Love Hurts!
14 A Family Guy
Notas iniciais
“Say say say,hey hey hey now baby;
Oh my my, don’t play now baby;
Say say say, hey hey hey now baby;
So let’s get one thing straight now baby;
Tell me tell me if you love me or not;
Love me or not live me or not;
I bet the house on you, am I Lucky or not;
Lucky or not Lucky or not?
You gotta tell me if you love me or not;
Love me or not love me or not;
Been wishin’ for you, am I Lucky or not;
Lucky or not Lucky or not?
Been wishin’ for you;
Try to do what lovers do(2x)
What Lovers Do
Maroon 5 feat. SZA
Apartamento Connor e Sarah (sábado, 25/3 – 06:25 a.m)
Narrador
Cuidadosamente, Connor sobe na cama apoiando as mãos de forma a ladear o corpo adormecido de Sarah, que se encontrava deitada lateralmente agarrada ao travesseiro, um sorriso iluminando o rosto do cirurgião ao observa-la dormindo.
Delicadamente desliza os dedos por suas costas nuas reveladas pela ausência do edredom que escorregara, seguindo a linha da coluna, inclinando-se, depositando beijos nos ombros, descendo até a metade de suas costas, fazendo o caminho de volta com mais beijos.
—Sarah? Sarah? – chama suavemente ao alcançar seu ouvido – Sarah? – insiste, deslizando os lábios pela lateral de seu rosto deixando um beijo demorado no canto da boca, vendo o sorriso formando-se ao se afastar denunciando que ela despertara mesmo estando de olhos fechados – Desculpe te acordar tão cedo, mas tem exames e consulta agendados com a doutora Harris – justifica-se, pondo o cabelo dela de lado, expondo o pescoço a seus beijos – Escutou o que disse? – pergunta após alguns minutos, mantendo a boca colada a pele sensível.
—Uhum, uhum! – murmura a médica, ainda de olhos fechados, abraçando mais o travesseiro – Não quero levantar agora. Tá tão bom aqui! – resmunga, encolhendo o ombro, enrugando o nariz em uma careta ao sentir a barba rala roçar a pele fazendo-lhe cócegas.
—Concordo – anui o cirurgião, aconchegando-se mais a ela, aumentando a pressão dos lábios sobre a pele deixando uma marca no local ao retira-los, erguendo a cabeça – Mas infelizmente temos que ir. Sua obstetra arranca minha cabeça fora se a fizer perder outra consulta – relembra, encostando o rosto ao dela – Já preparei nosso desjejum, acordei e arrumei as meninas, as deixei sentadinhas na sala tomando café da manhã e só então vim te acordar – enumera.
—Sabe que terá de banhar e arrumar Marina novamente depois que terminar de comer não sabe? – alerta-o, abrindo os olhos.
—Não está literalmente arrumada. Pus apenas um short e uma camiseta simples justamente por isso – revela o cirurgião, erguendo-se minimamente a fim de permitir a ela girar o corpo ficando de frente para ele – Ok...se continuar a me olhar desse jeito, vestida....melhor dizendo, despida, como está, definitivamente vai perder outra consulta! – exclama, pegando-a de surpresa ao tomar seus lábios num beijo ávido, no qual é correspondido assim que a surpresa inicial cede lugar ao desejo.
Devagar, sem interromper o contato, Sarah inverte as posições ficando por cima dele, as mãos passeando por seu dorso, um gemido de protesto escapando de seus lábios ao sentir os botões da camisa que Connor usava.
—Está vestido demais! – reclama, abrindo-os apressadamente, fazendo-o rir.
—É que não pretendia transar quando vim até aqui te chamar...Mas estou começando a mudar de ideia – afirma, soltando um gemido rouco quando com uma mão ela massageia seu membro por cima da calça ao mesmo tempo em que, com a outra, abre botão e zíper – Vamos nos atrasar – decreta, ajudando-a a descer o tecido grosso da jeans – Não vai perder a consulta, mas vamos....- cala-se prendendo a respiração ao sentir as mãos delicadas envolverem seu pênis duro por sob o tecido da box– Atrasar! – sopra, encarregando-se de descer a cueca, libertando-o, a respiração tornando-se pesada na medida em que Sarah o estimula com movimentos de vai e vem cadenciados – Acordou animada!! – exclama, ofegante.
—Culpa sua, que me despertou com seus beijos! – acusa, tomando a boca de Connor em um novo beijo tão ávido quanto o primeiro, prendendo o lábio inferior entre seus dentes fazendo-o gemer rouco mais uma vez sem parar de estimula-lo – Agora aguente as consequências – sussurra, aprofundando o beijo, sua língua invadindo e explorando a boca úmida, cessando o contato apenas quando ambos sentem necessidade de ar.
Com cuidado, posiciona-se sobre o membro ereto, apoiando as mãos sobre o dorso parcialmente nu, as unhas cravando-se a pele, ele levando as mãos a sua cintura, segurando, apoiando sua descida lenta, penetrando-a devagar, deixando-a determinar o ritmo do ato.
Sarah geme baixinho ao sentir-se preenchida por ele, parando para respirar antes de começar mexer-se, rebolando sensualmente, comprimindo-se em volta do membro duro, erguendo o quadril fazendo-o sair dela quase totalmente para voltar a descer desta vez num movimento único, dando inicio a uma cavalgada cadenciada, aumentando e diminuindo o ritmo, arqueando o corpo permitindo as mãos de Connor passearem por seu ventre e seios livremente, mordendo o lábio quando ele insinua uma mão entre os dois, estimulando o clitóris já bastante inchado, arrancando gemidos de prazer.
Ao inclinar a cabeça de lado, nota a porta do quarto fechada, um sorriso malicioso dançando em seus lábios.
—Trancou a porta? – indaga, inclinando-se até tocar seu queixo – Quer dizer...que não... planejava....transar? – pergunta entre uma respiração e outra, deixando uma mordida antes de ergue-se novamente.
—Não...fui apenas precavido! – Connor responde, fechando os olhos, deslizando as mãos até suas nádegas, apertando-as, induzindo-a aumentar o ritmo da cavalgada, erguendo o dorso, “atacando” os seios, sugando-os alternadamente, mantendo os bicos rijos presos entre os dentes até escuta-la gemer alto, lambendo o suor que se formava no vale entre os mesmos, deitando novamente, deliciando-se ao ver a expressão no rosto de Sarah no momento em que atinge o clímax, o corpo delicado amolecendo sobre o seu, invertendo cuidadosamente suas posições novamente, apoiando o peso do próprio corpo nos braços investindo algumas vezes até gozar, relaxando, saindo dela com cuidado, deitando de costas a seu lado.
—Agora quem vai precisar de outro banho sou eu – diz, escutando-a rir.
—Bom, assim me faz companhia – sugere a médica, ficando de lado, apoiando a cabeça em uma mão, a outra brincando com os pelos de seu peito, as unhas arranhando a pele.
—Sarah, se entrarmos juntos naquele banheiro o atraso será ainda maior, nem tenha duvida disso! – alerta.
—O que são vinte, trinta, quarenta minutinhos!? – indaga ela, mordiscando o peito, provocando gemidos roucos.
—Sarah, Sarah, Harris vai me esganar! – reclama, vendo-a levantar da cama, correndo, nua, até o banheiro, parando a porta, chamando-o com o dedo – Existe alguma chance de que eu esteja vivo quando nosso filho nascer? – brinca, despindo-se rapidamente, pulando da cama, vencendo a distância que os separava em segundos, abraçando-a e beijando, entrando juntos no boxe onde fazem amor mais uma vez antes de se banharem voltando ao quarto, arrumando-se juntos, indo ao encontro das meninas ao terminarem.
—Bom dia meus amores! Já terminaram de comer? – pergunta, dando um beijo na cabeça de Emma quando esta passa por eles retornando à sala levando um copo com suco nas mãos.
—Terminamos. Coloquei os pratos dentro da pia – avisa, sentando comportada no sofá.
—To limpinha Sarah! – Marina avisa, limpando as mãos na camiseta.
—Estou vendo meu amor. Meus parabéns! – elogia, abaixando-se, ficando da altura da menina – Agora vamos por uma roupa bem bonita para podermos sair, o que acha?
—Vamos sim. Conno já escolheu pra mim – diz ela, saltitando.
—Ok, vamos lá ver – anui, levantando-se, segurando a mão que a garotinha lhe estendia – Vou troca-la e já volto para sairmos – avisa.
—Ok – Connor anui – Vou preparar seu desjejum enquanto aguardamos – avisa, montando um prato com torradas, geleia, ricota e suco, indo sentar-se ao lado de Emma, voltando-se ao escutar a porta de serviço ser aberta.
—Bom dia doutor Rhodes – cumprimenta a mulher que entrava – Desculpa não ter vindo ontem, mas é que tive um problema de família e acabei esquecendo de avisa-lo. Espero que não se importe por ter vindo hoje para compensar – pede a mulher.
—Tudo bem senhora Marques. Vamos sair daqui a pouco e provavelmente só retornaremos após o almoço. Seu pagamento está na geladeira, como sempre. Se quiser posso adicionar algo a mais por estar vindo em um final de semana – sugere, sorrindo ao ver Sarah voltar com Marina, a menina se atirando no colo dele.
—To bonita? – pergunta, não dando chance ele responder – Sarah fez trança tá vendo! – exibe-as, acenando para a diarista – Oi Mayra.
—Olá bonequinha, bom dia – cumprimenta a mulher, dando atenção a Sarah – Bom dia senhora Rhodes. Como estava explicando ao senhor Rhodes, não pude vir ontem por problemas pessoais e não, não precisa adicionar nada a meu pagamento senhor – informa, guardando a bolsa no armário, pegando o avental.
—Sem problemas senhora Marques e já disse que pode tirar essa senhora, não disse? – lembra, sentando-se, levando uma torrada com geleia a boca.
—Somente se fizerem o mesmo – condiciona a mulher, sorridente.
—Eu já te chamo pelo primeiro nome né Mayra? — Emma indaga, trazendo o copo vazio até a pia.
—Já sim querida – anui a mulher, afagando o rosto da menina – Estão bonitas. Vão passear?
—Só depois que Sarah fizer os exames – explica a menina, ficando na ponta dos pés tentando visualizar a tela do celular de Connor, que começara a tocar.
—Alguém chamado Benny está te ligando – Sarah avisa, pegando o aparelho, Connor pondo Marina sentada no sofá, vindo ao encontro dela – Alguma amiga? – não resiste perguntar.
—Amigo –corrige-a, atendendo – Até que enfim se dignou responder! Já começava a pensar que estava com raiva de mim.
< De jeito nenhum, meu velho! > garante a voz do outro lado da linha em tom jovial < Estive ausente em um retiro sabático. Precisava repensar algumas coisas, rever metas, sabe como é!?! Retornei somente ontem, de madrugada, e apenas agora liguei meu celular e vi suas ligações e mensagens. Espero que possa me desculpar > explica.
—Sem problemas – garante o cirurgiao, baixando a vista para Marina, que puxava sua roupa em busca de atenção – Um segundo meu bem – pede.
< Opa, se estiver atrapalhando posso ligar em outro momento >
—Não, não, é apenas minha sobrinha querendo um pouco de atenção – justifica-se, erguendo o dedo para a menina.
—Marina, venha aqui. Connor está falando ao telefone, não pode ficar atrapalhando – Sarah ralha, trazendo-a para junto de si – Quer tomar um iogurte antes de sairmos? – pergunta, ela acenando afirmativamente – Poderia pegar na geladeira para mim Mayra? – pede a médica, voltando-se na direção de Connor ao escutar seu nome.
—Sarah pagou os quatro meses ao marido da senhoria, só que não recebeu nenhum recibo ou comprovante da parte dele, como te adiantei na mensagem – lembra, parando ao lado dela– Não sei se é tua área de atuação, mas foi a primeira pessoa em quem pensei.
< De fato não é. Posso ver com algum colega e ficarei apenas como apoio a ele ou posso ser o titular, se preferi, e ele me apoiar > prontifica-se.
—Prefiro. Como disse, tenho minhas cismas com advogados – justifica-se escutando o amigo rir do outro lado.
< Ok. Vou aproveitar que irei ao escritório hoje e já adianto alguma coisa. Quando podemos conversar pessoalmente? > quer saber.
—Hoje à tarde está bom pra você? – sugere — Estaremos em casa depois das quatorze horas. Ou podemos marcar para almoçarmos em algum lugar, se preferir.
< Não, não, lá pelo meio da tarde está bom. Além de me atualizar, tenho um compromisso agendado para o almoço > explica < Entre quatro, quatro e meia pode ser? > pergunta.
—Pode sim. Te mando a localização por mensagem – avisa.
< Certo. Nos vemos mais tarde > despede-se, Connor desligando após fazer o mesmo.
—Era aquele amigo advogado do qual te falei, lembra? – interroga, indo até o balcão, pegando um copo com água antes de voltar-se para Sarah – Para cuidar daquele problema com sua ex senhoria – acrescenta, ela acenando afirmativamente – Ele estava num retiro sabático, por isso não respondeu antes– explica – Marquei para ele vir depois das quatro para conversamos pessoalmente. Está bom ou prefere outro dia?
—Está bom – concorda a médica, levantando – Vamos indo ou realmente nos atrasaremos para a consulta – apressa-se – Marina, Emma, venham comigo escovar os dentes – chama, segurando a mão da pequena – Pegue minha bolsa por favor Connor – pede antes de sumir corredor adentro.
—Ela me parece bem melhor doutor – a diarista comenta, chamando atenção dele, que ergue a cabeça, encarando-a com um sorriso no rosto.
—Está sim e graças a sua ajuda – afirma o cirurgião – Seus sucos e vitaminas têm feito milagres! – elogia, deixando-a sem graça – Falo sério senhora Marques. Não sei como lhe agradecer o cuidado e atenção que vem tendo com Sarah e as meninas. Estaria perdido sem sua ajuda – afirma, sincero.
—Não por isso doutor. Gosto muito da doutora e das meninas. Elas trouxeram vida, alegria a sua casa e ao senhor – afirma, fazendo-o sorrir – Já estou imaginando quando esse bebê nascer, depois quando começar a dar os primeiros passos...Imagino que o senhor esteja ansioso, não é mesmo? – questiona.
—Estou. Por várias razões, nem todas agradáveis, infelizmente – admite ele, uma sombra de tristeza passando por seu rosto ao lembrar que mesmo estando vivendo um momento de tranquilidade, ela ainda cogitava mudar-se após o nascimento do filho.
—Vai dar tudo certo, confie — declara a mulher “lendo” sua expressão — Vocês estão se entendendo melhor a cada dia. No começo de toda relação é assim mesmo. Nem tudo são flores quando se divide o mesmo teto com alguém. Surgem as diferenças, os hábitos que antes eram desconhecidos a ambos e nem sempre são fáceis de se aceitar ou adaptar – pondera a mulher, sorrindo ao ver Sarah retornar – Mas basta ver o brilho nos olhos dela e nos seus para saber que tudo vai se acertar, fique tranquilo – acrescenta, dando uma leve tapinha em seu ombro antes de retomar seus afazeres.
—Que os anjos digam amém! –Connor murmura, olhando-as com um sorriso no rosto – Prontas, mulheres de minha vida? – pergunta, estendendo a bolsa para Sarah, que a segura arqueando a sobrancelha.
—Acho que sua irmã ficaria enciumada se o ouvisse dizer isto! – exclama.
—Nops, já que ela está inclusa nessa frase – garante, pondo Marina nos braços – Vamos indo?
—Sim. Mayra, se poderia deixar uma sobremesa pronta? Qualquer coisa doce, por favor – pede, enrugando o nariz numa careta.
—Deixarei senhora – promete, sorrindo gentil– Tenham um bom dia e um bom final de semana. Até a segunda – deseja, acenando antes que saíssem.
—Até segunda Mayra – Emma responde, jogando-lhe um beijo, Marina imitando-a.
—Para a senhora também– Sarah despede-se, fechando a porta após saírem.
—Desistiu de corrigi-la? – Connor pergunta enquanto caminham até o elevador – Deixou que a chamasse de senhora Rhodes – explica ante o olhar intrigado de Sarah, apertando o botão para chamar o elevador – Ou já está se acostumando a essa possibilidade? – interroga, encarando-a ansioso.
—Um pouco dos dois – admite a médica, fazendo nova careta – Apenas não se anime muito. Ainda temos quatro meses pela frente. Muita coisa pode acontecer antes do bebê nascer. Você pode se apaixonar por outra, ou mudar de ideia sobre nós dois, ou descobrir que o que sente por mim não bem o que pensa, ou...- enumera enquanto entram no elevador, apertando o botão da garagem – Ou... – tenta continuar, ele a interrompendo.
—Ou o inferno pode congelar antes que algo do que disse aconteça! – exclama, fazendo-a voltar-se rápido, encarando-o, surpresa – Sarah, Não vou me apaixonar por ninguém pelo simples fato de que Amo Você – frisa – Eu Não vou mudar de ideia sobre nós e tenho plena certeza do que sinto – assegura – A única coisa que pode mudar nos próximos meses é nosso status na redes sociais. De: Em um relacionamento sério, para: Casados! – exclama, roubando um beijo.
—Hum, então mudou seu status nas redes e não me disse nada foi? – indaga, Emma respondendo por ele.
—O dele e o seu – revela a menina, sorrindo – E eu ajudei – acrescenta.
—Uhum, então foram vocês os invasores, não é? Bom saber – diz, torcendo o nariz, fingindo estar brava.
—Ficou zangada? Se quiser mudo de novo. Me desculpa Sarah, eu não...- pede a menina, preocupada, ela a tranquilizando rapidamente.
—Estou brincando boba! – exclama, fazendo cócegas na irmã – Certo que podia ter me perguntado antes, ou pedido minha opinião, mas não estou brava – garante, beijando a bochecha da menina – E não quero que mude...Por enquanto, pelo menos – acrescenta, dirigindo um olhar severo a Connor, que ergue o queixo desafiador, piscando para ela.
—Agora que me ganhou, não vai se ver livre de mim tão fácil amor! – provoca-a, saindo assim que as portas abrem, destravando o carro enquanto se aproximam, pondo Marina na cadeirinha própria, assumindo seu lugar no assento do motorista, aguardando Emma e Sarah se acomodarem antes de dar a partida.
—Respondendo a seu comentário de agora a pouco – Sarah começa dizer enquanto ele manobra o carro, inclinando-se a fim de falar-lhe ao ouvido – Quem disse que quero me livrar de você?! – indaga, deixando um beijo antes de afastar-se, mordendo o lábio de forma provocante, Connor balançando a cabeça negativamente, um sorriso iluminando seu rosto enquanto deixa a garagem do edifício rumo ao Med.
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Chicago Med (07:30 a.m)
Sarah
—Bom dia Rose – cumprimento a plantonista do dia sorrindo ao entrarmos na recepção do setor de Pediatria e Obstetrícia do Med acompanhada por Connor e as meninas.
—Bom dia doutora Reese, doutor Rhodes. Meninas, como estão? – pergunta, acenando com pirulitos para minhas irmãs.
—Bem, obrigada – Emma responde, pegando os doces.
—A doutora Harris já chegou? – pergunto, voltando-me ao escutar uma voz infantil chamar – Owen! Como está? – quero saber, agachando-me para receber seu abraço.
—Está bem, graças a Deus! – Nat responde, surgindo no corredor com Will a seu lado, sorridente – Os pulmões estão completamente limpos, não tem mais febre, nem secreção. Estou tão aliviada! – exclama.
—Que bom – digo, me voltando ao sentir a mão de Marina em meu braço – Oi amor?
—Vamos pra casa? – pede, não me dando tempo responder, interpondo-se entre Connor e Owen quando o filho de Nat tenta ir ao colo dele – Não! Sai! – exclama, empurrando-o.
—Marina, que é isso? Que comportamento feio é esse? — reclamo, segurando-o – Peça desculpas ao amiguinho agora mesmo – ordeno, ela agarrando-se ao pescoço de Connor, escondendo o rosto.
—Esconder-se não vai livra-la mocinha. Faça o que Sarah mandou – Connor reforça, me apoiando, obrigando-a voltar-se para o filho de nossa amiga – Venha aqui Owen – chama, o garotinho obedecendo receoso – Não precisa ter medo, venha – reitera, segurando a mãozinha – Peça desculpas Marina – ordena.
—Marina! – exclamo, aceitando a mão que Will estendia me ajudando a levantar – Desculpa Nat – peço, observando minha irmã obedecer, chorosa.
—Não se preocupe, criança é assim mesmo – minimiza, sorrindo complacente – Não chore querida, está tudo bem.
—Não está não e ela sabe – afirmo, lhe dirigindo um olhar severo – Marina agora deu pra fazer cena de ciúmes, especialmente em relação a Connor – revelo, observando os cinco, Connor, Will, minhas irmã (Emma tinha ido para junto dele oferecendo os doces que Rose lhe dera, abrindo mão do seu em prol de Owen) sentados no chão, interagindo – Emma faz o mesmo, as vezes, porém se corrige rápido, mas ela está começando a me preocupar. Outro dia deu uma tapa forte no braço de uma garotinha que segurou na mão dele enquanto conversávamos com Nathalia, professora de balé delas, porta da sala fazendo a garotinha chorar. Fiquei morta de vergonha! – conto vendo-a sorrir mais uma vez.
—É preocupante realmente, mas esperado – afirma, e franzo o cenho – Veja: Emma, mesmo que por pouco tempo, conviveu com o pai, pelo que lembro de ter-nos contado – lembra e aceno afirmativamente – Marina, por outro lado, não teve isto. Por mais que Jay, Will ou outro amigo seu tenha convivido com ela depois que a mãe as deixou com você, não estavam lá, diariamente, dormindo e acordando, levando-a a escola, ao balé, escolhendo roupa, preparando comida, fazendo parte da rotina dela. Connor está se tornando a referencia masculina, a imagem de pai que ela não tinha e toda criança tem ciúmes de pai e mãe em algum momento. Will mal começou a conviver com Owen e ele já demonstrou sentir um pouco tanto dele comigo quanto de Will com outras pessoas, para minha surpresa – conta, sorrindo ao observa-los como eu fazia, nossa atenção sendo chamada pela chegada de Caitlin Harris.
—Bom dia a todos e desculpem o atraso. Um dos meus gêmeos amanheceu com febre – pede, respirando fundo, dando atenção as “crianças” sentadas no chão – Estamos movimentados por aqui hoje não?! – exclama – Bom dia doutores, crianças – cumprimenta, fazendo Connor e Will levantarem para cumprimenta-la.
—Bom dia doutora Harris. Tenho que confessar que fiquei feliz por seu atraso já que nós também atrasamos um pouco – admite ele, brindando-a com um de seus sorrisos encantadores (e sinto vontade de esgana-lo!).
—Então deu tudo certo, no final – diz minha obstetra, visivelmente encabulada– Owen está de alta, pelo que vejo – comenta, mudando o foco da conversa.
—Está sim, graças a Deus – Nat confirma – Nunca tinha ficado tão aflita nem me sentido tão culpada antes na vida – confessa.
—Bem-vinda a meu mundo – Caitlin comenta, nos causando surpresa – Não é fácil ser mãe e trabalhar fora. Após o termino de minha licença, os primeiros dias foram um tormento duplo: por mim e por meu marido, ambos marinheiros de primeira viagem, sem ninguém para nos ajudar. Cada vez que ele se via sozinho com as crianças e passava por alguma dificuldade me ligava agoniado. Na época ele optou por trabalhar em casa para me ajudar – relembra, suspirando – Apesar de ter sido um período conturbado, tenho saudades, admito – afirma, sorrindo – Mas vamos deixar de blá, blá. Acho que todos temos nossos compromissos e não quero atrasar ninguém, portanto vamos subir para sua consulta – sugere e aceno positivamente.
— Nat, mais uma vez desculpa o comportamento da Marina. Vou pensar em tudo que falou – afirmo.
—Pense, mas não se zangue nem estresse. É só faze-la ver que não vai perder o lugar que ocupa na vida de vocês – aconselha, me dando um beijo no rosto – Vamos indo meninos? – chama, se voltando para Will – Até segunda meus amores. Bom final de semana – despede-se, pondo Owen no braço.
—Até Nat, Will – Connor despede-se, segurando Marina pela mão – Diga tchau pra seu amiguinho coelhinha.
—Tchau – Marina obedece, ainda ressabiada.
—Tchau pequena, divirta-se– Will deseja, lhe dando um beijinho na testa – Você também princesa – diz, repetindo o gesto com Emma – Tchau bem, te vejo segunda – afina a voz, surpreendendo Connor ao lhe aplicar um beijo leve na bochecha.
—Hei! – exclama, tentando acerta-lhe um chute, errando feio – Palhaço – Connor resmunga, limpando o rosto enquanto Cait e eu rimos, acenando para Nat que sai levando suas duas crianças.
— Não faça drama Connor. Foi só um beijinho carinhoso! – não resisto provoca-lo, segurando seu queixo com a mão, fazendo-o virar o rosto para dar um beijo no mesmo local – Pronto, sente-se melhor machão? – brinco, limpando a mancha de batom.
—Um pouquinho – diz, enrugando o nariz numa careta engraçada.
—Homens! Quando pensamos que cresceram... – ouço Cait comentar e rio mais – Vamos subir mamãe e papai, vê como anda esse filhote aqui? – convida, pondo a mão sobre minha barriga.
—Sim. Estou ansiosa para saber como ele está. Tem chutado tanto ultimamente que até parece não querer esperar para nascer! – reclamo, segurando a mão que Marina estendia – Isso é normal? – pergunto enquanto caminhamos para os elevadores.
—Alguns bebês são mais agitados do que outros. Tenho mães que tem preocupação diversa da sua, ou seja, o bebê mal se mexe ou mexe-se tão pouco que só relaxam quando escutam o coraçãozinho batendo – conta, adiantando-se, apertando o botão para chamar o elevador.
—Nosso garotão aqui não nos dá esse tipo de susto – Connor comenta, orgulhoso e sorrio, baixando os olhos para Marina que sacudia minha mão.
—Quero ir no banheiro! – pede.
—Quando chegarmos lá em cima te levo amor – digo, afagando seu cabelo, voltando minha atenção para Cait novamente – Também quero conversar outras coisas com você, sobre o comportamento de certa criança, se não se importa – indico minha irmã com um gesto de cabeça.
—Uhum, de forma alguma. Diria que faz parte do conjunto: toda obstetra acaba sendo meio psiquiatra- conselheira quando se tem crianças menores envolvidas – diz, entrando assim que as portas do elevador abrem, nós a seguindo.
—Ainda mais com pais de primeira viagem – Connor acrescenta, suspendendo Marina, pondo-a nos braços, dirigindo um olhar atento a Emma, que se recostava em um canto, muda, sinalizando para mim.
—Emma, tudo bem? – pergunto, não esperando resposta – Venha pra cá, perto de mim – convido estendendo a mão, ela me atendendo – Tudo bem amor?
—Tudo sim, não se preocupe – garante, sorrindo minimamente.
—Emma é uma mocinha Sarah, não é meu bem? – Cait pergunta carinhosamente, minha irmã anuído com um gesto de cabeça – Vamos fazer os exames, a consulta e depois conversamos um pouquinho sobre bebês e bebês! – exclama minha obstetra.
Quando saímos do elevador, Connor leva Marina ao banheiro já que ela insistia que estava precisando (na ala pediátrica era bem mais tranquilo para ele). Enquanto isso, adianto meus exames fazendo a coleta de sangue para um novo hemograma completo, medindo minha pressão e altura uterina.
—Tome, coma essa fatia de doce para que possamos fazer sua curva glicêmica antes do final da consulta – a assistente de Cait pede, voltando-se para Emma – Quer alguma coisa mocinha, um suco, doce? – oferece, pondo o prato com a fatia (generosa) de doce a minha frente.
—Não, obrigada – agradece ela, sentando a meu lado, voltando-se na direção da porta quando é aberta dando passagem a Connor e Marina.
—Olá de novo – saúda ele, soltando minha irmã caçula, que corre até mim, ele sentando na cadeira vaga a meu lado.
—Já adiantamos boa parte dos exames. Alguns vou repetir para acompanhar pois os fizemos no início do pré-natal e quero saber como estão as taxas dela agora – Cait explica, arqueando a sobrancelha ao me encarar novamente – Doce madame! – cobra e rio, cortando um pedaço generoso – Vou deixar a requisição para os exames de urina e fezes com você. Faça-os na segunda-feira. O material deve ser colhido no domingo à noite ou, no máximo, na segunda pela manhã assim que acordar – recomenda.
—Uhum – murmuro, dividindo meu doce com Marina.
—Muito bem. Vamos a ultrassom. Hoje vou fazer o morfológico, um pouquinho atrasado. Devíamos ter feito na decima quarta semana, mas tudo bem, ainda estamos dentro do prazo – afirma, afastando a cadeira após terminar de digitar algo no computador – Lenita, a sala já esta preparada? – pergunta, a assistente confirmando – Ótimo, vamos indo Sarah e família – convida, sorrindo ao ver Marina se atirar sobre Connor, que estava distraído com o celular – Ela anda querendo chamar atenção não é? – interroga ao levantarmos.
—Muita atenção – Emma se adianta – Só quer saber do Connor. Nem brinca mais comigo, não que esteja achando ruim, mas tem horas que fica chato – reclama, torcendo o nariz, entrando antes que nós na sala seguindo a assistente de Caitlin, Marina largando Connor para segui-la.
—É sobre isso que quero conversar com você Cait – lembro.
—Queremos – Connor me corrige, juntando-se a nós – Hoje foi um pouco agressiva com o filho de Nat só porque o menino veio para meu colo e não foi a primeira vez – comenta, só então noto uma ruga de preocupação em seu rosto – Tenho medo de estar estimulando esse tipo comportamento sem perceber – afirma enquanto entramos na sala – Também temo que estenda esse ciúme para Sarah e Emma – admite, sentando, observando minhas irmãs “ajudando” Lenita a arrumar a cama para meu exame.
—Minha preocupação maior diz respeito ao bebê – assumo, entrando atrás do biombo, despindo o vestido que usava, pondo o pijama para fazer exames – Semana passada a peguei deitada no berço com sapato e tudo – revelo, vendo o espanto no rosto de Connor – Não comentei nada porque pensei tratar-se de uma peraltice de criança, mas depois que Emma comentou que estava mexendo nas roupas do bebê, tentando vesti-las antes de chegarmos em casa e da maneira como agiu hoje, admito que fiquei preocupada – digo, sentando para logo em seguida deitar sem tirar os olhos delas – Emma está mais tristinha e acho que tem a ver com o bebê também – acrescento, narrando o outro incidente na escola de balé, relatando o que Nat me dissera, suspirando ao terminar de falar – Não quero que pensem que as deixei de lado, mas ao mesmo tempo preciso me dedicar mais aos preparativos para a chegada do bebê. Não fosse o chá que Claire organizou não teria praticamente nada – confesso, abrindo a bata para que ela pudesse realizar o exame.
—E eu quero saber onde me encaixo nisso tudo para não fazer ou dizer bobagem. Me senti na maior saia justa nos dois casos já que não sou nada, por assim dizer, delas. Não quero desautorizar Sarah, mas elas não me devem obediência. Emma tem consciência disso. Marina pode não ter, mas intui – Conno diz, preocupado e instintivamente seguro sua mão entre as minhas.
—Os dois estão certos em suas preocupações – Caitlin afirma, pondo um pouco de gel no leitor – Sua posição é bem delicada, não nego doutor Rhodes e terá que ter tato para encontrar o equilíbrio que precisa – começa dizer enquanto desliza o leitor por meu ventre, os olhos fixos na tela – Posso adiantar que estão no caminho certo, os dois, não fazendo vista grossa, apoiando a atitude um do outro. Concordo com Natalie quando afirma que Marina o vê como um pai. É natural isso acontecer – assegura, prestando atenção a tela a sua frente por longos minutos nos quais escutamos apenas as vozes das meninas conversando com Lenita, voltando a tela para nós antes de começar a falar – Muito bem, tudo em ordem com seu bebê. Tamanho, peso, circunferência do crânio, membros e coração dentro do desenvolvimento esperado para seu tempo de gestação – enumera, apontando a imagem na tela, aumentando o volume do aparelho – Batimentos normais, concorda pai? – pergunta, rindo ao ver a expressão boba no rosto de Connor – Mãos e pés, dedos, tudo normal. Está no início do segundo trimestre – informa, nos encarando — Alguma pergunta? – quer saber, entregando-me uma caixa de lenços para que limpasse minha barriga.
—Não – respondemos juntos, Connor me ajudando a limpar o gel – Ao menos não lembro de nada agora – admite ele.
—Neste caso vou gravar o cd para que possam levar e rever quantas vezes quiserem e partir para os conselhos – diz ela, digitando ao mesmo tempo em que conversa conosco diminuindo o tom de voz – Em primeiro lugar quero que mantenha os cuidados que está tendo com sua alimentação. Não se descuide ou cometa excessos. Em segundo lugar, comece a fazer caminhadas curtas e outros exercícios além do sexo e isto não é uma sugestão, é uma ordem – afirma, me fazendo corar – No que diz respeito as meninas, Marina em especial, aconselho fazerem com que se sintam parte do processo. Deixe-as escolher roupas, brinquedos, produtos de higiene, dar palpite do nome...Por falar nisso, já escolheram algum? – pergunta.
—Pensamos em alguns. Maximilian é o que mais gostamos – digo, Connor acenando afirmativamente – Mas nada definitivo ainda.
—Entendo – diz — Perguntem o que elas acham, se gostam do nome, digam que serão tias e que terão responsabilidade de ensinar as coisas a ele, façam verem que o bebê não é um rival, que não irá tomar o lugar de nenhuma das duas. Para Marina isso será fundamental para diminuir o ciúme que sente de você Connor, posso chama-lo assim? – pergunta, entregando-lhe o cd do ultrassom.
—Claro – responde, sorrindo.
—O resto é seguir os instintos, conversarem entre si cada vez que tiverem que tomar alguma decisão que possa ter algum impacto na vida delas – aconselha – Lembre os exames complementares na segunda, tente começar os exercícios que sugeri ainda neste final de semana e descanse – enumera – A palavra para você é equilíbrio. Em tudo – aconselha.
—Ok. Estou liberada doutora? – pergunto, sentando na cama.
—Liberada mãe – diz, sorridente.
Desço do leito indo até o biombo me vestir, agradecendo mais uma vez os conselhos dela quando retorno, guardando em minha bolsa os potes para recolher o material dos exames que pediu.
—Por nada. Connor está com as requisições – avisa, ele erguendo a pasta – Assim que receber seus resultados aviso...Ahhh, o sangue para a curva glicêmica, já ia esquecendo – lembra, sinalizando para que sentasse enquanto Lenita coletava mais um pouco de sangue antes de me liberar em definitivo.
Nos despedimos de ambas, seguindo para os elevadores, Marina entre mim e Connor, segurando nossas mãos, rindo quando a erguíamos de vez em quando tirando seus pés do chão enquanto Emma ia um pouco mais a frente, observando tudo atentamente.
Decidimos passar na emergência a fim de cumprimentar Maggie e April, que estavam trabalhando na parte da manhã.
—Olha só quem está por aqui! – Maggie nos recebe festivamente, chamando atenção do demais presentes incluindo Miah e Noah – Vocês estão cada vez mais lindas – elogia, pegando Marina nos braços.
—É mesmo – April anui, tocando a mão de Emma no ar – Veio fazer exames? Tudo bem com o bebê? – pergunta, se voltando para mim.
—Tudo ótimo com os dois – Connor se antecipa, me dando um selinho, voltando-se ao escutar alguém chama-lo.
—Connor, sei que está de folga, mas poderia me dar sua opinião em um caso? É rápido, prometo! – Ethan pede, aproximando-se.
—Claro. Me esperem aqui amor – pede, me beijando mais uma vez.
—Posso ir com você? – Emma pede, indo até ele.
—Tudo bem, não é nada feio – Ethan diz, fazendo aspas no ar — Se Sarah deixar – condiciona, me olhando.
—Tudo bem – libero, sentando em uma cadeira vaga, observando-os caminhar pelo corredor.
—Doutor Rhodes, um cara de família. Quem diria! – ouço o comentário irônico e nem preciso olhar para saber de quem partiu.
—Algum problema nisso? – Maggie se adianta, pondo Marina sentada sobre balcão, encarando-a de sobrancelha erguida.
—Nenhum, imagina....Só não me parece o perfil dele – Miah afirma, me dirigindo um olhar no mínimo invejoso – Doutor Rhodes não está mais solto na pista! – exclama, desta vez ficando claro o que sentia.
—Há pelo menos quatro meses, caso não tenha notado doutora Bardovi – mais uma vez alguém reponde por mim e me volto dando de cara com Ava Bekker recostada ao balcão assinando seu ponto, fechando seu plantão (ela havia dobrado turno) – E não precisa agradecer! – exclama, piscando para mim – Até segunda Maggie, April, doutora Bardovi. Bom descanso a todos. Diga ao Lobo Mal que deixei lembranças doutora Reese! – brinca, antes de voltar-se rápido demais, sem prestar atenção, acabando por chocar-se com um homem que chegava não indo ao chão por muito pouco.
—Opa, cuidado boneca! Assim acaba se machucando baby – diz o loiro, segurando-a por mais tempo do que necessário.
—Em primeiro lugar, boneca é a senhora sua mãe! – esbraveja Ava assim que se recupera, empurrando-o com força – Em segundo lugar, você que deveria prestar mais atenção quando entra nos lugares. Eu estava de costas e não tinha como vê-lo chegar, ao contrário do senhor...E quer fazer o favor de me soltar! – bufa, empurrando-o mais uma vez.
—Não seja mal agradecida, baby. Poderia tê-la deixado cair já que foi você quem se chocou comigo e igualmente deveria prestar atenção antes de virar-se como um vendaval, não concordam? – rebate o loiro, dirigindo-se a nós, que observávamos a cena boquiabertas.
—Na verdade não posso opinar porque não vi direito. A coluna atrapalhou – April se esquiva.
—Também não vi....Digo, não o vi chegar e não ...Na verdade não tenho uma boa visão daqui onde estou – faço o mesmo, sorrindo amarelo.
—Meio a meio – Maggie diz, pondo Marina no chão, apontando de um para outro – Ela deveria ter olhado para trás e o senhor para frente, desgrudando o nariz do celular.
—Viu. Estou certa! – Ava comemora ainda tentando se soltar dos braços dele – Quer fazer a gentileza de me largar! – pede novamente, ele a soltando sem aviso, fazendo-a chocar-se com o balcão – AU! Grosso! – xinga, esfregando o braço.
—Não baby, apenas fiz o que me pediu e se tivesse prestado atenção ao que a sensata senhora disse, ambos tivemos nossa parcela de culpa – retruca, desviando-se da tapa que Ava desferia.
—Escutei bem e pare de me chamar dessa maneira! Não nos conhecemos, portanto não lhe dei permissão para que me trate desta maneira! – bufa minha mentora, conseguindo acerta-lo duas vezes no ombro e braço.
—Não seja por isso. Deixe-me apresentar ...- começa dizer, a voz de Connor o interrompendo.
—Benjamim?? – pergunta, parando ao lado dele – O que está fazendo aqui? – questiona.
—Como te expliquei na mensagem, terminei mais cedo do que esperava, meu compromisso para o almoço foi cancelado e como teria que passar aqui perto no caminho para casa, resolvi arriscar – justifica-se, sorridente.
—Vocês dois se conhecem? – Bekker pergunta, apontando do loiro para Connor.
—De longa data, baby – afirma ele, fazendo uma reverencia breve antes de se apresentar – Benjamim Goodman a seu dispor – diz, galanteador.
—E a alcateia só aumenta! Excelente! – Ava exclama, ignorando a mão que lhe estendia, saindo sem nada mais dizer.
—Alcateia? – questiona, voltando-se para Connor, confuso.
—Esqueça – Connor ergue a mão, se voltando para mim –Podemos fazer uma parada para um lanche e aproveitamos para conversar com Benny, o que acha amor? – pergunta.
—Por mim tudo bem – anuo, levantando – Até segunda pessoal. Bom fim de semana – desejo, me despedindo com um abraço em Maggie e April, levando Marina pela mão.
—Bom final de semana e mais uma vez obrigado Connor – Ethan agradece, afagando a cabeça de Marina ao passarmos por ele.
—Por nada – Connor responde, acenando para o pessoal atrás do balcão.
No estacionamento, paramos junto ao carro, Connor apresentando, com calma, a mim (como sendo sua noiva!) e as meninas ao amigo, combinando de nos encontrarmos na praça de alimentação do shopping no centro da cidade dentro de alguns minutos, cada um seguindo em seu próprio carro.
Chegamos praticamente juntos, escolhendo uma lanchonete que servia comida Vegana, minha preferida, sentando em uma mesa após fazermos os pedidos.
Durante o lanche, conto a Benjamim tudo que havia acontecido, que havia pago e não recebido recibo ou comprovante algum, como fora despejada de uma hora para outra, como o marido de minha ex- senhoria havia mentido dizendo ter esclarecido as coisas com a esposa etc.
—Bom Sarah, vou ser bem sincero com você: sem comprovantes ou testemunhas de que pagou os meses que ela afirma estarem em atraso, fica mais difícil ganhar a causa – afirma, me deixando desanimada – Pra sua sorte, casos difíceis são minha especialidade – vangloria-se sem nenhuma modéstia e dirijo um olhar de “só podia ser seu amigo” que faz Connor rir – Sei que soa convencido de minha parte, mas estou sendo apenas honesto com você – diz, lendo meu pensamento – Brincadeiras à parte, a primeira coisa que quero que faça é puxar seu extrato dos últimos sete meses. Você disse que retirou os valores de sua conta por não os ter em espécie, não é isso?
—Sim, mas como vamos provar que fiz isso para pagar o aluguel e não para outro fim? – questiono, limpando a boca de Marina.
—Vou pensar em como podemos provar isso diante de um juiz, não se preocupe. Na medida em que for me passando as informações que te pedi, montarei sua defesa – avisa, esfregando as mãos – Para começar veja estes extratos e os telefones desses seus amigos, da senhoria e de mais alguém que possa ser sua testemunha ou dela. Quero falar com todos – pede.
—Farei isso. O mais complicado pode ser falar com Erin. Ela mudou a pouco – explico.
—Sem problema. Dou um jeito – garante, pegando um cartão em seu bolso – Meu número pessoal, do trabalho e e-mail. Envie o que te pedi o mais rápido possível ok? – pede, abrindo a carteira.
—Nem pense em pagar nada – Connor avisa, impedindo-o de por o dinheiro sobre a mesa – Foi só um lanche. Quando for um almoço de verdade deixo você pagar senhor advogado – brinca, ambos rindo.
—Não vou discutir – diz ele, estendendo a mão para mim – Prazer em te conhecer Sarah. Parabéns pelo bebê, aos dois, e por colocar esse sorriso imenso no rosto de meu amigo. Fazia tempo que não o via tão feliz. Espera: Nunca o vi tão feliz! – pontua, apertando firme minha mão, olhando-me intensamente, deixando-me sem graça – Quanto a você, trate de segurar essa joia. Não a deixe escapar ou te bato! – ameaça, abraçando Connor, que levantara – Me convidem para o casamento! Aguardo notícias. Tchau lindas – despede-se, mandando beijos para as meninas antes de sair.
—Seu amigo é legal Connor. E bonito – Emma elogia – E deixou a doutora Bekker vermelha – comenta, rindo.
—Pior que deixou mesmo. Só não sei se por estar sem graça ou com raiva! – Connor comenta e o estapeio – O que? Vai dizer que não pensou o mesmo? – indaga.
—Não – minto, levantando – Vamos logo as compras que ainda quero tentar tirar meu extrato como ele pediu – digo, pegando minha bolsa.
—O que vamos comprar Sarah? – Emma quer saber, levantando, tomando o restante de seu refrigerante de um só gole.
—Coisas pra casa, para nós e para o bebê – Connor responde antes de mim, pondo o pagamento dentro do menu, acenando com o mesmo para o garçom – Corrigindo: coisas para o Max.
—Max?? – repetem as duas ao mesmo tempo – Quem é Max? – Marina pergunta, limpando a boca com uma pilha de guardanapos.
—É o nome que pensamos para o bebê – explico, ajudando-a – Gostaram? – pergunto.
—Max!!...É legal. Sonoro. Max – Emma repete – Pode ser – diz, pensativa.
—Maximus! – Marina exclama, erguendo a mão – Gladiador! – lembra, imitando uma luta de espadas.
—Sério que deixou ela assistir esse filme? – Connor interroga, arqueando a sobrancelha.
—Eu não, mas com certeza viu com alguém e candidatos não faltam já que Adam, Will e Jay amam esse filme – lembro, torcendo o nariz. Iria ter uma conversa com o trio assim que tivesse chance – Para onde agora? — questiono, encarando-o.
—Pensei em irmos primeiro comprar um tênis para sua caminhada, o que acha? – sugere, segurando a mão de Marina.
—Pode ser – anuo sem vontade.
—E aproveitamos para ver sapatilhas novas para as meninas. A de Emma esta pequena e a de Marina tem um furo – comenta enquanto caminhamos.
—Toda sapatilha de bailarina tem furo, par sua informação – digo, Emma corroborando.
—E quanto mais velha mais macia para se praticar – acrescenta – Mas gostaria de ter novas para as apresentações – admite.
—Também – Marina concorda- E meia, frufru, collant – enumera, nos fazendo rir com seu comentário seguinte – Max também precisa para não usar os meus.
—Certamente meu amor – concordo, olhando Connor de soslaio – Vai deixar seu filho fazer balé? – pergunto.
—Se ele quiser, porque não – afirma dando de ombros – Estou pensando em fazer umas aulas também, o que acham? – pergunta, fingindo dançar, arrancando risadas minha e das meninas.
—Você é tão bobo as vezes sabia? – digo.
—Sabia – afirma sem nenhum constrangimento – Sapataria?
—Sapataria – concordo, caminhado de mãos dadas com ele, Marina e Emma a nossa frente, parando de vez em quando para olhar vitrines.
“...Are we too grown for games?
Are we too grown to play around?
Young enough to chase;
But old enough to know better;
Are we too grown for changin?
Are we too grown to mess around?
Oh and I can’t wait forever baby;
Both of us should know better;
Been wishin’ for you;
Try to do what lovers do”

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