Notas iniciais
[Notas da SahhChan >>>] Yoo minna !! ^-^ Bem, antes de mais nada, quero agradecer às pessoas que comentaram a nossa Fic no Capítulo passado - Dalila Araujo, Nekochibiwalker e ScarletLisbeth - um grande obrigada às três. Ficámos muito felizes por deixarem o vosso Review e também porque... Já temos mais um leitor !! ^-^ Isso mesmo, parece que estamos a chegar a vocês e isso deixa-nos bastante satisfeitas porque, aos poucos, conseguimos ver o quanto estão a gostar desta história linda :) Ahh e pedimos que ele se acuse, quem quer que seja, porque prometemos que não iremos morder nem maltratar nem assassinar nem nada disso. Como já dissemos, mais um comentário faz sempre a diferença e obriga-nos a - cordialmente - ficarmos mais entusiasmadas para escrever mais um Capítulo ^-^ Mas vamos ao que interessa. Querem saber o que anda a Erza a fazer? Espreitem a página mais abaixo, então, e boas leituras o/

Mexi-me na cama, procurando mais os cobertores. A noite estava gelada, sentia-me tremer por todos os lados. Puxei mais a manta para mim numa tentativa desesperada de trazer mais calor ao meu corpo, voltando a deixar que os meus olhos se fechassem. Aninhei-me na almofada, prendendo-a mais em volta do meu tronco, para quase me enrolar como um chouriço sobre o colchão frio. Sem sucesso. Eu continuava gelada.

Acabei por desistir, levantando-me e enfiando os chinelos para não sentir tanto a temperatura do soalho nos meus pés, assim directamente. Depois, pensei melhor. Talvez calçar os chinelos houvesse sido uma má ideia. Na verdade, uma péssima ideia, se pensar que eles poderiam acordar graças aos meus passos. O Jellal tinha um sono leve e, se me recordasse de todas as vezes que tinha tentado não o despertar enquanto estávamos juntos e ele dormia ao meu lado, podia constatar que elas eram não mais que tentativas falhadas. Porque ele sabia sempre quando eu tinha frio. Ele sabia adivinhar, perceber quando eu tinha aqueles pesadelos. Ele era o único que conseguia curá-los também.

Suspirei. Pus-me de pé lentamente, procurando não provocar um ínfimo som. Abri a porta devagar e espreitei pela fresta da do quarto da Wendy. Ela ainda dormia. Tinha a certeza de que ela estava exausta, ultimamente tinha passado tanto tempo a conversar com o Jellal de noite sobre tanta coisa que nem chegava a descansar como deve ser. Entrei no quarto dela devagar, parando ali apenas o tempo suficiente para olhá-la fixamente por uns momentos. Eu... Tinha saudades dela. Ela fazia-me falta. Beijei-a na testa e acariciei-lhe os cabelos, dando graças a tudo o que pudesse, eventualmente, existir lá em cima – ou não – por ela ter um sono tão pesado como o da mãe dela. Saí do quarto de novo.

Caminhei pelo corredor, devagar, até me parar a mim mesma à porta da sala. Fiquei a olhá-lo, apenas. A observar a forma como ele parecia tão tenso, mesmo a dormir. Ele... Devia ter passado por muita coisa naquele lugar. Talvez ele também tivesse medo de dormir, às vezes. Talvez aquele sítio também tivesse ajudado a criar nele aquele sentimento de autodefesa perante o sono, de modo a não deixar que as coisas acontecessem fora do seu controlo. E talvez, seguramente, ele ainda não estivesse realmente pronto a perdoar-me por o ter obrigado a passar por isso.

Os meus ouvidos entraram em estado de alerta mal ouvi uns passos leves, esguios e pequeninos, percorrerem o corredor calmamente até à sala. Uns passos ensonados, gelados, tão solitários como eu era capaz de estar a sentir os meus agora.

Wendy...

Olhei para trás, vendo-a esfregar os olhos abraçada à almofada, com o ar ensonado mais querido que alguma vez lhe tinha vislumbrado. Quando me viu, limitou-se a parar e sorrir-me levemente. Avançou mais uns passos na minha direcção.

– Sabes uma coisa? – Perguntou baixinho, olhando depois para o pai. – Lá ao pé dele é melhor e mais quentinho...

Tentei sorrir perante a observação dela, mas fui incapaz de fazê-lo. Baixei a cabeça, simplesmente.

– Hm... E-Erza...

A voz dele despertou-me de repente. De súbito, levantei a cabeça e olhei na sua direcção. Ele mexia-se no sofá de olhos fechados, aquela familiar chiadeira – que eu reconhecia das vezes todas em que optara por ir dormir para ali quando estava grávida da Wendy, por não conseguir aquecer na nossa cama sem ele – fazendo ouvir-se até vir ao meu encontro para me despertar para a realidade de que... Não era um sonho. Ele... Estava mesmo a sonhar comigo.

Os passos da Wendy voltaram a dirigir-se até ele, parando quando ela se deitou do seu lado, a cabeça olhando para trás, para mim, encorajando-me a aproximar. Engoli em seco. Eu não podia ir. Não podia. Ele... Estava a sonhar. Tudo seria diferente quando ele acordasse. Ele já não me quereria mais ali.

– Anda, mamã. – Disse ela, como se adivinhasse o meu receio. – O papá chamou-te.

Olhei para ela durante uns momentos. Suspirei de novo, depois, antes de virar costas. Aquele lugar era dela agora. Eu não iria tirá-la de perto do pai só para preencher um vazio meu, mesmo que esse vazio estivesse a matar-me aos poucos por dentro. Ela precisava de estar com o pai, de aproveitar todo o tempo que quisesse e pudesse ter com ele. E eu não iria obrigar ninguém a escolher, ninguém a ter de optar por mim, para começar.

Virei costas, lentamente, e encaminhei-me para o corredor.

– Hm... Wendy? Que fazes aqui a esta hora?

Parei de repente ao ouvi-lo falar. Aquela voz meio ensonada da qual eu me lembrava, ainda, tão bem. A mesma que costumava receber-me todos os dias, quando as coisas ainda eram maravilhosas, mesmo que não o fossem realmente, só por ele estar comigo. A recebê-la, da mesma maneira. Como é que era possível eu ter assim tantos ciúmes da minha própria filha?

– P-Papá... Eu...

– Que se passa? Tiveste algum pesadelo?

–N-Não... S-Só... Tinha frio...

Adivinhei os movimentos dos braços pequeninos dela enquanto se aninhava ao peito dele, tentanto combater aquela sensação de mal estar inevitável que o clima lhe trazia. Frio... Há quanto tempo me sentia eu completamente gelada?

– Anda cá, bebé... O papá aquece-te...

– M-Mas... Eu já tou quentinha... – Ouvi-a só dizer, antes de a sua voz baixar, deixando-se quase ouvir num simples murmúrio, não suficientemente baixo para que eu não a conseguisse escutar. – A mamã, ela... É que deve estar gelada.

Estanquei por completo ao ouvi-la falar de mim. Fiz um esforço para poder perceber onde ela quereria chegar com aquilo tudo mas nada me ocorria.

– Querias que eu fosse ter com ela, é isso?

– Ela anda triste, sabes? Acho que... Ela está triste comigo. Não lhe digas que te contei, mas... Eu percebo que... Ela sente a falta de alguém. Está sempre sozinha agora. Acho que ela acha que já não gosto dela. Que tu já não gostas dela.

Não me mexi. Aos poucos, começava a perceber o que a Wendy estaria a tentar fazer. Pelo que podia entender, ela ainda não desistira de ver o pai e a mãe juntos, aproveitava qualquer das oportunidades que lhe parecessem de feição para fazer o Jellal perceber a falta que me fazia. Deixei-me chorar, apenas. No final... Eu estava errada em ter ciúmes dela, certo? Porque... Ela só queria que tudo voltasse ao normal... E só eu é que ainda não tinha chegado a essa constatação da realidade.

– Wendy... Escuta...

– Ela diz que não, que está tudo bem, mas... Mas eu sei. Ele conheço os olhos tristes dela. – Percebi a sua pausa por meio de todo aquele discurso, anterior a um suspiro. – Eles sempre foram tristes, só que... Agora parece que... Piorou. Piorou muito. Eu tenho medo, papá... Tenho medo que ela não consiga aguentar pensar que está a perder-me também. Que ela volte a fazer aquelas asneiras. Tenho medo de perder a minha mãe. Tenho medo de perder-vos aos dois.

Não consegui ouvir mais nada. Totalmente derrotada, limitei-me a terminar de seguir o caminho que me restava até chegar ao quarto. Fechei a porta, indo esconder-me ao lado da cama, deixando o meu corpo encolher-se no chão enquanto a minha cabeça se escondia nos meus braços. Solucei. Solucei muito.

Sabia que tinha sido eu a culpada por deixar que a Wendy se afastasse de mim assim. Eu própria lhe tinha pedido para não o deixar sozinho, se um dia ele regressasse. Ela só estava a fazer precisamente o que eu a fizera prometer. Não era culpa dela, e sim minha, que ele já não me quisesse a mim por perto.

Tremi só, completamente gelada. Até que ponto conseguia um corpo continuar a sobreviver com a alma morta, o coração destruído, e a sua única fonte de calor a léguas de distância? Durante quanto tempo conseguia um corpo suportar a solidão e o frio? Quanto tempo mais é que eu ainda conseguiria aguentar toda esta tortura? Sentia a falta do calor dele. Um calor que eu havia perdido, que já não era, de todo, meu.

Acabei por me deitar no chão, abraçando a almofada contra o peito. Ainda me lembrava... De dormir assim no peito dele. Quando éramos crianças. De como eu tinha tanto medo do escuro e ele deixava sempre que eu o abraçasse na penumbra. O frio daquele soalho era tão semelhante ao do orfanato...

Senti-o puxar-me devagarinho contra o peito dele. Ainda me sentia zonza devido ao efeito dos medicamentos, gelada por estar a dormir no chão sem qualquer espécie de pano quente que me cobrisse. Não me mexi, apesar de sentir dores horríveis quando ele tentou passar a mão nas minhas costas, ao certo procurando a zona onde havia sentido as pancadas que a bengala do Brain me haviam deferido.

– Hm...

Ainda sentia tudo. Sabia no estado em que as minhas costas se encontravam, especialmente ao nível dos rins. Há horas que não conseguia sequer mover-me. Mas a voz dele conseguia sempre acalmar as minhas dores.

– Schh...

Senti a mão dele passar pela minha barriga, trazendo-me mais de encontro a ele. Deixei-me ir, como se aquele carinho com que ele me tratava naqueles momentos fosse a única salvação para as minhas mazelas.

Aos poucos, fui acordando. O efeito dos medicamentos começava a extinguir-se e a zona mais magoada voltava a inundar-me de motivos para gritar durante horas, tais eram as dores acentuadas que eu sentia nela. Mas eu não iria gritar. Não. Eu era forte. Não podia reagir. E, por isso, e para ele não perceber que ainda me doía tanto, limitava-me a não abrir os olhos, não deixando assim que ele visse a verdade dos meus sentimentos neles.

– J-Jellal...

– Schh... Calma... – Ouvi-o só segredar-me ao ouvido, a sua mão acariciando a minha levemente, como que adivinhando, mesmo apesar da minha capa de durona, a pressão dolorosa que as minhas costas sentiam naquele momento. – Doi muito?

Limitei-me a abanar a cabeça, negativamente.

– De certeza?

Fiz o mesmo de novo, repousando a cabeça no ombro dele apenas, após sentir os seus lábios beijarem o meu ombro devagar. Aos poucos, deixava de sentir frio devido ao facto de ser o corpo dele amparar o meu, naquela noite gelada.

– Erza...?

Despertei com a voz dele ao meu lado, levantando a cabeça da almofada e achando-o ajoelhado no chão, mesmo ao meu lado. Voltei a afundar-me, escondendo a cara de novo no mesmo sítio, como que a desprezar a dura realidade. Já nada era como antes. Então... O que raio estava ele a fazer ali? Já não chegava o quanto me ignorava, o quão sozinha eu estava? Que é que ele queria agora? Rir-se de mim? Agora que já tinha conseguido que eu pagasse por tudo o que o tinha feito passar? Era isso?

Só me encolhi de novo.

– Vem cá... Estás gelada, caramba.

Senti a mão quente dele passar calmamente no meu ombro, tentando que o meu corpo se virasse na sua direcção. Deixei-me ir, ainda desfeita em lágrimas, soluçando sem parar sempre da mesma maneira. Escondi mais a cara. Não fui capaz de fazer mais nada.

– Vem...

Abracei o seu pescoço quando ele me ergueu no colo, sentindo-me ser pousada devagar na cama depois. A mão dele acariciou os meus cabelos, enquanto eu tentava esconder a cara novamente na almofada. Tremi só. Eu... Já tinha aprendido a lição. Eu não aguentava tanto como ele. Só não queria... Estar sozinha. Doía.

– Erza... Olha para mim...

Continuei a senti-lo acariciar-me os cabelos, lentamente. Virei-me na sua direcção, aos poucos, mas sempre sem olhá-lo. Contive-me só para não soluçar mais, algo que deixei de conseguir fazer no preciso momento em que ele me puxou para o seu peito e me abraçou contra este. Como costumavamos estar antes. Quando tudo estava bem. Quando eu era feliz. Quando sorria. Quando... Quando me sentia completa, apesar de não ter nada.

– Schh... Vem cá. Estás gelada, de novo.

Não parei de tremer. Já não me sentia completa, agora. Sentia-me tão... Perdida. Tão mal, tão... Sozinha.

Os lábios dele encontraram o meu rosto, beijando-me na bochecha devagar. Por momentos, o meu corpo tremeu, a minha mente viajou pelo passado. Um passado que eu já não podia voltar a ter mas que ainda deixava saudades, à minha pele fria e ao meu coração ferido. Os meus braços queriam rodear o corpo dele, abraçá-lo como antes, buscar o seu calor. O meu corpo queria voltar a viver, a sentir o calor do seu. Mas eu não queria ser rejeitada, outra vez. Doía demais pensar que poderia voltar a sê-lo se me aproximasse.

– Se... Se quiseres podes abraçar-me... Eu... Estou sempre quente... – Ouvi a voz dele dizer, apenas. – Ainda te deves lembrar disso, acho eu.

Só me encolhi mais.

– N-Não q-... Não quero f-forçar-te a nada... J-Jellal... – Confessei baixinho, sem conseguir dizer o que mais quer que fosse. As lágrimas, insistentes, continuavam a marcar posição na corrida pelo meu rosto. – Eu n-não... Não aguento mais... N-Não a-aguento...

Ele suspirou.

– Definitivamente, o gene da teimosia que a Wendy herdou é o teu... – Disse ele, no mesmo tom. – Eu vim para aqui porque quis. Agora abraça-me duma vez, sua teimosa.

Os seus lábios voltaram a encontrar a minha testa e os braços rodearam-me a cintura, puxando-me para si. O meu corpo aqueceu, finalmente, aos poucos.

Notas finais
[Notas da NanamiUchiha >>>] Ohhh *-* :batendo palmas deste lado: Finalmente, finalmente, finalmente!! Bem... Não foi um beeeeeeeeeijo nem uma declaração mas *-* Ele foi dormir pro pé pela *-*!! Agora, parou o ataque de fangirl histérica, acho que já deu para perceber que eu adorei este Capítulo, certo :P? Eheheh, o que é que eu irei tramar no Capítulo seguinte :P? Esperem para ver ^-^ Entretanto leiam, comentem, partilhem... O costume :) E até à próxima o/