Love Bites
5 CAPÍTulo 5
Notas iniciais
CAPÍTULO 5
Elizabeth
Aérea.
Eu me sentia aérea. Era como se eu não fosse eu. Era como estar presa dentro do meu corpo vendo tudo o que acontecia como uma telespectadora torcendo para tudo dar certo.
Não havia dor.
Não havia remoço.
Eu era uma prisioneira presa dentro do meu corpo, eu já não era dona das minhas ações.
Eles queriam uma maquina forte. Eu era forte. Havia um força dentro de mim. Era destrutiva. Era como uma bomba. Eu não entendia direito o que era, mas quando eu ficava irritada, era como se algo crescesse em volta de mim e jogasse tudo para longe. Era bom, mas me deixava exausta.
Eu já não decidia por mim mesma. Era como se eu fosse uma boneca controlada por eles.
Era como ser eu mesma e ao mesmo tempo não ser, e aceitar não ter escolhas. Se eu quisesse fugir, algo me impedia e eu tinha que ficar. Só por pensar em dizer não, de sair dali ou mata-los, algo como dor crescia dentro de mim. Eu não conseguia fazer isso. Era como um elo que jamais poderia quebrar.
No fundo eu sabia, eles eram os assassinos da minha família. Eles eram meus assassinos.
Eu estava forte. Com fome. Controlada.
Eu era como um cão de estimação.
Eu estava sendo treinada para ter controle.
Eu era um monstro. Um show para eles.
Eles me forçam a me alimentar. Meu monstro interior quer se banhar de sangue. Minha garganta queima. Meu corpo clama por mais e mais sangue. Eu estava vivendo em um verdadeiro inferno. Eu não queria. Eu não queria viver desse jeito.
Me sinto um grande saco de lixo.
É como estar dopada e não saber para onde vai ou o que está acontecendo.
Eles me forçam a treinar lutando com seus cãezinhos mais fortes.
Me forçam a entrar naquela câmera. A humana que um dia existiu em mim quer matar à todos que fizeram tudo aquilo com a minha família. Ela sente horror, nojo... Mas o mostro ao primeiro cheiro do sangue, ao primeiro pingo caindo no chão, perde totalmente o controle. O meu mostro me guia, é como ser uma viciada. Minha mente diz não, meu corpo diz sim. Eu não sou dona do meu controle.
Sinto nojo do que me tornei.
A cada dia que percebo o que venho me tornando, sinto asco de mim mesma. Eu já não posso chorar. Mas meus sentimentos são intensos. Mais fortes.
Minha percepção do mundo havia mudado.
Eu enxergava melhor. Ouvia melhor. Eu poderia sentir o cheiro de qualquer pessoa há distancia. Eram fragrâncias, como um frasco de perfume.
Humanos para mim, eram como um frasco de perfume. Cada um tinha o seu cheiro. Alguns eram doces, outros cheiravam a podridão.
Agora eu já não era composta por coisas só minhas. Eu levava cada um deles comigo. Meu lado humano, o lado que pouco ainda existia, me dizia para parar. Mas eu nunca parava. O mostro me guiava cada vez mais para um caminho sem volta. Como um selvagem. Um animal predador.
Eu tentava ter piedade e consciência, mas era uma guerra da qual não havia um ganhador. Eu não conseguia ser forte o suficiente. Algo me isolava e arrancava pouco a pouco a minha humanidade. Era como sufocar, mas não morrer... E então, você cansa.
Ás vezes eu me lembrava de grandes olhos negros e brilhantes.
Quando eu me lembrava dele, era como se eu me sentisse aquecida, acolhida e talvez... amada.
Mas parecia que aos poucos iam se apagando.
Aos poucos, meu monstro tomava lugar em minha mente.
Eu me lembrava vagamente do que aconteceu comigo. Mas ainda me lembro do meu irmão decapitado. Mamãe e papai deveriam estar abaixo daquelas pilhas de corpos.
A câmera cheirava à sangue. Cheirava à morte.
Eu matei. A primeira morte foi horrível. Minha força era grande demais. A pessoa se quebrou em meu abraço. Me odiei e me isolei com o corpo nos braços por dois dias seguidos. Nenhum deles conseguiram chegar perto. Usei meus poderes mais vezes do que eu poderia contar. As paredes do lugar estavam destruídas e os espelhos quebrados.
Então, Alec, um deles, usou algo estranho em mim, uma fumaça preta, não consegui enxergar ou ouvir, apenas tiraram o corpo de meus braços e senti que estava sendo levada para algum lugar.
— Levem-na e deixe que fique trancada por alguns dias. Ela precisa se controlar. Após o castigo, quero que o treino fique mais intenso. Preciso dela controlada. — Era o homem mais velho, o qual descobri ser Aro.
Ele era malvado. Escolhia bem suas palavras. Eu sabia o que ele tinha feito. Ele me controlava. A mulher que ele chamou no dia em que me transformei, garantiu que eu fosse obediente.
Eu sabia. Eu estava perto do meu fim. O poder de controle que ela tinha era forte demais. Com o tempo, tudo vai se encaixando.
Então fui jogada escada abaixo. Era escuro, mas eu conseguia enxergar.
Fiquei assustada com o que fizeram comigo. Eu não me machuquei, mas o pouco da minha humanidade, ainda ficou chocada.
Consegui um pouco de equilíbrio para não descer rolando. Meu pouco lado humano, ainda ficava assustado por necessidades humanas.
Mas eu estava me acostumando.
Eu estava aqui de novo. O mesmo buraco onde morri. Olhei à minha volta. O lugar era escuro demais. Havia goteiras, sujeira... O cheiro das podridões humanas ainda eram existentes. Parei de respirar e fiquei surpresa por conseguir não respirar portanto tempo.
Andei alguns passos, eu conseguia escutar o som de um coração e uma respiração.
Então, encontrei o mesmo olhar. Ele era lindo. Seus cabelos eram cumpridos, eram mais cumpridos do que jamais vi. Talvez passasse de sua cintura. Seus olhos eram negros e seu corpo era forte.
Ele me encarava como se eu fosse um prato de comida.
Ele estava nu. Percebi que ele tinha uma pequena ereção. Fiquei envergonhada, mas não parei de encara-lo.
Algo dentro de mim se aquecia. Era como se ele fosse meu próprio sol.
Olhei para seus pés e percebi que eles estavam presos por grossas correntes. Ele estava de pé encostado na parede de pedra. Mas seus olhos me diziam para ficar longe.
Olhei em seus olhos e eu queria dizer que estava tudo bem. Que eu iria tirá-lo dali. Mas seus olhos me diziam para ficar longe. Ao invés de me sentir acolhida, agora, ele me dava arrepios. Os olhos negros que me encaravam, acho que poderiam ver minha alma.
Então, sinto algo forte bater em meu pescoço e então, por último, escuto um uivo de dor e apago.
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