Love Cook, Love Food
1 Quem é esse garoto?

"Fama, riqueza, mulheres"
Essas eram as três palavras que definiam o mundo de um certo cozinheiro desprezível. Sanji Harris é atualmente um dos chefes mais famosos e de maior prestígio na Terra, possuindo a vida que qualquer ser humano gostaria de ter.
Sua família também é extremamente conhecida, tanto na França, país onde moravam, como no resto do mundo. Filho de dois cozinheiros famosos, ter um dom de nascença para culinária não seria alvo de surpresa para o loiro. Tanto é que Sanji é Chefe do Baratie, um famoso restaurante de alta culinária.
– Mais um dia de trabalho... – Sanji se espreguiçou ao levantar de sua cama luxuosa. – Ah, que preguiça! Mas eu tenho que ir, não posso deixar minhas donzelas me esperando!
Sua vida, apesar de ser repleta de privilégios, era vazia. Todo dia de manhã ele se levantava sozinho, tomando banho e realizando seu café matinal. Uma rotina pacata e repetitiva, já que não tinha mais nada para fazer. Não tinha muitos amigos. Tudo o que precisava era de dinheiro, afinal.
E assim, ele pegou seu Porsche e se dirigiu até o restaurante onde trabalhava. Já em sua mente, ele imaginava tudo o que precisaria aturar: repórteres enchendo seu saco, diversos papparazzis de merda e clientes sem educação. Era isso que ele pensava de sua rotina maçante.
Tudo ia bem. Fumando seu cigarro, ele dirigia pelas ruas de Paris com toda calma do mundo, até que o inevitável aconteceu. Imagine que você está dirigindo em alta velocidade e, de repente, um garoto invade seu carro. Isso é impossível, não é?
De fato, é impossível. Ninguém em sã consciência entraria em um carro desconhecido enquanto estava em velocidade. Porém, de fato, aconteceu.
– Mas que merda?!
Um garoto de cabelos negros simplesmente pulou em seu carro, já que o teto deste era aberto, e sentou-se no banco de trás. Seu rosto estava suando e ele parecia bem agitado, com medo, como se estivesse fugindo de algo. Sanji levou um susto, lógico, mas continuou a dirigir.
– Fica quieto e continua dirigindo! Tem uns caras lá atrás querendo me matar, só segue em frente!
– Tô nem aí, você que se vire! Você tem ideia do preço desse carro? E além disso você parece todo sujo e sua–
A fala do pobre loiro fora interrompida bruscamente, quando ele ouve tiros sendo disparados. Três carros o estavam perseguindo à toda velocidade, o que obrigou Sanji a bater em retirada. Fazendo uma comparação, era como se eles estivessem em um filme de perseguição policial.
O garoto entretanto, vendo que os outros carros estavam atirando contra ele, resolveu fazer o mesmo. Tirando duas armas de seu bolso ele começa a atirar nos pneus dos carros, provocando um terrível acidente! E graças a isso, ele e Sanji puderam seguir viagem normal, já que não estavam mais sendo perseguidos.
– Ufa, consegui! – Afirma o garoto sorridente, descansando no banco de trás.
– Q-QUEM É VOCÊ? – Sanji estava desesperado já, mas não parava de dirigir. – Q-QUEM ERAM AQUELAS PESSOAS?!
– Ah, eles são de uma máfia que eu estava tentando fugir. Foi mal por te envolver! Kishishishi.
A risada calma do garoto o irritava, mas ele simplesmente não poderia parar de dirigir no meio do nada. Sanji seguiu até uma rua próxima e deserta, um pouco distante dali para evitar policiais chatos, parando com seu carro e interrogando o garoto.
– Ok, agora me explica quem é você e porque me envolveu nessa merda.
Ele parecia ter por volta de 15 anos, altura mediana, cabelos negros, um chapéu de palha e vestia uma regata vermelha com uma bermuda jeans e um chinelo. Sua pele estava toda surrada, cheia de machucados e ele tinha uma cicatriz abaixo do olho esquerdo.
– Eu me chamo Monkey D. Luffy, eu fiz algumas coisas ruins e acabei sendo sequestrado por aqueles caras que te seguiram! Por sorte eu consegui roubar uma arma deles e te encontrei.
– V-Você é de uma gangue ou coisa do gênero? Porque eu não quero me envolver nessas merdas! Eu vou embora. Tchau. – E assim, ele se retira bruscamente, mas logo fora impedido.
– Não, espera! Eu vou com você.
– Como é que é? Ei, garoto, você sabe quem eu sou?
– Não...
– Então deixa eu te dar um aviso. Meu nome é Sanji Harris, eu sou de uma das famílias mais ricas deste país e também o Chefe mais prestigiado do MUNDO! Não tenho tempo pra garotinhos rebeldes.
– Eu não entendi muito bem o que você disse, mas você é cozinheiro? Que bom, porque eu não como há quatro dias! De agora em diante, cuide de mim por favor, Sanji.
– Ei, ei, para de falar coisas estranhas. Eu não tenho idade e nem quero ser pai de delinquentes como você. Se vira!
– Por favor, me deixe ficar com você por alguns dias! Eu não tenho pra onde ir, meu pai vendeu eu e meu irmão pra uma galera depois que nossa mãe morreu, aí meu irmão foi morto por eles e–
– C-Chega disso, não estou interessado no seu passado triste! E você disse que não come há quatro dias?
– É... eu tô com muita fome... – Ele estava quase desmaiando enquanto falava.
– Tsc, que saco. Olha, eu vou te levar pra minha casa porque eu fiquei com pena de você, mas se comporta.
– Brigado!
O Chefe pois o garoto no porta-malas do carro, já que este estava sujo demais para ocupar um banco daquele nível, além de que algum paparazzi poderia fotografá-los juntos e não seria bom para a imagem de Sanji.
Ambos foram até o restaurante onde ele trabalhava, Baratiê, e o loiro entrou com Luffy escondido pelos fundos para não chamar atenção. Depois disso, o garoto moreno foi posto no armazém, para que ninguém o visse.
– Eu vou trazer alguma coisa pra você comer, ok? Vê se fica quieto e não mexe em nada!
– Muito obrigado, de verdade!
Voltando para sua cozinha, Sanji encontrou seus funcionários e deu uma rápida olhada em sua agenda. Tinha algumas entrevistas marcadas para hoje, mas cancelou tudo graças a Luffy e também pelo fato de odiar fazer tudo aquilo. Ele só dava entrevistas para chamar a atenção de mulheres, na verdade.
– Ei, Luffy, volt.... O QUE É ISSO?
Indo para o armazém onde o garoto estava com um prato de arroz frito nas mãos, Sanji depara-se com uma visão que faz sua voz calar-se no mesmo momento. O garoto estava seminu, só de cueca, mas também não foi por isso que gritou.
– Sanji, você voltou! Aah, e trouxe comida, obrigado!!
Luffy tinha feito uma espécie de cama com as caixas que tinham lá e estava de cueca, sem roupas, colocando bandagens em seus ferimentos. O garoto tinha uma cicatriz enorme bem no meio do peito, como se tivessem marcado ele com fogo e seu corpo estava todo ferrado.
– É, eu trouxe, mas o que é essa cicatriz enorme no seu peito? Isso não dói? Você está bem mesmo? Quer que eu te leve no médico?!
Deixando todo seu egocentrismo de lado, Sanji não podia deixar de se preocupar com o estado do garoto, que comia desesperadamente feliz. Luffy parecia não se importar com seus ferimentos e aproveitava seu arroz frito como uma criança.
– Nossa, é o melhor prato que eu já comi! Você cozinha muito bem, Sanji, salvou a minha vida.
– I-Isso aí não dói, não? – Ele aponta pra cicatriz.
– Nah, não dói, não se preocupa. Eu vou ficar bem.
– Tem certeza que você vai ficar bem? Essas cicatrizes e machucados parecem bem sérios. Eu vou ter que dar um bom jeito em você hoje a noite e, puts, um bom banho também.
Sanji ficou assistindo Luffy terminar de comer enquanto fumava um cigarro. Era a primeira vez que ele conhecera alguém morto de fome, e aquela visão do garoto todo machucado também lhe deixava meio abalado. Um sentimento de proteção que ele não conhecera nasceu.
– Sanji, eu nunca vou esquecer o que você tá fazendo por mim! Muito obrigado, de verdade.
– Deixa isso pra lá, mas me fala mais de você. Qual é a sua idade? Parece ter tipo uns quinze anos.
– Quinze? Eu tenho vinte e um.
– V-Vinte e um? Caramba, você tem a mesma idade que eu! Deve estar com problemas de nutrição mais graves do que eu pensei.
Deixando Luffy comer por mais um tempo, Sanji voltou até seu local de trabalho. O tempo foi se passando e logo deu a hora de voltar para casa depois do expediente. O loiro voltou a colocar o garoto no porta-malas de seu carro e dirigiu até sua casa.
– Caramba, é aqui que você mora? Nossa!
– Gostou?
A casa de Sanji era uma mansão enorme, branca com detalhes em preto. Por dentro parecia ser maior ainda e tinham 18 quartos, 8 banheiros, 2 escritórios, 4 cozinhas, 1 academia completa e quatro andares. Ele também tinha uma diarista que arrumava as coisas enquanto ele trabalhava no Baratiê.
Os rapazes foram entrando e Luffy se espantou com o tamanho da sala de estar.
– E-eu nunca tinha visto nada assim antes... isso é mesmo real?
– Bom, sinta-se feliz, essa é a casa que você vai ficar. Mas lembre-se: até você ficar totalmente curado, ok?
– S-Sanji... – Luffy começou a derramar lágrimas, abraçando o cozinheiro com toda força que lhe restava. – Obrigado! Muito obrigado mesmo!
– E-Ei, se afasta! Você está sujando meu terno, maldito, sabe quanto isso custa?
– Foi mal. – Luffy se afastou do cozinheiro, arrumando sua roupa.
– Tudo bem, não esquenta. Bom, agora é hora de te dar aquele banho que eu te disse antes.
Sanji tirou seu paletó e levou Luffy até o banheiro.
– Caramba, até o banheiro é enorme! Como você consegue não se perder aqui dentro?!
– Eu estou acostumado com casas grandes, é por isso. Você sabe usar um chuveiro, né? Pode colocar suas roupas no cesto, eu vou lavá-las pra você.
– Mas o que eu vou vestir depois?
– Eu te empresto umas minhas, relaxa.
O loiro se retirou, deixando Luffy no banheiro tomando banho. Suas cicatrizes ardiam um pouco quando ele passava o sabonete, principalmente a do peito, mas ele era bem forte. Sanji entrou no banheiro para deixar uma muda de roupas e levar as suas antigas para a lavanderia da sua casa.
– S-Sanji! Tá aí?
– O que foi, Luffy, acabou o banho? Eu deixei umas roupas aí pra você.
– Eu sei, mas... essas roupas não estão muito chiques pra quem vai ficar em casa?
– E quem disse que vamos ficar em casa? Você parece meio deslocado então eu vou te levar pra dar uma volta nas cidades famosas daqui, aproveito e compro umas roupas pra você!
– Tem certeza? Eu não quero te dar muito trabalho, Sanji.
– Tenho! Geralmente eu saio a noite com uma bela dama, mas hoje vai ter que ser você mesmo. E além disso eu não quero um mendigo morando na minha casa, agora sai dai! Eu quero ver como ficou.
– O-Ok, mas eu me sinto estranho vestindo essas coisas caras...
– Eu escolhi uma roupa simples pra você por esse motivo, pode ficar calmo.
Luffy saiu do banheiro com um sorriso disfarçado de vergonha, vestido com uma gravata vermelha, contrastando sua blusa e calça social preta.
– Q-Que tal?
– Olha, ficou muito bem em você! – Sanji foi até ele, ajeitando sua gola e a gravata. – Só precisa dar um jeito nesse cabelo e tirar esse chapéu de palha.
– NÃO! Não toca no meu chapéu! – Luffy empurrou Sanji em um ato de reflexo.
– E-Ei, isso é jeito de tratar a pessoa que te salvou? Quase me fez derrubar o cigarro.
– Perdão, eu não quis fazer isso! É que eu não gosto quando tocam no meu chapéu. Eu vou ficar com ele, ok?
– Ah, mas esse chapéu tira todo o encanto da roupa! Bom, pelo menos a listra vermelha combina com a gravata.
– É que esse chapéu foi um presente de uma pessoa muito importante pra mim! Desculpe por ter te empurrado depois de você ser tão bom pra mim.
– Que seja, mas nós vamos dar um jeito nesse cabelo, ok? E passar uma colônia masculina em você! Ah, isso é bem divertido, é como ter uma boneca-humana!
E assim, Sanji levou Luffy para o seu quarto afim de terminar de vesti-lo e os dois poderem passear pelas ruas de Paris juntos.
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