando ao quarto para pegar o celular, aproveitando para vestir o short do pijama.

Sento novamente no chão a sua frente entregando-lhe o aparelho já discando o número de sua obstetra, pondo na viva voz, ela atendendo após o terceiro toque.

< Alô!? >

—Doutora Harris, Caitlin, bom dia. Desculpa incomodá-la tão cedo – pede, mordendo o lábio insegura – Aqui é Sarah...Reese... Sarah Reese – identifica-se, nervosa.

< Não é incomodo nenhum, querida. Algum problema? > pergunta.

—Eu sangrei – responde direta – Não parece ter sido um sangramento grande, mas sangrei. Minha urina esta turva e há sangue coagulado na parte interna de minhas pernas – conta.

—Tem uma mancha sobre o colchão, não muito grande, ao que parece – aviso.

< Pode verificar, por favor, doutor Rhodes? > Harris pede e levanto indo fazer o que pedia enquanto ela segue conversando com Sarah < Está sentindo ou sentiu alguma dor durante a noite? A dor a que me refiro seria mais localizada, na parte baixa da barriga, algo parecido com contrações > explica.

—Não, nada – responde, olhando-me interrogativamente.

—É uma mancha bem pequena doutora Harris – informo, ficando de joelhos novamente.

< Do tamanho de...?> quer saber.

—Pouco maior que uma moeda de cinqüenta cents, mais para marrom do que para vermelho vivo. Não me parece sangue puro – digo detalhadamente.

< Uhum..entendo...Tiveram relações ontem? Em caso de resposta afirmativa, sentiu algum incomodo Sarah, uma ardência, por exemplo, mínima que seja? > questiona.

—Sim para as duas perguntas– informa, enrugando a testa – Agora que falou, tenho sentindo uma ardência discreta algumas vezes, não sempre.

< Há quanto tempo, lembra? > quer saber.

—Acho que começou a uns quinze dias, pelo que lembro– revela.

—Por que não me disse? – ralho.

< Porque geralmente associamos ao ato sexual doutor Rhodes > Harris responde por ela, prosseguindo < Bom, pelo que estão me dizendo, e pela relativa calma em suas vozes, presumo que não esteja sentindo nenhuma dor nem sangrando correto? >

—Sim – respondemos ao mesmo tempo.

< Ok. Última pergunta: sentiu a mesma ardência quando foi urinar alguma vez neste mesmo período? > questiona e ambos entendemos aonde quer chegar.

—Acha que posso estar com infecção urinária Caitlin? – Sarah pergunta direta.

< Muito provavelmente > responde < Não precisa se assustar nem ficar pensando que está fazendo algo errado. Não está. É mais comum do que pensa acontecer, por isso quis repetir seus exames. Evidente que não queremos nenhuma infecção, mas não é nada para perderem o sono > tranquiliza-nos < Conseguiu coletar o material para os exames? >

—Consegui. Um de madrugada, o outro agora, como já deve ter desconfiado – Sarah informa, rolando os olhos e batendo com a palma da mão na testa me fazendo rir baixinho.

< Certo. Traga-me e se quiser podemos conversar mais um pouco > sugere, corrigindo-se em seguida < Se ambos quiserem >

—Levarei. Muito obrigada Cait e desculpa ter ligado tão cedo. Fiquei assustada quando vi o sangue em minha pele – assume, enrugando o nariz numa careta engraçada.

< Tudo bem minha querida. Mesmo sendo médicos, são marinheiros de primeira viagem e como já teve aquela ameaça de aborto é natural se sentirem temerosos. Podem ligar quando quiserem. Até daqui a pouco > despede-se.

—Até Caitlin e mais uma vez me desculpa o incomodo – repete, desligando logo a seguir – Que vergonha! – exclama, tapando o rosto com uma mão – Dois médicos tendo um ataque por conta de uma machinha de sangue – minimiza e rio, fechando o pote de exame pondo-o sobre a pia.

—Dois médicos que serão pais, em breve, pela primeira vez, como ela bem lembrou, não esqueça – pontuo, levantando – Quer ajuda? – pergunto, estendendo-lhe a mão.

—Para o banho? Não precisa, estou bem – garante, levantando com minha ajuda, pondo o potinho dentro de uma sacola – Leve isto para fora, por favor, e ponha as requisições dentro. Vou tomar um banho extra caprichado e já te ajudo com as meninas e o café da manhã – pede, me dando um selinho.

—Ok. Se precisar é só gritar....de novo –não resisto provocá-la, contorcendo-me por conta do beliscão recebido – Ai, ai! Isso dói! – reclamo, esfregando o local – Vou retirar a roupa de cama e depois irei ver as meninas — aviso, roubando um beijo antes de retornar ao quarto.

Retiro os cobertores verificando quais estavam manchados optando por trocar tudo independentemente. Tiro as fronhas, enrolo-as com os lençóis e jogo aos pés da cama, indo até o guarda roupa pegar um jogo novo.

—Sarah, Connor, acordei! – a voz sonolenta de Marina avisa fazendo-me parar e ir até a porta, abrindo-a, deparando-me com a pequenina esfregando os olhos agarrada a uma das bonecas que minha irmã lhe dera.

—Bom dia coelhinha – digo, me agachando, pondo-a nos braços, notando a aproximação de Emma – Bom dia princesa. Dormiu bem? – pergunto, recebendo com um meneio de cabeça afirmativo enquanto se espreguiça e boceja – Sarah está no banho. Querem se juntar a ela? – pergunto.

—Quero – respondem ao mesmo tempo.

—Ok. Vamos lá — chamo, aguardando Emma entrar antes de seguir para o banheiro, batendo de leve na porta entreaberta – Amor, as meninas acordaram e querem tomar banho com você, pode ser? – pergunto.

—Sim. Deixe-as entrarem – libera, completando – Pegaria as toalhas?

—Sim – respondo pondo Marina no chão, esperando-as entrarem para fechar a porta, levando a boneca de Marina comigo.

Corro até o quarto delas, pego duas toalhas e dois roupões, retorno a nosso pensando se seria adequado tirar a cama que Sarah usava antes do local para abrir mais espaço.

—Toalhas e roupões – aviso, entrando sem olhar para o box para evitar deixar Emma constrangia – Sarah, o que acha de retirarmos aquela cama do quarto das crianças? Está apenas ocupando espaço mesmo – sugiro, sua demora em responder fazendo-me voltar o rosto para o box – Sarah? – chamo, olhando em seu rosto.

—Acho bom esperarmos um pouco — responde, me frustrando – Não pretendo voltar para lá – lê minha expressão, rindo – Só pensei que pode ser útil quando Max nascer. Posso querer dormir com ele a tarde e lá é bem ventilado, não que nosso quarto também não seja, mas...

—Não precisa se explicar meu amor, entendi – garanto, cortando-a, piscando – Que tal trocarmos por uma menor assim sobra mais espaço para o berço, a banheira e as meninas também ganharão espaço extra para brincar, o que acha? – questiono, apoiado a pia, não resistindo à tentação, correndo os olhos por seu corpo molhado, detendo-me na barriga que acariciava um sorriso bobo tomando meu rosto outra vez.

—Pode ser. Vemos isso depois, ok? – pergunta, espirando água em meu rosto, rindo quando me assusto.

—Ok – anuo, saindo ainda com o riso grudada na cara.

Vou ao guarda roupa, escolho um novo jogo de cama e começo a forrá-lo na mesma. Estou terminando de colocar as fronhas quando saem cada uma com um roupão diferente.

—Não trouxe roupas por não saber o que queriam – justifico, apanhando a roupa suja no chão – Vou levar isso para a área e começar nosso café da manhã. O que vão querer? – pergunto caminhando até a porta.

—Panquecas! – Emma e Marina dizem juntas, a segunda erguendo os braços.

—Deixe-me vestir e vesti-las que vou te ajudar – Sarah avisa.

—Uhum – respondo, saindo.

Ponho as roupas sobre a máquina de lavar refletindo se deveria avisar à senhora Marquez sobre a mancha, optando por colocar logo para lavar.

—Vai que ela interpreta mal! – pondero, acrescentando mais algumas peças antes de pôr sabão, amaciante e um produto para retirar manchas nos compartimentos, ligando o aparelho assim que termino.

Vou para a cozinha onde separo os ingredientes para preparar as panquecas, Sarah se juntando a mim quando estou começando a misturá-los.

—Emma vai terminar de vestir Marina e virão para a sala – explica ante meu olhar interrogativo – Quer ovos mexidos? Me deu uma vontade de comer isso! – exclama e rio.

—Pode ser – concordo, me concentrando em finalizar a massa para assá-la – Pensei em fazer algum suco para acompanhar além de café.

—Uhum – diz, pegando a frigideira, estancando junto à geladeira, mordendo o lábio – Será que faz mal acrescentar bacon e queijo? – questiona, fazendo uma careta.

—É só não exagerar – recomendo, acendendo o fogo – Quer que acenda um pra você?

—Por favor – pede, a voz abafada por estar com a cabeça “enfiada” na geladeira – Torradas com geleia também cairia bem...E iogurte com cereal... Vitamina de frutas, talvez...Ainda temos pão? – pergunta, erguendo-se e se voltando para mim – O que foi? –pergunta ao me vê estático, olhando-a abismado – Estou com fome! – resmunga, fazendo bico.

—Deu pra notar – digo, sacudindo a cabeça, rindo divertido – Temos pão e torrada integral, mas se quiser podemos fazer as normais – aviso, me voltando ao escutar a voz de Emma.

—Queremos ajudar – diz, ajudando a irmã a sentar – O que podemos fazer? – pergunta.

—É o que fazemos? –marina emenda, cruzando os braços, séria e não resisto dar-lhe um beijo estalado na bochecha.

—Podem passar manteiga no pão e pôr na torradeira. Vou pegar pra vocês – sugiro, abrindo o armário sobre minha cabeça, pegando um saco de pão para sanduíche, pondo-o sobre a mesa junto a elas. Em seguida, abro a gaveta de talheres, pego duas facas sem corte, um prato raso, o pote de margarina, pondo tudo diante delas – Aqui. Tenham cuidado para não colocar margarina demais e mãos a obra – comando, as duas começando a preparar as fatias – Humm, o cheiro está bom – elogio, encostando meu nariz no pescoço de Sarah, fazendo-a encolher-se levemente com cócegas – Os dois!

—Está dizendo que tenho cheiro de ovos mexidos com bacon e queijo? – questiona, não me deixando responder – Bom saber, assim não gasto com perfumes – brinca.

—A comida está cheirando bem e a cozinheira também ...e por mim pode não usar nada que será cheirosa do mesmo jeito – afirmo, sugando a pele com força, mordiscando de leve.

—Comporte-se Connor! Temos crianças presentes – ralha, virando o rosto para receber meu beijo – E cadê as panquecas? Está atrasado senhor mestre cuca! – brinca, melando um dedo na massa, passando-o em meu rosto, lambendo após o fazer, uma onda de desejo percorrendo meu corpo de alto a baixo, meu membro ficando duro rapidamente.

—Putz! Como quer que me comporte se faz uma coisa dessas? – resmungo, sendo afastado por ela com gentileza enquanto ri.

—Você que começou – defende-se, indicando a marca no pescoço – Quero só vê como vou explicar isso a meus pacientes – reclama, me estapeando quando rio – Panquecas. Agora! – ordena, apontando a assadeira.

—Sim senhora – digo, batendo continência, dando atenção as meninas, que colocavam os pães na torradeira – Com cuidado Emma – recomendo, ela acenando afirmativamente.

Volto a me concentrar nas panquecas enquanto Sarah termina os ovos começando a preparar o suco de laranja, pedindo a Emma que pegasse cereal e iogurte quando esta termina com os pães. Juntos terminamos de preparar nossa refeição comendo-a ainda quente sentados a mesa da cozinha.

Quando terminamos, ajudo-a a por a louça na lavadora enquanto Emma limpa a mesa e balcão, guardando a geleia, o suco e o leite na geladeira, todos nós indo, ao final, nos arrumarmos para mais um dia de estudo e trabalho.

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Fischer & Goodman Advocacia (09:00 a.m)

Benjamin

Encostado na parede do fundo, observo as pessoas entrarem e saírem à medida que o elevador sobe, parando em alguns andares, sorrindo para alguns que me cumprimentam com acenos de mão ou cabeça, registrando as nuances em suas fisionomias, tentando adivinhar, por assim dizer, o que cada um estava sentindo a fim de saber o que se passava em suas cabeças, suas vidas...Um bom advogado sabe lê nas entrelinhas de um texto, consegue divisar o estado de espírito das pessoas por suas expressões corporais, entende nos gestos as palavras não ditas por algum motivo. Se quiser ser um dos grandes Benny, tem que aprender a lê seus clientes com precisão cirúrgica. Saber de estão sendo honestos com você, se tentam te ludibriar ou mentem. Dinheiro é bom, mas nada paga a consciência tranquila meu rapaz. Jamais defenda alguém em quem não confie ou não acredite. Jamais! – o discurso favorito de meu mentor na faculdade de direito, o qual escutei centenas, milhares, de vezes, me vindo a mente.

—Faça o que eu digo, não faça o que eu faço...Nada disso adiantou muito não é mesmo vô? – murmuro.

—Desculpe, o que disse? – Donald Potter, um dos jovens advogados recém-admitidos na firma questiona, me encarando confuso.

—Falava comigo mesmo Donnie – digo, saindo da inércia ao notar que nosso andar era o próximo – Um hábito que adquiri com meu avô – explico, sacudindo as mãos.

—Dizem que era um grande homem. Gostaria de ter tido a chance de conviver mais com ele – suspira, pensativo – Deve ter sido difícil para você, não é? E ainda por cima teve que defender...

—Se não se importa, prefiro não falar sobre isto – corto-o, saindo assim que as portas abrem, ele me seguindo de perto.

—Me desculpe Benny, não quis trazer lembranças ruins a tona – pede, coçando a cabeça sem graça enquanto caminhamos lado a lado pelo corredor.

—Tudo bem. Eu também peço desculpas por ter sido tão rude. É que o assunto ainda me incomoda entende? – questiono, abrindo a porta de vidro jateado com a logo da empresa, deixando-o entrar primeiro.

—Entendo, e mais uma vez peço que me desculpe – reforça, sorrindo sem mostrar os dentes, minha resposta ficando no caminho pela aproximação dos três principais sócios.

—Ei-lo de volta com energias renovadas! – meu pai declara antes de me abraçar apertado – Assim espero – acresce em meu ouvido, afastando-se minimamente a fim de ver meu rosto – Como está?

—Estou bem pai, pronto pra voltar à ativa – tranquilizo-o, ganhando duas tapinhas no rosto.

—Não disse a vocês – começa dizer, mantendo os braços sobre meus ombros, voltando-se para as outras duas pessoas que o acompanhavam – Conheço meu filho. Sei de que matéria é feito – afirma, orgulhoso.

—Nunca duvidamos que Benjamin fosse retornar Thomas – Alan Fischer, amigo e sócio dele assegura, estendendo a mão para que apertasse – Bem-vindo de volta, Benny.

—Isto nunca foi posto em dúvida – Sandra Fischer, irmã de Alan e também sócia afirma, acrescentando – A questão é se ainda continua com a mesma garra de antes do...

—Pode estar certa que sim minha cara – meu pai a interrompe, apertando meu ombro com força demasiada – Não é mesmo filho?! – inquire.

Vamos deixar o tempo responder...- Claro – me ouço dizendo, recriminando-me em pensamento pela falta de coragem em dizer o que realmente queria – Agora, se me dão licença, tenho algumas coisas para agilizar – peço, caminhando a passos largos para minha sala, o sorriso franco de minha secretária e amiga, Zoe, ajudando a amenizar a tensão criada pelo comitê de recepção.

—O bom filho a casa torna, já diz o ditado – cita, vindo a meu encontro – Que bom te ter de volta Benny – me abraça carinhosamente.

—Bom mesmo. Esse lugar estava um tédio sem você chefinho! – Rayssa, minha estagiaria (e ficante) afirma, fazendo biquinho.

—Ah, fala sério. O cara mal chegou e já está puxando o saco dele Yssa! Dá um tempo! – Matteus, meu investigador/ajudante/xereta/primo, resmunga, revirando os olhos.

—Fica com ciúmes não meu bem, também senti sua falta! – provoco-o, tentando abraçá-lo.

—Sai fora! Já disse que não faz meu tipo loiro. Pinta esse cabelo e podemos conversar – brinca, estendendo a mão – Seja bem-vindo irmão. Isto aqui realmente não é a mesma coisa sem você – afirma, dando um salto, me assustando – Espera...Se está de volta significa que não preciso mais ficar a disposição da bruxa má do leste...Obrigado meu pai. Muito obrigado! – dramatiza, ajoelhando de mãos unidas.

—Algo que eu deva saber?! – indago, olhando-os alternadamente, recuando dois passos ante a enxurrada de reclamações, protestos e lamentações desferida pelos três ao mesmo tempo – Uou! OK....vamos deixar isso pra outra ocasião – peço, sacudindo a cabeça, apoiando minha pasta sobre a mesa de Zoe, abrindo-a – Por hora, tenho um trabalho pra você – aponto-o fazendo com que levantasse – Quero que investigue uma pessoa, a proprietária de um prédio de apartamentos, desses mais populares. Descubra o que puder sobre ela e o marido: quem são, de onde vieram, se têm algum processo pesando sobre eles, enfim, tudo. Não precisa ter pressa – aviso, entregando-lhe uma folha com os dados do casal – Não preciso te pedir para ser discreto, não é?

—Uhum, uhum – murmura erguendo o polegar, lendo o papel – Vou começar agora mesmo – avisa, tocando a lateral da testa com dois dedos, saindo logo em seguida.

—Rayssa, quero que veja o que há de mais recente na lei em relação à locação de imóveis. Veja se Germana pode lhe ajudar – recomendo, ela acenando afirmativamente.

—Aí que bom que é estar trabalhando com quem se gosta! – exclama, esclarecendo rápido – Profissionalmente falando.

—Uhum, eu sei. Veja isso pra mim, por favor – reitero vendo-a sair.

—Profissionalmente é? Sei – ouço Zoe dizer e me volto encontrando-a com as mãos na cintura, me observando atentamente – Cuidado Benny, nem todas conseguem separar as coisas – aconselha.

—Como você conseguia, não é? – indago, me aproximando – Como fui te perder?

—Não era a hora, o tempo e certamente não éramos certos um para o outro – afirma, me empurrando para longe – Agora ande, me passe o nome da cliente para que possa abrir o caso ou vai esperar o resultado da investigação primeiro? – quer saber, sentando em sua cadeira.

—Nops, pode abrir. Essa cliente é noiva...ou esposa, sei lá, de um grande amigo e mesmo que ele não ache nada vou levar o caso adiante. Mas algo me diz que vai encontrar. Não deve ter sido a primeira vez que fez algo parecido a alguém, só que desta vez...

—Mexeu com a pessoa errada! – completa minha frase, pegando a caderneta de minha mão.

—E como mexeu! – reforço, rindo, me dirigindo a sala, parando ao lembrar de algo – Ah, no meu e-mail tem alguns dados que ela enviou além de números de telefones de prováveis testemunhas. Veja se consegue agendar uma conversa com algum deles ainda esta semana – peço.

—Pode deixar chefitcho...e mais uma vez, seja bem-vindo – reitera, me soprando um beijo.

—Obrigado – agradeço, retribuindo o gesto antes de entrar.

Fecho a porta correndo os olhos pelo ambiente a volta, notando que tivera o cuidado de mudar várias coisas ali (moveis, cor, etc). Sento em minha cadeira por trás da mesa abrindo meu paletó, perscrutando o ambiente mais uma vez, tomando fôlego antes de pegar o celular e ligar para Connor a fim de comunicar que daria início ao processo de Sarah, aguardando cerca de cinco minutos antes que finalmente atenda.

< Alô? > a voz feminina com forte sotaque me faz afastar o aparelho do rosto a fim de verificar se havia ligado corretamente, o chamado (ou deveria dizer berro?) fazendo-me trazê-lo para junto do ouvido novamente < Fale de uma vez, estamos ...ocupados...aqui > a mulher ordena, irritada.

—Desculpe, acho que deve ser um problema de linha cruzada – deduzo – Liguei para um amigo...

< Connor Rhodes? > pergunta, soltando uma forte lufada de ar, parecendo....Isso foi um gemido???

—Isso mesmo – confirmo – Aqui é Benjamin Goodman. Eu...

< Só podia ser! > bufa e imediatamente reconheço como sendo a médica com a qual me choquei no hospital outro dia < Ele liga pra você depois. No momento...está com as duas mãos...ocupadas e precisando das minhas, portanto, adeus! > avisa, ofegante, desligando sem esperar resposta.

Durante alguns minutos olho o aparelho sem entender nada, imaginando em que tipo de situação Connor poderia estar, junto com ela, que precisasse de quatro mãos!

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Lakewiew (09:55 a.m)

Narrador

—O que foi? – Ava Bekker indaga ao notar os olhares dos homens sobre ela.

—Está ligada que a pessoa do outro lado da linha deve estar imaginando tudo, menos que estejam realizando um resgate complicado, não está? – Cruz questiona, encarando-a.

—Esquece a pessoa do outro lado, Eu fiquei imaginando e estou Aqui! – Hermmann afirma, olhando-a estarrecido.

—Porque todos têm a mente poluída! – retruca a médica, mantendo a pressão sobre o ferimento – Não disse nada demais, disse? – questiona, olhando o homem deitado sobre os escombros.

—Hã...Não??? – responde, vacilante, fazendo uma careta de dor, levando a mão a perna varada por um vergalhão.

—Esqueçam o telefonema – Connor pede, encarando a colega, irritado – Temos que nos concentrar em retirá-lo daqui o mais rápido possível, nosso tempo está acabando. Hermann, podem tentar novamente? – questiona, encarando o bombeiro.

—Podemos usar o macaco pneumático em outro ângulo, mas levará uns vinte minutos Connor. Temos que ser cuidadosos. A coisa toda está muito instável – alerta.

—Não temos vinte minutos, a perna dele já está ficando fria Connor – Bekker avisa – É ela que está nos impedindo de levá-lo ao hospital – frisa.

—Eu sei – Connor anui, pensativo.

—Hey, o que está acontecendo? – o homem pergunta fazendo o cirurgião tomar uma decisão.

—Gary, escute-me – começa dizer cuidadosamente – Sua perna está presa e precisamos tirá-lo daqui...Mas os bombeiros não estão conseguindo mover o bloco sem ameaçar nossa segurança...Temo que a única maneira de tirar você daqui é amputando-a – explica, fazendo-o agitar-se.

—O quê?? Não!! – protesta.

—Sua perna ficou muito tempo sem fluxo sanguíneo...

—Isto é por causa do balão que você colocou em mim, não é? – questiona, interrompendo-o.

—Colocamos para evitar que continuasse sangrando. Não conseguimos pinçar a veia por causa do vergalhão. Mas infelizmente, agora, cada minuto com ele é mais perigoso – afirma, tentando tocar o homem, que o repele.

—Saia daqui! Vocês não vão cortar minha perna fora! – esbraveja.

—Gary, escuta: eu não quero que você morra e para isto temos que levá-lo ao hospital. Eu gostaria que não tivéssemos precisado colocar o balão, mas se doutor Rhodes não o tivesse feito a esta altura já estaria morto entende? – Ava pergunta.

—Mas....é minha perna! – exclama, encarando-a – Tem que haver outra forma – olha-os ansioso.

—Sinto muito mas não há – Ava afirma, prosseguindo – E sei o quão horrível isto parece, mas você tem muitos anos a viver, muitas experiências para ter...Não quero que perca tudo isto e acredito que você também não – faz uma pausa, vendo-o suspirar – Perderá a chance se não nos deixar te ajudar...Agora! – conclui, encarando-o.

—Não sei se posso...- Gary começa dizer, ela o cortando.

— Você pode, eu sei que pode – Bekker incentiva, segurando sua mão.

—Ok – concorda ele, Connor movendo-se rápido, preparando a medicação necessária.

—Bom...Agora doutor Rhodes irá anestesiá-lo, não sentira nada, apenas continue olhando para mim ok!? – pede a cirurgiã, acenando para o colega prosseguir.

Dez minutos depois retiram o homem dos escombros, pondo-o na ambulância que parte para o Med.

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Chicago Med (10:45 a.m)

Connor

—Maggie, qual sala? – indago mal entramos com a maca.

—Bagdá – indica e pelo canto do olho vejo Stholl nos seguindo.

—Karen, avise a SO que subiremos assim que retirarmos a barra –ordeno enquanto seguimos para a sala indicada — Quero 100mg de cetamina, um kit de acesso venoso e coloquem duas unidades de O- no transfusor – comando, posicionando a maca ao lado do leito.

—Na minha contagem...em 3,2,1 – Bekker comanda e o transferimos para o leito agradecendo aos rapazes antes de saírem.

— Isto é um Balão Intra-Aórtico?? – Stholl questiona.

—Yap! Sempre que tentamos retirá-lo na ambulância a pressão caiu – explico sem parar o atendimento.

—É obvio! Um BIA em campo é muito perigoso. De quem foi a decisão? – questiona.

—Minha – respondo.

—Doutor Rhodes sabe que...

—Foi a decisão correta, não havia outro jeito de tirá-lo vivo de lá – Bekker o interrompe com dureza – A lesão parece bem.

—Ok. Vou retirar o BIA, atente aos sinais– aviso, puxando o cateter com cuidado.

—Pressão estável, sinais vitais estáveis – Ava avisa e respiro aliviado.

—Certo. Vamos tirar o vergalhão e levá-lo para a cirurgia –digo, segurando a barra – Prontos? – questiono, Ava e os demais acenando afirmativamente – Em 3,2,1- conto, puxando o ferro devagar, retirando-o por completo.

—Sem sangramento – Ava anuncia – Bom trabalho doutor Rhodes – elogia, me surpreendendo.

—Maggie, estamos subindo – aviso, movendo a maca com sua ajuda.

A cirurgia dura cerca de três horas e meia. Ao final, estamos exaustos, mas satisfeitos. Mesmo tendo perdido uma perna, Gary sobreviveria.

—Bekker, obrigado. Você foi ótima – agradeço, massageando o pescoço enquanto caminhamos pelo corredor rumo ao elevador.

—Por nada. Eu meio que me senti um pouco Bonnie Henna – diz, sorrindo torto.

—Quem? – indago, sinalizando para que entrasse antes de mim.

—Uma heroína sul-africana – esclarece – É pouco conhecida – diz e me limito a balançar a cabeça – Ah, antes que esqueça, era seu amigo entojado ao telefone àquela hora – lembra.

—Meu amigo o quê? – questiono, seguindo-a quando sai, ambos parando ao escutarmos o som característico dos aparelhos avisando a parada cardiorrespiratória de um paciente.

Caminhamos em direção a ilha de enfermagem da emergência notando a atenção de todos voltados para a sala de tratamento 3, onde Ethan tentava ressuscitar uma paciente.

—Do que se trata? – pergunto assim que paro ao lado de Sarah.

—Uma garota que foi trazida por Ethan mais cedo – explica, retendo o ar quando ele para as massagens – Ela morreu!- exclama , entristecida.

—Qual o caso? – Bekker pergunta.

—Anorexia – Will responde.

—Sério?- me espanto, voltando meu rosto para nossos colegas, que se aproximavam – Ethan, sinto muito – digo, solidário, tocando seu ombro.

—Sabia que era uma batalha perdida, mas sempre resta aquele fio de esperança – diz ele, April o abraçando.

—Por que não deram alimentação por via nasal? – Ava questiona, completando – Não estou criticando, apenas...Bem, é o protocolo, não é?

—Tentamos. Doutor Charles conseguiu convencê-la a nos deixar pôr a sonda, mas assim que acionei a bomba a retirou e exigiu o advogado – Ethan conta, me deixando estupefato – Ela havia preparado um documento impedindo alimentação forçada – conclui, baixando a cabeça.

—Fez o que podia meu bem – April declara, acariciando-o.

—Eu não entendo como alguém pode pôr a vida em risco por sentir-se...gorda?? – Sarah interroga, olhando Daniel, agoniada.

—Minha querida, a mente humana é o mais complexo e complicado território que existe. Após sete anos a Anorexia foi considerada uma doença severa e permanente. Aquela jovem conviveu com isto por mais de quinze anos! – revela, nos assustando – Todo seu ser estava decidido a resistir. Mesmo todo amor dos pais, mesmo com todo nosso esforço, o resultado dificilmente seria diferente do que foi, infelizmente – declara.

—Quantos anos tinha? – pergunto.

— Vinte e seis – Ethan informa.

—Significa que sofreu desde os dez anos de idade – me assombro ao ver Daniel confirmar.

—Isso é horrível! Dez anos!!! Era apenas uma criança – Sarah lamenta, chorosa.

—E o mais assustador é saber que acontece nos dias de hoje, bem diante de nossos olhos, debaixo de nossos narizes, por assim dizer – Daniel lamenta.

—O que pode levar uma criança a desenvolver Anorexia? – Will questiona, confuso – Crianças só deveriam se preocupar com brincadeiras, estudos, amigos – enumera.

—As vezes é exatamente um dos fatores que citou que leva à doença doutor Halstead: amigos – Daniel diz – Infelizmente, os padrões de beleza são impostos cada vez mais cedo em nossa sociedade e a necessidade de sermos aceitos, seja por um grupo ou por um indivíduo especifico, namorado, namorada, caba fazendo com que façamos de tudo para que isto ocorra mesmo que nossa saúde fique em risco. Prova disso é a quantidade de dietas malucas que se encontram disponíveis na internet – lembra – E nem sempre é tão fácil aos pais ou pessoas próximas perceberem o que está acontecendo até que seja relativamente tarde – acrescenta.

—Não sei se concordo com isso doutor Charles – Nat comenta, observando os pais da garota – Sei que eles tentaram, mas talvez, se estivessem um pouco mais atentos...

—Não faria a menor diferença – Ava interfere de repente – Não fez para meus tios...Perdi uma prima com apenas dezesseis anos por causa dessa doença... Mas foi o suficiente para abrir meus olhos e perceber que estava indo pelo mesmo caminho que ela – revela, triste.

—Sinto muito – Sarah diz após um breve momento onde todos ficamos em silencio, digerindo a revelação – Deve ter sido difícil.

—Muito – admite, pensativa, respirando fundo – Mas como disse, no meu caso, me fez enxergar a realidade – reitera – Se me dão licença, vou comer alguma coisa e descansar – pede, saindo rapidamente.

—Vou falar com os pais, ajuda-los com os tramites de liberação do corpo – Daniel avisa, indo ao encontro dos mesmos.

—E eu vou tentar relaxar dois minutos – Ethan avisa – Maggie, quando a papelada estiver pronta...

—Eu levo até você – ela se adianta, sinalizando para April ir com ele – Doutor Halstead, doutora Manning, os resultados de seus pacientes – chama, entregando-lhes os tabletes – Vamos lá pessoal, hora de voltarmos ao trabalho excerto a senhorita – aponta para Sarah – Leve-a pra almoçar doutor Rhodes, antes que lhe dê uns puxões de orelha! – ameaça, o dedo em riste.

—Em mim ou nela? – pergunto, segurando a mão de Sarah.

—Nos dois! Vão, vão – responde, gesticulando para sairmos e obedecemos, jogando-lhe beijos, fazendo-a rir discretamente.

—Como foi sua conversa com Harris?- quero saber, sacudindo sua mão – Hey, o que houve? Por que essa ruguinha de preocupação? – questiono, pondo o dedo no ponto entre seus olhos.

—Emma completa dez anos mês que vem – conta, mordendo o lábio.

—Ah, entendi. Meu amor, sua irmã é uma menina de personalidade como poucas que já vi nessa idade. Tenho certeza que não se deixa influenciar tão fácil além do mais, ela conversa com você e agora um pouco comigo também. Só precisamos manter essa linha aberta, deixar claro que pode nos contar tudo – afirmo, tentando passar-lhe uma calma que não sentia. Sabia bem o quanto crianças podem ser cruéis quando querem. Sentira na pele quando minha mãe cometeu suicídio. Os comentários e piadinhas de mau gosto me fizeram não apenas chorar, mas evitar ir à escola por dias.

—Tem razão amor. Acho que fiquei impressionada. Ainda mais depois da confissão da Bekker – admite, deitando a cabeça em meu ombro enquanto seguimos para a cantina.

O restante do plantão seguiu relativamente calmo. Antes de sair, verifiquei o estado de Gary, ficando mais aliviado ao constatar que melhorara tanto física quanto emocionalmente. Mesmo assim, peço para agendarem uma visita de Daniel para o dia seguinte.

—Que dia! -Ethan exclama enquanto caminhamos pelo estacionamento, April a seu lado.

—Pois é. Complicado, cansativo física e emocionalmente desde cedo – Will comenta, o braço sobre o ombro de Nat.

—Droga! – bufo fazendo-os estacarem assustados – Esqueci de retornar a ligação de Benny – lembro, trazendo minha bolsa para frente.

—Que horas ele ligou? – Sarah pergunta.

—Na mais impropria – Bekker se adianta – Aproveite para lembra a seu amigo entojo qual sua profissão e dizer-lhe que, ao contrário de advogados, não temos tempo para papear e se não atender rápido é porque, obviamente, está ocupado – recomenda – Dito isto, até amanhã. Boa noite a todos – despede-se, saindo sem me deixar responder.

—Impressão minha ou ela antipatizou pra valer com seu amigo? – Ethan pergunta, rindo com o canto da boca.

—E de graça! – April frisa.

—Como ela sabe que ele é advogado? – questiono, procurando o número na lista de chamadas, apertando discagem.

—Eu contei – Sarah elucida – A que hora impropria se referiu? – quer saber

—Durante o resgate – digo, vendo-a franzir o cenho – Precisei usar a lanterna do celular, o deixei sobre o bloco de concreto, tocou enquanto estávamos colocando o BIA, ela se irritou por estar mais próximo a seu ouvido e atendeu com toda a delicadeza que lhe é própria e, segundo Hermmann, usando voz de atendente de telesexo! – resumo, dando atenção a meu amigo – Oi Benny, só consegui retornara agora – aviso.

< Tudo bem. Só queria avisar que preparei a papelada para dar início ao processo da Sarah. Minha secretária enviou uma cópia para o e-mail dela e amanhã mesmo começo a falar com as pessoas que indicou > explica.

—Ok, vou avisá-la – digo, olhando direto para ela – Me desculpe não ter atendido naquela hora. Estava em campo, num resgate complicado.

< Sem problema. Eu que deveria ter optado por uma mensagem ou deixado para ligar a noite. Ainda estou em ritmo de férias, por assim dizer. Prometo que não irá acontecer novamente > declara < Só avisa pra essa sua colega ter mais cuidado com a forma como atende. Outra pessoa que não te conhecesse pensaria um monte de bobagem! > alerta em tom de brincadeira.

—Pois é, ela ficou irritada – justifico, rindo – Vou passar seu recado. Obrigado por nos avisar – agradeço.

< Por nada. Entro em contato, após seu horário de trabalho, assim que tiver novidades. Até mais ver > despede-se.

—Até – digo, desligando – A papelada do processo está pronta. Ele te enviou uma cópia. Em casa lemos – explico, encarando Will – Que cara é essa Halstead? Parece que chupou limão! – brinco.

—Quase – diz – É que estou até agora tentando imaginar Bekker como atendente de telesexo! – exclama, ganhando uma tapa de Nat – Não se preocupe, eu Nunca ligaria para ela – garante, completando – Conseguem imaginar aquele sotaque falando coisas obscenas? Porque eu não! – exclama, sacudindo a cabeça, sua expressão nos fazendo rir.

—Olha, vou dizer uma coisa: eu podia passar sem essa – Ethan diz, rindo – Até amanhã pessoal – despede-se, ele e April afastando-se em direção a seu carro.

—Até amanhã – retribuímos, acenando.

—Se precisar de mim, estou a disposição Sarah – Nat avisa, ela e Will despedindo-se também

—Obrigada – Sarah agradece, abrindo a porta do lado do passageiro, acenando aos dois – Hermmann tem uma imaginação fértil – brinca, pondo o cinto.

—E como! – anuo, fazendo o mesmo antes de dar a partida no veículo.

Em casa, após liberarmos a babá, jantamos, ajudamos as meninas com as tarefas da escola, lemos a documentação enviada por Benny terminando o dia com uma sessão de cinema caseiro que incluiu pipocas, doces...e Frozen, pra variar!

“...I’ve been asleep for a while now;

You tucked me in just like a child now;

Cause everytime you hold in your arms;

I’m comfortable enough to feel your warmth;

It starts tom y soul and I lose all control;

When you kiss my nose the feelings shows;

Cause you make me smile;

Baby, just take your time now holdind me tight...”

Notas finais
Nos vemos em quinze dias. Bjinhos flores.