Love Cook, Love Food
11 Smile
Notas iniciais

Sanji P.O.V
Já fazem cinco dias que esse garoto passou a morar comigo oficialmente. Minha sala de estar ainda tá uma bagunça por causa dele e eu não posso fazer nada a respeito disso, já que o meu pai fez o desfavor de cortar a minha mesada.
Depois do que aconteceu na delegacia eu fiquei sem emprego e o velho nunca mais entrou em contato comigo. Eu até já pensei em ir falar com ele, mas é quase impossível. Além disso, se ele descobrir que o Luffy mora aqui vai complicar ainda mais a nossa relação.
E do jeito que esse pirralho maldito come, daqui há pouco não vai sobrar mais nem comida. Eu tô literalmente ferrado! E aquele avô infernal insistiu em deixar o chapéu com o Luffy, mesmo isso sendo perigoso. Aff, quando a minha vida se tornou tão complicada?!
– Ei, Sanji...
Eu estava sentado de frente para a janela, fumando um cigarro como de costume, pensando na vida, quando ele começou a ficar me cutucando de um jeito extremamente irritante.
– O que foi?
– Você tá chateado com alguma coisa?
– Não, eu só não sei o que eu vou fazer a partir de agora. Se as coisas continuarem assim eu vou precisar vender essa casa só pra pagar o que você come, Luffy.
– Por que você não tenta arrumar um emprego? Você gostava de trabalhar no Baratiê, né? Tem vários restaurantes por aí. Eu posso arrumar um também!
– Impossível, todos os grandes restaurantes da França pertencem ao meu pai. No máximo eu conseguiria arrumar em um restaurante barato, mas até parece que eu vou decair desse jeito. E além disso, onde você trabalharia? Você sabe fazer uma coisa além de ser sequestrado?!
– Então a gente podia mudar de país. Eu sempre quis sair desse lugar e explorar o mundo inteiro! E eu posso muito bem aprender a fazer alguma coisa, tá?
– Não é uma ideia tão ruim assim, mas--
Antes que eu pudesse continuar a dizer alguma coisa, meu telefone começou a tocar e eu precisei atendê-lo.
– Alô?
"Sanji? Você parece péssimo pela sua voz."
– P-Pai? É claro que estou! Você tirou tudo de mim!
"Não me chame de pai, Sanji! E eu te liguei para te dar um aviso, então me ouça."
– O que foi?
"Eu sou contra a ideia, mas sua mãe ficou com pena de você, então eu decidi te dar um emprego."
– S-Sério?! Eu vou poder voltar pro Baratiê?
"Vai, mas não como Chefe de cozinha. Você vai ter que se virar como garçom! Entendeu?"
– QUÊ?! EU RECUSO! De jeito nenhum eu vou servir àqueles merdas!
"É escolha sua recusar ou não, depois não venha chorar! E eu tenho outro aviso pra você."
– Espero que seja alguma coisa menos ridícula.
"É sobre a entrevista que você iria ter antes de ser preso. Eu marquei ela pra amanhã, você vai explicar tudo o que aconteceu."
– Hã?! Pra quê?
"Pra limpar o nome da nossa família! Você vai dizer que aquele pirralho que saiu nos jornais com você não é ninguém importante e que a nossa família não tem nada a ver com isso, já que você não faz mais parte dela!"
– A parte da família eu até posso dizer, mas... eu não posso falar isso sobre o Luffy.
"Por quê? Você mentiu pra mim quando disse que ele era filho de alguém importante! Quem é esse garoto afinal?!"
– Ele é meu... ér... q-quer dizer, é.. meio difícil explicar, pai. Mas ele está morando junto comigo agora.
"Morando junto com você? Que ridículo! Mas a imprensa não precisa saber disso, eu só quero que você pelo menos finja cortar relações com esse garoto problemático. E não quero saber de desculpas, você vai fazer e pronto!"
– E se eu não fizer? Vai me deserdar de novo?!
"Cala boca, não fala comigo usando esse tom de voz! Se você não for fazer isso por mim, pelo menos faça pela sua mãe que tentou te dar outra chance, Sanji!"
– ..Tá, eu faço. Mas vai ter que ser do meu jeito, ok?
"Desde que você não ferre mais o nome da família, por mim tanto faz!"
Ele desligou o telefone sem ao menos dar um tchau. Agora eu preciso pensar em um jeito de dizer à mídia tudo sobre a minha vida com o Luffy, antes que meu pai fique com mais raiva de mim do que já está.
Aliás, falando em Luffy, ele ficou o tempo todo tentando escutar a minha conversa com aquele jeito irritante dele. Como eu vou conseguir explicar tudo sem mencionar a parte de que nós dois meio que namoramos?!
– O que o seu pai disse, Sanji?
– Ele disse que ia me dar um emprego de garçom no Baratiê, mas eu recusei.
– Por que você recusou? Era a sua chance!
– Até parece que eu vou fazer isso! Aqueles caras me odeiam do fundo da alma, se eu aceitasse eles iam pegar no meu pé pro resto da vida, malditos inúteis.
– Então eu podia ficar no seu lugar! Se um de nós arrumar um emprego já dá pra manter a casa, né?
– Hahaha, você ficou completamente maluco! Uma pessoa como você? Trabalhando no Baratiê? Valeu, eu precisava mesmo rir!
– Q-Qual é a graça? Se você me ensinar eu posso muito bem aprender a cozinhar.
Ele ficou fazendo biquinho pra mim com aquela carinha de anjo irresistível dele. Mas essa história de aprender a cozinhar é realmente sério? Se essa pessoa aprender a cozinhar vai faltar comida no mundo!
– Aliás... mais importante que isso, Luffy, nós vamos dar uma entrevista amanhã.
– Como assim? Eu não quero fazer essas coisas!
– Nem eu, mas não se preocupe com isso. Vai ser bem simples, eu prometo.
– Mas o que eu vou falar lá, Sanji? Eu tenho medo de estragar tudo de novo!
– Não tem como você estragar mais do que você já fez, Luffy. Mas não vamos ficar pensando nisso agora, já tá quase na hora do almoço.
– COMIDAAA!
Era só falar em almoço que ele já ficava todo animado e pulava em cima de mim. No começo eu achava essa atitude irritante, assim como basicamente tudo que ele fazia, mas... se você parar pra pensar, o Luffy tem o sorriso mais lindo do mundo.
E ele dá esse sorriso por coisas tão simples. Ele me disse que fica feliz sempre quando está comigo e eu me sinto assim também, mesmo não demonstrando da mesma forma que ele.
Enquanto eu cozinhava ele ficava sentado, batendo as pernas e me olhando igualzinho a uma criança que acabou de ver um doce. Aliás, ele é realmente uma criança presa em um corpo de adulto. Um pirralho sorridente.
– Haai, tá pronto!
– Saaaaanji, você é o melhor!
Sentei em frente a ele para começar a comer, embora estivesse prestando mais atenção a seus olhos castanho-escuro do que no prato de comida. Não sei como tudo isso começou, não sei como tudo isso vai acabar, eu só sei que...
– Ei, Luffy...
– Hum? — Ele parecia estar ocupado demais, saboreando um belo pedaço de carne.
– Eu amo você.
Luffy parou de comer por um instante e dava para ver seu rosto ficando levemente corado. Outro sorriso se formou, indo da ponta de uma orelha até a outra, de tal maneira que seus olhos se fecharam pois não encontraram mais lugar em seu rosto.
– Eu também amo você, Sanji! Kishishishi
~ X ~
Depois de comer, nós dois fomos tomar um banho juntos. No começo eu acabei hesitando, já que não estava muito acostumado a fazer aquelas coisas, mas ele insistiu que não alcançava as costas e precisava de ajuda.
Nós passamos a tarde inteira vendo filmes na TV. Ele ficava deitado no meu peito no sofá, segurando a minha mão bem forte, sem se importar se ela estava toda suada ou não. Sempre que passava um filme de terror ou algo de susto, eu acabava ficando assustado e ele começava a rir igual um bobo.
Me dava um pouco de vergonha o fato dele não se assustar com tanta facilidade, enquanto eu era um medroso total. Bom, considerando a diferença de nossas vidas é até normal isso...
Mas eu não gosto de pensar nessas coisas envolvendo a vida triste que ele levou. Eu realmente queria tê-lo encontrado no passado, antes de tudo isso acontecer, simplesmente para evitar que ele se machucasse.
Quando a maratona de filmes cessou, já estava de noite e nós fomos juntos para o quarto. O curioso é que, desde que nós nos conhecemos, mesmo na época em que ainda não namorávamos, em nenhum momento ele dormiu no quarto de hóspedes. Nós sempre acabávamos dormindo juntos.
– Sanji... — Falou num tom baixo, sussurrante.
Luffy gostava de ficar deitado no meu peito. Segundo ele, era pra ouvir as batidas do meu coração. Em contrapartida, eu gostava de ficar fazendo carinho em seus cabelos negros macios como algodão.
– O que foi, Luffy? Algo de errado?
– O que vai acontecer amanhã na entrevista? Eu não sei se vou me sentir bem falando na TV.
– Você não precisa falar nada se quiser, basta ficar do meu lado. A repórter vai focar a atenção mais em mim, no máximo ela perguntará sobre a nossa relação.
– ... Nossa relação?
– É, como nos conhecemos, por que estamos morando juntos, etc. Enfim, essas coisas chatas.
– Isso é meio complicado, mas... o que você exatamente vai falar?
– Você quer saber se eu vou contar do namoro? Eu não sei, Luffy. Se eu fizer isso meu pai vai me odiar mais do que ele me odeia atualmente. É capaz até dele tentar me matar.
– Não precisa se apressar, Sanji, sério. Se quiser falar que nós dois somos só amigos tudo bem por mim.
– Eu não quero ficar escondendo a nossa relação e nem tenho vergonha de falar que nós dois estamos juntos, mas... sei lá. Eu acho que eu tenho medo do que os outros vão pensar.
– Eu sei disso, não precisa se preocupar! Tudo tem seu tempo. Desde que nós dois estejamos juntos, nada mais importa.
– Luffy...
Na maior parte das vezes ele é só um pirralho idiota, mas até que ele sabe falar umas coisas bem inteligentes.
Dei um beijo em sua cabeça e ele retribuiu subindo em cima de mim e me beijando nos lábios, novamente com o sorriso que me fazia mais feliz do que já estava. Nós dois ficamos sentindo nossas línguas por bastante tempo, até nossa respiração ficar bem quente.
Não sei como tudo isso começou, não sei como tudo isso vai acabar, eu só sei que eu preciso continuar com esse garoto pro resto da minha vida. Cuidar de seus ferimentos, de sua fome inacabável, cuidar para que ele permaneça sempre com esse sorriso angelical no rosto.
Fale com o autor