Os dois rapazes estavam no quarto do Chefe. Luffy estava totalmente hipnotizado graças ao tamanho daquele lugar! Antes ele estava em um local totalmente asqueroso, sem nada, e agora estava em um quarto de verdade.

E era tudo tão arrumado! Sanji tinha uma verdadeira coleção de perfumes e colônias, dava para perceber que ele é um rapaz bem vaidoso. Luffy estava sentado de costas para o cozinheiro e de frente para um espelho, enquanto este penteava seus cabelos e colocava um pouco de gel neles.

– Olha só, até que enfim você está ficando apresentável! – Comentou o cozinheiro, deixando o cabelo do outro todo para trás, como um topete.

– Eh? Isso tá estranho demais! Eu não posso ficar do jeito que tava antes?

– Com aquele cabelo de porco-espinho? Garoto, você está em um dos bairros mais nobres da França! Se você vai sair comigo, tem que saber se portar.

– Tá, mas pelo menos deixa o meu cabelo sem esse topete estranho!

– Tsc, tinha ficado tão bonitinho... – Ele deixa o cabelo do garoto como estava antes, só menos arrepiado.

– Agora ficou melhor! Kishishishi.

– É, não ficou tão ruim. Eu posso dizer que você é estrangeiro, as garotas gostam.

– Garotas?

– Sim! As mulheres de Paris são as melhores. Quem sabe a gente não arranja uma namorada pra você hoje à noite?

– Não precisa Sanji, eu não gosto de mulher.

O cozinheiro interrompeu tudo o que estava fazendo, ficando automaticamente indignado com as palavras proferidas por Luffy.

– Hã, que história é essa? Mulheres são presentes divinos. Deusas! Elas são o bem mais preocioso da humanidade, maldito, como você ousa falar uma coisa dessas?!

– C-Calma! Eu não as odeio, só não quero namorar uma. Eu gosto de homens, é isso.

Agora mais do que nunca, o loiro tinha tinha ficado pasmo, como se tivesse ouvido algo absurdo. Ele, então, vai para a frente do garoto, encarando seus olhos negros bem de frente.

– Você... é homem, né? Eu já te vi de cueca e tudo mais...

– Han? Que pergunta estranha, é claro que eu sou!

– E como um homem pode gostar de outros homens? Isso não faz sentido, homens nasceram para idolatrarem mulheres!

– É claro que não, eu gosto de homem e pronto! Por que toda essa surpresa, você nunca conheceu ninguém assim antes? É normal de onde eu venho.

– Eu achei que essas coisas só existissem em filmes... mas que seja, assim sobra mais pra mim. De qualquer jeito, nós precisamos esconder essa cicatriz no seu olho.

Pegando uma base, Sanji pois um bocado de maquiagem no rosto de Luffy, escondendo o defeito abaixo de seus olhos. Em seguida, pôs logo a melhor colônia masculina que tinha nele, borrifando no quarto inteiro.

Luffy estava completamente diferente de antes! Estava com um penteado estilo Norte-europeu, com a roupa feita pelo melhor costureiro que Sanji conhecia e uma fragrância realmente cara. A única coisa que irritava o cozinheiro era aquele chapéu de palha.

Os dois saíram pelas ruas da cidade iluminada, visitando lojas e mais lojas de grife francesas da mais alta costura. É claro, Sanji escolhia todas as roupas, mas Luffy parecia não se importar. Para terminar a noite eles foram a um dos restaurantes dos pais de Sanji.

Todos os olhares se voltaram para o cozinheiro e as pessoas começaram a fofocar.

"É ele mesmo?" "Sim, aquele cozinheiro super famoso!" "Sanji Harris, ouvi dizer que esse restaurante pertence ao pai dele também" "Puxa, sério? Eu nem acredito que posso vê-lo!"

– Sr. Harris, que surpresa agradável! – Um dos garçons chegou, cumprimentando-os.

– Oh, é você? Achei que já tivéssemos lhe demitido. Bom, que seja, consiga a melhor mesa para mim e para esse rapaz.

– Ah, mas a nossa melhor mesa já foi reservada para os donos de uma das revistas mais importantes de Paris, e–

– Não ligo, você está negando um lugar para o filho dos donos do local? Você é um inútil mesmo.

– P-Perdão, eu vou cancelar com eles imediatamente! Por favor, me acompanhe.

O garçom acabou acatando aos desejos do loiro, e os guiou até a mesa escolhida, deixando os dois sozinhos.

– Desculpe por aquele cara, ele é um inútil que até hoje não aprendeu quem é seu chefe.

– Aquilo foi horrível, Sanji! Nós não precisávamos pegar o lugar dos outros.

– Tsc, você é mesmo irritante. Não sabe se vestir, não tem modos, não tomava banho há dias, não sabe falar direito e ainda por cima é gay. Eu sou o filho dos donos, é claro que eu tenho prioridades!

– Você é que é muito rude com os outros!

– Eu não preciso ser gentil com homens, eu sirvo somente às mulheres. Mas deixa isso de lado, esse é o segundo melhor restaurante de Paris, vamos pedir logo alguma coisa. O que você gosta?

– Pizza e hambúrguer! Ah, e refrigerante de laranja.

– Oi, oi... isso sim é um insulto. Dá uma olhada no cardápio e veja se tem alguma coisa que você conheça.

Luffy deu uma breve olhada no Menu e já não entendeu muita coisa. Tinham vários nomes estranhos e tudo parecia ser exorbitantemente caro. Decidiu deixar o trabalho difícil para o loiro, que já estava acostumado.

– Não tem essas coisas onde eu nasci, Sanji. Escolhe pra mim? Qualquer coisa com carne!

– Eu já esperava por isso. Você bebe?

– Sim, refrigerante de laranja! Ou qualquer outro refri.

– Não foi o que eu quis dizer, mas tudo bem. Eu vou pedir um bom vinho para nós.

– Ah, eu não bebo alcool...

– Mas hoje você vai beber.

Sanji pediu um prato das melhores carnes, tudo acompanhado de um excelente vinho. Enquanto esperavam, Luffy contou-lhe um pouco de sua história.

Basicamente, ele nasceu em uma cidade chamada Foosha, lugar conhecido por ser a cidade mais pobre e devastada de Paris. Os maiores crimes aconteciam lá e o governo não tinha controle.

Luffy tinha dois outros irmãos, Sabo e Ace. Ele foi vendido pelo pai aos nove anos quando sua mãe faleceu, junto com o irmão do meio, Ace. Sabo ficou com o pai e os três não voltaram a se encontrar nunca mais.

Contou também que ele e seu irmão foram feitos de escravos pelos compradores e a marca em seu peito é o símbolo que marcaram nele, para mostrar quem eram seus donos.

Ele já tinha 18 anos quando decidiu fugir de lá com seu irmão, mas Ace acabou levando um tiro enquanto tentavam fugir. Se Ace não tivesse se jogado em frente ao irmão, seria Luffy quem seria atingido.

– Nossa, parece uma delícia, Sanji! Eu nunca vi nada igual! – Exclama o garoto assim que a comida chegou.

– Você realmente tem uma história triste, garoto, mas por hora vamos deixar isso de lado. Depois você precisa me contar o lance desse chapéu!

– Ok! Mas esse vinho é muito bom, eu nunca tinha bebido antes, principalmente uma coisa tão cara...

– Vai com calma, esse vinho é bem forte.

A noite foi extremamente divertida. Luffy gostou tanto do vinho que Sanji foi pedindo mais e mais, até os dois já estarem na vigésima taça. Totalmente bêbados, conversavam bem alto, quase gritando e rindo como duas crianças.

– HAHA, SANJI! Você já reparou que a palavra "carne" é muito estranha? Caaar.... né!

– Caramba, verdade! Quem deu esse nome pra carne devia ter merda na cabeça!

– Quem será que dá nome pras coisas? Tem cada nome estranho no mundo...

– Alguém que certamente não tinha nada melhor pra fazer. Ei, Luffy, quer ver uma coisa divertida?

– Quero!

– EI, GARÇOM DE MERDA! – Um grito é proferido, clamando pelo garçom. Todos do local olharam pasmados.

– O-O que o senhor deseja, Sr. Harris?

– Eu quero que você coloque essa bandeja em cima da sua cabeça e comece a dançar batendo palmas!

– Eh?!

– Não ouviu o que eu disse, maldito? E não vale deixar cair!

– S-Sim, senhor! A-Assim? – O pobre garçom, com medo do seu emprego estar em perigo, começa a dançar com a bandeja em cima da sua cabeça enquanto batia palmas. Todo comentaram sobre aquela cena incomum. Os rapazes só riam.

– Haha, Sanji, você é o pior! Isso é hilário!!

– Não é? Agora você sabe do que eu sou capaz, Luffy!

Após se divertirem com o garçom um pouco mais, ambos cansaram-se devido ao vinho, pagaram a conta e foram embora. Neste momento estavam completamente bêbados, e foram para o valioso Porsche que o loiro tinha.

– Ei, Sanji, não é perigoso dirigir assim?

– Quem liga? Vamos nessa! Tá com medinho?

– Kishishishi, claro que não!

~ X ~

Foi difícil, mas depois de dirigir completamente bêbado Sanji conseguiu chegar finalmente em seu destino. Os dois entraram na grande Mansão e o cozinheiro jogou seu terno para longe, enquanto Luffy se jogou no sofá.

– Aaaah, eu tô cansado! Eu vou dormir aqui mesmo, Sanji!

– Idiota, você não pode dormir num sofá! Ah é mesmo, eu ainda preciso ver seus ferimentos. Quase eu esqueço!

– Deixa isso pra amanhã, eu nem sinto dor. Eu tô mooorto de cansaço!

– Nada disso, eu preciso ver como você está! Vai, tira isso! – Sanji subiu em cima do garoto tentando tirar sua camisa, mas ele ficava se debatendo.

– Não, Sanji! Hahaha isso faz cosquinha!

– Fica quieto seu merda, deixa eu tirar logo isso!

– Saaaaai! Eu quero dormir!

– Para de se debater e me deixa te ver logo, saco!

Os dois foram rolando no sofá, que era realmente espaçoso, até que o loiro finalmente conseguiu impedir Luffy de continuar a se mexer, imobilizando seus dois braços.

Sanji acabou ficando em cima do garoto, tirando sua gravata, sem nem ao menos perceber o que estava fazendo direito. Os dois estavam rindo feito duas crianças, mas assim que seus olhares se cruzaram, tudo parou. Um silêncio propagou-se no ar.

Os dois ficaram completamente imobilizados e não conseguiam se mexer, apenas se olhavam de uma forma estranha. Graças ao efeito do vinho, Sanji começou a ficar um pouco corado enquanto fitava o garoto, que estava confuso com o clima.

– Luffy...

– San..ji?

O loiro finalmente foi abaixando seu rosto até chegar perto do de Luffy, pedindo permissão com o olhar. Seus cabelos se encostaram e os dois olhos estavam mais próximos do que nunca, até que o próximo passo é tomado. Os grandes olhos de Luffy se fecham completamente, sentindo em seus lábios apenas um selinho.

– D-Desculpe, eu não sei o que deu em mim! – Sanji deu um pulo e se afastou rapidamente, assim que voltou à consciência.

– Não, tudo bem, Sanji. – O garoto parecia estranhamente calmo com aquilo. – Pode continuar, se quiser.

– Do que você tá falando? É claro que não, isso foi forçado!

– Você salvou minha vida, Sanji, significa que pode fazer tudo o que quiser comigo.

"Fazer tudo o que quiser comigo"

Essa frase ficou ecoando na cabeça do cozinheiro por alguns segundos que pareciam uma eternidade. Quer dizer, sim, ele havia salvo a vida de Luffy porém aquelas palavras soaram estranho demais. Era como se o garoto simplesmente não se importasse em beijar alguém forçadamente.

– Ei, garoto... o que você quer dizer com isso?

– Onde eu vivia, quando devíamos um favor a alguém e não podíamos retribuir, nós fazemos qualquer tipo de serviço até pagar a dívida.

– Não brinca, isso é sério? Parece estupro pra mim.

– Estupro? Não sei o que é isso, mas me disseram que é assim que funciona.

– Espera, aqueles caras que estavam te perseguindo hoje de manhã... eles faziam esse tipo de coisa contigo?

– Sim.

– É serio isso? – Sanji ficou com raiva automaticamente e se lembra dos ferimentos que havia visto em Luffy mais cedo. – Ei garoto, tira a roupa. Deixa eu ver esses machucados que você tem aí.

Luffy ainda estava um pouco coagido pelo pedido repentino, mas obedeceu, ficando só de cueca. Um ódio que chegava a queimar a garganta do cozinheiro subiu, assim que ele observou todas as marcas de chupão, arranhões e cicatrizes que existiam.

– N-Não precisa se preocupar comigo, Sanji, elas não doem. Só a do peito, mas é pouco.

– IDIOTA! Isso são marcas de abuso, é claro que eu me preocupo! Ninguém merece passar por isso.

Deixando o garoto seminu em seu sofá, Sanji logo foi buscar pelo kit médico que havia em seu quarto, disposto a cuidar de todas aquelas feridas. Assim que ele retornou, tratou de cuidar de Luffy imediatamente, sem pensar em outra coisa. Aflito.

– Ei, garoto. Me prometa que nunca mais vai deixar ninguém te tocar!

– M-Mas, eu...

– Cala boca, só prometa! Eu não vou me sentir bem se você continuar pensando dessa forma.

– Tá bom, eu prometo. Eu nunca mais vou deixar ninguém fazer nada comigo, tá?

– Ótimo, agora vamos dormir. Isso tudo me deixou com uma puta dor de cabeça.

– Sanji...

– Hm?

Luffy puxou o loiro para deitar-se por cima dele no sofá, dando-lhe um abraço em resposta a todos os cuidados que tivera. Sanji não conseguiu sair dali, visto que estava com uma pena terrível em ver um garoto tão jovem, mas com tantos machucados. Ambos acabaram adormecendo juntos, assim que Luffy soltou um pequeno sussurro.

– Obrigado por cuidar de mim... Sanji.