Domingo:

- Olá querida, como está se sentindo?- Elizabeth puxava Bibiana para dentro de sua sala, sorrindo.

- Oi Lise! É, estou bem...

- Os remédios tem ajudado? Me conte... como está se sentindo?

- Eu não sei- os olhos da menina se encheram de lágrimas- eu só...queria sumir!

A psiquiatra a olhou no fundo dos olhos e a abraçou, forte.

- O que fizeram pra você? Me fale, fale tudo.

- Me ligaram ontem Lise, sabe que não posso lidar com isso.

- Você é a pessoa mais forte que eu já vi Bi, não pode desistir agora, você é uma menina linda e já progrediu muito desde que começamos.

- É, eu sei... – ela olhou para o chão.

- Quem foi que te ligou Lu?

A menina a olhou do canto do olho e respondeu:

- Lívia e Natan!

- De novo? O que disseram?- a expressão da médica era de raiva.

Bi se lembrou de cada detalhe em sua cabeça, do que havia acontecido.

- Ui ui ui, como está a menina mais louca da cidade em?- A voz de Lívia fazia um eco em sua cabeça. Eles continuavam a rir.

- O que vocês querem?

- Que você morra menina, você não deveria ter nascido, todo mundo te odeia aqui, porque ainda acha que alguém vai querer você por perto? Te liga garota- a menina falava ao telefone, tentando se achar a dona do pedaço.

- E ligaram porque mesmo?

- Pra rir de como você é idiota, insolente, retardada e tem problemas mentais- eles diziam aquilo e riam ao telefone. Bibiana sabia quem era, mas acreditava que eles parariam de encomoadá-la...pelo visto não. Ela começou a ficar com raiva, mas tanta raiva que seu coração pulsava em um ritmo rápido. Fechou os olhos e uma lárima caiu.

- Me deixem em paz, tchau!

- Ai, ela vai desligar, medrosa, vem encarar a realidade vem desgraçada, vou te quebrar a cara e... – Bi desligou. Não queria ouvir mais nenhuma palavra daquelas pessoas tão maldosas.

Não tinha como não lembrar-se da cena, então contou tudo para a psiquiatra.

- Eu só não quero ir embora, mesmo este lugar me trazendo pesadelos é melhor do que estar novamente no Brasil.

- Mas você não vai embora Bi, eu to aqui com você, calma!

- Por favor Lise, me ajuda!

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- E ai Henri!- a batida entre as mãos de Henri e Robert fez um eco na sala que dava pra se escutar de longe. Talvez por não ter ninguém em casa aquela hora da manhã.

- E ai mano, voltou tarde ontem né?

Henri ficou um pouco confuso, mas respirou fundo e finalmente pode receber as palavras certas em sua boca.

- Sim, mas não se preocupa... eu não fiz nada!

- Hm, é o seu nada que me preocupa- Rob disse debochado.

- Eu sai com uns amigos, nós fomos beber, pronto?

- Não duvidei disso, porque não me chamou?

- Sei lá, achei que não ia querer ir.

Os dois irmãos estavam sentados no imenso sofá comendo e provavelmente sujando e bagunçando tudo que estava ali.

- Ei, podem falar mais baixo?- a menina descia as escadas esfregando os olhos ainda de sono.

- E ai pirralha- Henri disse a irmã.

- Oi Henri, bom dia Rob! Tem café?

- Ter até tem, mas...

- Ah, por favor, faça pra mim Rob- Sarah balançava o ombro do irmão e ainda fazia biquinho.

- Ta bom, senta ai- Robert se levantou e deu um beijo na cabeça da irmã, que agora estava toda contente.

- Vai ir na escola hoje? – Robert perguntou à Henri, que ficou em silencio por alguns segundos até responder baixo.

- Infelizmente sim! Aguentar a Aléxia não é fácil.

- O pior é a Calissa- Rob disse rindo.

- Ontem a noite eu vi a Calissa sentada com o Henri, vocês estão juntos?- Sarah perguntou ao irmão que apenas disse um não e ficou quieto em seguida.

Robert ficou desconfiado e assim o silêncio permaneceu no local.

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A menina bateu a porta de casa e quando se virou, Lorely veio ao seu encontro.

- Filha, precisamos conversar...

- O que foi mãe?

Logo Ruan apareceu ali, ele era o pai de Bi.

- Nós...- ela abaixou o olhar e então prosseguiu- vamos nos mudar.

- Como assim? Pra onde? – a expressão da jovem era a pior possível.

- Vamos voltar para o Brasil, em Gramado!

- Mas o que? NÃO! Eu não vou pra lá, por favor, NÃO- a garota começou a entrar em pânico, mas foi acalmada pela mãe que a abraçou.

- Calma, calma, vai ficar tudo bem... é um novo começo, para todos nós.

Ela não tinha o que falar, fungou o nariz e prosseguiu — quando vamos?

- Amanhã. Já compramos as passagens e alugamos a casa, você vai adorar, é um lugar muito calmo e agradável e filha...- a menina a olhou cabisbaixa- nos desculpe!

- Tudo bem mãe, eu... já vou subindo – e ao dizer isso correu até o seu quarto.

Chegando lá Bibiana simplesmente desabou, pôs-se a chorar e a gritar.

- Porque faz isso comigo? O que afinal você quer de mim? Já não basta eu ter passado por tudo isso e ainda voltar para aquele lugar horrível? Deus, eu te odeio- ela jogou a decoração quebrável na parede fazendo um estrondo- não tem ideia do quanto eu lhe implorei para que morresse e você nunca me atendeu- Bi chorava cada vez mais- não tem ideia do quanto eu sofri, e ainda tirar o pouco da felicidade que construí, seu canalha- ela chorava e chorava, jogou tudo para longe e deitou-se na cama. Ergueu o rosto e pegou um porta retrato em que estava uma menina pequena com um garoto, um pouco mais velho, adolescente- desculpa Rafa, por favor me desculpa- Ela pegou um estilete e com força a deslisou pelo braço fazendo-o ficar um pouco ensanguentado. Ela gritava, chorava, resmungava e sabia que nada adiantaria, ela tinha que aceitar, assim, acabou adormecendo.

Notas finais
Gente, eu agradeço a quem está lendo *-* mesmo. Comentem o que acharam, é mais fácil deu saber e tal. Beijos!