Love
7 Você sabe que você se importa
Notas iniciais
Desânimo, desânimo era a única coisa sentida por mim desde o momento em que eu abri os olhos. Ethan não estava mais ali, talvez tivesse saído, mas eu realmente não me importava. Eu estava cansada e desgastada. Nada estava certo.
Levantei sem força alguma para tal coisa e vaguei em passos lentos pela casa silenciosa. Soprei o nada enquanto prendia o meu cabelo em um coque mal feito. Um cheiro doce entupiu minhas narinas me fazendo delirar em poucos segundos. Ethan estava em casa.
Desci as escadas devagar e sentei no último degrau encarando Hill.
– Oi — falei encarando o teto cinzento acima de nós.
– Ah, oi Mel — Ele sorriu. — Algo errado?
Havia algo errado? Eu não sabia, eu não lembrava.
– não sei, algo errado?- Perguntei confusa. O garoto sorriu e sentou-se ao meu lado.
– Diz você- Ethan disse rindo.
– Não, sério, não lembro, algo errado? — perguntei mais séria que antes.
– Ué, creio que não
– Ah sim! — Respondi sorrindo — Então tá!
– Você está louca? — Ethan me encarava. — Mellissa, como pôde esquecer do nada das coisas?
Sorri sem motivo algum.
– Eu não..Sei! — Disse rindo
– Vem aqui..- Ele falou me abraçando de lado. — Acho que isso é culpa do que aconteceu ontem.
– Estou com fome. Vou deitar, leva para mim? — Perguntei sorrindo.
– Sim. Me espere lá, trouxe comida pronta. Só vou servir! — Ele gritou enquanto eu me jogava em minha cama. Alguns segundos depois Ethan apareceu com tacos e macarrão depositados em um prato de vidro transparente. Ele deixou o mesmo em minhas pernas e deitou-se ao meu lado deixando um breve beijo em meus lábios.
– Está melhor? — Hill me olhava com afeto.
– Estou bem. — respondi. Comi apenas um taco e deixei o prato com o resto no criado-mudo. Ethan me encarava curioso, o garoto deitou por cima de mim enquanto beijava todo o meu rosto. Eu tentava não ceder. Hill sorriu e avançou em meus lábios me beijando com vontade. Eu retribui mordendo seu lábio inferior devagar. Ethan deslizava seus dedos pela alça de meu sutiã enquanto acariciava minhas coxas com a outra mão.
Mas eu não conseguia prosseguir com aquilo. Empurrei o ser de lado e sentei sentindo meus olhos arderem.
– Vou sair. — Foi a única coisa que consegui dizer para logo em seguida eu vestir o primeiro vestido que eu havia visto pela frente. Eu só precisava sair dali.
**
Eu andava devagar e em mínimos passos, eu estava um caco. Estava triste e destruída. Eu estava na beira de um precipício, literalmente. O mar estava lindo.Eu podia ver a água se movimentando com força, as onde se quebravam na metade do caminho. Me jogar desse lugar me parecia tão apetitoso, um convite irrecusável. Mas eu não o faria.
**
Eu estava em casa, Ethan não estava aqui. Eu estava com uma lâmina que fora retirada de um aparelho de barbear em minhas mãos, ela estava brilhante e novinha. Eu já não aguentava mais.
Minha morte iria deixar meu pai feliz, pois ele adoraria saber que a filhinha que ele abandonou morreu, eu iria para perto de minha mãe e Ethan ficaria livre de uma problemática filha da puta.
Eu disquei o número de Ethan com rapidez, depois de dois toques ele atendeu desesperado.
– MELLISSA, ONDE VOCÊ ESTÁ? ESTOU CHEGANDO, TÁ? — Gritos e gritos...
– Shh.. Estou em casa agora,pássaros são tão livres... Sabia? — Sorri — Quero ser igual eles, Hill. — Falei deixando algumas lágrimas escaparem. — Eu te amo
– Mel, escuta. Você é livre. Eu tô bem perto, me espera chegar aí. Em dois minutos eu chego e nós conversamos sobre o quão livre você é.
– Você não entende? Meu pai me largou, minha mãe morreu. Eu sou a filhinha recusada, a odiada. — Disse irritada chorando — Eu não tenho ninguém e ninguém precisa de mim.
– você tem à mim...Merda, merda! Mel, estou chegando. Por favor. Eu preciso de você.
Eu não consegui responder então eu desliguei na cara de Hill. Sorri engolindo o nada, tentando tirar o nó de minha garganta e me lembrando de tudo.
Eu preciso ser livre. Livre.
Pousei a lâmina afiada em minha veia, afundei-a em minha pele e senti ela a cortar de um jeito delicado, cortar minha dor interna. O sangue começou a escorrer por todo o meu braço e tudo começou a ficar escuro lentamente...
POV Ethan
Ela iria se matar, eu não podia perde-la. Mellissa era tudo o que eu tinha e eu a amava mais que tudo.
Corri até o quarto onde Mellissa estava, mas ela não estava lá; Fui com rapidez até o banheiro, mas já era tarde. Ela estava morrendo.
– MEL! — Gritei;
Eu não queria saber de mais nada. Ela estava pálida e desacordada.
Não, não!
Puxei seu corpo para mim e a carreguei. Deitei Mellissa com cuidado na cama. Ela não estava respirando direito.
– NÃO! MAS QUE PORRA, MELLISSA. — Gritei chorando. Eu não havia perdido a minha garotinha...- Por favor — indaguei — Acorda. — lágrimas, quem diria, Ethan chorando por uma garota. — Mel..
– Des...cul...pe — Ela tentou falar.
Liguei para o hospital o mais rápido que pude e rezei para que eles conseguissem ajudar.
**
Já havia se passado quase duas horas, Mellissa estava com curativos em seu pulso costurado. Uma cicatriz enorme a marcaria para sempre.
Eu estava tão confuso, tão nervoso...O Doutor permitira minha entrada ao quarto da garota. Levantei devagar e andei até o local. Ela estava com vergonha de ser vista, ela estava triste.
Mellissa virou seu rosto para o lado e entrelaçou nossas mãos enquanto deixava lágrimas descerem por seu rosto, e eu estava no mesmo estado que ela. Eu a amava mais que tudo. Tubos a ajudavam a respirar, os médicos mantinham-na saudável com soro. Era difícil demais vê-la se afundando dentro de seu próprio mundo.
– Eu te amo muito, desculpa, desculpa, desculpa...- Disse ela rápido — Eu não sei lidar com isso.
Deixei mais lágrimas descerem por meu rosto.
Mellissa Müller queria me deixar louco?
– Eu também...Te amo — Respondi apertando mais sua pequena mão gélida.
"Você sabe que você se importa..."
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