Love By Time 2
4 Dezembro de Festas
Eles não conseguiram acompanhar de pertinho o nascimento de Stephanie e nem fazer nenhuma visita por conta das limitações que a pandemia trouxe, mas puderam ver e mimar muito, com os procedimentos adequados, a bebê quando ela veio para casa pela primeira vez, pouquinho tempo depois após sua vinda ao mundo.
— Escorpião, é? Essa vai te dar um pouco de trabalho. – Alex brincou com Caleb enquanto eles estavam no quartinho da bebê em torno de seu berço de madeira clara e a mesma dormia tranquilamente em seu pequenino colchãozinho branco. O quarto de Stephanie era retangular e lá havia, além de seu bercinho, um sofá de dois lugares de cor azul claro, as paredes que combinavam com o móvel e com ilustrações de nuvens, um pequeno armarinho baixo com fraldas e outros essenciais para a bebê, um trocador de fralda e uma pequena bacia cor de rosa para banho. Uma janela retangular permitia que a luz da manhã entrasse preguiçosamente através das frestas da persiana que haviam instalado ali.
Caleb fungou. Ele era de sagitário mesmo. Escorpião e sagitário eram dois signos que não se davam tanto, não que ele acreditasse nessas coisas mas era engraçado e ele riu.
— Essa tampinha que desafie o irmãozão dela. – Riu Caleb.
— Que, aliás, o aniversário de alguém tá chegando, né? – Alex lembrou.
— Isso mesmo. Jesus Cristo, dia 25 de Dezembro, Natal. – Caleb brincou.
Alex sorriu e franziu o cenho.
— Mas de alguém vem antes, já que estamos em Novembro. – Alex cutucou no meio do peito de Caleb que pegou no dedo dele e mordeu de leve a ponta do dedo dele.
— Eu to com fome. – Caleb falou.
Lá embaixo, Anne, Chris e a vovó Jaracy estavam sentados a sala, num sofá de três lugares e Anne numa poltrona, com a televisão ligada, a lareira embaixo já estava preparada com madeira para ser acesa. Para anunciar a chegada da bebê e troca de fotos, tiveram de usar a internet. A internet, muito mais bem vinda do que nunca naquela época, permitiu que seus amigos e familiares conhecessem Stephanie, por mais que a menina mais adorasse dormir do que qualquer coisa.
— Aquela é a namorada do Alex? – Perguntou a vovó Jaracy. Chris e Anne olharam pra ela.
— É... Bem... – Chris começou.
— Não tem peito, não vai poder amamentar não aquela lá, quando botar o forninho pra assar pão. – Resmungou a idosa.
— É namorado, na verdade. – Anne disse, risonha. – Não lembra do Alex?
— Namorado? Tem certeza? Homem? Não sei não. – A vovó teimou e ergueu as sobrancelhas, pensativa, sua memória já não era mais a mesma. – A modernidade me espanta. – Chris riu nada sutil e Anne segurou o riso pois bem na hora Caleb e Alex desciam as escadas para juntar-se ao resto da família, a vovó Jaracy de imediato já avaliou Alex dos pés a cabeça.
— E aí? – Chris perguntou.
— Ah, ela tá dormindo. Tanto que parece aquelas bonecas que parecem de verdade. – Caleb respondeu ao chegar no último degrau.
Alex congelou quando sentiu-se observado e percebeu que era a vovó Jaracy, acenou para ela com um sorrisinho amarelo até que a senhora decidiu parar de ficar olhando e virou seus olhos para a televisão.
— Bonito, bonita... – Ela falou baixinho.
— Ei, esqueceram de tirar Outubro do calendário. – Caleb se encaminhou até um calendário que ficava pendurado a um canto exposto da sala onde se transitava da sala para a cozinha e removeu a folha de Outubro para dar espaço para o de Novembro.
-----
Não demorou para que a folha de Novembro desse lugar para a de Dezembro. O inverno veio. A temperatura ficou entre 8 e 2 graus pelo início de Dezembro e as pessoas pegaram mais pesado nos agasalhos.
Na manhãzinha de frio, a porta da casa da família Austen recebeu o único convidado da festa que era Alex que, quando entrou, largou seu grosso agasalho no mancebo ao lado da porta pois logo que entrou na sala, foi recebido pelo calor provido pela lareira acesa que estalava, abraçou a Caleb bem forte.
— Feliz aniversário! – Alex exclamou e mal pôde terminar de dizer o que dizia pois Caleb lhe deu um selinho barulhento que despertou o gato laranja Filisteu que tirava um cochilo numa poltrona próxima a lareira, bem quentinho, voltou logo a dormir. Alex riu com o beijinho surpresa. – Aqui. – Ele disse e deu para Caleb um pequeno pacotinho retangular fino embalado em papel de presente reluzente que ele abriu para dar vista de um jogo de PlayStation 4.
— Uau, eu tava querendo esse mesmo. Obrigado, mozão. – Caleb agradeceu-o com mais um beijo barulhento que dessa vez não incomodou ao gato Filistei.
— Eu sei. – Alex riu recebendo o beijo. – Eu ia pegar aquele outro lá que saiu agora mas sabemos que precisa de muitas atualizações pra arrumar todos aqueles bugs. – Caleb balançou a cabeça positivamente, sabia muito bem de qual jogo estava falando. Pegou na mão de Alex e puxou-o para o jardim atrás de casa.
Lá, mesmo o ambiente sendo aberto, não estava frio. Eles tinham uma espécie de aquecedor externo movido a gás que se erguia como uma lacuna. A vovó era quem mais estava próxima do aquecedor e parecia curtir o calorzinho que ele emitia pois tinha um sorrisinho no rosto e os olhos fechados, Chris estava no controle da churrasqueira e, dali, um delicioso aroma de comida na grelha. Opções carnívoras e vegetarianas, o chef não deixou ninguém dali de fora, por mais que o único convidado presente fosse Alex. Não fosse a pandemia, teriam muito mais pessoas na presença. Nishi, Mariko, Owen e Beau até foram convidados mas decidiram não comparecer para não aglomerar. Mesmo assim, eles enviaram alguns presentinhos. Nishi e Mariko, através da Amazon, um novo controle para o PlayStation 4 de Caleb e um box de livros da Jane Austen. Os livros foram por Mariko, que até enviou um bilhete junto “Leia os livros de sua tatatatatatatatatataravó :P te amo, bobalhão”. Owen e Beau, em conjunto, enviaram um generoso gift card da PlayStation Store que Caleb sabia muito bem no que dar destino àquela soma. Alex fora fazer companhia para Chris.
— Nem parece que fazem 17 anos, como o tempo voa. – Anne disse, aparecendo por trás de Caleb, ela estava dentro de casa amamentando a bebê que caíra no sono logo em seguida. Anne abraçou a Caleb e lhe bagunçou os cabelos naquilo. – Own nenezão.
— Preparado para as piadas de duplo sentido de linguiça? – Chris riu com Alex ao seu lado que tinha as mãos aos bolsos, tinha as mãos friorentas que, quando sentiu o calor da churrasqueira, tirou-as dos bolsos.
— Como se você já não as fizesse mesmo sem estar diante de um amontado de carne. – Riu Alex e Chris fez uma careta risonha enquanto virava uma suculenta carne de hambúrguer que chiou na grelha.
Todos comeram em uma mesa externa como lugar de sobra, a vovó Jaracy optou pelos alimentos mais macios, esquecera de passar a fita em sua dentadura e foi só se lembrar quando ela pulou de sua boca e a senhora ainda conseguira pegar no ar sem surpresa, provavelmente acostumada com a situação, até que chegou uma hora que Filisteu começou a arranhar a porta de vidro do jardim e ela resolveu ir fazer companhia pro gato além de tirar um cochilo com ele próximo a lareira.
A tarde se prosseguiu e eles cantaram os parabéns e cortaram o bolo de Veludo Vermelho que Anne encomendara de uma boleira de ótima procedência de Seattle.
— Acho que eu tenho um novo sabor favorito fora o Alex. – O comentário de Caleb arrancou risadas de todos os presentes, Alex já rira com um sorriso torto, envergonhado.
---
— Só mais um, vai. – Pediu Caleb enquanto tentava arrancar outro beijo de Alex, segurando um azevinho de Natal em cima dos dois.
— Meu Deus, Cay. – Alex riu. – Você fica tirando e colocando o azevinho de cima da gente toda hora pra isso, hora de virar pra lá.
— Pra cá? – Caleb virou-se para o lado com o azevinho pra dar de cara com sua bisavó Jaracy, ele se assustou, que sorriu e tascou um beijo barulhento na bochecha do neto e ainda deixou uma marca de batom, Alex riu alto.
— Bom, espero que não tenha ficado com ciúmes. – Brincou Caleb que depois largou o azevinho depois de conseguir roubar mais uma bitoca do namorado.
Dessa vez, estavam passando o Natal na cozinha dos Austen. Caleb havia feito uma decoração impressionante para distrair ainda mais do clima de pandemia e ainda mais por ser o primeiro Natal de Stephanie então no teto haviam vários festões decorados, bolinhas penduradas além de pisca-pisca.
— Acho que estamos numa loja de decoração. – A vovó Jaracy se confundiu ao ficar admirando o teto.
Fora que a cozinha tinha acesso a sala onde também estava decorada com mais festões, piscas e o principal: A árvore de Natal toda iluminada e decorada.
A cozinha com o balcão repleto de comida: Arroz, peru, tender, pure de batatas, saladas, rosbifes e muitas frutas. Muita comida para aquela pequena presença de pessoas.
Sentaram-se à mesa para degustar da comida, Anne colocara Steph para dormir e todos encheram seus pratos, com exceção da vovó que preferia, sobretudo, purê de batatas.
— Senão minha dentura voa de novo. – A idosa explicou enquanto estava com um pedaço de peru nas mãos e ia tirando de pedacinho em pedacinho da carne para melhor conseguir mastigar.
Anne explicou como Chris cuidou das carnes e ela do resto, o homem realmente era um chef carnívoro certificado.
— Que todas as pessoas hoje tenham um peru na boca. – Caleb celebrou com tom jocoso.
— É? Até você? – Brincou Alex e Chris riu alto.
Caleb pareceu pensativo, até forçou os olhos e olhou para os lados.
— Talvez. – Ele respondeu sarcástico.
Para sobremesa, pavê. E tanto Alex quanto Anne esperou pra ver quem era o primeiro a fazer a piadinha do pavê e parece que tanto Chris quanto Caleb se esforçavam pra tentar impedir ela de vir.
— É pavê ou pa cumê? – Quem soltou foi a vovó Jaracy que riu sozinha em sua cadeira e só foi parar quando enfiou uma grande colherada de pavê em sua boca.
Alex teve de rir devido toda aquela situação que passaram, provavelmente faziam aquilo todo o Natal e talvez uma tradição da família Austen.
Para a troca dos presentes, quando o relógio tocou meia noite, todos foram na sala para a árvore com muitos presentes embaixo de seus galhos decorados.
Alex ganhou um sweater feio de gato laranja, uma caixa de bombons, outro vidro de perfume Mugler e um agasalho aparentemente bem confortável além de bonito. Caleb foi presenteado com o Cyberpunk 2077 (Talvez em pouco tempo fique bom – Disse Alex), um sweater feio de gato laranja, um vidro de perfume Quasar e um relógio digital. Anne, um sweater feio de gato laranja, um vidro de perfume Sisley e um livro de romance. Chris recebeu uma camisa social nova executiva, um par de novos tênis esportivos e um sweater feio de gato laranja. Sim, todos ganharam um sweater da vovó com a cara do Filisteu e isso foi um assunto que rendeu a noite e a vovó pareceu maravilhada em falar sobre seu amado gato laranja que ocupava todo o espaço de seu colo totamente mimado a carinhos pela senhora.
Já era madrugada quando a festa de Natal terminou. Alex ajudou a Anne, Chris e Caleb a arrumar a cozinha, as louças, os embrulhos e todo o resto para depois recolocar seu pesado agasalho de inverno e ser acompanhado a porta por Caleb que se ofereceu para levar Alex até sua casa, que não era distante.
Eles foram de mãos dadas apenas contempando o céu do inverno e as ruas vazias mas era possível ver as janelas acesar, decoradas e famílias se divertindo, abrindo presentes, contando piadas e até uns mais tardios comendo sua ceia.
Ao chegar na casa de Alex, Caleb segurou seu rosto e lhe roubou um beijo amorosamente e até um tanto longo, para depois sorrir e Alex sentir aquilo como o melhor dos presentes que alguém possa receber.
— Feliz Natal, meu amor.
Fale com o autor