Notas iniciais
[Notas da NanamiUchiha >>>] Para começar, deixarei o nosso grande agradecimento à Sarah Darth Vader que foi a primeira a Favoritar a nossa Fic ^-^ Aproveito ainda para agradecer à Nekochibiwalker por continuar a deixar os seus Reviews. Acredita que eles são uma das coisas que nos faz continuar o nosso trabalho nesta história com tanta alegria e carinho ^-^ Obrigada meninas !! *-* E heis que há a continuação do pequeno drama familiar começado no outro Capítulo. Será que o Jellal perceberá finalmente o que se passou? Conseguirá a inocência da Wendy uni-los novamente, ou pelo menos, fazer com que parem de se acusar mutuamente? Aiii... Capítulo excitante este :tremendo no lugar e pulando na cadeira: Foi com orgulho que o escrevi e que agora vos entrego. Espero que gostem ^-^ Toca a ler e a encontrar depois a Sahh nas notas finais ;)

– A minha cabeça está confusa. Vocês... A culpa é vossa. Eu só queria que nenhum de vocês dois se magoasse, que chorasse mais. Eu... Só... S-Só... Os... Os adultos... Vocês... Porque é que...?

O peito dela agitava-se, debilmente, buscando pelo ar que, nem as lágrimas, nem os nervos, a deixavam saborear. Tanto eu como a Erza nos acercámos dela, de imediato, a minha mão procurando logo a bomba de asma dela, que tinha trazido comigo para a sala, devido à crise anterior. Puxei-a de encontro ao meu peito, tentando ajudá-la na inalação, mas ela só afastava a minha mão, para conseguir continuar a falar. Os olhos, chorosos, continuavam ainda fixos na mãe.

– Foi isso, não foi? Tu dizias sempre que ele era mau, que eu não devia acreditar em nada do que ele dissesse sobre o papá, mas… Era porque estavas com ele, não era? Eu pensei que era pelo papá… Porquê? Eu… Eu estou tão confusa. – Ela levou as mãos à cabeça, espremendo a zona das têmporas entre elas. As lágrimas escorriam livres pelo rosto dela e todo o corpinho dela termia. A boca do meu estômago ardia de culpa. Eu nunca havia querido que ela sofresse desta forma. Talvez eu não devesse ter ido ali mas… Eu precisava de saber a verdade… Todos nós precisávamos de saber a verdade.

A Erza não proferia palavra. Parecia ter ficado sem pio, desde que a Wendy a havia mandado calar e lhe tinha chamado mentirosa. A boca dela estava apenas entreaberta, os lábios meio separados, numa expressão de pura preocupação. As mãos estendiam-se a meio caminho do corpo da Wendy, ainda a ser suportado pelo meio peito, mas sem nunca lhe tocar. Provavelmente, com medo que a pequena lhe rejeitasse o toque, uma vez mais.

– A minha cabeça está uma confusão e a culpa é toda vossa! – Disse a Wendy, voltando à carga, depois de duas inalações que não lhe esconderam as dificuldades respiratórias. – É de vocês os dois. É pedir muito? Eu querer que vocês fiquem juntos, que não sofram com mais nada? Porque é que vocês são tão teimosos? Porque é que não se perdoam, se ainda se amam? Porquê?

Olhei a Erza. Numa coisa a Wendy tinha razão: eu nem sequer tinha tentado falar com ela, nem lhe tinha dado uma chance para ela se explicar. Apenas partira logo para as acusações, deixando que o meu ressentimento falasse mais alto do que a promessa que eu lhe tinha feito. Voltei de novo a fixar o rosto da minha pequena.

– Wendy, fazemos assim: Tu agora acalmas te um pouco, respiras bem fundo e fazes a tua medicação, para melhorares porque o pai não te quer ver assim. No entretanto, eu e a tua mãe tentamos ter de novo uma conversa civilizada, para por tudo a limpo e ver se podemos realizar o teu pedido. Pode ser? Podes ficar a ouvir ao pé de nós e tudo no caso de nos quereres mandar calar. Que achas?

– Olha que vos mando calar mesmo, se vocês começarem de novo a discutir. Ponho-vos de castigo na casa de banho, de luz apagada.

– Não sejas má para o pai, amor, o pai tem medo do escuro. – Disse, alinhando naquele castigo que ela propunha, tentando aligeirar aquele ambiente. Era algo que nenhuma criança deveria presenciar e muito menos ser obrigada a mediar.

Os olhos dela viraram-se, enormes para mim.

– Mas tu já és grande… Como é que podes ter medo do escuro?

– Porque no escuro estão todos os meus medos. E que não gostes de mim é agora um deles. – Disse-lhe baixinho, beijando-a na testa. Vi, pelo canto do olho, a Erza levar ambas as mãos, trémulas, ao rosto. Peguei melhor na Wendy ao colo, só num dos meus braços, pegando depois na mão da Erza para a levantar comigo. Caramba, o toque dela... Continuava igual. Gelado, o completo contraste do meu mas ainda assim... Ainda assim era-me quente, calmante. Olhei a nos olhos tentando dizer-lhe que eu ia tentar, por respeito à menina, que aquela não seria mais uma discussão mas sim uma conversa tão civilizada quanto possível. Sentei-me no sofá, com a minha filha ao meu colo e a mulher que eu ainda amava ao meu lado. – Vamos, então, tentar resolver isto como uma família? É isso que tu queres não é, Wendy? Uma família.

A pequenina acenou, levando os braços ao meu pescoço e ficando ali aninhada, com a cabeça sobre o meu ombro. Depositei-lhe mais um beijo na testa, após o que virei então a minha atenção para a Erza.

– Podes explicar-me o que aconteceu, desde aquele dia? Como é que o Erik entrou nisto?

Ela respirou fundo várias vezes, fazendo várias tentativas abortivas para começar a falar.

– Eu conto. Posso contar? – Perguntou a Wendy, sendo sobreposta pela voz da mãe.

– Ele… Era um advogado, como bem sabes. Eu não tinha dinheiro para pagar um, logo deram-me o contacto dele, dizendo que ele seria o teu Advogado Oficioso, e que eu só teria de o pôr ao corrente da situação.

Então não lhe tinham contado a verdade.

– Quando falaste com ele… Sabias que tinha sido ele a denunciar-me? – A resposta dela veio na forma de uma face de total choque. As mãos recomeçaram-lhe a tremer. – Foi ele que o fez, há cerca de oito anos. Eu vendia-lhe… Aquilo que tu sabes. E ele foi apanhado. Disseram-lhe que, se ele entregasse o fornecedor, não metiam o nome dele ao barulho e ele não seria proibido de exercer porque nunca contariam aos superiores dele. Ele andou um ano inteiro a dar informações à polícia sobre mim, tudo o quanto podia para me poderem apanhar.

– Eu… Eu não sabia, eu pensei que apenas… Me tinham dado o número dele por ele ser somente um advogado que… Quer dizer que… Eles sabiam que ele nunca iria fazer nada para te libertar. – A realização começou a cair sobre o discernimento dela. As mãos deixaram de tremer, passando a enrolar-se num punho, premindo as unhas contra a pele.

– Exacto. Daí ele nunca ter pedido recurso à minha sentença. Não lhe interessava muito. Eu também só descobri há pouco tempo, por uma guarda lá da prisão. Confirmei depois com o Loke. – Pelo menos já sabia que ela não tinha estado por detrás das acções dele. Mas ainda havia tanto a esclarecer… Dei-lhe mais a mão, sentindo como ela ainda se encaixava perfeitamente na minha. – Mas… Porque é que falaste com ele para ele me tirar de lá? Naquele dia tu… Disseste que eu merecia. Que não valia nada. Em pleno tribunal… Porque pediste depois pela minha defesa.

– Porque eles iam-me tirar a Wendy. – As mãos dela passaram pelo cabelo da menina, que desta vez não a afastou. Estava plenamente concentrada na conversa, os grandes olhos castanhos saltando de mim para a mãe, à medida que as deixas eram trocadas. – Eu já estava grávida na altura, mas com tanta coisa não te consegui dizer. Nem tempo para raciocinar tive nem nada. – Os olhos dela encararam-me pela primeira vez, frente-a-frente. – Se eu te defendesse abertamente quando tudo apontava para seres culpado, iriam-me considerar inapta a criar a minha bebe. A Assistente Social veio logo ter comigo assim que cheguei ao tribunal nesse dia. Fez-me mil e uma perguntas, tudo sobre como eu tencionava criar uma criança, na altura com dezoito anos, sem trabalho, com o meu companheiro na prisão, perguntando se não era melhor levar a Wendy para uma instituição, enquanto eu não endireitasse a minha vida. – A mão dela tremeu na minha, apertando-me mais. – Eu não ia deixar que ela vivesse também aquele pesadelo.

A Wendy estendeu-se para ela, de braços estendidos para a enlaçar pelo pescoço. Olhei-as, fixamente. Ela fazia mesmo tudo por ela. Tudo o que eu sempre me tinha sonhado a fazer, a Erza tinha feito.

– Foi por isso que não me disseste nada sobre ela, então. Para eu não me envolver, enquanto a minha pena não fosse cumprida.

– Exacto… Eu saberia que sairias, mais cedo ou mais tarde, mais ou menos ressentido. Mas não havia nem uma certeza de que eu conseguiria tirar a Wendy dali. Eu não preciso de te lembrar como as coisas são lá. Eu percebo se não me perdoares mas… Preferi sofrer longe de ti, do que perder a coisa mais perfeita que já fizemos os dois juntos. E eu agora só quero que a Wendy tenha o pai dela.

Algo no tom dela sobressaltou a Wendy, que se levantou logo sobre o sofá, com ambas as mãos à cintura.

– Eu não quero só o papá. Quero-vos aos dois. Quero a minha família. É que nem te atrevas.

– Wendy…

– Nem Wendy, nem meia Wendy. Nunca mais faças aquilo. Tu prometeste-me.

– O quê? – Perguntei confuso. Vi a Erza a apressar-se a dar uma explicação, mas a Wendy foi mais rápida.

– Ela tem cortes. Na barriga. Por isso é que ela está toda tapada. Eu reparei um dia, quando pedi para tomar banho com ela. E obriguei-a a dizer-me o que era. E ela disse que nunca mais o faria. Ela prometeu, até me deixou esconder as facas e tudo. Por isso, tira daí o sentido, menina Erza.

Em outras situações, eu teria rido do tom que ela usava para falar com a mãe. Um tom que, muito provavelmente, já ela tinha ouvido algumas vezes da boca da mesma dado o tom irónico com que ela o colocava. Mas os meus olhos estavam fixos na Erza, que desviava os seus orbes de mim, evitando encarar-me ao máximo. Ela sabia bem o que eu pensava de cortes. Sabia bem que grande parte da nossa infância tinha sido passada a vê-los a ser-nos infligidos, por qualquer resposta mal dada. Sabia que, tanto o meu corpo como o dela estavam cheios dessas marcas. Além do mais… Ela sabia que eu adorava a barriga dela. Era sempre o primeiro local onde me dirigia, quando a queria provocar ou simplesmente acarinhar. A pele suave ali acumulava ainda mais o cheiro do perfume dela… Para além de todos os meus sonhos de a poder acariciar ali, há medida que a barriga dela crescia, evidenciando uma nova vida.

Algo que eu não tinha podido fazer.

– Deixa-me ver.

– Por favor…

– Eu mostro.

– Por favor, Wendy, não…

Arquejei levemente, quando a pele dela ficou à mercê dos meus olhos, após eu e a Wendy ter-mos lutado para conseguir levantar a camisola dela. De facto, não admirava que ela estivesse com camisolas tão pesadas para aquela época. Os cortes eram muitos, alguns tão grandes que um dos meus palmos não dariam para os medir. Grande parte já estava cicatrizada, mas havia ainda marcas recentes. Passei, suavemente, a mão por alguns deles.

As extremidades dos cortes evidenciavam-se ainda mais contra a polpa dos meus dedos. Aquele mar liso, suave e quente que eu conhecera… Não existia mais. Ainda era quente, é certo mas… Segui os contornos de uma das maiores marcas. Os meus dedos contaram quatro marcas, uma na vertical, três na horizontal. E depois, ao lado, mais uma na horizontal, com outra na vertical, que curvava no fim. Nitidamente um “E” e um “J”, praticamente colados um ao outro. Lembrei-me de uma marca semelhante que eu havia feito na prisão, mas com uma caneta, na parte interna do pulso. Olhei-a, mostrando-lha também.

– Não precisavas de o ter feito desta maneira. – Não precisava de o ver assim, para ter a certeza que seria eterno, Erza… Foram as palavras que eu queria dizer, mas que não tive coragem. Ainda era tudo demasiado recente, a ausência dela ainda me pesava. As minhas palavras ainda lhe pesavam, pela expressão que ela tinha no rosto, apesar de fixar a mesma marca no meu pulso como quem não acredita no que vê. As minhas palavras pareceram despertá-la.

– Eu tinha de ter pelo menos uma recordação de que foi real…

– Mas tu tens tonta, afinal para que é que eu sirvo? – Disse a Wendy, ajoelhando-se entre as pernas dela e fazendo-lhe muitos carinhos no rosto, quer com as mãos quer com os lábios pequeninos. Só sorri, passando-lhe as mãos pelos cabelos. – Por favor mamã, só não me assustes mais daquela maneira.

A Erza não lhe respondeu, limitando-se a estreitar o corpinho da menina contra o seu, escondendo o rosto no cabelo azulado dela. Visto que a estava a começar a ver a descampar para uma nova crise emocional e – pelas minhas suspeitas –, a Wendy já a tinha visto o suficiente assim, passei também a mão pelo cabelo dela, devagarinho.

– Olha Wendy, então e o meu bolo? Sempre me arranjas uma fatia? – O sorriso voltou logo aos lábios dela, antes de beijar o rosto da mãe e se desenroscar dos braços dela.

– Fica aqui com a mamã que eu já venho. – Ela pulou do sofá, correndo até à cozinha, mas voltou atrás, espreitando por cima do cadeirão. – Trata bem dela, quero um sorriso no rosto dela quando eu voltar, han? Humpf.

O rosto da Erza iluminou-se mesmo nessa altura, sendo depois limpo com as mãos para fazer desaparecer qualquer vestígio de lágrimas. Muito a medo, os olhos dela procuraram os meus e eu vi receio espalhado neles. Receio que, agora que a menina não estivesse ali, a conversa fosse diferente. Simplesmente fiz a amostra de um sorriso – os meus músculos faciais protestaram de novo –, apertando um pouco mais a mão dela, como que a relembrando que ela ainda ali estava.

– Desculpa…

– Schh… Já passou. Eu já percebi. Agora só… Temos de retomar as coisas, certo? – Perguntei baixinho, percebendo logo que as minhas perguntas, ditas de outro modo, lhe iam dar a esperança que eu ainda não sabia se lhe queria dar ou não.

– É… Temos de retomar para… Pelo menos a Wendy ficar mais descansada.

– Ela é muito teimosinha, não é?

– Teimosinha? Tem um nível de autoridade que só ganhei quando ela fez dois anos e começou a cilindrar por tudo o que se tinha cá em casa. Vai ser difícil um rapaz aturá-la.

– Bem, só tem de encontrar alguém como o pai… Tu também eras bem teimosa. – Disse, rindo baixinho com ela depois. Ela riu de cabeça baixa, deixando o cabelo tapar o sorriso lindo que eu sabia que ela tinha. Tinha sido um hábito dela que eu tinha levado anos a quebrar pois preferia que ela sorrisse olhando para mim. E parecia que teria de voltar a quebrar esse hábito de novo. Levantei-lhe só o queixo com a mão, vendo ainda um rasto desse sorriso, antes de ela me encarar seriamente. – Eu… Posso ficar aqui? Não tenho sítio para onde ir, e além disso gostava de poder passar algum tempo com a Wendy. Assim também... Podíamos ver se conseguíamos dar-lhe o que ela tanto quer…

– Claro. Claro que podes ficar, eu… Aa… Tenho a certeza que ela vai adorar.

– Não sou só eu, ao que parece. – A gargalhada da Wendy apanhou-nos aos dois de surpresa mas o enorme sorriso já eu esperava. Ela simplesmente estendeu o pires para mim, no qual repousava uma enorme fatia de bolo de morango.

Havia mesmo coisas que nunca mudavam.

Notas finais
[Notas da SahhChan >>>] Céus e novamente a Nanami nos deixa com um Capítulo super dramático, em que a Erza explica ao Jellal tudo o que aconteceu na sua ausência. Eu adorei, chorei a ler isto, esta miúda mata-meee!! E vocês o que acharam? Esperamos que tenham gostado e até ao próximo Capítulo !! Sayonaraaaa o/