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38 Entre Dragões e Imperatrizes


Um ano se passou e já era Maio. Do outro lado do mundo, mais especificamente na Ásia, um homem de longos cabelos negros e uma tatuagem vermelha no olho esquerdo tinha seu próprio exército, que se encontrava em uma base secreta, escondida de tudo e de todos.

Os objetivos do Exército Revolucionário eram acabar com a impunidade e com contratos ilegais, feitos tanto por empresas, como até pelos governos de determinados países específicos. Eles tinham um grande número de pessoas que os apoiavam, incluindo fotógrafos e jornalistas, que inclusive faziam doações para continuarem com o bom trabalho. O Governo Mundial, entretanto, os odiava e por isso, Dragon era o homem mais procurado do mundo.

Neste exato momento, Sabo, Chefe do Gabinete e também Nº2 do Exército, estava junto a sua esposa, Koala, Instrutora de luta e também conselheira, na sala que ambos dividiam, tramando um plano de invasão observando um mapa que estava em cima da mesa. Era sobre algumas meninas que foram trazidas de países distantes para se tornarem escravas.

– Certo, aqui temos uma porta que é protegida por dois homens armados e mais dois que ficam em cima, como atiradores à distância. – Sabo analisava o mapa. – Nós podemos invadir pelos fundos.

– É muito arriscado. – Diz Koala, hesitante. – Se tivéssemos como usar um disfarce, seria tão mais fácil...

– Tudo que temos certeza até agora é de que nosso navio já está aportado no local combinado e escondido, então já temos uma rota de fuga planejada. O importante mesmo é a parte da invasão...

– É como eu estou dizendo, o mais fácil é entrar pelos fundos.

– Mas é a alternativa mais arriscada! – Exclamava a mulher, mas o garoto loiro permanecia o mesmo.

– É a alternativa mais rápida, então vamos fazer ela, ué. Qualquer coisa ainda temos o seu karatê!

– Obrigada pela consideração, mas não acho que o meu karatê resolveria o fato de que há muitos HOMENS ARMADOS LÁ.

– Com licença, pessoal. – Um outro integrante do exército apareceu na sala de Sabo e Koala. – Acabamos de receber uma importante informação sobre o caso.

– E qual seria? – Inagou o loiro.

– Parece que notaram nossa presença e vão transferir as escravas para outro local hoje às 21h, segundo um de nossos espiões.

– Então precisamos fazer uma troca de navios. – Sugere a ruiva. – Fazê-los colocá-las em nosso navio, ao invés dos deles.

– E como fazemos isso?

– Acho que temos a solução. – O homem volta a tomar a voz. – Irá acontecer uma troca de guardas meia hora antes das escravas serem levadas, podemos alterar o sistema deles e colocar nossos espiões no lugar.

– Perfeito! – Exclama Sabo. – Daí é rezar para que ninguém note.

– Podemos dar um jeito de deixar o resto do bando distraído, para que ninguém realmente note. – Diz Koala. – Deixá-los feliz ou algo assim.

– E o que deixaria qualquer mafioso feliz?

– Os nossos espiões darem prostitutas de presente a eles.

– É por isso que você é a melhor esposa do mundo, hahaha!

– Idiota, leve isso à sério! – Koala dá um tapa na cabeça dele. – É claro que vão ser somente atrizes, né!

– C-Claro, eu não... pensei outra coisa.

(…)

Todas as tropas do exército ficaram aos seus postos. Bunny Joe, um dos espiões que era de uma carisma notável, ofereceu várias prostitutas como presente, já que era um costume num dos países mais tradicionais e conservadores asiáticos. O que os mafiosos não sabiam, entretanto, é que todas as mulheres eram especialistas em combates físicos e armados, além de fazerem parte do exército.

Os guardas já haviam feito a troca e os espiões lideravam a transferência das escravas, conforme haviam planejado. Às 21h em ponto, o navio oficial e camuflado do Exército Revolucionário já se encontrava no local, pronto para receber as meninas. Elas foram entrando, em fileiras e algemadas, sendo empurradas por pesados cassetetes.

Quando todas entraram junto com os espiões, Sabo deu às ordens e seus companheiros tiraram a ponte que ligava o navio com o porto, não permitindo que ninguém mais entrasse. Isso, sem sombra de dúvidas, irritou profundamente os inimigos que notaram a emboscada no mesmo tempo.

– EI, O QUE PENSAM QUE ESTÃO FAZENDO?!

Dentro da sala onde as prostitutas ficavam com os homens, elas receberam um aviso do exército que dizia que já poderiam prosseguir com o plano. Todas, de uma vez só, sacaram canivetes, facas, punhais e até mesmo armas que guardavam dentro das roupas e iniciou-se um tiroteio.

– DESGRAÇADAS!

Algumas, que estavam sentada nos colos dos homens, cortaram-lhe as gargantas. Outras, desviavam de balas e atiravam de lado, protegendo-se com as mesas que lá haviam. Esfaquearam peitos, deram uma série de tiros e conseguiram fugir, algumas até mesmo roubando carteiras. Claro, tiveram mulheres feridas, mas nada muito grave por já terem um esquema de fuga.

Elas pularam em pequenos barcos que estavam escondidos pelo mar. Enquanto isso, no navio principal, os inimigos tacavam bombas e davam tiros, até começar uma verdadeira perseguição marítima. As tropas dos mafiosos possuíam navios de guerra, mas graças aos submarinos amarelos que os Revolucionários tinham, foram afundados um a um.

– CONSEGUIMOS! – Exclamou Sabo, batendo na mão de sua esposa.

– Mais uma vitória nossa. – Dragon, o líder e também pai do loiro, presenciou tudo com muito orgulho. – Enquanto forças existirem para o bem e estas serem grandes, poderemos mostrar a este mundo o tanto de imundice que nele assola.

– Mas ainda não acabou.

– Verdade. – Confirma Koala, após seu marido falar. – Ainda precisamos ver de onde cada menina veio e dar um jeito de levá-las de volta para casa.

Os três foram até uma sala onde se encontravam tanto os funcionários do Exército, quanto as meninas, que estavam sendo cuidadas por eles. Eram cerca de quinze e todas possuíam graves ferimentos de torturas além de expressões tristes e assustadas em seus rostos, todas de muita descrença. A maioria tinha por volta de doze a quinze anos, mas algumas tinham apenas dez e foram submetidas desde cedo a condições desumanas. Graças a isso, nenhuma falava, apenas olhavam para baixo e aguardavam o pior acontecer.

– Tadinhas.... – Diz Koala, em pesar. – Mesmo que estejam livres agora, o tanto que viram vai com certeza deixar marcas permanentes.

– Ei, pessoal! – Sabo exclama alegremente, querendo ter as atenções voltadas para si. – Não precisam mais se preocupar ou ter medo, todas vocês irão voltar para a família de vocês e não precisarão servir mais ninguém!

Foram entregues roupas limpas para cada menina e as mulheres do exército cuidavam de seus ferimentos, dando-as banho e reconfortando-as, dizendo que não precisariam mais abaixar a voz. Quando estavam mais tranquilas, as meninas começaram a dizer de onde viam e o nome de suas mães, as quais aguardavam ansiosas pelo reencontro. Exceto uma, que se dirigiu até Sabo.

– Ei... – Ela puxou as calças do loiro para ter sua atenção. Seu corpo era frágil e estava cercado por machucados, porém tinha lindos olhos azuis e longos cabelos negros, que iam até sua cintura. Sua pele também, era bem macia e reluzente.

– Oi! Posso ajudar?

– Eu... – Abaixou o rosto, não querendo olhá-lo nos olhos. – Não tenho família... meus pais morreram muito cedo e eu também fui pra a rua muito cedo.

– Oh, eu sinto muito... qual é o seu nome?

– Boa Hancock, eu tenho doze anos. Obrigada por me salvar.

– Hancock. – Sabo se agacha, olhando diretamente em seus olhos e lhe dando um cafune amigável. – Não se preocupe, nós vamos fazer o possível para ajudá-la a achar uma família!

– Vocês são tipo... heróis?

– Nós apenas fazemos o que achamos certo em prol das outras pessoas.

Sabo levou a garota até o dormitório, onde as outras meninas estavam alojadas, e a cobriu, dando-lhe todo conforto necessário para que ela ficasse menos assustada, assim como todas as escravas libertadas. Após, dirigiu-se até seu próprio quarto, que dividia com Koala.

– O que você acha que faremos com ela? – Questiona a ruiva, preocupada.

– Não podemos jogá-la em um orfanato, ela ainda está com a cabeça de quando era escrava. Deve ter passado coisas horríveis, o melhor a fazer é deixá-la aqui até encontrar uma solução.

– E mesmo assim ela é uma das poucas meninas que conversaram conosco, as outras não conseguiam falar. A Hancock deve ser uma garota bem forte, certo?

– Ei, Koala...

– Sim?

– O que acha de deixarmos ela aqui mesmo? Ela poderia ser uma futura revolucionária!

– Claro que não, idiota, o lugar de crianças não é em um exército. Ela precisa de uma família!

– Eu sei, eu sei, mas enquanto não achamos nenhuma, nós podíamos ensinar algumas coisas básicas tipo auto-proteção. O que acha? Não é uma má ideia...

– Isso depende do que ela achar.

(…)

Os dias foram se passando e, conforme isso, com a ajuda dos contatos que o Exército tinha, foram levando as meninas para suas casas originais, até todas estarem com suas famílias. Já havia se passado um mês inteiro, a única criança que ainda restava era Boa Hancock.

Apesar de ter um passado triste onde vivia em um país em estado de guerra e viu seus pais serem mortos quando ainda tinha seis anos, Hancock era uma garota extremamente forte. Acabou tornando-se amiga de Koala e uma espécie de irmã mais nova para Sabo.

Também foi aprendendo alguns truques de artes marciais e até mesmo assistia os rapazes cuidarem do sistema, darem telefonemas importantes, entre outros, gostando e apreciando muito o trabalho de seus salvadores. Até que Maio chegou e, tanto Hancock como Sabo e Koala, já tinham uma ligação muito forte.

– Daqui há pouco é aniversário do meu irmão mais novo, ele faz vinte e três anos. – Comenta Sabo. – Você acha que podemos ir, Koala?

– Eu adoraria ir ao aniversário do Luffy, nós não nos vemos desde que você quase arruinou o casamento dele! Mas precisa pedir permissão ao Dragon.

– Você tem um irmão? – Perguntou Hancock.

– Sim, tenho! Ele é bem espontâneo e mora em um restaurante que fica no meio do mar, acho que você adoraria conhecê-lo.

– Ei! – Koala adverte. – Você nem sabe se vai e já tá convidando a Hancock?!

– E por que não? Quer dizer, esse seria um ótimo jeito de levá-la pra fazer coisas divertidas e em família, que não envolvam contratos chatos e investigações perigosas. Tenho certeza que o Dragon vai deixar!

– Então vamos pedir a ele.

Os três foram até o líder do Exército e pediram licença para adentrar sua sala, explicando que planejavam ir ao aniversário de Luffy.

– Hm, acho que não tem problema vocês irem, até seria positivo para a Hancock.

– E você? – Indaga o loiro. – Você precisa vir com a gente, pai, eu tenho certeza que depois de tudo isso o Luffy já te perdoou!

– Não! Eu já disse que só vou voltar a vê-lo quando minhas ações falarem mais alto que a besteira que fiz anos atrás. E isso será quando conseguirmos aquilo.

– Mas aquilo ainda vai demorar, eu tenho certeza que ele sente a sua falta.

– Que nada, Sabo, está mais perto do que nunca! Logo nós vamos conseguir a resposta, daí eu volto a falar com meu filho de consciência limpa.

(...)

Enquanto isso, do outro lado do mundo, um jovem garoto com cabelos negros rebeldes combinava seu aniversário. Ele estava no quarto, deitado na cama junto a Sanji e com o celular na mão, passando mensagens para seus inúmeros amigos e balançando as pernas de modo distraído, porém entusiasmado.

– Sanji, você acha que a gente devia ir lá na pousada? Eu sinto tantas saudades de lá!

– Contanto que você não chame o Torao, eu vou até no Alaska comemorar seu aniversário.

– Mas por que eu não iria chamá-lo? O Torao e o Kid são meus amigos.

– É o seu único defeito...

– Então eu vou ligar pra pra ele! – Luffy discou os números no telefone e logo foi atendido.

"Sim?"

– Torao, quer ir no meu aniversário amanhã? A gente vai pra pousada!

"Posso levar o Rosinante? O Doflamingo abandonou ele do lado de fora da porta de casa e deixou só um bilhete dizendo que iria pra Madri com o Crocoboy."

– Pode ser! Vai ser mais divertido!

"Então eu te vejo l... caralho, minha cozinha tá pegando fogo, eu preciso ir! Tchau!"

No dia seguinte, assim que amanheceu, Luffy colocou uma roupa qualquer e foi até a pousada de Nami, junto com seu marido, celebrar seu aniversário. Ao chegar, deparou-se com as pessoas que moravam fixamente lá e também eram seus melhores amigos, todos já prontos e com vários enfeites ao redor, além de uma mesa farta de comida. Sanji havia trago o bolo.

– Pessoal! – Exclamou, vendo todos eles.

– Feliz aniversário, Luffy! – E todos retribuíram.

– Yo, sobrancelhudo. – Zoro falou encarando Sanji. – Agora que você trouxe o bolo, já pode ir embora.

– Eu faço um delicioso bolo de algas marinhas no seu aniversário e é assim que você retribui, Marimo de merda?

– É incrível como vocês arranjam várias formas de se xingarem... – Comenta Mihawk.

– Verdade! – Exclama Nami. – Deixem de besteira pelo menos uma vez na vida.

– Vai piorar quando aquele médico maluco chegar... – Resmunga o loiro.

Contudo, não foram os médicos os últimos a chegar. Ao mesmo tempo em que Sanji colocava uma música junto com Nami, Zoro e Mihawk bebiam e Usopp e Luffy brincavam com a comida, surgiram três pessoas de surpresa. O primeiro era um loiro alto, a segunda uma ruiva de cabelo channel e a terceira, apenas uma garota morena.

– Roubando comida na sua própria festa? Que feio... – Sabo disse, aproximando-se por trás do mais novo que, assim que virou, deixou lágrimas de surpresa saírem.

– Oniiii-chaaaaan! – E deu um enorme abraço no irmão, pulando em seu colo. – Há quanto tempo!

– Luffy!

– Koala! – Também deu outro abraço na garota, que quase caiu para trás. – Que surpresa boa vocês aqui! E... quem é essa?

Hancock ficou parada, observando os três se abraçando sem comentar nada ou mostrar alguma reação no rosto, como se estivesse com os pensamentos nas alturas. Luffy ficou a olhando, se perguntando quem era aquele ser e, quando ela se deu conta de que havia um garoto a encarando, virou seu rosto e ficou um pouco corada.

– Essa é a Hancock! – Afirma Koala. – Ela viaja junto conosco no Exército Revolucionário.

– Hum... legal!

– Yo, irmão de merda, moça adorável. – Sanji também chega para cumprimentá-los e se encanta com a beleza púbere da garota. – Wow, quem é essa adorável donzela?

– Vai com calma, bonitão, ela só tem doze anos. – Diz Sabo, ironicamente.

– Tsc, o que você está sugerindo, pedaço de merda?

– V-Vamos mudar de assunto? – Interfere Koala. – Como eu disse, a Hancock praticamente já faz parte da família, então nós trouxemos ela pra conhecer vocês!

– Oh, ela não é muito jovem pra estar em um exército? – Questiona Sanji, que se abaixa e fica olhando para a garotinha. – Com a jovem Koala tudo bem, mas você não se importa de ficar com um gorila de merda como o Sabo? Ele é tão rude...

– Quem é o rude aqui?! – Ele se enfurece, mas Boa solta um pequeno riso que é abafado por suas próprias mãos.

– Então você é tipo pai dela, Nii-chan? – Pergunta Luffy. – Que legal!

– N-Não é bem assim... acho que eu tô mais pra irmão mais velho.

– Então ela é minha irmãzinha também?

– Se você considerá-la assim, eu acho que sim.

E a festa continuou. Luffy conversava com Sabo sobre a vida enquanto comia esfomeadamente, Koala fazia amizade com Nami, Usopp tentava fazer piadas com Mihawk mas ficava com medo quando Zoro o confrontava e Sanji conversava com Hancock sobre assuntos de estética.

– Você gosta de vestidos? – Ele perguntou.

– Uhn... sim, por quê?

– Porque se eu não fosse cozinheiro, eu com certeza seria estilista e esses seus olhos azuis junto com os cabelos negros ficariam ótimos em um vestido roxo ou vinho.

– Eu não ligo muito pra moda...

– Ah, você ainda é uma garotinha, mas quando crescer você vai entender do que eu estou falando! Sua beleza é realmente impactante, parece até uma deusa.

– Acho que já chega de ficar exaltando a beleza de uma garota de, repito, doze anos. – Sabo comentou, indo até onde ambos estavam.

– Tsc, para de pensar besteira! Foi só um comentário.

– Você é estranho. – Hancock dispara.

Ele é assim mesmo, você se acostuma.

Enquanto os três conversavam, outras três pessoas chegaram para a infelicidade do pobre cozinheiro. Eram eles, o casal de médicos junto com uma outra criança, que era carregada por Law para evitar maiores problemas envolvendo tropeços e quedas.

– Ah não, eu tinha jurado que vocês não viriam...

– Iludido. – Comenta Law. – Agora que nós chegamos, a festa pode finalmente começar!

Notas finais
E aí, o que cês acha que vai acontecer agora? ♥ ~