Love Hurts!
28 Baby on board!
Notas iniciais
“Fonte de mel nos olhos de gueixa;
Kabuki, máscara;
Choque entre o azul e o cacho de acácias;
Luz das acácias;
Você é mãe do sol;
A sua coisa é toda tão certa;
Beleza esperta;
Você me deixa a rua deserta, quando atravessa;
E não olha pra trás;
Linda, e sabe viver;
Você me faz feliz;
Esta canção é só pra dizer e diz...”
Você É Linda
Caetano Veloso
Apartamento Connor e Sarah (sexta, 29/6 – 8:17 a.m)
Connor
—Connor, tia Claire está chamando pro café – Emma avisa, surgindo a porta do banheiro juntamente com Marina, ambas arrumadas e, a julgar pelo farelo no canto da boca de minha coelhinha, alimentadas – Vai tirar a barba? – questiona ao me ver aplicando a espuma de barbear.
—Uhum. Pode irritar a pele do bebê – explico, olhando-as de soslaio – Já tomaram seu café da manhã? – pergunto, atento a Marina, que fechara a tampa da privada e agora subia na mesma a fim de alcançar o balcão da pia – Parada ai mocinha! Já não falei que é perigoso fazer isso?! – seguro-a, pondo-a sentada sobre o balcão, junto a mim – Quando quiser subir, peça.
—Tá pai. Desculpa – pede com seu jeitinho doce e sinto meu coração aquecer. Amava quando chamava-me de pai! – Posso ajuda? – pergunta, já segurando o estojo de barbear.
—Ajudar a quê? Minha barba? – questiono, ela confirmando com um aceno, sorrindo de maneira sapeca e arqueio a sobrancelha, indeciso.
—Se deixar ela ajudar, também vou querer! – Emma avisa, postando-se a minha esquerda, decidida – Cada uma faz um lado porque se Marina pode eu também posso! – reitera e suspiro, indeciso – Vai deixar Mama te ajudar só porque ela te chama e pai e eu não, Connor? Cadê a justiça da coisa? – repete, cruzando os braços e fazendo bico.
—Ué, só chamar de pai também! – simplifica a pequena e ergo as mãos fazendo-as silenciar antes que a situação fugisse ao controle.
—Ok. Parou – ordeno, olhando-as alternadamente – Primeiro, não estou fazendo nenhuma distinção entre vocês nem jamais faria e minha dúvida nada tem a ver com quem me chama de pai ou não e sim com quem vai tirar menos pedaço dessa carinha bonita aqui que sua irmã tanto ama! – exclamo, fazendo-as rirem – Agora é sério meninas. Deixo as duas ajudarem mas têm que prometer que terão cuidado tá certo? – peço, ambas acenando afirmativamente, Emma abrindo a gaveta do móvel sob a pia e pegando outro aparelho, buscando um banquinho que Sarah deixava dentro do box o qual usava para apoia as pernas (alternadamente evidente) quando ia banhar-se a partir do momento em que a barriga começara atrapalhar o ato um pouco, subindo nele a fim de ficar mais “alta” – Certo.... certo...Vamos lá então – digo, recuando um pouco – Esperem – peço ao vê-las esticarem as mãos em direção a meu rosto ao mesmo tempo – Marina começa, barbeando o lado direito porque precisarei ajuda-la de qualquer jeito, e depois você faz sua parte no lado esquerdo, ok? – coordeno, elas concordando – Certo...Vamos lá....e seja o que Deus quiser! – murmuro, benzendo-me antes de inclinar a cabeça, aproximando meu rosto o máximo que posso de Marina, segurando sua mãozinha – Aqui coelhinha, comece de cima para baixo, no sentido do pelo....devagar e bem levemente – oriento, ajudando-a – Se precisar pode apoiar sua mão no meu rosto, em qualquer parte – libero, ela levando a mão livre a meu queixo.
—Connor, acha que Sarah e Max vem pra casa hoje? A Cait disse que se ele ganhasse bastante peso poderia vir e ele tá bem gordinho que eu vi ontem quando fomos lá – Emma questiona após um breve silencio.
—Pode ser que sim meu anjo. Por isto....- paro, inflando a bochecha para facilitar o aparelho deslizar mais facilmente – Por essa razão pedi a sua tia Claire e sua tia Kim que organizassem tudo no quarto enquanto estivermos no hospital – explico, aproveitando o intervalo para limpar o barbeador (o que faço já que exigia certa dose de força) – E para prepararem uma bolsa com roupas para Sarah – concluo, espalhando, com ajuda de Marina, mais espuma de barbear no lado direito de meu rosto – Passe aqui mais uma vez e depois descemos para o queixo e pescoço coelhinha – oriento novamente, controlando a vontade de rir ao ver a expressão séria e compenetrada em seu rostinho meigo.
—Acha que ele vai ser muito chorão? – Emma pergunta, recostando-se a bancada, não me dando chance responder – Pelo que lembro, Mama não era muito chorona não. Depois que mamãe ou Sarah davam comida e trocavam a fralda, dormia que era uma beleza – relembra – Dormia tanto que as vezes tinha medo que tivesse morrido e ia lá mexer nela – conta, rindo – Mamãe ficava fula da vida porque normalmente acordava ela e ai já era! Dormir de novo só quando comesse, o que não fazia muito....Gozado, Mama não era tão comilona quanto o Max é! – pondera, pondo o dedo no queixo.
—E quem te falou que ele é comilão? – pergunto, esticando o pescoço posto que Marina começava a deslizar o aparelho ali.
—É que sempre que chegamos ele tá mamando! – exclama e desta vez rio, retendo a mão de Marina.
—Coincidência meu amor, nada mais. Por ser prematuro ele precisa se alimentar com intervalos menores do que os bebês que nascem no tempo certo, para poder ganhar peso e vir pra casa. Além do leite materno, tem o suplemento que precisa tomar. Por isso quando chegam ele ainda está comendo – explico novamente, guiando a mão de Marina por meu pescoço. Não dava pra deixar ela fazer aquela área sozinha sem correr o risco de um corte, o que poderia assustá-la. Descobrimos, Claire, Jay e eu, que ela não lida muito bem com a imagem de alguém sangrando por menor que seja o ferimento.
—Quando ele estiver em casa vai ter que tomar esse suplemento ainda? – questiona, curiosa, atenta a meus movimentos.
—Talvez. Caitlin quem irá determinar isto anjo – digo, finalizando o lado de Marina – Sua vez senhorita – chamo, ela posicionando-se com aparelho em mãos – Viu como sua irmã fez? – pergunto recebendo um aceno afirmativo – Pois bem, é só fazer igual. Quando vier para cá, caso sinta medo, eu te ajudo como fiz com ela ok? – sugiro, indicando a região do pescoço.
—Tá – anui, concentrando-se, tal como a irmã fizera, deslizando o aparelho por meu rosto tão delicadamente que mal sinto o toque – Pode imprimir um pouquinho mais de pressão anjo, senão não vai conseguir retirar os pelos – aviso, ela obedecendo-me, compenetrada. Mais uma vez preciso controlar a vontade de rir.
—Vai fica de bigode? – Marina pergunta, olhando-me interrogativamente ao notar os pelos sobre minha boca.
—Não amor. Mas aqui eu mesmo tiro – digo, vendo-a fazer uma careta engraçada – É mais complicado do que parece – argumento, não querendo admitir que estava era com medo!
—Tá bom assim Connor? – Emma pergunta, parando com as mãos erguidas, avaliando o resultado do que fizera.
—Está sim anjo. Pode seguir – peço, movendo o rosto, inflando a bochecha como fizera com Marina, deixando-a deslizar o aparelho por meu pescoço sozinha já que demonstrara confiança – Agora é comigo – digo, pegando o parelho de suas mãos tão logo termina o lado esquerdo, retirando o bigode parcialmente – E se deixar assim, fica bom? – pergunto, olhando de uma para outra, fazendo-as rirem com a linha tênue de pelos sob meu nariz.
—Tá parecendo aquele cara do filme que vimos outro dia, um que era bem namorador – Emma lembra, fazendo uma careta – Acho que a Sarah não vai gostar não! – diz.
—Eu tenho certeza de que não – anuo, rindo junto com elas, retirando o bigodinho fino que deixara.
Espalho um pouco mais de espuma, repasso o aparelho por todo o rosto e pescoço mais uma vez retirando o que ainda ficara nos locais fazendo o mesmo na área por sob o nariz, retirando a espuma restante com água, finalizando o barbear.
—Prontinho – digo, enxugando-me com a toalha.
—Ainda não – Emma corrige-me, abrindo o armário de cima, retirando um frasco pequeno de lá, despejando um pouco do liquido nas mãos unidas e depois levando-as a meu rosto.
—Faz como o Kevin de Esqueceram de mim!! – Marina pede, de repente, animada e a olho confuso.
—Ela tá falando daquela cena do banheiro, quando o personagem acorda e vê que deixaram ele sozinho em casa. Ai vai lá e faz a barba, que nem tem, diga-se, usando o estojo do pai e quando vai passar a colônia no rosto grita, sei lá porquê! – Emma explica, dando de ombros.
—Ah, entendi – digo, lembrando do filme natalino – Neste caso, você põe a colônia na mão e quando puser em meu rosto nós três gritamos, que tal? – sugiro, ambas concordando, animadas – Vamos lá...no um, dois..- conto, Emma enchendo as mãos com o perfume(o que me faria ter que lavar o rosto para retirar o excesso), podo-as sobre minha pele ao final da contagem – Três!!
Gritamos alto durante uns bons dois minutos, o que faz minha irmã, Jay, Kimberly e Adam, que estavam na sala e cozinha, acredito, entrarem no quarto voando, praticamente atirando-se dentro do banheiro com cara de pânico.
—O que foi? Que aconteceu? – Adam questiona, olhando de um lado para o outro.
—Alguém caiu? Tem alguém ferido aqui? – Claire pergunta, pegando Marina nos braços, pondo-a de pé sobre a tampa da privada, examinando-a de alto a baixo, Kim e Jay fazendo o mesmo com Emma enquanto permaneço estático, o riso de Marina sendo a senha para uma crise de riso compulsiva que toma a Emma e a mim logo a seguir – Sério Connor, o que houve aqui?? – insiste minha irmã, irritando-se quando além de não responder continuo rindo descontroladamente – Ah! Dane-se Connor Rhodes! – xinga, saindo pisando firme depois de esmurrar meu ombro ao dar-se conta de que nada acontecera, Jay seguindo-a após balançar a cabeça negativamente.
—Estamos na sala, quando decidirem falar – Kimberly avisa, puxando o namorado, confuso, para fora.
—Acho... que ficaram com raiva... da gente Connor!! – Emma exclama, entre um respiro e outro, enxugando as lagrimas com as mãos.
—Eu sei – anuo, imitando-a, voltando-me para Marina, que sentava-se no chão, abraçando o próprio corpo com os braços – Venha aqui coelhinha, antes que suje sua roupa e Claire me esgane – peço, pegando-a em meus braços – Vou terminar de me vestir, tomar café para podermos ir ao hospital. Melhor irem para a sala juntar-se a suas tias – sugiro.
—Tá bom papai – Marina concorda, aguardando a irmã segurar sua mão (algo que havia conseguido com que fizesse já preparando para quando o bebê estivesse em casa), as duas obedecendo-me, saindo de mãos dadas.
Sozinho, escolho uma camiseta simples, uma jaqueta e tênis. Volto ao banheiro, lavo o rosto abundantemente, retirando o excesso de loção, rindo outra vez ao lembrar da brincadeira de a pouco, lembrando de pegar a pequena nécessaire com sabonete líquido, lenço umedecido e dois pequenos frascos de shampoo e creme após minha conversa com Caitlin (sabia que Sarah gostaria de tomar um banho caso fosse realmente liberada), retorno ao quarto, cato minhas chaves, a sacola preparada por Claire, aliso meu cabelo e saio rumo a cozinha.
Lá, defendo-me das tapas desferidas por minha irmã, zangada depois que descobriu o motivo dos gritos, ao mesmo tempo em que tomo meu desjejum, Jay e os demais rindo da cena. Quando termino, deixo acertado com eles que ligaria avisando caso Sarah fosse liberada para que preparassem a recepção a ela, saindo acompanhado das meninas.
Cruzamos com Lívia e Scoth no corredor, descendo juntos, conversando animados (tenho a impressão que o namorado havia dançado já que não o via desde o dia em que recusara-se ajudar-nos a ir para o hospital), prometendo avisá-los quando Max estivesse em casa.
Durante todo o trajeto, Emma e Marina não pararam de cantarolar a mesma música (requisitando minha participação em alguns trechos), um sorriso travesso se formando em meu rosto ao pensar no quanto Sarah ficaria feliz em saber que nossos velhos amigos Sven e Olaf estavam de volta a nossa vida!
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“...Você é forte, dentes e músculos;
Peitos e lábios;
Você é forte, letra e música;
Todas as músicas que ainda hei ouvir;
No Abaeté, areias e estrelas;
Não são mais belas;
Do que você, mulher das estrelas;
Mina de estrelas, diga o que você quer...”
Chicago Med (10:15 a.m)
Sarah
Suspiro, impaciente, olhando meu reflexo no espelho, tentando arrumar meu cabelo da melhor maneira possível, estacando, atenta ao escutar o gemido (ou seria resmungo?) baixo vindo do berço, relaxando quando noto que meu filho continuava a dormir.
Nunca fui uma mulher vaidosa. Não exageradamente a ponto de ficar insegura ou mesmo preocupada com o que os outros pensariam de mim. Mas desde que me envolvi com Connor, e principalmente durante a gravidez, este lado meio narcisista aflorara em mim.
Tá, ele vivia dizendo o quanto era bonita e o quanto me amava quer estivesse em um vestido de gala, quer estive usando uma bata pós operatória nada sexy! E acredito no que dizia. Via em seus olhos ser verdade. Mesmo assim, por vezes me pego olhando-me, avaliando-me por inteiro. Como agora.
—Até que não engordei muito – avalio, mantendo o tecido da bata colada a meu corpo, deslizando minhas mãos pela cintura e quadril (este ficara mais largo. Pouco mas ficara), subindo até tocar meus seios – Já vocês sim aumentaram consideravelmente! – espanto-me, apalpando-os, tomando um mega susto ao escutar o comentário feito por April, cuja presença não percebera.
—Espere até todo o inchaço cessar! Vai ficar com umas formas que deixarão o doutor Rhodes maluquinho! Ainda mais do que já é, caso seja possível! – brinca e rio , voltando-me para encará-la – Sério. Melhor manter em dia o anticoncepcional porque ele não vai te dar sossego e podem vir outros rebentos antes do que espera!– acresce.
—Não fale isto nem de brincadeira! – peço, juntando as mãos enquanto deixo o lavabo, sentando-me no leito, dirigindo um olhar carinhoso a meu filho – Por mais lindo que ele seja, não quero outro bebê antes de Max entrar na universidade pelo menos! – condiciono fazendo-a gargalhar.
—E até lá vai fazer o que mesmo com o desejo de seu marido e o seu? Colocar num potinho e por sobre algum móvel no apartamento para abrir só daqui uns vinte anos? Duvido!! – desafia e rio novamente.
—Evidente que não! – respondo, assumindo ar sério antes de falar outra vez – Irei ter cuidado sim. Muito cuidado – ratifico sorrindo-lhe – Acha mesmo que vou ficar bem April? Depois que este inchaço todo passar, vou voltar a ser como antes? Quero dizer, quase, já que estes dois aqui não parecem que irão diminuir novamente – digo, apontando meus seios.
—Sarah, metade das gravidas neste andar mataria para ficar com este corpão após ter dado a luz – garante, piscando, sinalizando para que levantasse a fim de desforrar a cama, estapeando minha mão quando faço menção ajuda-la – Nem pense nisso. Aqui a senhorita é paciente.
—Pare April. Estou me sentindo ociosa sem nada para fazer – reclamo, sentando-me na poltrona sobre minhas pernas cruzadas, algo que pensei não voltaria a fazer tão cedo – Só durmo, como e dou de mamar a este rapazinho ai...
—E dê graças a Deus por isto! – exclama, juntando as mãos.
—Claro que fico feliz em amamentar meu filho e....
—Me referi a dormir – corta-me uma segunda vez e enrugo a testa, confusa – Agradeça porque este rapazinho não parece ser dos madrugadores. Depois que come dorme feito um anjinho. Aproveite enquanto pode porque se ou quando isto mudar, você e Connor darão graças quando conseguirem dormir duas horas seguidas diariamente! – exagera, mas tenho de concordar já que, pelo que ouvi outras grávidas dizerem, bebês costumam “roubar” as noites (e as vezes dias também) de sono dos pais.
—Verdade. Tenho sido abençoada neste sentido – olho-o carinhosamente, suspirando, massageando meu colo instintivamente, pensativa – April, acha que vou ser uma boa mãe? Já tive problemas para amamenta-lo, só consegui fazer isto com ajuda de Maggie e daquela senhora cuja neta deu a luz antes de ontem – relembro, mordendo o lábio — E quanto a dar banho? Como farei isto sem a supervisão de uma de vocês? Connor e eu estaremos perdidos sem ajuda! Não temos ninguém para nos socorrer caso tenhamos uma dúvida no meio da noite! Nenhum de nós tem mãe, a única vizinha com o mínimo de experiência neste sentido não me suporta, nenhuma de minhas amigas, que moram perto quero dizer, tem filhos...estou me sentindo completamente perdida e temerosa. Caitlin me deu alta e quando Connor chegar poderei ir para casa com nosso filho e....
—E acalme seu coração meu anjo! – interrompe-me, vindo até onde estou, segurando minha mão – Será uma mãe maravilhosa, estou certa disto. Tem criado suas irmãs com carinho e atenção praticamente sozinha nos últimos anos a ainda assim conseguiu se formar em Medicina. Não é qualquer uma que consegue fazer isto – elogia e coro – Além do mais, deve lembrar de algo do tempo em que ajudava sua mãe a cuidar de suas irmãs. Basta puxar um pouco pela memoria e tudo virá à tona – lembra, sorridente.
—Eu...na verdade...- gaguejo, indecisa se deveria ou não contar-lhe, optando pela verdade – Minha mãe não me deixava ajuda-la em coisas como banhar ou trocar as meninas. Nenhuma delas. Dizia que era muito desastrada e acabaria matando-as afogadas ou deixando-as cair, o que daria no mesmo. A única vez em que me permitiu trocar Emma, na época, fiquei tão nervosa com sua vigilância que de fato a derrubei. Por sorte estava baixo e tinha um tapete macio embaixo. Mamãe gritou tanto comigo que quando Marina nasceu sequer me senti tentada a pedir-lhe para ajudar. Mesmo depois de crescidas só passei a cuidar delas sozinha quando fui obrigada por sua partida – desabafo, tomando uma forte respiração, o alivio me invadindo após terminar de falar.
—Que coisa horrível! – ouço e me volto, encontrando Natalie e Maggie estáticas a porta – Como uma mãe pode ser tão mesquinha com uma filha? – questiona, entrando e agachando-se a meu lado.
—E egoísta. Não admira que nunca pensou em ser mãe. Com um exemplo destes até eu pensaria quinhentas vezes antes de engravidar – Maggie acrescenta, me deixando emocionada.
—Está decidido: vamos fazer um tutorial explicando e tirando todas as dúvidas que uma mãe de primeira viagem pode ter. Aliás, mãe e pai! – April decreta, batendo palmas – Peço a câmera que o Ethan comprou emprestado e hoje mesmo, despois do expediente, começamos a gravar os tutorias com vocês duas, evidente, porque minha experiência se resume a zero também – diz, incrivelmente animada.
—April, agradeço mas não precisa....
—Por que não? – Maggie interrompe-me – Eu criei sobrinhos e afilhados, desde bebê além de ser sua doula e Nat tem Owen. Melhor assistência não poderia querer...ou estou enganada? – questiona em tom de desafio e fingida magoa.
—Evidente que não! – anuo, puxando-a para um abraço, Nat e April juntando-se a nós.
É assim que Connor e as meninas nos encontram.
—Oba, abraço coletivo! Também quero! – ouço Marina dizer e olho de lado, estendendo a mão para ela, que segura, agarrando e pulando sobre Nat.
—Devagar ai coelhinha, pode machucar a Sarah – Connor admoesta.
—Estou bem amor – garanto, piscando para ele, ganhando um sorriso lindo em resposta, a reação de meu corpo trazendo-me a mente de imediato a conversa de minutos atrás com April – Definitivamente prevenção será a palavra de ordem depois que for liberada por Caitlin – murmuro, não tão baixo quanto deveria.
—Liberada pra quê Sarah? – Emma questiona e preciso pensar rápido para sair da saia justa na qual eu mesma me metera.
—Liberada pra ir pra casa anjo. Eu e Max já podemos ir – informo, rezando para as perguntas pararem por ai...o que, óbvio, não acontece!
—E quer se prevenir contra o quê? Doença? – inquire e sinto meu rosto esquentar e sei que estou tão vermelha quanto um pimentão – Tá com medo de ficar doente? – insiste minha irmã, pondo-me contra a parede.
—Não Emma, não estou – afirmo, tentando pensar numa resposta satisfatória – Eu quis dizer que...que....- gaguejo, respirando aliviada quando Connor vem em meu socorro.
—Que deveria ter me ligado avisando para que trouxesse roupas limpas – diz, erguendo uma sacola marrom – Por sorte, estamos tão em sintonia que que Previ que isto poderia acontecer e trouxe uma muda completa para você meu amor! – avisa, inclinando-se, me dando um beijo casto junto ao ouvido – Me deve uma! – diz, deixando outro beijo antes de se afastar e retenho o ar ao encontrar seus olhos – Era este o motivo do abraço coletivo? Sarah está liberada para ir pra casa? – quer saber, voltando sua atenção para nossas amigas e colegas de trabalho.
—Não. O motivo era o tutorial que iremos começar a fazer – April adianta-se, a confusão tomando o rosto dele – Para ajudar você e Sarah com o bebê e pode agradecer depois – diz ela, fazendo charme com o ombro.
—Tutorial para nos ajudar? – repete, ainda mais confuso.
—Connor, você sabe como dar banho em nosso filho sem a ajuda de Maggie ou outra enfermeira? Sabe distinguir quando o choro é de cólica, de fome ou de manha? Ou se a água está na temperatura certa para banha-lo? – questiono, levantando-me, pegando a sacola de suas mãos – Nem eu! – digo ao vê-lo negar com um gesto de cabeça, a boca abrindo-se num perfeito (e tentador!) “Oh” de espanto, fazendo-me sacudir a cabeça espanto os milhares de pensamentos, nenhum puro, que surgiram na minha mente enquanto rumo para o banheiro, estancando na metade do caminho – Trouxe uma toalha e sabonete? Os que tinha aqui acabaram – interrogo, sorrindo ao receber um aceno afirmativo – Por isso que te amo! – exclamo, soprando-lhe um beijo antes de entrar no cômodo, a pergunta de Nat fazendo-me rir discretamente.
—O quê? Por acaso pensa que só por ser mulher Sarah já saberia de tudo que precisa para cuidar de um filho? – questiona, a resposta dele sendo abafada quando fecho a porta.
Entro no pequeno (e apertado) box, ligo o chuveiro não me importando com a temperatura fria da água nem com a baixa pressão que a fazia correr devagar. Deixo-a escorrer por meu corpo, alivio e prazer se misturando, o cheiro gostoso do shampoo e sabonete liquido invadindo minhas narinas, fazendo-me relaxar.
Durante alguns minutos me permito esquecer o mundo lá fora, a caricia suave e refrescante trazendo suspiros a meus lábios. Somente quando sinto a umidade e o odor característicos do leite materno me dou conta de que Max deve ter acordado e estava com fome.
Suspiro, resignada, lamentando não poder ficar mais um pouco sob a água, enxugando-me com a toalha hospitalar pela ultima vez, agradecendo mentalmente por Connor não ter trazido um vestido e sim saia e blusa.
Visto-os, optando por deixar os primeiros botões abertos, usando um lenço umedecido para limpar a área em volta de meus mamilos retirando prováveis resquícios de sabonete que poderiam atrapalhar na amamentação. Pego dois pedaços de papel higiênico, dobro-os e ponho dentro do sutiã a fim de evitar manchar a blusa enquanto não amamento meu filho. Escovo rapidamente meus dentes e depois o cabelo, deixando-o solto para secar, recolhendo tudo de qualquer jeito ao escutar os primeiros resmungos mais agudos do bebê.
—Impaciente como o pai! – exclamo, corando involuntariamente, esperando a tonalidade de minha pele voltar ao normal para sair.
Estanco a porta, suspirando, encantada, ao deparar-me com Connor ninando nosso filho carinhosamente, dizendo-lhe palavras doces sob os olhares atentos de nossa amigas e minhas irmãs.
—Olha, ele está quase pegando o jeito – Nat elogia, piscando para mim – Só precisa lembrar de apoiar o pescoço quando for retirar do berço, pegar de seus braços ou lhe entregar o bebê – recomenda, olhando diretamente para Connor – E não sacuda demais se não quiser tomar uma bela golfada! – alerta, sorrindo carinhosa.
—Mas todo pai quem que tomar uma, e das grandes! É o batismo de fogo – Maggie brinca, Marina e Emma rindo, divertidas – Tenho que ir andando meus amores. O dever me chama – avisa quando o telefone interno em suas mãos toca – Nat, melhor vir comigo. É uma criança que está chegando – avisa, tensa – Nos falamos mais tarde. Beijos – diz, soltando vários beijos para mim e as meninas antes de sair seguida de perto por Nat, que repete seu gesto.
—Querem ajuda? ou ainda vai esperar a doutora Harris? – April questiona, estancando em meio ao quarto.
—Não. Cait já me liberou e passou todas as orientações mais cedo – conto, sentando-me, sinalizando a Connor para me entregar Max – Ela deve estar acompanhando a cirurgia de um de seus pacientes na Oncologia, por isso veio logo cedo me vê. Deixou os cuidados e medicações para mim e Max anotado ali – indico a mesinha de canto, ajeitando meu filho no colo a fim de amamenta-lo – Pode ver a medicação antes de irmos meu amor? – peço e somente então me dou conta de que Connor me olhava com cara de bobo – O que foi? – quero saber, enrugando o cenho – Por que está me olhando desse jeito?
—Qual jeito? – devolve sem sair do lugar.
—Com cara de bobo apaixonado!! – Emma e April dizem ao mesmo tempo, rindo divertidas.
—Deixa ver....- Connor diz, apoiando o queixo nos dedos e noto outra novidade: fez a barba! – Porque Sou Um Bobo Apaixonado! – exclama, vindo até mim, inclinando-se, tomando meus lábios num beijo que deveria ser casto...mas não era. Saudade e desejo estavam ali, bem presentes e sinto meu corpo inteiro formigar – Melhor ir ver os remédios – sopra, ofegante, afastando-se a passos rápidos, saindo após ter pego o receituário.
—Uma das coisas boas no parto normal é justamente isso: a recuperação rápida. Em Todos os sentidos! – April frisa, enviando-me um olhar de advertência – Nem por isso é aconselhável exageros senhorita. Melhor aguardarem um tempo antes de retomar a rotina. Terão bastante tempo para por o ...papo em dia – disfarça ao notar o interesse de Emma – Que tal as duas mocinhas me ajudarem verificar se tudo está em ordem para a partida de sua irmã e sobrinho? – sugere, ganhando atenção e ajuda apenas de Emma já que Marina estava maravilhada acompanhando Max mamar.
Sorrio, sinalizando a April que a deixasse ficar onde estava, posicionando-me de modo a facilitar sua visão.
Quando Connor retorna, já estamos prontos para ir.
Despedimo-nos de todos com que cruzo nos corredores, o pessoal da emergência fazendo a maior algazarra quando lá chegamos (o que não perturba em nada o sono de nosso filho!), entregando-nos os presentes que haviam comprado, desejando-nos saúde e paz.
Will, Ethan e April nos acompanham ao estacionamento já que Maggie não se encontrava por lá, ajudando-nos arrumar as meninas e as malas no carro.
Despedimo-nos novamente, e quando Connor está manobrando o veículo para saímos, a vejo em um dos janelões no andar da Cardiologia. Mesmo distante sabia de quem se tratava. Ava havia me visitado mais três vezes depois de nossa conversa franca. Sempre na ausência de Connor. Hoje fora com Cait despedir-se de mim e deixar seus votos de saúde e felicidade.
Aceno-lhe recebendo o mesmo gesto de volta. Não sabia bem como seria nossa relação quando retornasse da licença maternidade já que não nos veríamos mais com tanta frequência. Mas uma coisa era certa: caso tivesse uma recaída de voltasse a dar em cima de Connor, não ficaria passiva muito menos baixaria a cabeça!
Não faria isto nunca mais, quer com ela, quer com outra qualquer que tentasse nos separar. Nem mesmo Cornélius Rhodes, a quem devo uma visita, ou minha mãe, caso resolvesse aparecer do nada, permitiria atrapalharem nossa relação. Não mais.
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Apartamento Connor e Sarah (12:30 p.m)
Narrador
—Eles estão chegando! – Kim anuncia da porta entreaberta fazendo o burburinho no interior do apartamento aumentar – Bem vindos! – cumprimenta assim que o casal acompanhado das duas meninas se aproxima – Ai meu pai, como ele está lindo! – exclama, admirando o bebezinho nos braços da mãe dormindo tranquilamente.
—Ele é calminha tia Kim. Nem dá trabalho – Marina diz, sorridente.
—Só não sei até quando vai permanecer assim! – Sarah exclama, fazendo a amiga rir enquanto posta-se de lado permitindo a passagem do casal e das meninas.
—Vai ser assim pelo tempo que for possível meu bem – Eleonor responde, acolhendo-os com um sorriso – Deixe-me ver este meu lindo bisnetinho – pede, Sarah inclinando-se levemente junto a cadeira ocupada pela velha senhora – Ele é tão lindo. Mais do que você era Connor – provoca o neto, fazendo-o rir minimamente – Tão pequeno e frágil – acresce, tocando o rosto do bebê com o dorso da mão, segurando a mão pequena e enrugada – Só pra constar, limpei a mão com álcool em gel antes e sugiro todos que desejem pegar meu bisneto fazer o mesmo – aconselha.
—E por acaso já não distribui frasquinhos de álcool gel entre todos antecipadamente!? – Sylvie Brett avisa, sacudindo o frasco a frente do rosto – Será que posso pegar ele no colo um pouquinho só!? – pede, batendo palmas quando Sarah anuo com um gesto de cabeça, entregando o filho a paramédica – Ownn! Tão fofo! – diz a loira, fazendo bico, Gaby, Matt e Ruzec cercando-a.
—Como está minha querida? – Eleonor pergunta, segurando e afagando a mão da médica, fazendo-a sentar no braço do sofá junto a ela.
—Feliz, nervosa, cansada, ansiosa – enumera ela, cobrindo a mão do noivo quando a sente em seu ombro – Não sei se estou preparada para dar conta de tanta responsabilidade – suspira, rindo com o canto da boca ao ver o filho ser passado para o colo da tia – Tenho medo de não conseguir ser uma boa mãe – assume.
—Estarei aqui a seu lado para ajudar amor. Sempre – Connor declara, beijando primeiramente o topo de sua cabeça, em seguida a mão que segura carinhosamente – Também estou com medo, mas juntos conseguiremos vencer cada obstáculo que tivermos – recita.
—E não esqueçam da gente – Kim ergue a mão, sorrindo – Posso não saber cuidar de um bebê tanto quanto vocês, mas tô aqui pro que der e vier – prontifica-se, deixando Claire aproximar-se.
—Acho que fiz algo errado Sarah. Ele tá ameaçando chorar! – diz, tensa, entregando o bebê a mãe.
—Não fez não. Ele faz manha mesmo de vez em quando – tranquiliza-a a médica, conversando com o filho – Não é meu amor!? Você faz manha pra ficar no colo da mamãe não é?! – fala mansamente, o menino encarando-a sério.
—São azuis! – Connor exclama, surpreso – Os olhos dele são azuis. Não tinha reparado ainda – admite, segurando a mão do filho – Oi filhote. Bem vindo a sua casa – diz, imitando a noiva, encantando-se ao ver o pequeno rir.
—Ei não vale! Ele sorriu pra vocês e não pra gente – Jay reclama, fazendo bico – Não é justo viu rapazinho! Seus tios aqui estavam ansiosos por ter ver e você nem dá atenção pra gente – resmunga, o bebê dando um bocejo acentuado, “mastigando” antes de aninhar-se dentro da manta, fechando os olhos – E ainda me esnoba! Olha isso! – exclama o detetive provocando risos em todos.
—Ele não te deu cartaz tio Jay – Marina comenta, apoiando-se nas perna de Sarah, esticando-se a fim de ver o rosto do sobrinho – Pronto, dormiu de novo! Esse menino só come e dorme – diz, suspirando, provocando mais risos.
—Por enquanto é tudo que ele tem pra fazer meu amor. Quando estiver maior certamente vai ter disposição pra correr e brincar com você – Sarah argumenta, beijando o rosto da irmã mais nova.
—Será? – questiona a menina, duvidosa.
—Vai sim Marina. Meu irmãozinho foi do mesmo jeito – Alexandra, filha de Benny Goodman afirma, calma – Agora ele corre a casa inteira e deixa minha mãe louca da vida! – revela a menina – Quando ele começar a andar vai ser bem legal, vai ver. Vou sentir falta dele agora que vou morar com o papai – revela a menina.
—Oi?? – Connor, Jay e mesmo Matt e Adam espantam-se, olhando em direção ao advogado.
—Então....- começa ele, sem graça, massageando o pescoço – A mãe da Alex foi convidada a fazer um estágio, curso ou sei lá o que, durante seis meses...na Austrália! – conta, prosseguindo – Não dava pra deixar o bebê por razoes obvias, mas como não teria tempo pra cuidar da Alex, deixou ela comigo – completa, unindo as mãos em direção a Connor – Ajuda amigo! Pleaseee!- pede, fazendo-o rir.
—Pode contar comigo, na medida do possível meu velho – prontifica-se o cirurgião, Matt e Jay corroborando.
—Pode contar conosco também Benny. É o mínimo que podemos fazer depois de ter ajudado a Sarah – Jay afirma, tocando o ombro do loiro.
—Valeu pessoal – agradece o advogado.
— Está tudo muito bom mas vou indo. Meu voo parte dentro de uma hora e meia e não quero perde-lo – Eleonor diz, chamando atenção para si – Antes que esqueça, Mirella pediu para entregar este presente e para avisar que vira ver o bisneto pessoalmente tão logo seja liberada pelos médicos – avisa, entregando a sacola a Connor.
—O que houve com vó Mirella? – quer saber ele, tenso.
—Nada de mais meu bem. Coisas da idade. Estou indo para Nova York fazer-lhe companhia enquanto realiza os exames pedidos. Não se preocupe meu querido. Ela está bem – reforça ante a fisionomia carregada do neto – Cuide-se mocinha e deste rapazinho aqui. Volto tão logo Mirella esteja bem – avisa, voltando-se – E vocês, não vão dar um beijinho na bisa? Ou será que não me consideram mais sua bisa? – pergunta, fazendo um bico exagerado, as duas vindo abraça-la demoradamente – Ah, que delicia de abraço meu pai! – exclama, beijando-lhes o rosto quando se afastam – Quando estiverem de férias, levo as duas para assistir Frozen na Broadway – promete fazendo-as vibrarem – Claire, avise ao motorista que estou descendo por favor meu bem – pede, levantando-se com certa dificuldade, despedindo-se do casal mais uma vez – Fiquem bem meu amores – recomenda, beijando-os carinhosamente.
—Vamos acompanha-la até a garagem senhora – Jay prontifica-se, Claire a seu lado.
—Certo meus queridos – anui a senhora, recebendo o carinho de Benny ao passar pelo advogado, retirando-se com os dois.
—Que tal lancharmos agora? – Gaby sugere, requisitando a ajuda de Sylvie para servir o lanche que haviam preparado, Lívia e Scott, chegando juntamente com Jay e Claire alguns minutos depois.
Durante a hora seguinte, Connor e Sarah dividem sua atenção entre os amigos, as meninas e o filho, que resmunga e chora tão logo sente fome, a médica aproveitando para leva-lo pra o quarto tão logo termina de mamar e adormece.
Ao voltar para a sala, encontra os amigos despedindo-se. Agradece a presença de todos, entregando a lembrança que Claire, Gaby e Sylvie haviam preparado.
A noite, após jantarem tranquilamente em família, Claire, Jay, Kim e Adam despedem-se prometendo vir no dia seguinte ajudar os pais de primeira viagem no que fosse possível.
Passava um pouco das dez quando Marina e Emma adormecem, Connor levando-as para o quarto enquanto Sarah terminava de vestir e acomodar o bebê a principio no berço, mudando de ideia e o levando para o quarto do casal, pondo-o dentro do carrinho junto a cama de forma a poder vê-lo enquanto tomava banho com a porta aberta.
—Sarah? – escuta Connor chamar, vendo-o surgir a porta, recostando-se no batente com as mãos nos bolsos da bermuda a olha-la banhar-se.
—O que foi? Por que está me olhando assim? – questiona a médica, envolvendo o corpo nu em uma toalha ao sair do box.
—Não posso admirar minha linda noiva? – devolve ele, sorrindo-lhe.
—Não estou bonita, estou inchada Connor! Toda inchada ainda. E descabelada e com olheiras com toda certeza – enumera, usando uma ponta para enxugar o cabelo, ele aproximando-se devagar.
—Permita-me discordar – diz, envolvendo-a pela cintura, fazendo com que parasse o que fazia – É linda Sarah. Inchada ou não. É linda e sempre será – elogia, roubando um beijo antes de deixa-la sair de seu abraço com relutância – E forte também – acresce, ela voltando-se rápido para encara-lo – É mais forte do que imagina e estou certo de que será uma mãe maravilhosa! – assegura, recostando-se ao balcão da pia
—April te contou nossa conversa – presume, optando por vestir o camisão confortável ao invés de alguma camisola ou baby doll – Vocês tem mais confiança em mim do que eu mesma – suspira, dirigindo um olhar rápido ao carrinho de bebê antes de voltar a enxugar o cabelo vigorosamente, suspirando ao sentir-se envolvida pelos braços do noiva mais uma vez, o beijo lento e sensual em sua nuca trazendo arrepios de prazer – Connor....
—Eu sei, eu sei. Temos que ir devagar – diz ele, suspirando, os lábios ainda colados a pele sensível – Sarah, não planejamos toda esta situação, estamos ambos inseguros, eu sei – diz, fazendo-a voltar-se e encara-lo – Mas estando juntos podemos superar e vencer todos os obstáculos que surgirem, sejam grandes ou pequenos. Não tenho dúvidas sobre isto – garante, beijando-a novamente, mais demorado do que a primeira vez, ela rendendo-se ao carinho e ternura contidos no gesto, separando-se lentamente, permanecendo abraçados um tempo indeterminado, apenas saboreando a presença um do outro, retornando ao quarto de mãos dadas, sentando-se lado a lado, atentos ao filho.
Quando Sarah o pega em seus braços a fim de nina-lo um pouco, recebe o alerta de vídeo em seu aplicativo de mensagens, rindo ao ver do que se tratava, abrindo-o para assistir ao lado de Connor, ambos recostados a cabeceira, rindo divertidos com as dicas e ensinamentos que Nat e Maggie lhes passaram a respeito de como começar a diferenciar cada tipo de choro, Ethan e Will fazendo, como disseram, participações especiais para ajudar a exemplificar.
Ao terminarem de ver o vídeo, o casal se debruça sobre o carrinho, ela recolocando o bebê em seu interior, sorrindo enlevados observando o filho dormindo, eles próprio demorando a pegar no sono, aproveitando a tranquilidade para conversar mais sobre seus medos e angustias e claro, namorar um pouco.
“...Gosto de ver você no seu ritmo;
Dona do carnaval;
Gosto de ter, sentir seu estilo;
Ir no seu íntimo, nunca me faça mal;
Linda;
Mais que demais;
Você é linda sim;
Onda do mar do amor que bateu em mim;
Linda;
E sabe viver, você me faz feliz;
Esta canção é só pra dizer;
E diz”

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