Trafalgar levou Luffy para um pequeno morro que tinha ali, onde os dois subiram no topo e ficaram observando o nascer do sol juntos, sentados. Law estava com seu braço sobre o pescoço do outro para ficarem mais perto.

– Esse lugar...

O vento do amanhecer batia sobre seus cabelos e a paisagem era deslumbrante. A visão que eles tinham lá de cima era da cidade inteira, como se tudo fosse pequeno e eles, os donos do mundo.

– É aqui que nós ficávamos juntos, Mugiwara-ya. Lembra?

– Lembro sim, uma vez você quase me jogou lá pra baixo.

– Depois que você foi sequestrado eu vinha aqui todos os dias e ficava pensando em você. Eu prometi a mim mesmo que iria te trazer aqui de novo algum dia.

– Verdade? Não lembro de você sendo tão sensível assim.

– É, eu mudei muito, mas você continua o mesmo. Ainda não acredito que você ainda usa esse chapéu velho!

Ele pegou o chapéu de palha na cabeça de Luffy e ficou encarando-o de perto. Normalmente o garoto não gostava que pegassem em seu chapéu, mas ele não se importou quando Trafalgar o fez.

– É claro que sim, é o meu tesouro. Toma cuidado com ele.

– Relaxa, eu não vou estragá-lo. Além disso ele fica bem em você.

Law virou-se e levantou o rosto de Luffy com os dedos, aproximando-se dele até ficarem a milímetros de distância. Em seguida, ele deu uma leve risada ao ver o rosto de Luffy vermelho e pôs o chapéu de volta em sua cabeça.

– Torao?

– Você ainda fica corado tão facilmente, Luffy. Você nunca muda mesmo.

– P-Para com isso... – Ele desvia o olhar e faz biquinho.

– Parar com o quê?

– Parar de ficar mexendo no meu chapéu e de falar coisas estranhas. E eu não fiquei corado, isso foi impressão sua.

– Claro, impressão minha. Você não sente saudades da época em que vivíamos juntos?

– Eu sinto saudades do tempo em que nós e o Ace ficávamos correndo por aí, mas agora eu tenho o Sanji e não tenho nenhuma vontade de ficar com você nesse sentido.

– Você gosta mesmo desse carinha, né?

– Claro que sim!

– Mugi-ya, eu me mudei dessa cidade e agora eu sou médico em um lugar ao norte da França. Quando eu soube que você tinha voltado pra Foosha, eu vim logo te ver, mas...

– Mas?

– Mas eu não sei se gosto desse seu lance com o pleyba. Lá onde eu trabalho têm vários desses riquinhos mimados e são todos insuportáveis. O Sanji é igual a eles, todos da mesma raça.

– Não é, não! Quer dizer, no começo era sim, mas ele mudou. Até conseguiu passar uma semana aqui comigo.

– Olha, eu não quero atrapalhar o lance de vocês, eu só me preocupo contigo. Você é muito manipulável e isso faz as pessoas se preocuparem.

– Então você não vai tentar me roubar do Sanji?

– Por que eu faria isso?

– Do jeito que você falou ontem e por ter aparecido na minha casa no meio do nada, eu achei que você iria tentar fazer alguma coisa...

– Nós namorávamos com nove anos, éramos crianças, não é como se nós tivéssemos que nos casar ou coisa do tipo. A vida segue em frente, né?

– Que bom porque eu não quero me afastar de você, mas ao mesmo tempo eu não quero trair o Sanji. Então nós somos amigos?

– Sim, somos. Além disso eu já tenho o meu, não preciso de você.

– Então por que você ficou dando em cima de mim com esse papo de “nós nunca terminamos”?!

– Ah, eu queria ver se você iria conseguir me dar um fora. E eu também queria me divertir um pouco, irritar aquele loiro é bem engraçado.

– Falando nele, já tá quase amanhecendo, eu preciso voltar antes que o Sanji acorde.

– Fica comigo até o sol nascer? Pelos velhos tempos.

Ele decidiu ficar com Law e observar o nascer do sol antes de retornar para casa. Ambos continuavam bem juntos, apoiando suas cabeças uns nos outros de mãos dadas e conversando sobre o passado e o presente.

Quando Luffy retornou, Sanji já estava acordado e desesperado, pensando no que havia acontecido com o seu noivo e é claro, culpando Trafalgar.

– Yo, Sanji, voltei!

– LUFFY! – Ele apoiou as mãos nos ombros do garoto. – Onde é que você estava? Eu te procurei por toda parte!

– Desculpa, eu acabei deixando o tempo passar e nem percebi! Eu tava com o Torao vendo o sol.

– Eu sabia que tinha a ver com esse desgraçado! O que vocês dois fizeram? Me fala a verdade!

– Calma, a gente não fez nada demais, só vimos o sol mesmo. O Torao tá namorando outra pessoa e ele só disse aquelas coisas ontem pra te irritar.

– Se isso for verdade então ele conseguiu, porque eu estou com um verdadeiro ódio dele. Por que você saiu sem me avisar?

– Porque se eu te avisasse você não ia deixar. Mas não rolou nada, eu juro!

– Luffy, não é bem assim, eu não quero que você me veja como um monstro que te impede de ter amigos por causa de ciúmes. É que...

– Você não gosta do Torao e tem medo do que ele faça comigo, né? Sanji, eu sou muito mais forte do que ele, você não precisa ficar me protegendo toda hora!

– Eu sei, desculpa. Eu confio em você, o problema são os outros! Se eu te deixar sair com qualquer um eu tenho medo de acontecer o mesmo lance com o Marimo.

– O que aconteceu com o Zoro e eu foi um erro! Eu te juro que eu nunca vou fazer aquilo de novo, tá?

– Você acha mesmo que esse Torao não vai ficar dando em cima de você?

– Eu tenho certeza, ele me contou que é praticamente casado assim como nós dois e daqui há uma semana ele vai precisar voltar pra cidade dele.

– Então eu vou confiar em você, não precisa fugir ou fazer coisas escondidas de mim, tudo bem?

– Desculpa por isso, eu deveria ter te avisado.

– Deveria mesmo, eu fiquei com medo de você ter sido sequestrado de novo.

– Desculpa...

– Relaxa, deixa isso pra lá. – Sanji dá um abraço e um beijo na testa dele, mas seu telefone começa a tocar e ele resolve atender. – Alô?

“Oi, Sanji. Q-Quer dizer... fi...filho.”

– Olha só, você tá conseguindo me chamar de filho. Parabéns, pai.

“Eu estou fazendo o meu melhor. Eu só liguei pra te avisar que o enterro dela será daqui há dois dias.”

– T-Tudo bem... posso levar o Luffy?

“Se eu dissesse que não, você me obedeceria?”

– Não, mas eu quero ouvir você deixando!

“Argh, não abusa, vai. Só porque eu resolvi ignorar o... “relacionamento” de vocês não significa que eu apoie.”

– Tá bom, eu já esperava por isso. Não custa nada tentar, né? Pelo menos você voltou a falar comigo.

“Ok então, eu te vejo lá.”

– Até lá, pai.

“Até lá. Ah, mais uma coisa...”

– O que é?

“P-Pode levar o Luffy. Mas eu quero que vocês dois se comportem e não fiquem muito juntos! É uma reunião familiar, não se esqueça disso!”

~ X ~

Os dias foram passando. Sanji deixava seu amado ficar com Trafalgar desde que eles ficassem perto para observar os movimentos do moreno sádico, que fazia questão de lançar olhares maliciosos para ele.

No fim de semana, Luffy e seu irmão acabaram ficando juntos finalmente, já que no resto dos dias a vida dele junto com o avô era muito atarefada. Sabo ficava brincando com o mais novo e Law enquanto Sanji tentava fazer as pazes com Garp, sem sucesso.

Até a chegada do dia do enterro. Ambos choraram novamente ao lembrarem-se das doces últimas palavras ditas pela mãe de Sanji. Zeff e seu filho esqueceram de sua rixa e passaram o dia juntos, apesar do mais velho não mencionar Luffy, que entendeu a situação.

Logo após, eles voltaram para Foosha, já que Luffy queria passar o tempo que restava com Law até que ele fosse embora e Sanji ainda não estava com o emocional bom o suficiente para pegar um avião classe econômica.

– Vocês três vão embora juntos?

Assim que o tempo passou, os três decidiram que voltariam para casa. Law ia de carro e Sanji já havia comprado as passagens de avião. Sabo se despedia deles.

– Vamos sim, Onii-chan, já tá na hora de voltar pra casa.

– Promete pra mim que vai me ligar sempre, Luffy?

– Prometo!

Enquanto os dois irmãos se despediam, Sanji e Trafalgar continuavam sua briga rotineira.

– Até parece que eu vou aceitar carona sua, Torao, eu prefiro ir a pé!

– Eu não ofereci pra você, eu ofereci para o Mugi-ya e eu já disse pra não me chamar de Torao, você não tem esse direito!

– Eu chamo você do jeito que eu quero, a boca é minha.

– Mas o nome é meu. Que coisa, nem sei como o Luffy foi aceitar ficar com alguém tão ridículo como você!

– Bom, ele ficou com você, né?

– Eu sou muito superior.

– Até parece...

– Parem de brigar! – Interviu Luffy. – Precisamos ir embora logo antes que o voo atrase, não é?

– Nossa. – Comentou Sanji. – Você, preocupado com horário? Quem é você e o que fez com o Luffy?!

– É que eu quero que vocês dois parem de brigar!

– Por você eu paro. – Sanji finalizou dando um beijo nele, fazendo Trafalgar desviar o olhar.

– Tsc, me poupem de assistir a este pesadelo.

– Cala boca e para de reclamar, Torao. – Diz Sanji.

– Quer brigar?!

Antes que os dois começassem a brigar pela milésima vez só naquele dia, Sabo interviu, argumentando que eles fariam o Luffy ficar triste e era seu dever como irmão mais velho impedir tal ato.

Eles resolveram deixar a rixa de lado e ir embora finalmente. Sanji pegaria uma carona de táxi, já que se recusava a ir de carro com ele. Luffy acabou aceitando se despedir ali mesmo, apesar de querer que todos eles fossem juntos.

Já estavam prontos para partir, com as malas na mão e com o Táxi na porta de casa. Tudo parecia bem para cada um voltar para sua casa, Sanji e Luffy estavam prestes a entrar no Táxi, porém Luffy sentiu uma mão o puxando para fora.

Se tratava de um homem alto e de longos cabelos negros. Sanji ficou morrendo de raiva de ver seu noivo sendo puxado por um desconhecido, mas antes que ele pudesse brigar com o maldito, este soltou uma pergunta um tanto curiosa e parecia bem assustado.

– É-É você mesmo... filho?