Love Bites
6 CAPÍTulo 6
Notas iniciais
CAPÍTULO 6
Elizabeth
Minha segunda morte foi ainda pior.
Eu poderia colocar a culpa neles. Ou a culpa em meu monstro. Mas a culpada sempre seria eu. Eu matei. Eu me saciei. Não havia mostro em mim. Eu mesma era o monstro.
Foi demais para o meu auto controle. Foi demais aguentar por tanto tempo. Foi demais o tempo em que eu passei com fome.
Ela era só uma mãe. Uma mãe que assim como a minha, teve que aceitar que a vida era curta, e que, não temos escolhas perante os mais fortes.
Ela era uma vitima. Eu gostaria de acreditar que eu também. Mas eu já não me sentia assim.
Depois de ficar tanto tempo fora de mim, presa naquele buraco, acho que morri dia após dia. Não foi pouco tempo, como eles mandaram, ou pensei ter ouvido. Foi quase um ano desmembrada. Eles eram crués. Eles estavam fazendo de um monstro cruel.
A vida era uma droga. Eles me mostraram que a vida era cruel. O mundo e seus habitantes, eram crués. O mundo era frio e solitário. Mas eu também.
Me lembro daqueles olhos. De como ele me olhou.
Ele parecia um sem-teto.
Seus cabelos eram bem grandes e desgrenhados. Parecia não ver água ou um pente há anos. Seu corpo era bem forte, parecia que malhava. Seu rosto era másculo. Seus olhos eram duros. Ele suportou muita merda pelo visto. Mas ele era um sobrevivente. Assim como eu.
Ele não cheirava a humano, ou um vampiro.
Ele cheirava à terra molhada e tinha uma leve ardência, algo como álcool. Não sei explicar direito. Não era algo que gostaria de ficar cheirando, mas também não era desagradável.
Ele parecia um homem das cavernas.
Lembrei-me de seu corpo nu e de como ele parecia animado quando cheguei.
Se eu fosse humana, minhas bochechas estariam coradas.
Ele me parecia familiar. Era como se eu já o conhecesse. Eu me sentia segura, talvez... não sei. Mas seu olhar para mim, era como se eu fosse algo abominável para ele. Aquilo doeu. Eu não sei o por que; Mas doeu.
Mas eu realmente era uma abominação. Eu era um lixo incontrolável.
Quando apaguei, descobri que Alec usou seus poderes em mim e Marcus me decapitou com uma de suas mãos. Aro guardou minha cabeça na sala principal. Algo como um exemplo. Meu corpo ficou lá em baixo. Um tempo depois, Marcus me acordou.
Fiquei estática quando recebi a notícia. Jane teve o prazer de me contar tudo.
Naquele lugar era cada um por si. Até mesmo quem estava no trono. Não havia amigos. Não havia família. Ali não era um parque de diversões. Era uma vida do cão.
Então eu realmente não tinha vida.
— Eu sou o seu Mestre. A partir de hoje me chame de Mestre. Você vai me servir e ouvir tudo o que eu tenho pra dizer e obedecer tudo o que eu mandar você fazer. Você não vai viver a vida que conhece. Vai comer quando eu mandar e deixar você comer. Vai falar quando eu deixar você falar. Vai ser leal à mim, vai me servir. E você vai gostar disso. Você vai me ver como um Deus e por isso sempre vai me respeitar.
Me lembrei das palavras de Aro.
Eu era realmente o seu cachorro e ele estava me adestrando para ser o cão mais obediente daquele canil dos infernos.
Quando acordei eu estava faminta.
Eles me arrastaram até a câmera de alimentação. Me olhei no espelho do lugar e vi que meus olhos estavam negros. Meu rosto estava pálido demais. Era como se eu estivesse entrando em decomposição.
Eu sentia o cheiro de sangue. Haviam muitas fragrâncias no lugar, o que me deixava maluca.
Eles então reabriram a porta e vi pessoas entrando. Todos eram humanos. Então eu ataquei. Eu nem pensei em mais nada. Minha garganta queimava como se eu estivesse em cima de uma fogueira me alta.
A primeira pessoa que ataquei era uma senhora de mais ou menos 50 anos. Seu sangue era extremamente doce. Eu acabei com o corpo dela em instantes. Nunca ouvi tantos ossos quebrarem como naquele momento.
A segunda era um homem de mais ou menos 20 ou 30 anos. Seu sangue me pareceu ruim. Era amargo, fraco. Ele me parecia doente. Mas eu não parei.
Eu não parei de matar até me saciar completamente.
O que mais me doeu foi quando me vi saciada. Olhei à minha volta e vi o grande estrago que havia feito. Aquilo para mim foi como se um abismo tivesse se formado em volta de mim.
Se eu pudesse chorar, eu choraria naquele momento.
Eles queriam aquilo. Acho que gostavam de ver à minha dor. Gostavam de me fazer de mim um brinquedo perigoso.
A partir dali, me faziam treinar quase sem descanso.
Aprendi a me controlar melhor. Aprendi a chegar no limite e saber até onde eu aguentava com a fome que nunca passava.
Meu treinamento foi cruel. Foi horrível. Algo que se um humano passasse por ele, acho que sairia com traumas psicológicos.
Na luta corporal não sei em quantas vezes eu tive que me reconstruir.
Eu tinha que ser forte. Sobreviver e me preparar para qualquer ocasião que futuramente poderia surgir.
Internamente, mesmo que eu não pudesse pensar em sequer fazer isso sem sentir culpa, ou arrependimento e uma dor insuportável, eu poderia dizer que eles estavam me trainando para que eu futuramente acabasse com cada um deles sem ter compaixão alguma.
Eles estavam me fazendo ser fria e a cada dia abdicar de meus desejos.
Aqueles olhos sumia pouco à pouco de minha mente.
Então, meus primeiros anos naquele inferno se passou.
Quando me dei conta, já havia se passado 25 anos desde a minha morte.
Se eu fosse humana, eu teria 43 anos.
Acho que meu irmão teria 50 e poucos. Mamãe seria um idosa e papai um grande idoso resmungão.
Eu seria feliz?
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