Notas iniciais
Espero que goste. madiejasper, Obrigada por comentar em todos os capítulos. Adorei seus comentários. Música: LOVA - My Name Isn't Sody - The Bully Meghan Trainor - Kindly Calm Me Down Transviolet - Undo

CAPÍTULO 8

Elizabeth

Quando eu era humana, bem, isto foi há muito tempo, mas eu tinha aproximadamente meus 16 anos. Eu era uma garota rebelde.

Lembro que papai sempre exigia notas boas. Eu sempre fui uma garota fútil. Eu gostava de sair com minhas amigas e achar que eu era uma garota que poderia ter tudo.

Aos dezesseis, eu fugi de casa. Não foi por muito tempo, mas foi tempo suficiente para me sentir livre pela primeira vez, em muito tempo.

Ellie, uma de minhas amigas na época, dirigia o carro de seu pai. No banco traseiro haviam algumas roupas. Iria ter uma festa do porão de Bradie. Bradie era um conhecido do primo de um amigo de Ellie.

Quando chegamos em frente à casa que por sinal era bem distante da cidade, trocamos nossas roupas ''comportadas'' por roupas mais justas e bonitas. Lembro que antes, eu vestia apenas uma camisola. As roupas que usávamos para entrar na festa, era de Ellie.

Naquela noite, pela primeira vez, senti o gosto do álcool. Após o álcool, o gosto amargo do cigarro. Eu nunca havia tossido tanto em toda a minha vida depois daquele cigarro.

Além do cigarro e as bebidas, dei meu primeiro beijo.

Foi a minha melhor noite. Ellie infelizmente havia ido além do limite e acabou ficando com um cara que não conhecia e dormiu com ele. Quando o pai de Ellie e o meu nos achou, foi um desastre.

Além do beijo, das bebias e do cigarro, eu também apanhei e fiquei dias de castigo.

Não sei bem por que me lembrei disso ou o porquê de estar tão fixo em minhas memórias.

É difícil, mas não me lembro muito do rosto da mamãe ou do papai. Ainda consigo lembrar-me de meu irmão. Acho que me lembro dele pelo fato de ter uma das cenas mais chocantes de todas as minhas lembranças com sua cabeça rolando para longe de seu corpo.

Eu queria muito que minha família estivesse viva. Eu queria ter segurado a mão de minha mãe. Ela havia sido uma grande mulher. Ela sempre me apoiou e nunca jamais se alterou por alguma coisa. Ela sempre foi ela mesma.

Hoje sinto falta de superproteção que recebia de minha família. Lembro que nos últimos meses, antes da morte dos meus pais, eles estavam tentando reerguer o casamento. Sempre os critiquei por isso. Se eu pudesse voltar no tempo, eu seria uma filha melhor.

Após sair do porão onde o homem misterioso estava, fui para a torre. Olhei a cidade e já estava amanhecendo. Foi a vista mais bonita que eu vi depois de muito tempo. Em algumas horas eu treinaria até a minha exaustão. Eles sempre estavam curiosos com meus poderes. Sempre queriam ter a perspectiva de mais.

Desta vez, o próprio Aro iria ver minha capacidade.

As horas foram passando e já estava de dia. Minha pele brilhava conforme a luz do sol a tocava. Eu gostava da sensação do sol. Ele me aquecia. Eu me sentia bem. Então, Aro, Cauís e Felix, que por sua vez estava me treinando.

Quando chegamos ao local de sempre, percebi que depois de tanto tempo trainando no local, eu já havia deito um grande estrago. Algumas árvores estavam caídas no chão. Mas o que me deixou mais surpresa, foi algo que eu nunca havia reparado. Havia, há alguns quilômetros, pedrinhas que iam formando um grande circulo à nossa volta.

Meu poder quando se expandia, era redondo e era forte. Ele tinha força. Eu era destrutiva demais. Aro gostava disso. Eu via pelo seu olhar para mim.

— Impressionante, Felix. Você tem feito um ótimo trabalho com a garota. – Ele riu.

— Ela está melhorando. – Felix sempre era sério. Quase nunca falava. Ele era mais o tipo de observar.

Eles então correram para longe. Ficaram atrás das pedrinhas do círculo.

Apesar da distância, eu os enxergava. Era bom ter uma boa visão.

A luz do sol me fazia um pouco feliz. Estendi uma de minhas mãos e logo após, entendi a outra e vi que eu brilhava. Era encantador a forma da qual eu brilhava a luz do sol.

Então. Fechei meus olhos. Eles queriam uma exibição, então eu a fiz.

Senti o poder sai de mim.

Ele fazia parte de mim. Meu corpo vibrava. Era como levar um choque. Meu corpo tremia de forma leve. Abri meus olhos e percebi ele se expandindo. Era invisível. Mas ele ia arrastando tudo consigo e as destruindo ao mesmo tempo. Até que chegou as pedrinhas. Aquele era o meu limite. Então, Cauís foi ordenado por Aro a tentar entrar dentro do campo de meu poder.

Ele o fez. O que não foi uma boa ideia.

Ele não queria, percebi pelo seu olhar.

Mas ele prosseguiu. Primeiro, usou uma de suas mãos. Foi difícil para ele conseguir passa-la para o lado de dentro, era como se tivesse uma parede invisível. Ouvi o estalo de seus dedos quebrando. Mas pareceu indolor para ele. Mesmo assim, ele insistiu e acabou conseguindo.

Meu poder era forte, mas não invencível. O que por alguns segundos, me fez ficar aborrecida e meu poder enfraqueceu. Ele entrou por completo. Fiquei mais ainda aborrecida por ser tão fraca. Meu poder ficou bem mais fraco por causa de minha emoção momentânea. Eu queria ser invencível e mata-los bem ali.

— Ela está fraca. Começou de forma intensa. Mas veja... É apenas uma criança brincando de saber demais. – Disse Cauís para Aro.

Aro nada disse.

Se eu pudesse chorar, eu choraria naquele momento. Acho que a forma em que eu fui manipulada, e a forma da qual sou obrigada a servir ao Aro, fez meu coração doer.

— Ela não serve para ser uma Volturi. É fraca.

É fraca. É fraca. É fraca.

Lembrei de papai. De mamãe e da cabeça de meu irmão rolando para longe do seu corpo. Lembrei também do homem misterioso.

Eles é que são fracos. Eles é quem são uns merdas. Eles são mais monstros do que eu sou ou cheguei a ser.

Então como que por um milagre, algo dentro de mim quis se rebelar. Eu quis ser forte. Eu quis lutar. Então eu explodi. Cauís teve seu corpo contorcido como um papel. Aro e Felix voaram e vi seus rostos surpresos. Em volta de mim, se formou um grande buraco. A terra foi levada para longe.

Então, eu parei. Sem que eu percebesse, Aro estava ao meu lado. Fiquei assustada e no mesmo instante meu lado submisso voltou.

— Me desculpe, Mestre. Ainda não reconheço a minha força.

— Você foi ótima, preciosa.

Ele então olhou para os irmãos e os chamou para ir embora. Fui deixada para trás. Eu sabia. Apesar deles pedirem pelo show, eu estava me tornando perigosa. Cauís precisou da ajuda de Felix para ir embora.

Eu fiquei ali. Fiquei por um bom tempo.

Doía pensar que eu poderia usar aquele poder para destruir tudo. Eu queria destruir tudo.

Mas aquele esforço me deixou fraca e eu queria me alimentar.

Eu não queria matar como eles me forçavam a matar todos os dias.

Eu não queria sofrer por almas boas. Tão pouco por vidas não vividas.

Eu me saciaria, mas não como eles exigiam.

Conforme o tempo foi passando, voltei para o Castelo. Minha garganta queimava. Ainda estava de dia. Eu precisava vê-lo. Lembrei-me de como seus cabelos eram cumpridos e de como seria bom, talvez, corta-los.

Eu queria me arriscar por ele. Eu queria que ele tivesse uma vida. Apesar de todo o mistério, eu queria que ele ao menos sorrisse uma vez. Mesmo naquele ambiente escuro e fedido. Peguei uma tesoura e pensei que talvez ele ficasse feliz ao cortar aquelas grandes madeixas.

Então eu fui até ele. Seu coração batia de forma calma. Ele olhava para mim. Ele parecia saber que eu estava indo. Ele ainda se mantinha sem expressão. Eu queria ver ele sorrindo ao me ver ali. Mas ele sempre estava sério.

— Olá. – Eu disse para ele e percebi que ele olhava para a minha tesoura. Parecia desconfiado. – Não se preocupe. Não vou fazer mau a você. Vou tentar fazer com que enxergue melhor e se sinta melhor. O que acha de aparar seus cabelos hoje? – Tentei sorrir e esquecer a fome que eu sentia.

Apesar do seu coração bater e eu praticamente sentir o cheiro de seu sangue, ele não me parecia convidativo. Para mim, eu sentia que seria como comer terra. Não era agradável.

— O que acha?

Andei até ele de passos lentos. Ele me acompanhava, mas ao invés de andar em minha direção, ele andava para trás, como se sentisse assustado.

Então parei de andar. Eu estava próxima a ele.

Olhei para seus olhos. Eu não consegui decifrar aquele momento.

— Não vou machucar você. Quero te ajudar. Você me deixa ajudar você?

Eu conseguia entender o que ele sentia.

Eu sabia o porquê de sempre me sentir compadecida com ele. Eu me via nele. De alguma forma.

Levantei minha mão e segurei em seu cabelo. Ele estava bem sujo. Não liguei. Levei a tesoura até seu cabelo, e de forma lenta, ainda olhando nos olhos dele, tentando de alguma forma transmitir alguma calma e de que eu não o machucaria, cortei a primeira mexa. Cortei acima de sua testa. O cabelo caiu no chão. Sorri para ele e de alguma forma, percebi que ele estava confortável com a minha presença. Quando fui cortar a próxima mecha, ele segurou minha mão. Ele tinha força. Muita força por sinal. O que me fez recuar por alguns segundos e olhar para ele abismada.

O que ele era?

— Vá embora. – As palavras agora saíram de sua boca. Ele falava a minha língua. Ele tinha sotaque. Ele era italiano. Mas falava inglês quase tão perfeitamente como eu.

— Você fala?

— Ela está vindo.

— Ela quem? Espera... Por que ficou calado todo esse tempo. Por que....

Antes que eu pudesse falar alguma coisa, ele me jogou para longe dele. Não me machucou, não doeu, mas por dentro sim, por dentro doeu.

— Eu pedi para ir. Por que ainda não está indo? Eu quero que vá.

Eu não respondi ele. Estava abismada com sua falta de educação e sua brutalidade comigo. Eu... Só queria... Ajudar.

Se eu pudesse chorar, eu choraria. Estava doendo de uma forma que nunca doeu.

— O que está fazendo aqui?

Olhei para a direção da voz. Era ela. Minha criadora. Camille estava ali. Ela encarava o homem, que agora falava, e para mim. Percebi que ela olhou para a tesoura e a madeixa no chão.

— Você tocou no meu homem? Tocou nele, Elizabeth?

Eu ainda estava no chão. Eu não sabia o que responder. Quando percebi era estava enfiando a tesoura no homem e logo estava segurando-me e jogando-me para fora do lugar.

Eu estava sem reação. Escutei um rosnado onde o homem estava. Ele choramingou de dor. Após isso, um uivo. Mas que porra estava acontecendo?

Quando me dei conta, estava na sala do trono.

~~

Mais cedo naquele dia...

— A garota está ficando forte. Viu o que fez a Cauís? Ela o quebrou todo. Se pudesse morrer, ele estaria morto.

— Ela é um achado, Felix.

— Aro, isso é grave demais. Ela o respeita, nos respeita pelo o que induzimos a ela. Mas parece que se rompeu. E se acontecer e for mais grave? Mesmo ela não sendo inacessível, até conseguirmos parar, pode ser tarde demais

— Ela me segue. Sou o dono dela. Eu tenho o poder agora. Ela vai nos seguir e me respeitar.

— Camille está de volta. Ela é irresponsável. Ela sempre foi. Você não a deve mimar como sempre fez. Mesmo que ela consiga transmitir sentimentos e fazer com que todos sejam hipnotizados a fazer o que ela quer, não deve fazer dela uma santa encobrindo os erros.

— Camille nos deu um presente. Ela já foi castigada.

— Cinco anos não foi nada. Nem mesmo depois do castigo, manda-la para longe seria o suficiente. Você deixa aquela coisa viver aqui por que ela pediu.

— Ela queria um brinquedo para fazê-la feliz. Eu a dei.

— Aro, ela não merece. Não é tão poderosa quanto Jane ou Chel.

— Mas ela é um achado.

— Seus achados vão acabar com a nossa paz. Sem os Volturis no mundo o que serão desses vampiros? Sem ordem, não tem paz, Aro. Acorde. Mate-as enquanto há tempo. Uma por egoísmo e a outra por representar o perigo.

Aro não disse nada. Foram interrompidos por uma Camille irritada e Elizabeth sendo carregada por Camille.

Felix sentiu que aquele seria um momento perfeito para Elizabeth e Camille morrer. E ainda de quebra, o Licantropo no porão também morreria.

Notas finais
Ui, Lucien falou! kkkk E ai, morrem ou vivem? kkk A T E N Ç Ã O: CAPÍTULO NÃO REVISADO NEM BETADO. QUALQUER ERRO DE ORTOGRAFIA, ME AVISEM. OBRIGADA! ♥