Love And Future Paths
3 Capítulo 3
Ao longo de seu treinamento com Layla, seus pensamentos perante a ela se intensificavam. Ao admirá-la treinando, se perdia. Ao tentar se concentrar, hesitava por ouvir broncas dela, as quais alegavam \"falta de profissionalismo\". Irritava-se com isso, mas a olhava diferente, no momento em que seus olhos encontravam os dela.
\"\'Prepare-se para ficar fascinado pelo demônio\'... Foi isso que ela disse... Ela concluiu o que eu pensei na época da Técnica Angelical... Ela era o demônio que Sora precisava para conseguir ser um anjo... E foi a responsável pelo melhor dos aplausos...\", pensava ele, enquanto treinava com ela. \"Será que foi isso...? Foi isso que me fez...?\"
- Mais rápido! — Leon berrou para ela, para cortar seus próprios pensamentos. Finalmente, após dias e dias de treino, deu uma ordem a ela. Layla sorriu e ele hesitou.
- Pensei que jamais me daria ordens, Leon! — disse ela, enquanto saltava nos trapézios rapidamente, fazendo as acrobacias planejadas por ela para a peça. Yuri, sempre presente, agia profissionalmente, como se nada acontecesse.
No mesmo dia, largou-se na cama, em casa.
\"Isso não pode ser verdade... É impossível que seja isso... Yuri notou, sei que notou. Não é idiota\", pensou ele, olhando para o teto. \"Layla... Se eu disser, você vai me ouvir...? Impossível... Inalcançável...\".
Último momento: temporada da nova peça. Estréia, feita com perfeição, por cada um do elenco, inclusive pelos protagonistas. Leon foi além das expectativas, mostrando mais paixão do que nos ensaios, especialmente nas primeiras cenas, quando conhece a princesa, o que assustou alguns indivíduos do elenco e dos bastidores. Ao terminarem a peça, Layla foi ao encontro dele.
- Não pensei que poderia atuar tão bem, Leon. Pensei que o motivo pelo qual estivesse no palco era a falta de escolha em me ter ou não como parceira — disse Layla, provocando-o.
- Não, Layla, engano seu. O motivo pelo qual estou no palco é outro agora. Aliás, são outros...
- Quem sabe, um dia, eu o entenda, não é mesmo? Porque, por enquanto, fico contente e grata pela atuação que você fez no palco. — ao dizer isso, Layla se afastou. Leon não a impediu. Estava alterado, hesitado e confuso. Quando finalmente decidiu ir atrás dela na área mais escura do palco, deparou-se com uma Layla nos braços de um Yuri. Deu meia-volta e fugiu. E essa cena se repetiu ao longo de toda a temporada da peça. Exatamente a mesma coisa. Um Leon depressivo e ausente surgia.
Três semanas e meia se passaram e a peça só gerou elogios. Não houve erros graves durante a peça (exceto quando Leon esquecia-se de atuar em pleno palco quando começava a admirar Layla e mergulhar em pensamentos) e quase não havia críticas negativas a respeito da mesma. No dia da última apresentação, porém, um grande e grave imprevisto aconteceu.
Uma Layla extremamente furiosa, já vestida para a apresentação, passava pelos corredores, à procura de confusão e respostas. Foi ao encontro de Kalos, no backstage principal.
- ONDE ELE ESTÁ?! — gritou ela, aproximando-se de Kalos.
- Layla... — Kalos tentou falar, mas foi interrompido.
- Não pense que Leon irá se safar dessa vez, Kalos! Desde a estréia, ele vem decaindo em suas apresentações! O que ele pensa que é, para, desta vez, abandonar o elenco desse jeito?! Você já me impediu de falar muita coisa para ele, mas desta vez, já é demais! É inaceitável!
Kalos estava mais calmo do que o de costume. Fazia isso quando, inevitavelmente, alguém estava furioso e discutindo com ele.
- Layla, você pode...?
- Não me peça calma! Temos 10 minutos para a peça começar! Como quer que eu tenha calma com a falta desse... Desse imprestável?!
- Eu já pedi para... — Kalos tentava dizer, mas Layla o impedia.
- Eu NÃO quero saber, eu vou...
- LAYLA! — gritou um Yuri, também já vestido para a peça, atrás dela, interrompendo-a. Esta parou, um tanto assustada e se virou para Yuri — acalme-se.
- Posso saber por que tanta calmaria por aqui, sendo que estamos com um grande problema?! — disse ela, relativamente mais baixo, porém, ainda com extrema censura na fala.
- Porque já temos um substituto — respondeu Yuri, tão calmo quanto Kalos — Ou melhor, uma. Anna fará o papel do segundo príncipe e ela já aceitou a proposta porque prestou atenção nos ensaios. É a última apresentação, não tem motivos para se preocupar tanto.
Layla o fitou com uma sombrancelha levantada. \"Nem que fosse uma apresentação de cabaré, eu iria ficar calma desse jeito, com falta no elenco!\", pensou ela. Fechou os olhos e respirou fundo.
- Ótimo — disse secamente, olhando para o relógio de parede ao seu lado e indo embora — 6 minutos.
Ao ver Layla a uma distância razoável, Yuri se aproximou de Kalos.
- Sorte nossa que é a última apresentação e que Anna aceitou o papel — comentou Kalos
- É... Caso contrário, eu teria de concordar com o estresse dela. — Yuri também comentou e sorriu de leve, indo em direção às cortinas principais.
Apesar do imprevisto, a peça correu no horário marcado e Layla não se irritou mais. Pelo contrário, fez uma apresentação quase perfeita. Tanto, que não parecia ter se irritado tanto há momentos atrás.
- Parabéns a todos! — disse Ken, chegando no backstage — O público ficou mais do que satisfeito. Foi ótimo!
- Obrigado, Ken — Yuri respondeu — E quanto ao Leon?
- Ele não apareceu ainda — respondeu Kalos. Ken voltou-se à Anna e a parabenizou também.
- Já era de se imaginar. Tratando-se dele... — Layla disse, saindo do backstage e fazendo uma pausa — Eu vou me trocar, com licença.
- Essa Layla... — Kalos comentou.
- Eu sei. — concluiu Yuri, sorrindo e admirando-a — Por isso gosto tanto dela.
Kalos deu um sorriso quase nulo, o que já era raro de se acontecer, mas não comentou nada.
- Vamos, temos fãs esperando. Layla virá depois. Sabe como ela é.
- Sei sim — disse Yuri, saindo do backstage junto ao resto do elenco principal e caminhando em direção à entrada do Kaleido.
Duas garrafas de whisky derramadas no chão. Uma terceira, meio cheia, em cima de uma mesa baixa. O forte cheiro da bebida derramada, porém, não era o suficiente para levantar um Leon bêbado no chão, confuso e meio acordado. Havia se trancado em uma pequena sala que estava em desuso do Kaleido Star horas antes da peça começar e bebido mais da conta. Um motivo aparentemente óbvio para tal ato.
- Layla... — sussurrou ele, quase que inaudível. Abriu os olhos e se sentou com dificuldade. Mal sabia onde estava. Olhou no seu relógio de pulso. Já era noite. — A peça...
Falava sozinho, mas não raciocinava quase nada direito... Nada que não tivesse a ver com Layla.
\"Ela deve estar furiosa...\", pensava ele, se levantando e cambaleando para o lado. \"Mas vai ter que me ouvir... E será agora...\".
Pegou a garrafa meio cheia e a taça que estava ao lado da mesma, abrindo a porta do lugar onde estava e indo em direção aos camarins.
Fale com o autor