– P-Pai?!

A figura do homem alto emitia um ar de extrema curiosidade e te fazia ter pensamentos diversos sobre sua personalidade incerta. Seus olhos negros transpareciam um forte poder obscuro, como o de um dragão, motivo de seu apelido.

Sua aparência era de um moreno alto qualquer, porém a aura que ele emanava era forte e sem nenhum medo. Entretanto, naquele momento, ele estava ainda chocado em ver o garoto que desaparecera há tempos.

– Ei, você!

Porém, antes que o pai e o filho tivessem um reencontro familiar, Law parou na frente de Dragon e lançou-lhe um olhar de extremo desgosto, como se fosse dar-lhe um sermão.

– Você era um amigo do Luffy, né? Eu lembro de você.

– Cala boca! É muita audácia um idiota como você aparecer na frente do Mugiwara-ya depois de fazer o que você fez! Cai fora daqui antes que eu te tire à força, coroa.

– Como é que é?

– Por pior que seja, eu sou obrigado a concordar com o Torao. — Sanji interfere, ficando à frente de Dragon. — Você é o merda que foi responsável por tornar a vida do Luffy num inferno!

– Hã, quem é você?

– Marido do filho que você vendeu!

– Sério? Ah sim, eu lembro de ter visto isso na TV. Se você é meu genro, então não me atrapalhe, eu quero falar com o Luffy!

Dragon empurrou Sanji e Law para o lado, tentando reencontrar-se com o filho, mas logo foi impedido por Garp e Sabo que pararam a sua frente.

– Isso eu não posso permitir! — Exclama Sabo.

– Até meu próprio filho vai ficar contra mim?!

– Como irmão mais velho, é meu dever proteger o Luffy das suas garras. Você já nos causou muitos problemas.

– Eu sei muito bem o que eu fiz e também reconheço as consequências, mas me dê meio segundo pra explicar meu lado!

– Explicar seu lado? — Dessa vez quem interrompe é Garp. — Você tem sorte de eu não te levar pra prisão pelo que você fez com os meus netos!

– Aargh, que saco vocês quatro são muito chatos! Eu só quero ver meu filho, isso é pecado?

– Mas ele não quer te ver! — Sabo volta a falar.

– Deixa ele decidir isso então?

Sabo e Garp se afastaram e agora o pai e o filho estavam finalmente de frente um para o outro. Os olharem lançados em cima de Luffy, como uma pressão para ele dar um fora em Dragon, acabaram deixando o garoto nervoso.

– E-Eu não sei o que dizer...

– Não precisa dizer nada, eu é quem lhe devo explicações. Você só precisa decidir se acredita nelas ou não.

– T-Tá.

Dragon respirou fundo para se acalmar e tentou falar o mais explicadamente possível, já que ele sabia que seus erros do passado tinham acabado tirando a vida de um de seus filhos. A raiva dos outros quatro eram compreensíveis.

– Tudo começou quando você tinha nove anos. Sua mãe tinha acabado de morrer e eu não sabia o que fazer.

~ X ~

Cidade de Foosha, 12 anos atrás.

Três semanas depois da morte de sua mãe, Luffy continuava a chorar incansavelmente. Seu irmão do meio, Ace, estava sentado com ele no morro, tentando calar seu choro. Era final de tarde e os dois observavam o tardar do sol.

– Luffy, já faz quase um mês. Por quanto tempo você vai continuar assim?

– M-M-Mas... a mamãe... — Ele tentava esconder o rosto lotado de lágrimas em seu grande chapéu de palha.

– Eu sei que você sente falta dela, ela também é minha mãe, sabia?

– E-Então como o Ace parece não ficar triste...?

– Idiota, é claro que eu estou triste! Eu conhecia a mamãe há mais tempo que você.

– Então por quê...?

– Porque se eu começar a chorar, nós dois ficaremos chorando e nada será resolvido! Como seu irmão mais velho, é meu dever te proteger e não demonstrar fraquezas.

– V-Você acha que eu sou fraco ainda?

– Claro que sim, você é um bebê chorão.

– Se eu parar de chorar eu vou ficar forte como o Ace e o Sabo?

– Luffy, eu não acho que você um dia seja tão forte como nós. Você é baixinho e medroso.

– Sério?

– E também é meio idiota, mas nada que a gente não possa resolver. Eu vou te treinar e nós dois vamos ficar bem fortes juntos!

– Promete?

– Sim, eu te protegerei até o último dia de nossas vidas. Eu prometo.

(...)

Do outro lado da cidade, Sabo e Law estavam conversando sobre assuntos envolvendo Luffy, como sempre. O irmão mais velho tinha uma tendencia a ser mais preocupado, enquanto o outro tentava permanecer firme.

– Law, você acha que um dia o Luffy vai aprender a se virar sozinho?

– Ele é idiota demais pra isso, não? Se você o deixasse sozinho, três minutos depois ele estaria reclamando da fome.

– Não é a minha intenção deixá-lo sozinho nunca! É que... é difícil ver uma pessoa boba e alegre como o Luffy chorando o tempo todo.

– Eu sei, eu também não gosto disso. Quer que eu obrigue ele a parar de chorar?

– V-Você não acha que é um pouco cruel obrigá-lo? Ele acabou de perder a mãe, além disso vocês estão namorando, né?

– Você também perdeu a mãe e nem por isso fica aí chorando. Como namorado dele é meu dever fazê-lo parar com esse choro ridículo!

– Law é muito cruel com o Luffy...

– Eu só faço isso pelo bem dele, Sabo-ya. Onde ele está?

– Com o Ace no morro.

– Como é que é? Aquele é um lugar específico só pra mim e pro Mugi-ya! Ninguém além de nós dois pode ir lá!

– Se você diz.

(...)

E assim, Law foi se encontrar com o garoto e seu irmão e já chegou aos gritos.

– TIRA AS SUAS MÃOS DO MUGI-YA!

– Huh? — Ace e Luffy se viram, vendo a figura do jovem rapaz com raiva de algo.

– Torao! O que aconteceu?

– Eu é que pergunto, o que você tá fazendo no nosso lugar especial com esse sardento?!

– Do que você me chamou? — Ace foi em direção a ele e ambos começaram a discutir.

– Não ouviu? Além de sardento é surdo também? Sai daqui agora!

– Olha aqui, eu vim dar apoio ao meu irmão, já que você é incapaz de fazer isso!

– Hã? Eu cuido muito melhor do Mugi-ya do que você!

– Desde quando? Você só quer fazer coisas pervertidas com ele que eu sei, seu tarado!

– Você só tá com inveja porque o Luffy tem alguém pra fazer isso e você não, sardento!

– Tarado!

– Sardento!

– Ta-ra-do!

– Sar-den-to!

– Parem de brigar, que saco! — Exclama Luffy.

– Ele começou! — Ambos responderam.

– Não importa, eu amo os dois então eu não gosto de vê-los brigar.

– E eu não gosto de ver gente com o meu namorado no nosso lugar especial!

– Hã? Eu sou irmão dele, eu tenho direitos!

Eles continuaram a briga até o anoitecer, depois disso Ace finalmente foi embora encontrar-se com Sabo e Law ficou com Luffy, sentados e abraçados, vendo o céu estrelado.

– Mugi-ya, você está melhor?

– Sim... eu sinto saudades da mamãe, mas os meus irmãos e você me ajudam.

– Nós não gostamos de te ver triste e eu tenho certeza que a sua mãe também não gostaria.

– Você tem razão, eu vou tentar não ficar triste. Tanto por ela como pelo Torao. — Ele abriu um grande sorriso e logo foi correspondido.

– É bom ouvir isso. Eu vou amar você pra sempre, Mugiwara-ya.

– Eu também vou te amar pra sempre, Torao! Kishishishi.

Eles finalizaram com um beijo e foram continuando até o mais novo cair na grama com o mais velho em cima dele. Do outro lado da cidade, Dragon se encontrava em um bar qualquer com uma pessoa de caráter duvidoso.

– Dragon, quanto tempo! – A pessoa se aproximou dele, que estava bebendo distraído, e deu um tapa amigável em suas costas.

– Huh? Quem é você?

– Não se lembra de mim? Que cruel da sua parte! Há dez anos atrás o meu cadarço se desamarrou e você me avisou, se não fosse por você eu teria tropeçado em algum lugar da rua e poderia até estar morto.

– Entendi... bom, os seus cadarços estão em ordem agora.

– Mas o que houve contigo? Você parece tão triste, bebendo para as lágrimas não saírem. Posso saber o motivo?

– Acabei de perder a pessoa que eu mais amava, minha esposa.

– Oh, sinto muito, eu não sabia!

– Tudo bem, a culpa não é sua. Eu não consigo parar de pensar nela e isso acabou me fazendo vir nesse maldito bar toda noite. Daqui há pouco eu terei dívidas demais.

– Dívidas? Mas você parece ser um homem tão responsável.

– Pareço? Quem cuidava das contas era a minha esposa, na verdade tudo o que eu fazia era ficar por aí, ajudando pessoas como você a amarrarem seus próprios sapatos.

– Entendi. Então agora você está sem mulher, sem filhos e com dívidas? Puts, que situação.

– Ah não, eu tenho três filhos, apesar deles não gostarem muito desse meu hábito de beber. Isso faz com que as minhas dívidas se aumentem cada vez mais também, daqui há pouco eu vou precisar vender a minha casa.

– Não faça isso, a casa de um homem é bem importante. É onde ele pode ter o mínimo de paz, principalmente quem tem uma vida tão agitada quanto a sua.

– Aliás, porque você está me dizendo tudo isso? Eu nem sei seu nome.

– Meu nome é Lafitte. Eu vim aqui te fazer uma proposta.

~ X ~

De volta ao presente.

– Ele me disse que se eu entregasse o Luffy e o Ace ele iria cuidar dos garotos. Na condição em que eu estava, não tinha como eu recusar isso, principalmente com o dinheiro que ele me deu para reajustar a minha vida.

– E depois eu te contei que ele é um dos companheiros de Teach. – Completa Garp. – Se você não tivesse feito uma besteira dessas o Ace ainda estaria vivo.

– Mas Garp, tenta entender o meu lado! Eu estava completamente perdido, não sabia o que fazer. Eu pensei que seria o melhor pros garotos ficarem com alguém mais rico.

– MENTIROSO! – Grita Sabo. – Mesmo depois de saber toda a verdade você não moveu um passo sequer para procurar pelo Luffy! A única coisa que você fez foi voltar a ficar no bar, cheio de companhias ruins. Você fez tudo isso por dinheiro e não pelo bem dos seus filhos!

– Eu fiz pelos dois motivos! Por um lado eu queria sim o dinheiro e sair das dívidas, mas por outro o Luffy e o Ace irem morar numa cidade melhor era ótimo. Isso não significa que eu não ame meus filhos ou sinta saudades deles!

Dragon finalmente se afastou mais uma vez de Garp e Sabo e foi até seu filho, ficando bem de frente para ele e segurando suas mãos. Luffy ainda continuava confuso com tudo aquilo, mas seu pai realmente parecia arrependido.

– P-Pai...

– Luffy, eu entendo se você não quiser me perdoar, mas por favor não tenta me ignorar. Nesses anos a única coisa que eu queria de verdade era reencontrar você e o Ace.

– Agora não dá mais, não é? Eu fui obrigado a passar a minha infância sendo feito de escravo e quando eu consegui fugir do Lafitte, o Ace morreu e o Teach apareceu.

– Eu entendo. Mesmo assim, se um dia você estiver disposto a perdoar o inútil do seu pai, saiba que eu sempre vou estar aqui.

– Tá bom. Foi bom te ver, sério, eu sempre quis saber como isso tudo foi começar, mas quando eu te vejo eu acabo lembrando do Ace e as minhas memórias ruins voltam.

– Tem algo que eu possa fazer pra tentar conseguir o seu perdão? Qualquer coisa.

– Não sei, eu vou voltar pro Canadá agora e preciso sair logo daqui antes que eu perca o voo.

– Tá, eu não vou te forçar a me perdoar nem nada do tipo. Posso pelo menos te dar um abraço?

– P-Pode...

Os dois finalmente se abraçaram e Dragon fez questão de apertar o filho bem forte, quase o esmagando, de tantas saudades que sentia. Era impossível também ele não soltar lágrimas pesadas, desejando tudo de bom para seu filho.

– Luffy, eu já te perdi uma vez e eu não vou te perder de novo. Nesses anos todos não teve sequer um dia em que eu não tenha pensado em você ou no Ace e eu me arrependi de ter feito uma besteira dessas com você. Eu não posso apagar o meu erro, mas tudo o que eu quero é ver a sua felicidade!

– P-Pai... – Ele não resistiu e retribuiu o abraço, apertando as costas do pai e deixando suas lágrimas escorrerem.

– Eu amo você, meu filho. Amo de verdade e faço qualquer coisa pra provar que eu estou sendo sincero.

– Qualquer coisa...?

– Sim, qualquer coisa.

– Então eu quero que você largue os vícios e tente ser um pai melhor pelo menos pro Sabo. Se você for capaz disso, eu vou pensar se consigo te perdoar algum dia.

– Eu faço! Com toda certeza do mundo, eu irei fazer o melhor possível pra me redimir com você e o seu irmão. Eu te prometo que da próxima vez que nos veremos, eu vou ser outra pessoa.

– Promete mesmo?

– Prometo.

Eles se separaram do abraço e Dragon fez uma série de questionários sobre como andava a vida de Luffy atualmente. Ele explicou que estava casado com Sanji, que tentava disfarçar sua raiva do homem por ter sido responsável pelo sequestro do seu noivo.

Depois da despedida final, Sabo realmente tentou dar uma chance ao pai e voltar a conviver com ele. Trafalgar voltou para sua casa e Sanji e Luffy foram até o aeroporto pegar o avião classe econômica para desespero do loiro.