Love Bites
7 CAPÍTulo 7
Notas iniciais
CAPÍTULO 7
Elizabeth
Uma parte de mim não queria admitir que eu sentia falta das pequenas coisas da minha vida humana.
Era bom dormir e me sentir cansada.
Minha vida tinha se tornado chata. Não sentir nada era chato.
Cheguei ao ponto de não sentir mais dor. Eu era feita de gelo. Meu coração e meu corpo estavam congelados.
Meus dias estavam se tornando difíceis.
Eu gostava de ficar sozinha quando tinha algum tempo livre dos treinamentos.
Eles gostavam de explorar meus poderes. Ver até onde eu poderia ir. Os treinos já não eram mais dentro do castelo, e sim, em um campo deserto à quilômetros de qualquer civilização. Eu não conseguia recusar nenhum comando, então eu simplesmente fazia tudo até a exaustão. Nenhum vampiro chegava a desmaiar. Mas eu sim. O sangue saía de mim. Era horrendo.
Eu me sentia horrenda só de ver o estrago que eu fazia ao meu redor e a mim mesma.
Eu só queria gritar um foda-se bem alto e mandar todos ir a merda. Mas os comandos eram mais fortes do que minhas próprias vontades.
Eu queria ser caos, mas eu não passava de um grande destroço ambulante fazendo o que eles queriam sem suas próprias escolhas. Eu já estava exausta. Já se passaram anos, mas eu ainda era a cobaia deles.
Há alguns dias, vi uma humana e um vampiro juntos. O sangue dela me parecia doce. Mas meu coração por alguns momentos ficaram comovidos com o amor do vampiro pela humana. Ela também o amava. Um queria proteger o outro de Aro.
Aro era cruel. Ele achou a garota um brinquedo interessante. Ela seria forte e assim como eu, se não fosse forte, seria um brinquedo Volturi.
Então eles se foram.
Eles tinham uma família. Os outros vampiros lutaram pela garota. A garota lutava por eles. Eu senti inveja. Inveja por eles se amarem. Por se protegerem. Por fim, senti falta da minha família. Eu sentia dor.
Quando foram embora, desejei ser eu no lugar daquela garota.
Ela era sortuda. Sortuda da forma que eu nunca conseguiria ser.
Eu queria acabar comigo. Acabar com o que eu estava me tornando. Eu já havia perdido minha essência. Passei pelo limite da vida e da morte. Eu queria ser diferente, acreditar em ideais diferentes. Eu não queria matar. Mas isso acaba comigo.
Eu estava vivendo no escuro.
Eu não queria mais viver tão cegamente.
Acho que me tornei muda. Cada dia que passava, mais eu ficava sem voz e sem vontades.
Naquela tarde, depois de usar meu poder que a cada dia mais se expandia, voltei para o castelo.
Toda vez que eu ficava naquele castelo, eu podia sentir o cheiro daquele homem. Percebi que era um assunto delicado para os Volturis. Ninguém falava ou perguntava. Todos fingiam não conhecer a existência do homem nu no porão do castelo.
Algo dentro de mim ficava tentado para procurar e ver quem era o homem. Eu estava realmente curiosa.
Sei que ele estava lá. Que segurou-me quando eu estava morrendo. Mas me lembro do seu olhar como se odiasse o fato de eu ter me tornado um monstro.
Quando penso em tudo o que eu fiz, sinto vergonha.
Nunca, em todos esses anos fui até lá. Eu não tinha coragem.
Ele vivia em um estado deplorável. Mas o que eu poderia fazer?
Com tantos anos naquele lugar, eu já poderia sair. Meu controle não era o melhor, eu não conseguia me controlar 100%, mas sair fazia parte do meu treinamento. Eu gostava de sair de vez em quando, isto é, quando não fazia sol e o tempo estava fechado, somente para olhar os humanos e ver o quanto são leigos perante a vida. Eles vivem trabalhando, correndo e lutando por suas vidas. Alguns são felizes e outros sempre vivendo a beira do abismo. Eu queria voltar a ser humana. Viver era bom.
Em pensar que eu seria um mulher madura.
Penso que... talvez eu já estivesse casada. Talvez eu tivesse filhos.
Então me lembro daqueles olhos.
Não me sinto bem em pensar nele. Não me sinto merecedora para sentir nada nessa vida. Eu não mereço uma vida e acho que ninguém merece um monstro como eu.
Sempre me pergunto o que ele poderia ser, e o do por que dele estar preso lá em baixo.
Seu estado era deplorável. Me pergunto se ele já comeu, ou há quanto tempo que ele não come. Me pergunto se ele sente falta de sua vida ou de alguém que fosse seu parente próximo. Eu sabia o que era sofrer a dor de ter algo arrancado de si mesmo. Não tem como descrever tal dor.
Eu estava sofrendo, mas ao menos, mesmo que ilusório, eu ainda era livre. Ele nem ao menos pode ver a cor do céu, ou o quão bonito pode ser o verde da natureza.
Olho para um pizzaria e o cheiro me deixou enojada. Penso no quanto eu gostava de pizza. Os humanos pareciam gostar muito daquela porcaria. Então penso no homem preso no castelo e imagino que não seja vampiro e tão pouco era humano, penso que talvez estivesse com fome.
Fico divida entre levar a pizza ou deixar essa vontade de cuidar dele de lado.
Se os Volturis o prenderam lá, ou ele era perigoso ou algo muito valioso para eles.
Por um impulso, acabei comprando pizza e no caminho de volta, pensei no quão idiota eu estava sendo. Era perigoso levar essa porcaria para o castelo e principalmente alimentar uma coisa da qual eu não sabia como reagiria a tal gesto.
E se alguém visse? O que aconteceria comigo?
Tomando coragem como nunca tive antes, corri até a porta daquela escadaria escura. Fiquei aliviada por ninguém aparecer ou se importar com minha presença.
Desci os degraus à passos humanos. Ele não estava ali. Mas eu sentia sua presença. Seu coração batia de forma acelerada. Continuei andando no mesmo ritmo. O lugar era bem grande, mas bem mórbido. As paredes eram feitas de pedras, talvez algo como o cimento. Haviam algumas goteiras e parecia haver água corrente na canto de uma das paredes, próximo de onde eu o vi pela última vez. Segurei o papelão que guardava a pizza com firmeza contra meu corpo, mas não com tanta força. Eu tentava o achar. Conforme seguia o som de seu coração, comecei a me sentir apreensiva com tal encontro.
E se eu o assustasse?
Então, o encontrei. Ele estava encostado na parede com os olhos fechados. Ele parecia farejar-me. Então ele abriu seus olhos olhando para os meus. Ele não vacilou por nenhum segundo. Ele então olhou para o que eu segurava e novamente me encarou.
— Oi. — Tentei sorrir, o que eu tinha quase certeza ter se parecido com uma careta.
Ele não falou nada, nem mesmo piscou. Ele parecia não me querer ali.
— Sou Elizabeth. Comprei isso... Você achar estranho, afinal, você deve pensar no fato de eu ser como eles... e... não sei o que eu to fazendo aqui.
Eu queria sair dali. Penso no quão errado era aquilo. Eu praticamente, mesmo que de forma involuntária, o mantinha preso, não era?
Meu coração doía por perceber a merda que os Volturis faziam com ele. Eu sentia meu poder querer sair. Mas, de alguma forme, me controlei. Eu era destrutiva demais. Eu não poderia ficar perto dele.
— Você me entende? Eu sinto muito. O que você fez para estar aqui?
Ele apenas me encarava. Mas parecia mais relaxado.
— Eu trouxe uma pizza, acho que talvez goste.
Eu abri a caixa da pizza e mostrei a ele. O homem não pareceu gostar da visão, mas comprei a minha preferida de quando eu era humana.
— Comprei a que eu mais gostava. Sinto falta de comer. – De alguma forma, penso que posso falar com ele. Me parecia um bom ouvinte.
— Você é humano? Por que não fala nada? Você realmente é mudo?
Ele não se expressava. Mantinha uma carranca fechada. Havia uma espécie de banco no lugar. Fui em direção ao banco, era muito próximo a ele. Tentei não me ligar ao fato dele estar nu em minha frente e apenas tentar saber mais sobre ele, o que estava se saindo um grande de um desastre.
Fiz sinal para que se sentasse. Ele o fez. Mas manteve distancia entre nós dois. Peguei uma fatia e estendi minha mão para ele.
— É gostoso. Bem, não me parece cheirar muito bem agora... Não pra mim, mas acho que vai gostar. Sabe, eu não falo com ninguém faz muito tempo. Desde que... eu, bem... você vai gostar disso. Espero que goste.
Ele pegou a pizza e comeu. De forma lenta. É. Ele não era um homem das cavernas como pensei que seria.
— Do que eu devo chamar você? Você é meio fechado, não?
De certa forma, eu sentia que estava falando sozinha. Talvez ele não fosse mudo, fosse surdo, ou talvez os dois. Eu me lembrava daqueles olhos. Era os olhos mais bonitos que eu já vi. Com a minha boa visão, eu via cada detalhe daquele olhar. Era como se houvesse flores desenhadas. Seu olhar transmitia dor. A forma da qual ele me olhava, eu percebia que ele sofria.
— Quer mais um?
Ele mesmo pegou o próximo pedaço.
Eu queria ouvir a voz dele. Eu sabia que não poderia ficar tanto tempo naquele lugar, ou então seria descoberta. Mas eu gostava de ficar na companhia dele.
— Acho que terei de ir. Mas eu volto.
Encarei seu rosto e ele se mantinha concentrado na pizza. Acho realmente que ele era surdo ou talvez, mudo. Seus cabelos eram grandes demais. Me pergunto se ele sentia frio, ou coisa do tipo.
Eu queria cuidar dele. Ajuda-lo de alguma forma a ir embora. Fugir. Ele era uma vitima e não me pareceu perigoso. Me parecia indefeso. Algo dentro de mim estava mudando. Meu coração pela primeira vez em anos, parecia se aquecer novamente.
E eu, estava começando a ficar assustada por ter tal sentimento.
Então, levando a caixa da pizza já vazia comigo, eu fui embora dando uma última olhada para aquele homem que me parecia tão mais ferido quanto eu estava internamente.
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