Love Cook, Love Food
29 Mudança

Shanks e Buggy finalmente adentraram o motel e o de cabelos azuis fez questão de pedir um quarto com duas camas, mas foi negado por não haver nenhum, o que fez o ruivo ficar secretamente agradecido. Subiram finalmente até o local onde dormiriam.
Era um quarto relativamente pequeno, mas bem arrumado. Existia um frigobar, um aparelho de som e uma cama de casal vermelha, que combinava com os cabelos do maior. Shanks já havia tomado seu banho e esperava o companheiro sair do seu, deitado na cama de cueca, pois não tinham outras roupas.
– Ah, até que o chuveiro daqui é bom. – Comenta Buggy com a toalha amarrada em sua cintura, saindo do banho. Shanks disfarça o olhar.
– P-Pois é, a água é bem quente...
– Você tá estranho. – Buggy vestiu sua cueca, deitando-se ao lado do ruivo.
– Você acha..?
– Não, eu tenho certeza. O que tá acontecendo?
– Esquece isso, vamos dormir logo. Deve ser sono.
Deitaram-se de fato, um de costas para o outro. O ruivo olhava para frente, em busca de algo para distrair a sua visão, sentindo seu coração apertado por estar dormindo com a pessoa que gostava, mas sem poder fazer nada.
Ele se virou. Aproveitando o fato de Buggy estar de costas, ele decidiu ficar encarando os cabelos azuis que o outro portara, querendo sentir seu cheiro mais de perto. Pensando em qual seria a sensação se, de repente, o abraçasse por trás e pudesse sentir ambos corpos colados.
– Ei, Shanks. – A voz. Seu corpo tremeu-se por inteiro ao ouvir Buggy chamado seu nome, ainda estando de costas para ele. Uma voz calma.
– Hm?
– Tem alguma coisa mordendo o meu pé.
– Oi?
– Não é você, né?
– Não...
– Então... – Buggy tira as cobertas de cima dele e vê o invasor. – AI MEU DEUS, TEM UM RATO NA MINHA CAMA!!!
– S-Sério isso?! – Shanks afasta o rato, que sai correndo por aí e foge do quarto graças ao grito de desespero de Buggy, que acabou dando um abraço no ruivo para se proteger.
– E-Eu achei que fosse morrer...
– Calma, Buggy, ele já foi. Não sabia que você tinha medo de ratos.
– Não é medo, é nojo. – Buggy se soltou do abraço e ficou encarando Shanks, ambos sentados na cama. – E eu também levei um susto.
– Hai, hai.
Os dois ficaram se encarando por alguns segundos que mais pareciam uma eternidade. Shanks tinha um pequeno sorriso em seu rosto e Buggy não entendeu muito bem o motivo do outro o ficar olhando.
– Tem alguma coisa no meu rosto? – Ele decide quebrar o silêncio.
– Ahn?
– Você fica me olhando estranho desde que entramos no quarto. O que tá acontecendo?
– Ah, nada... impressão sua...
– Tem certeza? Tudo bem que você sempre foi um ruivo meio idiota, ma–
– Eu gosto de você, Buggy.
– Oi?
– Eu amo você, na verdade.
Buggy ficou assustado com tais palavras repentinas, até arqueando um pouco o cenho, mas antes que pudesse dizer algo, Shanks o forçou para um beijo.
~ X ~
Mais um dia no All Blue. As águas do mar batiam no navio, deixando que as pessoas pudessem apreciar o céu azul e sentir o cheiro salgado da brisa marítima. Luffy estava anotando os pedidos dos clientes, pronto para levá-los até Sanji, que estava cozinhando. Contudo, a porta do restaurante abre, deixando duas pessoas entrarem.
Sua atenção volta-se até elas, graças ao brilho que ambos emanavam. Um deles era um homem alto, com um cabelo bem chamativo devido à cor vermelha; e o outro era um rosto já conhecido. Um homem magro, moreno e com um sorriso sarcástico exuberante.
– Torao! – Deixando todos os pedidos de lado, o garoto sorridente abraça o homem que chegou, sendo retribuído por um sorriso.
– Mugi-ya, que bom lhe ver. Aliás, você trabalhando? Nem posso acreditar nos meus olhos...
– Yo! – Kid acena para Luffy, que separa-se do abraço.
– Você deve ser o Kid, certo? O Torao fala muito de você.
– E ele fala bastante de você também, Luffy. Fala tanto que até fez questão de pedir transferência pro Canadá.
– Huh, como assim transferência?
– B-Bom, primeiro vamos sentar, não é? – Sugere Law, tentando mudar de assunto e lançando um olhar maquiavélico para Kid.
– O que eu fiz..?
– Você quase estragou a minha surpresa, ruivo idiota... – Resmunga, sem que Luffy pudesse ouvi-los.
Foram até a mesa. Kid e Law sentaram um ao lado do outro, dando as mãos, e Luffy sentou na frente deles, tirando uma pequena folga do trabalho. Trafalgar começou a contar para o garoto o motivo deles terem vindo para o Canadá.
– Eh, então você vai morar aqui? – Diz Luffy surpreso. – Isso é muito legal, Torao!
– Sim, eu teria vindo no dia da inauguração, mas eu quis aparecer só quando nos mudássemos de fato. Nós estamos morando bem perto daqui, aliás.
– Você tinha que ver, Luffy, quando o Law soube que estavam abrindo um hospital aqui no Canadá ele fez questão de vir morar aqui. – Comenta Kid. – Ele disse que queria reviver a época em que vocês moravam juntos.
– Sério? Eu também sinto saudades de todo mundo lá de Foosha! Eu e o Torao nos víamos todos os dias, né.
– Pois é. – Confirma Law. – E, ao mesmo tempo, é bem divertido morar em um novo país, principalmente longe daqueles franceses metidos. O povo aqui do Canadá parecer ser muito melhor.
– O povo daqui é mais civilizado. – Confirma Kid. – Provavelmente por causa da educação...
– Claro que não. – Retruca o moreno novamente. – É óbvio que os canadenses são melhores porque eles têm uma folha na bandeira. Eu te disse, isso influencia e muito.
– Claro... tenho certeza que é pela folha...
Ficaram conversando por vários minutos, deixando o trabalho totalmente de lado, até que chegaram no assunto sobre casamento. Assim que ambos rapazes disseram que se casaram de fato, Luffy ficou surpreso.
– Então vocês são casados de verdade? Que legal!
– Você e o loirinho não são? – Indaga Law. – Achei que vocês iam se casar primeiro que nós.
– É que surgiu muita coisa, o restaurante e tudo mais, então não casamos. Mas nós moramos juntos, esse é o importante.
– Deve ser legal morar no mar. – Fala Kid. – Mas vocês não pretendem oficializar o relacionamento de vocês? Isso é importante também.
– Não sei, nunca mais falamos sobre isso. E por que vocês não me convidaram pro casamento? – Luffy faz biquinho.
– Ah, nós não fizemos nada. – Explica Law. – Eu não gosto de festas, foi só no papel mesmo.
– Eu gosto de festas. Mesmo o Law não gostando, ele deixou eu fazer a minha despedida de solteiro.
– Não deixei, você fugiu durante a noite e fez pelas minhas costas. Ruivo idiota.
– Bom, ninguém mandou ter um sono tão pesado.
– Ah, agora que eu me toquei! – Luffy exclama. – Nós começamos a conversar e eu esqueci do meu trabalho, nem perguntei o que vocês queriam comer!
– Típico do Mugi-ya. Não tem problema, relaxa, a culpa também é nossa já que te distraímos.
Luffy anotou o pedido dos rapazes e se retirou, indo ao encontro do noivo e contando as novidades, falando sobre os convidados que chegaram. Já estava quase no horário de almoço deles, então era uma boa hora para dar uma pausa.
– Então eles vieram mesmo? Bem que eu achei estranho aquele tal de Torao não ter vindo na inauguração. – Diz Sanji, preparando a comida dos dois.
– E mais, o Torao disse que vem morar no Canadá! Não é legal?
– Tsc, sério isso? Que merda...
Assim que Sanji terminou de cozinhar o prato dos dois, desceu da cozinha e foi até a mesa de Kid e Law, encontrar-se com eles. Já que era horário de almoço dele e de Luffy, puderam ficar conversando por bastante tempo.
– Ora, loirinho, que bom te ver! – Law fala, com seu sarcasmo habitual.
– Queria poder dizer o mesmo, mas não sei mentir tão bem assim. Aqui está o seu almoço. – Sanji põe os pratos de comida na mesa.
– Espero que não esteja envenenada.
– Claro que não, eu nunca estragaria um prato de comida por idiotas como você.
– Ér... então, oi! – Kid interrompe a briga de ambos para se apresentar. – Você deve ser o noivo do Luffy, meu nome é Eustass Kid.
– Perdão, pode me chamar de Sanji. O Luffy me contou que vocês se casaram, como você consegue aturar esse cara?
– Ah, você se acostuma. – Kid passa a mão nos cabelos negros de Law. – Ele pode ser um garotinho rebelde, mas é uma boa pessoa.
– Menos, Eustass-ya, menos.
– Só estou falando a verdade.
Ficaram conversando por mais um longo tempo. Aliás, na maior parte desse tempo, Law e Sanji só brigavam e Luffy precisou ter o trabalho de separá-los sozinhos, já que Kid estava se divertindo com a situação. Até surgir, novamente, o assunto de casamento.
– Eu não acredito que você ainda não se casou com o Mugi-ya! – Law fala diretamente para o loiro, mas logo vira-se para o moreno. – Eu te disse que ele não prestava.
– Hã? É claro que eu vou me casar, só estava esperando o momento certo. Não se sinta melhor por já ser casado!
– Não é isso, eu me sinto melhor porque eu SOU melhor. – Law gaba-se, colocando os dedos com aliança na cara do loiro. – E a minha relação também é melhor que a sua.
– Você é o melhor em ser irritante, isso sim. E você nem fez festa de casamento, se eu for me casar, eu vou fazer a maior festa do mundo e toda França, incluindo o Canadá, vão vir! Sabe por quê? Porque eu sou loiro, rico e lindo. Tudo o que você nunca será.
– Ainda bem, se eu fosse igual a você eu provavelmente já teria cometido suicídio.
– Parem de brigar os dois... – Interfere Luffy. – Nós já moramos juntos, então pra mim já somos casados.
– Não parem de brigar, não! – Kid estava rindo como uma criança. – Hahaha, isso é muito engraçado de assistir!
– Tsc, que seja. – Diz Sanji. – Quando nós formos casar, eu definitivamente não vou convidar você, Torao.
– E quem disse que eu quero ir? Eu sou muito ocupado graças ao hospital.
– Então você não vai ao meu casamento, Torao? – Luffy faz biquinho.
– Claro que vou! Mesmo que eu tenha de deixar meus pacientes pra trás, eu vou no seu casamento, Mugi-ya.
– Mudou de ideia muito rápido... – Murmura Kid.
(...)
Conversaram e brigaram por mais um tempo, até Eustass e Law voltarem para casa. Assim que o restaurante fechou, Sanji e Luffy se jogaram na cama, cansados de mais um dia de trabalho duro, depois de tomarem um banho.
– Luffy... – Sanji dava pequenos beijos nos cabelos negros do garoto, enquanto o abraçava.
– Sim?
– Eu estava pensando no que o Torao disse hoje à tarde... por pior que seja, ele tem toda razão. Eu te pedi em casamento ano passado, mas não tomei nenhuma atitude ainda.
– Não precisa, sério. Quer dizer, casar seria legal, mas também viria muita gente e esses repórteres chatos. A gente já vive juntos, esse não é o importante?
– É importante, mas eu também quero te dar uma data especial. – Os beijos no cabelo partem até o lábio. – E os repórteres chatos não precisam ficar sabendo.
– Então nós vamos mesmo casar..?
Sanji deita em cima de Luffy, olhando bem em seus olhos e dando-lhe um beijo, que logo foi correspondido com o moreno o abraçando para ficarem mais juntos. Quando separaram-se, o loiro ainda estava deitado por cima do outro, o olhando com um sorriso no rosto.
– Quer ser meu marido oficialmente, pro resto da eternidade, Luffy?
E com um imenso sorriso no rosto e risada típica, a única resposta que o moreno poderia dar àquela altura foi mais um beijo e quatro simples palavras, ditas em exclamação.
– É claro que sim! Kishishishi
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