Love Cook, Love Food
3 Maldições

"Hã..? Onde eu estou...?"
Sanji acordou em seu sofá, com uma dor de cabeça infernal. Ele tinha ido dormir com as mesmas roupas que havia usado no dia anterior, nem o sapato ele tinha tirado. Luffy também tinha dormido lá e estava acordando debaixo do cozinheiro.
– Sanji... bom dia...
– Luffy? Arh, o que aconteceu? Que dia é hoje? Que horas são? E porque diabos estamos dormindo juntos no sofá?
– Aff, você faz muitas perguntas... eu vou voltar a dormir...
Sanji ignorou o fato do garoto estar pouco se fudendo para ele e então se levantou do sofá. Coçou os olhos, dando alguns tapas em seu próprio rosto antes de finalmente pegar o relógio. Porém, assim que o fez, logo levou um susto e acabou gritando sem perceber.
– CARALHO, JÁ É TARDE ASSIM?! EU PRECISO IR TRABALHAR!! Mas cara que merda, eu tô todo fedido e essas roupas estão imundas!
O cozinheiro se levantou do sofá correndo, com pressa e foi tomar um banho.
"Merda, merda, merda... Que merda! Porque diabos eu acordei com esse garoto em baixo de mim? Aliás, pra começo de conversa, porque eu fui dormir no sofá?! O que aconteceu ontem mesmo?"
Ele pois seu terno enquanto gritava para si mesmo e ia em direção ao seu Porsche, afim de ir trabalhar como fazia normalmente. Porém, assim que chegou ao seu carro, levou outro susto.
– QUE PORRA?! Meu carro tá fedendo a vinho! E isso são... arranhões na traseira?! Algum pivete fez isso? Aff, não dá tempo pra pensar, depois eu resolvo isso. Preciso ir pro Baratiê logo!
Ele seguiu viagem até seu restaurante, com uma ressaca maldita, porém não podia abandonar o trabalho. Chegando lá, o cozinheiro entrou no restaurante pela entrada dos funcionários como de costume, mas todos os seus subordinados pararam o trabalho e ficaram encarando ele.
– Que foi? Tem alguma coisa no meu rosto, por acaso?! Vão trabalhar, malditos!
– Érr... Sr. Harris... o senhor não viu o jornal de hoje?
– Jornal? O que houve? Algo sobre mim?
– B-Bom, sim... e além disso o seu pai está aqu–
– SANJI! – Um velho de cabelos loiros desbotados e com tranças em seu bigode chegou bem furioso, gritando o nome do Chefe com uma voz alta e grave.
– P-Pai? Ei, o que tá acontecendo aqui?!
– Responda-me você mesmo, filho inútil!
O homem segurou um jornal na frente de Sanji, com o título bem grande na primeira página "A decadência de Sanji Harris" com a foto dele e de Luffy, ambos rindo de um garçom enquanto assistiam-no dançar com a bandeja na cabeça.
– Que porra é essa? Esse não sou eu!! Eu não lembro de nada disso!
– Bom e eu não lembro de ter tido gêmeos. EI, TODOS VOCÊS, O QUE ESTÃO OLHANDO? VOLTEM AO TRABALHO! Sanji, você vem comigo!
E assim, o loiro foi coagido a entrar no depósito junto a seu pai. Mesmo assim, do outro lado, todos os funcionários comentavam e cochichavam sobre o assunto. Rindo, pois todos odiavam ele.
– Você viu isso? O Zeff tá puto com o filho! HAHHAHAHA
– Claro, você leu o jornal? Eu não sabia que ele era capaz de fazer aquelas coisas! Bem feito, vai ser deserdado!
~ X ~
– Você tem 2 minutos pra me dizer quem é esse garoto e o que deu na sua cabeça, Sanji!
– Ele é o filho de um conhecido meu! Ele não é daqui, então eu estava mostrando a cidade pra ele. Mas eu não lembro de nada disso! A ultima coisa que eu lembro é de estar comendo em um restaurante, e...
– Cala boca! Não quero saber de desculpas! Todos os veículos de comunicação estão falando sobre você e esse garoto, e você ainda está fedendo a vinho!
– E-Eu juro, eu não sei como isso foi acontecer! E-eu vou falar com a imprensa e explicar tudo! Só me dê mais uma chance!
– Você desonrou o sobrenome da nossa família, você sabe o que isso significa, não é?
– Pai, por favor, me dê uma chance! Eu vou acertar tudo com a imprensa, logo logo isso vai ser esquecido.
– ... Tá, eu te darei mais uma chance. Vou marcar uma entrevista pra você mas me prometa uma coisa, fique longe desse moleque. Vá pra casa e tome um banho! Eu não quero te ver mais hoje.
– Eu prometo, não lhe decepcionarei de novo!
~ X ~
O loiro passou no conserto para deixar seu carro, tendo que voltar para casa em um táxi. Assim que chegou na Mansão, vários repórteres estavam espalhados por lá, todos gritando e tirando fotos aleatórias, o que o deixou com mais raiva e fúria ainda.
– O que é isso agora?!
– Olhem lá, é ele!! Sr. Harris, qual é a sua ligação com aquele garoto? Porque ele está morando em sua casa? Ele é filho de alguém importante? Vocês são amigos? Ele não parece ser daqui, de onde ele é?!
– E-Ei, esperem aí! Saiam da minha casa, eu vou dar explicações mais tarde, mas agora não!
Assim que conseguiu efetivamente entrar em casa, desviando da imprensa e se trancando lá dentro, percebeu que Luffy estava sentado em um canto da sala, tremendo, com medo daquilo e certamente coagido por todos os fotógrafos que o cercavam.
– Sanji! Você voltou!
– Luffy, o que aconteceu?! Como descobriram que você está aqui?
– U-Uma mulher entrou na sua casa, ela disse que era faxineira... ela chamou os fotógrafos e saiu.
– Tsc, maldita...
– Mas Sanji, eu tô com medo! Tem muita gente lá fora e eles ficam tirando fotos e gritando!
– Luffy, vai pro meu quarto, lá é mais seguro. Eu vou dar um jeito nessa gente depois eu vou pra lá.
– O-Ok...
Sanji respirou fundo, se acalmou, e saiu de casa enfrentando os fotógrafos.
– Sr. Harris, por favor nos diga a sua relação com esse garoto! Pelo menos nos diga o nome dele, idade, de onde se conheceram, história de vida, tipo sanguín–
– EI, FIQUEM QUIETOS E ESCUTEM O QUE EU VOU DIZER.
Todos os entrevistadores ficaram quietos, observando Sanji. Os fotógrafos foram continuando a tirar fotos, mas todos estavam pronto para ouvir o que ele tinha a dizer.
– Eu vou dar uma entrevista à imprensa explicando tudo. Mas não hoje! Se vocês não saírem da minha residência AGORA eu não vou falar mais nada sobre o caso e ainda vou chamar a polícia! Entenderam?!
– Pelo menos pode nos dizer o nome dele?
– Não, vão à merda!
O cozinheiro fechou a porta na cara dos fotógrafos, que foram deixando a residência com medo dele chamar a polícia e desistir da entrevista. Depois, ele foi para o seu quarto encontrar-se com Luffy, que estava sentado no chão do mesmo jeito.
– Eles já foram, Luffy, pode se acalmar agora. Mas você ficou com tanto medo... o que aconteceu?
– Eu não gosto quando muitas pessoas juntas ficam em cima de mim! E tinham muitas câmeras, eu quase fiquei cego com os flashs.
– Não precisa se preocupar, ok? Eles não vão mais te incomodar. – Sanji sentou ao lado do menino, botando um braço em suas costas e o abraçando enquanto acendia um cigarro.
– Ei, Sanji... eu te causei muitos problemas?
– Sim, com certeza! Por sua causa meu pai ficou puto comigo e eu quase perdi tudo o que eu tinha. Você é mesmo um pirralho bem irritante, Luffy.
Por mais que tivesse motivos para isso, Sanji parecia não estar muito bravo. Ele certamente falou algumas coisas duras e em um tom rígido para Luffy, mas não chegou a ficar realmente com raiva. Pelo contrário, ele o abraçava ainda mais forte e até soltava um sorriso debochado.
– Desculpa... acho melhor eu ir embora, eu não quero te causar problemas.
– E quem disse que eu quero que você vá? Não é tão simples assim. Você não pode fazer essas merdas e ir embora sem mais nem menos.
– Então o que você quer que eu faça?
– Primeiro conte-me tudo o que aconteceu ontem à noite.
– Tá! – O garoto entrou contou-lhe tudo, incluindo a parte que Sanji tinha o beijado e sobre suas marcas no corpo.
– A-Algumas partes você podia ter pulado, garoto...
– Sério? Quais?
– Deixa pra lá! Eu devia estar muito bêbado mesmo.
– E o que eu preciso fazer agora pra me redimir com você?
– Eu tenho um plano, mas você vai ter que ir na entrevista junto comigo. Entendeu?
– Ehh? Eu não quero ver aqueles fotógrafos de novo!
– Não se preocupe, não terão fotógrafos. Você só vai precisar dizer algumas coisas pra câmera, mas isso nós combinamos depois.
– Eu não gosto muito disso, mas é o mínimo que eu posso fazer por você.
Sanji soltou mais um pequeno riso e pegou o chapéu de palha da cabeça do garoto, deitando-o em seu colo enquanto brincando com o objeto, como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Luffy também não pareceu se importar em ficar no colo do loiro.
– Mas me diga... ontem você acabou não me contando porque você gosta tanto disso aqui.
– Ah, esse foi o presente do meu avô por parte de mãe, Garp. Ele me deu quando eu era criança antes de ir embora. Depois disso eu nunca mais o vi, porém ele falou que esse chapéu é o tesouro mais importante dele.
– Tesouro? Esse chapéu? Que coisa sem sentido... Mas que família ruim a sua, hein! Seu pai e seu avô te abandonaram. Pobrezinho.
– Eu não sei direito o que significa esse chapéu, mas ele é bem importante. Aliás foi por causa dele que eu fui sequestrado.
– Hã, como assim?!
– Lembra quando nos conhecemos? Eu estava fugindo de algumas pessoas. Eles me sequestraram e me trouxeram pra esta cidade por causa do chapéu!
– S-Sério?! Caramba... esse treco é realmente importante assim?
– Sei lá, mas o vovô me disse pra protegê-lo, então eu não entreguei ele.
– Você é bem idiota hein, eles podiam ter te matado! Bem, que seja, o importante é que você está vivo.
– Mas olha pelo lado bom, Sanji! Se eu tivesse entregado o chapéu eu não teria te conhecido! Kishishishi
– Então eu quase fui deserdado por causa de um chapéu? Eu vou é colocar fogo nesse treco!
– Ehhhh? Não, não, não, não faça isso!
Sanji se levantou, tirando o garoto de seu colo e pegou seu isqueiro, ameaçando atear fogo no objeto. Luffy ficou tentando pular pra alcançar o chapéu, mas o loiro era muito mais alto que ele e ficou rindo do pobre garoto.
– Hahaha, é só isso que você é capaz de fazer pra proteger seu tesouro? Se esforce mais!
– Aaargh, para com isso! Me devolve, Sanjii!
– Vem pegar então! – Ele foi correndo pela casa com o chapéu na mão e Luffy foi atrás dele. Os dois estavam se divertindo e dando risadas enquanto "brigavam" pelo chapéu.
– Me devolveee! Eu vou te pegar, Sanji!
– Quero ver você tentar, Luffy. Desse jeito não vai conseguir pegar nada!
– Não tem graça, poxa! Você é muito mais alto que eu!
– É exatamente por isso que é engraçado, bobo.
Os rapazes foram correndo pela casa, até que o cozinheiro acabou tropeçou em um papel qualquer e caiu no chão. Luffy aproveitou a súbita oportunidade e subiu em cima dele, conseguiu pegar seu precioso tesouro de volta. Ambos estavam rindo como crianças.
– Haha, viu só, Sanji? Eu consegui!
– Parabéns, Luffy.
Sanji deu um leve sorriso, olhando para Luffy bem de perto. Ele foi subindo suas mãos até o cabelo do garoto sorridente, trazendo sua cabeça para perto até conseguir encostar os lábios de Luffy nos seus, dando-lhe um beijo.
~ X ~
Uma pouco mais cedo, na mesma cidade.
– Ei, chefe, chefe! Vem ver isso aqui!
– O que foi? Espero que seja importante, eu estou no meio do meu almoço.
– É importante! É aquele garoto do Chapéu de Palha, ele está nos jornais!
– O QUÊ VOCÊ DISSE? SÉRIO? ME DÊ ISSO LOGO!
– Sim, e parece que ele está com aquele cozinheiro super famoso. Ele é tão sortudo... deve estar morando numa mansão enquanto nós estamos nesse buraco do inferno.
– Zehahahaha, é ele mesmo! E ele está com pessoas interessantes! Yosh, isso realmente foi útil.
~ X ~
Ao mesmo tempo, na Cidade de Foosha.
– Vovô, olha só isso! Achamos o Luffy!!
– Sério?! Como assim? Me dê esse jornal agora, Sabo!
– Parece que ele está na cidade mais Nobre da França! E além disso está com uma pessoa bem conhecida, né? Nem acredito que nós finalmente o encontramos! Já faz tanto tempo...
– Caramba, já se passaram doze anos! Eu o procurei por toda França e ele estava naquela cidade o tempo todo? Não acredito! Que dia abençoado!
– Mas vovô, aqui não diz nada sobre o Ace. O que aconteceu?
– Eu não sei, mas nós precisamos encontrá-lo para ter essas respostas. Yosh, vamos pra lá agora mesmo!
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