Notas iniciais
Essa fic eu havia postado no animespirit, mas como postei 'no fogo' e foi minha primeira fic, não fiquei muito feliz com ela. Aqui já é a versão editada e melhorada.
Todo review é bem vindo, podem criticar à vontade (falem mal, mas falem da fic XD).
Boa leitura =*

Era um dos raros momentos de calmaria na mansão Kido. Os cavaleiros tinham acabado de sair de uma batalha em defesa da deusa Athena e desfrutavam o breve momento de paz. Paz que não duraria muito, já que em breve uma nova força maligna iria se erguer para ameaçar a Terra. Mas por enquanto podiam descansar e fazer planos.

Shiryu em breve voltaria para a China. Dizia a todos que iria retomar seu treinamento, mas em seu íntimo ansiava rever Shunrei. Seiya não partilhava da mesma convicção do amigo, estava confuso. A única coisa que Pégasus entendia era a linguagem da batalha. Quando não estava lutando se sentia perdido, então, se punha a vagar de um lado para o outro, sem rumo, sem direção. Sempre se sentiu um nômade, o único lugar ao qual pertencia era ao campo de batalha. A única coisa que lhe fazia sentido era lutar por Athena. Não sabia qual rumo iria tomar, mas desejava ficar e proteger Saori — mesmo que não houvesse nenhum perigo aparente.

Ikki, como sempre, já tinha desaparecido sem dar nenhuma pista do seu paradeiro, o que deixava Shun agoniado. Não porque se preocupava com o irmão, sabia que ele estava bem e que, se necessário, Fênix surgiria com todo o seu poder para defendê-lo. Mas sentia falta da presença do irmão; raramente estavam juntos. Andrômeda gostava muito dos seus amigos, mas não era a mesma coisa.

Todos os outros pareciam ter as suas próprias vidas, além de suas funções como cavaleiros. Pelo menos era assim que Shun via as coisas. Nem mesmo como defensor de Athena ele se sentia feliz. Ora, todos sabiam que ele não gostava de lutar, o fazia por obrigação. Era forçado a fazer o que mais odiava, machucar os outros, e não podia nem ao menos ficar perto de quem mais amava, seu irmão. Não fosse o bastante, outro sentimento passou a lhe atormentar recentemente, uma paixão proibida por Hyoga. Agora sim seu sofrimento estava completo. O cavaleiro de cisne logo voltaria para a Sibéria e Shun não teria nem ao menos o alento de admirá-lo de longe. Para o seu amor platônico não sobrariam nem as migalhas.

Em breve os cavaleiros iriam se separar, cada um seguiria o seu próprio rumo, mas todos — com exceção de Fênix — ainda estavam na mansão Kido. Hyoga havia decidido voltar para sua terra. Iria rever amigos e visitar o túmulo da mãe, entretanto, não estava com pressa de seguir viagem. Se fossem outros tempos já teria partido, mas dessa vez havia algo que lhe prendia ali. Algo não, alguém: Shun. Apesar das saudades que sentia da Sibéria, lhe doía muito mais a ideia de estar longe do garoto de cabelos verdes. Talvez a distância do cavaleiro de Andrômeda o ajudasse a esquecê-lo, mas quem disse que queria esquecê-lo? Preferia ficar e sofrer por Shun em vez de ser feliz longe dele.

O cisne riu quando esse pensamento veio a sua cabeça.

- Desde quando me tornei tão masoquista? – indagou a si mesmo.

E logo depois concluiu.

- Desde aquele dia na casa de libra.

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Shun acordou de sobressalto, suava muito, seu coração estava acelerado e sua respiração ofegante. Era madrugada e do lado de fora caía uma fina, porém constante, chuva. Respirou fundo e tentou se acalmar. Deitou a cabeça no travesseiro e por pouco não começou a chorar. Era mais um daqueles sonhos com Hyoga. Levou as mãos ao rosto para esconder sua vergonha, embora não houvesse ninguém ali para testemunhar sua humilhação.

Os sonhos haviam se tornado recorrentes e o rapaz não suportava mais a culpa por continuar a tê-los. Ninguém pode controlar os próprios sonhos – ou pesadelos -, Shun sabia disso, mas quando acordava com o corpo em chamas, o volume acentuado entre suas pernas, o suor lhe escorrendo pelas costas, se sentia a mais vil das criaturas. Seu desejo era morrer.

- Que tipo de pessoa eu sou? – indagou a si mesmo e logo percebeu que sua cueca estava melada.

Enfiou a cara no travesseiro e deu um grito abafado. Quando isso acontecia o garoto se repreendia ainda mais. O que Hyoga iria pensar se soubesse o que estava acontecendo? Mesmo que somente em sonhos, mesmo que contra a vontade de Andrômeda.

Contra a sua vontade? Não, era seu mais puro desejo ter Hyoga.

— Que tipo de pessoa eu sou? – voltou a indagar-se. — A pior de todas, com certeza.

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Na manhã seguinte os cavaleiros se encontraram na cozinha. Seiya e Shiryu já estavam terminando seu café da manhã. Hyoga tinha acabado de se sentar à mesa e logo cumprimentou Shun que entrara na cozinha.

- Bom dia — disse o Cisne com um sorriso no rosto.

- Bom dia — respondeu Andrômeda dirigindo-se aos outros dois.

Sentou-se na cadeira vaga, mas sem olhar para o loiro que estava ao seu lado. Pegou uma xícara de café e permaneceu em silêncio. Dragão e Pegásus não tardaram a ir embora, falaram qualquer coisa e se despediram. Logo após a saída dos dois cavaleiros, o rapaz de cabelos verdes também se levantou.

- Não vai comer? — perguntou Hyoga.

- Já estou satisfeito — respondeu Shun.

- Mas você mal tomou café.

O russo estranhava o comportamento seco do amigo.

- Não estou com fome — disse e se retirou antes que o loiro pudesse retrucar.

Durante o resto do dia Shun evitou Hyoga, achando que se o ignorasse talvez o seu desejo diminuísse. Sabia que estava mentindo para si mesmo, mas acreditava que se afastar era a única maneira de ainda mostrar algum respeito pelo amigo.

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Já era noite e Hyoga foi deitar-se desolado. Por que Andrômeda estava agindo daquela maneira? Ele não estava se comportando assim com todos, só estava sendo frio com o cavaleiro de Cisne. Ficou pensativo, até que chegou a uma conclusão.

- Ele descobriu que gosto dele e agora me odeia.

Hyoga afundou o rosto nas mãos horrorizado com a possibilidade de que o amigo o repudiasse.

- Não, não pode ser. Não tem como ele ter descoberto isso – pensou, mas logo recordou do modo frio como foi tratado e não encontrou outra explicação para aquela mudança súbita de comportamento.

- Shun é muito amável e gentil, nunca iria tratar alguém mal, nem com os seus inimigos ele é grosseiro.

Ficou triste, pois mantinha a esperança de que pudesse ser correspondido. Desde o dia em que sentira o calor de Shun na casa de libra, desde que o seu cosmo lhe trouxera de volta a vida esse pensamento passou a ser cada vez mais frequente. Sim, Shun o trouxe de volta a vida, mas não foi somente o corpo do cisne que fora ressuscitado. Hyoga já estava morto muito antes de ser preso naquele esquife de gelo, ele apenas estava fingindo viver. Shun lhe devolveu a vida ao lhe despertar o amor.

Mas o que Cisne estava pensando afinal? Andrômeda só estava tentando lhe salvar, seus sentimentos não iam além de um amor fraternal — provavelmente, nem isso. Se Ikki soubesse o quanto Hyoga o invejava pela atenção que recebia de Shun iria rir de deboche. Mas isso não importava mais, mesmo que não fosse amado sentia-se satisfeito apenas em viver em um mundo no qual Shun existia.

O russo suspirou fundo e pensou consigo mesmo.

- Agora descobri o que ele sente. Se me ignora é porque não me ama, mas é muito gentil para olhar na minha cara e me mandar à merda.

O rapaz deixou escapar um riso ao imaginar a cena absurda.

- Não posso tê-lo como amante, mas não vou perdê-lo como amigo. Não sei como ele desconfiou dos meus sentimentos, mas vou convencê-lo de que está enganado. Tenho que fazê-lo acreditar que sinto só amizade – e com esse pensamento foi dormir.

Em seu quarto Shun também se sentia atormentado. O rapaz percebia a decepção na cara do russo quando o tratava com frieza.

- Não posso continuar fazendo isso, ele vai acabar achando que tenho algo contra ele e vai querer tirar satisfação. Se ele me perguntar por que estou agindo estranho, o que eu vou responder?

Então, Andrômeda decidiu que não iria continuar com aquele teatro e voltaria a tratar o amigo como sempre fez. No final do dia, aquele distanciamento só fez com que o cavaleiro pensasse ainda mais no russo. Se antes seus sonhos o perturbavam, agora a imagem do loiro não lhe saia da cabeça mesmo acordado.

- Isso vai passar, com o tempo vai passar – repetia, tentando convencer a si mesmo, mas sem muito sucesso. — Se não passar...

O rapaz se encolheu na cama.

- ...eu vou ter que esconder isso pro resto da minha vida – concluiu.

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No dia seguinte Shun não apareceu para o café da manhã, não conseguira dormir direito e quando se levantou já era quase meio-dia. Tinha olheiras enormes e pelo inchaço dos olhos percebia-se que chorara. Pegou um pedaço de pão na cozinha e foi para o jardim, andou bastante até se distanciar da mansão e sentou-se embaixo de uma árvore. Olhou para o pão, mas não sentiu a mínima vontade de comer. Sabia que se continuasse desse jeito acabaria doente.

- Shun!

Quando escutou aquela voz chamar pelo seu nome o sangue de Andrômeda subiu todo à face e seu coração disparou, por pouco não começou a tremer. Conseguiu se controlar e se esforçou ao máximo para soar natural.

- Bom dia, Hyoga — cumprimentou.

O cavaleiro de Cisne suspirou aliviado, Andrômeda estava sorrindo para ele, parecia que havia voltado ao normal. Não, Shun não estava normal. Apesar de seu sorriso, sua aparência dizia o contrário.

- Você está bem? — perguntou o loiro.

- Ah, sim... eu só não dormi direito.

Hyoga não ficou convencido com a resposta e continuou.

- Eu notei que você tem andado meio estranho.

A afirmação fez Andrômeda gelar.

Ele descobriu” — pensou.

O rapaz fechou os olhos e esperou pelo pior.

- Aconteceu alguma coisa? Se estiver com algum problema você pode contar comigo, nós somos amigos — Hyoga fez questão de frisar a última palavra.

- Obrigado, mas não é nada – respondeu.

Shun estava aliviado por não ter levantado maiores suspeitas, mas ao mesmo tempo se sentia triste e culpado. Nunca seriam nada além de bons amigos.

- Bem, não quero ser intrometido, mas estou aqui para o que precisar. Afinal, eu tenho uma dívida com você – falou o russo.

Shun não entendeu o comentário.

- Dívida, que dívida? – perguntou.

- Você salvou a minha vida, esqueceu? Na casa de libra, arriscou sua vida por mim. Eu te devo uma.

Hyoga sorria, tentava parecer natural, talvez convencesse o outro cavaleiro de que seus sentimentos eram de gratidão, mas a resposta que recebeu foi como um soco no estômago.

- Você não me deve nada – Shun respondeu seco e fitou o chão, não conseguia encarar o amigo.

Foda-se” – pensou Cisne, não iria mais continuar com aquilo. — Shun, eu te fiz alguma coisa? Porque parece que o seu problema é comigo.

Andrômeda arregalou os olhos, a última coisa que queria era fazer Hyoga sentir-se culpado. Muitas vezes Shun questionou o seu altruísmo. Afinal, deitar-se ao lado do russo para aquecê-lo não foi nenhum sacrifício.

- Você me superestima, não sou tão bom assim – confessou.

- Não estou te entendendo Shun, esse não é você – disse o loiro intrigado.

Vendo que não tinha como escapar daquela conversa Andrômeda resolveu desabafar.

- Tem razão, nem eu estou me reconhecendo mais. Você quer saber o que está acontecendo, não é? Vou contar a verdade então.

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Mentira. Shun não ia contar a verdade, pelo menos não a verdade sobre Hyoga. Mas achou que poderia se esquivar da situação se revelasse outras preocupações.

- Eu estou triste, me sinto sozinho. Depois que reencontrei o meu irmão achei que ficaríamos juntos, mas não foi o que aconteceu.

Hyoga cerrou os punhos de raiva. Aquilo tudo era por causa de Ikki. Shun sentia falta do irmão, nada mais.

- Ele é a única família que eu tenho e agora que se foi, fiquei novamente sem nada.

Nada, essa palavra ecoava na cabeça de Hyoga. Era isso que ele significava para Shun, nada. Ikki era tudo.

- Tenho inveja de vocês. Somos todos órfãos, mas de uma forma ou de outra, vocês acabaram encontrando novas famílias. Shiryu tem o seu lar na China e o Seiya tem a Saori, mesmo que ainda não tenha se dado conta disso. E você, não demora muito vai voltar para a Sibéria. Parece que só eu fiquei para trás.

O sofrimento de Andrômeda era latente. O loiro não conseguiu assistir àquele desabafo de forma passiva e envolveu Shun em um abraço. Percebendo que o rapaz reagira com surpresa, o russo deu-se conta de que fora ousado demais.

- Eu serei o seu irmão — disse, tentando contornar a situação. — Me considere como seu irmão e você terá uma família.

Shun afastou-se e deu um sorriso.

- Obrigado, irmão! — disse.

Notas finais
Quantas vezes vcs contaram a palavra 'vida' na fic? XD Desculpa pela repetição, mas eu fiquei com muita preguiça de mudar depois.
No próximo cap. tem lemon.
Bis Bald!