Love Hurts!

29 A nossa volta( day by day!)


Notas iniciais
Olá flores! Atualizando finalmente! Quero pedir desculpas pelo atraso. Ando muito envolvida nos preparativos para uma viagem que farei próxima semana....E justamente por isto tentarei, até quarta feira próxima, atualizar o máximo de fics que conseguir já que estarei fora por quinze dias, mais o tempo de recuperação quando voltar, estarei sem escrever por uns bons vinte dias!! Já tenho mais alguns capítulos prontos e tentarei postar antes da viagem. No mais, espero que gostem. Grata por todas as rewiews passadas....Mais rewiews, pleaseeee...Boa leitura...Bjinhos flores. Em tempo: caso ainda não tenha respondido alguém, tentarei fazê-lo entre uma postagem e outra ok?

“Do meu coração deserto, você fez uma cidade;

Veloz, um amor esperto, total na cumplicidade;

Quando o raio do amor nos feriu;

A felicidade então nos sorriu...;

Que seja descomplicado;

Feroz e na hora exata;

Que não exista certo e errado;

Na lua, na noite prata;

Quando o raio do amor nos feriu;

A felicidade então nos sorriu...”

Felicidade

Roupa Nova

Apartamento Connor e Sarah(Sábado, 28/7- 8:22 a.m)

Sarah

—Connor, o que está fazendo? – pergunto, ao sair do banho vestindo roupão, deparando-me com ele inclinado sobre o berço de nosso filho.

—Nada – sussurra e arqueio a sobrancelha – Apenas me certificando de que está tudo bem com Max. Parece quieto demais não acha? Até parece não respirar!! – sopra, deixando-me preocupada.

—E está? – questiono, parando de secar o cabelo, indo ao encontro dele, tensa.

—Sim. Acho – responde, inseguro.

—Claro que está! – exclamo, inclinando-me a seu lado (só por desencargo de consciência) justo quando leva a mão ao peito de nosso filho – Está apenas...- começo dizer, fechando meus olhos quando Max chora, bravo por ter sido acordado pelo pai – Quer dizer, Estava dormindo até você acorda-lo!! – resmungo, estapeando sua nuca antes de pegar nosso filho no colo – Demorei um século pra conseguir fazê-lo dormir e você vem e o acorda num segundo – exagero.

—Oush! Desculpa amor! – pede, esfregando o local, me seguindo quando vou sentar na poltrona perto da janela – Como ia saber que só estava dormindo? Quando entrei jurava que não estava respirando e quis me certificar antes de você sair do banho, só isso – justifica-se, pondo-se de joelhos a minha direita, apoiando as mãos no braço da poltrona – Ele cresceu muito!! – exagera e sorrio, oferecendo meu dedo mindinho a Max para saber se estava com fome (truque ensinado por Nat em um dos tutoriais, que diga-se, tem nos ajudado muito. E igualmente nos feito rir!).

—Cresceu bastante sim – concordo, retirando o dedo quando não suga.

Com o passar dos dias (e com as dicas), tenho me sentido mais segura e calma, bem diferente da primeira semana, quando tive uma crise de choro por não conseguir dar banho nele sozinha (Connor tinha ido levar as meninas na escola, depois fora fazer as compras do mês e ainda não havíamos contratado, meio que forçadamente por Claire, a babá para me ajudar). Depois que consegui me acalmar, e a meu filho, que também chorava (por minha culpa), consegui, finalmente, lhe dar o primeiro banho solo, por assim dizer, devagar, relembrando cada instrução dada por Nat e Maggie. Quando Connor retornou encontrou-me chorando mas de alegria por ter superado mais este obstáculo.

Ele próprio havia chorado de emoção ao conseguir fazer o mesmo (sob meu olhar atento, obvio!) dois dias depois.

Na verdade somos dois bobos! Nos emocionamos com cada pequena novidade, cada evolução feita por nosso filho, por menor que seja. Tudo era ainda novo e de vez em quando fazíamos alguma bobagem, como a de agora por exemplo, quando o acordou à toa pensando que não estava respirando! (Tá, eu mesma ainda acordava várias vezes durante a noite para me certificar do mesmo, mas não admitiria a Connor nem sob tortura!). A cada dia aprendíamos algo novo e encantador...ou não, afinal, era meio assustador saber que aquele serzinho, tão frágil e indefeso, dependia de nós para tudo. Quase tudo, melhor dizendo.

As meninas que amavam nos ver atrapalhados. Riam divertidas. E riam ainda mais assistindo aos tutoriais, que estavam fazendo sucesso até mesmo com Lívia. Aliás, ela foi uma grata e inesperada surpresa e companhia para mim nos primeiros dias. Quase mudara-se para nosso apartamento...junto com Claire, Jay, Kim, Gaby, Sylvie e até mesmo Benny Goodmam e a filha (a menina aliás, estava ficando muito apegada a ela), o que se por um lado nos possibilitava ajuda sempre que precisávamos, por outro reduzia a zero nossa já escassa privacidade.

Mesmo tendo sido liberados para o sexo (moderadamente) dez dias depois de eu ter recebido alta, nosso momento de maior intimidade até hoje foram algumas caricias e beijos trocados entre uma mamada e outra, na madrugada, o cansaço nos tomando e fazendo-nos dormir quase sem pressentirmos, abraçados.

Conforme April “profetizara”, Max não dormia mais a noite inteira como fazia antes. Já na metade da segunda semana em casa, começara a despertar durante a madrugada ou demorar adormecer mesmo depois de satisfeito. Estava com um mês de nascido e cada vez mais forte. Ganhara peso, dentro do esperado e saudável, é alegre e risonho. Seu riso, por sinal, era fonte de grande felicidade para Connor e eu...e responsável por nossos momentos mais bobos também (devidamente registrados por Emma e Marina em seus celulares e compartilhado no recém criado “grupo da família”, que incluía desde Claire, as avós de Connor a Benny e sua filha!). Devo admitir que não nos importávamos com as brincadeiras feitas conosco. O contrário. Nos alegrávamos em dividir cada sorriso de nosso filho com aqueles que amávamos e nos amavam.

—Ele esta tão lindo! E parecido com você amor – a voz de Connor me tira do devaneio e olho-o, seu sorriso bobo me fazendo rir também.

—Engraçado, acho que parece mais com você – rebato, tocando a ponta de seu nariz – Os olhos, o rosto, o mal humor – não resisto provoca-lo – Especialmente quando está com fome ou sono – digo, rindo da careta que faz – As meninas já chegaram? – pergunto.

—Então... foi isto que vim avisar – diz, estalando os dedos – Claire ligou. As meninas ficarão com ela e Jay agora pela manhã. Parece que não encontraram os vestidos que queriam para a festa e vão fazer novas buscas hoje arrastando Jay e Benny com elas para nossa felicidade!! – conta, cantarolando o final da frase e volto arquear a sobrancelha, encarando-o sem entender nada – As meninas estarão fora toda manhã, arriscaria dizer todo o dia se bem conheço minha irmã, Max está dormindo tranquilo....- enumera, me dirigindo um olhar lascivo.

—Connor Rhodes, no que está pensando?? – inquiro, embora soubesse a resposta visto que eu mesma estava pensando o mesmo que ele!

—Em aproveitar nossa liberdade provisória...- começa dizer, tirando nosso filho de meus braços cuidadosamente, pondo-o no berço – E namorar nem que seja um pouquinho assim!! – conclui, engatinhando sobre o colchão em minha direção, beijando minhas pernas no processo – Afinal, desde que voltou sequer tivemos chance de ficarmos sozinhos por mais que meia hora – lembra, voltando a beijar minhas pernas, subindo lentamente.

—Meia hora? Isso tudo? – indago, arrepiando-me inteira quando suas mãos deslizam por debaixo do roupão – Nas minhas contas não chegamos a ter....todo esse tempo! – sopro, um gemido escapando por meus lábios ao senti-lo tocar minha intimidade, os dedos hábeis brincando com meu clitóris enquanto os lábios traçavam um caminho de fogo se aproximando mais e mais de seu objetivo – Connor!! – suspiro, dobrando uma perna, meu pé enroscando-se no tecido macio da camiseta que usava e faço uma careta – não é justo! Está vestido demais! – reclamo, fazendo bico, seu hálito quente tocando a pele sensível entre minhas pernas quando ri, provocando uma descarga elétrica que me deixa em chamas – Connor, não faz assim!! – exclamo, mordendo meu lábio com força.

—Quer que eu pare?? – pergunta, fazendo menção afastar-se mas o impeço cruzando as pernas em suas costas.

—Não se atreva!!! – ameaço, gemendo alto quando me beija intimamente, tapando a boca com ambas mãos ao notar Max mover-se, fechando os olhos e gemendo novamente ao receber mais beijos íntimos, suas mãos continuando a subir por meu corpo ainda sob o roupão.

Solto o laço permitindo ao tecido sedoso deslizar para os lados, revelando minha nudez. Arqueio meu corpo, tocando meus seios enquanto Connor prossegue com sua deliciosa tortura. Quando suas mãos alcançam meus seios, cubro-as com as minhas, guiando-o, emitindo um breve protesto quando cessa as caricias, afastando-se porem logo sou recompensada ao senti-lo deitar-se sobre mim segundos depois, completamente nu, sua ereção roçando a parte interna de minhas coxas, pressionando levemente minha entrada, pondo em brasas de vez.

Em resposta, ergo meu quadril a seu encontro ao mesmo tempo que cruzo as pernas em suas costas novamente, antecipando nosso encontro. Um som gutural e rouco sai de seus lábios deixando-me ainda mais excitada. Cravo as unhas em seu corpo, rebolando, incitando-o a mover-se, a urgência ditando nosso ritmo. Mordo meu lábio novamente contendo o grito de prazer quando atinjo o orgasmo, meu corpo estremecendo em espasmos fortes, desabando sobre o colchão, Connor acompanhando-me segundos depois, envolvendo-me em seus braços, a cabeça repousando no vale entre meus seios, nossa respiração e batimentos voltando ao normal gradativamente.

Durante um tempo impreciso ficamos assim, abraçados, num silencio acolhedor, apenas curtindo um ao outro, nosso filho dormindo tranquilo no berço ao lado de nossa cama. Enrosco meus dedos em seu cabelo brincando com os fios grossos, rindo discretamente ao encontrar alguns brancos enquanto suas mãos acariciam-me lateralmente, subindo e descendo tão delicadamente que se não estivesse acordada pensaria se tratar de um sonho. Esta era uma das qualidades que me encantavam nele: a firmeza e a delicadeza. Era impressionante como suas mãos podiam ser firmes e precisas num segundo e suaves no outro.

—Como senti falta disso! – sopra num suspiro que arrepia-me mais uma vez.

—Do jeito que fala parece que não transavamos a um século! – provoco-o, deliciando-me com seu riso melódico.

—Um século não digo, mas pelo menos um mês com certeza! – responde, beijando meu peito.

—Dois e meio na verdade, mas quem estava contando? – o corrijo, bem humorada, fazendo-o rir mais.

—Pois é, quem estava contando? – parafraseia-me, erguendo o dorso apoiado nos cotovelos, me encarando com olhos brilhantes – Sarah, estive pensando...- começa dizer, erguendo-se um pouco mais – Volto a trabalhar na segunda e meu tempo ficara bem reduzido e apesar de você permanecer ainda por mais um mês, terá e não terá tempo pra ver isso....

—Connor, por que a enrolação? – o corto, estreitando os olhos ao encara-lo – O que está tentando me dizer? Fez algo e não sabe como me contar? – interrogo, ele rindo sincero.

—Não fiz...ainda – admite, sentando-se – Estive pensando, como dizia – recomeça – Quero pedir a Benny que prepare nosso casamento civil. Sei que demanda tempo, teremos que providenciar a documentação necessária....não é algo rápido e por isso gostaria de pedir a ele que começasse ver isto para nós. Sem pressa. Mas apenas se concordar – condiciona, acariciando meu braço – Depois, se quiser, podemos ver o casamento religioso, mais a frente, caso queira – completa – Que me diz? – pergunta, não escondendo a ansiedade – Por favor, não se sinta pressionada. Apenas pensei, agora que Max nasceu, é nossa realidade, eu meio que comecei a pensar em garantir o futuro dele, de vocês pra ser honesto. Quero protege-los de meu pai – declara abertamente, sem nenhuma vergonha e rio, pensando no quanto meu futuro sogro ficaria “feliz” em saber disto – Então, que me diz? – questiona e arqueio a sobrancelha.

—Não disse para Não me sentir pressionada? – devolvo, encantada ao vê-lo ficar vermelho – Amo te deixar sem graça sabia? É tão raro! – digo, enrugando o nariz numa careta – Voltando ao que interessa – sigo, sem lhe dar chance falar, refletindo um segundo – Concordo. pode pedir-lhe para ver o que precisamos para dar entrada na papelada – libero, sobressaltando-me quando me rouba um beijo – Também quero que peça para cuidar da venda do prédio que ganhou pra mim – faço aspas no ar – Quero resolver essa situação o quanto antes. Não vou mantê-lo. Prefiro vender – peço, puxando o travesseiro, pondo-o as minhas costas e me apoiando nele.

—Peço sim – anui, envolvendo minha cintura, deitando a cabeça em meu abdômen – Já pensou no que vai fazer com o dinheiro? Posso pedir a Benny que te indique algum investimento ou alguém que te oriente a respeito – diz, enroscando suas pernas as minhas.

—Mais ou menos – respondo, franzindo meu nariz em outra careta, ajeitando o robe em meu corpo de forma a cobrir meus seios – Pretendo abri contas para as meninas e Max. Assim já terão garantido ao menos o dinheiro para a faculdade e se manterem caso decidam estudar em outra cidade – conto, voltando a brincar com seu cabelo – Depois que fizer isto, verei o que fazer com o que sobrar. Se sobrar – condiciono, e ouço-o rir baixinho — De repente podemos fazer uma viagem de férias para algum lugar exótico ou que nós dois queiramos conhecer...Austrália por exemplo!...ou comprar um outro apartamento ou investir mesmo, quem sabe – dou de ombros – Ou posso doar – considero, mordendo meu indicador de leve – Vi uma reportagem outro dia sobre algumas Ongs e fundações que sempre precisam de ajuda. Posso doar uma parte ou o todo, não sei – concluo.

—Não sou expert em mercado imobiliário, mas acho que, se Benny te conseguir alguém que venda por um bom preço, pode fazer tudo que pensou. Basta saber dividir – afirma, deixando escapar um bocejo – Para abrir as contas não precisa de um valor elevado. Pode abrir com o mínimo e ai incentivamos as meninas a pouparem – sugere, se acomodando melhor a meu corpo – Minha mãe fez isto com comigo e com Claire – revela – Mais ou menos um ano antes de ela morrer, levou-nos ao banco e abriu uma conta. Lembro de a ouvir dizendo que dali em diante Claire, e no futuro eu faria o mesmo, teria de juntar parte da mesada se quisesse engorda-la – faz aspas no ar usando a mão direita, suspirando antes de ficar em silencio, sinal que estava lembrando da mãe.

—Uhum – limito-me dizer, inclinando-me o suficiente para deixar um beijo no topo de sua cabeça, voltando a me recostar a cabeceira, respeitando seu momento.

Sua mãe era um assunto tão delicado e doloroso quanto a minha. Nossas famílias, para ser sincera, eram um tema sempre difícil de abordar entre nós. Mais do que qualquer outro.

Não sabia o que havia se passado entre ele e o pai na noite em que sua mãe cometera suicídio. Ele não falava sobre o assunto e eu não perguntava.

Da mesma forma, eu não falava sobre minha mãe e suas loucuras desde que meu pai a abandonara (e a mim por tabela) por outra mulher e ele igualmente não me fazia perguntas.

Ambos tínhamos nossos limites e os respeitávamos, apoiando-nos mutuamente sempre que as lembranças nos assolavam, como acontecia agora, escutando sem nada perguntar ou simplesmente silenciando.

—Ela teria gostado de você – ouço-o dizer após um tempo – Gostava de pessoas simples, sem frescura e que curtiam artes cênicas e música – revela, suspirando mais uma vez – Aposto que seriam grandes amigas – diz, fazendo-me sorrir minimamente.

—Também acho que mamãe gostaria de você mas por razoes diferentes, infelizmente – digo e é minha vez de suspirar – Sua conta bancaria e o prestigio de seu sobrenome a deixariam encantada com toda certeza! – exclamo com amargor – Depois que meu pai nos abandonou ela passou a dar valor exagerado e este tipo de coisa – revelo – E o pior é que nem sei porque já que, pelo pouco que sei, a tal mulher por quem a deixou, não era rica muito menos de uma família renomada – conto.

—Ele nunca tentou contato com você? – questiona, erguendo o rosto para mim e nego com um aceno de cabeça – Tudo bem, por assim dizer, separar-se de sua mãe se já não a amava. Mas você não tinha nada com isso. É filha dele. Tinha que ao menos ter tentado entrar em contato alguma vez nestes anos todos – pondera, retorcendo os lábios numa expressão contrafeita – Mesmo com todas as diferenças entre nós, com nossa briga e rompimento por eu ter pedido emancipação e pouco depois ido embora, meu pai tentou contato comigo mais de uma vez. Chegou mesmo a ir na primeira universidade na qual entrei, em Cuba, tentar falar comigo – revela, me causando surpresa – Logico que o evitei e mudei de país tão logo consegui transferência. Mas ele foi em minha busca. Por suas razões torpes e vontade de me controlar, mas foi – diz e mesmo o assunto não sendo para isto, rimos.

—Eu diria que minha mãe e seu pai têm algo em comum: querer nos controlar – digo, afagando seu rosto – Minha mãe ficou possessa quando disse que faria Medicina. Brigou, xingou, ameaçou não me ajudar em nada, o que quase cumpriu, mas por fim deu-se por vencida, muito embora vivesse me alfinetando com uma piada de mal gosto aqui e ali – relembro.

—Este tipo de atitude é ainda pior do que declarar abertamente que não gosta do curso que escolhemos – diz – Meu pai sempre menosprezou minha capacidade no que se referia a isto. Fazia questão de frisar o quão pouco valorizados os médicos são, o quanto trabalham e quão pouco recebem a menos que escolham uma área que lucrativa, como cirurgia plástica – relembra, sentando outra vez –Certa vez, enquanto suturava um sheik em Ryad, lembrei tanto dele que cheguei a ouvir sua voz ironizando meu serviço e parei, olhando em volta para ter certeza de que não estava escondido em algum lugar da sala – conta e rimos juntos novamente, ele ficando sério de repente – Juro que nunca farei o mesmo a nosso filho ou as meninas – declara de maneira solene, olhando em direção ao berço como se realmente o estivesse fazendo para Max – E nunca vou te abandonar – volta-se para mim, segurando minha mão – Nunca – reitera, me olhando intensamente.

Pega de surpresa, sustento seu olhar, estática. Muda. Chocada demais com a profundidade daquela declaração. Muito mais do que um simples “Eu te amo”, Connor estava abrindo seu coração para mim. Do seu jeito. Nas entrelinhas, mas estava.

—Connor eu...nem sei o que dizer – confesso, afagando seu rosto novamente – Eu ...

—Não precisa dizer nada meu amor – diz.

—Precisar não preciso, eu sei. Mas quero. Porque demorei muito pra admitir para mim mesma o que sentia por você. Porque lutei tanto, tentei tanto te arrancar do meu coração quando tudo que eu queria era estar a seu lado, te amando e sendo amada – confesso, inclinando-me até tocar seus lábios – Amo você Connor Rhodes e quero passar o resto de minha vida a seu lado – declaro, iniciando outro beijo, o trazendo comigo quando deito.

Desta vez nos amamos sem pressa, aproveitando cada toque, cada caricia, cada beijo trocado, atingindo o clímax juntos, nos aquietando, satisfeitos, relaxando novamente abraçados.

O choro de nosso filho me desperta e respiro profundamente, passando a mão pelo cabelo, retirando o braço de Connor que prendia-me, deslizando para fora da cama.

Me inclino sobre o berço, verificando o motivo do choro já que não era fome, descobrindo tratar-se do double pack, como Will apelidara: xixi e coco!.

—Prontinho filho, mamãe já vai te limpar – sussurro, vestindo o roupão, prendendo-o forte antes de o retirar do berço, levando-o até o trocador – Pronto meu amor, mamãe tirou essa caquinha fedida! – digo, fazendo bico e voz manhosa com ele, limpando o bumbum com lenço umedecido antes de o levar ao banheiro, onde a banheira estava sempre montada num canto – Vamos tomar um banho gostosinho meu bem? Ficar bem cheiroso pro papai e pra mamãe – continuo, segurando-o cuidadosamente em um braço, usando a mão livre para encher parcialmente com água morna, banhando-o com calma.

Por ser prematuro, Max tomava banho a cada dois ou três dias, dependendo do tempo. Quando esquentava um pouco mais costumo usar água a temperatura ambiente. Nos dias mais frios, como hoje, opto por morna.

—Você gosta disso não é meu amor? Gosta sim. Mamãe tá vendo seu sorriso...que só não é maior e mais bobo do que o de seu pai – afirmo, olhando Connor de soslaio – Vai ficar ai ou vai querer me ajudar? – pergunto, ele desencostando-se do dormente, vindo até mim – Seu pai é um bobo sabia? – brinco, desviando de seu beliscão que tenta me dá – Não acredito que ia beliscar a mãe de seu filho!?! – provoco-o, rindo, deixando que segurasse Max enquanto pego uma fralda limpa.

—Só me defendendo – responde, também rindo, retirando a espuma do sabonete com o mesmo cuidado que eu.

—Connor, você lembrou de trazer fraldas quando foi ao mercado ontem? – questiono-o, não esperando resposta – Porque essa aqui é a ultima do último pacote – exibo, abaixando-me a fim de verificar melhor o armário.

—Trouxe sim – garante, envolvendo nosso filho com a toalha, fechando os olhos – Hummm, não, espera...estava em falta o tamanho e a marca que usamos – lembra, fazendo uma careta – O rapaz disse que chagaria em dois dias. Acabei esquecendo de voltar lá pra ver – admite.

—Na farmácia aqui perto não tinha? Lembrou de ver quando foi lá ontem a tarde? – pergunto, ele negando.

—Lembrei sim e não tinha – diz, me entregando nosso filho – Vou agora mesmo providenciar isso – avisa, voltando para o quarto.

—Veja também meu shampoo e creme, por favor meu amor – peço, enxugando Max – E o álcool em gel está quase no fim. Traga também – acresço, passando pomada contra assaduras e talco antes de colocar a fralda, evolvendo-o em uma manta, retornando ao quarto – Seu creme de barbear também está no final – alerto, pondo nosso filho sobre o colchão – Olha ele pra mim enquanto pego uma roupinha amor – peço, ele atendendo-me de imediato.

—Quer mais alguma coisa do mercado? – questiona, brincando com o bebê.

—Não – respondo, escolhendo um conjuntinho de calça e camisa presenteados por doutor Charles – Hummm, pode me trazer chocolate e mais sorvete – peço, aceitando sua ajuda para vestir Max – Prontinho meu amor. Limpinho e cheiroso, não é papai!?

—Muito cheiroso! – concorda – Os dois – acresce, me dando um selinho – Vou indo. Volto dentro de meia hora no máximo – avisa, me dando outro selinho e um beijo na cabeça de nosso filho, pondo-se de pé num salto – Vou trazer almoço pra gente. Nada de cozinha hoje – decide de repente – Quer qual tipo de comida? Italiana, Chinesa?? – pergunta, parando junto a porta.

—O que quiser amor – libero, segurando Max em meus braços, embalando-o – Só não quero nada muito pesado – peço.

—Ok. Volto já – despede-se, lançando-me um beijo, que retribuo.

—Somos só nós dois agora meu bem, até o papai voltar – digo, cheirando o rostinho de meu filho, olhando o tempo pela janela – Que acha de irmos a varanda pra você tomar um pouquinho desse sol? Você quer filho? – pergunto, pondo-o no berço – Mas antes mamãe vai por uma roupa, afinal nunca se sabe se tem alguém olhando de uma janela indiscreta não é meu amor? – falo, abrindo o guarda roupas, escolhendo uma bermuda em cetim e blusa de algodão, mais fresco porque mesmo o tempo não estando quente, sentia certa dose de calor. Por isso também prendo meu cabelo no alto, enrolando o rabo de cavalo de forma a forma um coque, que prendo firme – Vamos meu amor? – pegando Max em meus braços novamente, caminhando com ele para a sala, embalando-o, seguindo a melodia da canção que vinha do apartamento acima do nosso, suponho, mesmo não entendendo a letra.

Abro a varanda, andando de um lado para o outro durante alguns minutos, dançando ao som da canção, sorrindo ao ver meu filho fazê-lo, sentando na espreguiçadeira que Connor comprara quando sai do hospital após ter sofrido ameaça de eclampsia. Deito-me, esticando as pernas, pondo Max sobre meu peito, os raios do sol tocando minha pele numa caricia deliciosa.

Não gostava muito de me expor por ser sensível demais. Mesmo quando uso protetor fico vermelha e descasco quando tomo sol em excesso, algo bem raro.

Durante alguns minutos permaneço ali, deixando o sol aquecer a mim e meu filho, levantando quando sinto esquentar um pouco mais, retornando ao interior do apartamento.

Estava prestes a sentar no sofá quando a campainha toca. Arqueio a sobrancelha imaginando quem poderia ser. Connor certamente não porque levara sua chave. Claire e Jay teriam ligado, além de ela também ter uma cópia da chave (que usava para entrar com as meninas durante o tempo em que estive internada, quando comparar algo e queria nos fazer surpresa ou quando sabia que Connor não estava em casa). Lívia havia viajado com Scoth (os dois estavam de rolo, ao que tudo indicava). Nossos amigos geralmente avisavam quando viriam. Entrega ou visitantes desconhecidos eram anunciados pelo interfone a fim de liberarmos que subisse. Logo, não fazia ideia de quem poderia ser àquela hora, em plena manhã de sábado.

—Quem será meu bem? – indago, verificando a hora no relógio na parede da cozinha, seguindo até a porta, respirando fundo em busca de paciência quando a pessoa toca duas vezes seguidas – Um momento – peço, imaginando se a criatura sabia que havia um recém nascido em casa o qual poderia ser acordado, caso estivesse dormindo, ao toque insistente – Só pode ser algum idiota que julga-se tão importante a ponto de não poder esperar um minuto para ser atendido! – resmungo, demorando atender propositadamente, ficando na ponta dos pés para olhar através do olho magico – Olha, e não é que acertei! – exclamo, acomodando meu filho nos braços a fim de conseguir abrir a porta, encarando meu futuro sogro.

—Bom dia e perdoe-me se a interrompi — pede de forma surpreendente, olhando de mim para meu filho alternadamente – Posso entrar? – questiona por fim, quebrando o silencio que se instalara entre nós.

—Connor não está senhor Rhodes – informo, ele rindo com o canto da boca, me trazendo um frio na espinha.

—Eu sei. Estava no carro em frente ao prédio. Vi quando saiu. Na verdade, vim para falar com você – revela, a sensação aumentando – Posso entrar agora? – repete, encarando-me.

Ponho-me de lado com um suspiro impaciente, lhe dando passagem, fechando a porta assim que entramos.

—Sente-se por favor – convido, eu mesma o fazendo, puxando o carinho para perto de mim, colocando meu filho deitado lá dentro – Então, o que veio me falar? – pergunto, direta, encarando-o, demonstrando uma calma que estava longe de sentir. Ao menos assim espero. Cornelius Rhodes não era alguém perto do qual se deva demonstrar fraqueza ou medo.

—Posso? – responde com outra pergunta, apontando o carinho e aceno afirmativamente, vendo-o (tensa, admito) inclinar-se até ficar bem perto de meu filho, afastando, afastando o cobertor com a mão, expondo seu rostinho – Parece com o pai – declara e antes que possa dizer algo, completa – Meu filho deve estar orgulhoso e feliz, certamente. Assim como você – diz, voltando a sentar-se ereto, soltando o botão de seu terno caro e de corte perfeito – Antes que adiante-se, sei que o menino é de fato um Rhodes, meu neto por conseguinte e sim, não apenas soube como tive acesso ao resultado do teste que fez para me provar isto mesmo meu filho sendo contra – revela e abro a boca, surpresa e irritada.

—Mandou alguém me seguir, investigar ou as duas coisas? – questiono-o, contendo a vontade de lhe dar uma bofetada caprichada!

—Não cheguei a tanto – garante, rindo enviesado – Tenho contatos no meio médico atualmente. Muito por força da posição que Connor ocupou após seu retorno. Sei que deve estar desapontada já que, presumo eu, pretendiam, a senhorita e meu filho, esfregar o resultado em minha cara depois de todos os questionamentos que levantei quando veio morar com ele – relembra, mexendo-se, parecendo incomodado com algo – Tive minhas razões para duvidar já que sua mãe tentou me dar o golpe da barriga cinco anos atrás – revela, novamente não me dando chance falar – É justamente este o assunto que me traz aqui hoje – revela, finalmente, estendendo-me um envelope pardo.

—O que é isto? – pergunto, desconfiada, hesitando em receber o objeto.

—Papeis para um provável reconhecimento de paternidade de sua irmã mais nova – responde, direto, deixando-me paralisada – Não, eu não sou o pai da menina, se é isto que a preocupa – afirma com uma calma irritante – Não sei se Claire lhes contou alguma coisa, mas tenho forte suspeita de que a menina seja filha de um primo em primeiro grau o qual foi criado comigo, como um irmão mais novo, após a morte dos pais. Ele e Connor são muito parecidos fisicamente. Sempre que saia com meu filho as pessoas julgavam ser seu pai – conta – Quando Claire mencionou o quanto a pequena perece-se com meu filho fiquei curioso. Quando a conheci, pensei o mesmo. Junte a isto o fato de que estivemos, sua mãe, meu primo e eu, num mesmo congresso cinco anos atrás e os dois envolveram-se antes de ela se envolver comigo – revela, me deixando chocada – Não posso obriga-la acreditar no que digo, mas se quiser verificar a veracidade do que digo, pergunte a Claire. Ela me acompanhou ao congresso, me viu com sua mãe, embora não saiba lhe dizer se lembra dela e presenciou a discussão que tive com Samuel tão logo descobri que estavam dormindo juntos – relembra – Algum tempo depois que havíamos retornado a Chicago, sua mãe me procurou dizendo, a princípio, querer me pedir desculpas pela confusão, depois tentou jogar para mim a paternidade do filho esperava. Se não houvesse feito vasectomia teria ficado em dúvida já que, como pode comprovar por si mesma, fertilidade não é um problema para os Rhodes – declara com certa arrogância – Conversei com Samuel e ele concordou em fazer o DNA. Não poderá vir pessoalmente por razões pessoais, mas fara a coleta do material e enviara. Peço que façam o mesmo com a menina tão logo ele comunique o envio – diz.

—Por que está fazendo isto senhor Rhodes? – não resisto questiona-lo.

—Para tirar de uma vez por todas essa espada de minha cabeça. Ainda mais agora que faz parte da família e me deu um neto – declara, franco – Como bem sabe, fui contrário a este relacionamento entre a senhorita e meu filho, por razoes obvias, e ter esta suspeita pesando sobre minha cabeça desagrada-me.

—Não posso falar por Connor, mas o fato de ser ou não o pai de Marina em nada me interessa – garanto-lhe, pondo o envelope sobre a mesinha de centro -Minha irmã viveu muito bem até hoje sem conhecer o pai e vai continuar assim. Ou seu primo pretende leva-la para morar com ele? – pergunto, meu corpo retesando-se de imediato. Não iria deixar nenhum estranho levar minha irmãzinha mesmo que seja o pai dela.

—Garanto-lhe que não há intenção alguma dele em tomar a menina de sua guarda e de meu filho. Tudo que fara é reconhece-la como filha, assim terá seus direitos ante a lei – informa e sinto meu sangue ferver.

—Se a questão é esta, diga-lhe que não se dê ao trabalho. Marina não precisa do dinheiro de sua família, senhor Rhodes. Nem ela, nem eu e meu filho também não irá precisar – anuncio, irritada – Posso lhe assegurar que Connor e eu temos condições de sustentar e mantê-los com o que ganhamos – afirmo, pondo-me de pé – Se era só isso...

—Não – interrompe-me, recostando-se calmamente ao sofá – Também vim para conhecer meu neto, ou tencionam proibir-me de vê-lo? – inquire e antes que possa responder, o temor que formara-se em meu intimo desde sua chegada, se concretiza.

—Querida, cheguei!! – Connor brinca, entrando animado – Trouxe comida Italiana, massa, para repor as energias que gastamos mais...- cala-se ao voltar-se e nos ver (eu de pé, mais tensa do que as cordas do violoncelo de Emma; meu futuro sogro tão a vontade como se estivesse na sala de sua casa) – Que faz aqui? – pergunta, deixando as sacolas que trazia sobre a bancada na cozinha, vencendo a distancia que o separava de nós num piscar de olhos, posando-se a meu lado – Se disse algo a minha mulher que a machuque...

—Recolha as armas Connor. Vim em paz – corta-o Cornelius – Não agredi ou disse nada que ferisse sua esposa. Apenas trouxe os papeis para o reconhecimento de paternidade e aproveitei para conhecer meu neto – declara, rindo torto.

—Como é? Reconhecimento de paternidade? – Connor repete, dando um passo em direção ao pai.

—De Marina – apresso-me dizer, segurando-o pelo braço, a surpresa fazendo com que me encarasse – Seu pai trouxe os papeis para que possamos agilizar o processo de reconhecimento de paternidade do pai de Mama. Ele acha...pode ser um tio seu – digo, vendo-o enrugar o cenho.

—Samuel – Cornelius intervém – Ele conheceu sua futura sogra no mesmo congresso que eu e também foi para a cama com ela. Até mais vezes do que eu – acrescenta e sinto vontade de esgana-lo.

Evidente que este detalhe não fazia a menor diferença no caso em questão. Mas logico que ele não perderia a chance de jogar na minha cara o quanto minha mãe era...sociável!

—Informação desnecessária pai – Connor declara e rio discretamente – Por que isto agora? – repete a pergunta que fiz pouco antes – Não estamos interessados em saber quem é o pai dela. Marina está muito bem e feliz ao nosso lado e assim ficara. Ninguém irá tira-la daqui – decreta, o resmungo vindo do carinho em conjunto com a umidade em meus seios avisando que chegara a hora da mamada de Max.

—Deem-me licença – peço, pegando-o no colo – Até qualquer dia senhor Rhodes – despeço-me antecipadamente, caminhando em direção a nosso quarto. Ainda escuto-o responder e dizer algo mais, que se perde na distancia entre nós.

No quarto, arrumo os travesseiros, sento-me, recostando-me a eles, ponho-me confortável, abro a blusa e ofereço o peito para meu filho mamar, me perdendo em pensamentos enquanto o faz, distraindo-me a ponto de não notar a chagada de Connor até que senta-se a meu lado, pondo uma sacola com a logomarca da loja de sua família desenhada nela sobre o colchão.

—O que é isto? – pergunto, enrugando o cenho, ajudando Max a “pegar” meu peito outra vez.

—Presentes para Max e as meninas que meu pai trouxe – revela, baixando levemente a cabeça, os braços cruzando-se sobre seu peito, postura que assume sempre que fica pensativo ou preocupado com algo.

—O que foi? Seu pai disse mais alguma coisa a respeito do suposto pai de Marina? – quero saber.

—Não – responde, voltando a ficar calado.

—Connor, o que há? Te conheço o suficiente pra saber que algo te incomoda – digo, verificando se nosso filho dormira enquanto mamava – Então, o que está te inquietando?

—Meu pai não faz nada sem motivo, sem uma justificativa valida mesmo que apenas para ele. Também não é dado a arroubos de simpatia e carinho por ninguém. Sempre que se dispôs ajudar alguém, receberia algo em troca. E agora, do nada, resolver bancar o justiceiro cobrando a meu tio que assuma a paternidade de uma filha que sequer sabia existir? – enumera, encarando-me com o cenho enrugado – Não está batendo. Há algo que ele não está dizendo. Uma cobrança de Claire, talvez. Algum tipo de ameaça feita a seu precioso sobrenome, algo que meu tio disse ou fez, eu não sei!! Mas que há algo por detrás de sua aparente boa intenção há.

—Dizia-me, quando você chegou, que queria esclarecer de uma vez por todas para tirar a espada de sua cabeça especialmente agora que eu pertencia a família – lembro, acomodando nosso filho, que dera-se por satisfeito, em meu colo de forma que pudesse arrotar antes de o colocar no berço – Acredita que pode ser isso? – questiono-o.

—Não sei Sarah. Não dá pra confiar no que ele diz. Simplesmente não dá – afirma, pegando seu celular, que começara a tocar – Oi Claire – atende, escutando-a um tempo – É, ele esteve aqui a pouco. Veio trazer os papeis para que Sarah e eu pudéssemos dar entrada no pedido de reconhecimento de paternidade – conta, massageando sua ponte nasal com os dedos, ouvindo-a novamente – Honestamente não sei Claire. Evidente que Marina merece saber quem é o pai, mas será que vale a pena fazer isto agora, neste momento? Ele não vai querer...- cala-se, me dirigindo um olhar casando enquanto ouve o que a irmã dizia – Eu sei Claire, e reconheço a importância disso. Mas precisamos pensar nela, no que é melhor para ela agora e não daqui dez, vinte anos. Em nada adiantara dizermos quem é o pai se não terá a chance de conhece-lo, ou o pai mentiu quando disse que nosso tio não pretendia vir busca-la para morar com ele? – questiona, balançando a cabeça pendularmente – É a isto que me refiro. Marina tem a nós, Sarah e eu, tem a irmã, você, Jay e todos nossos amigos. Por mais que sinta falta do pai, está acostumada a não tê-lo e saber quem é certamente ira gerar nela uma expectativa de conhece-lo e poderá ficar frustrada quando não acontecer entende? – a pergunta é feita a irmã dele, mas sinto-me incluída. O que Connor dizia tinha certa verdade – Claire eu sei que ela deseja ter um pai e é justamente por isso que não acho apropriado fazer este bendito teste neste momento! – impacienta-se, suspirando – Ok....Ok...Tá Claire entendi! – exclama, bufando alto – Traga-as amanhã sem falta – ordena, desligando em seguida, esfregando o rosto com as mãos – As meninas dormirão com ela novamente – avisa, passando a mão pelo cabelo – Por que é tão difícil entender que não fara bem algum a ela saber quem é o pai agora? Ele sequer vira a cidade para a coleta do material! Esta na cara que não quer conhece-la. Pra que acenar com a imagem de um pai que não terá por perto tão cedo? – questiona, erguendo os olhos para mim.

—Honestamente não sei o que pensar Connor – admito, levantando, colocando Max no berço, arrumando minha blusa antes de voltar-me para ele, mordendo meu lábio, insegura, encarando-o um tempo antes de falar novamente – Como deve lembrar, quando descobri que estava gravida, várias hipóteses passaram em minha mente incluindo nunca te conta sobre ele mesmo que decidisse tê-lo – relembro, indo sentar-me a seu lado – Minha mãe agiu diferente mas por interesse. Estava certa de que seu pai não abandonaria uma filha e por conta disso teria uma vida tranquila com a pensão que receberia. Odeio admitir isso, mas era o que ela pensava. Cansei de a ouvir dizer que ficaríamos muito bem tão logo o pai de Marina a reconhecesse – revelo, contorcendo os lábios numa careta – Quando não deu certo, ficou ainda mais amarga – conto – Quando Kim e Gabby me convenceram que deveria te dizer a verdade, tudo que pensei era em dar a nosso filho um pai com quem pudesse conviver e não uma conta bancaria! – exclamo, entrelaçando nossos dedos – Eu sei que minha irmãzinha quer muito saber quem é o pai dela, que gostaria de o abraçar e beijar como faz com você e ficaria imensamente feliz em propiciar isto a ela – assumo, suspirando – Mas se seu tio não deseja, de fato, nem mesmo conhece-la, se está sendo obrigado a realizar o exame, concordo com o que diz meu amor. Vamos deixar este assunto de lado – sugiro.

—Não precisamos deixar de lado. Até podemos fazer o exame. Mas nada de processos por enquanto. Não quero minha coelhinha sofrendo por alguém que a ignora – declara e o abraço, beijando-o demoradamente.

—Decidido: faremos o exame apenas para que saibamos se é realmente ele o pai de Mama, mas nada de processos ou mesmo de contar a ela por enquanto – determino.

—Isso! – exclama, seus olhos brilhando de contentamento – Faremos o exame, descobrimos a verdade e guardamos tudo para contar a ela quando estiver pronta, lá pelos trinta anos quando estiver formada, casada, se assim desejar, e feliz! – decreta e estreito os olhos, encarando-o.

—Connor Rhodes, é ciúmes que estou detectando aqui? – provoco-o, amando o ver vermelho outra vez – Está com ciúmes do provável pai de Marina, é isso?

—Não – diz, taxativo, envolvendo minha cintura, derrubando-me sobre o colchão de surpresa – Estou com ciúmes de um cara que nunca a viu, que não sabe nada dela, ganhar o direito de ser chamado de pai enquanto eu perderei – assume e rio descaradamente – Isso, pode rir. Queria ver se fosse com você – resmunga, fazendo bico.

—Oh meu pai, que coisa mais fofa com ciúmes de nossa menininha! – brinco, impedindo-o desmanchar o bico com meus dedos – Que biquinho lindo...tentador...gostoso de beijar meu pai do céu!! – volto a brincar, intercalando cada frase com um beijo – Marina nunca vai te deixar de lado seu bobo. Se nem mesmo Jay conseguiu essa façanha, um desconhecido não terá a menor chance – garanto, enroscando meus braços em seu pescoço.

—Eu não sei não...- resmunga, roubando dois beijos rápidos – Por via das dúvidas, não vamos falar nada a ela e não é por ciúmes – apressa-se dizer e rio mais – Sério Sarah, não quero que ela sofra por causa de um irresponsável – declara.

—Concordo – anuo, ficando séria também – Falamos com Claire e a vemos entender nossos motivos ok? – indago, não o deixando responder – Agora que tal comermos? Estou faminta!! – exclamo – E já que teremos um pouquinho de privacidade, já que até nosso filhote resolveu colaborar, quero comer bem para repor as calorias perdidas, como bem lembrou – digo, lhe dando um selinho – Descansar e mais tarde, caso continuemos dando sorte, queimar as calorias que vou ganhar no almoço...se é que me entende! – indago, mordendo o lábio de forma provocativa.

—E como entendo! – devolve, me dando um beijo de tirar o folego – Almoço madame – convida ao cessar o contato, pondo-se de pé, me impelindo fazer o mesmo – E, se for boazinha, prometo que capricho na sobremesa – diz, piscando para mim.

—Hummmm, mal posso esperar – respondo, pegando a babá eletrônica antes de deixarmos o quarto...

“...Quando o raio do amor nos feriu;

A felicidade então nos sorriu;

Eu quero só você;

Longe, perto, o lado, eu só penso estar com você”

Notas finais
Nos vemos em vinte dias...um pouquinho mais! Bjinhos flores....E Feliz Ano Novo (ainda é tempo rsrsrsrsrs!)