Notas iniciais
[Notas da NanamiUchiha >>>] Como sempre, em primeiro lugar, quero agradecer às meninas que comentaram o capítulo anterior, as suspeitas do costume, Nekochibiwalker e ScarletLisbeth ^-^ Obrigada por continuarem a acompanhar e a opinar meninas :). Bem e depois de um Capítulo super fofinho como o anterior... Vamos ver o que é que se anda a passar na vida do nosso casalinho. Não dá para adiantar muito desta vez mas... Assim o suspense é maior eheheh :P. Boa leitura e espero que encontrem a Sahh nas notas finais o/

– Hm…

Cada “Hm” me era tortuoso. Sentia-me analisado da cabeça aos pés, como já não me sentia há uns tempos… Desde que saíra da prisão pelo menos.

– Fernandes… Tu já não frequentaste este local?

– Já, sim.

– Bem me parecia. – A mulher sorriu, procurando logo algo no computador, antes de virar a tela para mim. – Informatizamos tudo quanto eram casos antigos e o teu ainda consta da papelada que nos deixaram. Foste tu que tiveste aquele processo hospitalar, ao que vejo.

– Bem… Sim.

– Se pelo menos na altura a gente já pudesse assumir um sítio assim… Mas eu ainda era menor. – Ela fez de novo um sorriso simpático, esquadrinhando de novo o meu ficheiro. O homem continuava a fixar-me, tão desconfiado que os músculos a nível do pescoço estavam todos tensos. Só os desviou para lançar um olhar incrédulo à mulher, quando esta bateu palmas. – Ahh, então foste um dos muito poucos que conseguiram fugir. Tu e a Erza Scarlet.

– Exactamente.

– Então isso foi pouco anterior à tua prisão, certo?

– Sim, cerca de dois anos…

– Eu percebi o porquê de o fazeres, sabes? – Ela olhou-me de novo, um olhar meio terno. – Só lamento que tenha sido essa a tua opção, mas entendo. Estavas a tentar construir um futuro e, ao mesmo tempo, impedir que a Erza se metesse em outras coisas.

– A opção podia ter passado por trabalhar…

– Ele procurou emprego, Laxus, não sejas casmurro. Na altura ele tinha dezanove anos, nem sequer tinha o quarto ano e tinha acabado de fugir de um orfanato. Que emprego é que lhe iam dar?

– Pelo que dizes, também não tem qualificações para trabalhar aqui.

– Desde quando se precisa de qualificações para tratar de crianças? Ele tem instinto. Ele é pai.

– Não discutam por minha causa, se não há lugar para mim eu compreendo.

– Não estamos a discutir, acredita. – A mulher sorriu de novo, mas mandou uma boa sapatada no cachaço do homem, que somente se encolheu. – Se estivéssemos, o cenário seria bem mais… Audível. É assim, por mim ficas. Gostei de ti, vejo que és calmo, além de que algumas crianças podem ainda te reconhecer. Infelizmente, pela anterior reputação deste sítio, já ninguém é adoptado há um bom tempo.

– Ele por mim não fica…

– Está caladinho, querido, deixa-me continuar. – Engoli em seco. Parecia que ela podia ser ainda pior que ele. O sorriso amável parecia disfarçar uma força bruta. Ou então os músculos dele mascaravam demasiada sensibilidade. – Como eu disse, por mim ficas. Mas… Como o meu marido está a levantar entraves, que me dizes de ficares duas semanas, somente à experiência?

– Aviso-te já que vou andar de olho em ti e que te revisto todos os dias, assim que passes da soleira da porta.

– Dreyar-San, eu já não estou envolvido com drogas…

– Deixa-me ser eu a constatar isso. Se não nada feito.

Suspirei, acenando depois, concordando com os termos deles.

Apesar daquela condição de entrada, aquela vaga tinha caído do céu. Já havia passado quase dois meses desde que eu tinha saído da prisão, e durante todo esse tempo eu não havia conseguido um emprego. A Assistente Social, sempre acompanhada do Agente Loke, já nos fizera uma série de visitas e eu começava a sentir a pressão de que a Erza sempre falara da parte dela. Talvez a minha primeira impressão dela tivesse sido suave de mais, para o nível de escrutínio a que ela sujeitava as nossas vidas.

Foi quase com as mãos levantadas para o céu que recebi a notícia de que o orfanato estava a precisar de mais um empregado. Tinha sido o Loke a vir falar com eles sobre mim, adiantando logo todos os pormenores. Na altura – e até há pouco mais de cinco minutos –, apenas a mulher se mostrara interessada em dar-me a vaga. Tinha a sensação que Mirajane se daria muito bem com a Erza. Elas pareciam-me idênticas em atitude, agora que a Erza também recuperara um pouco do seu antigo “eu”, desde que as coisas entre nós se tinham resolvido. Eu também sabia muito bem o quanto aqueles beliscões e chapadas disfarçadas com um sorriso podiam doer.

Ela era pequenina, nem me chegava ao ombro, certamente, com o cabelo branco comprido pela cintura e os amigáveis – mas pelos visto enganosos – olhos azuis. Tinha sempre um sorriso no rosto, quer estivesse feliz quer estivesse a ameaçar subtilmente o marido. Laxus parecia ser o completo contrário dela. Expressão trancada de que todos lhe devem e ninguém lhe paga, olhos desconfiados, e toda uma postura bastante agressiva. Com o cabelo loiro espetado parecia um enorme raio, prestes a atingir quem quer que fosse contra o seu julgamento.

– Bem, agora que está tudo tratado, na medida do possível, vamos lançar-te aos bichos, Jellal? Aviso-te já, eles são bastantes e alguns dão mesmo muito trabalho. Mas são uns queridos, eu gosto de todos eles. – Ela entrelaçou o braço dela no meu, abrindo de novo a porta que dava para a sala principal.

Estava tudo muito diferente daquilo que eu me lembrava. O soalho estava completamente composto. As paredes estavam pintadas uniformemente. Não se viam crianças a chorar a um canto. Pelo contrário, todas elas apresentavam um enorme sorriso, quando a Mirajane tocou uma espécie de sineta para todos se reunirem na sala. Parte da divisão havia sido deitada a baixo, unindo-se com o que antes era o escritório pessoal do Brain, tornando o espaço ainda mais acolhedor e passível de acomodar, numa rápida análise da minha parte, umas trinta crianças naquele espaço.

– Bem, meninos e meninas, eu disse-vos que íamos ter mudanças no pessoal que trabalha aqui para vocês. – Mirajane puxou-me mais pelo braço, expondo-me aos olhares de todos. – Aqui têm um novo amigo, o…

– Jellal!!!

Fui de imediato atirado ao chão por três pessoas que me abraçaram pela cintura, forçando o meu peito contra o vazio da queda. Perante os meus queixumes só ouvi risadas meio choramingadas ao meu ouvido.

– Voltaste…

– Porque não nos vieste ver mais cedo?

– Onde está a Erza?

– Meninos, meninos, vá, uma pergunta de cada vez, deixem o Jellal respirar. – Disse Mirajane enquanto os ajudava a levantar. Massajei o sítio onde a minha cabeça tinha batido contra o chão, observando-os a limpar o rosto. Um quarto elemento tinha-se aproximado, mas mantinha-se a observar, de braços cruzados. Identifiquei facilmente a cicatriz na testa bem como… A mania de ainda andar sem roupa.

– Gray…

– Demoraste… Esses aí deram-me trabalho a domar. – Disse ele, estendendo só a mão para mim. Da última vez que o vira, ele não devia ter mais de nove anos, um rapaz reguila que insistia em andar só se boxers pelas divisões – quando não o apanhavam claro –, tirando as vezes em que até os boxers tirava, para os pôr sobre a cabeça e correr atrás das raparigas. Isso queria dizer que…

Olhei de novo os três que se haviam atirado sobre mim. O cabelo rosado foi logo o primeiro que reparei. Os olhos estavam enormes, fixos em mim, como quem se prepara para se atirar para cima do meu pescoço de novo.

– Ora, tu és…

– Sim, sim, sim, sim, sim!! – Disse ele, abanando logo muito a cabeça. – Diz, diz, diz, diz que ainda te lembras!

– Hm… Wally? – Fiz-me desentendido de propósito, vendo as bochechas dele incharem de indignação. Ri-me despenteando-lhe o cabelo. – Continuas a deixar que impliquem facilmente contigo, Natsu.

– Ora, a última vez que me viste eu tinha o quê? Cinco anos? Eu mudei, desde lá.

– Só em tamanho.

Peguei facilmente na loirinha que falava ao colo, juntamente com a morena pequenina que ainda não me tinha largado o braço.

– Tomaste bem conta dele, Lucy?

– Ohh, eu bem tentei, mas tu sabes como ele é bem teimoso. – Ela despenteou de novo o cabelo ao Natsu, tal como eu tinha feito, antes de esconder o rosto no meu peito. – Tinha saudades tuas… E a Milliana também.

Olhei para o volume pequenino que rapidamente escondeu o rosto no meu pescoço.

– Foi? – Ela somente acenou. A Milliana devia ser das mais jovens que eu ali tinha visto. Tinha sido abandonada à porta do orfanato ainda com algumas semanas de vida, já eu tinha uns quatorze anos; Na altura eu, a Erza e o Simon havíamos cuidado dela o melhor que sabíamos. O que queria dizer que ela devia estar mais ou menos com dez, onze anos. Tal como me lembrava, não disse muitas palavras, limitando-se a estar no meu colo o tempo todo enquanto eu me apresentava às outras crianças. Todas elas me receberam respeitosamente, embora eu tivesse insistido para não o fazerem, porque no fundo… Bem, eu era tal como eles, não era ninguém superior, digno de que curvassem a cabeça perante mim. Mas Mirajane insistira, para lhes incutir alguma boa educação perante os mais velhos.

Muitos mostraram-se curiosos, vindo ter comigo para saber de mais, principalmente após a Mirajane ter dito que eu já fora como eles. Eu bem tentava falar, mas a Lucy e o Natsu antecipavam-se sempre e eu podia constatar o quão magicadas e embelezadas as histórias deles eram, quer sobre mim, quer sobre a Erza. O Gray apenas se ria contidamente de braços cruzados ao pé da janela, abanando a cabeça quando algo demasiado fantasioso saía da boca daqueles dois, ao que se seguia um coro de “A sério?!?! É verdade?!?!?”.

Os olhos da Milliana apenas espreitaram para os meus quando eu confirmei que já tinha uma filha.

– Como se chama?

– Chama-se Wendy. Tem seis aninhos. E meio. Ela faz questão de acrescentar o “e meio”.

– Ahh, então já sei também de onde conhecia o teu nome. – Disse Mirajane, que ficara por perto para ouvir tudo, fazendo tranças a uma das meninas que ficara na sala. – A Wendy está na sala da minha irmãzinha, a Lisanna.

– De facto, lembro-me da Wendy ter falado de uma colega com esse nome, sim. – Não referi que somente me lembrava dela como “a menina que não distinguia dezenas de dúzias”, por ser das únicas histórias que a Wendy me tinha contado sobre ela.

– Elas estão sempre juntas, pelo que sei.

– Jellal…? – Ouvi chamar, muito baixinho, ao pé do meu ouvido.

– Diz, Milliana?

– Vais embora de novo?

– Eu volto todos os dias, eu vou trabalhar aqui, com vocês.

Ela olhou-me muito de novo, antes de esconder o rosto no meu pescoço, apertando os braços no meu pescoço. Ouvi a voz dela sussurrar depois, embargada de lágrimas.

– Quero ver a Erza…

***

– Então? Que tal correu?

Tomei o meu tempo para me despir, ajeitando as roupas que iria levar no dia anterior, para depois não andar a correr de manhã. Apenas respondi depois de me deitar, assim que as molas do colchão deixaram de chiar.

– Aquilo está muito diferente, o Loke tinha razão. Não é aquele mesmo inferno onde a gente viveu. – Virei-a sobre os meus braços, encostando as costas dela ao meu peito esfregando-lhe depois os braços para a tentar aquecer.

– Mesmo assim, a Wendy não vai para lá.

– Tem lá calma, Titania em brasa, eu não disse que ela iria para lá. – Beijei-a na curva do pescoço dela. – Só estou a dizer que aquilo está muito diferente e que, se me deixarem, não me vou arrepender de entrar por aquelas portas de novo.

– Achas que o tal Laxus te vai fazer a vida difícil?

– Não sei, desconfiado como ele me pareceu... Ele só cedeu porque a Mirajane o amansou… À boa maneira dela. Vocês iam-se dar bem.

– Ai íamos? E porquê?

– Têm métodos de dominação parecidos.

– Tu estás tudo menos domado. – Ela bateu-me nos braços ao perceber do que eu estava a falar. – Ainda tens instintos demasiado selvagens.

– Sempre fui rebelde, já sabias disso quando te juntaste comigo. – Senti um puxão no cabelo, antes de sentir os lábios dela procurarem os meus, durante largos minutos. Por fim, apenas a mão dela repousou sobre a minha. – Ahh, falando em instintos selvagens… – Levantei-me ligeiramente, indo ao bolso das calças buscar o que me haviam dado como recordação daquele primeiro dia. Mostrei-lhe a foto, já muito antiga, de três pirralhos meio desdentados e uma bebé de meses. – Lembras-te desses artistas?

– Ohh, Kami-Sama… Onde é que arranjaste isto?

– A Mirajane tinha para lá nos arquivos dela. Foi naquele Natal em que a Assistente Social lá foi, lembras-te, e tivemos de limpar aquilo tudo para mostrar o quão bom era o local…

– Deve ter sido dos melhores Natais ali, apesar de ter sido uma farsa.

– Concordo. – Beijei-a na testa carinhosamente, entregando-lhe a outra foto, uma que tirara. – Vê lá se os reconheces agora.

Vi os olhos dela encherem-se de milhares de pontinhos brilhantes. Os dedos passaram, trémulos, pela película, enquanto os lábios lutavam entre o sorriso e o beicinho.

– A Milliana continua a tirar fotos na mesma posição.

– Ela não mudou nada, acredita.

– O Gray está enorme. E sério… E sem as cuecas na cabeça.

– Pelo que sei, foi uma mudança recente. – Ri-me, encostando de novo as costas dela ao meu peito.

– A Lucy está tão linda… Eu sempre lhe disse que ela ia ficar linda, ela é que andava sempre a choramingar pelos cantos quando o Natsu a arreliava.

– Acredites ou não, agora é ao contrário. A Lucy rebelou-se totalmente, agora passa o tempo a dar-lhe na cabeça.

– O Natsu continua com o sorriso parvo de sempre. – Ela limpou o rosto, contendo uma fungadela, olhando depois para mim. – Só lá estavam estes? O que é feito do Sho, do Wally…? Do Simon?

– Já são todos maiores amor, a esta hora já têm a sua própria vida. Olha… – Dei-lhe ambas as mãos, cruzando-lhas ao nível da cintura dela. – Um dia, tens de lá ir comigo. Nem que fiques no pátio mas… Tens de ir lá.

– Porquê?

Apontei para a imagem, para a forma como a Milliana me agarrava.

– Porque a última coisa que ela me disse foi “Quando puderes, traz a Erza”.

Notas finais
[Notas da SahhChan >>>] Bem, eu amei este Capítulo, vocês não? kkk' É um facto, a Nanami tem imenso jeito no que toca a escrever na pele do Jellal, na minha opinião kkk' Eu não podia, de facto, ter escolhido uma parceira melhor para a Fic, não concordam? kkk' Espero que tenham gostado, eu achei este Capítulo, tal como o outro, algo super fofinho. E notaram? Apareceram personagens novos *-* O Natsu, a Lu, o Gray... ^-^ Lindo *-* Até ao próximo Capítulo, minna :) Cá vos esperamos ^-^ Sayonaraaa o/