Notas iniciais
[Notas da SahhChan >>>] Antes de mais, peço desculpa por só voltarmos a postar agora. A verdade é que o próximo Capítulo era meu e eu estava sem ideias e sem vontade de escrever e por isso é que demorámos a continuar. A Nanami teve de fazer muito para me convencer a voltar, acreditem, porque eu estou mesmo um bocado desanimada. Enfim... Queria agradecer às meninas Nekochibiwalker e ScarletLisbeth que deixaram os seus comentários... É muito bom saber que vocês nos apoiam e vêm ler sempre cada vez que postamos mais um. E peço desculpa - em especial a vocês - pela demora a continuar. Saibam que vos devemos muito por continuarem a acompanhar o desenvolvimento desta história que ambas também consideramos muito linda. A vocês e a todas as pessoas que lêem, favoritam... Etc. Mas adiante, vamos ao Capítulo? Boas leituras, minna o/

Passaram 4 dias desde que o Jellal tinha chegado lá a casa. Não podia dizer que as coisas tivessem mudado – porque não tinham – no entanto, achava que o ambiente andava mais ligeiro entre nós, também em parte devido à conversa que ambos havíamos sido forçados a ter por causa da Wendy. Tentávamos até mesmo falar de vez em quando, algumas trocas de palavras inclusive quando estávamos a sós, dirigidas um ao outro como duas pessoas civilizadas. A Wendy andava contente com isso. Parecia ter acalmado e, finalmente, ter voltado a ter esperança de que pudéssemos, de facto, ser a família que ela tanto desejava.

Mas às vezes, eu dava por mim a pensar. De facto, as coisas andavam melhores connosco, já conversávamos, ele ajudava no que podia ali em casa, oferecia-se para ficar com a Wendy enquanto eu estava a trabalhar, tinha reduzido o tempo durante o qual deveria estar à procura de emprego apenas para quando ela estava na escola e tudo para poderem passar mais tempo juntos... No entanto, além de trocarmos algumas palavras e ele já conseguir olhar para mim sem parecer odiar-me, eu ainda o sentia completamente distante do meu alcance. Ainda o sentia a léguas, como se ainda estivesse preso naquela cela onde eu o deixara encarcerado durante 7 anos a fio. Ele ainda não tinha conseguido superar o que eu tinha feito e eu tinha de aceitar isso. Mas nem por isso reagia bem a tal facto. À primeira vista, eu parecia plenamente sã, totalmente paciente e agia como se não o pressionasse de forma alguma. Mas não era só com ele que a situação fugia ao meu controlo. Também a Wendy se tinha afastado de mim e eu sentia a falta dela.

Notei a ausência dela na minha cama logo na manhã seguinte à conversa que os três havíamos tido. Ainda esperei por ela uma meia hora antes de desistir e levantar-me, julgando que ela adormecera com toda aquela agitação. Ao chegar à sala, tinha-a encontrado deitada ao lado dele. Abraçada no peito dele. Como só costumava fazer comigo. Não tinha a ideia de como iria aguentar ficar sozinha daquela forma, a partir dali. Não podia culpá-la, ela sentia a falta do pai mas... Mas nem isso me fazia preencher este vazio enorme que ocupava o meu coração. Doía... Doeu na altura em que os vi e essa dor acabou por só aumentar nos 3 dias seguintes. Nas 3 noites seguintes, em que me sentia fria e sem amparo, o amparo ao qual ela me habituara. A minha cabeça dizia que eu tinha de perceber, que tinha de ter em conta o tempo que eles haviam estado separados. Mas, por dentro, eu só queria gritar e pedir para algum deles me ver. Porque eu estava bem ali. Eu sempre estivera ali. E agora... Era como se eu sentisse que a minha presença já não valia nada. Nada.

Nada... Nada...

As palavras dela voltaram a invadir-me a mente a uma velocidade assombrosa. Mentirosa! És uma mentirosa! Odeio-te. Odeio-vos aos dois. Vocês... Não prestam... Ela achava que eu não prestava. Achava-me uma mentirosa e isso ainda me magoava. Achava que... Eu não valia nada. E eu sabia que o Jellal também pensava o mesmo, apesar de não o dizer. Os dois achavam que eu não valia nada.

Não tinha ideia do que fazer mais. Não sabia o que podia fazer para eles me notarem, para perceberem que eu estava ali, que ainda existia. Talvez as coisas fossem mais fáceis se eu não estivesse com eles. Talvez se... Se eu estivesse mesmo morta, a vida deles fosse mais fácil. Talvez eles pudessem ser felizes. Talvez... Talvez eu pudesse fazer-lhes o favor de desaparecer daquela família.

Já há cerca de seis meses que não sentia a pele arder perante os golpes que deferia sob ela, com a lâmina da tesoura. Antes, fazia-o com facas mas a Wendy obrigara-me a prometer que nunca mais o faria e eu tinha garantido que não pegaria mais em qualquer objecto do tipo, para marcar-me daquela forma. Só que quando ela arranjara maneira de esconder as facas eu tinha de escapar àquele vazio, usando os métodos que me parecessem necessários... Porque ninguém percebia. Ninguém entendia o quanto eu queria deixar de existir naquele momento. E agora, as coisas tinham piorado. Agora, ela tinha o Jellal para protegê-la, eu já não era necessária. Já não era preciso que eu estivesse bem, que a recebesse com um sorriso todas as manhãs quando já nem ver-me como antes ela ia. Isso estava terminantemente a acabar comigo. E nenhum deles dava conta de nada.

Não podia culpá-los. Eu merecia aquele destino. Merecia aquela dor, merecia aquele vazio que estava a sentir. Merecia estar só. Tinha feito tudo para isso e era exclusivamente minha toda a culpa por tal me estar a acontecer. Deixei o bico da tesoura deslizar-me pela perna observando só como o sangue vivo me corria pela pele. Era suposto aliviar-me, era suposto sentir-me menos ansiosa... Era suposto eu não sentir mais dor. Mas sentia. Porque já nem os cortes, por muito profundos que fossem, conseguiam estabelecer um limite para a solidão que eu estava a sentir.

Pus a tesoura debaixo de água e lavei-a cuidadosamente, após limpar o sangue com uma toalha húmida, de modo a tentar que o sangue estancasse um pouco mais depressa. Foi bastante rápido. Já havia tanto espaço retraçado na minha pele naquele lugar – para que a Wendy não reparasse nas feridas – que já tinha bastante prática a fazê-lo. Às vezes já nem custava a abrir os cortes. Eles faziam-no sozinhos, por si só, tal era a sensibilidade do local e a quantidade deles que já abrigava. Suspirei depois de terminar de vestir as calças. Saí em direcção à sala para encontrá-los novamente abraçados, deitados no sofá.

Olhei-os apenas por momentos, não conseguindo deixar de sentir inveja de ambos por estarem juntos assim. Por ele agora aquecê-la a ela, como antes costumava fazer comigo. A Wendy herdara essa parte do meu lado, tinha o hábito de estar sempre fria, em especial em noites daquelas, tão geladas. Baixei a cabeça depois. Limitei-me a ir directa para a cozinha.

Abri a torneira mal lá cheguei e bebi um copo de água, antes de me virar na direcção do frigorífico e abri-lo também, para tirar as coisas que iria preparar para o almoço deles. Todas as manhãs lhes deixava tudo feito, tudo preparado, tudo pronto para que fosse questão de apenas se sentarem à mesa e saborearem uma boa refeição. Tirei alguma loiça do armário e liguei o fogão. Aquilo ainda demoraria algum tempo a fazer e eu gostava de me dedicar ao máximo na cozinha, já que era das poucas coisas para as quais sabia que tinha algum jeito.

Comecei a ouvi-los falar na sala depois, mas sem perceber ao certo as palavras que diziam um ao outro. Não demorou muito até o Jellal aparecer à porta, ainda a segurar a Wendy, ainda imersa num sono profundo, ao colo.

– Bom dia, Erza... – Disse ele continuando a embalá-la como a um bebé, envergando, também um ar profundamente cansado. Eu sabia bem o quanto ele se esforçava, todos os dias, para procurar trabalho e ainda poder estar com ela. Conseguia perceber bem o que ele estava a passar. – O que estás a fazer?

– Bom dia. – Respondi pura e simplesmente, começando a juntar as coisas no tacho para fazer o refogado. Levantei a cabeça para olhá-lo um pouco melhor, pensando em arriscar perguntar-lhe se tinha dormido bem. Era o que teria feito, se não tivessem tocado à campainha. Quem raio seria àquela hora da manhã? – Eu vou lá.

– Não, deixa. Eu vou lá, tu estás ocupada. – Vi-o sair da cozinha levando a nossa filha no colo. A chiadeira habitual da porta fez-se ouvir depois de ele vencer a luta que sempre se travava contra a fechadura. – Loke. Tudo bem? Passa-se alguma coisa?

– Não, não, nada de mais. Eu e a Aries viémos só ver se está tudo a correr bem...

Estanquei de repente. Era só o que me faltava... Mas aquela mulher não desistia?

– Olá, Wendy, pareces cansada... – Ouvi a voz dela, enquanto largava a cebola a meio de acabar de a lavar e pegava num pano para enxugar as mãos. Fui direita à porta. – A mãe está em casa?

– Estou aqui.

Houve uma pausa momentânea durante a qual eu e aquela mulher nos encarámos. Ela não me era, de todo, desconhecida. Há 7 anos que andava a rondar-me, a tentar encaminhar a Wendy para uma instituição especializada onde, ao certo, sabia que ela seria bem tratada e teria todos os confortos. Era ela a mesma mulher que tentara tirar-me a minha filha, por conta da qual eu tinha estragado a minha vida com o Jellal só para não ver a Wendy a ser levada para aquele sítio miserável. Eu odiava-a. E tinha a certeza que aquela visita dela, cheia de boas intenções, trazia sem dúvida alguma água no bico. Ela não estava ali em vão, ela sabia bem o que estava a passar-se. Ela sabia que o Jellal tinha voltado, sabia que ele agora estava ali a viver connosco. E, o mais preocupante para mim, ela sabia bem que tudo o que eu contara em tribunal sobre estar contra ele, não passava de uma farsa.

– Nós... Vamos ser rápidos, certo, Aries? – Perguntou Loke, tentando amenizar um pouco a situação.

– Como é que a Wendy tem estado?

Vi-a olhar para a minha filha, dirigindo depois um olhar que tentava ser duro e valente na minha direcção. Porque ela sabia bem com quem estava a meter-se. Ela sabia do que eu era seguramente capaz para manter a Wendy ali comigo. E ela sabia que não podia puxar muito por mim. Eu podia tornar-me agressiva, se ela o fizesse.

Os seus olhos correram a entrada da casa, como que buscando algo que pudesse apontar. Recolheram-se ao cruzarem-se com os do Jellal, que, ao que parecia, deveria ser tão ou mais intimidante do que eu, talvez por ter estado preso.

– Muito bem. – Disse, simplesmente, enrodilhando bem o pano nas mãos, como que a pontos de esmagá-lo. Esperava que ela tivesse reparado nisso e que pensasse bem no que eu podia fazer à linda carinha dela, se tentasse levar aquele interrogatório para a frente. Ela que nem pensasse... Que eu a deixaria tirar-me a minha filha.

– Ela parece estar cansada...

– Está sim, ela ontem ficou até um pouco mais tarde a falar comigo. – Respondeu Jellal apenas prontamente, beijando a pequena na testa. – Ela esteve tempo demais sem o pai, é compreensível que tenha perguntas para me fazer.

Os olhos dela viraram-se na direcção dele. Por momentos, julguei vê-la perder toda aquela inibição que antes a demarcara ao encará-lo, limitando-se a fixar os seus movimentos, ao certo tentando detectar alguma falha naquele papel de pai protector que ele deixava ver. Ao contrário do que acontecia no início, agora Aries parecia querer decifrá-lo a ele. Parecia quase querer entrar dentro da cabeça do Jellal. Analisá-lo.

– E o Sr Fernandes? Já começou a procurar emprego? – Perguntou. – Tenciona ajudar aqui em casa?

– Já comecei sim. Contudo, os meus estudos são limitados e como estive recluso... É difícil que dêem trabalho a uma pessoa como eu. – Explicou ele apenas, parecendo levemente desanimado. No entanto, manteve a cabeça erguida, encarando-a. – E sim, eu tenciono ajudar aqui em casa, nem que seja a tomar conta da Wendy quando a Erza tiver de trabalhar.

– Vês? Eu disse-te que não havia problema. – Sorri Loke, parado do lado dela, mas parecendo dar-lhe uma cotovelada disfarçadamente. – Jellal... Se quiseres... Se eu souber de alguma coisa, posso indicar o teu nome. Posso dar-te uma ajuda.

Aries, no entanto, pareceu ignorar todo o discurso dele. Os olhos castanhos continuavam a encarar Jellal da mesma forma. Acusadora. Descrente. Como se achasse que alguém como ele não tinha o direito de procurar fazer alguma coisa boa com a vida.

– Sabe que sustentar uma criança requer bastantes recursos. A Wendy não tarda a crescer e, com certeza, sabe que não é com o ordenado de empregada de supermercado da mãe que ela vai ter uma juventude provei...

– Se for preciso eu arranjo outro trabalho! – Cortei de imediato, olhando-a fixamente e avançando uns passos na sua direcção. – Nunca tive medo de trabalhar e tenho feito de tudo para sustentar a Wendy. Nunca lhe faltou nada, nem um tecto, nem comida no prato, nem educação... E nem amor que é coisa que, convenhamos, não é muito dada às crianças que estão encarceradas no sítio para onde você tencionava levá-la quando ela nasceu!

Notas finais
[Notas da NanamiUchiha >>>] Eitah, que a coisa ficou séria e estas suas ainda se pegam :O Foi por isso que deixaste o Capítulo aqui, não foi Sahh, já sabes que cenas de porrada é comigo, neh neh o.O? Eu conheeeeeço-te o.O. Por mais que goste da personagem da Aries, admito que ela nesta história não se dá lá muito bem, coitada, se não for o Loke a livrá-la a Erza cai-lhe em cima. Vamos lá ver se ele a consegue levar ali de casa inteira, como vou ser eu a escrever, não prometo nada muahahah. Bem espero que este Capítulo seja do vosso agrado o/ Leiam, comentem, partilhem ^-^ E até ao próximo Capítulo