Sábado:

Endireitou seus ombros, que doíam devido a falta de uso do computador e começou a escrever.

Olá, essa é a minha história, eu não sei bem por onde começar e não quero começar do início, vocês descobrirão com o passar do tempo que a minha vida não era de uma pessoa tão feliz, mas acredito que tudo ocorra por uma razão. Digamos que eu não seja uma menina muito normal, as pessoas me julgam antes de me conhecerem e aqui, onde eu moro, tenho que escutar cochichos maldosos sobre mim, eu tento não ligar, mas nem sempre é uma tarefa fácil. Ah, e por falar nisso eu me chamo Bibiana, Luna Bibiana, mas vocês podem cortar o Luna. Se forem perguntar, já vou responder, nunca me chamem de Luna, em momento algum. Eu tenho 14 anos, sou morena, pele super branca, o que me faz inevitavelmente não ir no sol, tenho olhos verdes, o que eu amo, pois é a única lembrança boa do meu irmão que posso ver todas as manhãs. Ah, eu tenho sardas! ARGH! Não são muitas, mas são o bastante para perceberem e eu ODEIO isso. Isso é de família, o que faz eu odiar a minha, a não ser pelo meu irmão. Eu moro em Londres, com os meus pais, em uma casa simples, mas bonita, a coisa que mais amo é o meu quarto. Eu não nasci aqui e tenho péssimas lembranças da minha cidade natal, então prefiro nem lembrar, mas infelizmente isso não é uma coisa muito fácil. Eu gosto de escrever, me interpreto melhor assim. Eu só tenho uma amiga, que pelo menos eu a considero assim... o nome dela é Elizabeth, ela é minha psiquiatra. Conheci ela aos 4 anos e desde então ela sempre esteve comigo. As pessoas não gostam de mim, o que faz eu ser depressiva e ter que tomar 2 remédios por dia. Mas pra quem não sabe, uma pessoa com depressões tem que tomar um ou a metade de um por dia e eu tomo dois. Talvez pelas coisas que aconteceram. Infelizmente não consigo aceitar isso fácil. Eu vou contar como tudo aconteceu e vai ser como se estivesse no momento, não notem se eu começar a chorar ou entrar em um draminha, eu sou assim, porém não preciso disso. Vou escrever todos os dias nesse blog se conseguir, é uma forma de terapia pra mim e eu gosto bastante de ler. Eu tenho uma tatuagem, no meu pulso e está escrito “Deus”, eu a fiz há um tempo, minha mãe odiou, mas significa muito para mim. Mas tudo bem...chega de falar de mim.
— Bibiana, seu celular está tocando!- a mãe da garota gritou lá de fora, interrompendo toda a explicação do que havia ocorrido em sua vida.
— Perai mãe!- parou de escrever e foi lá pegar o seu celular.

Ela o pegou e atendeu.
— Alô?
A menina não ouviu nada alem de risos e mais risos no telefone, entrou em desespero por um segundo e então pôde reconhecer a vóz de quem estava falando, estremeceu ali mesmo, imóvel, sem fala, apenas querendo sumir para sempre.

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O menino andou até uma lápide, onde pôde reconhecer pelo nome escrito na pedra o motivo que viera. Pegou as flores e se sentou a frente.

- Desculpe Anne, eu realmente não queria precisar estar aqui- o garoto encostado com as costas na árvore estava com o rosto inchado de lágrimas- sinto sua falta, mais do que tudo. Tudo devia melhorar aos poucos, mas está cada vez pior. Os cortes, as tentativas de morte, nada se compara ao dia em que te perdi- ele parou por um segundo, deixando silenciosamente suas lágrimas escorrerem livremente por seu rosto- lembra disso Anne? “por mais que doa, que seja difícil, sempre vai ter um caminho, as vezes a vida nos tira nosso bem mais precioso e precisamos deixar ir, mas amar não significa esquecer, quando se ama, não importa o lugar, as atitudes ou as diferenças, fica no seu coração, pra sempre”- ele ficou em silencio por alguns segundos- nós criamos essa frase, brincando em um dia de sol, bem aqui, neste lugar, onde de repente você entrou em um assunto sério, achei que estava brincando, mas agora faz sentido- ele fungou o nariz e limpou as lágrimas- eu.. eu te amo Anne, pra sempre!

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- Sinto a falta dela Luís- a garota soluçava de tanto chorar ao lado de seu melhor amigo.

- Eu sei, eu também sinto...sabe, é difícil se lembrar de tudo aquilo, voltar ao passado e sofrer de novo- ele parou por um segundo e a abraçou- não vale a pena Gabi!

- Ela era minha irmã Lu, como acha que eu me sinto? – a garota fungou e limpou os olhos com as costas das mãos- ainda me lembro das nossas brincadeiras, das nossas risadas. A risada dela...- ela voltou a chorar, Luís abraçava forte a amiga, como um consolo. Não tinha o que fazer, apesar de triste, já fazia 1 ano que a garota havia morrido.

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- Calissa, e o Robert?- Aléxia se arrumava em frente ao espelho, com um vestido tão grudado ao corpo que ela mesmo se impressionara com o resultado que dera.

- Sua mãe sabe que está fazendo isso?

- Quero que minha mãe suma, sabe que não me importo com o que ela vai dizer.

- Deveria.

- Ah, não se faça de santa agora Calissa- Aléxia fez cara de deboche para a amiga e rolou os olhos- se não quer, eu fico com os três.

- Sexo a cinco...isso da certo?- a morena baixinha olhou para o teto pensativa.

- Não viaja né, e por que você acha que realmente não daria?

- Achei que tava interessada no Henri- Calissa levou um olhar maléfico a Aléxia, que endureceu na hora.

- Não toque no nome daquele cretino, eu o quero agora, mas ele não tem nada a ver com isso- Aléxia guardou as maquiagens e deu uma última olhada no espelho, para ver o seu cabelo. Grandes cachos loiros se destacavam diante de um vestido vermelho colado ao seu corpo, que só não se mostrava vulgar porque era o estilo dela. Calissa usava uma saia colada de cintura alta preta e uma blusa estremamente vulgar. As duas estavam causando e assim saíram para o tal encontro que haviam marcado horas antes.

Notas finais
Quero comentários, é bom ouvir opiniões. Beijos!