Notas iniciais
Oii Cupcakes ♥! Muito obrigada por todo o carinho que me deram no capítulo passado. Eu estou bem melhor sim. Obrigada de verdade pela preocupação. A única parte triste é que eu estou sem notebook, então estou escrevendo pelo celular. Por isso, pode ser que tenha alguns erros. Peço que me avisem se encontrar alguma coisa. Muito obrigada de verdade por todo o carinho. Espero que gostem do capítulo. Muito obrigada AndreaNeves, Samantha, thais oliveira e Mari. Vocês são muito maravilhosas. Espero que gostem do capítulo. Boa leitura...

ROMANCES MENSAIS

LIVRO VIII – LOUCURAS DE AGOSTO

CAPÍTULO X – REUNIÃO

A tensão era quase palpável. Eu me sentia em meio a um campo minado, onde qualquer passo dado de forma descuidada resultaria em uma furiosa e aniquiladora explosão. Observando cuidadosamente o ambiente, eu sentia como se estivesse diante de fusões nucleares que criavam uma pressão para fora, ao mesmo tempo em que a força da gravidade daquelas duas violentas ideologias que se chocavam me pareciam prestes a absorver todos a sua volta como um grandioso buraco negro.

Tento me manter o mais discreto possível. Eu sentia que se eu respirasse um pouco mais alto, acabaria sendo envolvido. E sinceramente, diante de tanta fúria e olhares assassinos, a última coisa que eu planejava era ser pressionado a escolher um lado naquela discussão que na minha visão não passava de bobagens.

— Retire já o que você disse! – Exige Carly, batendo os punhos sobre a mesa. Depois de se levantar bruscamente e acabar derrubando sua cadeira. Pego minha caneca de café no mesmo instante, temendo que ela acabasse se quebrando com a brutalidade dos golpes.

— Você precisa aceitar a verdade. – Retruca Gibby do outro lado da mesa, cruzando os braços, enquanto exibe um sorriso irônico.

Os outros enfermeiros que nos rodeavam encaravam o casal completamente perdidos, afinal, os únicos que entendiam o idioma eram Carly, Gibby e eu. Permaneço em silêncio, bebendo meu café calmamente. Ainda eram seis horas da manhã e a letargia matinal ainda tinha grande controle sobre mim. Vejo algumas pessoas preocupadas com o desenrolar da confusão e eu apenas nego, dizendo silenciosamente para que apenas ignorassem.

— Sorvete de choco-menta tem gosto de pasta de dente. – Gibby repete a frase que deu início a toda discussão infantil e estúpida entre meus melhores amigos.

Carly o encara ainda mais furiosa, fazendo com que o sorriso do namorado se ampliasse. É claro que ele estava se divertido. Aparentemente, ele adorava ver Carly irritada. Segundo Gibby, ela se tornava adorável e ele não conseguia parar de se divertir com as caras e bocas que a garota fazia sempre que a tiravam do sério.

— Isso é sempre o que as pessoas que não comem sorvete de choco-menta dizem! – Carly aponta o dedo para o rosto de Gibby, faltando pouco para bater no rapaz por ofender o seu sabor de sorvete favorito. – Por mais que seja culpa do seu paladar de lixo que você não consiga comer sorvete de choco-menta, covardes como vocês sempre julgam a menta rápido demais! “Aí, Carly, isso não é só pasta de dente sabor chocolate?”, “De jeito nenhum isso pode ser bom!” ou “Por que você só não come paste de dente congelada, então?”. Idiotas! Babacas!

— Carls! Menos, por favor. – Resmungo, vendo que seu volume já começava a extrapolar o limite aceitável. — As pessoas estavam começando a achar que vocês realmente estão brigando por algo sério.

— É algo sério! – Responde Carly, irritada. Reviro os olhos ao ouvir a risada debochada de Gibby, que só funciona como combustível para a cólera desfreada da psicóloga. – Vocês não entendem como é humilhante ser zoada por idiotas que não sabem a diferença entre pasta de dente e comida! A brigada de pobre paladar anti-choco-menta prefere viver na ignorância ao entender que menta não tem gosto de pasta de dente. Pasta de dente é que tem gosto de menta! Idiotas! Perdedores sem paladar! Se ao menos experimentassem a soberania desse sabor divino. Em uma simples mordida, o sabor cortante e refrescante de menta preenche sua boca e as gentis gostas de chocolate se dissolvem lentamente. E logo o sentimento relaxante que faz você querer dar outra mordida desperta em você. Então não importa o que vocês digam, sorvete de choco-menta é delicioso.

— Quanto choro. Aceite de uma vez que qualquer sorvete é melhor que choco-menta. Só pessoas estranhas gostam desse sabor horrível! – Responde Gibby, levantando-se também. Carly estava pronta para responder a ofensa do namorado quando eu decido que aquela discussão ridícula já tinha ido longe demais.

— Já chega vocês dois. Estão piores que os pacientes. Eu só perguntei qual o sorvete eu deveria comprar para minha casa. Então parem de agir como crianças do primário e vamos falar do que realmente importa. – Utilizo o mesmo tom de voz firme e claro que uso com meus pacientes para controlar meus melhores amigos. Carly e Gibby se encaram por alguns instantes e voltam a se sentar. Suspiro e me aproximo deles, aproveitando que os outros três enfermeiros que ainda restaram na sala agora pareciam concentrados na reportagem que passava na televisão. – Hoje iniciaremos tudo. O diretor já está de olho em mim e Claude parece cada vez mais inspirado a descobrir algo que me prejudique, então precisamos tomar muito cuidado com o que fazemos daqui para frente.

— Por que o rabugento do Claude não gosta de você? Tudo bem que ele não gosta de ninguém, mas ele parecer ser ainda mais cruel quando está perto de você. Mesmo antes do diretor o convocar para se tornar o segurança de Sam, ele sempre agia como se quisesse te atingir. – Comenta Gibby, pensativo. – Você fez alguma coisa para ele?

— Não. Mas meu pai fez. – Respondo, surpreendendo meus amigos.

— O que o tio Leonard fez com ele? Pensei que Claude tivesse uma idade mais próxima a nossa. Vai me dizer que toda a crueldade dele se reverte em Ácido Hialurônico? – Questiona Carly, surpresa. Gibby e eu a encaramos sem entender o que ela queria dizer. – Vocês sabem. O Ácido Hialurônico quando aplicado no rosto através de cremes, ele reduz a flacidez e os vincos que se formam ao redor dos olhos e da boca. As famosas linhas de expressão. Rejuvenesce a pele. Acaba com o bigode chinês e os pés de galinha.

— De qualquer forma, a família de Claude se envolvia em alguns esquemas ilegais. Eu não sei muitos detalhes. Eu era muito novo quando tudo aconteceu e meu pai me contou muito superficialmente sobre o caso da família Dupont. Mas tudo o que eu sei é que o pai, avô, os quatro tios e os dois irmãos mais velhos de Claude acabaram sendo presos. Depois que eu vim trabalhar aqui e descobriu que eu era filho do homem responsável por prender sua família, ele decidiu transformar minha vida em um inferno. – Conto aos meus amigos, dando de ombros. – Mas não se preocupem. Ele é o menor dos nossos problemas.

— Não conseguiu fazer o aparelho que você disse que ia precisar para bloquear as câmeras de segurança e possíveis escutas na minha sala? – Carly me encara com preocupação. Olho em volta para ter certeza de que ninguém prestava atenção em nós e sorrio, negando.

— Consegui. Mas eu tenho quase certeza de que Claude e Adrien não são os únicos que estão de olho em mim. – Digo, expondo o que vinha me incomodando nos últimos dias. – Isso significa que não podemos confiar em ninguém.

— Temos a vantagem de falarmos sempre em inglês, então eles provavelmente nunca irão desconfiar do qur estamos fazendo. – Responde Gibby e Carly me encara com seriedade.

— Não necessariamente estamos em vantagem. Isso é apenas uma suposição, mas ainda que não entendam tudo o que estamos dizendo, o inglês ainda é um dos idiomas mais falados do mundo. As chances de compreenderem frases curtas ou conseguirem traduzir nossas conversas são enormes. Além do fato de que qualquer comportamento incomum será notado facilmente, já que somos os alvos e as pessoas devem estar de olho em nós. Por isso, os únicos lugares que estaremos à salvo para conversar serão em nossas casas e em meu consultório com as devidas providências que planejamos. – Explica Carly, sabendo exatamente o que me preocupava. – No entanto, temos que levar em consideração que para usar a passagem secreta, vocês terão que seguir por um caminho atípico e ainda terão desaparecido ao mesmo tempo. Quem estiver de olho em Freddie pode acabar descobrindo a passagem secreta. E também teremos que ter muito cuidado com o volume de nossas vozes quando todos estiverem reunidos no consultório. Infelizmente, a audição aguçada de Claude é um grande problema também. Se ele ao menos desconfiar da presença de vocês no consultório, o plano inteiro irá por água abaixo.

— Eu... não tinha pensado nisso. – Comenta Gibby, surpreso pelos pontos destacados por Carly.

— É por isso que eu sou o cérebro e você o coração da nossa relação, querido. – Afirma Carly, acariciando o rosto do namorado. — Porque se dependessemos de seu raciocínio lógico, nós não estaríamos mais trabalhando aqui. Mas não se preocupe. Você é lindo.

— Obrigado, linda... Espera. O que quer dizer com isso? – Pergunta Gibby, um pouco ofendido. Rio e encaro Carly com um sorriso divertido.

— Você é a única pessoa que acha Gibby lindo, Carls. — Ele é no máximo simpático. E isso forçando bastante. — Comento e ela dá de ombros, enquanto esboçava a sua expressão de quem não se importava com os meus comentários. Gibby me encara com a mão no peito.

— Eu pensei que você fosse meu amigo. — Resmunga Gibby, fazendo bico. No entanto, vejo o brilho divertido em seus olhos.

— E é exatamente por ser seu amigo que eu preciso ser sincero com você. — Brinco e bebo o restante do café em minha caneca.

— Está bem, galã de Hollywood. Você pode ter a beleza, mas eu namoro a mulher mais inteligente, sexy e bonita do universo. — Gibby se gaba de Carly, fazendo a garota abrir um largo sorriso, convencida.

— Meu namorado é tão fofo. — Comenta Carly, deixando um selinho nos lábios de Gibby em seguida. Eu os observo fingindo estar com tédio, mas no fundo, eu estava realmente feliz por os vê juntos.

— Tudo bem que ela tem um gosto terrível para sorvetes...

— Gibby! — Carly repreende o namorado com a voz mais aguda que o normal. Ele apenas ri, divertindo-se com a dramática reação da garota.

— Mas de qualquer forma, eu tenho uma deusa comigo. Por outro lado, você não tem ninguém. Então quem é que ganhou essa, Leonardo DiCaprio francês? — Ironiza Gibby em tom divertido e eu ergo minhas mãos em sinal de rendição.

— Ah, eu não teria tanta certeza assim, querido. — Afirma Carly, encarando-me com malícia. — Freddie tem uma certa loira de olhos azuis, rosto angelical e personalidade única. Eles até mesmo transaram no banheiro de um avião. Tudo o que falta agora é o Freddie deixar de ser um bunda mole e dizer para ela tudo o que ele sente.

— Você tem razão. — Concorda Gibby, trocando sorrisos cúmplices com a namorada. Reviro os olhos diante de tanta insistência. Carly não sabe mesmo quando desistir.

— Vocês são muito irritantes. Eu já falei que isso não tem nada a ver. — Resmungo, levantando-me para lavar minha caneca e guardar no armário.

— Eu já te disse isso antes, Freddie. Você não pode fugir de seus sentimentos. — Afirma Carly, apoiando o cotovelo sobre a mesa, enquanto o queixo vai sobre o punho. — Por que não para de negar o óbvio e se confessa para ela? Eu tenho certeza de que ela ama você também.

— Eu preciso voltar ao trabalho. — Aviso, enquanto guardo a minha caneca. Aquele era a minha forma de encerrar o assunto e eles me conheciam muito bem para saber que eu não voltaria a responder naquele momento qualquer comentário relacionado a Sam. — Gibby, nós nos encontramos no lugar e horário combinado.

— Tudo bem, Freddie. — Responde o rapaz, após um longo suspiro e me lançar um olhar cansado e preocupado. Carly continuava a me encarar com insatisfação.

Aceno para os dois em despedida e saio o mais depressa possível da sala de descanso em direção a farmácia do hospital para preparar os medicamentos dos pacientes. Por mais que eu soubesse que eu estava sendo um covarde por evitar tocar no assunto, meu orgulho ainda me impedia de externar aquele sentimento intenso que estava cada vez mais difícil de ignorar.

Procurando afastar todos os pensamentos que me atormentavam naquele momento, volto a repassar o plano do dia em minha mente. Não seria fácil escapar dos olhares desconhecidos de nossos vigilantes para seguir ao local inicial da passagem secreta, mas não tínhamos outra opção. Teremos que nos arriscar se quisermos tirar Sam do Troubled Waters.

[...]

— Você tem certeza de que estamos no caminho certo? — Questiona Gibby pelo que deveria ser a centésima vez naquele desde que começamos a engatinhar pelos dutos de ventilação do hospital. O local era bastante apertado e eu precisava me controlar bastante para não espirrar pela poeira e acabar revelando nossa localização.

— Sim. Eu tenho. — Respondo, pegando o diretor a direita, enquanto observava o GPS do meu celular que nos conduzia.

Não era uma passagem secreta segura e os labirintos que nos rodeavam dificultava e muito a nossa ida para a sala de Carly. No entanto, logo abro um sorriso ao ver que estávamos à dois metros de distância da sala de Carly. Paro de engatinhar e viro para meu melhor amigo, que estava pronto para me questionar mais uma vez. Faço sinal para que ele ficasse em silêncio e exibo a tela do celular para que ele entendesse que a partir daquele momento nós precisávamos ficar em silêncio.

Encaro meu relógio e o opero para que funcione como uma interferência no sinal de transmissão das câmeras de segurança do consultório de Carly. Gibby e eu voltamos a nos aproximar, agora muito mais confiantes. Assim que chego à saída de ar do consultório de Carly, fico no lado oposto de meu melhor amigo e observo as duas garotas lá embaixo.

Faço um sinal de alerta para Gibby, que assente, e empurro para baixo a grade de proteção que funcionava como janela. Com ela presa em um dos seus lados, apoio uma de minhas mãos na grade a outra na beirada do duto de ventilação. Cuidadosamente, começo a descer, usando as forças dos meus braços para apoiar meu corpo. Respiro fundo algumas vezes, tentando suportar o peso. E assim que sinto que a distância entre meus pés e o chão diminuíram, solto a grade de proteção e a beirada, aterrizando sem grandes problemas.

Carly e Sam se levantam e sorriem admiradas, principalmente a loira, que nunca tinha me visto fazer algo tão ousado quanto pular de um duto de ar. Lanço uma piscadela para ela, que me encara com os braços cruzados e sorriso divertido em seus lábios.

— Impressionada? — Ironizo, encarando Sam, que rir e suspira, negando.

— Eu diria que foi melhor do que o esperado. — Responde Sam, orgulhosamente. É claro que ela não iria confessar que eu tinha a surpreendido. — Até que você deu uma pequena e quase imperceptível melhorada no seu corpo desde quando era apenas um pirralho, nerd.

— Eu melhorei o meu corpo? — Comento com malícia e vejo os olhos da loira se arregalarem levemente, antes de sorri e dar de ombros. Sorrio mais, vendo que ela não voltaria atrás de sua palavra ou tentaria se explicar. — Achei que já tivesse notado isso naquele dia.

— Aquele banheiro estava apertado demais para eu perceber algo além do que estava no meio de suas pernas. — Retruca Sam e sua sinceridade repentina me pega de surpresa. Carly dá uma discreta risada e posso ver seus olhos brilhando em expectativas. — Não foi lá o mais impressionante, mas até que deu para o gasto.

— Não foi isso que pareceu quando você disse que não conseguia andar, porque suas pernas estavam bambas demais. — E meu comentário parece deixar a loira sem graça e eu finalmente posso ver suas bochechas ganharem uma coloração avermelhada. Carly ri mais uma vez, mordendo os lábios para controlar o gritinho que eu sabia que ela queria soltar.

— Sobre o que vocês estão falando? Eu não consigo ouvir nada daqui. — Fala Gibby, aproximando-se um pouco mais para conseguir ouvir nossos sussurros.

— Então a passagem secreta eram os dutos de ventilação do hospital. — Comenta Sam, encarando a entrada do duto de ar, ignorando completamente a nossa conversa anterior. — Imagino que usarei os mesmos recursos para escapar desse lugar.

— Exatamente. — Concorda Carly, sorrindo animada. — A ideia foi minha.

— Esse é o plano. Mas antes de explicar o plano com mais detalhes, Gibby precisa descer. — Digo, voltando minha atenção para Gibby, que parecia receoso. — Vamos, Gibby. Pode vir.

— Eu não sei se... eu consigo. — Confessa Gibby, dando um sorriso nervoso. — Aqui é muito alto e eu não tenho essa sua flexibilidade para descer tanto e depois pular.

— Vamos, meu amor. Eu tenho certeza de que você consegue. Não temos muito tempo restando já que vocês se atrasaram, então precisa se apressar. Desça, por favor. — Pede Carly, sorrindo docemente para o namorado, que suspira e parece indeciso sobre o que fazer.

— Tudo bem. Mas como eu faço isso? — Questiona Gibby, confuso.

— Faz como o nerd fez. Usa a grade de proteção e a borda da entrada do duto de ventilação para se apoiar e vai descendo devagar. E fala mais baixo que o troglodita está do outro lado da porta. Foi uma luta para a Carly convencer o idiota a não entrar no consultório. Se ele ouvir qualquer barulho suspeito, vai entrar aqui sem pensar duas vezes. — Sam repreende Gibby, que se encolhe um pouco e assente.

Gibby começa a se mexer com cautela no duto e desliza metade do corpo para fora dele. Sua respiração se torna pesada. Ele estava com medo. Era nítido pela forma como seu corpo tremia. Carly e eu prendemos nossa respiração, esperando que ele conseguisse descer sem acabar se machucando. Seguindo as orientações de Sam, vagarosamente, ele leva uma das mãos a grade de proteção e a outra ele começa a apoiar na borda do duto. E então vem a parte complicada. Usar apenas a força dos dois braços para segurar o corpo.

No momento em que ele começa a apoiar a descer, a grade de apoio se solta e Gibby acaba a deixando cair sobre a mesa de Carly, onde ocasiona em um alto estrondo e quebra alguns objetos de enfeite da psicóloga e derruba outras no chão. O grito de susto se prende em nossas gargantas ao ver o rapaz se segurando apenas por uma mão.

— Gibby! — Carly fica desesperada e tenta se aproximar do namorado, que felizmente consegue impulsionar o corpo e usar o braço solto para se segurar também na borda da entrada do duto de ar.

Dra. Shay? Está tudo bem? Que barulho foi esse? — Claude questiona em francês, dando batidas ritmadas na porta. Carly, Sam e eu nos encaramos sem saber o que fazer. Gibby continuava a segurar a beirada do duto de ventilação, mas eu sabia que ele não conseguiria segurar por muito tempo. — Eu vou entrar.

— Está tudo bem, Claude. Eu apenas tropecei em um livro que eu não vi que estava no chão e acabei caindo sobre a mesa, derrubando todas as minhas coisas que estavam nela. Não é necessário que entre. — Responde Carly, tentando disfarçar o desespero em seu tom de voz.

— Gibby! Deixa de ser medroso e desce logo daí. — Sussurra Sam, puxando a perna do enfermeiro, que deixa mais um grito escapar. — Cala a boca, idiota.

— Não me puxa. Não me puxa. — Implora Gibby, desesperado. — Não dá! Eu vou acabar me machucando ainda mais.

Que grito foi esse? Dra. Shay? O que está acontecendo? — Questiona Claude mais uma vez e vejo a maçaneta da porta se mexer.

— Ele vai entrar. — Sussurro, sentindo o pânico tomar conta de mim. — Sam e Carly se sentem em seus ligares. Gibby, você precisa pular agora. Eu prometo que vou te segurar.

— Não... — Choraminga Gibby, enquanto as garotas se sentam.

Você não precisa entrar, Claude. Esse grito foi a Samantha manifestando seus sentimentos. — Afirma Carly, tentando ganhar tempo. Ela se vira para Sam e a encara com urgência. — Grita.

— Está bem. — Concorda a loira, gritando logo em seguida.

Mas por que ela está gritando? E esse grito foi diferente do outro. — Claude continua a insistir, desesperando-nos ainda mais.

— Confia em mim, Gibby. Eu vou amortecer a sua queda e em seguida corremos para debaixo da mesa de Carly. Nós precisamos agir agora ou tudo o que planejamos terá sido em vão. — Imploro para meu melhor amigo, que me encara em pânico e assente, concordando.

Pego a proteção do duto de ventilação que estava sobre a mesa de Carly e ao ver a porta ser aberta, puxo o rapaz com mais força. Ele finalmente solta a beirada do duto e mordo os lábios para não fazer barulho quando meu corpo amortece o corpo de Gibby na queda. Sem dar tempo para ele pensar, empurro-o com a grade de proteção do duto e seguimos para a mesa de Carly, onde me escondemos.

O que aconteceu? — Claude escancara a porta e entrando no consultório. Gibby e eu ficamos encolhidos com as mãos na boca para que nossas respirações ofegantes fossem ouvidas.

Aperto ainda mais a grade de proteção do duto de ventilação que estava em minha coxa contra o meu peito. Com os olhos fechados, imploro a todas as divindades possíveis para que ele não notasse o duto de ventilação sem a grade de proteção ou a nossa presença.

Eu disse que não precisava entrar, Claude. Você sabe muito bem que não deve interferir em minhas consultas. Sabe o quanto é difícil fazer um paciente falar? Principalmente alguém tão fechado quanto Samantha! Saia do meu consultório imediatamente. — Exige Carly com autoridade.

— O que você quer, cópia mal feita do The Rock? Não está vendo que eu estou na minha sessão com a Carly? Vai embora! — Sam tenta expulsar o segurança também, tremendo as pernas tão freneticamente, que eu conseguia sentir a mesa balançar.

Não tentem me enganar. Eu sei que tem alguma coisa acontecendo aqui. Quando vocês menos esperarem, eu irei descobrir. E quando isso acontecer, prepare-se para dar adeus ao seu emprego. — Claude volta a fechar a porta com uma força desnecessária.

Babaca. — Resmunga Carly, furiosa. Ela então arrasta a cadeira para trás e nos olha com preocupação. — Vocês estão bem? Por acaso se machucaram?

— Estamos bem. — Garante Gibby, finalmente soltando o ar que estava preso em seus pulmões. Ele se levanta com a ajuda da namorada, enquanto Sam vem ao meu encontro para me ajudar.

A loira estende sua mão e eu a pego, usando-a como apoio para me levantar. Sinto uma dor aguda em minhas costelas e abaixo a cabeça, travando os dentes para não deixar que percebessem que eu estava machucado. No entanto, parece que meu gesto não passa despercebido por Sam, que ergue meu rosto e me analisa com preocupação.

— Onde você se machucou? — Questiona, encarando-me intensamente.

— Eu não estou machucado. — Minto e ela aperta mais o meu rosto.

— Não mente para mim, nerd. Eu sei que você se machucou. Você está tremendo e sua respiração está falhando. Onde você se machucou? — Sam repete a pergunta, tomando a pesada grade de minha mão com uma facilidade absurda.

Nesse momento, lembranças de sua força extraordinária quando criança retornam em minha mente. Ela coloca a grade no chão e passa a me examinar com os olhos atentos. Instintivamente, levo minha mão ao local que doía e ela ergue minha blusa para ver o hematoma que havia adquirido quando Gibby caiu sobre mim.

— Freddie. — Carly me encara assustada. Não era tão ruim assim. Só havia sido uma concussão que deixaria a região roxeada por alguns dias. Sam se aproxima para ver o machucado com mais atenção e vejo o brilho de culpa nos olhos de Gibby.

— Eu sinto muito, Freddie. A culpa foi toda minha. — Lamenta Gibby, cabisbaixo.

— Não foi nada demais. Não se preocupem. Eu só preciso colocar gelo e tomar um analgésico. Logo estarei novo em folha. — Afirmo, dando um sorriso para tranquilizar meus melhores amigos.

— Ele tem razão. Não quebrou nada. Eu já o deixei em estado pior quando éramos crianças. — Brinca Sam, mas posso ver como ela parecia tensa. Coloco a mão sobre seu ombro e ela me lança um olhar repreendedor. — Não faça idiotices como segurar uma grade de ferro com uma mão e tentar amortecer a queda de alguém de quase cem quilos.

— Eu estou bem. — Garanto, sorrindo para a loira, que suspira e assente, desviando o olhar.

— Eu sei. — Sussurra, voltando a levantar o olhar. Vejo um brilho de medo e preocupação passar pelos seus olhos. Ela pega em minha mão e engole em seco, como se estivesse tentando superar seu orgulho. — Apenas... tome cuidado. Eu... não quero que você... se machuque. Eu preciso de você.

— O quê? — Sussurro, surpreso pela forma como as palavras saíram de seus lábios. Ela arregala os olhos e sorri, nervosa.

— Eu quis dizer que eu... bem, eu... não posso sair daqui sem você. É isso. — Afirma a loira, rindo nervosamente. Ela então se vira para Carly, que abraçava Gibby e nos encarava com os olhos castanhos brilhando em euforia. — E então? O que estamos esperando? Vamos logo falar sobre o plano para me tirar desse lugar, afinal, nós não temos muito tempo.

— Claro. — Concorda Carly, lançando um olhar significativo para mim. Desvio o olhar, ainda um pouco abalado com as palavras de Sam. — Vamos falar sobre o plano.

Notas finais
Família Cupcake 2.0: https://chat.whatsapp.com/BbOG6KJnuHy2dQIs1sC9Ss Cupcakes da Lara: https://www.facebook.com/groups/677328449023646 Instagram: @_cupcakesdalara