Love Cook, Love Food

37 Viagem de Negócios


Notas iniciais
Especial: Doflamingo and Croco-boy!! ~ ♥

Vamos voltar um pouco no tempo! Em uma data indeterminada que já aconteceu, numa região do Canadá, um homem de cabelos loiros, alto e forte chamado Doflamingo vivia em sua própria residência, morando apenas com seu irmão mais novo, de apenas oito anos, chamado Rosinante.

Os pais de ambos sempre foram humildes. Nascidos e crescidos em uma região pobre, criaram Doflamingo sempre lhe dando o maior apoio para estudos possível e, graças ao esforço e oportunidades escassas que teve, o homem loiro conseguiu se formar em uma boa faculdade e mudou completamente de vida. Era mais ambicioso que os pais, disso ninguém duvida, então não se contentara com o pouco que tinha.

Na data atual, seus pais moram em um campo enquanto Doflamingo, de trinta e dois anos, mora na cidade grande e fez questão de "adotar" Rosinante para fazer o irmão morar consigo, dizendo ter melhores condições para criá-lo. O homem loiro trabalha com comércio exterior.

Formado em Relações Internacionais, apesar de sua faculdade denotar essa ideia, não costumava viajar muito à trabalho, somente em ocasiões de emergência, quando precisava substituir um funcionário. Na maior parte do tempo, apenas analisava o mercado nacional e internacional em sua própria casa, então dedicara sua vida tanto ao trabalho, quanto ao irmão.

A relação dos dois é ótima! Por Doflamingo trabalhar em casa e ter seu próprio escritório, nunca precisava de babá e poderia cuidar de seu irmão, o qual tinha profunda admiração, em tempo integral. Rosinante também gostava do mais velho e, por não ter muitos amigos na escola, era mais caseiro também.

Contudo, enquanto o irmão desastrado é posto em frente à televisão para não arrumar grandes problemas ou quebrar móveis, Doflamingo trabalhava em seu escritório. Ele tinha um parceiro de negócios chamado Crocodile e sempre conversavam virtualmente, via Skype, sobre o trabalho e as finanças.

Crocodile é um homem alto, com cabelo elegante e repleto de gel, bem apessoado, tendo a mesma idade que Doflamingo, trinta e dois anos. Ambos eram amigos de negócios, então conversavam sobre isso a maior parte do tempo, apesar de ocasionalmente saírem para tomar uma cerveja.

– Ei, me dá uma opinião. – Doflamingo disse, em seu escritório, olhando para o computador. Crocodile estava do outro lado, comunicando-se virtualmente por vídeo e microfone.

"O que é?"

– Quando meus pais se mudaram pro interior, eles deixaram uma casa aqui pertinho, ela tá sem ninguém.

"Então vende, ué."

– Eu ia vender, mas eu acho que vou alugar. É uma boa área, fica perto do mar, com certeza atrairia muitos turistas, fufufu.

"Desgraçado, tá pensando em superfaturar o imóvel pra enganar os turistas, é? Eu já dei uma passada perto da antiga casa dos seus pais, ela não vale muita coisa, não."

– Mas os turistas sabem disso?

"Você é um filho da mãe. Ei, eu quero 50% do lucro, viu?"

– Hã? Cuida dos seus negócios, jacaré idiota.

"Me nega dinheiro e eu espalho pro Chefe que você tá superfaturando imóvel."

– Tsc, xisnove desgraçado. Beleza então, trinta por cento.

"Trinta e cinto."

– Ótimo, mas você vai me ajudar a achar os novos inquilinos. Precisam ser ricos e idiotas.

Era assim que a vida de Doflamingo seguia. Na maior parte do tempo trabalhava silenciosamente e só parava quando seu irmão Rosinante quebrava alguma coisa, resultando em um barulho estrondoso que geralmente consistiam em vidros quebrando ou madeiras arranhadas.

Inclusive, um desses barulhos foi ouvido no exato momento. O homem desligou o Skype, indo correndo até a cozinha e deparando-se com uma bagunça sem tamanho: o garoto de nove anos, sentado no chão ao lado de um banco caído e um pote de biscoitos quebrado, comendo um deles.

– Rosinante! – Doflamingo foi até ele. – Você subiu na cadeira pra pegar biscoito de novo?

O garoto respondeu positivamente com a cabeça, não querendo falar graças a comida.

– Tsc, sinceramente, o que eu faço contigo?

Pegou o garoto no colo, deixando os biscoitos consigo e o levou até o quarto, colocando-o no berço. Sim, Rosinante ficava em um berço para não causar maiores problemas, apesar de conseguir escapar sempre que derrubava a pobre cama no chão. Doflamingo retornou para seu escritório, prosseguindo com seu trabalho.

E assim passaram-se os dias. Colocou também o imóvel de seus pais para aluguel, mas sem mostrar o preço no anúncio, dizendo que seria negociado pessoalmente. Fez várias entrevistas com inquilinos diferentes, os quais eram tragos por Crocodile, mas nenhum se interessou pela casa, até que dois médicos franceses resolveram ligar para o moreno e marcaram um encontro.

Trafalgar e Eustass Kid haviam acabado de chegar no Canadá e passariam os restos de seus dias no país, pois conseguiram transferência no hospital que trabalhavam e gostariam de conviver próximo a Luffy, principal motivo de terem vindo para cá. Ainda procuravam casas para alugar e a primeira, bem próximo ao mar onde ficava o All Blue, era justo o imóvel de Doflamingo.

– Yo! – Eustass e Law exclamaram juntos, entrando na casa. Como bons futuros inquilinos, imediatamente começaram a estudá-la com os olhos, observar cada cantinho. À sua frente estavam Doflamingo e Crocodile.

– Prazer, Crocodile. Eu sou o dono do anúncio.

– E eu sou proprietário do imóvel, Donquixote Doflamingo. Vamos iniciar com a visita?

– Tem banheira aqui? – Kid perguntou.

– Ahn, tem...

– Então eu vou ficar com a casa. Onde eu assino?

– Nossa, essa foi rápida. – Afirma Crocodile, surpreso.

– Aqui fica perto do All Blue, é bem grande e dá pra visitar o Mugi-ya com frequência. – Argumenta Law. – É, é perfeita.

– Não querem nem negociar o preço antes? – Indaga Doflamingo.

– Querido, eu nasci em um morro desgraçado na cidade mais pobre da França e morei em uma pilha de madeira quebrada. Agora que eu sou rico, eu tô é pouco me fudendo pro resto!

– É cara, aqui tem banheira, preço não importa. – Fala Kid. Crocodile e Doflamingo olham um para o outro disfarçadamente e soltam uma risada maliciosa.

– Fechado! Bem vindos ao Canadá!

Deram a papelada com o preço mais absurdo que conseguiram encaixar para Law e Kid assinarem e eles assim o fizeram, tornando-se oficialmente inquilinos de Doflamingo. O loiro ficou feliz por ter recebido uma boa grana então convidou Crocodile para tomar uma bebida para comemorar.

Foram até um dos bares agitados que haviam no Canadá, repleto de música alta e pessoas bebendo, conversando. Fizeram o mesmo, sentados no balcão do barmen, pedindo suas bebidas e tira-gostos, além de estarem fumando charuto. Doflamingo era mais espontâneo, enquanto Crocodile era um homem sério, mas que sabia apreciar uma boa comemoração.

– Hahaha, não acredito que deu mesmo certo! – De tão feliz que estava, Doflamingo abandonou a típica risada e bateu na mesa do bar. – Hoje é por minha conta!

– Que sujeitos estranhos, eles nem se importaram com o preço absurdo que você enfiou. – Crocodile comenta, fumando. – E um deles não parava de falar sobre a bandeira daqui...

– Esses franceses engomadinhos gostam é de gastar dinheiro, isso sim, principalmente os médicos. Nós demos sorte, vamos comemorar!

– Com certeza!

Fizeram um brinde, divertindo-se e contando histórias do trabalho, mas não o assunto entediante, e sim, as fofocas que percorriam na empresa. Doflamingo trabalhava em casa então não passava o dia no local, mas Crocodile vivia em escritório em prédio comercial, trabalhando com centenas de outras pessoas.

– Isso é mentira, eu não acredito. – Doflamingo comenta, com a sobrancelha arqueada.

– Por pior que pareça é verdade, aquele idiota do Bon Clay apareceu fantasiado e ficou assim, até a hora de sair. Disse que se fosse mandado embora, processava.

– Tsc, na época que eu trabalhava no escritório não podia ir com casaco de penas cor-de-rosa, agora pode tudo?

– Você deveria voltar pro escritório, não sente saudades? – Crocodile se desfaz das cinzas de seu charuto, acendendo um novo.

– Voltar, e deixar o meu irmãozinho sozinho em casa o dia todo? Nem fodendo!

– Não sei como você atura esse pirralho, ele vive caindo e quebrando as coisas.

– Eu me preocupo com ele, principalmente pelos motivos que você disse. Não tente entender.

– Pra mim você parece mais pai que irmão mais velho...

Continuaram a beber, conversar e fumar por horas, soltando risos mais abertos graças ao barulho da música ambiente, além das luzes coloridas. Já estava de madrugada, resolveram terminar e pagar a conta de uma vez por todas, que ficou nas mãos de Doflamingo. Ao fim, saíram do local e foram para a rua pegar um táxi.

– Ei. – Enquanto o outro estava parado, com a mão levantada fazendo sinal para um táxi para, Doflamingo vira seu rosto e o beija sem precedentes, usando sua própria língua para adentrar mais ainda a boca do moreno, que não tardiamente, empurrou o loiro.

– O que você tá fazendo, idiota? – E limpou sua própria boca, desviando o olhar. O loiro apenas soltou uma risada descontraída.

– Fufufu, tímido.

– Cala boca, eu já te disse um milhão de vezes pra não fazer isso na rua! E se alguém visse?

– E daí? Deixa eles verem, não tem violência aqui.

– Violência é o que eu vou dar na tua cara se você não calar a boca! Agora deixa de frescura e me ajuda a pegar logo um táxi.

Entraram no automóvel amarelo, indo direto para a casa de Doflamingo, em silêncio profundo. Ao fim da viagem, pagaram e adentraram a casa, em silêncio, sem nem acender as luzes, temendo que Rosinante pudesse acordar e não dormir pelo resto da noite, o que era um verdadeiro perigo.

Dentro de casa, começaram a se beijar livremente, de modo rápido, ousado e forte. Crocodile puxava o curto cabelo de Doflamingo, que segurava em sua cintura e andava de olhos fechados em direção ao sofá, onde caíram um em cima do outro e continuaram, dando chupões invisíveis um no pescoço do outro, para não deixar marcas. Eis que o loiro sussurra com cuidado no ouvido do moreno.

Eu vou ver se o meu irmãozinho tá bem.

– Tsc, filho da mãe...

E levantou-se, indo até o quarto do irmão menor o mais silencioso possível, abrindo a porta com cuidado. Crocodile o acompanhou, observando um quarto repleto de brinquedos e um garoto de nove anos em um berço, dormindo como um verdadeiro bebê. Ambos ficaram um ao lado do outro, apreciando o pequeno Rosinante adormecendo, debruçados com os cotovelos na cama.

Ele é uma gracinha, né? – Disse o loiro, em sussurro.

Dormindo nem parece um demônio desastrado. Até que ele é bonitinho.

Claro que é, puxou a mim.

Convencido... vamo logo embora daqui, se essa porra acordar não dorme mais.

Saíram do quarto do mais novo, indo direto para a cama. A relação dos dois não era um compromisso e nem nada sério, eram amigos acima de tudo, não buscavam um relacionamento sério nem nada do gênero. Dormiam juntos só de vez em quando, somente quando saíam para comemorar por algum motivo.

O principal motivo de nunca nem terem conversado sobre um futuro namoro é que Crocodile era mais fechado. Não chegava a ser enrustido ou ter problemas para aceitação consigo, apenas não gostava de entrar no assunto sexualidade, apesar de não negar sentir atração tanto por mulheres quanto por homens desde a adolescência.

Doflamingo era uma espécie de oposto, não se importava em afetos públicos, era descontraído até demais e nunca deixou esconder a atração pelo gênero masculino. Não era fã de romance, assim como o outro, uma noite de diversão para eles era saírem como amigos normais e ficarem juntos no quarto após. No dia seguinte, de manhã, Rosinante foi o primeiro a acordar.

– Doffy! – E abriu a porta do quarto do mais velho, onde os adultos estavam sem roupa, dormindo debaixo das cobertas.

– Rosinante... – Doflamingo coça os olhos, colocando seus pesados óculos que guardava ao lado da cama. – Eu já disse pra não entrar no meu quarto de manhã.

– Tsc, que porre... eu sempre esqueço que esse garoto tem essa mania. – Crocodile desperta sonolento e murmura para si mesmo. – Ainda bem que ele é retardado...

– Bom, eu vou fazer o café da manhã. Você vai ficar?

– Vou, não tenho mais nada pra fazer mesmo.

Ambos levantaram-se, colocando suas roupas e se dirigindo até a cozinha, onde Doflamingo começou a preparar o café da manhã enquanto Crocodile e Rosinante ficaram na mesa, um de frente para o outro. O loiro menor batia os pés um no outro, em silêncio, e o moreno ficou o encarando fixamente.

– Você não cansa de cair, não? – Crocodile pergunta, sendo que o outro tropeçou dezesseis vezes ao ir para cozinha.

Rosinante responde um "não" com a cabeça.

– Algum dia você ainda vai morrer, hein.

Faz mais um "não" com a cabeça, mais rápido dessa vez.

– Vai sim, garotinhos desastrados não vivem muito. Se o seu irmão resolver te abandonar, você tá fodido.

Rosinante se esconde um pouco, ficando assustado. Eis que Doflamingo surge com o café.

– Tsc, para de importunar meu irmãozinho.

– Eu só disse verdades. E esquece isso, esse garoto me ama, certo?

O moreno direciona um olhar ameaçador para Rosinante, que responde "sim" com a cabeça de forma acuada e apavorada.

Depois de terminado o café da manhã, ambos despediram-se e continuaram com suas vidas normais. Um mês se passou, Doflamingo estava em seu escritório normalmente, então decide ligar para Eustass Kid, o proprietário da casa alugada, para cobrar o primeiro aluguel.

"Yo, flamingo!"

– Eustass, como é o primeiro aluguel eu resolvi te ligar, mas nos próximos faremos automaticamente, certo?

"Ah, esse mês não vai rolar, foi mal."

– Como assim "não vai rolar, foi mal"? Que palhaçada é essa?!

"Sabe como é né, o aluguel é muito caro, a gente acabou de se mudar..."

– O caralho! Escuta aqui, ou paga o aluguel, ou estão despejados!

"É o seguinte, nós não somos ricos de verdade. Tava óbvio que era superfaturado, você acha mesmo que somos idiotas?"

– Hã, olha aqui, você dois tem um contrato comigo. Querem mesmo levar isso à justiça?

"Quem falou em justiça? É simples, nós até pagamos o aluguel que você definiu, mas no dia em que a gente quiser e puder. Ou você acha que vai arrumar outros inquilinos que aceitem essa oferta?"

– Tsc, você acha mesmo que consegue me enganar desse jeito? Não sabe com quem tá se metendo, garoto.

"Se algum dia você achar outra pessoa que compre o imóvel com um preço superior ao que a gente comprou, nós conversamos. Beijos!" – E desligou o celular.

Doflamingo ficou com raiva em tamanha afronta e resolveu ligar para Crocodile, desabafando.

– Você acredita que aqueles médicos idiotas acham que podem pagar o aluguel no dia que quiserem?!

"Acho que você se fodeu, porque eles têm todo direito de te processar."

– Até parece que eu vou deixar barato assim!

"Deixa disso, eu tenho uma parada pra te contar. Eu recebi uma proposta de transferência para Inglaterra."

– Jura? – Doflamingo ficou surpreso. – E você vai aceitar?

"Não sei, eles pagam muito bem, mas eu não tô afim de me mudar. O que você acha?"

– Ahn, não sei, depende. Quanto tempo te deram pra decidir?

"Eu preciso dar uma resposta até final de Março."

– Ah, então tem tempo! Pensa bem, vai pesquisando sobre como é a vida na Inglaterra e aí você decide, mas parabéns mesmo assim. É uma ótima oportunidade.

"Obrigado."

No momento em que recebeu a notícia, Doflamingo sentiu um aperto em seu peito. Estava acostumado com a vida atual, com as noites em que saíam para comemorar e indiscutivelmente iria sentir saudades de ver o amigo costumeiramente, uma vez que seria impossível para ambos atravessarem o mundo para se verem.

Mesmo assim, também ficou feliz pela promoção que o outro recebeu e ambos foram comemorar, indo diretamente para o quarto após. A cama cada vez ficara mais aberta, desinibida e o laço que ambos tinham somente aflorava-se ainda mais. Sentiam falta da atração de seus corpos e, mesmo sendo sexo sem compromisso, suas noites ficavam ainda mais frequentes. Chegavam a arranjar desculpas para dormirem juntos.

Já era começo de Março, a economia do Reino Unido ficava mais forte, uma oferta de trabalho na Inglaterra chegava a ser irrecusável. Doflamingo já temia que ambos se separassem e mesmo apoiando, a falta que iria sentir era considerável. Ambos não conversavam sobre a viagem, nem muito menos sobre relacionamentos. Eis que o loiro decidiu tocar no assunto, estando deitados um ao lado do outro.

– Você já decidiu sobre a sua viagem?

– Por quê, vai ficar com saudades?

Doflamingo respondeu, olhando em seus profundos olhos castanhos e soltando uma risada debochada.

– Só perguntei por perguntar.

Ficam em um silêncio pensativo por alguns demorados segundos, quando Crocodile resolve quebrá-lo, partindo para um beijo demorado de língua que é automaticamente respondido junto com algumas carícias de leve, até ir se aflorando e ficando impossível de respirar.

– Você não quer que eu vá. – Afirma, separando seus lábios por um curto milímetro, mas logo os colando de volta, deixando que a silenciosa noite seja ouvida pelo som de um beijo tão ardente, que é capaz de fazer você esquecer o próprio nome.

– É tão óbvio assim? – O loiro perguntou, receoso, mas não dando espaço para resposta por seus lábios já estarem colados de novo. Os dois já se permitiam qualquer arranhão ou chupão debaixo das roupas, marcas permanentes que certamente significavam uma espécie de relação existente.

Ficaram aos beijos e chupões, abraçando seus corpos nus debaixo das cobertas. Doflamingo deu uma série de mordidas no lábio inferior do outro, partindo para o ouvido e dando-lhe pequenas lambidas, principalmente no lóbulo, além de ínfimos sussurros que eram correspondidos com gemidos abafados.

Não vai, por favor... – Sussurrou tão próximo que fez o corpo do moreno estremecer com o arrepio, ficando automaticamente excitado.

– Não sei... o salário é muito bom. – Disse, apoiando-se no peito do outro e sentindo seus ouvidos serem beijados, ficando com o rosto avermelhado e olhos quase fechados.

– Você já tem uma vida estável aqui, precisa mesmo ir pra outro país só por mais dinheiro?

– Oh, é isso mesmo que eu ouvi, Doflamingo dizendo que o dinheiro não é tão importante assim? Você recusaria uma oferta dessas?

– Já recusei uma parecida pra ficar perto do meu irmão, e recusaria qualquer outra pra ficar com você.

Criou-se mais um profundo silêncio e o único som eram dos beijos de Doflamingo, que iam da orelha do outro até os lábios, onde passeava com os seus em minuciosos toques, sentindo a respiração do outro bater em seu rosto até, por fim, finalizarem com um longo beijo. Crocodile sentiu seu corpo esquentar com a mão do outro, que o alisava e segurou sua perna, colocando-a abraçada à suas costas.

E os dias foram seguindo, novamente sem mencionar a tal viagem para não ficar cansativo e repetitivo, principalmente para se livrarem de frases que possam ser consideradas melosas ou românticas demais. Até o inevitável acontecer.

Uma noite de trinta de Março. No dia seguinte, Crocodile teria que dar uma resposta definitiva à empresa se aceitaria ou não a viagem, mas no presente momento estava na cama do loiro, deitado depois de terem tido relações como costumeiramente. Doflamingo estava apreensivo, isso era fácil distinguir.

– Você já tem a sua resposta sobre a viagem?

– Já me decidi.

– E então...

– Eu vou aceitar a proposta.

Novamente, uma frase tão simples, mas que foi dita tão diretamente que serviu como um tiro no peito do homem loiro, que tremeu os lábios por um curto segundo.

– Você tá tirando uma com a minha cara, não é?

– É, eu tô. – Crocodile deu uma risada provocante.

– Filho da mãe, não me assusta assim! Eu sabia que você iria recusar.

– Na verdade eu aceitei a proposta no começo do mês, eu viajo amanhã.

– HÃ, O QUÊ?! – Dessa vez o susto foi tão grande que Doflamingo invocou seu irmão mais novo e acabou rolando da cama, caindo no chão, de costas.

– V-Você tá bem? – Crocodile se assustou e ficou observando o loiro totalmente espatifado. – Então o lance de ser desastrado é mesmo de família, huh.

– Ai, ai... – Se levantou, ainda um pouco tonto, ficando sentado na cama de frente para o moreno. – Você tá brincando, né?

– Foi mal, mas é verdade.

– Você vai pra porra da Inglaterra amanhã e me avisa agora? PUTA QUE PARIU!

– Eu ia te avisar antes, mas aí você ia ficar naquele lance de preocupação e blá, blá, blá.

– Óbvio, você não pode ir nessa viagem, eu não permito!

– Hã? Qualquer idiota sabe que a economia na Inglaterra é melhor que a do Canadá, então é óbvio qual é a melhor decisão!

– Foda-se a porra da economia, você precisa ficar aqui!

– Ah é, e por quê? – Pergunta, desinteressado.

– P-Porque nós temos uma bandeira do caralho com uma folha!

– Quê? Você... tá totalmente sem argumentos...

– É o convívio com aqueles médicos malucos... m-mas isso não vem ao caso!

– O caso é, eu vou viajar amanhã, então preciso dormir cedo. Tchau. – Crocodile da às costas, cobrindo-se e deitando na cama, adormecendo imediatamente. Doflamingo ficou o encarando por um tempo, pensando exatamente no que aquilo significava e tomou uma decisão.

– LEVANTA DAÍ! – Tirou as cobertas do outro, dando um grito furioso.

– Hã? Você ficou maluco!

– Por que você vai viajar? Isso não tá certo, você precisa ficar aqui comigo!

– Do que porras você tá falando? Não enfia merdas inexistentes na sua cabeça, nós não temos absolutamente nada.

– Não fala isso! Quanto tempo você pretende ficar lá?

– Só por cinco anos, relaxa, depois eu volto.

– CINCO ANOS? Como caralhos você quer que eu fique cinco anos sem foder você?!

– Hã, tô nem aí, se vira pra achar outro parceiro ou seja lá o que for!

– Outro o caralho, você vai ficar nessa merda de país nem que eu precise te prender aqui!

– Eu não, foda-se você.

– Foda-se o seu foda-se, você vai ficar e pronto!

– O caralho que vou. O que deu em você, hein, ficou apaixonadinho?

– Fiquei porra, eu não suporto quando alguém que eu amo decide sumir desse jeito, é quase uma traição!

– D-Do que você tá falando? – Ficou assustado.

– Eu tô falando que eu te amo! Quanto você quer pra ficar aqui? Eu pago!

Os dois ficaram em silêncio absoluto após a frase. Crocodile o ficava encarando, meio sem saber o que fazer, observando o semblante aflito do loiro. Doflamingo percebeu o que havia dito só depois de um longo tempo, pois tinha saído tão inconscientemente que nem deu-se conta da confissão.

Mesmo assim, não se arrependeu. Utilizou suas mãos, subindo levemente até o rosto paralisado do moreno, fazendo um gesto de carinho em suas bochechas para ter certeza de sua seriedade. Elevou seu próprio rosto de vagar na direção de Crocodile, batendo as testas umas nas outras e fechando os olhos, tocando o nariz dele com o seu e aproximando os lábios, até encostar minuciosamente em um simples selinho.

– O que você tá fazendo? – Porém ele se afastou, limpando a boca com as mãos, mas não gritou. Apenas empurrou o peito do loiro, distanciando-o.

– O que você acha que eu tô fazendo? – Não desistiu, segurou as mão dele. – Fica aqui, por favor.

– Para com isso, eu vou embora. – Apenas deu as costas, saindo da cama e vestindo suas próprias roupas em uma velocidade apressada, querendo fugir a qualquer custo. Doflamingo ficou o observando, parado.

– Não vai agora, tá tarde...

– Eu vou, é melhor assim, eu não suporto gente emocional e você fica ridículo assim. Tchau!

Apesar de não querer fazer barulho para não acordar terceiros, assim que saiu do quarto acabou batendo a porta forte, saindo da casa de Doflamingo às pressas. O loiro só ficou assistindo Crocodile sair com tanta raiva e se culpou, rangendo os dentes e puxando seus próprios cabelos. Chegou a dar socos no travesseiro para espairecer seu ódio.

Não conseguiu dormir, ficava se culpando por ter falado palavras tão absurdas para alguém que sabia não querer nada demais. Se sentiu horrível, também, por se importar tanto com uma pessoa que nunca teve nenhum caso sério, mas que sabia que iria sentir falta do corpo, da voz e do cheiro.

Doflamingo ficou o dia inteiro pensando na viagem, fumando charutos consecutivos em sua casa, sozinho, e bebendo do mesmo jeito. Seu pequeno irmão ficou o encarando, querendo dizer algo, mas sem saber do motivo de estar tão chateado.

Até que o mais velho decidiu tomar uma decisão de vez. Colocou uma roupa às pressas, jogando o irmão no banco de trás do carro e partindo na direção do aeroporto, depois de ver em seu próprio computador o horário em que o avião iria sair. Já estava em cima da hora quando viu, em relance, Crocodile pronto para embarcar.

– ESPERA! – E gritou, carregando Rosinante no colo para o garoto não cair, correndo em direção ao moreno.

– Ah não, não inventa de fazer um escândalo!

– Eu não vim te pedir pra ficar, relaxa, eu não sou idiota de te fazer perder um dinheiro desses.

– Então veio fazer o quê?

– O Rosinante disse que queria se despedir, aí eu vim.

– Ele disse isso..?

Doflamingo colocou o irmão mais novo no chão e Crocodile se abaixou, para se despedirem. Nas mãos de Rosinante, além de um rostinho infantil e triste, estava um pequeno gancho dourado, que era usado pelo moreno quando brincavam juntos. De vez em quando, Crocodile passava o dia inteiro na casa do mais velho, então os três costumavam brincar e contar histórias, usando sempre um gancho na mão esquerda.

– Toma. – Rosinante disse, entregando o objeto para o moreno.

– Você gosta bastante disso, huh? – Crocodile soltou um pequeno riso, bagunçando amigavelmente os cabelos loiros do menor e colocando o gancho em sua mão. – Tudo bem, eu vou sentir saudades de você.

Após colocar o gancho nas mãos, o garoto abriu um enorme sorriu para Crocodile, que se levantou e ficou de frente para Doflamingo. Hesitou, mas logo ambos finalmente deram um longo abraço de despedida.

– Eu vou sentir saudades de você. – Disse o loiro. – Foi mal pela noite passada.

– Eu não vou morrer, a gente vai continuar se falando virtualmente, idiota.

Continuaram no abraço silencioso por um curto período de tempo, até tentarem se afastar. Não conseguiram, entretanto, pois logo Rosinante se manifestou. Obrigou os dois a continuarem abraçados, forçando as costas um dos outros para não se separarem, o que os deixou desconfortáveis.

– Rosinante, larga a gente... – Doflamingo murmurou.

– É-É, tem muitas pessoas nos olhando... – Reclamou, sendo obrigado a encarar os óculos do outro de perto e tentando não encostar os narizes entre si.

– Mas eu não quero que o tio Croco vá embora. – O garoto força mais ainda o abraço. – O Doffy passou o dia inteiro chorando pelo tio Croco, então eles precisam ficar juntos.

– V-Você chorou?!

– Hã, que mentira absurda, eu não tava chorando! – Doflamingo consegue se afastar, o que faz Rosinante cair no chão, mas ele logo levanta. – Foi mal por isso, eu juro que não vim aqui te fazer ficar.

– T-Tá, olha, eu preciso ir agora. Tá na hora do meu vôo.

Crocodile se despediu uma última vez de ambos, porém dessa vez sem contato físico, e foi para o avião. Doflamingo e Rosinante ficaram no aeroporto até a última hora possível, voltando para casa logo em seguida. Ficaram o resto da tarde juntos, assistindo televisão como irmãos normais.

– O Doffy tá triste? – Perguntou, direcionando seus olhos cobertos pela franja até o mais velho.

– Nah, tudo bem, cada um tem a sua vida. Não é justo atrapalharmos isso por puro egoísmo.

– Mas o Doffy gosta do tio Croco, não gosta?

– O Doffy gosta do irmão dele. – Muda de assunto, bagunçando os cabelos loiros do menor. – Não fica pensando nisso.

– O tio Croco não gosta do Doffy?

– Rosinante, não vamos conversar sobre o tio Croco...

– Mas se o Doffy gosta do tio Croco e o tio Croco gosta do Doffy, então porque vocês dois se afastaram?

– Isso não é assunto pra criança, mas que coisa. O tio Croco se mudou, é normal, pessoas se mudam.

– Eu não sabia que o Doffy era tão covarde...

– E-Eu não sou covarde! De onde você tirou isso?!

– Porque o Doffy gosta do tio Croco, então ele deveria ir atrás dele!

– Tsc, falar é fácil, eu não vou ir atrás de um cara na Inglaterra, né.

– Mas o Doffy não pode ir morar com ele?

– Como assim, você quer se mudar pra Inglaterra?

– Se for pra ficar perto do tio Croco, sim! A gente pode ir? – Abriu um enorme sorriso e seus olhos brilharam.

– Ahn, não sei, acho que ele me mataria se eu fizesse isso...

– Então o Doffy é mesmo um covarde...

– Covarde o caralho, eu não vou permitir que meu próprio irmão me chame assim! Beleza então, nós vamos pra Inglaterra!

– Eba!!

– Ou melhor, eu vou. Lembra da última vez que eu te enfiei em um avião? ELE QUASE CAIU.

– Então o Doffy vai me deixar aqui?

– O caralho, eu vou acabar com essa palhaçada e trazer esse filho da mãe de volta pra cá! Quem ele pensa que é?

(...)

No dia seguinte, Doflamingo já havia tramado um plano para trazer Crocodile de volta para o Canadá, então se dirigiu até a casa de Kid e Trafalgar para deixar seu irmão mais novo junto com eles. Tocou a porta e foi imediatamente atendido por Eustass.

– Oh não...

– Oh não, o caralho! – Doflamingo exclama. – E o aluguel do mês passado?

– Nós vamos pagar, calma...

– Foda-se, eu não vim aqui pra isso. Eu fui chamado pra uma viagem de negócios e preciso sair do país agora.

– E eu com isso?!

– Eu vou deixar o meu irmãozinho com você e o seu marido, já que eu não tenho babá.

– QUÊ? – Kid fica pasmo, mas logo começa a rir. – Haha, primeiro de Abril, muito boa a piada...

– Piada o cacete, vocês não pagam aluguel há dois meses! Escuta aqui, se vocês fizerem algum mal ao meu irmão, as coisas não vão ficar nada boas. – Doflamingo se retira, deixando Rosinante.

Uma vez já tendo deixado seu precioso irmão aos cuidados de terceiro, prosseguiu com seu plano. Dirigiu-se até o aeroporto, embarcando assim que o avião chegara e partindo para a Inglaterra, onde encontraria Crocodile de uma vez por todas e botaria um fim à história.

Quando chegou no novo país, deu um jeito no visual rapidamente no banheiro e correu para o escritório onde o moreno estaria trabalhando em seu primeiro dia, o mais apressado possível. Detalhe, Doflamingo nem perdeu tempo com malas, pois não pretendia ficar no país.

Já sabia tudo, desde horários até o endereço de onde o outro trabalhara, pois havia contactado seu chefe, que era o mesmo do dele. Chegando no escritório, entrou como um visitante normal, mas logo o viu. Crocodile estava lá, em uma das cabines do prédio, mexendo no computador com uma série de papeladas ao seu lado. Não aguentou, correu até ele, independente da reação.

– ... Oi! – Adentrou a cabine, onde havia somente Crocodile e mais ninguém. Contudo, assim que o moreno o viu, ficou completamente pálido. Piscou várias vezes para ter certeza de que não era um sonho, ou um pesadelo, exclamando em seguida.

– QUE PORRA – Mas percebeu que estava gritando e calou sua própria boca, puxando Doflamingo com raiva para debaixo da mesa do computador, se escondendo com ele no cantinho. – Que porra de caralhos deu nessa sua cabeça de merda pra tu vir aqui, seu filho da puta, escroto do caralho?!

Eu te amo! – Disse, sussurrando. Ambos estavam no chão, sendo que Crocodile estava em cima de Doflamingo por tê-lo derrubado e o trazido diretamente para debaixo da mesa.

V-Você ficou maluco?! Sai daqui, agora!

Não sem você! – O loiro puxou diretamente o moreno para um beijo, sem aviso prévio, não importando-se com mais nada à sua volta.

P-P-Para com isso! – Mas ele se afasta. – Não faz essas coisas estranhas aqui, é onde eu trabalho, caralho!

Então volta pra casa...

Sim, eu volto pra casa.

S-Sério?!

A MINHA CASA DA INGLATERRA, PORRA! E você vai voltar pra tua, lá no Canadá!

Affs, não acredito que você vai me dar um fora. Eu peguei um avião por você, poxa.

Isso aqui não é um filme, se toca!

Então tá, você tem toda razão, eu não vou mais te pedir pra voltar.

Aleluia...

Eu vou me mudar com o Rosinante pra cá!

O QUÊ? NÃO!

Por que não? É melhor pra todo mundo. Eu arranjo um emprego aqui, ganho mais e nós dois podemos continuar juntos!

– Você não pode fazer isso, seu psicopata da porra! Volta pra Inglaterra e me esquece, saco!

– Por quê?!

– Porque você não pode se mudar, isso não faz o menor sentido!

– Eu juro que não vou te trazer problemas no escritório. Doflamingo segura o rosto do moreno, o obrigando a encará-lo bem de perto. – Ninguém vai saber de nós dois.

– O problema não é esse, você não pode vir pra Inglaterra!

– Então qual é o problema?

– O problema é que eu vim pra cá justamente pra te esquecer, então você não pode simplesmente aparecer aqui dizendo que me ama, isso tá errado!

– Hã, ei! Fica irritado. – Você vir pra Inglaterra por dinheiro beleza, mas pra fugir de mim? Você se cansou de mim, é isso?

– Não porra, eu... Hesitou, não conseguindo voltar a falar.

– Você o quê?

– Eu vim pra cá... Fazia força para as palavras saírem de sua boca, até que cessou com o sussurro. – Porque eu não conseguia mais parar de pensar em você, então eu... vim pra cá te esquecer.

– Huh? – Doflamingo até tirou os próprios óculos para ter certeza de sua visão. Crocodile virava os olhos, não querendo o encarar. – Então você... sente o mesmo que eu?

– Não fala besteira. – Porém ele se afastou, sentando no chão um pouco longe do loiro, com as mãos na testa, olhando para baixo e soltando um grande suspiro. – Eu não sou um idiota sensível como você.

– Mas você fugiu pra não admitir que ama.

– Porque eu achei que tava ficando louco, e que essa oportunidade seria perfeita pra...

– Pra..?

– Ganhar um dinheiro extra e... ver se eu conseguia te tirar da minha cabeça nem que fosse só por alguns segundos, mas não dá. Eu sou um covarde de merda.

– Ei...

Doflamingo vai até ele, ficando entre suas pernas e levantando seu queixo, o obrigando a encará-lo bem de frente. Os olhos negros e profundos de Crocodile forçavam a fechar, sem êxito, e sua boca balbuciava, querendo afastar o loiro de perto, mas ao mesmo tempo, não conseguindo nem sequer fazer uma ínfima tentativa. O rosto do outro vai se aproximando, com cuidado, deixando que suas respirações se encontrassem e dando-lhe um pequeno selinho.

– Eu te amo. – Foi o que o moreno disse ao se separarem, encarando os olhos de Doflamingo com certeza.

– Então vamos pra casa.

Notas finais
Foi meio filler isso, confesso que não sei se eles irão aparecer novamente. No próximo teremos uma surpresa envolvendo o lance do Dragon feat. Sabo! ♥